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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Pizzolato é preso na Itália com documento falso, diz Polícia Federal

Pizzolato é preso na Itália com documento falso, diz Polícia Federal

Pizzolato é preso na Itália com documento falso, diz Polícia Federal
O Globo - 06/02/2014
 
A Polícia Federal informou nesta quarta-feira que o ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, de 61 anos, condenado no processo do mensalão que estava foragido desde novembro, foi preso em Maranello, na Itália. De acordo com a PF, a operação ocorreu em parceria com a polícia italiana. Pizzolato foi levado para Modena. Mais tarde, a Interpol divulgou a foto do passaporte usado pelo ex-diretor de marketing, em nome de seu irmão, Celso Pizzolato, morto em 1978. A foto do documento, no entanto, é do próprio Henrique Pizzolato. A Polícia Federal explicou nesta tarde, durante coletiva em sua sede em Brasília, que Pizzolato saiu do país por Dionísio Cerqueira, cidade de Santa Catarina que faz fronteira com a Argentina, de onde seguiu de carro até Buenos Aires no dia 12 de setembro de 2013, portanto dois meses antes do mandado de prisão ser expedido pela polícia. Da capital argentina, Pizzolato pegou um voo para Barcelona, na Espanha. E em seguida foi para a Itália no dia 14 de setembro. A polícia localizou o foragido após sua mulher comprar um carro na Itália.
Pizzolato, que estava acompanhado de sua mulher, foi detido ao sair da casa de um sobrinho em uma cidade no Norte da Itália por crime de falsidade ideológica porque estava usando um passaporte falso em nome de Celso Pizzolato. Durante a coletiva, a PF ressaltou que a prisão se deu por determinação da justiça brasileira e não somente por uso de documentação falsa. No momento da prisão, o foragido estava com cerca de 15 mil euros, além dos seus documentos próprios e dos falsos, pertencentes ao irmão já falecido. Ele está na lista de procurados da Interpol (polícia internacional). O governo brasileiro vai dar início ao processo de extradição.
De acordo com a imprensa local, agentes da Interpol vigiavam a casa do sobrinho de Pizzolato em Maranello há dois dias. O casal estava aparentemente recluso, e só foi identificado quando a mulher de Pizzolato abriu uma janela e foi reconhecida pelo agentes. A polícia então entrou na casa e pediu os documentos de Pizzolato. O brasileiro foi levado à delegacia da cidade, onde foi registrado o crime de porte de documento falsificado, e depois foi transferido à capital da província, Modena. Segundo a polícia, o sobrinho de Pizolatto vive sozinho na cidade, onde trabalha como designer na Ferrari, e não estava no imóvel no momento da prisão. Nenhuma linha de telefone fixo está registrada no endereço da residência.
Procuradas pelo GLOBO, as autoridades argentinas não quiseram comentar a confirmação de que Pizzolato chegou à Europa via Buenos Aires, de onde saiu com um passaporte falso no nome de seu irmão. Representantes da Direção Nacional de Migrações, subordinada ao Ministério do Interior e Transporte argentino, negaram-se a fornecer dados sobre a saída de Pizzolato da capital argentina. Não informaram, por exemplo, de qual aeroporto ele partiu ou em que data. A justificativa é que a Lei de Proteção de Dados Pessoais (25.326) estabelece que este tipo de informação só pode ser dada à Justiça.
Quando foi decretada a prisão de Pizzolato e de outros condenados no processo do mensalão, no dia 15 de novembro do ano passado, os agentes da Polícia Federal foram à casa do ex-diretor do Banco do Brasil para cumprir o mandado e não o encontraram. Depois, foi divulgada uma carta em que Pizzolato avisara que fugiu para Itália, onde buscaria um julgamento justo. 

Inicialmente, a informação era de que Pizzolato teria ido de carro até a fronteira com o Paraguai, em uma viagem que teria durado 20 horas. Segundo relatos, ele atravessou a pé a fronteira, onde outro carro o aguardava para levá-lo a Buenos Aires. Da capital argentina, ele pegou um avião rumo à Itália. Depois, surgiu a história de que, na verdade, o ex-diretor do BB teria entrado na Europa pela França e seguido para a Itália.
Outra especulação era sobre a documentação com a qual ele teria entrado no país europeu. A informação era de que ele teria dito à embaixada da Argentina que perdeu o passaporte italiano e teria recebido uma autorização para voltar à Itália. Depois, surgiu a notícia de que, na verdade, Pizzolato teria tirado uma segunda via do documento em Madri, numa das viagens para visitar familiares. A incerteza sobre o documento usado pelo ex-diretor do banco para fugir ocorre porque ele e os outros condenados tiveram que entregar os passaporte para o Supremo Tribunal Federal (STF).
O ex-diretor do Banco do Brasil foi condenado a 12 anos e 7 meses de prisão por formação de quadrilha, peculato e lavagem de dinheiro. A prisão de Pizzolato foi determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) depois do julgamento do último recurso, em 13 de novembro do ano passado. A pena deve ser cumprida em regime fechado. A multa é de R$ 1,3 milhão.
Pizzolato autorizou a liberação de R$ 73 milhões da Visanet para a DNA Propaganda, empresa de Marcos Valério, outro condenado no processo, sem garantias dos serviços contratados. Ele teria recebido cerca de R$ 300 mil em espécie.
Íntegra da carta de Henrique Pizzolato:
“Minha vida foi moldada pelo principio da solidariedade que aprendi muito jovem quando convivi com os franciscanos e essa base sólida sempre norteou meus caminhos.
Nos últimos anos minha vida foi devassada e não existe nenhuma contradição em tudo que declarei quer seja em juízo ou nos eventos públicos que estão disponíveis na internet.
Em meados de 2012, exercendo meu livre direito de ir e vir, eu me encontrava no exterior acompanhando parente enfermo quando fui mais uma vez desrespeitado por setores da imprensa.
Após a condenação decidida em agosto retornei ao Brasil para votar nas eleições municipais e tinha a convicção de que no recurso eu teria êxito, pois existe farta documentação a comprovar minha inocência.
Qualquer pessoa que leia os documentos existentes no processo constata o que afirmo.
Mesmo com intensa divulgação na imprensa alternativa – aqui destaco as diversas edições da revista Retrato do Brasil – e por toda a internet, foi como se não existissem tais documentos, pois ficou evidente que a base de toda a ação penal tem como pilar, ou viga mestre, exatamente o dinheiro da empresa privada Visanet. Fui necessário para que o enredo fizesse sentido. A mentira do “dinheiro público” para condenar... Todos. Réus, partido, ideias, ideologia.
Minha decepção com a conduta agressiva daquele que deveria pugnar pela mais exemplar isenção, é hoje motivo de repulsa por todos que passaram a conhecer o impedimento que preconiza a Corte Interamericana de Direitos Humanos ao estabelecer a vedação de que um mesmo juiz atue em todas as fases do processo, a investigação, a aceitação e o julgamento, posto a influência negativa que contamina a postura daquele que julgará.
Sem esquecer o legítimo direito moderno de qualquer cidadão em ter garantido o recurso a uma corte diferente, o que me foi inapelavelmente negado.
Até desmembraram em inquéritos paralelos sigilosos para encobrir documentos, laudos e perícias que comprovam minha inocência, o que impediu minha defesa de atuar na plenitude das garantias constitucionais. E o cúmulo foi utilizarem contra mim um testemunho inidôneo.
Por não vislumbrar a mínima chance de ter julgamento afastado de motivações político-eleitorais, com nítido caráter de exceção, decidi consciente e voluntariamente fazer valer meu legítimo direito de liberdade para ter um novo julgamento, na Itália, em um tribunal que não se submete às imposições da mídia empresarial, como está consagrado no tratado de extradição Brasil e Itália.
Agradeço com muita emoção a todos e todas que se empenharam com enorme sentimento de solidariedade cívica na defesa de minha inocência, motivadas em garantir o estado democrático de direito que a mim foi sumariamente negado”.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Em nove dias, Delúbio arrecada R$ 1 milhão para pagar multa do mensalão

Em nove dias, Delúbio arrecada R$ 1 milhão para pagar multa do mensalão

Em nove dias, Delúbio arrecada R$ 1 milhão para pagar multa do mensalão
O Globo - 31/01/2014
 
Em nove dias, a campanha para arrecadar recursos para pagar a multa aplicada a Delúbio Soares no julgamento do mensalão conseguiu arrecadar mais que o dobro do que tem de ser pago. Nesta quinta-feira, o site da campanha divulgou que foram doados R$ 1,013 milhão, para pagar a multa de R$ 466.888,90 que o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que o ex-tesoureiro do PT pague até amanhã. De acordo com o site, o valor restante - cerca de R$ 546 mil - será repassado para arcar com a multa do deputado João Paulo Cunha e do ex-ministro José Dirceu.
Mais da metade do total de doações entrou na conta entre ontem e hoje. Na noite de quarta-feira, o site apontava que havia arrecadado R$ 415.390,86. Em texto publicado hoje na página, os autores da campanha agradecem as doações.

“Ao expressarmos imensa gratidão aos milhares de doadores, muitos inclusive sem filiação partidária e movidos apenas pela indignação e o sentimento de solidariedade, convocamos para as novas jornadas em favor de José Dirceu e João Paulo Cunha. E o valor excedente de nossa campanha, descontados os tributos, será doado a esses companheiros, visando o pagamento de suas injustas e exorbitantes multas”, afirmam.
Eles destacam que o trabalho de mobilização feito nas redes sociais, entre os militantes petistas e de partidos de esquerda, movimentos sindicais e entre amigos resultou no sucesso da campanha.
Dirceu foi condenado a pagar uma multa de R$ 676 mil (em valores da época) pelo crime de corrupção ativa. Já João Paulo Cunha foi multado em R$ 370 mil (também em valores da época) por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato. Ele ainda tem um recurso a ser analisado e que pode levar à absolvição pelo crime de lavagem. Nesse caso, a multa seria reduzida para R$ 250 mil. Os valores ainda precisam ser corrigidos, tarefa que cabe ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT).
A família do ex-deputado José Genoino afirmou ontem que doaria R$ 30 mil para a campanha do o ex-tesoureiro do PT. A família de Genoíno conseguiu, em dez dias, R$ 761.962,60. São R$ 94.448,68 a mais do que o valor necessário para arcar com a multa definida pelo STF.

