Mostrando postagens com marcador industrialização. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador industrialização. Mostrar todas as postagens

domingo, 2 de fevereiro de 2014

BUROCRACIA TRAVA 79% DAS EXPORTAÇÕES DA INDÚSTRIA BRASILEIRA, DIZ ESTUDO DA CNI

BUROCRACIA TRAVA 79% DAS EXPORTAÇÕES DA INDÚSTRIA BRASILEIRA, DIZ ESTUDO DA CNI

BUROCRACIA TRAVA 79% DAS EXPORTAÇÕES DA INDÚSTRIA BRASILEIRA, DIZ ESTUDO DA CNI
O Globo - 24/01/2014
 
O excesso de burocracia é um dos fatores que contribuíram para o déficit comercial da indústria brasileira em 2013, de US$ 105 bilhões. Em pesquisa inédita realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), 83% dos empresários disseram ter problemas para exportar e 79% afirmaram que não conseguem melhorar as vendas devido a entraves burocráticos tributários, alfandegários e de movimentação de cargas. Além dos custos elevados e da demora na liberação da mercadoria para o exterior, são exigidos até 26 tipos de documentos no processo exportador por mar e 15 por via terrestre. O saldo da balança comercial no ano passado foi o menor em 13 anos.
A pesquisa mostra ainda que o percentual de insatisfeitos com a burocracia aumenta de acordo com a participação das exportações no faturamento, alcançando 88,7% no caso das empresas cujas vendas no exterior respondem por mais de 50% das receitas totais. Nos setores de informática e de couros e artefatos, todas as firmas afirmaram que algum processo alfandegário/aduaneiro afeta negativamente as exportações.
Conforme a CNI, no Brasil, os gastos com burocracia chegam a US$ 2.200 por contêiner. A média nos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) — formada, em sua maior parte, por países desenvolvidos — é de US$ 1 mil. Os exportadores se queixam, principalmente, dos chamados órgãos anuentes e das taxas aduaneiras e alfandegárias, que encarecem os custos de exportação. Citaram, com maior frequência, a Receita Federal e os ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e da Agricultura.
— No Brasil, num processo de exportação, a razão social do exportador precisa ser indicada 17 vezes, ou seja, em 17 documentos; o endereço, 16 vezes; e a NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul), dez vezes — ilustrou o diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Carlos Abijaodi.
O processo exportador leva cerca de 13 dias no Brasil. Abijaodi estima que, se o prazo for reduzido para oito dias, o custo diminuirá 14%. Ele informou que, na lista de setores mais prejudicados, destacam-se os de máquinas e equipamentos, informática, eletroeletrônico, plásticos, veículos e agroindústria.
Governo promete mais agilidade pela internet
A pesquisa mostra que a burocracia para exportar no Brasil é tão complexa, que quase todas as empresas precisam contratar despachantes aduaneiros para desembaraçar as mercadorias. Apenas 3,3% delas não usam o serviço. Outro problema do dia a dia do exportador é a administração do grande número de documentos exigidos no processo de exportação, que afeta 38,5% das empresas.
As dificuldades não acabam com a apresentação da documentação. Das empresas ouvidas, 41,9% alegam baixa agilidade na análise e resposta por parte dos órgãos. E, mesmo após a primeira resposta, há demora nas inspeções e vistorias, dizem 37,8% das empresas.
Procurada, a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do MDIC, informou que o governo federal já vem buscando melhorar a coordenação entre os órgãos que liberam as cargas, notadamente no setor portuário, por onde passam mais de 90% do volume do comércio exterior brasileiro. A Secex acrescentou que está em fase de implementação o conceito de “janela única”, que colocará, no mesmo portal na internet, todos os órgãos anuentes, o que facilitará exportações e importações.
— Os tempos e os custos nas operações de comércio exterior serão bastante reduzidos — assegurou o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Neri Geller.
A Receita Federal não se manifestou.
Segundo o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, a “janela única” precisa ser lançada o quanto antes pela presidente Dilma Rousseff. Esse procedimento faz parte do Acordo de Bali, firmado no mês passado, durante reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), na Indonésia.
— Seria uma forma de desburocratizar o comércio exterior brasileiro — afirmou Castro.
O setor químico se enquadra entre aqueles cujos problemas para exportar diminuíram, segundo a diretora de comércio exterior da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Denise Naranjo. Ela afirmou que a situação já foi pior e tende a melhorar com a janela ou portal único.
— Isso vai nos colocar em outro patamar de comércio exterior — disse ela.
O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Eletroeletrônicos (Abinee), Humberto Barbato, disse que, mais do que a burocracia, seu setor é fortemente afetado pelo real ainda valorizado ante o dólar e a carga tributária.
— Isso tira competitividade das empresas brasileiras — enfatizou Barbato.
Na pesquisa da CNI foram ouvidas 693 empresas industriais de todos os portes. Com o ineficiente sistema de infraestrutura e logística, os elevados custos tributários e o câmbio também foram citados na pesquisa. Outro item diz respeito ao financiamento das exportações. Na avaliação de boa parte dos empresários entrevistados, as linhas oficiais seguem pouco conhecidas.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Indústria diz que Brasil não é protecionista, mas reclama de custos e de câmbio

