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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

ATAQUE QUÍMICO - PERMISSÃO DA SÍRIA À ONU SOB SUSPEITA

ATAQUE QUÍMICO - PERMISSÃO DA SÍRIA À ONU SOB SUSPEITA

AUTORIZAÇÃO SOB SUSPEITA
O Globo - 26/08/2013
 
Para EUA e Reino Unido, Damasco pode ter destruído provas do uso de armas químicas Forças Armadas. Soldados do Exército sírio patrulha bairro em Damasco: governo de Bashar a-Assad culpa os rebeldes pelo uso de armas químicas, na quarta-feira Alquimia. Ativistas fabricam máscaras químicas num subúrbio de Zamalka, em Damasco Washington e Moscou A oferta da Síria de permitir que especialistas da ONU vistoriassem bairros onde supostos ataques com armas químicas ocorreram na quarta-feira foi recebida com desconfiança pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido, que já discutem abertamente uma intervenção militar. Horas após o sinal verde de Damasco, os dois países afirmaram que o governo de Bashar al-Assad pode ter apagado evidências. "Tarde demais para ter credibilidade", afirmou o governo americano, fazendo crescer os temores de uma intervenção militar na Síria sem a autorização das Nações Unidas. Para Washington "há pouca dúvida" de que Assad usou armas químicas contra rebeldes. A oposição do país afirma que o governo vem bombardeando os locais onde, de acordo com eles, o regime usou armas químicas num massacre de até 1.300 pessoas. - O fato é que muita evidência foi destruída por bombardeios de artilharia - disse o chanceler britânico William Hague. O ministro da Informação da Síria, Omran al-Zoubi, rebateu afirmando que o país tem "provas incontroversas de que os terroristas usaram armas químicas", referindo-se aos rebeldes. Ele disse ainda que uma intervenção americana causaria um "turbilhão de fogo" e garantiu aos americanos que a ação militar não seria um "piquenique". Nos últimos dias, os planos de intervenção começaram a ser oficialmente discutidos. Obama analisou opções com seus assessores, conversou com o primeiro-ministro britânico, David Cameron, e, ontem, ligou para o presidente francês, François Hollande. A França, na semana passada, também já tinha defendido o uso da força na Síria. Uma ligação de Obama para a chanceler alemã, Angela Merkel, foi agendada. A Alemanha também afirma que há poucas dúvidas de que o governo matou civis com armas químicas. Hoje, generais do Reino Unido, França, Qatar, EUA e outros países favoráveis a troca de regime na Síria se reúnem para discutir o tema. Também começam os trabalhos da equipe da ONU para avaliar se houve uso de armas químicas. Especialistas nesse tipo de armamento afirmam que é possível detectar contaminação em pessoas anos após um ataque. A ONU afirmou que Assad concordou com um cessar-fogo enquanto durar a inspeção liderada pela alemã Angela Kane, a alta representante de temas de desarmamento das Nações Unidas. Em Damasco, no sábado, três hospitais registraram 355 mortes com sintomas neurotóxicos. A Rússia disse que qualquer ação unilateral na Síria seria um erro de "consequências catastróficas" para a região e solicitou respeito à investigação da ONU. O país pediu que Washington não cometa os "erros do passado", mencionando que a invasão ao Iraque foi justificada pela presença de armas químicas nunca encontradas. - Todos os patrocinadores da oposição, que têm influência sobre ela, devem buscar um acordo o mais rápido possível para que os opositores de Bashar al-Assad iniciem as conversas - disse Alexander Lukashevich, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, em referência a uma possível reunião de paz em outubro, sob liderança de Rússia e EUA. AMERICANOS SÃO CONTRA INTERVENÇÃO Moscou argumentou, ainda, que Assad não tem interesse em usar armas químicas, justamente por temer uma intervenção que favorecesse aos rebeldes, a quem é superior militarmente. O Irã, que, como a Rússia, reconhece o uso armas químicas e suspeita que os rebeldes as utilizaram, disse que Washington não deveria cruzar a "linha vermelha" e atacar a Síria. - Cruzar a linha vermelha da Síria terá consequências severas para a Casa Branca - disse Massoud Jazayeri, vice-chefe de Estado Maior do Irã. O senador democrata Jack Reed pediu cautela e disse que os EUA não deveriam intervir unilateralmente. Bob Corker, um republicano da comissão de relações exteriores do Senado, afirmou que discutiu a intervenção com o governo na semana passada. Ele acredita que Obama pedirá autorização ao Congresso, em recesso até o dia 9 de setembro, para agir na Síria. - Espero que, assim que voltarmos para Washington, o presidente peça autorização ao Congresso para fazer algo bem cirúrgico e de forma proporcional. Um ataque, porém, pode prejudicar a imagem interna de Obama, já que 60% dos americanos são contra uma intervenção na Síria, de acordo com uma pesquisa Reuters/Ipsos. Benjamin Netanyahu, o primeiro-ministro de Israel, advertiu que qualquer ataque sírio contra o país seria revidado. O presidente Shimon Perez defendeu que as armas químicas sejam "tiradas" da Síria. No ano passado, Rússia e China vetaram três tentativas de Londres e Washington de aprovar punições a Assad no Conselho de Segurança da ONU, como sanções econômicas e intervenção militar. Após a terceira derrota, em junho, o presidente americano, Barack Obama, definiu, dois meses depois, que o uso de armas químicas por Assad representava uma "linha vermelha" que, se ultrapassada, teria resposta americana.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Turquia e Irã decidem promover cessar-fogo na Síria

Turquia e Irã decidem promover cessar-fogo na Síria

De Uol
  • Muhammad Ibrahim/Divulgação/Reuters
    Cenário de destruição em Baidah, na Síria Cenário de destruição em Baidah, na Síria
A Turquia e o Irã decidiram promover um cessar-fogo na Síria a partir de 25 de outubro, segundo anunciou nesta terça-feira em Ancara o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan.

Erdogan fez o anúncio em entrevista coletiva em Ancara, em seu retorno do Azerbaijão, onde discutiu com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, a possibilidade de iniciar um cessar-fogo de vários dias durante a Festa muçulmana do Cordeiro.

"Enfatizamos que seria melhor se os países com um interesse primordial na crise, como Egito, Arábia Saudita e Rússia, fizesem também apelos para o cessar-fogo", disse Erdogan em seu discurso, retransmitido ao vivo pela emissora "NTV".
Os dois dirigentes se reuniram por 40 minutos em uma reunião fechada da cúpula da Organização de Cooperação Econômica, e sua principal pauta foi o conflito sírio, reconheceu Erdogan.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Rússia toma iniciativa pela paz na Síria

Rússia toma iniciativa pela paz na Síria

Renata Giraldi - Repórter da Agência Brasil

O governo do presidente da Rússia, Vladimir Putin, um dos principais aliados dos sírios, marcou para hoje (17) uma reunião do Grupo de Ação para a Síria da Organização das Nações Unidas (ONU). As autoridades russas disseram que o objetivo é intensificar as negociações em busca de um acordo que encerre os 17 meses de conflitos que levaram a mais de 20 mil mortes. A reunião será na sede da ONU em Nova York, nos Estados Unidos.

O Grupo de Ação para a Síria é formado por integrantes da  Rússia, dos Estados Unidos, da China, da França, do Reino Unido, da Turquia, da Liga Árabe, da ONU e da União Europeia. A iniciativa foi apresentada pela delegação russa na ONU.

