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quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Pobreza estaciona e miséria cresce na América Latina

Pobreza estaciona e miséria cresce na América Latina

Autor(es): Martha Beck
O Globo - 06/12/2013
 
 O número de pessoas em situação de pobreza na América Latina atingiu 164 milhões em 2013, o que equivale a 27,9% da população da região. Deste total, 68 milhões (ou 11,5% dos habitantes) se encontram em situação de extrema pobreza ou indigência. Os números divulgados ontem pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) mostram que a pobreza se manteve praticamente estável em relação a 2012, com um pequeno aumento no número de pessoas em situação de extrema pobreza ou indigência, que eram 66 milhões no ano passado.
De acordo com o documento "Panorama Social da América Latina 2013" a estabilidade no número de pessoas pobres em 2013 se explica pela desaceleração na atividade econômica da América Latina. Já o aumento do número de indigentes está diretamente ligado à elevação da inflação nos países este ano, especialmente no caso dos alimentos.
O Brasil conseguiu reduzir a pobreza numa velocidade maior que a América Latina como um todo, aponta o levantamento. Segundo o secretário executivo adjunto da Comissão, Antônio Prado, enquanto a pobreza na região recuou de 48,4% da população para 28,2% entre 1990 e 2013, no Brasil, a taxa caiu de 48% para 18,6%.
— O Brasil apresentou um ritmo mais rápido de queda na pobreza. Isso tem a ver com as políticas de combate à pobreza, com o dinamismo do mercado de trabalho e com o crescimento dos salários — explicou Prado.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Sem Chávez, país vive na incerteza

Sem Chávez, país vive na incerteza

Reféns da dúvida
Autor(es): RODRIGO CRAVEIRO
Correio Braziliense - 03/01/2013
 
A apenas uma semana da data estipulada para a posse do presidente Hugo Chávez, a Venezuela se afunda na incerteza e na dúvida. Com o chefe de Estado supostamente à beira da morte, em Havana, ninguém se arrisca a prever o futuro político do país. A Constituição Bolivariana, criada pelo próprio Chávez, permite declarar a ausência temporal ou a falta absoluta do presidente, mas não faz menção em relação a um líder reeleito. “O candidato eleito ou a candidata eleita tomará posse do cargo de presidente ou presidente da República em 10 de janeiro do primeiro ano de seu período constitucional, mediante juramento ante a Assembleia Nacional. Se, por qualquer motivo imprevisto, o presidente ou presidenta não puder tomar posse ante a Assembleia Nacional, o fará ante o Supremo Tribunal de Justiça”, determina o artigo nº 231 da Carta Magna. Chávez, de 58 anos, foi operado em 11 de dezembro, pela quarta vez, de um câncer localizado supostamente na região pélvica.

“Pelas declarações de altas fontes do governo, que insistem que Chávez pode prestar juramento qualquer dia, o mais provável é que ele se ausente em 10 de janeiro”, aposta o analista político Tony De Viveiros, ex-professor da Universidad Simón Bolívar. Na hipotética declaração da falta absoluta do presidente, Maduro assumiria o poder, de forma interina, até 10 de janeiro, e convocaria eleições em 30 dias. Se a ausência não for decretada e Chávez não assumir o quarto mandato consecutivo, o cenário seria incerto e sem precedentes. “Especula-se que o melhor seja postergar, por alguns dias, o começo do novo governo. Analistas advertem que Chávez possa vir a Caracas, prestar juramento e pedir sua imediata substituição temporária. Outros estudiosos acham que ele não esperará o fim do mandato para tanto”, afirmou ao Correio, por e-mail, Carlos António Romero Méndez, doutor em ciência política pela Universidad Central de Venezuela (UCV).

De acordo com o analista, o adiamento da transição política não interessaria aos opositores, cada vez mais dispersos. “As eleições a curto prazo (em 30 dias) favoreceriam o sucessor de Chávez, mas ocorreria o contrário se houvesse demora. Com a morte do presidente e ante um governo débil, o candidato da oposição poderia vencer nas urnas”, observa Méndez. Para ele, há apenas duas questões certezas: Chávez não está morto e não pediu sua substituição. “Qualquer opção é válida neste momento, incluindo o retorno e a posse do presidente.”