Indústria diz que Brasil não é protecionista, mas reclama de custos e de câmbio

Autor(es): Por Juliana Elias e Rodrigo Pedroso | De São Paulo
Valor Econômico - 14/05/2013
 

Representantes da indústria brasileira aproveitaram, ontem, o 31º Encontro Bilateral Brasil-Alemanha, para defender a indústria local da "pecha" de protecionista e argumentar que o setor não teme acordos bilaterais, inclusive com a Europa, desde que possa competir com igualdade de condições.
E a oportunidade de discutir o tamanho da abertura brasileira pode vir logo, pois os países do Mercosul estão trabalhando na lista de produtos que poderão ser incluídos em um possível acordo de livre comércio entre o bloco e a União Europeia (UE), informou ontem Fernando Pimentel, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. "Estamos avançando agora em relação a um acordo. Até o início do segundo semestre, o Mercosul fará uma proposta para a União Europeia", disse ele, durante a abertura do evento sobre as relações econômicas entre Brasil e Alemanha.
O Brasil não tem receio de competir diretamente com países europeus e está disposto a discutir acordos de livre comércio com países da UE e de outras regiões do mundo, afirmou Robson Braga de Andrade, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) no mesmo evento. Andrade afirmou que não considera o Brasil um país protecionista. "O país tem sido visto como um dos que mais protegem a sua própria indústria, mas isso não é verdade. Mesmo a Alemanha é mais protecionista que o Brasil", disse ele, lembrando que o déficit comercial da indústria foi de US$ 90 bilhões em 2012.
Para o presidente da CNI, há muitas outras dificuldades maiores do que o comércio a serem discutidas entre Brasil e Alemanha para destravar investimentos. Entre esses percalços ele citou as várias exigências técnicas por que passam os produtos brasileiros e de outras origens quando entram em países como a Alemanha e também a bitributação a que é submetido o processo de importação e exportação entre os dois países. Segundo ele, as negociações entre os dois países sobre esse assunto não avançaram.
O presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha (AHK) e da Volkswagen no Brasil, Thomas Schmall, defendeu, no mesmo evento, que, junto da série de benefícios à produção local que recebeu do governo, a indústria automobilística brasileira precisa de incentivos também para exportação.
"O governo criou o programa Inovar-Auto, que com certeza trará novos desafios e novas tecnologias, mas precisaríamos também de um "Inovar-Auto" para as exportações", disse Schmall, em referência ao programa de incentivos à pesquisa e desenvolvimento e à produção de conteúdo local na indústria automobilística, editado pelo governo no fim do ano passado. "Isso estimula a produção interna, mas é como ter só uma perna funcionando. A segunda perna poderia ser a ampliação desse diálogo no sentido de incentivar as exportações", disse o executivo, durante o evento.
Segundo Andrade, da CNI, o câmbio, que flutua atualmente na casa dos R$ 2, deveria estar em R$ 2,47, nos cálculos da entidade, para que a competitividade brasileira se equiparasse a concorrentes internacionais. José Ricardo Roriz Coelho, vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), acrescentou que o Brasil teve um grande avanço nos últimos anos ao aumentar o mercado interno e mantê-lo aquecido, mas que, com altos custos e baixa competitividade, a indústria nacional não está conseguindo acompanhar esse crescimento. "Um estudo feito pela Fiesp comparou o Brasil aos seus 15 principais parceiros comerciais e mostrou que produzir aqui é 32% mais caro que nestes países". disse.

PRODUÇÃO CAI, MAS CRESCE O FATURAMENTO DA INDÚSTRIA

PRODUÇÃO CAI, MAS CRESCE O FATURAMENTO DA INDÚSTRIA

COM REAJUSTE DE PREÇO E ALTA NA IMPORTAÇÃO, INDÚSTRIA FATURA MAIS
Autor(es): Por Marta Watanabe e Flavia Lima | De São Paulo
Valor Econômico - 13/05/2013
 

A elevação de preços e a aquisição de um maior volume de produtos importados ajudaram a indústria de transformação a aumentar o faturamento real, apesar da fraca produção física neste início de ano. No primeiro trimestre, enquanto a produção caiu 0,2%, o faturamento real ficou 2,7% maior, ambos na comparação com o mesmo período de 2012.
Entre os 20 principais setores da indústria de transformação, 13 encerraram o trimestre com ganho real de faturamento entre 0,4% e 14,4%. Desses, dez fizeram, no mesmo período, reajuste de preços acima da inflação ou elevaram a quantidade da importação, segundo dados obtidos nas pesquisas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex).