A decisão foi tomada depois que o Conselho de Segurança das Nações Unidas resolveu encerrar a atuação da missão de observadores na Síria. O conselho decidiu ainda que será criado um escritório político da organização em Damasco, capital síria.

O representante da Rússia no órgão, o embaixador Vitaly Churkin, lamentou o fim da missão na Síria, mas elogiou a criação de um escritório político. Segundo ele, o Grupo de Ação para a Síria está empenhado em buscar a paz na região.

Ao lado da China e do Irã, a Rússia se empenha para evitar medidas restritivas à Síria. Os russos tentam impedir a adoção de sanções ao governo do presidente sírio, Bashar Al Assad. Recentemente, a Rússia e a China conseguiram evitar medidas de restrição à Síria no Conselho de Segurança da ONU.

Edição: Juliana Andrade

Fonte: EBC
 
 

Publicado em: 17/08/2012

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Annan renuncia ao cargo de enviado especial da ONU à Síria

Annan renuncia ao cargo de enviado especial da ONU à Síria

 Do Uol

 

O enviado especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, renunciou ao cargo nesta quinta-feira. O anúncio foi feito por meio de um comunicado pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em meio ao aumento da violência no país.
Ban anunciou "com profundo pesar" a renúncia de Annan, que foi nomeado para o posto no dia 23 de fevereiro deste ano.


Atta Kenare - 10.jul.12/France Presse: Kofi Annan se reúne com o ministro iraniano para Relações Exteriores, Ali Akbar Salehi, em 10 de julho, para discutir a crise síria
"O sr. Annan informou a mim e ao secretário-geral da Liga Árabe, sr. Nabil Elaraby, a intenção de não renovar seu mandato,que expira em 31 de agosto de 2012", informa Ban no texto, acrescentando que ele e Elaraby agora dialogam para escolher um sucessor para Annan.
"Kofi Annan merece nossa profunda admiração, pela forma altruísta com que usa suas habilidades formidáveis", escreveu ainda Ban.
Annan havia proposto em abril, mês da chegada dos observadores internacionais à Síria, um plano de cessar fogo para dar fim ao conflito. No entanto, nem o governo nem a oposição respeitaram o acordo.

CONFLITO AFETA MILHÕES
 
Na segunda-feira (30), Ban afirmou que ao menos 2 milhões de pessoas já foram afetadas pelo conflito sírio entre o governo e a oposição desde março de 2011. Segundo ele, caso não haja uma ação rápida, os enfrentamentos poderão ser expandidos para os países vizinhos.
"Uma guerra sectária poderia afetar gravemente os vizinhos da Síria, Turquia, Iraque, Líbano, Jordânia e Israel. A resposta não deve ser com mais combates. A militarização desse conflito só aumentaria a devastação e prolongará o sofrimento".
Devido ao aumento dos confrontos e da quantidade de refugiados sírios na Turquia, a Grécia reforçou sua fronteira com o país, com 1.800 agentes de segurança, para evitar a entrada de cidadãos sírios no chamado Espaço Schengen e na Europa.
Mesmo não tendo sinal de um número grande de sírios indo ao país europeu, especialmente devido à crise financeira, o governo grego foi pressionado por outros membros da União Europeia a reforçar as divisões com a Turquia.
De acordo com a ONU, mais de 200 mil sírios estão refugiados em países vizinhos, a maioria na Turquia, no Líbano e na Jordânia.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

200 mil fogem com medo de Al-Assad

200 mil fogem com medo de Al-Assad

Na linha de fogo
Autor(es): RODRIGO CRAVEIRO
Correio Braziliense - 30/07/2012
 

ONU revela que 200 mil já fugiram de Aleppo e teme por moradores. Ex-amigo diz ao Correio que Al-Assad é megalomaníaco

Pelo menos 200 mil dos 2,5 milhões de moradores de Aleppo não resistiram à incursão das tropas de Bashar Al-Assad e às rajadas de metralhadoras disparadas pelos helicópteros. Nos últimos dois dias, por temerem um massacre sem precedentes, eles fugiram da capital econômica da Síria levando apenas o essencial. No que depender da obstinação dos rebeldes do Exército Sírio Livre, uma guerra aberta ainda está a caminho. "Aleppo será o túmulo dos tanques" das tropas do regime de Bashar Al-Assad, declarou à agência France-Presse o coronel sunita Abdel Jabbar Al-Oqaidi, líder militar dos rebeldes na cidade. "Nós pedimos ao Ocidente apenas uma zona de exclusão aérea. (...) Estamos prontos para derrubar o regime", acrescentou.
Muitos civis que não arriscaram o êxodo agora se veem na linha de fogo. "Não sabemos quantas pessoas permanecem presas em locais onde os combates prosseguem", afirmou Valerie Amos, chefe do serviço humanitário da Organização das Nações Unidas (ONU). O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Leon Panetta, enviou um recado a Damasco: "Se continuarem com esse tipo de ataque trágico contra seu próprio povo em Aleppo, penso que, no fim das contas, isso representará um prego no caixão de Al-Assad". Por sua vez, o chefe da Liga Árabe, Nabil Elaraby, culpou Al-Assad de cometer crimes de guerra na cidade.
No bairro de Seif Aldawlah (oeste), a segunda-feira começou ao som de explosões. "Estou escutando o barulho de morteiros caindo sobre vários bairros, além do meu, como em Salaheddine, Zebdiyah e Mash-dad", relatou ao Correio um morador identificado pelo nome fictício de Omar, 31 anos, por volta das 0h30 de hoje (18h30 de ontem em Brasília). Apesar de se sentir retido em meio ao fogo cruzado, ele afirma que não pretende abandonar Aleppo. Também diz não ter medo da morte. "Eu não temo. Esta é nossa liberdade, nós faremos qualquer coisa para obtê-la", prometeu. "Assim como muitos de meus vizinhos, não tenho para onde ir. No bairro de Sikkari, cerca de 80% da população já fugiu da cidade", comentou, por meio da internet.
Omar reclama que as condições em Aleppo se aproximam às de um desastre humanitário. Segundo ele, antes de o Exército de Al-Assad começar a megaofensiva, no sábado, muitos sírios se dirigiram à cidade, provenientes de Homs, Hama, Damasco e Latakia. "Nós estamos tentando utilizar as escolas para comportar o grande número de desabrigados, mas não existem locais seguros para isso", explicou. Ele afirma que os preços dos alimentos e da água dobraram nas últimas duas semanas. "Eu tenho aproveitado para fazer compras quando os bombardeios cessam. No entanto, tudo está muito caro", emendou.
A organização não governamental Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH) anunciou que 60 pessoas foram mortas ontem no país, 24 delas seriam civis indefesos. No sábado, a violência custou a vida de 168 sírios — 94 moradores, 33 rebeldes e 41 soldados. O coronel Al-Oqaidi apelou por ajuda aos países ocidentais. "Acreditamos que eles podem cometer um massacre enorme, e pedimos à comunidade internacional que intervenha para evitar esses crimes", declarou o rebelde, após participar de um encontro com insurgentes em um esconderijo situado a alguns quilômetros de Aleppo.
O Conselho Nacional Sírio (CNS), principal grupo da oposição, conclamou à ONU que realize uma reunião "urgente" do Conselho de Segurança. "Recai sobre a ONU o dever de fornecer proteção contra atos de genocídio e de deslocamento forçado de civis desarmados", afirmou a entidade, por meio de um comunicado à imprensa. No texto, a facção alerta que "o regime sírio se prepara para cometer massacres" em Aleppo e exorta "aos países amigos do povo sírio a imporem uma zona de exclusão aérea e a instalarem de áreas seguras para 2 milhões de deslocados".
Irã
Enquanto os rebeldes do ESL seguiam entrincheirados em vários bairros de Aleppo, o chanceler sírio, Walid Mouallem, visitava ontem Teerã e obtinha o apoio explícito na luta contra a revolução armada. O ministro de Al-Assad jurou aniquilar os opositores. "Hoje, eu digo a vocês, a Síria está mais forte. Em menos de uma semana, eles foram massacrados e o campo de batalha (em Damasco) foi transferido para Aleppo. E eu posso assegurar a vocês, os planos deles falharão", disse.
O colega iraniano, Ali Akbar Salehi, frisou que qualquer ideia de transição de governo na Síria é "uma ilusão". "Pensar, inocente e erroneamente que, no caso de um vácuo de poder e de uma transição de poder na Síria, outro governo simplesmente ocupará o lugar, é simplesmente sonhar", comentou o chanceler de Teerã.
Análise da notícia
Enquanto o Exército Sírio Livre e as forças de Bashar Al-Assad travam combates em Aleppo, outra guerra ocorre na internet — a da contrapropaganda. Bem organizados, com atualização de notícias por meio do microblog Twitter e páginas no site Facebook, os insurgentes divulgam vídeos do front e transmitem a ideia de que mantêm o domínio sobre a capital econômica da Síria. Os simpatizantes do regime disseminam a noção de que o ESL recebe apoio de jihadistas, guerrilheiros da rede Al-Qaeda e de facções extremistas.
A tevê estatal e a agência de notícias oficial corroboram com a versão de que o governo trabalha para "esmagar" os terroristas. Não é o que os vídeos lançados no YouTube pelos rebeldes mostram. Verdadeiras ou não, as imagens de execuções de civis ultrajam a comunidade internacional e servem de pretexto para ampliar a fileira de revoltosos. O difícil é separar a realidade da ficção, em um confronto marcado pela censura. (RC)
"Aleppo será o túmulo dos tanques. (...) Estamos prontos para derrubar o regime"
Coronel Abdel Jabbar Al-Oqaidi, chefe militar do Exército Sírio Livre (ESL)

