sexta-feira, 2 de março de 2012

Ahmadinejad na berlinda

Autor(es): » CAROLINA VICENTIN
Correio Braziliense - 02/03/2012
 

Com a oposição reformista excluída, eleição parlamentar reflete uma queda de braço entre aliados do presidente e do líder religioso supremo pela hegemonia. Expectativa é de baixo comparecimento

Os iranianos renovam hoje, nas urnas, as 290 cadeiras do Majlis (parlamento), mas a expectativa é de baixa participação dos 48 milhões de eleitores. Com candidatos selecionados pelo grupo de clérigos que controla o país, a escolha se fará apenas entre representantes da facção conservadora do regime islâmico. Um personagem, porém, tem interesse capital no resultado: o presidente Mahmud Ahmadinejad é, ao mesmo tempo, o fator que diferencia os concorrentes e o político que mais tem a ganhar ou a perder.
"Será, na verdade, uma briga entre aliados e opositores de Ahmadinejad", resume o professor Murilo Meihy, especialista em história contemporânea do Irã na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. As principais coligações que participam representam apoiadores do presidente ou setores críticos à sua tentativa de ganhar poder internamente. Nos últimos dois anos, Ahmadinejad — eleito e reeleito graças ao apoio do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei — passou a adotar uma posição mais forte em relação a vários temas. Por diversas vezes, ensaiou contrariar o líder, criando uma tensão política interna que aumenta as preocupações da comunidade internacional.
O principal temor é de que esse quadro dificulte ainda mais as negociações sobre o programa nuclear. "O Majlis tem muito pouco poder em relação à política externa. Mas, se Khamenei centralizar o poder em torno de seu grupo, é possível que o diálogo com o Ocidente siga estancado", afirma Luciano Zaccara, diretor do Observatório Eleitoral de Países Árabes e Islâmicos. "Nos últimos anos, foi justamente Ahmadinejad quem deu mostras de que deseja negociar com os Estados Unidos, algo a que o líder supremo se opõe", lembra o especialista.
Antes de a campanha começar, o Conselho de Guardiões, que supervisiona os processos eleitorais e legislativos, vetou candidatos mais críticos ao regime e ao governo. A medida atingiu principalmente a facção reformista do regime, que defende mudanças em alguns aspectos da Constituição e optou por boicotar o pleito. Dois de seus principais expoentes, Mir Hossein Mousavi e Mehdi Karrubi, ambos derrotados por Ahmadinejad na eleição presidencial de 2009 — sob denúncias de fraude generalizada —, estão sob prisão domiciliar. Outra razão para um alto índice de abstenção é que os iranianos estão mais preocupados com a economia do que com os rumos políticos do país.
Convocação
É possível, no entanto, que o governo acabe pressionando os cidadãos a votarem. "Acho que o líder supremo e muitos conservadores da Guarda Revolucionária instaram a população a ir às urnas", opina a iraniana Haleh Esfandiari, radicada nos EUA e diretora do programa para o Oriente Médio no Woodrow Wilson International Center for Scholars. Na quarta-feira, o ministro do Interior iraniano, Mostafa Najar, afirmou à imprensa que as eleições parlamentares seriam "gloriosas", com alto comparecimento da população. Para Haleh Esfandiari, mesmo que isso não ocorra, o regime islâmico vai mascarar dados para dizer que a eleição foi um sucesso. "Se eles precisarem, vão aumentar os números e divulgar que 60% dos eleitores participaram", disse ela, em entrevista ao Correio. O novo parlamento deve assumir após 21 de março, quando se comemora o ano-novo persa.