A elevação de preços e a aquisição de um volume maior de bens importados ajudaram alguns setores industriais a aumentar o faturamento real, apesar da fraca produção física neste início de ano. Dos vinte principais setores da indústria de transformação, em 12 a receita real de vendas cresceu acima de 1% no primeiro trimestre, contra iguais meses do ano passado. Dentro dos doze setores, dez fizeram, no mesmo período, reajuste de preço acima da inflação ou elevaram o volume de importados, segundo dados obtidos a partir do cruzamento de pesquisas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex).
No primeiro caso estão a fabricação de produtos alimentícios e de produtos de madeira. No segundo, os segmentos de vestuário, calçados e produtos farmacêuticos. Em alguns casos aconteceram as duas coisas simultaneamente, como nos segmentos de máquinas, aparelhos e materiais elétricos e de produtos de borracha e material plástico. Em outros setores - de máquinas e equipamentos e de minerais não metálicos -, a venda de estoques ajudou no faturamento maior.
Os preços e os produtos importados contribuíram de forma mais significativa para a alta nas receitas de vendas porque a produção física não acompanhou o desempenho do faturamento. O cruzamento de dados de produção, importação, preço e faturamento mostra que enquanto 12 dos 20 setores da indústria de transformação conseguiram faturamento maior, apenas sete registraram, no primeiro trimestre, elevação de produção física acima de 1%.
Edgard Pereira, professor do Instituto de Economia da Unicamp, destaca a elevação de preços nos segmentos de produtos de madeira (9,4%), na indústria de bebidas (10,14%) e na alimentícia (8,78%). As variações ficaram bem acima da inflação, que até março acumulou alta de 6,59% pelo IPCA. Os preços industriais considerados são os da variação do Índice de Preços ao Produtor (IPP), medido pelo IBGE, que mede a variação de preço dos bens industriais na saída da fábrica e incorpora, por isso, eventuais descontos concedidos na negociação com o varejo.
A elevação de preços, porém, não teve o mesmo efeito para todos. Enquanto essa alta contribuiu para um faturamento maior na indústria de alimentos e no setor de madeira, o mesmo não ocorreu em bebidas, diz Pereira, que mesmo com alta de preços significativa e crescimento de produção (alta de 0,76%), registrou recuo de 9,5% no faturamento. "É um caso claro de queda de demanda, que respondeu aos preços mais altos cortando compras". Segundo ele, isso pode ser notado no balanço de alguns fabricantes, como da Ambev. Com a alta de preços, diz o ex-secretário de política econômica, Julio Gomes de Almeida, o setor acumulou estoques que poderão afetar a produção física dos próximos meses.
A alta no volume importado no trimestre também teve efeito diverso entre os setores. Para alguns, as importações beneficiaram o faturamento. Analistas indicam que essa ligação entre o aumento nos volumes desembarcados e a alta de faturamento é mais clara em setores como vestuário, calçados, farmoquímicos e farmacêuticos, máquinas e aparelhos elétricos e produtos de metal, com exceção de máquinas. O setor de vestuário é considerado caso típico, com crescimento forte do faturamento (12%), das importações (9%) e dos preços (5%), mas queda na produção (7%). "Claramente é um setor que está substituindo produção por importação", diz Pereira. Esse setor, acrescenta Almeida, ainda pode ter se beneficiado das importações do segmento têxtil, cadeia imediatamente anterior, que registra alta de importações (10,7%), mas com queda de faturamento. "No setor têxtil, a importação está roubando não só produção da indústria doméstica, como também tirando faturamento."
Fernando Ribeiro, técnico de planejamento e pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômico Aplicada (Ipea), acredita que para fabricantes de bens finais como vestuário e produtos farmacêuticos, por exemplo, nos quais o ritmo da importação está mais acelerado que o da produção industrial, os importados têm substituído a indústria doméstica. Isso acontece na margem, ou seja, na parcela de crescimento da demanda interna. "Isso aconteceu de forma forte em 2010 e 2011 e ficou estabilizado no ano passado, com o recuo das importações, mas agora volta a ganhar ritmo."
Ribeiro destaca que o câmbio, apesar da desvalorização do real no primeiro trimestre deste ano em relação a igual período do ano passado, não foi capaz de frear essa importação. "O que se observa, historicamente, é que a importação é muito mais determinada pela atividade econômica e pelo câmbio", diz. Isso só muda, acrescenta, se houver uma variação muito grande ou abrupta do preço da moeda nacional, o que não aconteceu.
Em alguns setores importantes, os estoques estão fazendo diferença, como em máquinas e equipamentos. Nesse segmento, tanto a produção física quanto o volume de importação caíram muito - queda de 2% e de 0,8%, respectivamente -, mas o faturamento subiu de forma surpreendente, com alta de 14,4%. "As indústrias estão vendendo o que estocaram em períodos anteriores, mas a demanda ainda não chegou a gerar alta de produção", diz Almeida.
Pereira, da Unicamp, também acredita que os estoques tiveram influência. Mas, para ele, os números do setor de máquinas e equipamentos podem embutir uma boa noticia. "A redução na importação pode significar que o setor estaria recuperando um pouco a produção local." Outra hipótese, acrescenta, pode ser a venda de máquinas mais sofisticadas e, portanto, mais caras, ou seja, o fato de a demanda estar se direcionado a produtos de maior valor agregado.
Os sinais pouco claros da recuperação da atividade industrial, porém, não se restringem ao setor de máquinas e equipamentos. João Saboia, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), observa que, no geral, a indústria teve um pequeno crescimento real no faturamento embora com o nível de produção esteja praticamente estagnado. "O resultado é medíocre em termos agregados", diz ele. Ele destaca que o crescimento médio dos preços da indústria de transformação foi de 6,5% no período, muito próximo ao IPCA dos últimos 12 meses. Mas o que mais o impressiona, diz, é a diferença de resultados em alguns setores, com alta de faturamento entre 11% e 14% em setores como vestuário, máquinas, aparelhos e materiais elétricos e máquinas e equipamentos, enquanto a receita em "outros transportes" caiu 22%.
Saboia lembra ainda que existem enormes diferenças também na produção e no quantum de importados. "Há segmentos com situações extremamente diferenciadas mostrando os perigos de se falar da indústria sem especificar de que segmento se está falando".