PT agradece arrecadação de ‘vaquinha’ para mensaleiros presos

PT agradece arrecadação de ‘vaquinha’ para mensaleiros presos

Autor(es): Sérgio Roxo e Flávia Pierry
O Globo - 28/01/2014
 
Após a primeira reunião da nova Executiva Nacional, o PT soltou nota oficial no fim da tarde desta segunda-feira para, entre outros assuntos, agradecer a ajuda de correlegionários para arrecadar recursos para pagamento das dívidas dos petistas envolvidos no escândalo do mensalão.
O ex-presidente do partido, José Genoino, foi o primeiro a ser beneficiado pela rede de solidariedade. Conseguiu pouco mais de R$ 700 mil, cerca de R$ 60 mil do que havia sido estipulado como sua multa. A arrecadação também beneficiaria o ex-tesoureiro Delúbio Soares e o ex-ministro José Dirceu, ambos presos no Presídio da Papuda, em Brasília. Genoino está em prisão dominiciliar, na casa de uma filha.
Ainda na reunião, o PT informou que precisa abrir mais diálogo com a pautas das ruas (manifestações). A direção do partido anunciou também que vai aproveitar o aniversário de 34 anos do partido, no próximo dia 10, em São Paulo, para lançar oficialmente a candidatura à reeleição da presidente Dilma Rousseff.
Sobre a polêmica envolvendo a participação de petistas no governo de Sérgio Cabral, o presidente do partido, Rui Falcão, foi enfático:
- Não há crise, o PMDB é nosso aliado nacional. A disputa entre nossas candidaturas lá vai se dar em termos políticos - disse.
Delúbio já arrecadou R$ 242 mil
Em seis dias, a campanha para arrecadar recursos para pagar a multa do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares já conseguiu mais da metade do valor que deve ser pago. Nesta segunda-feira, o site da campanha diz que já foram depositados R$ 242.421,37. O petista condenado no mensalão foi punido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) com multa de R$ 466.888,90, após correção monetária dos valores.
A arrecadação de doações foi criada, segundo informa o site, por “companheiros e companheiras” de Delúbio na quarta-feira passada. Em menos de 24 horas, já tinham sido arrecadados R$ 30,6 mil.
O texto de apresentação do site “Solidariedade a Delúbio” afirma que julgamento do mensalão foi “o mais violento processo judicial de exceção de toda nossa história”, promovido por “forças do atraso, derrotadas nas eleições do presidente Lula e da presidenta Dilma”.
Para doar, o site indica uma conta poupança na Caixa Econômica Federal, em nome de Delúbio. Em quatro passos – mesmo processo que apontava o site de Genoino – o site indica que o doador deposite o valor na conta, em um depósito identificado, e envie o comprovante do depósito para o e-mail do site. A página destaca que o doador deve incluir a doação em seu imposto de renda e ainda reforça que verifique leis de tributação de doação, que variam em cada estado.
A página é um site pessoal sem ferramenta de pagamento online – mesmo modelo adotado pela família do ex-deputado José Genoino para captar recursos. A família de Genoíno conseguiu, em dez dias, R$ 761.962,60. São R$ 94.448,68 a mais do que o valor necessário para arcar com a multa definida pelo STF.
Parte do valor doado a Genoino poderá ajudar outros petistas a pagarem a multa definida no julgamento do mensalão. Após alcançar o valor, a família de Genoino divulgou texto indicando que o valor restante poderia ser repassado a outros petistas condenados no processo.
“Assim, não temos ainda um cálculo preciso do valor que restará após toda esta tramitação, mas com certeza daremos continuidade a essa corrente de solidariedade aos companheiros condenados injustamente na ação penal 470”, afirma o texto publicado no site, assinado pela mulher de Genoíno e pelos filhos.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

MAIS QUATRO SÃO PRESOS NO MENSALÃO; COSTA NETO RENUNCIA

MAIS QUATRO SÃO PRESOS NO MENSALÃO; COSTA NETO RENUNCIA

APÓS TER PRISÃO DECRETADA, VALDEMAR RENUNCIA A MANDATO PELA SEGUNDA VEZ
Autor(es): Felipe Recondo e Mariângela Gallucci
O Estado de S. Paulo - 06/12/2013
 

Deputado deixa Câmara pela 2ª vez após ter nome envolvido em escândalo; condenados foram para Papuda
O STF mandou prender mais quatro condenados no mensalão: o deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP), os ex-deputados Pedro Corrêa e Bispo Rodrigues e o ex-vice-presidente do Banco Rural Vinicius Samarane. Todos estão desde ontem sob custódia da PF. Valdemar Costa Neto renunciou ao mandato logo após ter prisão decretada. Em 2005, ele também renunciou para não ser cassado pelo mesmo escândalo. Com as decisões de ontem, já são 16 as ordens de prisão expedidas pelo presidente do STF, Joaquim Barbosa, no mensalão. Em novembro, foram presos 11 condenados, entre eles o ex-ministro José Dirceu e o ex-deputado José Genoino. Nos próximos dias, devem ser definidas as prisões do deputado federal Pedro Henry (PP-MT) e do ex-deputado Roberto Jefferson, delator do escândalo.

O deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP) renunciou ontem ao mandato logo após ter sua prisão decretada por envolvimento no mensalão. É a segunda vez que o parlamentar renuncia a fim de não ser cassado por causa do mesmo escândalo. Em 2005, ao ver seu nome envolvido nas denúncias de recebimento de dinheiro do esquema, ele também abandonou o cargo. Ele se entregou ainda ontem em Brasília e já passaria a noite no presídio da Papuda, onde já estão outros condenados no mesmo julgamento.
Além de Valdemar, o Supremo Tribunal Federal mandou prender ontem mais três condenados: os ex-deputados Pedro Corrêa e Bispo Rodrigues e o ex-vice-presidente do Banco Rural Vini-cius Samarane. Todos já estão sob custódia da Polícia Federal.
Com as decisões de ontem, subiu para 16 as ordens de prisão expedidas pelo presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, no caso do mensalão. Em novembro, foi recolhido à cadeia um grupo de 11 condenados, entre os quais o ex-ministro José Dirceu e o ex-deputado José Genoino. Genoino, que estava licenciado da Câmara, também renunciou ao cargo na terça-feira a fim de não ser cassado.
Também condenado pelo Supremo e com mandado de prisão expedido, o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzo-lato está foragido, provavelmente na Itália. Ele tem cidadania do país europeu e dificilmente será extraditado para o Brasil.
Vaga. O sucessor de Valdemar na Câmara dos Deputados será o suplente Hélcio Silva (PT), que atualmente é vice-prefeito de Mauá, cidade da Grande São Paulo. Na carta de renúncia, o condenado do PR afirmou que não queria submeter o Congresso a um "constrangimento institucional""" (mais informações abaixo). Com a renúncia,Valdemarpoderáreque-rer sua aposentadoria, pois já tem mandatos suficientes para isso.
O presidente do STF deve ordenar nos próximos dias a prisão do deputado Pedro Henry (PP-MT), também condenado por participação no mensalão.
Para expedir a ordem de prisão de Henry, Barbosa aguardará um parecer do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que deve ser encaminhado ao STF até o próximo dia 12.
O presidente do Supremo também precisa definir a situação de Genoino e do ex-deputado Roberto Jefferson, delator do esquema do mensalão.
Genoino está em prisão domiciliar após ter reclamado de problemas cardíacos durante o período em que esteve na Papuda. Jefferson passou nesta semana por uma perícia médica no Instituto Nacional de Câncer (Inca). No ano passado, ele foi submetido a uma cirurgia para extrair um câncer no pâncreas.
Barbosa terá de resolver se os dois têm condições de cumprir pena na prisão ou se devem ficar em casa. Em parecer enviado recentemente ao Supremo, o procurador-geral recomendou ao tribunal que deixe Genoino em prisão domiciliar pelos próximos 90 dias.
O deputado João Paulo Cunha (PT), também condenado, não deverá ir para a cadeia neste ano. O Supremo terá ainda de julgar um recurso do parlamentar.

GENOINO RENUNCIA A MANDATO PARA FUGIR DE CASSAÇÃO

GENOINO RENUNCIA A MANDATO PARA FUGIR DE CASSAÇÃO

A CARTA NA MANGA DE GENOINO
Autor(es): CRISTIANE JUNGBLUT E ISABEL BRAGA
O Globo - 04/12/2013
 
Deputado renuncia para evitar cassação; Câmara decidirá se aceita aposentadoria por invalidez

BRASÍLIA - Para escapar de um processo de cassação que seria aberto ontem pela Mesa Diretora da Câmara, o deputado condenado no julgamento do mensalão José Genoino (PT-SP) renunciou ao mandato. Condenado a 6 anos e 11 meses de prisão, em regime semiaberto, pelos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha, ele voltou a alegar inocência.
Com o PT isolado na defesa de Genoino na reunião da Mesa, a carta da renúncia foi entregue quando quatro dos sete integrantes do colegiado já tinham votado a favor da abertura do processo de cassação. Dos sete integrantes da Mesa, apenas um é da oposição.  Mesmo com a renúncia, Genoino pleiteia a aposentadoria por invalidez, que pediu em setembro, antes da decisão final do STF no julgamento do mensalão.
A questão ainda será analisado pela Diretoria Geral da Câmara em processo administrativo. Se não lhe for concedida a aposentadoria por invalidez, que garante um benefício equivalente ao subsídio integral do parlamentar (R$ 26,7mil), Genoino terá garantida, de qualquer forma, sua aposentadoria pelos 26 anos de mandato pelos quais contribuiu, e que hoje é de R$ 20 mil.
O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), sugeriu que Genoino poderá ser atendido, porque o processo administrativo não será interrompido com a renúncia:  — Naquela época, em setembro, ele já queria sua aposentadoria por invalidez. A Câmara só vai decidir ao final dos 90 dias de licença que Genoino ainda tem. 
Na carta de uma página e meia encaminhada à Mesa Diretora da Câmara, Genoino diz que é inocente, que não praticou nenhum crime e que sofre humilhação. “A razão de ser da minha vida é a luta por sonhos e causas ao longo dos últimos 45 anos’: disse, na carta, concluindo:  “Entre a humilhação e a ilegalidade prefiro o ris- co da luta e renuncio ao mandato”. 
CONSTRANGIMENTOS NA CÂMARA 
Ele encaminhou o pedido por meio do irmão e líder do PT na Câmara, José Guimarães (CE), e a carta foi entregue, durante a reunião da Mesa por outro petista, o vice-presidente da Câmara, André Vargas (PR). A carta é assinada por Genoino e pelo advogado Alberto Moreira Rodrigues.  Após a reunião da Mesa, o presidente da Câmara disse que foi um dia “difícil e constrangedor".
 À noite, o constrangimento aumentou. José Guimarães subiu à tribuna no plenário para fazer um discurso de desagravo. E relatou o que ouviu do irmão sobre um eventual processo de cassação:  — Não suportaria mais esta tortura, me disse ele. Depois do discurso do petista, Henrique Alves ressaltou a atuação de Genoino como parlamentar, mas salientou que agiu com serenidade:  — Cumpri rigorosamente o meu dever regimental e constitucional.
É um momento difícil e constrangedor que esta Casa está vivendo. Não é agradável para quem quer que seja.  No discurso, o irmão de Genoino disse que ele foi grandioso ao renunciar:  —Renunciou talvez até para proteger a bancada do PT. Não iremos permitir que destruam a história do PT. Talvez o gesto dele de renunciar ao mandato seja maior do que o da abertura do processo de cassação. Quem sabe algum dia a história será reescrita e esse Parlamento possa devolver a ele seu direito político.
O único pecado que cometeu foi ser presidente do PT. Esse plenário deve muito a alguns parlamentares, um deles é Genoino.  o discurso de Guimarães gerou críticas de outros parlamentares. Enquanto ele finalizava, a deputada Liliam Sá (PROS-RJ) disse, aos gritos, que ninguém queria ouvir aquele discurso:  — o Brasil não quer ouvir isso não, deputado.
A reunião da Mesa da Câmara começou tensa e com atraso. O PT queria que a direção da Casa suspendesse a análise do caso até fevereiro, quando terminava a licença médica de Genoino. Eleito pela primeira vez deputado em 1983 e no exercício do sétimo mandato na Câmara, Genoino passou por uma cirurgia em 24 de julho e, em setembro, teve a licença prorrogada por 120 dias. Antes de ir para a reunião, Henrique Alves disse a líderes partidários que a maioria da Mesa votaria pela abertura do processo de cassação.
Quando a votação do pedido já estava 4 a 2, André Vargas apresentou a carta. Tinham votado a favor da abertura do processo os deputados Fábio Faria (PSD-RN), Simão Sessim (PP-RJ), Márcio Bittar (PSDB-AC) e Henrique Alves. Os dois petistas da Mesa, Vargas e Antonio Carlos Biffi (PT-MS), ficaram contra.
O sétimo integrante da Mesa, Maurício Quintela (PR-AL), votaria pela abertura do processo de cassação, mas só o fez depois que a renúncia foi apresentada.  A carta foi lida em plenário logo depois da reunião e será publicada no Diário Oficial de hoje. Desde setembro, o deputado Renato Simões (PT-SP) está na vaga aberta com a licença médica de Genoino, mas não será efetivado como titular da vaga, que deverá ficar com a também petista Iara Bernades, outra suplente.
Simões contou que recebeu um telefonema de Genoino, que o agradeceu e disse que eles vão se ver, no momento oportuno.  Ainda em sua carta, Genoino disse que renuncia “após mais de 25 anos dedicados à Câmara, e com uma história de mais de 45 anos de luta em prol da defesa intransigente do Brasil, da democracia e do povo brasileiro”.
Volta a falar em inocência e que nunca obteve vantagens financeiras:  “Considerando que não pratiquei nenhum cri- me, não dei azo a quaisquer condutas, em toda minha vida pública ou privada que tivesse o condão de atentar contra a ética e o decoro parlamentar; considerando que sou inocente, que sempre lutei por ideais e jamais acumulei patrimônio ou riqueza, aí concluí pela renúncia”. 
Genoino exerceu mandatos na Câmara entre 1983 e 2002, quando disputou o governo de São Paulo e perdeu. Conseguiu se eleger novamente em 2006, um ano depois do escândalo do mensalão. Em 2010, ficou como suplente, e só voltou no início de 2013, de novo como suplente