terça-feira, 24 de julho de 2012

DITADURA SÍRIA AMEAÇA USAR ARMAS QUÍMICAS

DITADURA SÍRIA AMEAÇA USAR ARMAS QUÍMICAS

A VEZ DA AMEAÇA QUÍMICA
O Globo - 24/07/2012
 
Porta-voz de Assad admite existência de arsenal e alerta que pode ser usado contra ação externa

Os choques entre governo e oposição se concentraram em Aleppo, a segunda maior cidade da Síria. Mas entre os relatos da violência que tomou a região Norte, saiu da capital, Damasco, a informação que mais preocupou a diplomacia internacional ontem: a admissão, por parte do regime de Bashar al-Assad, de que a Síria tem armas químicas. E prontas para serem usadas em caso de uma intervenção estrangeira no país, conforme advertiu o porta-voz da Chancelaria síria, Jihad Makdissi.
Tanto o presidente americano, Barack Obama, quanto o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, se apressaram em condenar a hipótese do uso de armamentos não convencionais no conflito.
- Vamos seguir deixando claro a Assad e aqueles a seu redor que o mundo está observando, e eles serão responsabilizados se cometerem o terrível erro de usar essas armas - declarou Obama.
Em visita à Sérvia, Ban completou:
- Seria repreensível se qualquer um na Síria usasse armas de destruição em massa.
O responsável pela ameaça foi o porta-voz sírio Jihad Makdissi. Pressionado pelos crescentes rumores de que o Exército estaria transferindo estoques de armas químicas para diversas cidades, ele declarou que o regime "somente as usaria em caso de uma agressão externa". Pela primeira vez o país árabe - que não é signatário da Convenção de Armas Químicas (CWC) de 1992 - admitiu ter esse tipo de equipamento. As palavras dele foram interpretadas como uma declaração explícita de posse.
- Quaisquer estoques de armas químicas que possam existir jamais serão usados contra o povo sírio - assegurou o porta-voz. - Em caso de uma agressão externa, os generais vão decidir quando e como usá-las.
Chipre faz plano para refugiados
Makdissi anunciou que o Exército retomara o controle de Damasco e assegurou que a rotina seria restabelecida "em poucos dias". E ele também advertiu para a hipótese de "agentes estrangeiros armarem terroristas com armas químicas":
- Elas podem explodir, por exemplo, numa vila para que as forças de segurança da Síria sejam culpadas.
Segundo o site GlobalSecurity.org, que coleta dados de inteligência, há ao menos quatro supostos locais de armas químicas na Síria: ao Norte de Damasco, perto de Homs, em Hama e perto da litorânea Latakia.
Diante das reações negativas, o ministro sírio da Informação, Omran al-Zoubi, negou a posse de armas não convencionais, ressaltando que a Síria vem "trabalhando pelo desarmamento na região há duas décadas".
- Interpretaram a resposta como se estivéssemos admitindo a posse de armas químicas. Esses são os desejos e obsessões deles (Estados Unidos e Israel), mas o significado tem todo um outro contexto - afirmou al-Zoubi à agência Sana.
No campo de batalha, combatentes do opositor Exército Livre da Síria (ELS) alardearam a tomada de ao menos cinco bairros de Aleppo. As forças de segurança do regime reagiram com a artilharia pesada de tanques e helicópteros, e ativistas denunciaram ao menos 111 mortes.
Mas foi o aumento do número de refugiados - que já chegam a 115 mil - que preocupou a Europa. Separado da Síria por apenas 170 km no mar, Chipre, país mais próximo e hoje na presidência da União Europeia (UE), apresentou o rascunho de um plano de contingência para o caso da fuga de até 200 mil pessoas.
- A situação lá é horrível e está mudando a cada hora - admitiu a comissária para os Assuntos Internos da UE, Cecilia Malmstrom.
Milhares de sírios fogem com o mínimo pelas fronteiras de Turquia, Iraque e Líbano. Mas, na cosmopolita Beirute, chamam a atenção as muitas placas de carros do país vizinho junto a restaurantes caros. Sinais da presença de uma elite atingida na semana passada.
- Não tem nada acontecendo na Síria. Viemos passar férias de seis dias em Beirute - despistou o motorista de um carro de luxo, com a placa de Damasco.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

