| Como entender Pyongyang? |
Desenvolver
a economia e o Exército, esse é o objetivo oficial de Kim Jong-un, no
comando da República Democrática Popular da Coreia desde dezembro de
2011. Por ora, ele multiplica provocações, enquanto manobras militares
de Seul e Washington na costa norte-coreana atiçam as tensões
|
| por Philippe Pons |
![]()
(Kim Jong-un em plenária do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte)
Mais uma vez, a República Democrática Popular da Coreia (RDPC) deixa o
resto do mundo sem fôlego: onda de ameaças – ataques nucleares aos
Estados Unidos, rejeição do armistício de 1953,1 uma
inevitável “Segunda Guerra da Coreia” – e baterias de mísseis apontados
para o Japão e para a base norte-americana de Guam. Desde meados de
março, a propaganda norte-coreana intensificou-se, e os meios de
comunicação internacionais, ao difundir com complacência esses arroubos
belicosos sem medir quais são realmente as ameaças verossímeis,
propiciaram que essa propaganda ecoasse de forma desmedida, para a
grande satisfação da capital Pyongyang.Depois da frequente confrontação de George W. Bush, os Estados Unidos voltaram a apostar em uma estratégia mais contida com Barack Obama. Mas é necessário reconhecer o fracasso dessa política, assim como a do presidente sul-coreano Lee Myung-bak, que até fevereiro pensava exercer algum poder sobre Pyongyang. A situação tornou-se infinitamente mais complexa do que há quinze anos. Sem dúvida, os objetivos da Coreia do Norte não são os mesmos de 1998, quando lançou um míssil equipado com satélite (mesma tecnologia de um míssil de longo alcance) contra o Japão, que caiu no Pacífico. A administração Clinton recuou com sua política e, em outubro de 2000, a secretária de Estado Madeleine Albright visitou Pyongyang. Na ocasião, chegou-se a cogitar uma visita do próprio presidente. Contudo, Bush varreu as iniciativas de seu predecessor. Desde então, a RDPC realizou três testes atômicos, em 2006, 2009 e 2013, e se proclama uma potência nuclear. Dispõe de estoques de plutônio e de um programa de enriquecimento de urânio de capacidades balísticas. Na reunião do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores, em 31 de março, Kim Jong-un precisou: “As armas nucleares não são uma moeda de troca para obter dólares. A RDPC não renunciará jamais [ao desenvolvimento de tais armas] enquanto persistir a ameaça nuclear dos imperialistas”. Assim, Pyongyang elevou a barreira para futuras negociações. Aos 30 anos, Kim Jong-un, segundo herdeiro do clã dos Kim, levado à liderança do regime após a morte de seu pai, Kim Jong-il, em dezembro de 2011,2 parecia conferir uma imagem mais amena ao país – que mantém cerca de 200 mil prisioneiros em campos de trabalho, segundo organizações humanitárias. Um ano após ter ganhado plenos poderes (primeiro secretário-geral do Partido dos Trabalhadores, primeiro presidente da Comissão Nacional de Defesa, marechal e comandante-chefe do Exército Popular), no entanto, ele desencadeou uma ofensiva de rara virulência, com o lançamento de um satélite em dezembro e um teste nuclear em fevereiro, ambos condenados pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. Jong-un estudou durante cinco anos em um liceu na Suíça e por essa experiência no exterior sem dúvida se tornou mais consciente do que a velha geração sobre a necessidade de reformas. Contudo, permanece fiel à via traçada desde a década de 1990: “um país forte e próspero”, fórmula que busca conciliar desenvolvimento e força militar. Com algumas nuances lexicais, a mesma fórmula foi, no século XIX, a ambição do Japão na era Meiji3 (“país rico, Exército forte”) perante a ameaça estrangeira. Na Coreia do Norte, os dois objetivos são dificilmente conciliáveis: a “prosperidade” supõe reformas, mas em particular a abertura e o auxílio estrangeiro, sob a forma de assistência tecnológica e investimentos. Os Estados Unidos e seus aliados, nesse contexto, se recusam a cooperar com Pyongyang enquanto a capital representar uma ameaça. Ao tomar a linha de frente, o regime norte-coreano abalou o status quo: colocou em discussão a “paciência estratégica” de Washington, reforçou as sanções internacionais que estrangulam o país e agudizou seu isolamento até em relação à China, que, apesar de ajudar o país economicamente, engrossa o coro das condenações internacionais. Ao desafiar os Estados Unidos e seus aliados, o terceiro teste nuclear representa também uma afirmação de soberania com relação a Pequim. Ao dispor de uma força de dissuasão, a RDPC se considera protegida de um ataque nuclear – ameaça de Washington pelo menos em cinco ocasiões. Dessa forma, o governo passou a justificar seu regime e os sacrifícios pela necessidade de tornar o país invulnerável e garantir a independência como um objetivo sagrado, e por isso tem amplo respaldo da população. Portanto, uma renúncia a essa arma – única conquista da era Kim Jong-il – parece improvável. A obstinação da RDPC em se fazer reconhecer como potência nuclear pelo resto do mundo e sua aparente recusa diante de qualquer transição pós-totalitária se baseiam em um nacionalismo exacerbado. Esse aspecto do país se inscreve menos na história da bipolaridade – que desapareceu com o desmoronamento do bloco soviético – do que na do pós-colonialismo. Na Europa, a Guerra Fria foi, na realidade, uma época de paz. Na Ásia, na península coreana e no Vietnã, foi um período de enfrentamentos armados vividos como prolongamentos das guerras de libertação.4 Na RDPC, a propaganda reaviva a memória sublimada da “gloriosa luta” dos partidários reunidos atrás de Kim Il-sung contra a ocupação japonesa – fundamento da legitimidade do regime − e localiza sistematicamente a situação atual no contexto da luta contra o imperialismo. Após o fim da URSS, os temas recorrentes do pós-colonialismo – independência, soberania nacional, solicitações de reconhecimento – ressurgiram com força, acentuando no seio da população uma mentalidade de país permanentemente invadido.5 Ao fazer a Coreia do Norte figurar no considerado “eixo do mal”, e em seguida atacando o Iraque, Bush reforçou esse sentimento de ameaça. Atual potência nuclear, a RDPC jamais terá o mesmo destino do Iraque, martela a propaganda. De qualquer forma, a situação geopolítica é diferente: a proximidade do país com a China impossibilita uma intervenção militar. Pequim, de fato, pretende evitar qualquer instabilidade que possa levar a uma reunificação da península “à força”, sob o comando do Sul, com o apoio das Forças Armadas norte-americanas em sua fronteira. Em caso de guerra, a RDPC certamente perderá, mas não sem causar terríveis estragos ao Sul, sem mencionar ao Japão. E, nesse caos, o que aconteceria com as armas nucleares ou os estoques de plutônio dos quais dispõe? Esse risco deveria ser suficiente para incitar outra forma de abordagem do problema que recorrer a sanções e boicotes.