Dólar cai apesar de mudança de IOF e intervenção do BC

Dólar cai apesar de mudança de IOF e intervenção do BC

Intervenções do BC e aumento do IOF não impedem desvalorização do dólar
O Estado de S. Paulo - 02/03/2012
O governo adotou ontem mais uma medida para tentar conter a valorização do real em reação à invasão de dólares que está ocorrendo no Brasil.
Os empréstimos tomados por bancos e empresas brasileiras no exterior com prazo menor que três anos serão taxados em 6% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A regra anterior tributava operações de até dois anos.
A medida é uma reação à decisão do Banco Central Europeu (BCE), anunciada na quarta-feira, de injetar o maior volume de recursos de sua história nos bancos europeus para fomentar o crédito. Política que também vem sendo adotada pelo Fed, o banco central dos EUA.
A atuação das autoridades monetárias tem provocado uma enxurrada de dólares nos países emergentes e foi classificada pela presidente Dilma Rousseff de "um tsunami monetário" dos países desenvolvidos. "As taxas de juros estão entre 1% e 2% em vários países. Agora, a Europa entrou na mesma balada, fazendo fortes emissões de crédito", reforçou o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
Embora a elevação no prazo para isenção de IOF em empréstimos estrangeiros seja de pouca abrangência, a medida foi uma sinalização de o que o governo não assistirá de braços cruzados à invasão de capital especulativo no País e já prepara novas frentes de ação. As medidas se somam à atuação do Banco Central brasileiro, que voltou ontem ao mercado para comprar dólares. Ainda assim, os agentes do mercado reforçaram suas apostas no enfraquecimento do dólar, que fechou ontem em queda, cotado a R$ 1,7120.
"Nas últimas semanas, notamos um movimento de valorização do real. Há uma trajetória ruim para a economia brasileira", disse Mantega. "É a chamada guerra cambial. O governo não verá impassível essa guerra. Temos de nos defender", acrescentou.
Uma fonte do governo destacou que o prazo de três anos para as operações de empréstimos externos coincide com o tempo estipulado nas operações do BCE para socorrer os bancos europeus. As ações orquestradas nas economias avançadas têm reflexo no câmbio brasileiro porque os juros no Brasil são mais elevados, o que atrai os investidores estrangeiros.
"Estamos desestimulando a entrada de capital de mais curto prazo no Brasil", explicou Mantega. O ministro disse que não trabalha com patamar ideal para o câmbio. "O que sabemos é que câmbio a R$ 1,50 ou R$ 1,60 é ruim para a economia brasileira, é ruim para a indústria e para as exportações."
O governo também anunciou a redução, de 6% para zero, do IOF nas operações de investidor estrangeiro na compra de certificados de depósito de valores mobiliários (BDR na sigla em inglês).

ONU quer que comunidade internacional assuma responsabilidades e reaja à violência na Síria

ONU quer que comunidade internacional assuma responsabilidades e reaja à violência na Síria

02/03/2012 


Renata Giraldi*

Repórter da Agência Brasil

A alto comissária da Organização das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, cobrou hoje (2) da comunidade internacional “responsabilidade urgente” em relação à onda de violência na Síria. Segundo ela, é preciso reagir para evitar mais mortes no país. A estimativa é que mais de 7.500 pessoas tenham morrido em cerca de 11 meses de confrontos na região. Há ainda violações de direitos humanos, como agressões sexuais e torturas.
"[O ano de 2011] foi crítico para os direitos humanos, com muitos problemas nessa área", disse Pillay. O porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Rupert Colville, acrescentou que está alarmado com os relatos que começam a sair do bairro Baba Amro, em Homs, depois de ter sido tomado pelas forças do governo.
A expectativa é que ainda hoje o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) consiga entrar em Homs, na Síria, para ajudar as vítimas dos confrontos entre os agentes de segurança do governo e os críticos do presidente Bashar Al Assad. A cidade de Homs é considerada reduto dos rebeldes.
Ontem (1º), o governo Assad autorizou a ajuda humanitária, depois de a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovar resolução recomendando a medida. Uma das propostas, segundo o  porta-voz da Cruz Vermelha na região, Hicham Hassan, é uma trégua humanitári, que seria de duas horas por dia.