CHINA E RÚSSIA VETAM SANÇÕES A ASSAD E ÊXODO CRESCE NA SÍRIA

CHINA E RÚSSIA VETAM SANÇÕES A ASSAD E ÊXODO CRESCE NA SÍRIA

CHINA E RÚSSIA VETAM SANÇÃO À SÍRIA
O Estado de S. Paulo - 20/07/2012
 

A Rússia e a China vetaram ontem uma resolução que abriria o caminho para sanções ao regime de Bashar Assad. A proposta tinha o apoio dos EUA e seus aliados europeus no Conselho de Segurança da ONU. Foi a terceira vez que Moscou e Pequim usaram seu poder de veto no órgão decisório máximo das Nações Unidas. A moção recebeu 11 votos a favor, além de abstenções de Paquistão e África do Sul.
Representantes dos EUA, Grã-Bretanha, França, Alemanha e outros países consideraram lamentável a decisão russa e chinesa - num sinal claro de que, mesmo após um ano e meio de levantes na Síria e ao menos 17 mil mortos, segundo os rebeldes, a comunidade internacional continua dividida. Caso não seja votada até hoje uma resolução de emergência para pelo menos prorrogar a missão dos observadores da ONU na Síria, que começou há 90 dias, os 300 integrantes precisarão se retirar do país amanhã e não haverá mais monitores independentes para acompanhar o conflito.
"Os dois primeiros vetos da Rússia e da China foram muito destrutivos, mas o veto de agora foi ainda mais perigoso e deplorável", disse a embaixadora dos EUA na ONU, Susan Rice. A diplomata ainda qualificou de "paranoico" o argumento de que a resolução autorizaria uma intervenção militar. "São apenas ameaças de sanções", afirmou.
O representante britânico na ONU, Mark Grant, também adotou um duro discurso ao acusar chineses e russos de "colocarem seus interesses nacionais acima da vida de milhões de sírios". "O efeito de suas ações é a proteção de um regime brutal."
O texto previa a prorrogação da missão observadora da ONU e a implementação de um plano de transição política proposto pelo ex-secretário-geral da entidade e mediador do conflito, Kofi Annan, com a inclusão do Artigo 41 do Capítulo 7 da Carta das Nações Unidas, que prevê as sanções. Elas seriam aplicadas caso o governo sírio não cumprisse as determinações da resolução.
A Rússia e a China concordam com a primeira parte, mas discordam das ameaças ao regime.
Na avaliação de Moscou e Pequim, o Ocidente não quer apenas ameaçar com sanções.
O objetivo seria, segundo os dois países, abrir espaço para o Artigo 42, que permite intervenção militar, no futuro, como aconteceu na Líbia no ano passado. Além disso, os dois países também acham que a oposição deveria ser responsabilizada pela violência.
"Nós não podemos aceitar um documento que abre caminho para uma pressão por um maior envolvimento militar externo em assuntos domésticos sírios", disse o embaixador da Rússia na ONU, Vitali Churkin. A China acrescentou que a resolução basicamente adotava "o lado da oposição em um conflito descrito como guerra civil por entidades como a Cruz Vermelha".
No texto, apenas o regime seria alvo de sanções. Não há menção aos opositores nessa proposta.
De acordo com a resolução, "se as autoridades sírias não cumprirem o Parágrafo 5 (implementando as determinações do plano Annan aprovadas nas resoluções 2.042 e 2.043, que passaram por unanimidade neste ano) nos próximos dez dias, então será necessário impor imediatamente medidas do Artigo 41 da Carta da ONU (sanções)".
Para os EUA e os europeus, Assad descumpriu as resoluções anteriores, que não continham ameaças justamente pela oposição de Moscou e Pequim. Dessa forma, um texto novamente sem as pressões seria ineficaz para forçar o regime sírio a adotar as determinações do Conselho de Segurança.
A Rússia propôs uma resolução para prorrogar a missão de observadores por 30 dias, mas não houve o apoio de nove países necessários para ser colocada para votação. Se não houver um acordo hoje, os observadores terão de se retirar.
Um novo texto elaborado pelos britânicos poderia ser aprovado em caráter emergencial hoje para evitar um colapso total das negociações na ONU. Susan Rice, dos EUA, indicou que talvez seja melhor esquecer o conselho.
Outros diplomatas ocidentais eram menos céticos e achavam que o cenário poderia mudar, citando o apoio da Índia à resolução. Em iniciativas anteriores, os indianos optaram pela abstenção, posicionando-se com a China e a Rússia.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Rússia insiste em buscar saída negociada com a Síria para evitar sanções e intervenção externa

Rússia insiste em buscar saída negociada com a Síria para evitar sanções e intervenção externa

16/07/2012 -

Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil

O governo do presidente da Rússia, Vladimir Putin, vai insistir na Organização das Nações Unidas (ONU) em buscar um acordo com as autoridades sírias para evitar uma intervenção externa. O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, disse hoje (16) que há esperança de se obter um consenso entre as autoridades estrangeiras e russas. Os russos, aliados dos sírios, querem evitar a imposição de sanções e a intervenção externa na região.
O emissário especial da ONU e da Liga Árabe à Síria, Kofi Annan, reuniu-se hoje com Lavrov e também com Putin. O único assunto em discussão é a crise na Síria, que já dura 16 meses, e matou mais de 16 mil pessoas, inclusive crianças e mulheres.
Os representantes dos países ocidentais propuseram no Conselho de Segurança da ONU um projeto de resolução que determina sanções diplomáticas e econômicas à Síria, se o governo do presidente Bashar Al Assad não cumprir, em dez dias, as exigências como o fim do uso de armas pesadas.
Lavrov defende ainda que o Irã e a Arábia Saudita também participem da solução da crise síria. "Consideramos que a Arábia Saudita e o Irã, por razões conhecidas, têm influência na situação”, disse ele. “Todos compreendem que é preciso conversar com o Irã e a Arábia Saudita, o que Kofi Annan faz [negociar com líderes internacionais] seria mais útil, se eles estivessem à mesa das conversações e ajudassem a elaborar soluções viáveis."

Edição: Talita Cavalcante

terça-feira, 10 de julho de 2012

Oposição síria descarta diálogo com Bashar Al Assad

Oposição síria descarta diálogo com Bashar Al Assad

10/07/2012 
 
Roberta Lopes *
Repórter da Agência Brasil

O representante do Conselho Nacional Sírio (CNS), Basma Kodmani, considerado uma das mais importantes forças da oposição síria, disse hoje (10) em Moscou, capital russa, que não pode haver qualquer tipo de diálogo com o governo de Bashar Al Assad.
"O Conselho Nacional Sírio afirma, desde o início, que não pode haver qualquer diálogo com o regime vigente, mas pode haver conversações sobre a forma de como transitar para um novo sistema político de poder", disse.
Basma Kodmani acrescentou que foi discutido hoje o mecanismo político de solução da crise síria, proposto pela Liga Árabe e que deve ser aprovado pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).
"Defendemos quaisquer conversações, não o diálogo com o regime, mas conversações pela realização desse mecanismo sob a égide da ONU", frisou. "O que hoje une a oposição síria é a concordância em derrubar o poder na Síria e criar um novo sistema político no país. Nós nos dirigimos à Rússia, que desempenha um grande papel e que esperamos ajudará a virar a página ligada ao velho regime e passar para um novo sistema democrático".
Kodmani disse ter ido a Moscou para explicar a sua visão e a da oposição síria sobre a situação e espera que a visita contribua para que os russos se manifestem em defesa do povo sírio e prestem ajuda ao país.
"Esperamos uma resposta da direção russa ao que se passa. Espero que ela nos tente compreender e reaja", frisou. A delegação do CNS terá uma reunião com Serguei Lavrov, ministro russo dos Negócios Estrangeiros.
Makhmud Al Hamza, um dos dirigentes do CNS, considerou que a proposta de Kofi Annan, enviado especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria, para a criação de um governo de transição é "precipitada"."Antes de começar a criar esse governo, é preciso criar as condições essenciais para isso".
O Grupo de Ação para a Síria – formado pelos membros do Conselho de Segurança da ONU (China, Rússia, Estados Unidos, França e Reino Unido) e representantes da Turquia, Liga Árabe e União Europeia - propôs a formação de um governo de transição que inclua representantes do governo sírio e da oposição. Essa alternativa foi apoiada por Annan.
As autoridades sírias ainda não deram uma resposta oficial à iniciativa, mas representantes do governo criticaram a proposta alegando que não inclui a opinião dos cidadãos e nem a existência de grupos armados.
A Síria passa por uma grave crise política. Os conflitos entre os grupos de oposição ao presidente Assad e as forças de segurança do governo já provocaram a morte de mais de 16 mil pessoas durante quase um ano e meio.