segunda-feira, 4 de março de 2013

Indústria atrasada, economia enigmática

Indústria atrasada, economia enigmática

Publicado em Carta Capital

Por Mario Osava, da IPS

A indústria é o órgão enfermo da economia do Brasil. A produção do setor caiu 2,7% em 2012, apesar dos estímulos recebidos do governo, contrariando indicadores relacionados, como a forte expansão do comércio varejista e o desemprego em seu nível mínimo histórico. O enigma de uma economia paralisada, mas com sintomas de crescimento excessivo para as potencialidades do país, incluindo escassez da mão de obra e inflação em alta, parece ter sido revelado segundo várias explicações apresentadas.
Algumas causas com as quais lidam os economistas seriam uma queda na quantidade de jovens que se incorporam ao mercado de trabalho e o excesso de estoques acumulados. A redução da atividade manufatureira é o que mais preocupa o governo de Dilma Rousseff e os operadores econômicos, porque acentua uma tendência e coloca em xeque o futuro do país. A desindustrialização, há anos reconhecida por empresários do setor e poucos economistas, agora está difícil de ser negada.
As expectativas repousam nas projeções de melhorias para este ano. Mas os baixos investimentos refletidos no retrocesso de 11,8% na produção de bens de capital em 2012 e o auge inflacionário, que pode provocar medidas do Banco Central para conter a demanda, não permitem esperar que a recuperação tenha o vigor pretendido.
Indústria de medicamentos genéricos produzidos em laboratório goiano. Foto: Elza Fiúza/ABr
Indústria de medicamentos genéricos produzidos em laboratório goiano. Foto: Elza Fiúza/ABr

Os resultados no fechamento de 2012 foram “uma ducha fria”, frustrando esperanças de retomar o crescimento e indicando que na indústria brasileira “a crise é mais profunda”, não apenas um efeito conjuntural devido aos graves problemas da economia global, afirmou Julio de Almeida, consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). O Brasil “não acompanhou a evolução industrial do mundo” nos últimos 20 anos, como fizeram China, Coreia do Sul e Índia. Assim, sem desenvolver setores mais dinâmicos, como o eletrônico e o farmacêutico, tampouco avançou suficientemente em inovações tecnológicas, disse Almeida à IPS. Além disso, há cerca de 15 anos, a indústria e alguns “serviços organizados” sofrem um acúmulo de custos, sejam logísticos, financeiros ou energéticos, que reduzem sua competitividade.
Agravando tudo, os salários aumentaram nos últimos cinco anos muito acima da produtividade. Somente no ano passado, cresceram, em média, 5,8%, enquanto o rendimento caiu 0,8%, segundo o Iedi.
É possível sobreviver sendo pouco competitivo se a economia mundial crescer em um bom ritmo, mas os problemas apareceram com a crise iniciada em 2008 nos Estados Unidos e que depois se espalhou especialmente para a Europa, que “estreitou o mercado industrial” no mundo e colocou o mercado interno brasileiro sob intensa disputa, observou Almeida.
Apesar de tudo, este economista acredita que este ano pode haver uma recuperação, graças às medidas governamentais que baratearam a eletricidade e reduziram tributos para alguns setores industriais, além de baixar juros, estabilizar a taxa de câmbio e anunciar fortes investimentos em infraestrutura de transporte. Porém, será necessário aumentar a produtividade com fortes investimentos em inovações tecnológicas, especialmente porque o Brasil tem “uma indústria avantajada”, ressaltou.
De fato, a indústria da velha geração metal-mecânica, especialmente a automobilística, é predominante no país, com um peso crescente. Com uma longa cadeia produtiva, incluindo peças de automóveis e máquinas agrícolas, o segmento de veículos representava 21% do produto industrial em 2011, segundo a Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
Essa participação duplicou nos últimos 20 anos, enquanto a indústria de transformação, em seu conjunto, transitou o caminho inverso em sua contribuição para o produto interno do país, caindo para 14,6% em 2011. Ou seja, a importância do automóvel para a economia brasileira continua crescendo.
Por isso, a principal medida do governo para atenuar os efeitos recessivos da crise financeira internacional de 2008 foi reduzir impostos sobre os veículos a partir de dezembro daquele ano, após três meses de abrupta queda nas vendas. É uma fórmula repetida em outras crises. O petróleo e o aço também continuam sendo elementos fundamentais do esforço brasileiro para reverter a desindustrialização.
Agora se busca recuperar a indústria naval, aproveitando o petróleo descoberto debaixo da camada de sal no leito do Oceano Atlântico, perto da costa brasileira. Para impulsionar a produção nacional foi criada uma legislação que exige componentes variáveis e crescentes de origem nacional, que podem chegar a até 70% do total da construção de cada navio, plataforma, sonda e demais equipamentos destinados à atividade petroleira.
Todo esse esforço, baseado em intervenções do Estado, como estímulos tributários ou financeiros a setores escolhidos e medidas consideradas protecionistas, incluindo barreiras aduaneiras e a imposição de muito conteúdo nacional em produtos como automóveis, além dos navios petroleiros, provoca a rejeição por parte de muitos analistas de correntes liberais, com forte audiência entre os operadores e os meios de comunicação especializados em economia.