Philippe Pons é jornalista, autor particularmente de Misère et crime au Japon, du XVII e siècle à nos jours, 1999, e D'Edo à Tokyo, 1998, ambos pela Gallimard, Paris.
Ilustração: Reuters/ KCNA 1 A Guerra da Coreia, entre o Sul e o Norte, a partir de 1950, terminou em 1953 com a assinatura de um armistício, mas, desde então, nenhum acordo de paz foi formalizado. 2 Ler Bruce Cumings, “La dynastie Kim ou les deux corps du roi” [A dinastia Kim ou os dois corpos do rei], Le Monde Diplomatique, fev. 2012. 3 A era Meiji (1868-1912) marca o início da política de modernização. 4 Heonik Kwon, The other Cold War[A outra Guerra Fria], Columbia University Press, Nova York, 2010. 5 Ler “En Corée du Nord, la société s’éveille” [Na Coreia do Norte, a sociedade desperta], Le Monde Diplomatique, jan. 2011. |
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segunda-feira, 6 de maio de 2013
Como entender Pyongyang
quarta-feira, 10 de abril de 2013
China puxa a orelha de Kim Jong-un
China puxa a orelha de Kim Jong-un
| Crise irrita a China |
| Autor(es): RODRIGO CRAVEIRO |
| Correio Braziliense - 08/04/2013 |
Presidente Xi Jinping envia alerta à Coreia do Norte
e adverte que ninguém pode lançar o mundo no caos. Especialistas
admitem irritação do principal aliado de Pyongyang. Seul espera novo
teste de míssil
“Ninguém deveria ter a permissão de lançar uma região, e mesmo o mundo inteiro, no caos, em troca de ganhos egoístas.” Mais do que uma mudança de postura de Pequim, as palavras do presidente chinês, Xi Jinping, sugerem a frustração e a falta de paciência do principal aliado da Coreia do Norte com a escalada da retórica belicista do ditador Kim Jong-un. “Enquanto persegue seus próprios interesses, um país deveria acomodar os interesses legítimos de outros”, acrescentou Xi. No discurso, proferido durante a abertura do Fórum Boao para a Ásia, ele evitou citar o regime de Pyongyang. O alerta a Kim coincidiu com um alerta da Coreia do Sul sobre uma iminente “provocação” ou lançamento de míssil, por parte do país vizinho. Kim Jang-soo, diretor de Segurança Nacional da presidente Park Geun-hye, afirmou que Pyongyang deve fazer um teste com um provável míssil Musudan antes de quarta-feira. A data coincide com o prazo dado pelo regime comunista para a retirada de diplomatas estrangeiros da capital. “Não há sinais de uma guerra em grande escala agora, mas o Norte terá que se preparar para executar represálias, no caso de uma guerra local”, declarou Kim Jang-soo. Com alcance de 3 mil quilômetros, o míssil Musudan-ri (veja o mapa) poderia atingir o Japão. No entanto, com uma carga leve, é capaz de viajar 4 mil quilômetros e destruir um alvo na ilha de Guam, a 3.380km da costa norte-coreana, onde vivem 6 mil soldados norte-americanos. Professor de relações internacionais da University of Southern California, em Los Angeles, David Kang admite que a China experimenta uma frustração crescente com a Coreia do Norte. “Ainda que não esteja disposta a aplicar uma pressão real sobre Pyongyang, ela mostra uma irritação visível com o regime de Kim Jong-un”, afirmou ao Correio, por e-mail. “Mas não creio numa mudança fundamental na política chinesa em relação à Coreia do Norte.” O autor de China rising: Peace, power and order in East Asia (“A ascensão da China: Paz, poder e ordem no leste da Ásia”, pela tradução literal) aposta que Pequim prioriza a estabilidade à desnuclearização na Península Coreana. “É improvável que os chineses implementem sanções econômicas, por exemplo”, opinou Kang. De acordo com ele, a crise na Península Coreana tem desviado a atenção da China de áreas da política externa cruciais para o país. Kang considera plausível que Pyongyang faça um novo teste com míssil, como forma de avaliar suas capacidades técnicas. “Muitos dos testes com mísseis de longo alcance fracassaram, mas eles têm melhorado. O próximo lançamento envolveria um projétil de médio alcance. Apesar de provocativo, não seria algo novo”, comenta. Para o especialista, o fato de os EUA levarem a sério as ameaças norte-coreanas inviabiliza um ataque preventivo. “Os dois lados estão ‘impedidos’ de atacar, a situação é estável e há muita palavra e pouca ação.” “Os chineses estão lenta, mas determinadamente, intensificando a pressão sobre a Coreia do Norte. Eles não querem uma guerra na região e, enquanto o risco aumentar, provavelmente tentarão demover Pyongyang de um conflito”, garantiu Steven Weber, professor de ciência política e relações internacionais da Universidade da Califórnia-Berkeley. O analista garante que Pequim não deseja o colapso do país vizinho e faz um alerta. “Esta poderá ser uma semana