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sexta-feira, 20 de julho de 2012

CHINA E RÚSSIA VETAM SANÇÕES A ASSAD E ÊXODO CRESCE NA SÍRIA

CHINA E RÚSSIA VETAM SANÇÕES A ASSAD E ÊXODO CRESCE NA SÍRIA

CHINA E RÚSSIA VETAM SANÇÃO À SÍRIA
O Estado de S. Paulo - 20/07/2012
 

A Rússia e a China vetaram ontem uma resolução que abriria o caminho para sanções ao regime de Bashar Assad. A proposta tinha o apoio dos EUA e seus aliados europeus no Conselho de Segurança da ONU. Foi a terceira vez que Moscou e Pequim usaram seu poder de veto no órgão decisório máximo das Nações Unidas. A moção recebeu 11 votos a favor, além de abstenções de Paquistão e África do Sul.
Representantes dos EUA, Grã-Bretanha, França, Alemanha e outros países consideraram lamentável a decisão russa e chinesa - num sinal claro de que, mesmo após um ano e meio de levantes na Síria e ao menos 17 mil mortos, segundo os rebeldes, a comunidade internacional continua dividida. Caso não seja votada até hoje uma resolução de emergência para pelo menos prorrogar a missão dos observadores da ONU na Síria, que começou há 90 dias, os 300 integrantes precisarão se retirar do país amanhã e não haverá mais monitores independentes para acompanhar o conflito.
"Os dois primeiros vetos da Rússia e da China foram muito destrutivos, mas o veto de agora foi ainda mais perigoso e deplorável", disse a embaixadora dos EUA na ONU, Susan Rice. A diplomata ainda qualificou de "paranoico" o argumento de que a resolução autorizaria uma intervenção militar. "São apenas ameaças de sanções", afirmou.
O representante britânico na ONU, Mark Grant, também adotou um duro discurso ao acusar chineses e russos de "colocarem seus interesses nacionais acima da vida de milhões de sírios". "O efeito de suas ações é a proteção de um regime brutal."
O texto previa a prorrogação da missão observadora da ONU e a implementação de um plano de transição política proposto pelo ex-secretário-geral da entidade e mediador do conflito, Kofi Annan, com a inclusão do Artigo 41 do Capítulo 7 da Carta das Nações Unidas, que prevê as sanções. Elas seriam aplicadas caso o governo sírio não cumprisse as determinações da resolução.
A Rússia e a China concordam com a primeira parte, mas discordam das ameaças ao regime.
Na avaliação de Moscou e Pequim, o Ocidente não quer apenas ameaçar com sanções.
O objetivo seria, segundo os dois países, abrir espaço para o Artigo 42, que permite intervenção militar, no futuro, como aconteceu na Líbia no ano passado. Além disso, os dois países também acham que a oposição deveria ser responsabilizada pela violência.
"Nós não podemos aceitar um documento que abre caminho para uma pressão por um maior envolvimento militar externo em assuntos domésticos sírios", disse o embaixador da Rússia na ONU, Vitali Churkin. A China acrescentou que a resolução basicamente adotava "o lado da oposição em um conflito descrito como guerra civil por entidades como a Cruz Vermelha".
No texto, apenas o regime seria alvo de sanções. Não há menção aos opositores nessa proposta.
De acordo com a resolução, "se as autoridades sírias não cumprirem o Parágrafo 5 (implementando as determinações do plano Annan aprovadas nas resoluções 2.042 e 2.043, que passaram por unanimidade neste ano) nos próximos dez dias, então será necessário impor imediatamente medidas do Artigo 41 da Carta da ONU (sanções)".
Para os EUA e os europeus, Assad descumpriu as resoluções anteriores, que não continham ameaças justamente pela oposição de Moscou e Pequim. Dessa forma, um texto novamente sem as pressões seria ineficaz para forçar o regime sírio a adotar as determinações do Conselho de Segurança.
A Rússia propôs uma resolução para prorrogar a missão de observadores por 30 dias, mas não houve o apoio de nove países necessários para ser colocada para votação. Se não houver um acordo hoje, os observadores terão de se retirar.
Um novo texto elaborado pelos britânicos poderia ser aprovado em caráter emergencial hoje para evitar um colapso total das negociações na ONU. Susan Rice, dos EUA, indicou que talvez seja melhor esquecer o conselho.
Outros diplomatas ocidentais eram menos céticos e achavam que o cenário poderia mudar, citando o apoio da Índia à resolução. Em iniciativas anteriores, os indianos optaram pela abstenção, posicionando-se com a China e a Rússia.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Sem reforma do partido, uma Primavera Chinesa é inevitável