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Mensalão faz Câmara contrariar Supremo

Mensalão faz Câmara contrariar Supremo

Câmara desafia decisão do Supremo
Autor(es): ADRIANA CAITANO DIEGO ABREU
Correio Braziliense - 21/11/2013
 
Henrique Alves anuncia que não cumprirá a determinação de cassar o mandato de Genoino, preso na Papuda. Caso será votado em plenário

Em mais um capítulo da queda de braço entre o Judiciário e o Legislativo, a Câmara decidiu descumprir a determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) de cassar automaticamente o mandato do deputado José Genoino (PT-SP), preso no Complexo Penitenciário da Papuda desde o último sábado. O presidente da Casa legislativa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), confirmou ontem que o processo de cassação, a ser aberto hoje, em reunião da Mesa Diretora, seguirá para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, depois, para o plenário. O trâmite deverá ser idêntico ao aplicado a Natan Donadon (sem partido-RO), que teve o mandato mantido em agosto pelos colegas, mesmo preso na Papuda. A decisão também deve balizar o caso dos demais deputados condenados no mensalão — Pedro Henry (PP-MT) e Valdemar Costa Neto (PR-SP). Ministros do Supremo criticaram a decisão de Henrique.

O presidente da Câmara havia anunciado, na terça-feira, que esperaria o envio de alguma notificação do STF sobre a prisão de Genoino antes de tomar qualquer decisão. Na noite do mesmo dia, a Corte enviou à Casa um documento informando que as punições aos condenados no julgamento do mensalão começaram a ser cumpridas, sem dar mais detalhes. Henrique considerou o texto suficiente para convocar uma reunião da Mesa Diretora, a ocorrer na manhã de hoje. No encontro, o comando do parlamento deverá abrir o processo de perda do mandato do petista. “É assim que o rito regimental determina. Encaminha-se à CCJ e aí tramita normalmente, até o processo final no plenário da Casa”, comentou Alves.

Alves foi orientado pelo secretário-geral da Câmara, Mozart Vianna, que já havia adiantado ser contra o entendimento de que a Casa deveria apenas subscrever a ordem do Supremo e cassar os condenados automaticamente. A tese sugerida por Vianna foi aplicada também no caso de Donadon. Na vez dele, a Mesa nem chegou a esperar uma notificação do Supremo, iniciando o processo no mesmo dia em que o STF decretou sua prisão, em junho. O pedido de cassação do deputado chegou ao plenário em agosto e, por falta de quórum, ele acabou mantido no cargo, sob o véu do voto secreto.

Na época, o PSDB protocolou um mandado de segurança na Corte pedindo que a sessão fosse anulada porque a Câmara deveria ter cumprido a ordem de cassar o mandato de Donadon sem submetê-la ao plenário. Em setembro, o ministro do STF Luís Roberto Barroso concedeu liminar, suspendendo a decisão do parlamento. Na semana passada, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, emitiu parecer concordando que a cassação deveria ser imediata.

Para ministros do STF, a perda automática de mandato ainda poderá ser rediscutida em plenário, mas a decisão da Corte deveria ser cumprida, principalmente, para evitar a figura do deputado presidiário. “Se há uma posição que exige uma máxima liberdade é a de parlamentar. Eu não consigo imaginar que um deputado tenha que negociar com seu carcereiro: ‘Olha, deixa entrar às 20h porque a sessão começou às 18h’. Isso é nonsense completo, essas pessoas não estão soltas, não estão liberadas para passear por aí e voltarem quando quiserem”, destacou Gilmar Mendes. “Não houve a preclusão maior quanto à perda (dos mandatos) e não houve porque nós tivemos quatro votos vencidos. Essa matéria está abordada em embargos infringentes”, observou o ministro Marco Aurélio Mello.

A vice-procuradora-geral da República, Ela Wiecko, disse não ter clareza quanto à hipótese de a Câmara estar descumprindo decisão judicial ao não cassar imediatamente o mandato de Genoino. Perguntada se Henrique Eduardo Alves está sujeito a responder por crime de responsabilidade, ela negou: “Acho que não. Faz parte da política, das decisões. Não é coisa assim tão clara que isso é descumprimento de decisão judicial”.

Benefícios
Na reunião da Mesa Diretora da Câmara de hoje, os integrantes do colegiado poderão também discutir se serão mantidos os benefícios pagos aos parlamentares condenados — os recursos de Pedro Henry e Valdemar Costa Neto se esgotaram e eles podem ser presos a qualquer momento. No caso de Genoino, o mais provável é que o salário de R$ 26,7 mil que ele recebe, mesmo estando afastado por problema de saúde, continue sendo pago até janeiro, quando vence a licença e deve ser analisado o pedido de aposentadoria feito pelo deputado. Já a situação de Valdemar e Henry será questionada pela diretoria-geral, mas poderá ficar de fora da discussão, sob a justificativa de que a prisão deles ainda não foi decretada.

Em julho, ainda antes de Natan Donadon ter seu processo de cassação votado no plenário, a Câmara suspendeu todos os benefícios do deputado, como salário e cota parlamentar, além de exonerar os assessores e fechar o gabinete. O suplente só foi convocado após os colegas manterem o mandato do rondonense e o presidente Henrique Alves determinar o afastamento do cargo.

Memória
Embates entre os Poderes

Separados pela Praça dos Três Poderes, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso Nacional tiveram embates recentes, nos quais um acusa o outro de passar por cima de prerrogativas constitucionais. Ao mesmo tempo em que alguns parlamentares utilizam a Corte para tentar derrubar decisões já tomadas no parlamento, os comandos da Câmara e do Senado se irritam com o que chamam de “intromissão” do Judiciário em suas atividades. O incômodo demonstra-se mais forte desde que os ministros iniciaram o julgamento do mensalão.

A briga já havia ocorrido em 2008, por exemplo, quando o Supremo derrubou uma decisão dos parlamentares que instituía a cláusula de barreira, limitando a participação na Câmara a partidos que tivessem ao menos 5% dos votos. No ano passado, o STF tomou outra decisão que, apesar de disciplinar um comportamento interno do Congresso, foi alvo de críticas: a exigência para que o parlamento seguisse rito constitucional ao analisar medidas provisórias. Outro exemplo ocorreu em março deste ano, quando a ministra Cármen Lúcia suspendeu os efeitos da lei aprovada no Congresso que redistribuía os royalties do petróleo.

Também houve desconforto na discussão sobre a lei que restringe o acesso de partidos recém-criados ao Fundo Partidário e ao tempo de tevê. A tramitação ficou parada por três meses, entre abril e junho deste ano, enquanto o STF analisava pedido de suspensão feito pelo PSB. A proposta acabou liberada e já foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff. (AC)

Governo estuda pedir extradição de foragido

Governo estuda pedir extradição de foragido

Governo analisa como pedir extradição
Autor(es): Mariângela Gallucci
O Estado de S. Paulo - 18/11/2013
 

Após a fuga para a Europa de Henrique Pizzolato, técnicos da área internacional do Ministério da Justiça começam hoje a traçar uma estratégia para pedir formalmente à Itália a extradição do ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil condenado a 12 anos e 7 meses de prisão por envolvimento com o escândalo do mensalão.
Pizzolato teria deixado o Brasil há 45 dias. Numa carta divulgada no fim de semana, ele disse que o julgamento teve "nítido caráter de exceção".
Além do Ministério da Justiça, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que é o encarregado da acusação no processo do mensalão, deverá encaminhar hoje um pedido de providências ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra Pizzolato. Os detalhes não foram revelados ontem.
No Ministério da Justiça, o caso será analisado pela equipe do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional. A tarefa é considerada árdua e de difícil solução. O principal obstáculo é o fato de Pizzolato ter cidadania italiana. A Itália não costuma extraditar seus nacionais. No Brasil, há proibição constitucional de extradição nesse caso.
Outro empecilho, de ordem diplomática, decorre da decisão tomada pelo governo federal, em 2009, de não entregar para a Itália Cesare Battisti, ativista de extrema esquerda que integrou o movimento Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), na década de 70. Battisti foi condenado na Itália à pena de prisão perpétua em processos nos quais foi acusado de envolvimento em quatro assassinatos que foram considerados crime comuns.
Decisão. Em novembro de 2009, o STF autorizou a extradição do italiano, mas concluiu que a decisão final caberia ao presidente da República. Em um de seus últimos atos como chefe do Executivo, Luiz Inácio Lula da Silva resolveu não entregar Battisti para as autoridades italianas. Com isso, ele foi solto e passou a viver no Brasil.
Por causa desses dois detalhes - a cidadania italiana e o episódio Battisti -, os técnicos do Ministério da Justiça terão de se desdobrar para tentar encontrar uma saída para conseguir a extradição de Pizzolato.
O tratado de extradição firmado em 1989 pelo Brasil e pela Itália estabelece que o país não será obrigado a entregar um nacional. Foi isso o que ocorreu na prática quando o ex-banqueiro Salvatore Cacciola, que tem cidadania brasileira e italiana, fugiu para a Itália. Ele só foi extraditado para o Brasil anos depois, quando deixou a Itália e foi para o Principado de Mônaco.
No caso de Pizzolato, uma saída mais efetiva que deverá ser analisada pelas autoridades brasileiras, inclusive pelo Ministério Público Federal, é tentar bloquear judicialmente os bens do ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil e eventuais rendimentos, impedindo que ele tenha meios suficientes para sobreviver na Europa. Com eventuais dificuldades de ordem financeira, acredita-se que ele será forçado a retornar ao Brasil.