* Com informações da agência pública de notícias de Portugal - Lusa//Edição: Carolina Pimentel

sábado, 7 de julho de 2012

Países Amigos da Síria querem saída de Assad do poder

Países Amigos da Síria querem saída de Assad do poder

06/07/2012 
 
Roberta Lopes *
Repórter da Agência Brasil

A conferência do grupo Amigos da Síria decidiu hoje (5), em Paris, aumentar o envio de equipamentos de comunicação para opositores ao governo de Bashar Al Assad. O grupo, que reúne países árabes e ocidentais, concluiu que o presidente sírio deve deixar o poder. A permanência de Assad no comando do país compromete a credibilidade do processo de transição política proposto pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), segundo o grupo.
O presidente francês, François Hollande, disse que o conflito na Síria ameaça a segurança mundial. A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, acusou a Rússia e a China de bloquearem ações para o fim da violência na Síria.
França e Estados Unidos, participantes do grupo, defendem que o plano de transição política, acertado no último fim de semana numa reunião das Nações Unidas em Genebra, seja incluído em uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, dando margem a sanções ou intervenções na Síria.
O grupo também se comprometeu a apoiar os sírios na coleta de provas de crimes de guerra e de violações dos direitos humanos.
O vice-ministro russo de Negócios Estrangeiros, Serguei Riabkov, rebateu a declaração de Hillary Clinton negando que a Rússia respalde o governo sírio. “Rejeitamos categoricamente as declarações de que a Rússia apoia o regime de Bashar Al Assad na situação que se instalou na Síria”, declarou Riabkov. Ele disse que seu país está empenhado em promover o diálogo político entre representantes do governo sírio e da oposição.

* Com informações da Rádio França Internacional e da agência pública de notícias de Portugal - Lusa//Edição: Carolina Pimentel
 

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Mais de 15 mil pessoas morreram desde início de manifestações contra o regime sírio, diz observatório

Mais de 15 mil pessoas morreram desde início de manifestações contra o regime sírio, diz observatório

21/06/2012 
 
 Da Agência Lusa

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos informou hoje (21) que 15.026 pessoas morreram no país nos 15 meses de manifestações contra o regime do presidente Bashar Al Assad.
Pelo menos 10.480 civis, 3.716 soldados e 830 desertores foram mortos devido à repressão e aos combates. O observatório contabiliza como civis os homens armados que combatem o regime e que não eram soldados.
"Se a comunidade internacional continua a ficar silenciosa e a se contentar em observar a situação, mais sangue correrá na Síria", disse Rami Abdel Rahmane, presidente do observatório. "A violência aumentou há dois meses e a situação vai piorar", acrescentou.
O aumento da violência forçou os observadores da Organização das Nações Unidas (ONU) a suspender a missão na Síria, apesar de terem ficado no país.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Mais de 14 mil mortos desde o início da revolta na Síria

Mais de 14 mil mortos desde o início da revolta na Síria

Publicado em Carta Capital
Sírios participam em grande funeral na província de Deraa. Foto: AFP

Um total de 14.115 pessoas, em sua maioria civis, morreram na Síria desde o início da revolta contra o regime de Bashar al-Assad em março de 2011, anunciou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).
A ONG contabiliza as mortes de 9.862 civis, 3.470 soldados e 783 desertores na repressão e nos combates. O OSDH considera civis os homens armados que lutam contra o regime.
A violência se intensificou na Síria apesar da presença de 300 observadores da ONU responsáveis por supervisionar a trégua em vigor desde 12 de abril e continuamente ignorada.
No sábado, pelo menos 111 pessoas, entre elas 83 civis e 28 soldados, morreram no país, segundo o OSDH.
O novo líder da oposição síria, Abdel Baset Sayda, afirmou neste domingo que espiral de violência no país está chegando ao fim e que o regime de Bashar al-Assad está “nas últimas”.
O Conselho Nacional Sirio (CNS), a principal coalizão de oposição ao regime de Assad, elegeu como novo líder este curdo exilado há 20 anos na Suécia por sua moderação, apesar dele ser desconhecido e não ter experiência política.


“Entramos em uma fase sensível. O regime chega ao fim. Os massacres que se multiplicam e os bombardeios mostram que está lutando para sobreviver”, declarou Sayda pouco depois de ser eleito em Istambul para o comando do CNS, um organismo que reúne islamitas, liberais, nacionalistas, independentes e militantes no campo de batalha.
“Segundo as informações que temos, o regime perdeu o controle de Damasco e de outras cidades”, completou Sayda, sem revelar detalhes.
Os combates ficaram mais intensos recentemente na capital, que no entanto continua sendo a cidade mais bem protegida pelas forças do regime.
“O plano (de solução da crise do emissário internacional Kofi) Annan ainda existe, mas não é aplicado. Vamos fazer o necessário para que este plano seja incluído dentro do capítulo VII da Carta das Nações Unidas”, ressaltou Sayda.
Isto permitiria sanções econômicas e até mesmo o uso da força contra o regime de Assad.
Sayda, 55 anos, é considerado um “conciliador”, “honesto” e “independente”, especialista em civilizações antigas e um dos fundadores do CNS.
No fim de março, os opositores sírios reconheceram o CNS como “representante formal” do povo sírio e em abril, o Grupo de Amigos do Povo Sírio, que reúne a vários países, chamou o Conselho de “representante legítimo de todos os sírios”.
Mas vários militantes sírios consideram que estão pouco representados no CNS, que não está coordenado com o Exército Sírio Livre (ASL), uma força de oposição armada constituída principalmente por desertores.
Neste domingo, quatro sírios alauitas e um xiita foram sequestrados na região de Wadi Khaled, norte do Líbano, após o rapto de um libanês sunita na mesma área, perto da fronteira com a Síria.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Crise na Síria leva a reunião de emergência na ONU na próxima quinta-feira

Crise na Síria leva a reunião de emergência na ONU na próxima quinta-feira

05/06/2012
Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil

A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) se reúne na quinta-feira (7) para discutir a situação na Síria. A sessão contará com a participação do emissário especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, que apresentará um relato sobre sua última visita ao país. A crise na Síria já dura 15 meses e a estimativa é que mais de 11 mil pessoas tenham morrido nesse período.
O relato de Annan será acompanhado pelo secretário-geral da  Liga Árabe, Nabil Al Arabia, e pelo presidente da Assembleia Geral do órgão, Nassir Abdulaziz Al Nasser, além da alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay.
Na semana passada, Annan se reuniu com o presidente da Síria, Bashar Al Assad, e reiterou a necessidade de cumprir um cessar-fogo imediato e implementar um plano de paz na região. Porém, Assad disse que terroristas armados atrapalham a execução de um plano de paz na região.
Paralelamente, há um grupo de cerca de 300 observadores da ONU na Síria que tenta negociar o fim dos confrontos. No entanto, os próprios observadores foram alvo de ataques. Segundo as Nações Unidas, uma das missões dos observadores é impedir os assassinatos, ajudar as pessoas e garantir uma transição política.
Na semana passada, a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, alertou sobre as violações cometidas na Síria. O Brasil condenou a violência, mas reiterou ser contrário à intervenção militar na região.
A embaixadora do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU), Maria Nazareth Farani Azevêdo, defendeu que as autoridades sírias solucionem o impasse internamente, mas que uma Comissão de Inquérito das Nações Unidas investigue as denúncias de violações de direitos humanos no país.
“Não há solução militar para a atual crise na Síria, e o governo sírio é o principal responsável por criar as condições necessárias para que o plano de seis pontos [negociado pelo emissário da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan] possa prosperar”, disse a embaixadora.  “Estamos extremamente preocupados com os relatos que descrevem a atual situação na Síria como de pré-guerra civil.”