complicada. No entanto, muito em breve, todos os lados buscarão uma saída, pois o perigo de um conflito cresce para além de sua tolerância”, disse à reportagem. Fontes do governo do Japão, citadas pela agência espanhola EFE, confirmaram que suas forças de autodefesa ativarão o protocolo para neutralizar uma possível ameaça de Pyongyang — o que incluiria a prontidão de destróieres (navios de guerra) equipados com o sistema antimísseis balísticos Aegis. Embaixador Em entrevista ao Correio, por e-mail, Roberto Colin, embaixador do Brasil em Pyongyang, contou que a capital norte-coreana está “aparentemente calma”. “Alguns conhecidos estiveram no interior do país e disseram nada terem visto de incomum”, comentou. Ontem, os chefes de missões diplomáticas foram convidados pelo Exército Popular da Coreia para uma reunião. “Um general disse que toda essa escalada é de responsabilidade exclusiva dos EUA, que trouxeram para a Península Coreana submarinos nucleares e bombardeiros B-52 e B-2, transformando a região em vitrina dos mais modernos armamentos e criando uma situação extremamente tensa”, relatou Colin. “O oficial salientou que o país não deseja a guerra, mas que está preparado para responder a provocações”, acrescentou o embaixador. Relações de conveniência A aliança entre a China e a Coreia do Norte remonta a 10 de setembro de 1961, época da Guerra Fria, quando ambos os países ainda eram pobres e fracos Sanções -A China participa de sanções internacionais contra a Coreia do Norte, com o intuito de dificultar a aquisição de tecnologia para o programa de mísseis. Pequim não chegou a bloquear uma declaração da Organização das Nações Unidas condenando o lançamento de um satélite norte-coreano. Êxodo de refugiados -Estima-se que 100 mil imigrantes ilegais da Coreia do Norte vivem na China. Grupos de famintos norte-coreanos começaram o êxodo para o território chinês em 1994. O governo de Pequim teme que o colapso do regime norte-coreano provoque um desastre humanitário, com um êxodo gigantesco de refugiados. Balanço de poder - A queda do regime de Kim Jong-un e a unificação das duas Coreias poderia afetar o balanço de poder no leste da Ásia. A fronteira com a China contaria com a presença de tropas americanas, hoje baseadas na Coreia do Sul. Comércio - Isolada do resto do mundo, a Coreia do Norte depende das relações comerciais com a China para sobreviver. Cerca de 70% das trocas norte-coreanas são feitas com a China, totalizando quase US$ 6 bilhões no ano passado. A China investe, de modo substancial, nas áreas de telecomunicações e de infra-estrutura norte-coreanas. O suprimento de petróleo da Coreia do Norte é fornecido pela China. Eu acho "A chance de um conflito real é bem baixa. Os Estados Unidos e a Coreia do Norte fazem a mesma coisa: estufam o peito e exibem os músculos. Ambos os lados dizem a outro: ‘Se você me atacar primeiro, eu o golpearei’." David Kang, professor de relações internacionais da University of Southern California (em Los Angeles) |
quinta-feira, 4 de abril de 2013
Coreia do Norte anuncia ter aprovado ataque nuclear aos EUA
Coreia do Norte anuncia ter aprovado ataque nuclear aos EUA
Publicado em Carta Capital
O Exército da Coreia do Norte anunciou que recebeu a aprovação final
para um ataque militar “impiedoso” aos Estados Unidos, incluindo o uso
de armas nucleares “avançadas”.
Segundo um comunicado divulgado pela agência noticiosa oficial do
país, a KCNA, o Exército “informou formalmente Washington” de que “as
ameaças imprudentes” dos americanos seriam “esmagadas por armas
nucleares com tecnologia de ponta, menores, mais leves e
diversificadas”.
“A operação impiedosa das nossas Forças Armadas revolucionárias com este objetivo [atacar os EUA] foi finalmente aprovada”, lê-se no comunicado, que adverte ainda os EUA a “ponderar melhor a grave situação”.
O comunicado acrescenta que “o momento da explosão está próximo”, avisando que a guerra na península coreana pode começar “hoje ou amanhã [quinta-feira ou sexta-feira, no horário local]“.
Também na quarta-feira, os Estados Unidos anunciaram que enviarão um sistema de defesa antimísseis à base de Guam, no Oceano Pacífico, como medida de “precaução” face às recentes ameaças feitas pela Coreia do Norte.
“Este posicionamento fortalecerá as capacidades para defender os cidadãos americanos do território de Guam e as forças ali estacionadas”, afirma um comunicado do Departamento de Defesa dos EUA.
O secretário de Defesa dos EUA, Chuck Hagel, classificou as ameaças da Coreia do Norte como um perigo “real e claro” para os interesses dos Estados Unidos e de aliados como a Coreia do Sul e o Japão.