"Azar" eleitoral marca carreira
O ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, hoje com 61 anos, já deveria ter se acostumado com os revezes em sua trajetória pública. Antes se ser condenado pelo Mensalão, ele acumulou fracassos eleitorais e até enfrentou uma acusação pelo uso indevido de recursos da instituição em um episódio envolvendo uma famosa dupla sertaneja e o partido do qual sempre foi militante, o PT.
Catarinense, Pizzolato prosperou na carreira bancária no Paraná, sem nunca ter aberto mão de uma forte atuação política nos postos de sindicalista da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e de fundador do diretório do PT no Estado.
Em 1989, ele foi escolhido para ser presidente estadual da CUT, representando o Sindicato dos Bancários de Toledo, onde vivia. No cargo, permaneceu até 1994 quando se lançou, sem sucesso, como candidato à posição de vice-governador.
Antes disso, em 1990, ele já havia perdido uma eleição para um posto no executivo paranaense. E, em 1996, disputou o governo municipal da cidade de Toledo como vice-prefeito - e também não obteve êxito.
Se nas urnas ele não foi bem, no BB ele cresceu como poucos. Foi nomeado representante do conselho de administração e diretor do Previ, fundo de previdência dos funcionários da instituição, antes de chegar, já no governo Lula, ao posto de diretor de marketing. Aí novos problemas surgiram.
Em 2004, Pizzolato foi responsabilizado por gastar, em nome da instituição, R$ 70 mil em ingressos de um show da dupla Zezé Di Camargo & Luciano. A renda da apresentação seria usada na construção de uma sede para o PT.
No caso do Mensalão, ele foi acusado de desviar dinheiro de um contrato firmado entre o BB e uma agência de publicidade de Marcos Valério. Acabou condenado por lavagem de dinheiro, corrupção passiva e peculato. Sua pena total é de 12 anos e 7 meses, mais multa de R$ 1,3 milhão.

PT nega mensalão e critica prisões

PT nega mensalão e critica prisões

PT diz que prisão é ‘casuísmo’ e volta a negar mensalão
Autor(es): Flávio Freire e Maria Lima
O Globo - 16/11/2013
 
Delúbio afirma que partido atrai ‘ódios e perseguições covardes’

SÃO PAULO E BRASÍLIA - A direção do PT classificou de “casuísmo jurídico” a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de executar imediatamente as penas dos condenados no julgamento do mensalão. Segundo o partido, a decisão foi tomada antes de os embargos infringentes terem sido julgados.
“A determinação do STF para a execução imediata das penas de companheiros condenados na Ação Penal 470, antes mesmo que seus recursos (embargos infringentes) tenham sido julgados, constitui casuísmo jurídico e fere o princípio da ampla defesa”, diz nota emitida ontem pelo partido.  Ainda segundo o PT, na nota assinada pelo presidente do partido, Rui Falcão, o julgamento do mensalão é “injusto, nitidamente político e alheio às provas dos autos”.
SEM PAGAMENTO DE MESADA
“Embora caiba aos companheiros acatar a decisão, o PT reafirma a posição anteriormente manifestada em nota da Comissão Executiva Nacional, em novembro de 2012, que considerou o julgamento injusto, nitidamente político, e alheio às provas dos autos”.   Por fim, o partido reiterou a convicção de que nenhum dos petistas envolvidos no esquema comprou votos no Congresso, “nem tampouco houve pagamento de mesada a pariamentares”.
 “Com a mesma postura equilibrada e serena do momento do início do julgamento, o PT reitera sua convicção de que nenhum de nossos fiuiados comprou votos no Congresso Nacional, nem tampouco houve pagamento de mesada a parlamentares. Reafirmamos, também, que não houve  da parte dos petistas condenados, utilização de recursos públicos,  nem apropriação privada e pessoal para enriquecimento”, diz a nota, em que o  partido se solidariza com “os  companheiros injustiçados”.  A direção do partido ainda  conclama a militância petista  para se mobilizar contra as “tentativas  de criminalização” do PT.
MENSAGENS NO TWITTER
“Viva o PT. Viva o Brasil”. Assim o ex-tesoureiro do partido, Delúbio Soares, encerrou artigo publicado ontem, no site 247, cujo link postou no Twitter momentos antes da decretação de sua prisão como um dos cabeças do que foi considerado o maior esquema de corrupção orquestrado na cúpula de seu partido.
Enquanto companheiros de PT, como o deputado José Genoino e o ex-ministro José Dirceu, davam declarações sobre suas prisões, Delúbio, que não se entregou ontem, publicou em sua página no twitter: “PED 2013: o PT e sua missão histórica’ é o meu artigo semanal para sites, blogs, jornais e revistas”.
“PARTIDO NÃO IRÁ RETROCEDER”
No artigo, Delúbio diz que o compromisso dele e do PT com os brasileiros é tamanho e a fé nos ideais que professam é de tal forma grandiosa, “que os imensos sacrifícios pessoais, os ódios que atraímos e as perseguições covardes das quais somos vítimas nada representam diante da responsabilidade que os brasileiros nos depositam, de forma crescente a cada eleição, fazendo do PT o mais querido, admirado e respeitado partido da história do Brasil”.
No artigo, Delúbio não faz nenhum comentário sobre sua condenação e prefere exaltar a “maturidade de um partido de lutas”.  O ex-tesoureiro diz ainda que nada deterá o PT: “Nada fará retroceder a legenda que em pouco mais de três décadas de existência sacudiu as estruturas de um Brasil destroçado pelas três sucessivas quebras no governo neoliberal de FHC, recuperando-lhe a perdida credibilidade internacional e a autoestima estraçalhada”

DIRCEU, GENOINO, VALÉRIO E OUTROS MENSALEIROS SE ENTREGAM À PF

DIRCEU, GENOINO, VALÉRIO E OUTROS MENSALEIROS SE ENTREGAM À PF

DIRCEU E GENOINO NA CADEIA
Autor(es): Carolina Brígido André de Souza Gustavo Uribe Tatiana Farah Ezequiel Fagundes
O Globo - 16/11/2013
 
Outros sete condenados no processo do mensalão se entregaram, ontem, à Polícia Federal