Muitos moradores de Caracas duvidam dessa possibilidade. “Por aqui, há muitíssima tensão, um silêncio sepulcral. Todo mundo prefere se refugiar em casa e a maioria das pessoas acha que Chávez morreu ou que está em uma condição muito grave”, disse à reportagem Valeria Scocozza, 18 anos, estudante de psicologia na UCV. Ela admite temer uma onda de violência, caso Chávez morra. “Há muita ambição pelo poder, vários candidatos farão o possível para obter vantagens. Vemos disputas até dentro do chavismo”, comentou. Acadêmico de direito na mesma universidade, Luis Eduardo Barrios Arocha, 18 anos, critica o hermetismo de informações do governo venezuelano e admite temer o desrespeito à Constituição. “Temos 14 anos de experiência (com Chávez) para saber que eles (chavistas) fazem o que querem com a Carta Magna. Fala-se até mesmo em juramento em Cuba”, afirmou, por e-mail.

O presidente da Bolívia, Evo Morales, foi um dos poucos a se pronunciar ontem sobre a saúde de Chávez. “A situação do irmão presidente Chávez é muito preocupante. Tomara que logo possamos vê-lo nos acompanhando”, declarou Morales, em entrevista coletiva na cidade de Cochabamba (centro), depois de ter se comunicado com a família do venezuelano. “Tomara que nossas orações e nossos rituais sejam efetivos para salvar sua vida”, emendou. Em sua conta no Twitter, Jorge Arreaza , genro de Chávez e ministro da Ciência e Tecnologia da Venezuela, informou que ele permanece “estável” dentro de seu “quadro delicado”.

Em Washington, a porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Victoria Nuland, externou o desejo de uma transição na Venezuela aferrada à Constituição. “Se existir a circunstância de que Chávez não esteja em capacidade de exercer suas funções, queremos ver uma transição apegada à Constituição”, afirmou, segundo a agência Associated Press.

“Ele está consciente”


O presidente venezuelano, Hugo Chávez, está consciente da complexidade de seu estado de saúde, disse o vice, Nicolás Maduro, em entrevista à rede de tevê Telesur, transmitida por volta das 23h de terça-feira (hora de Brasília). “Pude vê-lo em duas oportunidades (...) Ele está consciente da complexidade do estado pós-operatório”, declarou, em Havana. Maduro assegurou ter encontrado Chávez “com uma força gigantesca”. “Eu o saudei com a mão esquerda, depois me apertou com uma força gigantesca enquanto falávamos”, disse.

Preocupação brasileira

O governo brasileiro acompanha com preocupação o estado de saúde do presidente venezuelano, Hugo Chávez, mas não acredita haver razões para inquietações sobre o futuro da Venezuela. Em entrevista à agência France-Presse, um funcionário do Palácio do Planalto se negou a falar sobre o futuro da Venezuela, caso Chávez não possa assumir um novo mandato em 10 de janeiro. “Não há motivos para se preocupar, acreditar que algo extraordinário possa ocorrer no futuro com a Venezuela”, acrescentou. O funcionário disse ainda que o governo brasileiro não tem informações diferentes das difundidas pelas autoridades venezuelanas, segundo as quais Chávez atravessa um “pós-operatório complexo”.
“O Brasil mantém contatos com a Venezuela com a regularidade de sempre, independente do que tem se sabido sobre a saúde do presidente Hugo Chávez”, informou uma fonte da chancelaria.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Redução da probreza na América Latina

Redução da probreza na América Latina

Carolina Sarres - Repórter da Agência Brasil

Na última década, a pobreza teve queda de 44% na América Latina, segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal). A sustentação dessa dinâmica, no entanto, deve ser acompanhada por políticas públicas com objetivos estruturais, de forma a ampliar o equilíbrio entre o Estado, o mercado e a sociedade, informou a secretária-geral da comissão que faz parte das Nações Unidas, Alicia Bárcena.