A Coreia do Norte teria deslocado um míssil de médio alcance, capaz de atingir alvos na Coreia do Sul e no Japão, para a sua costa leste, informou nesta quinta-feira a agência noticiosa sul-coreana Yonhap. O movimento foi detectado tanto pelos serviços de inteligência sul-coreanos como pelos americanos, noticia a Yonhap, citando fontes militares e governamentais.
“Parecia que o objeto era um míssil balístico Musudan de médio alcance”, disse uma fonte oficial. “Estamos a monitorar de perto a situação, no sentido de averiguar se o norte o moveu para realmente lançá-lo ou se o fez apenas como uma demonstração de força contra os Estados Unidos”, acrescentou.
Bloqueio de Kaesong
Nesta quarta 3, o governo sul-coreano havia sido informado sobre a decisão de Pyongyang de bloquear o acesso ao complexo de Kaesong, levando Seul a não descartar uma ação militar para proteger seus cidadãos.
O complexo de Kaesong, situado em território norte-coreano a 10 km da fronteira, foi aberto em 2004. Ele simboliza a cooperação entre as duas Coreias e constitui uma fonte essencial de renda para o Norte, um país comunista que manteve praticamente intactas suas estruturas políticas e econômicas da época da Guerra Fria.
O local, onde trabalham 53 mil norte-coreanos, sempre se manteve aberto, apesar das diversas crises na península, com exceção de apenas um dia, em 2009.
“O Norte nos notificou que só estavam autorizadas as viagens de volta
de Kaesong e ficava proibida a entrada no complexo”, indicou o
porta-voz do Ministério sul-coreano da Unificação, encarregado das
relações entre os dois países separados desde a guerra da Coreia, de
1950 a 1953.
“Temos preparado um plano de emergência, incluindo uma possível ação militar” para garantir a segurança de seus cidadãos que trabalham em Kaesong, disse o ministro sul-coreano da Defesa, Kim Kwan-jin.
Dos 861 sul-coreanos presentes no complexo de Kaesong, 33 deixaram o local à tarde, mas centenas deles decidiram ficar para garantir o bom funcionamento das empresas.
Com informações de MAM/lusa/rtr/dpa/afp

Líder norte-coreano Kim Jong-Un aprovou que seu exército realize ataques preventivos se necessário. Foto: ©afp.com
“A operação impiedosa das nossas Forças Armadas revolucionárias com este objetivo [atacar os EUA] foi finalmente aprovada”, lê-se no comunicado, que adverte ainda os EUA a “ponderar melhor a grave situação”.
O comunicado acrescenta que “o momento da explosão está próximo”, avisando que a guerra na península coreana pode começar “hoje ou amanhã [quinta-feira ou sexta-feira, no horário local]“.
Também na quarta-feira, os Estados Unidos anunciaram que enviarão um sistema de defesa antimísseis à base de Guam, no Oceano Pacífico, como medida de “precaução” face às recentes ameaças feitas pela Coreia do Norte.
“Este posicionamento fortalecerá as capacidades para defender os cidadãos americanos do território de Guam e as forças ali estacionadas”, afirma um comunicado do Departamento de Defesa dos EUA.
O secretário de Defesa dos EUA, Chuck Hagel, classificou as ameaças da Coreia do Norte como um perigo “real e claro” para os interesses dos Estados Unidos e de aliados como a Coreia do Sul e o Japão.
A Coreia do Norte teria deslocado um míssil de médio alcance, capaz de atingir alvos na Coreia do Sul e no Japão, para a sua costa leste, informou nesta quinta-feira a agência noticiosa sul-coreana Yonhap. O movimento foi detectado tanto pelos serviços de inteligência sul-coreanos como pelos americanos, noticia a Yonhap, citando fontes militares e governamentais.
“Parecia que o objeto era um míssil balístico Musudan de médio alcance”, disse uma fonte oficial. “Estamos a monitorar de perto a situação, no sentido de averiguar se o norte o moveu para realmente lançá-lo ou se o fez apenas como uma demonstração de força contra os Estados Unidos”, acrescentou.
Bloqueio de Kaesong
Nesta quarta 3, o governo sul-coreano havia sido informado sobre a decisão de Pyongyang de bloquear o acesso ao complexo de Kaesong, levando Seul a não descartar uma ação militar para proteger seus cidadãos.
O complexo de Kaesong, situado em território norte-coreano a 10 km da fronteira, foi aberto em 2004. Ele simboliza a cooperação entre as duas Coreias e constitui uma fonte essencial de renda para o Norte, um país comunista que manteve praticamente intactas suas estruturas políticas e econômicas da época da Guerra Fria.
O local, onde trabalham 53 mil norte-coreanos, sempre se manteve aberto, apesar das diversas crises na península, com exceção de apenas um dia, em 2009.

O exército sul-coreano conta com o apoio dos EUA na proteção da península. Foto: ©afp.com / Kim Jae-Hwan
“Temos preparado um plano de emergência, incluindo uma possível ação militar” para garantir a segurança de seus cidadãos que trabalham em Kaesong, disse o ministro sul-coreano da Defesa, Kim Kwan-jin.
Dos 861 sul-coreanos presentes no complexo de Kaesong, 33 deixaram o local à tarde, mas centenas deles decidiram ficar para garantir o bom funcionamento das empresas.