BRASÍLIA, SÃO PAULO E BELO HORIZONTE -  Quase um ano depois de 25 réus serem condenados no processo do mensalão, o ex-ministro José Dirceu, apontado como o chefe do esquema que corrompeu deputados durante o governo Lula; o ex-presidente do PT José Genoino e outros sete condenados foram para cadeia ontem, dia em que se comemora a proclamação da República. Eles se apresentaram à Polícia Federal a partir do início da noite, logo após o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, expedir os primeiros 12 mandados de prisão no processo.
Dirceu e Genoino se apresentaram na superintendência da PF em São Paulo e, na entrada, fizeram gestos parecidos para agradecer a amigos e militantes petistas que gritavam seus nomes do lado de fora: ambos ergueram os punhos cerrados, em sinal de resistência, e Dirceu ainda bateu no peito, à altura do coração. Ao sair de casa, Genoino, com dificuldades de andai foi amparado pelos filhos até o veículo sem pronunciar uma palavra, usava uma manta, com um poema escrito, presa aos ombros, como se fosse uma capa de super-herói.
Na lista dos que já estão presos há ainda o operador do mensalão Marcos Valério; a dona do Banco Rural, Kátia Rabelo; Ramon Hollerbach e Cristiano Paz, ex-sócios de Marcos Valério; Simone Vasconcelos, ex-funcionária de Valério; o ex-deputado Romeu Queiroz (PTB-MG); e o ex-tesoureiro do PL (atual PR) Jacinto Lamas. Com exceção de Lamas, os demais se apresentaram na superintendência da PF em Belo Horizonte.  Faltavam se entregar, ontem à noite, o ex-dirigente do Banco Rural José Roberto Salgado, o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, e o ex-tesoureiro do PT  Delúbio Soares.
DIRCEU SE REÚNE COM A FAMÍLIA
Os mandados de prisão foram entregues à Polícia Federal por dois oficiais de Justiça do STF pouco antes das 17h. Os condenados, segundo a direção da PF, serão todos levados a Brasília para começar a cumprir suas penas. Só depois poderão ser transferidos para outras cidades, se for o caso. A PF vai utilizar um de seus aviões para transportar os presos que se entregaram em São Paulo e Minas Gerais.  A previsão inicial é de que o transporte dos presos só ocorrerá amanhã.
Todos ficarão na carceragem da PF na capital federal até que a Vara de Execução Penal determine o local em que eles cumprirão as penas. Como não há cela  individuais para todos, eles vão ter que dividir o espaço. Na carceragem da PF, as camas são de concreto e os advogados e familiares costumam levar colchonetes e objetos pessoais.  José Dirceu chegou às 20h30m ao prédio da Polícia Federal em São Paulo. O petista havia passado o dia ao lado de familiares e amigos em suja casa em Vinhedo, interior paulista.
No fim da tarde, segundo familiares, ele fez uma pequena mala com roupas, livros e materiais de higiene. Deixou a casa num carro de vidros escuros, sem que a imprensa registrasse sua passagem pelo portão do condomínio.  Na PF, onde entrou por um portão alternativo, conseguiu novamente escapar do assédio dos jornalistas. Ainda na área externa do prédio, no entanto, fez questão de posar para os fotógrafos com o braço em sinal de resistência. Assim como Genoino, ele também acenou aos militantes que gritavam palavras de apoio a ele.
Dirceu passou seu último dia em liberdade a acompanhado da atual mulher e de duas ex-mulheres, além dos quatro filhos. Uma das filhas, Joana Saragoça, publicou em uma rede social uma mensagem que mostrava o clima na casa. “Meu pai, José Dirceu, preso político. Hoje te dei o abraço mais difícil da minha vida e te falei o “estamos juntos” mais sincero. Nunca vou cansar de dizer que te amo” escreveu ela.
EMOÇÃO NA CASA DE GENOINO
Genoino não esperava que a ordem de prisão fosse assinada ontem. Segundo amigos e familiares, quem lhe informou da decisão foi o seu advogado Luiz Fernando Pacheco, que se encontrou com o petista em sua casa, na Zona Oeste da capital paulista, e o levou até a Superintendência da PF.
Ao lado de familiares e amigos, visivelmente emocionados, o deputado deixou a sua residência por volta das 18h.  No caminho até o veículo, o único gesto que Genoino fez foi levantar o punho esquerdo, em um sinal de resistência, O gesto foi repetido durante o trajeto e na porta da PF, onde se apresentou às 18h20m. O petista foi aplaudido por cerca de 35 amigos e militantes, que gritavam: “Viva Genoino” e “Preso Político”. Dentro do prédio, Genoino retribuiu:  — Viva o PT.
A esposa do deputado federal pôde entrar no prédio da Polícia Federal, mas seus filhos ficaram do lado de fora.  — Ele está indignado, como todo preso político — afirmou o coordenador do setorial jurídico do PT em São Paulo, Marco Aurélio Carvalho.  Marcos Valério, operador do mensalão, que cumprirá a pena mais alta entre os 25 condenados, apresentou-se à PF em Belo Horizonte às 20h48m, na companhia do advogado, após passar o dia em sua fazenda de Caetanópolis, a uma hora de carro da capital mineira.
NOVE RÉUS TÊM SITUAÇÃO INDEFINIDA
Na quarta-feira, o STF decidiu que os réus poderiam começar a cumprir penas que não foram questionadas por embargos infringentes, o recurso que pode dar ao condenado um novo julgamento. Desde quinta-feira, duas assessoras de Joaquim Barbosa trabalhavam na elaboração de uma lista de quem poderia ser preso imediatamente. Na lista do presidente do STF, foram incluídos réus que entraram com embargos infringentes, mas não tinham direito a ele.
Isso porque, segundo o Regimento Interno do Tribunal, podem lançar mão do recurso condenados que obtiveram ao menos quatro votos favoráveis. Nem todos obedeceram à regra.  Pouco antes de serem decretadas as prisões, foi publicado na página do STF na internet o trânsito em julgado de parte das penas aplicadas a nove réus do mensalão. Entre eles, estavam Dirceu, Genoino, Delúbio e Valério. Parte das condenações desses réus podem ser mudadas no julgamento dos embargos infringentes.
Outros sete condenados que não entraram com infringentes já tinham tido o trânsito em julgado decretado em todas as penas. Para esses, o processo já terminou. Portanto, 16 réus já podem ter pena executada. A situação dos outros nove ainda está indefinida.  A partir da expedição dos mandados de prisão, a Polícia Federal começou a executá-los, sem a necessidade de o pedido passar previamente pela Vara de Execuções Penais de Brasília.
Não há restrição legal para o cumprimento das ordens em feriados e fins de semana. A vedação constitucional é apenas para prisões no domicílio dos acusados durante à noite. Após o cumprimento das prisões, começa a execução das penas, aí sim por meio da Vara de Execuções Penais, como já sinalizou Barbosa. As cartas de sentença serão expedidas à vara, que abrirá os processos de execução.
BARBOSA NÃO RECONHECEU PARTE DOS RECURSOS
Dos nove réus que tiveram o trânsito em julgado decretado parcialmente ontem, dois deles entraram com infringentes em toda as condenações: o ex-executivo do Banco Rural José Roberto Salgado e Ramon Hollerbach, ex-sócio de Valério. Portanto, segundo a decisão do plenário, eles não poderiam ser presos. Mas Barbosa, em decisão tomada sozinho, discordou e não reconheceu a possibilidade de infringentes em parte de suas condenações.
Os sete réus que tiveram todo o trânsito em julgado são: Pizzolato; Lamas; os ex-deputados Roberto Jefferson (PTB-RJ), Romeu Queiroz e José Borba; o ex-tesoureiro do PTB Emerson Palmieri; e o doleiro Enivaldo Quadrado. Até à noite, nem todos tinham tido a ordem de execução da pena expedida.  Nove réus não tiveram oficialmente o trânsito em julgado decretado. São eles: os deputados João Paulo Cunha (PT-SP), Valdemar Costa Neto (PR-SP) e Pedro Henry (PP-MT), os ex-deputados Pedro Corrêa (PP-PE) e Bispo Rodrigues (PL-RJ); o ex-assessor parlamentar do PP João Cláudio Genu; o advogado Rogério Tolentino; o ex-dirigente do Rural Vinicius Samarane; e o doleiro Breno Fischberg. Não havia expectativa de prisão desses condenados.
O advogado de Genoino informou que o petista passaria a noite na carceragem do terceiro andar da Superintendência da PF. A defesa anunciou que, na segunda-feira, solicitará à Vara de Execuções Criminais de Brasília uma vaga para o cumprimento da pena em uma unidade próxima à capital paulista, onde reside o deputado.  Pacheco afirmou ainda que se não houver vagas para cumprimento do regime semiaberto em São Paulo, a defesa irá solicitar que o deputado federal cumpra a pena em regime domiciliar.
Ele também estuda pedir o cumprimento de prisão domiciliar caso os médicos do petista atestem que seu estado de saúde inspira cuidados. O deputado federal sofreu em agosto uma isquemia cerebral e, desde então, está de licença da Câmara dos Deputados.  O advogado José Luis de Oliveira Lima, que defende Dirceu, criticou a prisão do cliente em regime fechado, já que o petista foi levado para a PE  — Cada dia que meu cliente fica em regime fechado, que não é o que diz a lei, nós vamos nos insurgir contra isso — disse ele, para quem a prisão nessa condição é ilegal. Lima garantiu que vai recorrer contra a prisão em regime fechado.
Os advogados de Dirceu pretendem ingressar com um pedido de autorização para que o ex-ministro mantenha seu blog pessoal enquanto estiver preso. Caso a Justiça não autorize, o espaço será mantido por colaboradores e servirá como espaço de defesa do petista. (Colaboraram: Ronaldo D’Ercole, Jailton de Carvalho e Vinicius Sassine).

SUPREMO DETERMINA PRISÃO DE CONDENADOS DO MENSALÃO

SUPREMO DETERMINA PRISÃO DE CONDENADOS DO MENSALÃO

APÓS 8 ANOS DO INÍCIO DA AÇÃO, MINISTROS VOTAM PELO CUMPRIMENTO IMEDIATO DAS PENAS
O Estado de S. Paulo - 14/11/2013
 
Supremo determina prisão de condenados do mensalão

Ex-dirigentes do PT, entre eles José Dirceu, podem ser presos nos próximos dias. Ainda serão analisados os embargos infringentes
Mensalão: O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou na sessão de ontem a execução das penas de condenados por envolvimento no esquema do mensalão, revelado há oito anos, durante o governo Lula, pelo então deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). Começarão a cumprir pena em regime semiaberto Jefferson e o deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP). O empresário Marcos Valério, a ex-presidente do Banco Rural Katia Rabelo e outros cinco condenados vão para o regime fechado. O ex-ministro José Dirceu e os ex-dirigentes do PT José Genoino e Delúbio Soares começarão a cumprir nos próximos dias pena por corrupção ativa em regime semiaberto. O cumprimento da condenação por formação de quadrilha depende da análise de embargos infringentes - recursos nos casos em que houve divisão dos ministros da Corte ao condenar os réus -, o que pode ocorrer no próximo ano. Embora ainda tenha de julgar os embargos, o Supremo contrariou a expectativa de que a prisão dos condenados pelo mensalão poderia ficar para 2014, durante o período eleitoral.
"O direito de defesa foi violado, unia vez que o pedido de prisão foi solicitado pela Procuradoria e a defesa foi impedida de se manifestar". José Luís Oliveira Lima, advogado de José Dirceu (Págs. 01, Política A4, AB, A8, A9 e A15)
Após oito anos, Supremo determina prisão de condenados no mensalão
Ministros votam pelo início imediato da execução das penas - Ex-dirigentes do PT, como Dirceu, Genoino e Delúbio, além de Marcos Valério, operador do esquema, poderão ser presos nos próximos dias. Câmara tenta adiar decisão sobre perda de mandato
Não é o ponto final do processo do mensalão, mas é um capítulo ímpar na história política do País. O Supremo Tribunal Federal determinou ontem a execução das penas de condenados por envolvimento no esquema do mensalão, revelado mais de oito anos atrás pelo então deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), após uma disputa política contra o homem forte do primeiro mandato do governo Lula, o ex-ministro José Dirceu. Os dois adversários, assim como os ex-dirigentes do PT José Genoino e Delúbio Soares, e o empresário Marcos Valério, entre outros, serão presos nos próximos dias.
Embora ainda tenha que julgar os embargos infringentes - recursos nos crimes em que houve maioria apertada na Corte, com pelo menos quatro votos pela absolvição -, o Supremo contrariou a expectativa de que a prisão dos condenados pelo mensalão levaria mais tempo, podendo ficar para 2014, em meio às campanhas eleitorais.
Essa decisão expõe ainda mais a Câmara, que manteve o mandato de um deputado preso - Natan Donadon - e se vê pressionada a deliberar sobre a situação de Genoino, João Paulo Cunha, Valdemar Costa Neto e Pedro Henry.
Se a prisão chega antes, por outro lado ela pode abrandar o regime a que serão submetidos condenados como Dirceu. O ex-ministro começará a cumprir a pena por corrupção em regime semiaberto - se fosse somada a pena por formação de quadrilha, crime ainda passível de absolvição, o petista teria de permanecer na cadeia em tempo integral, e não somente no período da noite.

