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domingo, 2 de fevereiro de 2014

BUROCRACIA TRAVA 79% DAS EXPORTAÇÕES DA INDÚSTRIA BRASILEIRA, DIZ ESTUDO DA CNI

BUROCRACIA TRAVA 79% DAS EXPORTAÇÕES DA INDÚSTRIA BRASILEIRA, DIZ ESTUDO DA CNI

BUROCRACIA TRAVA 79% DAS EXPORTAÇÕES DA INDÚSTRIA BRASILEIRA, DIZ ESTUDO DA CNI
O Globo - 24/01/2014
 
O excesso de burocracia é um dos fatores que contribuíram para o déficit comercial da indústria brasileira em 2013, de US$ 105 bilhões. Em pesquisa inédita realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), 83% dos empresários disseram ter problemas para exportar e 79% afirmaram que não conseguem melhorar as vendas devido a entraves burocráticos tributários, alfandegários e de movimentação de cargas. Além dos custos elevados e da demora na liberação da mercadoria para o exterior, são exigidos até 26 tipos de documentos no processo exportador por mar e 15 por via terrestre. O saldo da balança comercial no ano passado foi o menor em 13 anos.
A pesquisa mostra ainda que o percentual de insatisfeitos com a burocracia aumenta de acordo com a participação das exportações no faturamento, alcançando 88,7% no caso das empresas cujas vendas no exterior respondem por mais de 50% das receitas totais. Nos setores de informática e de couros e artefatos, todas as firmas afirmaram que algum processo alfandegário/aduaneiro afeta negativamente as exportações.
Conforme a CNI, no Brasil, os gastos com burocracia chegam a US$ 2.200 por contêiner. A média nos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) — formada, em sua maior parte, por países desenvolvidos — é de US$ 1 mil. Os exportadores se queixam, principalmente, dos chamados órgãos anuentes e das taxas aduaneiras e alfandegárias, que encarecem os custos de exportação. Citaram, com maior frequência, a Receita Federal e os ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e da Agricultura.
— No Brasil, num processo de exportação, a razão social do exportador precisa ser indicada 17 vezes, ou seja, em 17 documentos; o endereço, 16 vezes; e a NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul), dez vezes — ilustrou o diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Carlos Abijaodi.
O processo exportador leva cerca de 13 dias no Brasil. Abijaodi estima que, se o prazo for reduzido para oito dias, o custo diminuirá 14%. Ele informou que, na lista de setores mais prejudicados, destacam-se os de máquinas e equipamentos, informática, eletroeletrônico, plásticos, veículos e agroindústria.
Governo promete mais agilidade pela internet
A pesquisa mostra que a burocracia para exportar no Brasil é tão complexa, que quase todas as empresas precisam contratar despachantes aduaneiros para desembaraçar as mercadorias. Apenas 3,3% delas não usam o serviço. Outro problema do dia a dia do exportador é a administração do grande número de documentos exigidos no processo de exportação, que afeta 38,5% das empresas.
As dificuldades não acabam com a apresentação da documentação. Das empresas ouvidas, 41,9% alegam baixa agilidade na análise e resposta por parte dos órgãos. E, mesmo após a primeira resposta, há demora nas inspeções e vistorias, dizem 37,8% das empresas.
Procurada, a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do MDIC, informou que o governo federal já vem buscando melhorar a coordenação entre os órgãos que liberam as cargas, notadamente no setor portuário, por onde passam mais de 90% do volume do comércio exterior brasileiro. A Secex acrescentou que está em fase de implementação o conceito de “janela única”, que colocará, no mesmo portal na internet, todos os órgãos anuentes, o que facilitará exportações e importações.
— Os tempos e os custos nas operações de comércio exterior serão bastante reduzidos — assegurou o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Neri Geller.
A Receita Federal não se manifestou.
Segundo o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, a “janela única” precisa ser lançada o quanto antes pela presidente Dilma Rousseff. Esse procedimento faz parte do Acordo de Bali, firmado no mês passado, durante reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), na Indonésia.
— Seria uma forma de desburocratizar o comércio exterior brasileiro — afirmou Castro.
O setor químico se enquadra entre aqueles cujos problemas para exportar diminuíram, segundo a diretora de comércio exterior da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Denise Naranjo. Ela afirmou que a situação já foi pior e tende a melhorar com a janela ou portal único.
— Isso vai nos colocar em outro patamar de comércio exterior — disse ela.
O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Eletroeletrônicos (Abinee), Humberto Barbato, disse que, mais do que a burocracia, seu setor é fortemente afetado pelo real ainda valorizado ante o dólar e a carga tributária.
— Isso tira competitividade das empresas brasileiras — enfatizou Barbato.
Na pesquisa da CNI foram ouvidas 693 empresas industriais de todos os portes. Com o ineficiente sistema de infraestrutura e logística, os elevados custos tributários e o câmbio também foram citados na pesquisa. Outro item diz respeito ao financiamento das exportações. Na avaliação de boa parte dos empresários entrevistados, as linhas oficiais seguem pouco conhecidas.