A desindustrialização não é necessariamente uma “doença”, já que “a indústria vai mal, mas o Brasil vai muito bem”, com muito emprego e salários elevados, resumiu o economista Edmar Bacha, em entrevistas realizadas no ano passado ao anunciar o livro coletivo que organizou sob o título O futuro da indústria no Brasil, publicado este mês.
Em sua análise, o setor manufatureiro brasileiro perdeu competitividade principalmente pela explosão salarial que elevou custos. A média salarial no Brasil, em dólares, cresceu 14,4% ao ano entre 2006 e 2011, um recorde mundial longe de ser ameaçado por Austrália, que aparece em segundo lugar com 9%, segundo os coautores do livro, Beny Parnes e Gabriel Hartung.
Bacha, que participou de governos anteriores que implantaram políticas econômicas mais liberais, afirmou que a competitividade não se constrói com protecionismos, mas com maior abertura comercial, que permita a integração com as cadeias produtivas internacionais. O México é apresentado como um exemplo disso.
Ampliando o olhar dos especialistas, a única coincidência sobre as causas da perda de capacidade industrial é a falta de competitividade. Há divisões tanto na interpretação de suas origens como em seu significado e remédios, segundo o lugar onde se detém cada observador. Os analistas vinculados ao setor primário, por exemplo, questionam a primazia atribuída à indústria como promotora do progresso e da inovação. Argumentam que a agricultura agrega hoje muita tecnologia e muito conhecimento, incorporando pesquisa científica e mecanização.
Mas no governo brasileiro se destacam os “desenvolvimentistas”, começando pela presidente Dilma Rousseff. Por isso é irônico que a queda da indústria se acentue enquanto o país é administrado por dirigentes que priorizam o setor e que, para recuperar sua competitividade, adotaram medidas acusadas de serem extremamente intervencionistas pelos partidários de soluções de mercado.

Os desafios da indústria brasileira

Os desafios da indústria brasileira

 Luis Gonzaga Belluzzo

Publicado em Carta Capital
Foto: Claudio Capucho/Vale/AE
Foto: Claudio Capucho/Vale/AE

A perda de dinamismo da industrialização brasileira provocou, no início dos anos 90, uma reação extremada nas hostes liberais: abrir a economia e expor os empresários letárgicos aos ares benfazejos da globalização. O silogismo em que se desdobra a premissa é grotesco em sua simplicidade: se a indústria brasileira perdeu a capacidade de investir ou de se modernizar, a solução é submeter a incompetente à disciplina da concorrência externa.
Na arrancada dos emergentes bem-sucedidos, os benefícios da abertura da economia ao investimento estrangeiro – tais como absorção de tecnologia, adensamento de cadeias industriais, crescimento das exportações – dependeram fundamentalmente das políticas nacionais. Dentre os chamados BRICS, cresceu mais e exportou ainda melhor quem conseguiu administrar uma combinação favorável entre câmbio real competitivo e juros baixos, acompanhada da formação de redes domésticas entre as montadoras e os fornecedores de peças, componentes, equipamentos, sistemas de logística e advertising.
Na era da arrancada chinesa, é superstição acreditar que a abertura financeira e a exposição pura e simples do setor industrial à concorrência externa são capazes de promover a modernização tecnológica e os ganhos de competitividade. Os estudos mais especializados e aprofundados sobre o tema mostram que a concorrência nos mercados contemporâneos está marcada por características que não guardam qualquer semelhança com as crendices simplificadoras das vantagens comparativas. A propósito das suposições sobre o estado atual das trocas internacionais, dois economistas de Princeton escreveram um artigo denominado “O surgimento das cadeias globais: não se trata mais de Vinho versus Tecidos”. É uma crítica bem argumentada e com sólidas bases empíricas às teorias convencionais sobre os ganhos de comércio lastreadas na teoria das vantagens comparativas.
Os estudiosos reconhecem a existência de economias de escala e de escopo, economias externas, estratégias de ocupação e diversificação dos mercados, conglomeração e acordos de cooperação. Nesse jogo só entra quem tem cacife tecnológico, poder financeiro e amparo político dos Estados Nacionais.
Não há exemplo nos países periféricos – aí incluídos o Chile e os “Tigres Asiáticos”, a China, de renúncia a políticas deliberadas de reestruturação produtiva ou de estímulo à modernização e à conquista de mercados. Seja qual for a estratégia adotada – liderança das exportações ou preeminência do mercado interno –, os casos bem-sucedidos de avanço industrial e produtivo na dita “era da globalização” têm um traço comum: intencionalidade e coordenação pública.
É insensato subestimar os efeitos causados pelas mudanças da geoeconomia mundial: a expansão sino-asiática vai continuar ameaçando as estruturas industriais do Velho e do Novo Mundo. As políticas asiáticas de promoção e integração industrial estão alicerçadas em ganhos expressivos nas relações produtividade/salário e sálario/câmbio na manufatura. Esse processo é amparado por um sistema de crédito voltado para o investimento manufatureiro privado e para a sustentação dos programas públicos de gastos em infraestrutura.
A despeito da crise global e da inevitável desaceleração chinesa, o estilo de desenvolvimento sino-asiático vai prosseguir em seus trabalhos de ganhar a dianteira na porfia competitiva global. Nessas circunstâncias, a valorização cambial é um erro grave, assim como a hesitação em promover políticas adequadas de defesa comercial e de estímulo às exportações.
Em artigo escrito com Júlio Sérgio Gomes de Almeida sugeri que a falsa inserção competitiva da economia brasileira está cobrando o seu preço. Falsa porque as políticas dos anos 1990 entendiam que bastava expor a economia à concorrência externa para lograr ganhos de eficiência micro e macroeconômicas. O Brasil encerrou os anos 1990 com uma regressão da estrutura industrial, ou seja, não acompanhou o avanço e a diferenciação setorial da indústria manufatureira global e, ademais, perdeu competitividade e elos nas cadeias que conservou.
Percorremos o caminho inverso dos asiáticos, que abriram a economia para as importações redutoras de custos. Importar para exportar. A abertura da economia estava, portanto, comprometida com os ganhos de produtividade voltados para o aumento das exportações. As relações importações/exportações faziam parte das políticas industriais, ou seja, do projeto que combinava o avanço das grandes empresas nacionais nos mercados globais e a proteção do mercado interno.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Apesar dos incentivos, indústria produz menos