Procurador pede prisão imediata no mensalão

Procurador pede prisão imediata no mensalão

Procurador-geral pede execução imediata da pena até de quem terá novo julgamento
Autor(es): Felipe Recondo r Mariângela Gallucci
O Estado de S. Paulo - 13/11/2013
 

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ontem ao Supremo Tribunal Federal a execução imediata das penas de 23 dos 25 condenados do mensalão, mesmo daqueles que têm direito a novo julgamento de determinados crimes


O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ontem ao Supremo Tribunal Federal a execução imediata das penas dos condenados do mensalão, mesmo daqueles que têm direito a novo julgamento de determinados crimes. Dos 25 condenados pelo STF, 20 teriam de começar a cumprir pena na cadeia, em regime fechado ou semiaberto.
Para o chefe do Ministério Público Federal, figuras centrais do escândalo de corrupção, como o ex-ministro José Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoino, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e o empresário Marcos Valério, apesar de terem o direito aos embargos infringentes para formação de quadrilha, teriam de começar a cumprir já a pena por causa de outros crimes.
Ao menos cinco ministros já afirmaram, reservadamente, serem favoráveis à prisão imediata dos condenados. Com mais um voto nesse sentido, no julgamento que será retomado hoje, o tribunal poderia determinar a prisão imediata de 20 dos condenados e a execução das penas alternativas - como o pagamento de cestas básicas - para outros três. Nesse caso, Dirceu, por exemplo, poderia iniciar o cuinprimento da pena por corrupção ativa até a análise do recurso que pede revisão do crime de quadrilha.
Somente dois condenados - Breno Fishberg e João Cláudio Genu - aguardariam o julgamento dos infringentes, previsto para o primeiro trimestre de 2014. Os dois foram condenados por apenas um crime, mas a condenação pode ser revertida no próximo ano, quando forem julgados os recursos.
Caso não sigam o parecer de Janot, os ministros devem concluir até amanhã o julgamento dos segundos recursos declaratórios de parte dos réus do mensalão. Nesse grupo estão os deputados Pedro Henry (PP-MT) e Valdemar Gosta Neto (PR-SP). Os dois e outros oito condenados apontam contradições, omissões e ambiguidades no julgamento dos primeiros recursos.
Atendência do tribunal é rejeitar os recursos e considerá-los uma tentativa da defesa de protelar o fim do processo. Por isso, o tribunal deve decretar a execução imediata das penas desse grupo que não tem direito aos chamados embargos infringentes. Nessa lista de prováveis condenados nos próximos dias com execução de pena imediata estão também o ex-presidente do PTB Roberto Jefferson, os ex-deputados Bispo Rodrigues, José Borba e Pedro Corrêa, o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato e o ex-vice-presidente do Banco Rural Vinicius Samarane.
Mesmo se houver prisão de deputados, a Câmara deve aguardar um novo posicionamento do STF, definindo a quem compete cassar o mandato do parlamentar condenado. Com isso, os dois deputados se juntariam a Natan Donadon na bancada de parlamentares presidiários.
Súmula. Ontem, após a manifestação de Janot pedindo a prisão não só dos condenados que ingressaram com os embargos de declaração mas também dos que optaram pelos infringentes, dois integrantes da Corte lembraram que uma súmula permite a execução das penas, mesmo com embargos infringentes pendentes de julgamento. "Em caso de embargos infringentes parciais, é definitiva a parte da decisão embargada em que não houve divergência na votação", estabelece a súmula do tribunal.
Outro ministro indica dois precedentes em que o STF permitiu a execução da pena, independentemente da existência de embargos infringentes.
No pedido feito ao STF na tarde de ontem, o procurador-geral da República argumentou serem imutáveis as penas impostas aos condenados que não têm direito a novo julgamento. E para os que pediram novo julgamento, via infringentes, parte das penas também não pode mais ser alterada.
"É entendimento sedimentado no âmbito desse STF que não há necessidade de aguardar o julgamento de todos os recursos que as defesas interponham para adeterminação de imediato cumprimento das penas, notadamente quando já apreciados (e rejeitados) os primeiros embargos de declaração ajuizados contra a decisão condenatória do plenário", afirmou Janot no parecer.
No caso de Dirceu, por exemplo, a pena imposta pelo crime de corrupção ativa não pode mais ser alterada. O placar do julgamento neste ponto específico foi de 8 votos a 2 pela condenação. Como não houve quatro votos divergentes, Dirceu não poderia pedir novo julgamento para esta acusação.
No entanto, por 6 votos a 4, o tribunal condenou Dirceu por formação de quadrilha. Em razão desse placar, a defesa de Dirceu pediu ao tribunal, por meio dos embargos infringentes, novo julgamento para esta acusação, o que deve ocorrer somente no início de 2014.
Assim, conforme o pedido de Rodrigo Janot e a defesa antecipada por parte dos ministros, Dirceu poderia começar a cumprir a pena pelo crime de corrupção, aguardando preso o novo julgamento pelo crime de quadrilha. Mas tendo sido condenado naquele crime a 7 anos e 11 meses, Dirceu iniciaria seu cumprimento de pena em regime semiaberto.
Outros nove réus estão na mesma condição, incluindo Genoino, Valério, Delúbio Soares, o deputado João Paulo Cunha (PT-SP), a ex-presidente do Banco Rural Kátia Rabello, o publicitário Cristiano Paz, ex-sócio de Valério. Emerson Palmieri, Enivaldo Quadrado e José Borba já cumpriram suas penas alternativas.
PARA ENTENDER
Julgamento só acaba em 2014
Nesta fase de recursos do julgamento do mensalão, os 25 condenados em dezembro do ano passado foram divididos em dois grupos. Treze deles não têm direito a novo julgamento e poderão ter suas sentenças executadas agora. Doze deles, entre os quais o ex-ministro José Dirceu, têm direito aos embargos infringentes. Trata-se de um novo julgamento de crimes pelos quais os réus foram condenados em votações apartadas, com pelo menos quatro ministros defendendo a absolvição. A análise dos infringentes ocorrerá somente em 2014.

domingo, 3 de março de 2013

MENSALEIROS DEVEM SER PRESOS ATÉ JULHO, PREVÊ BARBOSA

MENSALEIROS DEVEM SER PRESOS ATÉ JULHO, PREVÊ BARBOSA

BARBOSA PREVÊ PRISÕES DO MENSALÃO ATÉ JULHO E CHAMA SISTEMA PENAL DE "FROUXO"
Autor(es): Felipe Recondo Mariângela Gallucci
O Estado de S. Paulo - 01/03/2013
 

Presidente do STF espera encerrar julgamento de todos os recursos contra a condenação antes das férias

O presidente do STF, Joaquim Barbosa, afirmou ontem que a prisão dos 25 condenados no processo do mensalão deve ocorrer até julho. “A minha expectativa é de que tudo se encerre antes das férias”, disse, em entrevista a jornalistas estrangeiros. “Os votos de alguns ministros ainda não foram liberados. Assim que todos apresentarem seus votos, vou determinar a publicação, e aí começa a correr o prazo de recursos dos réus”, afirmou. Barbosa criticou o que chamou de “problema sistêmico” na Justiça. “Nosso sistema penal é muito frouxo. É totalmente pró-réu, pró-criminalidade. Essas sentenças que o Supremo proferiu (no mensalão), de 10,12 anos, no final se converterão em 2 anos, porque há vários mecanismos para reduzir a pena.” Barbosa chamou ainda o sistema penal de “faz de conta”.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, afirmou ontem que a prisão dos 25 condenados do mensalão deve ocorrer até o dia 1.° julho deste ano, mas reconheceu que, por falhas do sistema penal, que classifica de "frouxo", boa parte dos condenados deve ficar na cadeia pouco mais de dois anos.
"Eu espero que até julho (sejam expedidos os mandados de prisão)", disse o ministro em entrevista a correspondentes internacionais. "Mas a minha expectativa é que tudo se encerre antes de 1.° de Julho, antes das férias."
Barbosa afirmou que espera encerrar o julgamento de todos os recursos dos advogados contra a condenação até julho. Depois disso, os mandados de prisão dos 25 condenados poderiam ser expedidos.
"Os votos de alguns ministros ainda não foram liberados e eles ainda têm um prazo para fazer isso. Assim que todos apresentarem os seus votos, eu vou determinar a publicação, e aí começa a correr o prazo de recursos dos réus", disse o presidente do Supremo. O calendário só não será cumprido, disse ele, se houver "chicana" dos advogados.
Reações. O advogado José Luís Oliveira Lima, que defende o ex- ministro da José Dirceu (Casa Civil), não comentou as declarações do presidente do STF.
O criminalista Marcelo Leonardo, que defende o empresário Marcos Valério, criticou a "futurologia" de Barbosa. "Enquanto o acórdão não for publicado, qualquer previsão não tem sustentação. Se não se souber quais os recursos interpostos e sua fundamentação, não se deve fazer
futurologia na Justiça."
Para o criminalista Alberto Zacharias Toron, que defende o deputado João Paulo Cunha (PT- SP), "causa surpresa e apreensão a afirmação do presidente da Corte, pois há casos em que certas matérias deverão ser julgadas novamente". Toron afirma que, como João Paulo teve cinco votos favoráveis no julgamento do crime de lavagem de dinheiro, cabe um recurso denominado embargos infringentes para reapreciar a acusação. "Ou seja, um novo julgamento do capítulo relativo à lavagem será realizado. Por isso, causa apreensão essa expectativa de celeridade."
Faz de conta. Barbosa criticou as penas impostas pelo tribunal no julgamento do mensalão e afirmou que há um problema sistêmico na Justiça criminal. "Nosso sistema penal é muito frouxo. É um sistema totalmente pró-réu, pró-criminalidade", disse.
"Essas sentenças que o Supremo proferiu aí, de dez anos, 12 anos, no final se converterão em dois anos, dois anos e pouco de prisão, porque há vários mecanismos para ir reduzindo a pena", disse. "E, por outro lado, esse sistema frouxo tem vários mecanismos de contagem de prazo para prescrição que são uma vergonha. São quase um faz de conta. Tornam o sistema penal num
verdadeiro faz de conta."
O julgamento da ação penal do mensalão terminou em 17 dezembro do ano passado, após mais de 4 meses de sessões e embates entre o relator, ministro Joaquim Barbosa, e o revisor, ministro Ricardo Lewandowski. Mas o acórdão do julgamento ainda não foi publicado, pois depende da liberação de todos os votos e das notas taquigráficas, que estão sendo revisadas pelos ministros. Depois de publicada a decisão, os advogados de defesa terão prazo para recorrer.
Barbosa já antecipou o entendimento de que não serão novamente julgados os casos em que houve quatro votos pela absolvição. Advogados de defesa tentarão refazer o julgamento desses réus por meio de embargos infringentes. Um dos possíveis beneficiários seria José Dirceu, apontado como o chefe do esquema e condenado por corrupção ativa e formação de quadrilha.
O presidente do Supremo já indicou que só admitirá os embargos de declaração - pelos quais são contestadas contradições ou obscuridades - na decisão. / Colaborou Fausto Macedo.
Últimos passos do julgamento
O Supremo precisa publicar o acórdão do julgamento no Diário Oficial da Justiça. No texto estarão os argumentos usados no plenário para condenar 25 dos 37 réus do escândalo que abalou o PT e causou a maior crise política do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Recursos
Com a publicação do acórdão, os advogados dos condenados poderão entrar com dois tipos de recursos: o embargo de declaração, no qual são pedidas explicações sobre a decisão, e o embargo infringente, uma solicitação de reavaliação em caso de placar apertado na condenação do réu.
Execução
Depois da avaliação dos recursos, algo que não tem prazo para ocorrer, o Supremo determinará a execução das penas, decidindo, por exemplo, onde os condenados serão presos ou cumprirão regimes diferenciados, como o semiaberto, em que há obrigação apenas de se dormir na cadeia.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

