Futuro de Assad é obstáculo para acordo de paz na Síria
| Jornal de Brasília - 23/01/2014 |
|
| Jornal de Brasília - 23/01/2014 |
|
| O Globo - 06/01/2014 |
| BEIRUTE - Ativistas sírios afirmaram nesta
segunda-feira que os combates internos entre rebeldes e milícias
ligadas à al-Qaeda se espalharam para uma cidade no Leste do país, após
varrer áreas controladas pela oposição no Norte. Ambos os grupos lutam
contra o regime do ditador Bashar al-Assad.
De acordo com informações do Observatório Sírio para os Direitos
Humanos, os rebeldes entraram em confronto nesta segunda-feira contra
milicianos do Estado Islâmico no Iraque e do Levante (Isis, na sigla em
inglês), ligado à al-Qaeda, no município de Raqqa, um dos redutos do
grupo terrorista.
A luta interna começou nas províncias do Norte de Aleppo e Idlib na sexta-feira e vem se espalhando desde então. O impulso para o Leste sugere que os rebeldes estão se preparando para invadir todas as áreas controladas pelo Isis. Para conter o avanço do grupo extremista, rebeldes opositores a Assad formaram uma aliança, chamada Exército dos Combatentes para a Jihad. Nas mais recentes demonstrações de expansão do extremismo islâmico liderado pela al-Qaeda, o Estado Islâmico do Iraque e do Levante assumiu o controle da cidade de Falluja, no Iraque, e cometeu um atentado que matou cinco pessoas - entre elas uma brasileira - em Beirute, no Líbano, na semana passada. |
| O Estado de S. Paulo - 07/01/2013 |
O ditador da Síria, Bashar Assad, rompeu ontem seis meses de silêncio com uma promessa de esmagar os "criminosos assassinos" e "aliados da Al-Qaeda" que estariam por trás da insurreição na Síria. Assad voltou a falar numa transição negociada com opositores "que não traíram a nação", a qual incluiria uma reforma constitucional e eleições - sem que ele deixe o poder. Foi a primeira vez que o líder sírio falou publicamente desde junho, quando concedeu uma longa entrevista a uma rede de TV russa aliada ao Kremlin. Assad discursou no palco da Ópera de Damasco para uma platéia lotada de partidários que várias vezes o interrompiam com gritos em defesa do regime. Horas antes do pronunciamento, parte da internet saiu do ar na Síria. "Estamos combatendo uma agressão externa que é mais perigosa do que qualquer outra, pois ela usa (sírios) para matarem uns aos outros", disse Assad, diante de um mural em que retratos de sírios formavam uma enorme bandeira nacional. "Trata-se de uma guerra entre a nação e seus inimigos, entre o povo e assassinos criminosos." O ditador propôs um novo plano de mudança na Constituição e eleições, mas recusou qualquer negociação com grupos que pegaram em armas contra Damasco. "Não rejeitamos o diálogo, mas com quem devemos conversar? Com os extremistas que não falam nenhuma língua a não ser a dos assassinatos e do terrorismo? Devemos terum diálogo oficial com um fantoche criado pelo Ocidente?". Líderes da oposição síria imediatamente recusaram o plano proposto por Assad. "Essa iniciativa apresentada (pelo ditador, prevendo uma mudança na Constituição e eleições) é excelente e só falta um aspecto crucial: que ele renuncie", afirmou Kamal Labwani, político secular veterano da dissidência de Damasco e integrante da Coalizão :Nacional Síria, grupo que reúne várias forças anti-Assad. Isolado. O ditador sírio também afirmou que não receberá "ordens, mas apenas conselhos" de autoridades estrangeiras - uma indireta contra os esforços de mediação do emissário da ONU e da Liga Árabe, o argelino Lakhdar Brahimi. O discurso do ditador sírio irritou países da região e do Ocidente que apoiam a oposição síria. Em encontro com o chanceler do Brasil, Antonio Patriota, em Izmir, na Turquia, o ministro das Relações Exteriores de Ancara foi irônico: "Parece que (Assad) andou trancado em seu quarto e por meses ficou lendo relatórios de inteligência entregues por quem quer lhe bajular". Até o início da insurreição na Síria, em março de 2011, a Turquia era um dos países mais próximos do regime Assad. Quando Damasco respondeu aos protestos por maiores liberdades com uma violenta repressão, o governo turco rompeu relações. Hoje, centenas de milhares de refugiados sírios vivem na Turquia. Para o Departamento de Estado dos EUA, Assad "tentou mais uma vez se agarrar ao poder" com o discurso. |