Apesar dos incentivos, indústria produz menos

Estímulo insuficiente
Autor(es): VICTOR MARTINS e DECO BANCILLON
Correio Braziliense - 12/11/2012
 

Os lucros aumentaram com a desoneração fiscal, mas as empresas brasileiras devem fechar o ano com uma queda de 2,31% na produção. Especialistas discutem qual caminho o governo deve tomar para a recuperação do setor

Medidas de desoneração fiscal aumentaram lucros da indústria, mas produção deve encerrar o ano com queda de 2,31%

Depois de oito pacotes e dezenas de medidas, a indústria vai terminar 2012 sem recuperar o fôlego. A última projeção do mercado é de que a produção tombe, no ano, 2,31% — com a ressalva de que não será surpresa se esse número piorar até dezembro. Os dados do setor ainda apresentam situações contraditórias: enquanto o faturamento cresce a boas taxas no acumulado de 12 meses até setembro, o ritmo de produção e o emprego encolhem.
Os preços, tanto no atacado quanto no varejo, com exceção de automóveis e produtos de linha branca, não cedem ou continuam a subir. Para economistas ouvidos pelo Correio, os benefícios concedidos, até o momento, serviram apenas para ampliar margens de lucro. Não se converteram em ganho de competitividade ou preço mais baixo para os consumidores. Enquanto as empresas não conseguem aumentar a competitividade, o trabalhador perde o emprego.
Os números do setor, apesar de qualquer medida, ainda não justificam tirar da gaveta novos projetos de investimentos. As fábricas, segundo pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), têm operado cerca de 20% abaixo da capacidade máxima, mesmo depois de todos os estímulos dados. Portanto, avaliam representantes do setor, não há necessidade de ampliação: há muita margem ociosa para trabalhar. "As medidas para a indústria ajudaram a recuperar a margem de lucro, mas isso não significa que a indústria vá produzir mais", critica Alessandra Ribeiro, economista da Tendência Consultoria. "O governo, no fundo, já sabia disso. Alguns benefícios vieram mais para aumentar a rentabilidade do que para ajudar no desempenho do setor", constata.
Técnicos do governo têm argumentado que as más perspectivas da indústria são fortemente contaminadas pelos resultados de setembro, um mês ruim devido ao excesso de fins de semana e feriados, o que é atípico. O último trimestre, na visão de técnicos da equipe econômica, promete números melhores.
Para alguns especialistas, porém, os efeitos sobre a produção não se limitam a um mês. E poderiam ser diferentes caso as medidas adotadas pelo governo tivessem outro escopo. Elas são consideradas pontuais demais frente ao tamanho dos problemas que precisam ser resolvidos. Devolver a competitividade para o Brasil e evitar a desindustrialização, explicam, não são coisas que se façam apenas com dólar alto frente ao real e juros baixos. Esses dois fatores, avaliam, têm de ser vistos apenas como um começo e, no caso do dólar, um auxílio momentâneo. Aliás, ponderam, não existe país forte com moeda fraca.
Oferecer desonerações para setores da economia é sempre positivo, porém, apenas atenua falhas estruturais causadas, muitas vezes, pelo peso da mão do Estado, que tem sido o responsável por boa parte da falta de competitividade brasileira. Os impostos cobrados sobre a produção e os investimentos reduzem a chance de os produtos brasileiros fazerem frente aos preços norte-americanos, europeus e chineses.
Menor consumo
Um dos sinais de hesitação no radar da indústria é a desaceleração do consumo interno. Mesmo com a letargia da produção, essa demanda continua a crescer, porém não está mais no auge e tem perdido força mês após mês em função do endividamento das famílias. Ao mesmo tempo, o custo da mão de obra avança a passos largos, com reajustes anuais de dois dígitos para diversas categorias. O mercado externo, para onde deságua uma parte considerável da produção brasileira, está travado pela crise na Europa, por barreiras alfandegárias na Argentina e pelo crescimento modesto dos Estados Unidos.
"As empresas brasileiras não conseguem competir porque os preços no comércio internacional caíram bastante", explica o presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem do Estado de São Paulo, Alfredo Bonduki. "O dólar ajudou principalmente na exportação. Houve desoneração e incentivos, mas isso ainda não foi suficiente para fazer frente aos preços na China", queixa-se.
As medidas, alertam especialistas, tendem a ter eficácia cada vez menor quando se insiste em alguns pontos. "Você não consegue utilizar o mesmo truque já utilizado em 2009. As medidas de agora têm se mostrado um tiro n"água. Mas o governo parece convencido, pelo menos, de que também precisa estimular o crescimento via investimentos, e não apenas o consumo", afirma o economista João Luiz Mascolo, sócio da gestora de ativos SM Management.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Dilma define novas medidas para destravar economia