domingo, 12 de maio de 2013

Indústria brasileira tem o pior desempenho entre países emergentes


Indústria brasileira tem o pior desempenho entre países emergentes


 ÉRICA FRAGA
MARIANA CARNEIRO
Do UOL

O desempenho da indústria brasileira em 2012 foi o pior entre 25 nações emergentes e importantes economias da América Latina.
A queda de 2,6% na produção industrial do país foi, de longe, a mais acentuada do grupo. O Egito, segundo pior colocado, registrou contração de 1,9%.
A indústria brasileira como componente do PIB (Produto Interno Bruto) --que, além da produção de manufaturados, inclui setores como construção civil e energia elétrica-- também amargou a maior contração no mundo emergente. A queda desse indicador foi de 0,8%.


Os dados são da consultoria britânica EIU (Economist Intelligence Unit) e mostram que o retrato de crise no setor é renitente. Em 2011, o resultado da produção industrial brasileira já figurava entre os três piores do grupo analisado.
Segundo especialistas, os números confirmam que problemas domésticos têm exercido maior influência sobre a trajetória da indústria do que a crise externa.
"Esses dados causam muita preocupação. A crise externa existe e afetou todos, mas fomos piores do que os demais", afirma Flávio Castelo Branco, gerente de política econômica da CNI (Confederação Nacional da Indústria).

DESACELERAÇÃO GLOBAL
 
Robert Wood, analista da EIU, diz que a expansão do comércio global de produtos manufaturados desacelerou de 6,3%, em 2011, para 2,5% no ano passado.
Esse movimento, afirma Wood, levou a uma perda de fôlego da indústria mundial. "Em um cenário de oferta excedente de produtos manufaturados, países com competitividade baixa, como o Brasil, sofreram mais."
O encolhimento da indústria brasileira em 2012 contrasta com a expansão robusta do setor em alguns países asiáticos. O desempenho também foi inferior ao dos principais mercados latino-americanos e até ao de países emergentes da Europa, região que está no epicentro da crise internacional.
Em 2013, a indústria deve ter melhor desempenho, de acordo com economistas. Mas os dados já divulgados apontam uma recuperação ainda frágil.
Segundo Castelo Branco, da CNI, a confiança dos empresários brasileiros, que ensaiou uma retomada no início deste ano, já mostra sinais de arrefecimento.
"Este ano será melhor, mas é uma recuperação fraca, considerando o resultado muito ruim de 2012."

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Apesar dos incentivos, indústria produz menos

Apesar dos incentivos, indústria produz menos

Estímulo insuficiente
Autor(es): VICTOR MARTINS e DECO BANCILLON
Correio Braziliense - 12/11/2012
 

Os lucros aumentaram com a desoneração fiscal, mas as empresas brasileiras devem fechar o ano com uma queda de 2,31% na produção. Especialistas discutem qual caminho o governo deve tomar para a recuperação do setor

Medidas de desoneração fiscal aumentaram lucros da indústria, mas produção deve encerrar o ano com queda de 2,31%