Hoje (27), a comissão divulgou o Relatório Panorama Social da América Latina 2012 com dados econômicos e sociais sobre a região. De acordo com o estudo, os países latino-americanos aumentaram os gastos sociais – com políticas, como de distribuição de renda, educação, alimentação e habitação – , que chegaram a 62,6% dos gastos públicos em geral, entre 2009 e 2010. Esse gasto total representou 18,6% do Produto Interno Bruto (PIB) de todos esses países no período.

Os gastos sociais têm o objetivo de sustentar os quatro princípios do sistema de cidadania, segundo nomenclatura da Cepal: a igualdade e o acesso; a universalização progressiva do cidadão; a solidariedade no financiamento para estruturar o sistema; e a corresponsabilidade da sociedade civil.

A tendência, segundo a Cepal, é a que a pobreza na região continue caindo, mas que devem haver políticas de sustentabilidade, que dependem do fortalecimento industrial mais competitivas, taxas de crescimento de longo prazo, tecnologia, conhecimento e manejo ambiental.

Segundo o secretário adjunto da Cepal, Antônio Prado, as perspectivas são positivas para o Brasil, pois houve uma melhora nos termos de troca entre as exportações brasileiras e as importações do exterior, tendo impacto no aumento do PIB, impulsionado pela alta de preço das commodities.

Para o diretor do escritório da Cepal no Brasil, Carlos Mussi, a sustentabilidade brasileira e a manutenção das políticas sociais, que têm viabilizado a redução da pobreza, dependerão das políticas de importação e exportação da China, que demanda produtos primários do Brasil a preços elevados e vende produtos industrializados a preços baixos, por causa da demanda interna reprimida.

“Esse foi um ciclo favorável de crescimento econômico, mas o Brasil tem de fazer o dever de casa e fazer as mudanças estruturais necessárias, como buscar a qualidade do emprego, ser mais produtivo e competitivo, valorizar o capital humano, investir em educação, estimular a permanência nos postos de trabalho e melhorar a infraestrutura”, disse Mussi à Agência Brasil.

Edição: Carolina Pimentel

Fonte: EBC  
 
 

Publicado em: 28/11/2012

quinta-feira, 26 de abril de 2012

América Latina suporta crise europeia, mas não ficou imune

América Latina suporta crise europeia, mas não ficou imune

The cononomist intelligence unit
Publicado em Carta Capital 26/04/2010

Os mercados financeiros internacionais estão preocupados com um ressurgimento da crise da dívida da Zona do Euro, de olhos fixos na Espanha, que poderia se tornar o quarto país a precisar de resgate financeiro. Enquanto a América Latina até agora suportou relativamente bem os problemas da Europa, não ficou imune. O ritmo do crescimento na região diminuiu, apesar de esperarmos que ele continue mais forte que a média global. Mas em um cenário em que as condições da Europa piorem — ou ocorra mais um choque, como um aumento nos preços do petróleo — poderá haver mais efeitos secundários nas economias, nos preços dos ativos e fluxos financeiros na América Latina.