quinta-feira, 31 de maio de 2012

O Brasil deve agir para buscar solução para a crise na Síria

O Brasil deve agir para buscar solução para a crise na Síria

Publicado em Carta Capital
 
José Antônio Lima

Nesta quarta-feira, mulher abraça garoto em ambulância da Cruz Vermelha em Wadi Khaled, no Líbano. Eles são dois dos 24 mil sírios que buscaram refúgio no Líbano desde março do ano passado. Foto: AFP
Nesta quarta-feira, mulher abraça garoto em ambulância da Cruz Vermelha em Wadi Khaled, no Líbano. Eles são dois dos 24 mil sírios que buscaram refúgio no Líbano desde março do ano passado. Foto: AFP

Na terça-feira, quando uma série de países anunciaram a expulsão coordenada dos embaixadores da Síria, em protesto contra o massacre de Houla, realizado na sexta-feira passada, o Brasil não aderiu. Enquanto muitas nações rompem de vez as relações com o governo do ditador Bashar al-Assad, a embaixada brasileira em Damasco continua funcionando normalmente, assim como a representação síria em Brasília. Esta posição levanta diversos questionamentos quanto à posição do Brasil. Na mais ruidosa crítica, feita em fevereiro por Catherine Ashton, a representante da União Europeia para assuntos externos, a diplomata disse que o Brasil deveria escolher entre Assad e o povo da Síria. O Brasil rejeita este maniqueísmo da União Europeia, mas até agora aposta suas fichas em uma solução mediada pela ONU que tem tudo para entrar para a história como um fracasso retumbante da diplomacia internacional. Nesta quarta-feira, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, concedeu entrevista ao jornal francês Le Monde na qual reafirma o apoio brasileiro ao plano de paz liderado por Kofi Annan, enviado especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria. Segundo Patriota, a “melhor aposta neste momento” é o plano de Annan. “É imperativo que o governo coloque um fim aos movimentos de tropas sírios nas áreas urbanas e pare de usar armas pesadas contra elas”, disse Patriota. “Isso vai desencadear um processo político aberto, liderado por sírios, capaz de estabilizar o país e se adequar às legítimas preocupações e aspirações da população”.
Entre os rebeldes sírios, as frases de Patriota devem soar como catastróficas. Em primeiro lugar, o massacre de Houla, no qual 108 pessoas foram mortas, entre elas 49 crianças, foi apenas em parte causado pelas armas pesadas do Exército sírio. Segundo os observadores da ONU que estão na Síria, a maioria das vítimas foi executada, com facas ou armas de fogo. Os principais suspeitos são milicianos pró-Assad. Em segundo lugar, o otimismo de Patriota com o plano da ONU é marcado pela ingenuidade. Hoje, o ditador Bashar al-Assad, encorajado por seus apoiadores dentro da Síria e por Rússia e China no Conselho de Segurança da ONU, não tem motivos para cessar a violência. O massacre de Houla mostrou que os observadores da ONU presentes na Síria se tornaram meros coveiros ou legistas. A presença deles não inibe nem impede matanças generalizadas. Assim, não é possível condenar quem entenda o apoio ao plano de paz como uma neutralidade que estimula a violência por parte de Assad.


A iminência do fracasso e o horror de Houla fez críticas surgirem também nos Estados Unidos. Nesta quarta-feira, o jornal The Washington Post publicou editorial no qual clama para que o presidente Barack Obama exerça sua liderança e pare de “se esconder” atrás de Annan na busca por uma solução para a crise na Síria. De fato, os EUA não fazem nada de produtivo para a paz na Síria. A retirada dos embaixadores é completamente inócua. O que o governo americano tem feito é dar apoio logístico para que governos árabes rivais de Assad entreguem armas aos rebeldes. Assim como o plano de Annan, o papel secundário ao qual Obama relegou os Estados Unidos no caso da Síria revela a fragilidade e a ineficiência do sistema de tomada de decisões da comunidade internacional.
Neste contexto, o Brasil precisa agir e mostrar que está agindo, até mesmo para evitar as críticas de “conivência com Assad”. O Brasil deve, em público e em privado, trabalhar para romper o apoio da Rússia e da China a Assad e se engajar ainda mais diretamente na busca de alternativas ao plano de Annan. Novas ideias urgem, e o Brasil tem motivos de sobra para apresentá-las. Do ponto de vista humanitário, uma bandeira cara para a diplomacia nacional, é preciso acabar logo com o conflito na Síria antes que este se torne uma guerra civil. Do ponto de vista pragmático, o Brasil, que tanto deseja uma vaga no Conselho de Segurança, tem a chance de demonstrar sua capacidade de liderança. Não há um evento mais perfeito para fazer isso do que uma crise que expõe de forma clara a incapacidade da comunidade internacional para resolver crises.

Síria pode mergulhar em uma guerra civil, diz ONU

Síria pode mergulhar em uma guerra civil, diz ONU

31/05/2012 
 
Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil

 O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, alertou hoje (31) sobre as ameaças de uma “catastrófica guerra civil” na Síria. Para ele, os riscos aumentaram depois do massacre de 108 pessoas, inclusive crianças, em Houla, no centro do país. Ontem, organizações não governamentais informaram sobre um massacre de 13 homens – mortos a tiros – cujos corpos foram encontrados com as mãos e os pés amarrados.
“Os massacres, como o do último fim de semana [o de Houla], podem mergulhar a Síria em uma catastrófica guerra civil. Guerra civil da qual o país vai ter dificuldades para se recompor”, alertou  Ki-moon durante o fórum com os chamados parceiros da Aliança de Civilizações.
Para ele, é fundamental implementar o plano de paz negociado pelo emissário da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, e negociar o fim da violência na região. A estimativa é que mais de 10 mil pessoas tenham morrido em cerca de 14 meses de conflitos. “Peço para que a administração síria honre seu compromisso de aplicar o plano de paz de Annan”, apelou.
Na última terça-feira (29) Kofi Annan conversou com o presidente sírio, Bashar Al Assad, e pediu que ele “tome medidas corajosas” encerrando a onda de violência. Segundo Assad, as dificuldades são impostas por “terroristas armados”, ele nega a ação do governo nos massacres.
Ki-moon lembrou ainda que os cerca de 300 observadores da ONU que estão na Síria são “os olhos e os ouvidos” da comunidade internacional para que “responsáveis pelos crimes possam prestar contas”. “Nós não estamos lá [na Síria] para assumir o papel de um observador passivo perante atrocidades sem nome”, disse ele.