Depois de oito pacotes e dezenas de medidas, a indústria vai terminar 2012 sem recuperar o fôlego. A última projeção do mercado é de que a produção tombe, no ano, 2,31% — com a ressalva de que não será surpresa se esse número piorar até dezembro. Os dados do setor ainda apresentam situações contraditórias: enquanto o faturamento cresce a boas taxas no acumulado de 12 meses até setembro, o ritmo de produção e o emprego encolhem.
Os preços, tanto no atacado quanto no varejo, com exceção de automóveis e produtos de linha branca, não cedem ou continuam a subir. Para economistas ouvidos pelo Correio, os benefícios concedidos, até o momento, serviram apenas para ampliar margens de lucro. Não se converteram em ganho de competitividade ou preço mais baixo para os consumidores. Enquanto as empresas não conseguem aumentar a competitividade, o trabalhador perde o emprego.
Os números do setor, apesar de qualquer medida, ainda não justificam tirar da gaveta novos projetos de investimentos. As fábricas, segundo pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), têm operado cerca de 20% abaixo da capacidade máxima, mesmo depois de todos os estímulos dados. Portanto, avaliam representantes do setor, não há necessidade de ampliação: há muita margem ociosa para trabalhar. "As medidas para a indústria ajudaram a recuperar a margem de lucro, mas isso não significa que a indústria vá produzir mais", critica Alessandra Ribeiro, economista da Tendência Consultoria. "O governo, no fundo, já sabia disso. Alguns benefícios vieram mais para aumentar a rentabilidade do que para ajudar no desempenho do setor", constata.
Técnicos do governo têm argumentado que as más perspectivas da indústria são fortemente contaminadas pelos resultados de setembro, um mês ruim devido ao excesso de fins de semana e feriados, o que é atípico. O último trimestre, na visão de técnicos da equipe econômica, promete números melhores.
Para alguns especialistas, porém, os efeitos sobre a produção não se limitam a um mês. E poderiam ser diferentes caso as medidas adotadas pelo governo tivessem outro escopo. Elas são consideradas pontuais demais frente ao tamanho dos problemas que precisam ser resolvidos. Devolver a competitividade para o Brasil e evitar a desindustrialização, explicam, não são coisas que se façam apenas com dólar alto frente ao real e juros baixos. Esses dois fatores, avaliam, têm de ser vistos apenas como um começo e, no caso do dólar, um auxílio momentâneo. Aliás, ponderam, não existe país forte com moeda fraca.
Oferecer desonerações para setores da economia é sempre positivo, porém, apenas atenua falhas estruturais causadas, muitas vezes, pelo peso da mão do Estado, que tem sido o responsável por boa parte da falta de competitividade brasileira. Os impostos cobrados sobre a produção e os investimentos reduzem a chance de os produtos brasileiros fazerem frente aos preços norte-americanos, europeus e chineses.
Menor consumo
Um dos sinais de hesitação no radar da indústria é a desaceleração do consumo interno. Mesmo com a letargia da produção, essa demanda continua a crescer, porém não está mais no auge e tem perdido força mês após mês em função do endividamento das famílias. Ao mesmo tempo, o custo da mão de obra avança a passos largos, com reajustes anuais de dois dígitos para diversas categorias. O mercado externo, para onde deságua uma parte considerável da produção brasileira, está travado pela crise na Europa, por barreiras alfandegárias na Argentina e pelo crescimento modesto dos Estados Unidos.
"As empresas brasileiras não conseguem competir porque os preços no comércio internacional caíram bastante", explica o presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem do Estado de São Paulo, Alfredo Bonduki. "O dólar ajudou principalmente na exportação. Houve desoneração e incentivos, mas isso ainda não foi suficiente para fazer frente aos preços na China", queixa-se.
As medidas, alertam especialistas, tendem a ter eficácia cada vez menor quando se insiste em alguns pontos. "Você não consegue utilizar o mesmo truque já utilizado em 2009. As medidas de agora têm se mostrado um tiro n"água. Mas o governo parece convencido, pelo menos, de que também precisa estimular o crescimento via investimentos, e não apenas o consumo", afirma o economista João Luiz Mascolo, sócio da gestora de ativos SM Management.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Indústria já faz governo temer pelo PIB de 2013

Indústria já faz governo temer pelo PIB de 2013

2013 já contaminado
Autor(es): VICTOR MARTINS
Correio Braziliense - 10/10/2012
 
Indústria não sai da recessão e Planalto começa a duvidar da previsão de que o país vá crescer 4% no próximo ano NotíciaGráfico