MPF DECIDE INVESTIGAR LULA

MPF DECIDE INVESTIGAR LULA

PROCURADOR DECIDE PEDIR INVESTIGAÇÃO DE ACUSAÇÕES DE VALÉRIO CONTRA LULA
O Estado de S. Paulo - 09/01/2013
 

O Ministério Público Federal (MPF) vai investigar o ex-presidente Lula com base nas novas acusações de Marcos Valério, reveladas pelo Estado em dezembro, que envolvem o petista no esquema do mensalão. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, decidiu remeter o caso à primeira instância, uma vez que Lula não tem mais foro privilegiado, informam Felipe Recondo e Alana Rizzo. A decisão foi tomada no fim de dezembro, após o encerramento do julgamento do mensalão no STF. O ex-presidente pode ser chamado para prestar depoimento. Marcos Valério também poderá ser convocado para dar mais detalhes da acusação feita em depoimento ao MP, em setembro do ano passado. No documento, de 13 páginas, Valério afirmou ter passado dinheiro para Lula arcar com “gastos pessoais” em 2003. 0 empresário disse que os recursos foram depositados na conta da empresa Caso, do ex-assessor Freud Godoy, espécie de “faz-tudo” de Lula
O    Ministério Público Federal vai investigar o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva com base na acusação feita pelo operador do mensalão, Marcos Valério, de que o esquema também pagou despesas pessoais do petista, O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, decidiu remeter o caso à primeira instância, já que o ex-presidente não tem mais foro privilegiado. Isso significa que a denúncia pode ser apurada pelo Ministério Público Federal em São Paulo, em Brasília ou em Minas Gerais.
A integrantes do MPF Gurgel tem repetido que as afirmações de Valério precisam ser aprofundadas. A decisão de encaminhar a denúncia foi tomada no fim de dezembro, após o encerramento do julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), Condenado a mais de 40 anos de prisão, Valério, que até então poupava Lula, mudou a versão após o julgamento.
Ainda sob análise do procurador-geral da República, o depoimento de Valério em setembro do ano passado, revelado pelo Estadô, e os documentos apresentados por ele serão o ponto chave da futura investigação que, neste caso, ficaria circunscrita ao ex-presidente.
O    procurador da República que ficar responsável pelo caso poderá chamar o ex-presidente Lula para prestar depoimento. Marcos Valério também poderá ser chamado para dar mais detalhes da acusação feita ao Ministério Publico em 24 de setembro, em meio ao julgamento do mensalão. Petistas envolvidos no esquema sempre preservaram o nome de Lula desde que o escândalo do mensalão foi descoberto, em 2005.
Mentiroso. Ao tomar conhecimento das acusações feitas por Valério, Lula o chamou de mentiroso. "Eu não posso acreditar  em mentira, eu não posso responder mentira", reagiu o ex-presidente, em dezembro do ano passado.
No depoimento de 13 páginas, Valério disse ter passado dinheiro para Lula arcar com "gastos  pessoais" no início de 2003, quando o petista já havia assumido a Presidência. O empresário  relatou que os recursos foram depositados na conta da empresa ;de segurança Caso, de propriedade do ex-assessor da Presidência  Freud Godoy. Nas palavras de  Valério, Godoy era uma espécie de "faz-tudo" de Lula.
Ao investigar o mensalão, a CPI dos Correios detectou, em 2005, um pagamento feito pela SMPB, agência de publicidade  de Valério, à empresa de Freud. O depósito foi feito, segundo dados do sigilo quebrado pela comissão, em 21 e janeiro de 2003, no valor de R$ 98,5 mil.
Oficialmente, Freud Godoy afirmou que o dinheiro serviu para o pagamento de serviços prestados durante a campanha eleitoral de 2002. Esses serviços, admitiu Freud Godoy à época da CPI, não foram formalizados em contrato e não houve contabilização formal das despesas.
No depoimento, Valério disse que esse dinheiro tinha como destinatário o ex-presidente Lula. Ele, no entanto, não soube detalhar quais as despesas do ex-presidente foram pagas com esse dinheiro. Conforme pessoas próximas, Valério afirmou que esse pagamento ocorreu porque o governo ainda não havia descoberto a possibilidade de gastos com cartões corporativos.
Gurgel volta de férias na próxima semana e vai se debruçar sobre o assunto. A auxiliares, o procurador já havia indicado que seria praticamente impossível arquivar o caso sem qualquer apuração prévia. No fim do ano, a subprocuradora Cláudia Sampaio e a procuradora Raquel Branquinho, que colheram o depoimento de Valério, foram orientadas por Gurgel a fazer um pente fino nas denúncias. „
A intenção era identificar possíveis inconsistências no depoimento e armadilhas jurídicas. Gurgel, por mais de uma vez, manteve reservas sobre a acusação feita por Valério. E publicamente afirmou que o empresário é um jogador. Mas não desqualificou de pronto as afirmações do operador do esquema.
O advogado de Valério, Marcelo Leonardo, disse que seu cliente vai aguardar "o destino que será dado ao expediente".
Cobrança. No STF, a revelação das acusações levou integrantes do tribunal a cobrarem investigações. O presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, afirmou em dezembro que não haveria outra saída senão investigar. "O Ministério Público, em matéria penal, no nosso sistema, não goza da prerrogativa de escolher o caso que leva adiante, que caso ele vai conduzir. É regido pelo princípio da obrigatoriedade, tem dever de fazê-lo", disse.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Na França, apoio. No Brasil, crise

Na França, apoio. No Brasil, crise

Defesa da investigação
Autor(es): DIEGO ABREU e HELENA MADER
Correio Braziliense - 12/12/2012
 

Três ministros do STF se mostraram favoráveis à abertura de inquérito para investigar a denúncia de que Lula autorizou empréstimos fraudulentos do mensalão e se beneficiou de dinheiro do esquema, supostamente usado para pagar despesas pessoais do petista.As acusações, feitas por Marcos Valério em depoimento ao Ministério Público Federal, foram rebatidas pelo ex-presidente."É mentira", disse Lula, em Paris. Dilma, que ao lado dele também participa de encontro na capital francesa, saiu em defesa do antecessor.

Ministros do Supremo se mostram favoráveis à abertura de inquérito para apurar as relações de Lula com o mensalão, após a divulgação de trechos do novo depoimento de Marcos Valério

Três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) defendem que o Ministério Público abra uma nova frente de investigação no mensalão. Os integrantes da Corte sugeriram ontem a apuração do suposto envolvimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o escândalo de compra de apoio político no Congresso, conforme teria revelado em depoimento o empresário Marcos Valério. Questionado se o MP deve abrir um inquérito para analisar o caso, o presidente da Suprema Corte, Joaquim Barbosa, foi lacônico: "Creio que sim".
Integrantes do STF têm dito, porém, que as revelações feitas por Valério, em depoimento prestado em setembro, não terão interferência no julgamento da Ação Penal 470, que deve ser concluído nesta semana. Barbosa preferiu não manifestar opinião sobre o assunto. Ele se limitou a dizer que teve acesso ao depoimento de forma "oficiosa", e não oficial.
Reportagem publicada ontem pelo jornal O Estado de S.Paulo detalha o depoimento que Marcos Valério, operador do mensalão, prestou à Procuradoria Geral da República, no qual ele disse que Lula autorizou a tomada dos empréstimos que financiaram o esquema de compra de apoio parlamentar. Segundo a publicação, parte do dinheiro foi utilizada para o pagamento de "despesas pessoais" do líder petista.
Caso o Ministério Público resolva investigar Lula, caberá à primeira instância do órgão abrir um possível inquérito, uma vez que o ex-presidente não tem a prerrogativa de foro para ser investigado pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel.
O ministro do STF Marco Aurélio Mello afirma que Lula, por sua trajetória e experiência, "logicamente tinha o domínio ou pelo menos se presume que tinha o domínio do que acontecia no Brasil". Para o ministro, uma nova investigação não seria sinônimo de falha na apuração feita pelo MP há sete anos pois, na época, segundo o magistrado, não havia elementos para a denúncia. "Agora, diante desses dados, ele (o MP) teria esses elementos", destacou. O ministro observou que o crime de formação de quadrilha contra Lula, por exemplo, já estaria prescrito.
Marco Aurélio classificou de "grave" a suspeita de que o ex-presidente tenha participado do esquema. Ele avalia, porém, que Marcos Valério demorou para fazer as revelações. "Se houve ameaça, talvez ele (Valério) não tenha acreditado na concretização. Há um ditado popular que deve ser observado: depois da porta arrombada não adianta colocar fechadura."
O ministro Gilmar Mendes também defende que o MP abra um inquérito para apurar as denúncias de Marcos Valério. "É uma questão que deverá ser examinada pela procuradoria. Eu não vou ficar falando sobre hipótese", frisou Mendes, antes de observar que o procurador-geral da República se mostrou "desconfiado" em relação às declarações de Valério. "A procuradoria saberá avaliar a partir da consistência dos dados", opinou. Marcos Valério pediu no depoimento para ser incluído no programa de proteção à testemunha, por avaliar que corre o risco de ser morto.
Ricardo Lewandowski, por sua vez, preferiu não opinar sobre o conteúdo do depoimento prestado por Valério, que coloca Lula sob a suspeita de envolvimento com o mensalão. "Não tive nenhum conhecimento, nenhum acesso. Não posso defender (uma investigação) e nem dizer o contrário porque não conheço o teor do depoimento", afirmou.
Procurado pelo Correio, o advogado de Marcos Valério, Marcelo Leonardo, disse que não comentaria o teor da matéria que traz detalhes do depoimento de seu cliente. "Não confirmo nem afirmo nada", disse. Ele, porém, criticou o STF. "É inútil prestar colaboração à Justiça, porque quem mais colaborou desde 2005, fornecendo lista, recebeu a maior punição e não teve nenhum benefício de redução de pena. Esse é o recado que o Supremo passou", reclamou o advogado.
Em nota à imprensa, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, afirmou que as afirmações "vazadas de modo inexplicável" refletem uma "tentativa desesperada" de diminuir a pena de Valério no julgamento do mensalão. "Trata-se de uma sucessão de mentiras envelhecidas, todas elas já claramente desmentidas. É lamentável que denúncias sem nenhuma base na realidade sejam tratadas com seriedade. Valério ataca pessoas honradas e cria situações que nunca existiram", destacou Falcão.
O delator do mensalão, Roberto Jefferson, criticou Valério em seu blog. "A credibilidade do carequinha já transitou em julgado, é zero. Não convenceu", disse. "A história contada por Marcos Valério às procuradoras não me pareceu crível. Ele pode provar o que disse? Além do mais, delação premiada para salvar o próprio couro é coisa de canalha."
Ameaça
No depoimento, Marcos Valério teria relatado também que foi ameaçado de morte por Paulo Okamotto, atualmente diretor do Instituto Lula. "Ou você se comporta ou morre", teria dito o amigo de Lula a Marcos Valério. Okamotto negou ontem que tenha feito qualquer ameaça. "Não, não, não. Eu não tenho nenhum motivo para desejar o mal a Marcos Valério. Eu o conheci depois do episódio do mensalão, da história que ele contava que tinha feito empréstimos em nome das empresas dele para ajudar o PT", afirmou em Paris, onde participou de evento ao lado de Lula (leia matéria na página 5).
Principais pontos
Confira o que disse o empresário Marcos Valério no depoimento de mais de três horas prestado às procuradoras Cláudia Sampaio e Raquel Branquinho em 24 de setembro, conforme revelou o jornal O Estado de S. Paulo:
Marcos Valério detalhou que o dinheiro do mensalão foi usado para bancar "despesas pessoais" do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os recursos teriam sido depositados na conta da empresa de segurança Caso, cujo dono é o ex-assessor da Presidência da República Freud Godoy (leia mais na página 5).
No depoimento, o empresário teria dito que se reuniu no Palácio do Planalto, em 2003, com o então ministro da Casa Civil, José Dirceu, e com o então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, para acertar o financiamento do esquema. Valério contou que foi ao gabinete de Lula, que, segundo ele, deu o "ok", avalizando o acerto. Lula disse que tudo é mentira. A defesa de Dirceu
nega a declaração de Valério e diz que o petista jamais se reuniu com Valério.
Condenado a mais de 40 anos de prisão no processo do mensalão, Valério disse que foi ameaçado de morte pelo atual diretor do Instituto Lula, Paulo Okamotto. "Tem gente no PT que acha que a gente devia matar você", teria dito Okamotto a Marcos Valério. Ele nega ter feito a ameaça.
Valério relatou que a única contrapartida pela ajuda que prestou ao PT foi o recebimento de R$ 4 milhões para pagar sua defesa jurídica na Ação Penal 470. O advogado Marcelo Leonardo não quis comentar a declaração.
O empresário disse que Lula negociou com Miguel Horta, então presidente da Portugal Telecom, o repasse de verbas para o PT. O então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, teria participado da reunião no Palácio do Planalto. A defesa de Palocci alega que tais fatos jamais existiram.
Marcos Valério disse ter repassado R$ 512 mil ao senador Humberto Costa (PT-PE) para financiar a campanha do petista para o cargo de governador de Pernambuco, em 2002. Costa negou o repasse e observou que suas contas de campanha foram aprovadas pela Justiça Eleitoral.