Dilma define novas medidas para destravar economia

Autor(es): Claudia Safatle e Edna Simão | De Brasília
Valor Econômico - 05/06/2012
 

Preocupada com a disseminação da expectativa de que o crescimento este ano não passará de 2% a 2,5% - pior, portanto, que os 2,7% do ano passado - a presidente Dilma Rousseff convocou, ontem, uma reunião de emergência para determinar a aceleração dos investimentos públicos e discutir medidas para reanimar os investidores privados. No caso do setor privado, o governo avalia um cardápio de possibilidades, do adiamento do recolhimento de impostos das empresas à isenção da cobrança de imposto sobre investimentos, da depreciação acelerada à redução dos preços da energia elétrica - um importante insumo industrial.
O adiamento do recolhimento de impostos, conforme sugestão dada pelo ex-ministro Delfim Netto, seria feito por 90 a 120 dias e representaria dinheiro a custo zero nas mãos das empresas, para capital de giro. A medida está na mesa de discussão, assim como o adiamento das exigencias de conteúdo local para as encomendas da Petrobras.
Os investimentos públicos estão caindo ao invés de crescer. Os casos mais dramáticos são os do Programa de Mobilidade Urbana e as obras do Ministério dos Transportes, que não saem do papel. A execução das obras conduzidas pelos Transportes neste ano está baixíssima. Para uma dotação orçamentária de R$ 17,751 bilhões, a despesa até abril foi de apenas R$ 40,567 milhões. Proporção semelhante é encontrada no Ministério das Cidades. Ambos os ministros estavam na reunião com a presidente, Paulo Sérgio Passos e Aguinaldo Ribeiro, respectivamente.
As estatísticas oficiais mostram que dos R$ 3,74 bilhões de investimentos públicos no mês de março, R$ 2,5 bilhões foram subsídios ao programa Minha Casa Minha Vida. Em abril, os investimentos totais caíram para R$ 3,17 bilhões e desses, R$ 2,02 bilhões também corresponderam aos subsídios do MCMV.
Dilma fez, ontem, quase uma reunião ministerial para debater esse desempenho. Estavam presentes os ministros da Fazenda, Guido Mantega, do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho. a chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, da Saúde, Alexandre Padilha, da Integração, Fernando Bezerra e da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante. Estavam, ainda, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, e o do Tesouro Nacional, Arno Augustin.
Barbosa foi voto vencido no fim do ano passado quando defendeu o aumento dos investimentos públicos para sustentação do crescimento econômico. Para isso, seria preciso abrir mão da meta fiscal "cheia" e abater uma parcela dos investimentos do PAC. Mantega e Augustin advogaram o cumprimento integral da meta. Com a queda no ritmo de crescimento das receitas tributárias, o cumprimento da meta de 3,1% do PIB de superávit primário ficou mais apertado e o Tesouro estaria produzindo os dados mensais com uma administração do pagamento dos investimentos na "boca do caixa".
O governo quer, também, ampliar o uso das compras governamentais para setores que podem ajudar a incentivar o setor privado. No Plano Brasil Maior, por exemplo, foi definida uma margem de preferência de 25% para produtos manufaturados e serviços nacionais que atendam a normas técnicas brasileiras e incorporem inovação. No caso do setor de confecções, calçados e artefatos, o regime já está funcionando e já foi utilizado pelo Ministério da Defesa para a compra de jaqueta, boné, calças, mochilas. O mesmo incentivo existe para a aquisição pelo governo de retroescavadeiras e motoniveladoras, além de fármacos e medicamentos. Esses, porém, apesar de regulamentados, ainda não foram testados.
Com a depreciação acelerada nos investimentos feitos pelos próximos doze meses, como sugere o economista Luis Gonzaga Belluzzo, as empresas poderiam ter um benefício fiscal na metade do prazo normal, mediante a redução da Contribuição Social sobre o Lucro. Esse benefício vigorou até 2010. A reunião, porém, não foi conclusiva.

© 2000 – 2012. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A. .