A demora da economia para reagir aos estímulos concedidos pelo governo começa a lançar sombras sobre o próximo ano. No Palácio do Planalto, a preocupação é que o baixo ritmo de investimentos do setor privado comprometa a previsão de que o Produto Interno Bruto (PIB) deverá crescer entre 4% e 4,5% em 2013. Dados do setor industrial, divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), reforçam esse receio. Mesmo com todas as medidas já adotadas para incentivar o segmento, a indústria continua em recessão.
Nove de 14 regiões pesquisadas pelo IBGE acumulam desempenho negativo no ano até agosto. São Paulo, o maior polo industrial do país, tem perdas de 5,6% no período. Com esse desempenho, analistas ponderam que nem mesmo a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para diversos produtos pode salvar 2012. A projeção do mercado é de que a produção encolha 2% neste ano — uma previsão que piora a cada semana.
"A indústria deveria estar apresentando números melhores, mas ainda pesam sobre ela muito fatores desfavoráveis", explicou Rafael Bacciotti, economista da Tendências Consultoria. Segundo ele, a baixa demanda externa e o ritmo ainda expressivo de importações, têm prejudicado as fábricas. "Como a indústria teve trajetória de queda nos seis primeiros meses do ano, 2012 deve fechar com recuo de 2% mesmo com alguma recuperação nos próximos meses", disse. "E para que se obtenha esse resultado no fim do ano é preciso uma evolução positiva de setembro a dezembro."
A capacidade da indústria de concorrer com competidores externos está reduzida ainda pela baixa qualificação e inovação do setor. Os investimentos em tecnologia para aumento de competitividade são quase nulos e os trabalhadores chegam ao mercado de trabalho sem conhecimento adequado. "A mão de obra tem pouco treinamento e, comparada aos nossos pares, tem baixa produtividade, porque a qualidade da educação no país é ruim", argumentou José Márcio Camargo, economista-chefe da Opus Investimentos.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Produção industrial cresceu em fevereiro na metade dos locais pesquisados, diz IBGE

Produção industrial cresceu em fevereiro na metade dos locais pesquisados, diz IBGE

10/04/2012 

Thais Leitão
Repórter da Agência Brasil

A produção industrial brasileira cresceu em sete dos 14 locais pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na passagem de janeiro para fevereiro. De acordo com dados da Pesquisa Industrial Mensal Produção Física – Regional, divulgados hoje (11), a principal expansão foi observada no Pará, que registrou aumento de 6,2% em fevereiro, depois de ter apresentado queda de 13,3% um mês antes.
Os demais locais onde houve expansão na produção acima da média nacional (1,3%) foram: Rio de Janeiro (3,7%), Minas Gerais (3%), Ceará (2,5%) e São Paulo (1,5%).
Também tiveram crescimento o Espírito Santo (1,3%) e a Região Nordeste (0,8%).
Registraram redução na atividade fabril na passagem de um mês para o outro o Paraná (-7,7%), Goiás (-3,9%), o Rio Grande do Sul (-3,5%), a Bahia (-0,6%), Pernambuco (-0,5%), o Amazonas (-0,4%) e Santa Catarina (-0,2%).
Na comparação com fevereiro de 2011, oito dos 14 locais apresentaram diminuição na produção. O documento do IBGE destaca que o resultado pode ter sido influenciado pelo chamado efeito calendário, já que fevereiro de 2012 teve um dia útil a menos do que o mesmo mês do ano anterior.
O Rio de Janeiro (-9%), o Amazonas (-8,3%), São Paulo (-6,6%), Ceará (-6%) e Santa Catarina (-4,5%) foram os locais com as principais quedas, superiores à média nacional (-3,9%) no período.
Edição: Juliana Andrade

quarta-feira, 4 de abril de 2012

GOVERNO ANUNCIA PACOTE DE R$ 60,4 BI PARA PRODUÇÃO

GOVERNO ANUNCIA PACOTE DE R$ 60,4 BI PARA PRODUÇÃO

GOVERNO TENTA REANIMAR A INDÚSTRIA COM APORTE NO BNDES E DESONERAÇÃO
Autor(es): LU AIKO OTTA, IURI DANTAS
O Estado de S. Paulo - 04/04/2012
 