Depois de uma forte recuperação em 2010 para 6%, causada por um surto de estímulo global, o crescimento na região da América Latina como um todo desacelerou para 4,4% em 2011. A Economist Intelligence Unit prevê uma nova desaceleração para 3,7% em 2012, em um contexto de clara contração na Zona do Euro (esperamos um encolhimento de 0,7%) e um crescimento abaixo do previsto nos EUA (de 2,2%).
O crescimento na maior economia da região, o Brasil, teve um início arrastado este ano, depois de despencar para 2,7% em 2011, contra 7,5% um ano antes. No lado positivo, os exportadores de matérias-primas da América do Sul continuarão se beneficiando da forte demanda chinesa. Vários fatores — como políticas macroeconômicas sólidas, a demanda interna resistente e a recuperação no crescimento da OCDE — vão reforçar o crescimento latino-americano a partir de 2013 (com crescimento médio de 4,2% em 2013-16). No entanto, muitos países da região continuarão vulneráveis a oscilações no sentimento do mercado e às crescentes pressões inflacionárias.
O balanço externo da região se fortaleceu nos últimos anos, o que ajudará a fornecer um amortecedor contra choques externos. A dívida externa está menor em relação ao PIB e as exportações e reservas cambiais estão em níveis recordes. No entanto, o crescimento das contas de importação, alimentado pela demanda interna e por moedas locais fortes, vai superar o crescimento da receita das exportações, resultando em grandes déficits de conta corrente na região — mesmo para os exportadores de matérias-primas. Essa situação é especialmente problemática para a Argentina, para a qual os superávits de conta corrente têm sido um pilar de estabilidade na última década, dado o acesso limitado do governo aos mercados internacionais de capital, o uso de reservas cambiais para pagar suas dívidas externas e a vulnerabilidade à fuga de capitais.

Oscilações de sentimento

Diante da estreita integração das grandes economias latino-americanas nos mercados financeiros globais, as moedas locais e os preços dos ativos foram atingidos por oscilações no sentimento dos investidores. Mas graças a políticas flexíveis esses choques foram relativamente bem absorvidos. Em setembro de 2011 a região sofreu um aumento na aversão ao risco associada aos temores da Europa (com o real brasileiro e o peso mexicano em queda de 16,6% e 12,3%, respectivamente, em relação ao dólar naquele mês). Desde o início de 2012, os mercados de ativos de risco registraram grandes ganhos, enquanto a aversão ao risco diminuía, graças às operações de liquidez do Banco Central Europeu. Quando os efeitos destas se dissiparam, porém, a aversão ao risco retornou.
Além das flutuações no sentimento dos investidores, as autoridades latino-americanas enfrentam outros desafios. Na política monetária e de crédito elas lutam para atingir um equilíbrio entre sustentar a demanda interna (para compensar os mercados de exportação fracos na OCDE) enquanto mantêm a inflação sob controle em meio às pressões decorrentes dos altos preços dos alimentos e do petróleo. A agressiva série de cortes de taxas de juros no Brasil (com a última redução de 75 pontos básicos em 18 de abril situando a taxa básica em 9%, perto do piso recorde de 8,75%), atesta o objetivo do governo de sustentar o crescimento. Isto gerou preocupações sobre o compromisso do BC em alcançar a meta central de inflação (4,5%), e as expectativas inflacionárias para 2012 e 2013 continuaram subindo.

 E se?