Com informações de MAM/lusa/rtr/dpa/afp
Pyongyang põe os mísseis de prontidão
Pyongyang põe os mísseis de prontidão
| Correio Braziliense - 29/03/2013 |
A mobilização dos mísseis norte-coreanos teria sido uma resposta ao sobrevoo de dois bombardeiros norte-americanos B-2 Spirit, que lançaram munições artificiais sobre um alvo em território sul-coreano. Os aviões partiram da Base Whiteman, no Missouri (centro dos EUA). De acordo com um comunicado das forças americanas sediadas na Coreia do Sul, a ação “demonstra a capacidade dos Estados Unidos de efetuar ataques a grandes distâncias, rápidos e quando quiser”. O B-2 Spirit, utilizado pela primeira vez na Sérvia (1999), antes de ser empregado no Afeganistão e na Líbia (2011), “é um elemento importante da capacidade de dissuasão (...) dos Estados Unidos na região Ásia-Pacífico”, acrescentou o texto. Trata-se de uma advertência à Coreia do Norte, cujas autoridades ainda não digeriram a adoção de novas sanções da ONU depois do teste nuclear realizado em 12 de fevereiro, antecedido pelo disparo de um foguete — considerado pelos Estados Unidos um teste de míssil balístico —, em dezembro. Pyongyang denuncia as provocações americanas e sul-coreanas e reconhece o perigo de desencadear “uma guerra termonuclear” na Península Coreana. Arma poderosa Com 11 mil km de autonomia, o B-2 é um temível avião, concebido para missões especiais de bombardeio estratégico em altas altitudes (até 15 mil metros), atrás das linhas inimigas. A aeronave, considerada indetectável e que voa perto da velocidade do som, pode carregar até 18t de armamento convencional ou nuclear, inclusive 16 bombas de 900kg guiadas por satélite ou oito GBU-37 antibunker. O secretário norte-americano da Defesa, Chuck Hagel, disse que os EUA estão “preparados para enfrentar qualquer eventual” ameaça. “Nós defenderemos explicitamente nossa aliança com a Coreia do Sul e com os aliados da região”, afirmou. “Devemos dizer claramente que levamos estas provocações (da Coreia) do Norte muito a sério e reagiremos a isto.” |
segunda-feira, 11 de março de 2013
Ataque nuclear norte-coreano seria suicídio, diz especialista
Ataque nuclear norte-coreano seria suicídio, diz especialista
Isso é o que afirma Christoph Pohlmann, diretor do escritório da Fundação Friedrich Ebert na capital sul-coreana, Seul. Em entrevista exclusiva à DW, ele disse ainda que, caso a Coreia do Norte realize um ataque nuclear, certamente haverá retaliação por parte dos Estados Unidos – o que seria, na opinião dele, “basicamente um suicídio”.

Concentração
de cidadãos e soldados norte-coreanos, em 7 de março, em Pyongyang,
para o anúncio de um possível ataque nuclear preventivo. Foto: AFP
Leia a entrevista completa:
Deutsche Welle – Há várias semanas, de forma incansável, a Coreia do Norte vem fazendo ameaças. Primeiro, anunciou que vai realizar mais testes nucleares neste ano e, depois, ameaçou uma guerra nuclear contra os Estados Unidos. Agora, anulou o acordo de não agressão com a Coreia do Sul. Em que medida, com esses acontecimentos recentes, o conflito escalou para um nível novo e mais perigoso?
Christoph Pohlmann
– Poderíamos dizer que o conflito chegou a um novo nível, que também
pode ser verificado em termos de incidentes militares. Isso porque a
Coreia do Norte não pode continuar ameaçando sem que essas ameaças sejam
seguidas de atos. Isto é, nós realmente podemos supor que a Coreia do
Norte vai agir militarmente de alguma forma.
DW: Como isso poderia acontecer?
Christoph Pohlmann acredita que Coreia do Norte irá agir de alguma forma. Foto: FES/ DW
DW: A agência de notícias norte-coreana KCNA anunciou, em sua retórica de guerra, que as relações entre o Norte e o Sul teriam cruzado a linha de perigo de tal forma que a situação não poderia ser mais consertada, e que a situação na península coreana é agora tão perigosa que poderia acontecer uma guerra nuclear. Como você avalia isso?
CP: Isto é, naturalmente, uma retórica inaceitável e causa grande incompreensão e também preocupação à Coreia do Sul. Ao mesmo tempo, a Coreia do Norte tem que saber que, no caso de um ataque nuclear, haverá retaliação nuclear pelo lado dos Estados Unidos. O governo sul-coreano enfatizou isso mais de uma vez. Isso é algo que realmente se deve levar em conta. Isso significa, basicamente, um suicídio – do que todos os observadores estão convencidos. E isso não seria do interesse do regime norte-coreano.
DW: Então quer dizer que o “fundo do poço” ainda não foi atingido?
CP: Não. Mesmo que não haja mais diálogo entre os dois lados, é mais provável que a tensa situação ainda seja agravada, por exemplo, devido a grandes manobras militares por ambos os lados na semana que vem. Mas eu não vejo isso. Não acho provável que a Coreia do Norte vá praticamente acabar a Coreia do Sul com um ataque nuclear, ou pelo menos atingir um ponto muito sensível, por exemplo, bombardeando Seul com armas nucleares.