Pacote soma R$ 60,4 bilhões com redução dos impostos na folha de pagamento de mais 11 setores e taxas mais altas para importados

O governo anunciou ontem um pacote de ajuda para a indústria que soma R$ 60,4 bilhões e avisou que há mais iniciativas a caminho. O pacote inclui dinheiro para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), corte de impostos para a indústria, aumento de tributo sobre importados e preferência para compra de produtos nacionais pelo governo.
"O importante não são as medidas que já tomamos, mas as que ainda iremos tomar", disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao comentar o que tem feito no câmbio.
Apesar do volume, o pacote é um prolongamento do que o governo já vinha fazendo: desonerações pontuais e medidas para facilitar o crédito. Os empresários presentes consideraram o conjunto positivo, mas insuficiente.
Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Aubert, por exemplo, as medidas não tocam nos dois maiores problemas da indústria, o câmbio e os juros. "Ainda falta muita coisa", concordou o presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), Paulo Godoy.
Dilma. A própria presidente Dilma Rousseff indicou que a agenda não está concluída, ao afirmar que é necessário fazer uma discussão no Brasil sobre a diferença entre as taxas de juros pagas pelos bancos e as cobradas dos clientes, o spread bancário. "Tecnicamente - não estou falando nem fazendo considerações políticas -, é de difícil explicação os níveis de spread no Brasil."
Segundo ela, o governo está fazendo sua parte, ao cortar as taxas de juros nos financiamentos do BNDES. A instituição receberá um reforço de R$ 45 bilhões do Tesouro Nacional e suas linhas foram reformuladas. "Com taxas de juros muito mais baixas, maior cobertura e prazos mais amplos para os financiamentos, queremos que mais empresas tenham acesso a um custo de capital menor."
Ontem, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que a produção industrial de fevereiro ficou 3,9% abaixo da registrada em igual período do ano passado.
INSS. Além das medidas no crédito, foram incluídos 11 setores na lista dos que não recolherão mais a contribuição patronal do INSS sobre a folha salarial, de 20%. Em compensação, passarão a pagar novo tributo sobre o faturamento. Um pelo outro, a carga tributária ficará menor.
Porém, como esses setores sofrerão uma tributação extra em sua receita bruta, o governo decidiu compensar esse efeito, taxando os concorrentes importados com o PIS/Cofins. A medida, que renderá R$ 1,3 bilhão em arrecadação extra, foi adotada apesar dos temores de que ela possa ser questionada na Organização Mundial do Comércio (OMC).
O governo estima que abrirá mão de arrecadar R$ 7,2 bilhões por ano com o fim da cobrança sobre a folha, o que vai ser parcialmente compensado com os R$ 2,3 bilhões que as empresas pagarão sobre o faturamento. "O Tesouro cobrirá eventual aumento de déficit na Previdência", informou Mantega. Ainda para diminuir o impacto nos cofres públicos, será elevada a tributação de bebidas e cigarros.
Dilma comentou que as economias avançadas optaram pela recessão e pela precarização do trabalho como forma de combater a crise. "Essa tem sido, para nós, a fórmula do fracasso." Daí a opção do governo pela desoneração da folha como forma de reduzir o peso da mão de obra no custo de produção. / COLABOROU ADRIANA FERNANDES

terça-feira, 3 de abril de 2012

Governo lança mais medidas de incentivo à indústria

Governo lança mais medidas de incentivo à indústria

Sai hoje mais um pacote de estímulo à indústria
Autor(es): RENATA VERÍSSIMO , ADRIANA FERNANDES
O Estado de S. Paulo - 03/04/2012
 

Medidas devem reduzir o custo do crédito e cortar imposto para setores em dificuldade