*Com informações da agência pública de notícias do México, Notimex//Edição: Graça Adjuto

Políticos com contas desaprovadas não poderão concorrer nas eleições de 2012, decide TSE

Políticos com contas desaprovadas não poderão concorrer nas eleições de 2012, decide TSE

01/03/2012 
 
Débora Zampier

Repórter da Agência Brasil

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu hoje (1º), por maioria de 4 votos a 3, que os políticos com contas desaprovadas não poderão concorrer nas eleições de 2012. Os ministros endureceram a regra das eleições de 2010, que declarava quite o candidato que prestava contas, independentemente de elas serem aprovadas ou não. A quitação eleitoral é uma exigência para obtenção do registro para concorrer a um cargo.
O julgamento começou no dia 14 de fevereiro, com o voto do relator Arnaldo Versiani, que queria manter a regra mais branda aplicada em 2010. Ele foi seguido pelos ministros Gilson Dipp e Marcelo Ribeiro, para quem a lei é clara ao exigir apenas a prestação de contas. “O tribunal não pode fazer interpretação extensiva”, disse Ribeiro.
A divergência foi aberta pela ministra Nancy Andrighi, que defendeu a aprovação das contas como condição para a obtenção do registro. “Entendo que não se pode considerar quite com a Justiça Eleitoral candidato que teve as contas desaprovadas porque isso tiraria a razão de existir da prestação de contas. A prestação de contas seria apenas uma mera formalidade, sem repercussão na situação jurídica do candidato”.
Para Andrighi, o candidato que foi negligente e não observou a legislação não pode ter o mesmo tratamento do candidato que cumpriu seus deveres. “A aprovação das contas não pode ter o mesmo efeito da desaprovação”, resumiu. Seu entendimento foi acompanhado pelos ministros Marco Aurélio Mello, Cármen Lúcia e Ricardo Lewandowski. “Tratar igualmente aqueles que têm contas aprovadas e desaprovadas feriria a mais não poder o principio da isonomia”, disse Lewandowski.
Os ministros não definiram, no entanto, o prazo para que a desaprovação de contas interfira no registro. Atualmente, a Corregedoria do TSE tem o registro de 21 mil políticos que tiveram as contas desaprovadas em eleições anteriores. A dúvida é se um candidato que teve contas desaprovadas em 2008, por exemplo, poderia obter o registro para concorrer em 2012. Ficou definido que a rejeição de contas relativas às eleições de 2010 deixa o político não quite, e que as outras situações serão analisadas caso a caso.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Quilombo de Cabo Frio é o primeiro do país a receber o registro definitivo da terra

Quilombo de Cabo Frio é o primeiro do país a receber o registro definitivo da terra

01/03/2012 
 
Da Agência Brasil

O Quilombo Preto Forro, em Cabo Frio, no litoral norte do estado, recebeu hoje (1º) do governo estadual o Registro Geral de Imóveis (RGI), documento que formaliza a propriedade do imóvel. A comunidade quilombola do Preto Forro, que reune cerca de 15 famílias, é a primeira do país a receber o título definitivo da terra, um direito previsto na Constituição aos descendentes de escravos que ocupam áreas remanescentes de quilombos.
Para o secretário estadual de Habitação, Rafael Picciani, o ato representa o pagamento de uma dívida histórica com todas as comunidades quilombolas do Brasil. Ele garantiu que o governo estadual vai continuar investindo no quilombo em projetos habitacionais e de produção de alimentos orgânicos.
Os quilombolas que acompanharam a entrega do título definitivo da terra, no Palácio Guanabara, sede do governo fluminense, comemoraram. De acordo com o líder da comunidade, Elias Santos, foram muitos anos de incertezas e medo. “Depois de 20 anos, nós tivemos um momento maravilhoso e vamos pedir para que isso venha acontecer com as outras comunidades também”.
O estado do Rio tem 33 comunidades quilombolas. Segundo a secretaria estadual de Habitação, o próximo quilombo a receber o registro definitivo de propriedade será o da Pedra do Sal, na zona portuária da capital fluminense, em data a ser marcada.