*Com informações da agência pública de notícias de Portugal, Lusa  //   Edição: Lílian Beraldo

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Crise na Síria expõe a fraqueza da comunidade internacional

Crise na Síria expõe a fraqueza da comunidade internacional

José Antônio Lima
 
Publicado em Carta Capital
Annan e Assad durante reunião nesta terça-feira, em Damasco. O plano de paz de Annan ainda não saiu do papel. Foto: Sana / AFP
Annan e Assad durante reunião nesta terça-feira, em Damasco. O plano de paz de Annan ainda não saiu do papel. Foto: Sana / AFP

Os governos de oito países anunciaram nesta terça-feira 29 a expulsão dos embaixadores e outros diplomatas da Síria, num movimento coordenado de represália contra o chamado massacre de Houla, que deixou pelo menos 90 pessoas mortas na sexta-feira passada, 32 delas crianças. A expulsão dos embaixadores, se por um lado revela o desejo do Ocidente de se contrapor ao ditador Bashar al-Assad, por outro expõe a incapacidade da comunidade internacional como um todo de buscar alternativas viáveis para estancar a violência na Síria. Na prática, a expulsão dos embaixadores tem pouco significado. Os diálogos entre os países ocidentais e o governo da Síria estavam suspensos já há muito tempo. Estados Unidos, França e Reino Unido, os três membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas que pressionam por sanções contra o governo Assad, comandaram a expulsão. Outros cinco governos alinhados a este trio, Alemanha, Austrália, Canadá, Espanha e Itália, fizeram o mesmo. Na Rússia e na China, aliadas ao governo Assad, as representações diplomáticas sírias continuam funcionando normalmente.
Enquanto este impasse persistir, a comunidade internacional continuará apegada a iniciativas cosméticas, como o “processo de paz” liderado pelo ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan. Enviado especial para a Síria, Annan esteve nesta terça-feira em Damasco. Em conversa com Assad, Annan classificou o massacre de “horrendo” e afirmou que seu plano de paz só vai funcionar se Assad “tomar atitudes corajosas para acabar com a violência e libertar prisioneiros”.


A missão de Annan é quixotesca. Hoje, Assad não tem motivos para encerrar a campanha violenta contra seus opositores que mantém desde março do ano passado. Por três motivos. Em primeiro lugar, porque boa parte da sociedade síria continua apoiando seu governo, por medo de quem pode substituí-lo. Em segundo lugar, porque o apoio diplomático da Rússia e da China serve como encorajamento na luta contra os grupos opositores classificados por Assad como “terroristas”. Em terceiro lugar, porque a comunidade internacional já atua de forma clandestina na Síria. Como mostrou CartaCapital há duas semanas, países como a Arábia Saudita e os Estados Unidos dão apoio aos rebeldes rivais de Assad. Ao mesmo tempo, o Irã segue apoiando o regime sírio, seu maior aliado na região. Na segunda-feira 28, o chefe da Força Quds, uma tropa de elite da Força Revolucionária do Irã, admitiu que agentes iranianos estão atuando dentro da Síria.
Diante desta divisão diplomática, da importância geopolítica da Síria e do acentuado sectarismo religioso no país, a opção de uma ação armada unilateral, semelhante à que ocorreu na Líbia, segue descartada. Os países ocidentais têm várias preocupações reais quanto a uma intervenção. A primeira é entrar num conflito que, em pouco tempo, pode transformar a Síria num novo Iraque pós-invasão norte-americana de 2003. A segunda é espalhar o conflito para outros países. Mesmo sem intervenção, entretanto, essas duas consequências podem se tornar realidade. Dentro da Síria, a violência sectária está cada vez mais inflamada. No Líbano, país vizinho, os temores de uma retomada da guerra civil são cada vez maiores. Outro temor é que um conflito na Síria se torne um confronto aberto entre as potências ocidentais e o Irã e, no limite, a Rússia, uma batalha cujas consequências são imprevisíveis.
Hoje, a alternativa mais factível para um desfecho aceitável da crise é Assad aceitar um plano de transição incluindo sua saída da presidência da Síria. Para viabilizar essa proposta, semelhante à aplicada no Iêmen, os Estados Unidos estão tentando obter o apoio da Rússia para a iniciativa. Mesmo se este consenso for obtido, há dúvidas quanto à aceitação do plano por parte de aliados de Assad e dos setores da sociedade síria que apoiam o ditador.
Como se vê, a Síria se tornou um desafio colossal para a forma como as decisões são tomadas na comunidade internacional. Mesmo diante de um massacre, que incluiu segundo a ONU execuções sumárias de crianças, os políticos do mundo seguem em estado de paralisia.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Onda de violência síria chega ao Líbano matando duas pessoas e ferindo 18


Onda de violência síria chega ao Líbano matando duas pessoas e ferindo 18

21/05/2012 
 
Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil

A onda de violência que atinge a Síria há 14 meses ultrapassou a fronteira com o Líbano e atingiu o território libanês hoje (21). Pelo menos duas pessoas morreram e 18 ficaram feridas em confrontos armados entre opositores e simpatizantes do presidente sírio, Bashar Al Assad, em Beirute. Os confrontos ocorreram no bairro de Tarik Al Yadide.
Os embates duraram cerca de cinco horas. Os confrontos foram comandados por integrantes do Partido Árabe, favorável a Assad, liderado por Jaled Beryaui, e simpatizantes da legenda Futuro, ligada ao ex-primeiro-ministro Saad Harini, que diverge do atual governo.
Foram usadas metralhadoras e lançadas granadas. Várias lojas e veículos foram destruídos e  edifícios incendiados. Os confrontos começaram ontem (20) devido à morte do líder religioso muçulmano sunita (um dos principais segmentos do islamismo) Ahmad Abdul Wahid, na região norte de Akkar, na fronteira com a Síria, que foi atingido a tiro por soldados libaneses.
Os conflitos na Síria começaram em março do ano passado, quando manifestantes passaram a protestar contra o governo Assad. Os opositores insistem na renúncia do presidente, acusando-o de autoritário, responsável por violações de direitos humanos e censura à liberdade de imprensa.

*Com informações da agência públcia de notícias de Portugal, Lusa//Edição: Graça Adjuto

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Ação dos EUA e do Irã torna a paz na Síria inviável

Ação dos EUA e do Irã torna a paz na Síria inviável

Publicado em Carta Capital
Imagem divulgada por opositores de Assad mostra grupo de militares que deserdaram e se juntaram aos rebeldes, em Idlib, no norte do país. Foto: Shaam News Network / AFP
Imagem divulgada por opositores de Assad mostra grupo de militares que deserdaram e se juntaram aos rebeldes, em Idlib, no norte do país. Foto: Shaam News Network / AFP

Em março de 2011, quando a crise na Síria teve início, um dos argumentos mais fortes contra uma intervenção internacional aos moldes da que houve na Líbia era a possibilidade de o conflito no país se tornar uma “guerra por procuração”. O medo era de que potências ocidentais e grupos e governos regionais interferissem na Síria fomentando uma guerra civil com potencial para espirrar para outros países da região. Como se sabe, não houve intervenção na Síria, mas nesta semana ficou claro que o país se tornou um campo de batalha mundial. Neste palco, disputam poder Estados Unidos, Irã, Turquia, países do Golfo Pérsico e outros grupos civis, como a Irmandade Muçulmana da Síria e, possivelmente, até a rede terrorista Al-Qaeda. Enquanto isso, as perspectivas de paz na Síria só fazem minguar e as de uma nova guerra civil no vizinho Líbano crescem. A comprovação de que o governos dos Estados Unidos está tentando ajudar os rebeldes rivais ao ditador Bashar al-Assad surgiu em uma reportagem publicada pelo jornal The Washington Post na terça-feira 15. À publicação, um membro do Departamento de Estado americano afirmou que a Casa Branca está “aumentando a ajuda não-letal à oposição síria”. Essa ajuda inclui informações de inteligência sobre rebeldes sírios e também sobre infraestrutura de combate. Com esses dados, os países do Golfo Pérsico, especialmente Catar e Arábia Saudita, fazem chegar aos rebeldes sírios milhões de dólares em armas contrabandeadas. As duas principais rotas dos armamentos são o Líbano, um país também dividido entre setores pró e anti-Assad, e a Turquia, que fala abertamente em tirar Assad do poder. Os governos não são os únicos contrabandeando armas. A Irmandade Muçulmana da Síria (que nada tem a ver atualmente com a Irmandade Muçulmana no Egito) abriu também sua própria rota para abastecer os rebeldes.