 Dilma define novas medidas para destravar economia .jpg








Dilma quer ação "pró-cíclica" de investimentos

Dilma quer ação "pró-cíclica" de investimentos

Dilma convoca ministros, cobra mais investimentos e promete novas medidas
Autor(es): LISANDRA PARAGUASSU
O Estado de S. Paulo - 05/06/2012
 
A presidente Dilma Rousseff prometeu ontem adotar uma "política pró-cíclica de investimento". Dilma afirmou que defenderá, na próxima reunião do G20, ações de ajuste fiscal aliadas à expansão econômica. No discurso, diante do rei da Espanha, Juan Carlos, ela disse, porém, que a retomada do crescimento "não pode depender apenas de medidas dos países emergentes".
A presidente Dilma Rousseff prometeu ontem mais uma rodada de medidas para tentar acelerar a economia, praticamente estagnada no primeiro trimestre. Ao receber o rei da Espanha, Juan Carlos I, Dilma afirmou que a intenção do governo é adotar uma "política pró-cíclica de investimento" para enfrentar a piora do cenário internacional.
"O Brasil também está se preparando para ter, diante do acirramento da crise e dos processos recessivos na economia internacional, uma política pró-cíclica de investimento", disse Dilma durante almoço oferecido ao rei no Palácio do Itamaraty. Há duas semanas, o governo lançou um pacote de medidas, centrado no aumento do consumo.
Pela manhã, Dilma convocou uma reunião com ministros para discutir o que pode ser feito para aumentar os investimentos e garantir, ao menos, uma expansão maior do que a verificada no ano passado, quando a economia cresceu 2,73%.
Os ministérios com baixo desempenho nos investimentos terão que correr para acelerar a execução dos projetos prioritários. Os titulares das áreas mais críticas serão chamados a apresentar um plano de ação e dar uma resposta rápida. Dilma quer ver resultados já no início do terceiro trimestre.
Participaram do encontro Guido Mantega (Fazenda), Fernando Pimentel (Desenvolvimento), Miriam Belchior (Planejamento), Gleisi Hoffman (Casa Civil), além do presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e o secretário do Tesouro, Arno Augustin. No início da noite, Dilma convocou nova reunião. Até o fechamento desta edição o encontro ainda não havia terminado.
Dilma está bastante irritada com os números dos investimentos apresentados pelo Ministério da Fazenda. O diagnóstico apresentado pela equipe econômica é de que não há falta de recursos, mas a máquina administrativa não responde a contento. A maior insatisfação é com o Ministério dos Transportes.
Ontem, no discurso no Itamaraty, Dilma deixou claro que na reunião do G-20, o grupo das 20 maiores economias, nos dias 18 e 19 no México, vai insistir na necessidade de adotar medidas de ajuste fiscal aliadas a incentivos ao crescimento. "A saída da crise passa, fundamentalmente, pelo crescimento econômico com distribuição de renda, pela criação de empregos e pelos esforços de combater a pobreza e promover a justiça social. Tal esforço não é compatível com a paralisia, nem tampouco é incompatível com a necessária busca do equilíbrio macroeconômico."
"A retomada do crescimento em nível global não pode depender apenas de medidas adotadas pelos países emergentes. Em um momento de crise é fundamental insistir em uma ação coordenada e solidária entre todos os grandes atores da economia mundial", disse a presidente.

 Dilma promete mais medidas .jpg

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Pimentel diz que maior desafio do país e trazer a indústria para o século 21

Pimentel diz que maior desafio do país e trazer a indústria para o século 21

10/05/2012

Flávia Villela e Thais Leitão
Repórteres da Agência Brasil

  O ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, disse hoje (10) que o maior desafio do país é atualizar a indústria e trazê-la para o século 21. “Temos uma indústria sólida, poderosa e muito enraizada, cujo desempenho no século passado foi fundamental para colocar o Brasil na posição que tem hoje. Mas essa indústria precisa fazer um grande esforço para se tornar uma indústria contemporânea e isso não é tarefa fácil.”
Segundo o ministro, a indústria tem que incorporar a inovação tecnológica e se tornar mais ágil. O governo também pode contribuir diminuindo a tributação, tornando mais flexíveis os mecanismos de financiamento, criando programas de apoio à qualificação de mão de obra. “E tudo isso está em marcha neste momento e estou confiante de que nos próximos anos iremos colocar nossa indústria na posição que ela precisa estar, entre as indústrias de ponta no mundo”, disse o ministro ao participar na manhã de hoje do Seminário Internacional Políticas Industriais do Século 21: um Diálogo entre a América Latina e o Mundo, na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro.
Pimentel citou ainda o Plano Brasil Maior como uma das iniciativas relevantes do Executivo para impulsionar o crescimento sustentável da indústria brasileira.
Ele adiantou que o governo está acompanhando a queda nas vendas do setor automotivo, mas que isso não é motivo de apreensão.
“As medidas [facilitação de crédito, redução de juros] foram tomadas agora e demoram um pouco para produzir resultados. A queda do mercado é sazonal e normalmente o primeiro semestre é mais fraco na venda de veículos, talvez neste ano esteja mais fraco, porém não acho que vá provocar grandes mudanças”.

Perguntado sobre os efeitos da alta do dólar no comércio exterior, o ministro respondeu que o câmbio é positivo para os exportadores. Segundo ele, “o dólar está em bom patamar”.