Sem reforma do partido, uma Primavera Chinesa é inevitável

The Observer/Publicado em Carta Capital

22.04.2012
Os líderes da revolução estão mortos há muito tempo e foram substituídos por uma elite administrativa competente mas podre. Foto: Liu Jin/AFP

Por Will Hutton

A detenção domiciliar da importante autoridade comunista Bo Xilai, até recentemente o político mais popular da China, hoje despido de seus títulos, enquanto sua ambiciosa mulher, a advogada Gu Kailai, é acusada de envolvimento no suposto assassinato do empresário britânico Neil Heywood, ex-membro da Harrow School, é uma história que tem de tudo. O sistema de classes britânico encontra os escuros labirintos internos do Partido Comunista Chinês para criar o maior escândalo político da China em décadas. A mídia estatal chinesa está hoje em ritmo acelerado para retratar Bo e Gu como um casal descontrolado, louco por poder, que foi trazido de volta para o regime da lei pelo partido sábio, que tudo vê.
O resto do mundo parece pronto para entrar no jogo. Bo era um político populista perigoso, uma regressão aos períodos mais sombrios e turbulentos da história recente da China. Todo o processo pelo qual ele foi derrubado pode ter ecos da política da antiga corte imperial chinesa, mas é eficaz. O ato foi feito, os reformistas continuam no controle, e David Cameron aplaudiu a investigação sobre a morte de Heywood e as prisões que resultaram.
Mas esse episódio é muito mais importante que um poderoso político sendo esmagado pela máquina comunista. O que muitos poucas pessoas reconhecem é a enorme crise de legitimidade do Partido Comunista. A batalha entre Bo Xilai e a liderança é sobre muito mais que o modo como ele adquiriu sua fortuna pessoal, que lhe permitiu educar seus filhos nas melhores escolas públicas britânicas. Tem a ver com encontrar uma resposta para a questão da legitimidade. A menos que uma estratégia convincente seja desenvolvida em breve, uma Primavera Chinesa em algum momento da próxima década parece quase certa.
O direito do partido a governar é que ele conduziu a revolução comunista, a aurora de um paraíso igualitário em que a legenda, como defensor do proletariado, deveria governar a economia e a sociedade harmoniosamente, em nome de todos. Mas se o crescimento da China foi notável e 400 milhões foram tirados da pobreza, o país tem claramente muito pouco a ver com o socialismo ou um paraíso igualitário. Os líderes da revolução estão mortos há muito tempo e foram substituídos por uma elite administrativa competente mas podre, que se parece cada vez mais com o mandarinato confuciano que a revolução derrubou.
Foi criado um modelo econômico corporativista obscuro, em que indivíduos privilegiados, especialmente os chamados príncipes — filhos e filhas de ex-líderes revolucionários, como Bo Xilai e sua mulher (ambos filhos de generais revolucionários) –, enriquecem impunemente. Não há lei imparcial; nem verificações e balanços; nada é confiável. As autoridades do partido não podem alegar que são heróis revolucionários como motivo para manterem os cargos; são administradores corruptos prestes a dar a retribuição por aumentar os padrões de vida. Mas se eles falharem está claro que todo o edifício vai implodir.
O primeiro-ministro Wen é o político mais consciente da crise iminente. Ele pediu desculpas em público a seus concidadãos por não fazer mais para promover a causa da responsabilidade e o regime da lei enquanto está no cargo. Também tem uma visão clara da fragilidade da economia chinesa, cujo crescimento é desequilibrado, descoordenado e insustentável, como ele advertiu constantemente.
Depois da prisão de Gu, ele não fez referência à linha oficial do partido para justificar o que aconteceu; preferiu citar uma passagem dos Analetos de Confúcio sobre a necessidade de os líderes se comportarem com integridade. Wen sabe que o comunismo como ideologia está morto, daí seu apelo a Confúcio, mais que a Marx.