COREIA DO NORTE PARA SEU PROGRAMA NUCLEAR EM TROCA DE COMIDA

COREIA DO NORTE PARA SEU PROGRAMA NUCLEAR EM TROCA DE COMIDA

COREIA DO NORTE ACEITA SUSPENDER PROGRAMA NUCLEAR EM TROCA DE COMIDA
Autor(es): WASHINGTON -
O Estado de S. Paulo - 01/03/2012
 
Diplomacia atômica. Após negociação com EUA, Pyongyang diz que interromperá testes nucleares e o enriquecimento de urânio, além de permitir o retorno dos inspetores da ONU; em troca, Washington enviará 240 mil toneladas de alimentos ao país comunista

A Coreia do Norte concordou ontem em suspender seus testes nucleares, além do enriquecimento de urânio, e finalmente permitir a volta dos inspetores internacionais a suas instalações atômicas. Os compromissos foram alcançados em um acordo com os EUA, que, em contrapartida, fornecerão 240 mil toneladas de alimento aos norte-coreanos.
A notícia do pacto foi inicialmente divulgada pela imprensa estatal de Pyongyang e, em seguida, confirmada pelo Departamento de Estado dos EUA - os dois países vinham negociando a portas fechadas na China. O compromisso alcançado pode pôr fim a anos de um impasse que permitiu aos norte-coreanos prosseguir com seu programa nuclear livres de controles externos.
O governo Barack Obama qualificou os novos passos como "importantes, mas limitados". As autoridades americanas destacaram que o avanço poderá começar a desatar o nó do programa norte-coreano dois meses após a morte do ditador Kim Jong-il. O líder de Pyongyang foi substituído por seu filho Kim Jong-un, de 28 anos, e Washington vinha acompanhando de perto a sucessão para saber se a mudança teria efeitos no comportamento do regime.
A Coreia do Norte concordou também com uma moratória nos lançamentos de mísseis de longo alcance. Os disparos criavam forte tensão nos dois principais inimigos de Pyongyang no Extremo Asiático, a Coreia do Sul e Japão.
No passado, o regime norte-coreano chegou a concordar com uma suspensão do seu programa nuclear, mas sempre voltou atrás, exigindo novas concessões ou acusando os EUA de não cumprirem suas promessas. Segundo o comunicado feito ontem pela agência de noticias norte-coreana, os líderes de Pyongyang cumprirão suas promessas "desde que as conversações prossigam de modo frutífero".
Inspeções. A permissão para inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) retornarem ao país é uma concessão importante. Em 2006 e 2009, depois de anos de negociações, a Coreia do Norte expulsou os funcionários e levou adiante seus testes nucleares. Integrantes da inteligência dos EUA acreditam que o país tem combustível nuclear suficiente para seis a oito bombas.
Em Washington, a possibilidade de a Coreia do Norte cumprir o acordo e parar com o enriquecimento de urânio ajudaria a tranquilizar a Casa Branca num momento em que, sob a pressão eleitoral, tenta lidar com a crise nuclear iraniana.
Em Pyongyang, o acordo pode ser crucial para o jovem e inexperiente ditador consolidar seu poder e garantir o apoio de um Exército poderoso, dizem analistas na Coreia do Sul. Ele precisa mostrar nos seus primeiros meses que está procurando melhorar a vida da população depois de anos de escassez de comida e de fome devastadora. A chegada de 240 mil toneladas de alimento dos EUA deverá ajudá-lo.
A ocasião é também importante para o jovem Kim, pois seu pai havia declarado que este seria um ano excepcional para a Coreia do Norte, quando a economia deslancharia e o país seria palco de grandes celebrações, marcando a data em que completaria 100 anos Kim Il-sung, o fundador da nação e avô de Kim Jong-un. A ajuda alimentar e a melhora das relações internacionais podem dar ao novo líder condições de organizar uma festa abundante, o que ajudaria a manter a fé da população na dinastia.

 NYT, TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

Bispo na Pesca

Bispo na Pesca

Governo leva PRB ao ministério para blindar Haddad de ataque evangélico
O Estado de S. Paulo - 01/03/2012
 