A Coreia do Sul realizou manobras militares depois que a Coreia do Norte fez seu terceiro teste nuclear em fevereiro
DW: Quanto ao “atingir um ponto sensível”: essa é
precisamente a intenção do endurecimento das sanções que o Conselho de
Segurança impôs na quinta-feira (07/03) contra a Coreia do Norte. Essas
foram as sanções mais duras na história recente do órgão mais poderoso
da Organização das Nações Unidas (ONU). Qual é a eficácia deste pacote
de sanções? Até que ponto essas medidas atingem o regime de Pyongyang?CP: O significado simbólico, por si só, já faz com que essas sanções sejam significativas. É um pacote de sanções que consiste em limitações financeiras, mas também o monitoramento das rotas de transporte. E isso também afeta diretamente os empresários que realizam negócios para a Coreia do Norte. Por um lado, estas sanções são importantes. Caso contrário, a Coreia do Norte não responderia de forma tão agressiva a elas. Por outro lado, a sua implementação depende crucialmente da China.
A China apoiou essas sanções – da mesma forma como as outras, contra testes de mísseis – para desgosto da Coreia do Norte. Até agora, porém, Pequim tem sido – formulando de forma diplomática – um pouco relutante na aplicação dessas sanções. Como vizinho da Coreia do Norte e como um país que realiza mais de 70% do comércio exterior da Coreia do Norte, a China tem, claro, um papel fundamental.
DW: Este recente endurecimento de sanções apoiado pela China seria um indício para uma mudança de atitude por parte de Pequim?
CP: Eu ainda não vejo uma mudança de atitude em que a China estaria disposta, eventualmente, a abandonar a Coreia do Norte. Mas, tanto a paciência da liderança chinesa como também dos especialistas científicos, bem como a do público em geral, está lentamente se esgotando. Embora existam diferentes facções – incluindo os que não desejam ameaçar a estabilidade do regime norte-coreano e que querem, por exemplo, manter definitivamente a Coreia do Norte engajada como um amortecedor contra os Estados Unidos –, a China está muito irritada com o comportamento da Coreia do Norte.
Enquanto isso, há preocupações de que o comportamento da Coreia do Norte já não seja mais previsível e parece estar se tornando mais extremo, de modo de a China quer sinalizar ao jovem líder norte-coreano Kim Jong Un que este comportamento agora simplesmente foi longe demais. E, ao mesmo tempo, a China quer apresentar-se mais forte do que no passado recente como um membro responsável da comunidade internacional.
Com apoio de Rússia e China, EUA e aliados acirraram as restrições econômicas e políticas à Coreia do Norte
DW: Você vê no momento maneiras de quebrar o ciclo cada vez mais agressivo de ação e reação – e, se sim, onde?CP: No meu ponto de vista há possibilidades. O problema é que nenhum dos lados parece estar disposto a dar esse passo até agora. Atualmente, a lógica político-militar que prevalece parece sinalizar uma maior escalada e nenhum dos lados quer ceder, pois isso poderia ser avaliado como um sinal de fraqueza. Assim, por exemplo, os Estados Unidos estão conduzindo seus grandes exercícios militares esta semana e na próxima. E a Coreia do Norte deverá responder com outras manobras.
Uma possibilidade seria a de que os Estados Unidos, se possível junto com a China, pudessem apresentar uma espécie de proposta de negociação para sair desta espiral: uma proposta que também ofereça incentivos à Coreia do Norte, o que seria difícil na atual situação de provocação incessante da Coreia do Norte.
Mas, ao mesmo tempo, na minha opinião, não há outra maneira, porque o perigo de que possam haver erros de cálculo de ambos os lados é muito grande, resultando em uma escalada incontrolável da situação. Isso significa que é imperativo que um dos lados – e no momento preferencialmente os lados mais fortes, ou seja, Estados Unidos e China – de preferência juntos, se aproximem dos norte-coreanos e tentem dissuadi-los deste curso. seja de forma aberta ou através de canais informais.
Autora: Esther Felden (fc)
Revisão: Roselaine Wandscheer
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
ONU condena lançamento de mísseis pela Coreia do Norte
ONU condena lançamento de mísseis pela Coreia do Norte
12/12/2012
Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil
A Organização das Nações Unidas (ONU) condenou hoje (12) o lançamento, pela Coreia do Norte, de mísseis de longo alcance. Para o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, a ação foi uma “clara violação” das resoluções das Nações Unidas, o que “desafia” a comunidade internacional. A reação de Ban Ki-moon foi manifestada em nota oficial.
“É ainda mais lamentável porque desafia o forte e unânime apelo da comunidade internacional. É uma clara violação da Resolução 1.874 [de 2009], ao abrigo da qual o Conselho de Segurança pede que a Coreia do Norte não leve a cabo lançamentos usando tecnologia de mísseis balísticos”, disse .
A Coreia do Norte lançou hoje foguete de longo alcance, durante uma operação considerada exitosa pelo governo. Em comunicado, divulgado na internet, o secretário-geral da ONU pede às autoridades do país que busquem uma relação de confiança com os vizinhos.
Ban Ki-moon, que se mantém em “estreito contacto com os governos afetados”, está preocupado com as consequências que o ato, qualificado de “provocatório” por vários países, poderá ter para a paz e estabilidade na região.
Pela segunda vez, a Coreia do Norte promove o lançamento de foguete, após o fracasso de idêntica operação em abril. Na ocasião, o projétil se desfragmentou poucos segundos depois da decolagem e caiu no Mar Amarelo.
*Com informações da agência pública de notícias de Portugal, Lusa.
Edição: Graça Adjuto
Repórter da Agência Brasil
A Organização das Nações Unidas (ONU) condenou hoje (12) o lançamento, pela Coreia do Norte, de mísseis de longo alcance. Para o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, a ação foi uma “clara violação” das resoluções das Nações Unidas, o que “desafia” a comunidade internacional. A reação de Ban Ki-moon foi manifestada em nota oficial.