O desafio de Bo, apoiado por importantes oficiais do exército e do aparelho de segurança, foi este: o partido, ele concordou, tinha de continuar a adotar o que Deng Xiaoping chamou de “economia de mercado socialista”, mas precisava fazer mais para enfatizar o componente socialista, de outro modo a crise de legitimidade o arrasaria. Por isso, enquanto era prefeito de Chongqing ele lançou uma forte medida anticorrupção, prendendo publicamente centenas de autoridades.
Bo distribuiu ajuda para milhões de pobres e ex-integrantes do partido enquanto justificava suas ações com referências a Mao, e não a Confúcio — e com cantorias organizadas de canções da revolução cultural. Ele lançou um reverdejamento da megalópole, plantando árvores e despoluindo o ar, enquanto cortejava o investimento estrangeiro para impelir o crescimento econômico. Foi o modelo de um novo tipo de autoridade comunista rigorosa, rigorosamente nacionalista — e extremamente popular.
Sua ameaça era dupla. Primeiro, representava um novo fenômeno — um político carismático preparado para agir sobre a desigualdade e a corrupção com uma base popular. Mas em segundo lugar, para os reformistas, ele estava brincando com fogo. Wen tem razão ao declarar publicamente que a revolução cultural não é uma parte da história recente de que todos possam se orgulhar. Pelo menos 500 mil pessoas foram assassinadas sumariamente. Mas Bo estava associando o combate à corrupção e a redução da desigualdade com tal “comunismo verdadeiro” — minando diretamente a atual posição ideológica do partido e agravando sua crise de legitimidade.
Então precisava haver uma resposta. Não houve autópsia de Heywood, assim dando ao partido liberdade máxima para agir, não em nome da justiça, mas do que a facção no controle considerasse do interesse do partido. Haverá um julgamento de fachada que dará o resultado certo, mas a ala reformista ainda enfrenta o desafio de conquistar legitimidade. O excesso de exposição dos erros de Bo Xilai vai confirmar como vive a elite; e com menos visibilidade não haverá caso.
Pior, Wen pode contorcer as mãos por seus erros, temendo que o governo não consiga mais suportar projetos de infraestrutura que dão prejuízo para gerar crescimento — rapidamente caindo para seu nível mais baixo em muitos anos. Mas ele nada fez para mudar as coisas principalmente porque nessa situação nada pode ser feito. A China precisa se tornar uma economia “normal” com centros plurais de tomada de decisões, uma capacidade nativa de inovar e menos dependência de fluxos de crédito e gastos de infraestrutura dirigidos pelo Estado. Mas isso é incompatível com ser um Estado de partido único.
Os líderes da União Soviética enfrentaram dilemas semelhantes no início dos anos 1980. Depois de 60 anos, as revoluções perdem legitimidade e problemas econômicos se tornam intratáveis. O grupo ao redor de Gorbachev decidiu que não havia opção senão acelerar as reformas. A nova liderança chinesa, decidida a assumir o comando por mais um ciclo de dez anos neste outono, tentará seguir sem muitas mudanças.
Mas o desafio de Bo sobre a legitimidade permanece. Se não houver uma mudança vinda de cima, ela virá de baixo. Uma Primavera Chinesa é muito provável em algum momento nos próximos dez anos. Até aí nós sabemos. Só não sabemos quando.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Economias do Brasil e da China tendem a uma moderação no crescimento, diz OCDE

Economias do Brasil e da China tendem a uma moderação no crescimento, diz OCDE

12/03/2012
Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil

Os países da zona do euro – as 17 nações que adotam a moeda única – sinalizam, nos primeiros meses deste ano, a recuperação de suas economias, no entanto o Brasil e a China indicam abrandamento, mostram dados da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Em relatório divulgado hoje (12), a OCDE informou ainda que as economias dos Estados Unidos e do Japão lideram as perspectivas de crescimento.
Para as economias da zona do euro, a OCDE apontou sinais “mais fortes, embora incertos”. A análise do crescimento das economias da China e do Brasil mostrou a tendência de ritmo abaixo da perspectiva global. O objetivo dos indicadores mensais da OCDE é apontar momentos de mudança nas atividades econômicas - que variam a longo prazo.
No conjunto do Brics – bloco que reúne o Brasil, a China, Rússia, Índia e África do Sul -, a OCDE avalia “variações positivas no ritmo de crescimento, embora as economias russa e indiana estejam abaixo das demais.
A OCDE analisou a situação econômica dos 33 países que integram a organização. “Os Estados Unidos e o Japão continuam a liderar a posição global. O crescimento forte, embora incerto, começa a aparecer em todas as outras grandes economias da OCDE e na zona do euro como um todo”, diz o relatório.