Em um claro sinal de que o Palácio do Planalto entrou em campo na disputa pela Prefeitura de São Paulo, a presidente Dilma Rousseff anunciou ontem o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) como o novo ministro da Pesca. Bispo da Igreja Universal, Crivella substitui o petista Luiz Sérgio, que voltará para a Câmara. A expectativa do governo é que a troca sirva como uma vacina para blindar o candidato do PT à Prefeitura, Fernando Haddad, na esperada "guerra santa" da campanha eleitoral.
O governo e a cúpula do PT avaliam que a entrada do ex-governador José Serra (PSDB) na corrida pela sucessão do prefeito Gilberto Kassab (PSD) levará à campanha paulistana temas que estimulam o confronto entre católicos e evangélicos, como legalização do aborto, casamento gay e kit anti-homofobia.
O movimento de Dilma, articulado com o aval do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também poderá tirar do páreo paulistano, mais adiante, o ex-deputado Celso Russomanno, pré-candidato do PRB à Prefeitura e líder nas pesquisas de intenção de voto. Partido do vice-presidente José Alencar, morto no ano passado, o PRB é da base aliada do governo, mas não tinha cadeira na Esplanada. A bancada do partido tem só 10 deputados, o que não explicaria, isoladamente, a concessão de um ministério apenas para amarrar o PRB à coalizão governamental.
"Minha candidatura está mantida. Inclusive a presidenta Dilma, assim como o presidente Lula, tem conhecimento disso", disse Russomanno, acrescentando que o PRB tem compromisso com o governo federal, e não com o PT de São Paulo.
Crivella nega que sua missão seja a de reduzir atritos com os evangélicos e formar uma rede de proteção em torno de Haddad. "Sou indicado do PRB, e não da bancada evangélica."
No segundo turno da campanha presidencial de 2010, porém, o senador foi chamado às pressas para conter uma rebelião de bispos e pastores, e Dilma teve de assinar a "Carta ao Povo de Deus", negando que pretendesse mudar a legislação sobre o aborto, como dizia Serra.
"O governo resolveu pôr na Pesca um pescador de almas, que ainda vai andar sobre as águas", resumiu o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) ao saber da nomeação de Crivella, que tomará posse amanhã.
Diante da movimentação de Serra e sem partidos com musculatura na aliança de Haddad, o Planalto entrou no jogo. "É a incorporação efetiva de um aliado, mas não traremos disputas locais para o âmbito federal", desconversou a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais).
Numa outra frente, Dilma mudou a articulação com o setor evangélico. Ontem, a chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, foi a escalada para receber um grupo de evangélicos no Planalto, substituindo a articulação até então feita pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho. Ex-seminarista, Carvalho despertou a fúria do setor depois de dizer, no Fórum Social, que o governo deveria se preparar para o confronto ideológico com evangélicos e formar uma rede de comunicação.
PR e PDT. Para cimentar a candidatura de Haddad e evitar mais confrontos, o Planalto também fará mudanças nas pastas dos Transportes e do Trabalho. Transportes deve continuar sob o comando do PR, mas Dilma deixará o partido em banho-maria por alguns dias. Motivo: o PR lançou a pré-candidatura do deputado Tiririca à Prefeitura. O PDT, em São Paulo, ameaça apoiar Serra.


 COLABORARAM FERNANDO GALLO e CHRISTIANE SAMARCO

Desemprego na zona do euro atinge recorde e passa dos 10% em janeiro

Desemprego na zona do euro atinge recorde e passa dos 10% em janeiro

01/03/2012 
 
Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil

Os índices referentes ao desemprego nos 17 países da zona do euro atingiram um percentual recorde de 10,7% em janeiro, superando os 10% registrados em dezembro de 2011. Nos dez países restantes da União Europeia (UE), a taxa de desemprego em janeiro ficou em 10,1%. A Espanha foi o país com os piores indicadores em toda a região – com taxa de desemprego em 23,3%.
No bloco como um todo, os números indicam que em janeiro, 24,3 milhões de pessoas estavam desempregadas. Desse total, 16,9 vivem nos países da zona euro. No ano, dez países conseguiram reduzir a taxa de desemprego, 15 registraram aumento e em dois o índice ficou estável.
O maior aumento foi observado na Grécia, passando de 14,1% em dezembro do ano passado para 19,9% em janeiro de 2012. No Chipre, o percentual passou de 6,3% para 9,6%, no mesmo período, e na Espanha subiu de 20,6% para 23,3%.
Pelos dados, as taxas de desemprego menores foram registadas na Áustria (4%), nos Países Baixos (5%) e em Luxemburgo (5,1%). Os percentuais mais altos são os da Espanha (23,3 %), Grécia (19,9%), Irlanda e de Portugal (14,8%).
*Com informações da agência pública de notícias da Argentina, Telam.