Um agravamento da crise da dívida europeia, que prejudicaria as economias soberanas e os bancos europeus (que estão fortemente investidos em dívida soberana e já demonstram índices mais altos de empréstimos inadimplentes em suas outras carteiras), complicaria as coisas. A Economist Intelligence Unit atualmente atribui uma probabilidade moderada (40%) de saída da Grécia da Zona do Euro nos próximos dois anos, e uma probabilidade mais baixa, embora não insignificante, de uma ruptura da zona monetária (que definimos como a saída de vários países, incluindo pelo menos uma das grandes economias).
Mas mesmo sem a dissolução da Zona do Euro uma crise financeira completa a envolver a Espanha ou a Itália, as mais fracas das grandes economias europeias, seria danosa. Os bancos espanhóis, por exemplo, foram grandes compradores de dívidas de governos desde que o Banco Central Europeu lhes deu acesso a empréstimos baratos de três anos, destinados a reforçar a liquidez em toda a Zona do Euro. O governo não pode deixar os bancos falirem, assim como os bancos não podem sobreviver a uma corrida aos títulos do governo. Mesmo que o país possa evitar um resgate, seus bancos poderão precisar dele em breve.
Se os bancos se enfraquecerem, as linhas de crédito para a América Latina (incluindo finanças comerciais, que já foram afetadas pelos temores da Zona do Euro até agora) de entidades europeias e suas subsidiárias na região poderão encolher, como um primeiro passo. O impacto sobre as linhas de crédito internacionais também seria sentido de modo mais amplo, já que um novo “evento” de crédito na Zona do Euro causaria tensões financeiras globais e um aumento da aversão ao risco pelos investidores.
Além das condições de crédito internacionais mais rígidas, outros canais de transmissão incluiriam uma demanda e preços mais baixos para as exportações da América Latina, e haveria um sério impacto sobre as empresas e o sentimento dos consumidores na região. Uma crise da dívida mais profunda também prejudicaria o fluxo de investimento direto estrangeiro (IDE) para a América Latina, pois a Europa é uma fonte importante de IDE para a região. No caso de o crescimento econômico da China desacelerar mais acentuadamente do que se espera (atualmente imaginamos um crescimento do PIB de 8,3% este ano), a demanda e os preços para os exportadores de matérias-primas sul-americanos sofreriam ainda mais.
Bancos europeus recuam
As pressões sobre os bancos europeus desde meados de 2011 já levaram alguns a vender parte de seus ativos na América Latina para reforçar seus balanços. Esses ativos locais foram adquiridos por instituições financeiras latino-americanas, por isso o impacto sobre o crédito regional até agora foi discreto. Uma nova desalavancagem dos bancos europeus levaria a novas vendas de ativos. Onde os compradores agirem, o impacto sobre o crédito na América Latina será limitado. Mas há um risco de perturbações no crédito se as compras não se materializarem em tempo.
Os bancos europeus dos países periféricos seriam atingidos de maneira mais adversa por um choque da dívida europeia. Os bancos espanhóis representam pouco mais de 40% dos interesses estrangeiros totais na América Latina. Os empréstimos para bancos regionais da Grécia, Irlanda, Itália e Portugal são menos importantes. Também pode haver canais indiretos, como bancos não europeus que estão expostos a um evento da dívida europeia e também emprestam para a América Latina. Essas linhas de crédito também poderão sofrer.

Sistemas bancários locais devem resistir

O impacto sobre os sistemas bancários locais seria variável em relação às ações em ativos totais dos bancos europeus afetados em cada mercado. O impacto seria atenuado porque muitos bancos europeus (e outros estrangeiros) que operam na América Latina obtêm a maior parte de seus fundos localmente.
Além disso, indicadores do setor bancário sugerem que a maioria das instituições financeiras latino-americanas seria relativamente resistente a um evento de crédito europeu. Os bancos locais são razoavelmente bem capitalizados e líquidos. O crescimento do crédito, incentivado por políticas expansionistas depois da crise financeira global de 2008-09, hoje está geralmente em desaceleração. Os políticos da maioria dos países poderiam afrouxar a política monetária (incluindo reduzir as exigências de reservas) para ajudar a abrandar as tensões financeiras.
Também haveria certo espaço para políticas fiscais contracíclicas com o fim de apoiar o crescimento econômico durante o período de crise, embora houvesse menos capacidade para políticas de estímulo desta vez, já que nem todo o estímulo anterior foi retirado e os déficits fiscais estruturais estão ligeiramente mais altos hoje. Alguns países (México e Colômbia) têm linhas de crédito de contingência do FMI, e outros (no Caribe e na América Central, por exemplo) provavelmente procurariam o Fundo com sucesso para obter crédito de contingência.
No entanto, a região ainda sofreria, mais ou menos do mesmo modo que após o colapso do Lehman Brothers no final de 2008. Uma recessão europeia mais severa provocada por um agravamento da crise financeira provavelmente seria mais duradoura do que foi a recessão nos Estados Unidos depois do colapso do Lehman, e isto teria efeitos adversos nos fluxos de investimentos e no comércio Europa-América Latina. Nesse caso, a América Latina poderia sofrer uma perda de até 3 pontos percentuais do PIB no primeiro ano, ou cair em uma recessão moderada. Ela se recuperaria gradualmente depois, mas mais lentamente que sua recuperação de 2010 após a crise financeira global de 2008-09.