terça-feira, 6 de março de 2012

China reduz meta de crescimento para 7,5%, depois de manter 8% por 7 anos

China reduz meta de crescimento para 7,5%, depois de manter 8% por 7 anos

O Estado de S. Paulo - 06/03/2012
 

Primeiro-ministro Wen Jiabao anunciou novo porcentual e disse que transformar o modelo de crescimento chinês é o desafio mais urgente
CLÁUDIA TREVISAN , CORRESPONDENTE / PEQUIM - O Estado de S.Paulo
A China reduziu sua meta de crescimento de 2012 para 7,5%, abandonando a cifra mágica de 8% que prevaleceu nos últimos sete anos. O novo porcentual foi anunciado ontem pelo primeiro-ministro Wen Jiabao, que classificou a transformação do modelo de crescimento chinês como o mais urgente desafio diante do Partido Comunista e colocou o aumento do consumo no topo das prioridades do governo para os próximos 12 meses.
A receita baseada em investimentos e exportações das últimas três décadas levou a um desenvolvimento "desequilibrado, descoordenado e insustentável", que deve ser alterado com o aumento da participação da demanda doméstica na composição do Produto Interno Bruto (PIB), observou o primeiro-ministro em discurso de 1 hora e 50 minutos na abertura do encontro anual do Congresso Nacional do Povo, que reúne cerca de 3 mil delegados de todo o país.
A redução da meta de crescimento está alinhada com o Plano Quinquenal anunciado no ano passado para o período 2011-2015, que dá ênfase mais à qualidade do que à quantidade da expansão econômica - o documento fixa em 7% a alta média anual do PIB nesse período, ante 9,9% nas últimas três décadas.
Porém havia dúvidas se a liderança do Partido Comunista estaria disposta a aceitar na prática uma cifra menor e deixar para trás décadas de expansão de dois dígitos. "Os líderes de Pequim concluíram que o crescimento da China tem de desacelerar, na medida em que a economia mude seus motores de crescimento de exportações, setor imobiliário e infraestrutura para o consumo e urbanização", escreveu em análise sobre o discurso o economista-chefe do Credit Suisse para a China, Dong Tao.
A meta tem caráter simbólico, já que o crescimento real sempre fica acima dos índices fixados a cada ano pelo governo. Em 2011, a expansão foi de 9,2% e o consenso dos economistas aponta para um porcentual de 8,5% em 2012. Mas, ao cravar 7,5%, as autoridades de Pequim sinalizaram aos governos provinciais que não haverá pacote de estímulo semelhante ao de 2008 para contrabalançar o cenário internacional hostil, como muitos queriam.
Social. Para aumentar o consumo, Pequim dará ênfase à redução da desigualdade social, investirá na ampliação da rede de proteção social e implantará mecanismos para elevações regulares de salários e do salário mínimo, que já estão em alta desde 2010.
O rápido crescimento das últimas três décadas foi acompanhado da elevação da distância entre ricos e pobres, campo e cidade e as regiões leste e oeste, a ponto de a nominalmente socialista China ter um índice Gini de desigualdade superior ao do capitalista Estados Unidos.
Isso cria um sentimento de exclusão dos benefícios da expansão econômica em grande parte da população e é fonte de instabilidade e conflitos sociais.
O desafio para o Partido Comunista é manter um ritmo relativamente alto de expansão e, ao mesmo tempo, mudar o modelo de desenvolvimento e conter a alta de preços, outra grande fonte de instabilidade social. A meta de inflação para 2012 foi fixada em 4%, mesmo índice do ano passado, que ficou em 5,4%.
Wen afirmou que o governo manterá a política de controle do setor imobiliário, que limita o número de imóveis que cada família pode adquirir, para conter a especulação que levou os preços às alturas e criou uma bolha que começa a desinflar.
Com a crise na Europa e nos EUA - principais compradores de seus produtos -, a China espera um modesto aumento de 10% em seu comércio internacional, após alta de 35% no ano passado. Para compensar o enfraquecimento de seus mercados tradicionais, Pequim buscará espaço em países emergentes, ressaltou o premiê.