“É ainda mais lamentável porque desafia o forte e unânime apelo da comunidade internacional. É uma clara violação da Resolução 1.874 [de 2009], ao abrigo da qual o Conselho de Segurança pede que a Coreia do Norte não leve a cabo lançamentos usando tecnologia de mísseis balísticos”, disse .
A Coreia do Norte lançou hoje foguete de longo alcance, durante uma operação considerada exitosa pelo governo. Em comunicado, divulgado na internet, o secretário-geral da ONU pede às autoridades do país que busquem uma relação de confiança com os vizinhos.
Ban Ki-moon, que se mantém em “estreito contacto com os governos afetados”, está preocupado com as consequências que o ato, qualificado de “provocatório” por vários países, poderá ter para a paz e estabilidade na região.
Pela segunda vez, a Coreia do Norte promove o lançamento de foguete, após o fracasso de idêntica operação em abril. Na ocasião, o projétil se desfragmentou poucos segundos depois da decolagem e caiu no Mar Amarelo.
*Com informações da agência pública de notícias de Portugal, Lusa.
Edição: Graça Adjuto
sexta-feira, 30 de março de 2012
Coreia do Norte faz testes com mísseis e põe em alerta a Coreia do Sul e o Japão
Coreia do Norte faz testes com mísseis e põe em alerta a Coreia do Sul e o Japão
Renata Giraldi* - Repórter da Agência BrasilAs autoridades da Coreia do Norte confirmaram que foram feitos ontem (29) testes com dois mísseis de curto alcance na Região Noroeste, na área do Mar Amarelo. Os testes agravam as tensões com países vizinhos, como a Coreia do Sul e o Japão.
De acordo com as autoridades norte-coreanas, os mísseis têm alcance de cerca de 120 quilômetros. As autoridades, porém, negam relação entre os testes e o projeto de lançamento da Coreia do Norte. Os norte-coreanos pretendem lançar em abril o foguete de transporte de satélite.
Na Coreia do Sul e no Japão, o temor é que os norte-coreanos façam os testes para verificar as condições de lançamento de mísseis de longo alcance. A Coreia do Norte é considerada um dos países mais isolados do mundo e seu programa nuclear estimula desconfiançaa da comunidade internacional sobre os fins não pacíficos.
No começo deste mês, o governo dos Estados Unidos negociou com o da Coreia Norte o fim dos testes nucleares, com o envio de cerca de 240 mil toneladas de alimentos. Os norte-coreanos se queixam de dificuldades internas para o abastecimento de combustíveis, alimentos e medicamentos.
*Com informações da emissora estatal de televisão do Japão, NHK//Edição: Graça Adjuto
sexta-feira, 23 de março de 2012
Lançamento de míssil norte-coreano leva Japão a preparar sistema de defesa
Lançamento de míssil norte-coreano leva Japão a preparar sistema de defesa
23/03/2012
Da BBC Brasil
O ministro da Defesa do Japão, Naoki Tanaka, anunciou ter ordenado que sistemas de defesa antimísseis sejam preparados em resposta ao planejado lançamento de um míssil norte-coreano de longo alcance, no próximo mês.
O sistema de defesa deverá ser instalado em torno da Ilha de Okinawa para derrubar o míssil norte-coreano, caso ameace o território japonês.
A Coreia do Norte diz que seu míssil colocará um satélite em órbita, mas os Estados Unidos e seus aliados acreditam que o lançamento é um pretexto para um teste de mísseis de longo alcance.
O governo norte-coreano havia concordado com a suspensão dos testes com mísseis em troca de ajuda norte-americana com alimentos.
terça-feira, 20 de março de 2012
Coreia do Norte convida peritos da Aiea para examinar programa nuclear do país
Coreia do Norte convida peritos da Aiea para examinar programa nuclear do país
20/03/2012
Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil
Repórter da Agência Brasil
O porta-voz da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), Gill Tudor, confirmou hoje (20) que peritos da entidade foram convidados pelo governo da Coreia do Norte para visitar o país e examinar o programa nuclear norte-coreano. Segundo ele, o convite foi encaminhado na sexta-feira (16). De acordo com Gill Tudor, os detalhes da visita ainda serão definidos. “Vamos discutir com [o governo da] Coreia do Norte e as outras partes interessadas os detalhes da visita. Nada foi decidido ainda."
A visita à Coreia do Norte será a primeira desde 2009, quando o governo norte-coreano suspendeu a cooperação com a Aiea e se retirou das negociações sobre desarmamento nuclear. Em fevereiro, as autoridades do país sinalizaram para a possibilidade de especialistas estrangeiros monitorarem as atividades de enriquecimento de urânio na região.
No mês passado, as autoridades norte-coreanas informaram sobre a suspensão dos testes nucleares, dos lançamentos de mísseis de longo alcance e das atividades de enriquecimento de urânio como parte de um acordo negociado com o governo dos Estados Unidos. Em troca, os norte-americanos comprometeram-se a fornecer 240 mil toneladas de alimentos à Coreia do Norte.
A porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Victoria Nuland, elogiou a decisão do governo norte-coreano de convidar peritos para uma visita ao país e disse que a iniciativa é positiva. Desde 2009, a Coreia do Norte é submetida a sanções das Nações Unidas por ter lançado um míssil nos arredores do país.
A Coreia do Norte é um dos países mais fechados do mundo. Sob um rigoroso regime comunista, o país sofre limitações internas na economia que causam dificuldades no abastecimento de alimentos e combustíveis.