Oito meses após o lançamento da política industrial e de comércio exterior da presidente Dilma Rousseff, o governo anuncia hoje mais um pacote de medidas para estimular a indústria brasileira que passa por uma crise de competitividade em função da forte concorrência internacional e da taxa de câmbio valorizada.
As ações estão focadas no barateamento dos empréstimos, sobretudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e na redução pontual de tributos a alguns setores mais combalidos pela crise.
Desde o lançamento do último pacote em agosto de 2011, batizado de Plano Brasil Maior, a situação da indústria só piorou. E agora a ameaça da desindustrialização já é realidade em alguns setores. Esse cenário forçou o governo a reagir rapidamente, para não deixar o crescimento da economia ser mais afetado. Porém, as medidas foram preparadas usando o mesmo remédio adotado no auge da crise de 2009 e no lançamento do Brasil Maior, que não deslanchou.
A desoneração tributária de alguns setores da indústria mais afetados pelos câmbio valorizado e a redução do custo dos financiamentos para estimular o crédito dão o tom das ações.
A data escolhida para o lançamento das medidas é simbólica. Hoje também o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga o resultado da produção industrial em fevereiro. As projeções de mercado mostram que o desempenho do setor continua fraco.
Toque de caixa. O senso de urgência levou o governo a fechar as medidas a toque de caixa. Até o início da noite de ontem, os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, ainda fechavam com a presidente Dilma as medidas que seriam incluídas no pacote. Durante todo o dia, representantes do setor automotivo tiveram reuniões com integrantes da equipe econômica para entender o novo regime do setor. Uma fonte deixou o último encontro com a informação de que a medida estaria no pacote.
Do lado do crédito, o governo promete um "choque" no custo dos empréstimos voltados para novos investimentos e capital de giro, graças ao subsídio do Tesouro. Algumas taxas do BNDES ficarão mais baratas do que no auge da crise internacional, até mesmo com juros negativos (abaixo da inflação do período). Segundo antecipou o Estado, o Tesouro terá custo de R$ 6,4 bilhões ao permitir que o BNDES eleve em R$ 18 bilhões o volume de recursos que poderão ser emprestados a juros subsidiados.
A presidente Dilma também anunciará a desoneração da folha de pagamento de salários para setores da indústria afetados pelo câmbio. Em troca, pagarão uma contribuição sobre faturamento bruto. A medida desonera as exportações, já que uma lei aprovada no âmbito do Brasil Maior retirou do cálculo do faturamento as receitas com vendas externas. Para onerar as importações dos mesmos setores, o governo também deve anunciar o aumento da Cofins, seguindo o mesmo modelo do projeto-piloto adotado no Brasil Maior para três setores.
O governo também quer deslanchar os investimentos anunciados pelo setor automotivo que não foram iniciados. Por isso, a expectativa é que, entre as medidas a serem anunciadas, estejam as regras de estímulo para a instalação de novas empresas no Brasil e para aquelas já instaladas que queiram ampliar ou abrir novas unidades no País.
Também se espera, como antecipou Pimentel, que sejam divulgadas as regras de redução do IPI para as montadoras já instaladas no Brasil, de acordo com o nível de conteúdo local e investimento em inovação.
O pacote vai incluir também a desoneração dos investimentos para construção de redes de comunicação. A desoneração será de R$ 6 bilhões nos próximos cinco anos e o governo exigirá contrapartida das empresas beneficiadas. Para ter direito à desoneração, as empresas terão de construir redes em áreas menos desenvolvidas apontadas pelo Ministério das Comunicações.

Governo reforça ações sobre o câmbio e desonera folha de pagamentos para estimular a indústria

Governo reforça ações sobre o câmbio e desonera folha de pagamentos para estimular a indústria

03/04/2012 


Daniel Lima, Yara Aquino, Luciana Lima e Pedro Peduzzi
Repórteres da Agência Brasil