Joaquim Barbosa afirma que Lula tem de ser investigado

Joaquim Barbosa afirma que Lula tem de ser investigado

Presidente do STF diz que Lula tem de ser investigado
Autor(es): Felipe Recondo,Mariãngela Gallucci
O Estado de S. Paulo - 12/12/2012
 

O presidente do STF, Joaquim Barbosa, defendeu que o ex-presidente Lula seja investigado pelo Ministério Público, após as denúncias de Marcos Valério. Barbosa disse que teve acesso ao depoimento: "Tomei conhecimento oficioso, não oficial". Segundo integrantes da Corte, Barbosa e o procurador-geral Roberto Gurgel não quiseram misturar as novas declarações com o processo do mensalão. Gurgel disse que aguardará o fim do julgamento.

O presidente do Supremo Tri­bunal Federal e relator do men­salão, Joaquim Barbosa, defen­deu ontem que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja in­vestigado pelo Ministério Pú­blico. Barbosa confirmou que teve acesso às 13 páginas do de­poimento prestado por Mar­cos Valério em setembro à Procuradoria-Geral da República.
No depoimento, cujo conteú­do foi revelado ontem pelo Esta­do, Valério acusou Lula de rece­ber recursos do esquema para pa­gar despesas pessoais e de ter da­do o "ok" para a tomada de em­préstimos bancários fraudulen­tos que constituíram a fachada fi­nanceira que bancou o mensalão (mais informações no quadro ao la­do). A oitiva ocorreu em 24 de se­tembro, em Brasília, dias depois de o empresário mineiro ter sido condenado como o operador do mensalão, esquema de pagamen­to de parlamentares que, segun­do o Supremo, serviu para com­prar apoio político no Congresso entre 2003 e 2005, no primeiro mandato de Lula no Planalto.
Na ocasião, o empresário minei­ro, além de fazer novas revela­ções, afirmou que ainda tinha mais a falar. Queria, em troca, pro­teção e redução da sua pena - ele viria a ser condenado a mais de 40 anos pelo Supremo por sua parti­cipação no mensalão; Valério res­ponde ainda a outros processos, como o do mensalão mineiro, no qual políticos são acusados de des­viar dinheiro público do governo de Minas a fim de abastecer, em 1998, a campanha à reeleição do então governador tucano Eduar­do Azeredo, ex-presidente do PSDB e hoje deputado federal.
Barbosa afirmou que conhe­cia o depoimento de Valério. "Tomei conhecimento oficioso, não oficial", disse. O ministro preferiu não fazer juízo de valor sobre a gravidade das denúncias feitas por Valério, mas disse que o Ministério Público deve abrir uma investigação sobre os fatos. Ao ser perguntado se o ex-presi­dente deveria ser investigado, afirmou: "Creio que sim"
Dias depois de Valério prestar o novo depoimento, a íntegra foi re­metida para o Supremo. Mas Bar­bosa, relator do processo, devol­veu o depoimento para o Ministé­rio Público. De acordo com inte­grantes da Corte, Barbosa e o pro­curador-geral da República, Ro­berto Gurgel, não quiseram mistu­rar as novas declarações com o jul­gamento da ação penal do mensa­lão. Por isso, o depoimento não foi anexado ao processo.
Os ministros Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello também de­fenderam uma nova investiga­ção sobre as declarações do em­presário. "Isso aí, se procedente, é muito grave", disse Marco Auré­lio sobre a afirmação de Valério de que dinheiro do mensalão pa­gou despesas pessoais de Lula.
Ambos disseram que even­tuais suspeitas contra o ex-presi­dente não podem ser incluídas no processo que está em fase fi­nal de julgamento pelo STF. Mas as investigações poderiam trami­tar perante a Justiça Federal em um inquérito autônomo ou ain­da poderiam ser incluídas em ou­tros procedimentos já em anda­mento no Judiciário. "Sabemos que o que está aqui (no STF) é um porcentual muito pouco sig­nificativo do que se fez", afir­mou Mendes. Para o ministro, um eventual inquérito para apu­rar suspeitas contra Lula não tra­mitará no STF. "Ele não detém prerrogativa de foro", disse.
Segundo os ministros, o depoi­mento de Valério não afeta o pro­cesso em julgamento no Supre­mo, mas pode influenciar os pro­cedimentos abertos na Justiça Fe­deral, como o que apura suspeitas de irregularidades em emprésti­mos concedidos pelo BMG.
Para os ministros, o fato de Va­lério ter dado a declaração lan­çando suspeitas sobre Lula não garante ao empresário o benefí­cio da delação premiada no julga­mento do mensalão. "Se tivesse feito isso lá no início, quando o inquérito estava tramitando, aí ele poderia ser tido como dela­tor", disse Marco Aurélio. Consi­derado o operador do esquema, Valério foi condenado pelo STF a mais de 40 anos de prisão.
CAMINHO DA ACUSAÇÃO
O Ministério Público pode...
Arquivar o depoimento por en­tender não haver elementos para abrir qualquer investigação
Abrir procedimento interno para fazer uma investigação pré­via sobre as acusações
Depois se houver indícios...
Pedir a abertura de um inquéri­to no Supremo nos casos dos citados com foro privilegiado, como é o caso do senador Hum­berto Costa (PT-PE)
Instaurar inquérito em instân­cias inferiores do Ministério Públi­co para investigar os citados sem foto privilegiado, como é o caso do ex-presidente Lula
Depois, se houver provas...
Denunciar os envolvidos à Justiça a fim de que as acusa­ções sejam julgadas

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Penas do mensalão podem sofrer redução ao final do julgamento

Penas do mensalão podem sofrer redução ao final do julgamento

29/10/2012

Débora Zampier
Repórter da Agência Brasil


 A fixação de penas da Ação Penal 470, o processo do mensalão, fase iniciada na última semana pelo Supremo Tribunal Federal (STF), pode sofrer alterações significativas até o fim do julgamento. Além de revisões pontuais nos votos, os ministros podem adotar uma tese bastante favorável aos réus, considerando vários crimes diferentes como um só.
Nessa modalidade de cálculo de penas, chamada continuidade delitiva, os ministros podem concluir que, com mais de uma ação, os réus praticaram dois ou mais crimes da mesma espécie como consequência do primeiro. Em seguida, aplicam apenas a pena referente ao crime mais grave, aumentada de um sexto a dois terços.

A hipótese de continuidade delitiva já está sendo usada para fixar penas nos casos em que houve vários atos de um mesmo crime, como no de lavagem de dinheiro – quando o publicitário Marcos Valério fez 46 operações, por exemplo. Para evitar uma punição muito grande, os ministros optam por fixar somente uma pena, somando o agravante no final.
A continuidade delitiva para crimes diferentes, no entanto, foi abordada em plenário apenas na última quinta-feira (25). Na ocasião, os ministros tentavam convencer o revisor da ação penal, Ricardo Lewandowski, a tornar seu voto mais severo na condenação de Ramon Hollerbach, sócio de Marcos Valério, pelo crime de lavagem de dinheiro.
“Eu estarei disposto a fazer reajustes e também a homogeneizar esses critérios à medida que nós, depois, na pena final, decidíssemos que em vez  de caracterizar o concurso material entre determinados delitos, ficasse caracterizada a continuidade delitiva”, respondeu o revisor. No concurso material, as penas para crimes diferentes são somadas.
Lewandowski citou como exemplo o caso dos crimes de corrupção ativa, corrupção passiva e peculato. “Poderia-se, eventualmente, evoluir no sentido de, em vez de considerar o concurso material, [considerar] a continuidade delitiva, aí eu internamente reajustaria meus critérios”, completou.
Os ministros Marco Aurélio e Celso de Mello concordaram com a possibilidade de aplicação do modelo proposto pelo revisor, lembrando que o Código Penal permite a aplicação da continuidade delitiva não só em crimes idênticos, mas sim da mesma espécie. “Da mesma natureza pode ser crime contra a administração pública”, acrescentou a ministra Cármen Lúcia.
A tese só deve ser discutida de forma definitiva no fim do julgamento. Desde o início da dosimetria (cálculo das penas dos réus), vários integrantes da Corte estão ressalvando que abordarão o assunto assim que todas as penas forem fixadas. "Vamos deixar claro que esse ajuste no final é compatível com a complexidade da própria dosimetria. É natural que ajustemos à medida que as discussões avancem”, disse o presidente da Corte, Carlos Ayres Britto.
Edição: Carolina Pimentel