Tão preocupante quanto a interferência externa na Síria é a possível entrada de militantes ligados, na prática ou ideologicamente, à Al-Qaeda. O atentado da semana passada em Damasco (uma dupla explosão de carro-bomba com 55 mortos) fez diversos especialistas crerem que a rede terrorista está tentando se instalar na Síria. Ironicamente, a Al-Qaeda e os Estados Unidos têm interessante coincidente por lá: derrubar Assad.
Ambulância da Cruz Vermelha passa por carro blindado do Exército do Líbano em Trípoli, cidade no norte do país onde a violência sectária deixou pelo menos oito mortos nesta semana. Foto: Joseph Eid / AFP
Ambulância da Cruz Vermelha passa por carro blindado do Exército do Líbano em Trípoli, cidade no norte do país onde a violência sectária deixou pelo menos oito mortos nesta semana. Foto: Joseph Eid / AFP

Do outro lado da briga, o comportamento é exatamente o mesmo. As suspeitas de que o governo do Irã está contrabandeando armas para o regime sírio ficaram mais fortes nesta semana. Na quarta-feira, um diplomata do Conselho de Segurança das Nações Unidas afirmou à agência Associated Press que um novo relatório da entidade descobriu pelo menos dois carregamentos ilegais de armas enviados pelo Irã à Síria. O Irã tem em Assad seu principal aliado regional e não quer perde-lo. Assim, não tem ajudado a Síria apenas com armas. Nesta quinta-feira, o jornal Financial Times afirma que a Síria está conseguindo romper o embargo a suas exportações de petróleo graças a um navio iraniano. A embarcação estaria usando diversas bandeiras e empresas diferentes para levar o petróleo sírio ao Irã. O retrato é completado pelo drama do Líbano, um país muito influenciado pelo que ocorre na Síria. O Líbano tem comunidades sunitas, xiitas e alawitas que são fieis a seus correligionários na Síria. Nesta semana, a violência entre alawitas (como Assad) e sunitas (como os rebeldes sírios) deixou pelo menos oito mortos. O governo libanês tenta a todo custo abafar a crise antes que ela se agrave e abra as portas para uma guerra civil.
Assim, enquanto o enviado especial das Nações Unidas, Kofi Annan, tenta mediar a paz na Síria, diversos atores da comunidade internacional agem no submundo para tornar um acordo inviável. Somando-se a isso o comportamento assassino e insano de Bashar al-Assad, não é difícil perceber que a Síria caminha para um destino desolador.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Mais de 11 mil pessoas foram mortas em 13 meses de crise na Síria, diz ONG

Mais de 11 mil pessoas foram mortas em 13 meses de crise na Síria, diz ONG

16/04/2012

Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil 

rasília – No momento em que uma missão de observadores da Organização das Nações Unidas (ONU) está em Damasco, capital síria, a organização não governamental (ONG) Observatório Sírio dos Direitos Humanos informou hoje (16) que, em 13 meses, 11.117 pessoas morreram no país em decorrência da onda de violência. Apenas nos últimos quatro dias, desde que foi imposto o cessar-fogo, 55 pessoas morreram.
Pelos números da ONG, entre as vítimas estão 7.972 civis e 3.145 militares e desertores. As informações são do presidente do Observatório Sírio dos Direitos Humanos, Rami Abdel Rahmane. Segundo ele, o cessar-fogo não impediu os embates entre forças leais ao governo do presidente sírio, Bashar Al Assad, e a oposição.
Desde março de 2011, Assad é alvo de protestos no país, aos quais reage com o uso de força. Os manifestantes reivindicam sua renúncia, a abertura política do país e o fim da onda de violência. Observadores internacionais identificaram casos de violação de direitos humanos, como estupros, prisões indevidas e detenção de crianças.
Uma equipe de seis observadores da ONU chegou hoje a Damasco. O objetivo do grupo é verificar a execução do plano de cessar-fogo na região. O grupo é liderado pelo coronel marroquino Ahmed Himmiche, que aguarda a chegada de mais 24 observadores nos próximos dias.
O Conselho de Segurança da ONU aprovou no dia 14, por unanimidade dos seus 15 membros, a Resolução 2042, que vai permite o envio à Síria de uma equipe de até 30 observadores para a região.

*Com informações da agência pública de notícias de Portugal, Lusa // Edição: Juliana Andrade

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Clima é de tranquilidade nas primeiras horas do cessar-fogo na Síria, avaliam autoridades

Clima é de tranquilidade nas primeiras horas do cessar-fogo na Síria, avaliam autoridades

Renata Giraldi* - Repórter da Agência Brasil

No primeiro dia hoje (12) do cessar-fogo na Síria, as autoridades anunciaram o fim das operações militares. Advertiram, porém, que o Exército sírio pode reagir a eventuais ataques, considerados por eles como terroristas. O governo do presidente sírio, Bashar Al Assad, classifica a oposição de terrorista. O Conselho Nacional Sírio, que representa a oposição, convocou uma manifestação para hoje.

O enviado especial das Nações Unidas e da Liga Árabe, Kofi Annan, disse que os sírios têm direito à livre manifestação, referindo-se ao protesto convocado pela oposição para hoje.

Inicialmente, as autoridades sírias informaram que nas primeiras horas do dia não foram constatadas irregularidades. Os veículos do Exército ainda são mantidos nas principais cidades do país. A oposição denunciou a ameaça lançada pelo governo.

“Há um cessar-fogo, mas eles dizem estar prontos para atacar a qualquer momento. O que isso significa?”, reagiu  o chefe do Conselho Nacional Sírio, principal grupo de oposição ao regime,  Burhan Ghalioun. “O cessar-fogo não tem valor algum se não garantir ao povo o direito de se manifestar e o plano de Annan também não terá valor se não promover  a transição para um governo democrático pluralista”.

A Síria está em clima de tensão desde março de 2011, quando manifestantes passaram a criticar e exigir a saída de Assad do poder – ele está no governo há 12 anos. Os manifestantes alegam a necessidade de mais liberdade política e de expressão e o fim das violações de direitos humanos. Pelos dados de organizações não governamentais, cerca de 9 mil pessoas morreram em um ano durante protestos na região.

*Com informações da agência pública de notícias de Portugal, Lusa, e da emissora pública de rádio da França, RFI.//Edição: Graça Adjuto

Fonte: EBC 
 
 

Publicado em: 12/04/2012