 O governo anunciou hoje (4) novas medidas para aquecer a economia e ajudar a indústria a enfrentar a crise econômica internacional dentro do Plano Brasil Maior. O governo reforçou ações sobre o câmbio, medidas tributárias, com a desoneração da folha de pagamento, e estímulos à produção nacional. Foram destacadas ainda medidas para reduzir o custo do comércio exterior e de defesa comercial. Outra medida é o incentivo ao setor de informação e comunicações.
Foram divulgadas ainda melhores condições de crédito, por meio do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico Social (BNDES), e condições mais favoráveis para a indústria automobilística nacional.
Sobre o câmbio, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, declarou que as medidas terão caráter permanente, incluindo o aumento das reservas internacionais. A política de aumentar a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) também será mantida para taxar as operações especulativas. Por outro lado, a taxa básica de juros (Selic), que não tem como objetivo reduzir o câmbio, ajudará a evitar que os especuladores venham a investir no Brasil para garantir maior rentabilidade de suas aplicações.
Segundo ele, todas as medidas irão fortalecer a economia brasileira e garantir a continuidade do crescimento sustentável. Além disso, irão responder aos problemas que estão sendo criados pela crise econômica mundial.
“Mesmo países como a China estão reduzindo o PIB para 7,5% ante os 9,2% do ano passado. O Brasil é o único que reúne condições para responder à recaída da crise internacional, pois entre outras coisas tem mercado interno dinâmico, com geração de emprego e renda”, disse.
O governo espera um crescimento de 4,5% ante os 3,8% previstos na economia global. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou hoje (3) que a produção industrial teve queda de 3,9% em fevereiro – na comparação com o mesmo mês do ano passado. Analistas e investidores do mercado financeiro voltaram a reduzir a estimativa de crescimento da economia, que passou de 3,23% para 3,2% em 2012, segundo o Banco Central.
Em relação à folha de pagamento, foi anunciada desoneração da alíquota de 20% do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em contrapartida, o empresariado terá que recolher aos cofres do governo de 1% a 2,5% do faturamento. Pelo Plano Brasil Maior, anunciado em agosto do ano passado, a alíquota era 1,5%, mas nem todos os setores aderiram.
As novas medidas devem beneficiar 15 setores, principalmente da indústria intensiva.

terça-feira, 13 de março de 2012

Produção industrial registra queda em nove dos 14 locais pesquisados pelo IBGE

Produção industrial registra queda em nove dos 14 locais pesquisados pelo IBGE

13/03/2012 


Thais Leitão
Repórter da Agência Brasil

A produção industrial caiu em nove dos 14 locais pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na passagem de dezembro de 2011 para janeiro deste ano. De acordo com dados divulgados hoje (13), as maiores perdas foram observadas no Pará (-13,4%) e no Paraná (-11,5%).
Também foram verificadas reduções na atividade industrial mais intensas do que a média nacional (-2,1%) no Rio de Janeiro (-5,9%) e no Ceará (-3,1%). Os outros locais onde a produção da indústria caiu foram São Paulo (-1,7%), Santa Catarina (-1,6%), Minas Gerais (-1,3%), Pernambuco (-1,0%) e o Espírito Santo (-0,4%).
Já a Bahia (12,6%), que havia acumulado perda de 11,4% nos meses de dezembro e novembro, a Região Nordeste (5,7%), Goiás (3,3%), o Rio Grande do Sul (0,5%) e o Amazonas (0,1%) tiveram aumento na produção de suas indústrias.
Ainda de acordo com o levantamento, na comparação com janeiro de 2011, o IBGE apurou queda em sete dos 14 locais pesquisados. O documento destaca que o mês de janeiro de 2012 teve um dia útil a mais do que janeiro de 2011.
Os locais que apresentaram quedas mais expressivas do que a média nacional, que nessa base de comparação ficou em –3,4%, foram Santa Catarina (-10,3%), o Rio de Janeiro (-9,2%), o Pará (-8,5%), o Ceará (-8,3%) e São Paulo (-6,3%).
As demais taxas negativas foram observadas no Espírito Santo (-2,8%) e em Minas Gerais (-2,4%).
Já Goiás (25,4%) assinalou o crescimento mais acentuado, refletindo, especialmente, a maior produção do setor de produtos químicos (medicamentos). Também com resultados positivos aparecem: Pernambuco (11,3%), Rio Grande do Sul (7,8%), Bahia (6,5%), Paraná (4,8%), Região Nordeste (3,8%) e Amazonas (1,7%).
No índice acumulado nos últimos 12 meses, na média nacional, houve queda de 0,2% em janeiro, o primeiro resultado negativo desde março de 2010 (-0,3%), mantendo a trajetória descendente iniciada em outubro de 2010 (11,8%).
Edição: Juliana Andrade