*Com informações da agência estatal de notícias da China, Xinhua.
quinta-feira, 1 de março de 2012
COREIA DO NORTE PARA SEU PROGRAMA NUCLEAR EM TROCA DE COMIDA
COREIA DO NORTE PARA SEU PROGRAMA NUCLEAR EM TROCA DE COMIDA
| COREIA DO NORTE ACEITA SUSPENDER PROGRAMA NUCLEAR EM TROCA DE COMIDA |
| Autor(es): WASHINGTON - |
| O Estado de S. Paulo - 01/03/2012 |
| Diplomacia atômica. Após negociação com EUA, Pyongyang diz que interromperá testes nucleares e o enriquecimento de urânio, além de permitir o retorno dos inspetores da ONU; em troca, Washington enviará 240 mil toneladas de alimentos ao país comunista A Coreia do Norte concordou ontem em suspender seus testes nucleares, além do enriquecimento de urânio, e finalmente permitir a volta dos inspetores internacionais a suas instalações atômicas. Os compromissos foram alcançados em um acordo com os EUA, que, em contrapartida, fornecerão 240 mil toneladas de alimento aos norte-coreanos. A notícia do pacto foi inicialmente divulgada pela imprensa estatal de Pyongyang e, em seguida, confirmada pelo Departamento de Estado dos EUA - os dois países vinham negociando a portas fechadas na China. O compromisso alcançado pode pôr fim a anos de um impasse que permitiu aos norte-coreanos prosseguir com seu programa nuclear livres de controles externos. O governo Barack Obama qualificou os novos passos como "importantes, mas limitados". As autoridades americanas destacaram que o avanço poderá começar a desatar o nó do programa norte-coreano dois meses após a morte do ditador Kim Jong-il. O líder de Pyongyang foi substituído por seu filho Kim Jong-un, de 28 anos, e Washington vinha acompanhando de perto a sucessão para saber se a mudança teria efeitos no comportamento do regime. A Coreia do Norte concordou também com uma moratória nos lançamentos de mísseis de longo alcance. Os disparos criavam forte tensão nos dois principais inimigos de Pyongyang no Extremo Asiático, a Coreia do Sul e Japão. No passado, o regime norte-coreano chegou a concordar com uma suspensão do seu programa nuclear, mas sempre voltou atrás, exigindo novas concessões ou acusando os EUA de não cumprirem suas promessas. Segundo o comunicado feito ontem pela agência de noticias norte-coreana, os líderes de Pyongyang cumprirão suas promessas "desde que as conversações prossigam de modo frutífero". Inspeções. A permissão para inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) retornarem ao país é uma concessão importante. Em 2006 e 2009, depois de anos de negociações, a Coreia do Norte expulsou os funcionários e levou adiante seus testes nucleares. Integrantes da inteligência dos EUA acreditam que o país tem combustível nuclear suficiente para seis a oito bombas. Em Washington, a possibilidade de a Coreia do Norte cumprir o acordo e parar com o enriquecimento de urânio ajudaria a tranquilizar a Casa Branca num momento em que, sob a pressão eleitoral, tenta lidar com a crise nuclear iraniana. Em Pyongyang, o acordo pode ser crucial para o jovem e inexperiente ditador consolidar seu poder e garantir o apoio de um Exército poderoso, dizem analistas na Coreia do Sul. Ele precisa mostrar nos seus primeiros meses que está procurando melhorar a vida da população depois de anos de escassez de comida e de fome devastadora. A chegada de 240 mil toneladas de alimento dos EUA deverá ajudá-lo. A ocasião é também importante para o jovem Kim, pois seu pai havia declarado que este seria um ano excepcional para a Coreia do Norte, quando a economia deslancharia e o país seria palco de grandes celebrações, marcando a data em que completaria 100 anos Kim Il-sung, o fundador da nação e avô de Kim Jong-un. A ajuda alimentar e a melhora das relações internacionais podem dar ao novo líder condições de organizar uma festa abundante, o que ajudaria a manter a fé da população na dinastia. NYT, TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO |
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Coreia do Norte aceita moratória e diz que vai suspender programa nuclear
Coreia do Norte aceita moratória e diz que vai suspender programa nuclear
29/02/2012De: UOL
A Coreia do Norte confirmou nesta quarta-feira (29) ter aceitado uma suspensão de seus testes nucleares, dos lançamentos de mísseis e do enriquecimento de combustível nuclear em troca de uma ajuda alimentar americana, segundo noticiou a imprensa oficial do país, a KCNA.Segundo Pyongyang, Washington prometeu fornecer 240 mil toneladas de "ajuda alimentar" e estudar uma ajuda adicional durante as negociações em Pequim na semana passada.
O Ministério de Relações Exteriores da Coreia do Norte confirmou o acordo em comunicado, dizendo que as negociações com os norte-americanos “ofereceram um espaço para uma discussão sincera e profunda” de medidas “para a construção e o progresso de uma relação de confiança”.
Os Estados Unidos fizeram um anúncio similar e afirmaram que a Coreia do Norte havia aceitado o estabelecimento de uma moratória sobre as atividades no complexo nuclear de Yongbyon.
A Coreia do Norte também aceitou o retorno de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para supervisionar a moratória, acrescentou a porta-voz da diplomacia americana, Victoria Nuland. Os Estados Unidos anunciaram ainda a retomada em breve de sua ajuda alimentar à Coreia do Norte.
Washington afirmou que "ainda tem profundas preocupações com o comportamento da Coreia do Norte em muitas áreas", mas estes anúncios refletem "importantes, embora limitados, progressos" em alguns assuntos, indicou o Departamento de Estado.
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