| CHINA E RÚSSIA VETAM SANÇÃO À SÍRIA |
| O Estado de S. Paulo - 20/07/2012 |
|
A Rússia e a China vetaram ontem uma resolução que abriria o caminho para sanções ao regime de Bashar Assad. A proposta tinha o apoio dos EUA e seus aliados europeus no Conselho de Segurança da ONU. Foi a terceira vez que Moscou e Pequim usaram seu poder de veto no órgão decisório máximo das Nações Unidas. A moção recebeu 11 votos a favor, além de abstenções de Paquistão e África do Sul. Representantes dos EUA, Grã-Bretanha, França, Alemanha e outros países consideraram lamentável a decisão russa e chinesa - num sinal claro de que, mesmo após um ano e meio de levantes na Síria e ao menos 17 mil mortos, segundo os rebeldes, a comunidade internacional continua dividida. Caso não seja votada até hoje uma resolução de emergência para pelo menos prorrogar a missão dos observadores da ONU na Síria, que começou há 90 dias, os 300 integrantes precisarão se retirar do país amanhã e não haverá mais monitores independentes para acompanhar o conflito. "Os dois primeiros vetos da Rússia e da China foram muito destrutivos, mas o veto de agora foi ainda mais perigoso e deplorável", disse a embaixadora dos EUA na ONU, Susan Rice. A diplomata ainda qualificou de "paranoico" o argumento de que a resolução autorizaria uma intervenção militar. "São apenas ameaças de sanções", afirmou. O representante britânico na ONU, Mark Grant, também adotou um duro discurso ao acusar chineses e russos de "colocarem seus interesses nacionais acima da vida de milhões de sírios". "O efeito de suas ações é a proteção de um regime brutal." O texto previa a prorrogação da missão observadora da ONU e a implementação de um plano de transição política proposto pelo ex-secretário-geral da entidade e mediador do conflito, Kofi Annan, com a inclusão do Artigo 41 do Capítulo 7 da Carta das Nações Unidas, que prevê as sanções. Elas seriam aplicadas caso o governo sírio não cumprisse as determinações da resolução. A Rússia e a China concordam com a primeira parte, mas discordam das ameaças ao regime. Na avaliação de Moscou e Pequim, o Ocidente não quer apenas ameaçar com sanções. O objetivo seria, segundo os dois países, abrir espaço para o Artigo 42, que permite intervenção militar, no futuro, como aconteceu na Líbia no ano passado. Além disso, os dois países também acham que a oposição deveria ser responsabilizada pela violência. "Nós não podemos aceitar um documento que abre caminho para uma pressão por um maior envolvimento militar externo em assuntos domésticos sírios", disse o embaixador da Rússia na ONU, Vitali Churkin. A China acrescentou que a resolução basicamente adotava "o lado da oposição em um conflito descrito como guerra civil por entidades como a Cruz Vermelha". No texto, apenas o regime seria alvo de sanções. Não há menção aos opositores nessa proposta. De acordo com a resolução, "se as autoridades sírias não cumprirem o Parágrafo 5 (implementando as determinações do plano Annan aprovadas nas resoluções 2.042 e 2.043, que passaram por unanimidade neste ano) nos próximos dez dias, então será necessário impor imediatamente medidas do Artigo 41 da Carta da ONU (sanções)". Para os EUA e os europeus, Assad descumpriu as resoluções anteriores, que não continham ameaças justamente pela oposição de Moscou e Pequim. Dessa forma, um texto novamente sem as pressões seria ineficaz para forçar o regime sírio a adotar as determinações do Conselho de Segurança. A Rússia propôs uma resolução para prorrogar a missão de observadores por 30 dias, mas não houve o apoio de nove países necessários para ser colocada para votação. Se não houver um acordo hoje, os observadores terão de se retirar. Um novo texto elaborado pelos britânicos poderia ser aprovado em caráter emergencial hoje para evitar um colapso total das negociações na ONU. Susan Rice, dos EUA, indicou que talvez seja melhor esquecer o conselho. Outros diplomatas ocidentais eram menos céticos e achavam que o cenário poderia mudar, citando o apoio da Índia à resolução. Em iniciativas anteriores, os indianos optaram pela abstenção, posicionando-se com a China e a Rússia. |