Argentina quer que União Europeia apoie na ONU debate sobre soberania nas Malvinas

Argentina quer que União Europeia apoie na ONU debate sobre soberania nas Malvinas

01/03/2012 
 
 
Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil

O governo argentino, comandado por Cristina Kirchner, acionou a União Europeia para avaliar o impasse envolvendo argentinos e britânicos em relação ao domínio das Ilhas Malvinas – chamadas de Falklands pelos britânicos. Para os argentinos, o assunto deve ser debatido na Assembleia Geral das Nações Unidas. A discussão ocorre às vésperas de completar 30 anos da disputa pela soberania das ilhas por argentinos e britânicos.
De acordo com o Ministério das Relações Exteriores da Argentina, a iniciativa de levar o debate para a Organização das Nações Unidas (ONU) é uma maneira de verificar eventuais violações de resoluções impostas pela ONU, além da exploração dos recursos naturais.
Ontem (29), o governo britânico convocou o encarregado de negócios argentino em Londres, Osvaldo Mársico, para pedir explicações sobre a proibição de entrada de dois navios da Grã-Bretanha no Porto de Ushuaia, na Argentina.
De acordo com informações de diplomatas britânicos, o representante do país em Buenos Aires irá manifestar formalmente sua preocupação, uma vez que há orientações para empresas argentinas não importarem mais produtos da Grã-Bretanha.
Há duas semanas, a Argentina apresentou nas Nações Unidas uma queixa formal contra a militarização dos britânicos na região das Malvinas.
*Com informações das agências públicas de notícias da Argentina, Telam, e de Portugal, Lusa.

Brics querem o comando da OMC

Brics querem o comando da OMC

Emergentes querem o comando da OMC
Autor(es): Por Assis Moreira | De Genebra
Valor Econômico - 01/03/2012
 

Com o Fundo Monetário Internacional nas mãos dos europeus e os americanos insistindo em manter o controle do Banco Mundial, países emergentes se preparam para brigar pela direção da Organização Mundial do Comércio (OMC) e, assim, tentar equilibrar o comando da governança global. Não há eleição na entidade. Um comitê de três membros faz consultas junto aos países para aferir o consenso em torno dos candidatos. No fim do processo, sugere um nome.
A decisão, desta vez, acabará sendo do G-5 - Estados Unidos, União Europeia, China, Índia e Brasil. Dificilmente europeus e americanos aceitarão um chinês, porque Pequim é fonte de boa parte das disputas comerciais. A Índia, por sua vez, quer recriar o G-77, com países em desenvolvimento, posição que dificulta o entendimento com as nações desenvolvidas. Resta o Brasil. Há a expectativa, em Genebra, de que Brasília lance o nome de seu embaixador na OMC, Roberto Azevedo.

Com o Fundo Monetário Internacional (FMI) dirigido por uma europeia e os americanos insistindo em manter o controle do Banco Mundial (Bird), os emergentes já se preparam para brigar pela direção da Organização Mundial do Comercio (OMC) e equilibrar o comando da governança global.
As manobras para escolha do novo presidente do Bird, em agosto, vão acelerar em Genebra também as articulações para a seleção do futuro diretor da OMC e há a expectativa de que o Brasil possa apresentar um candidato.
Após a saída de Robert Zoellick do Bird, emergentes como Brasil e China insistem que é hora de o monopólio americano no banco ser quebrado desta vez, mas até agora não lançaram candidatos.
Mas os EUA já deixarem claro que não abrirão mão do controle do banco, até para mostrar, num ano eleitoral, que não perderam influência na governança global. O secretário do Tesouro, Tim Geithner, disse que os EUA proporão um candidato nas próximas semanas.
"É inconcebível que os europeus e americanos também conseguirão a direção da OMC, depois de manterem o controle do FMI e do Banco Mundial"", diz o professor de comércio internacional Simon Evenett, da Universidade de Saint Gallen, na Suíça. "A próxima será a vez de um representante emergente, e isso poderá até facilitar a conclusão de acordos na OMC."
Já para Amrita Narkilar, professora da Universidade de Cambridge com estudos sobre os Brics, "os sistemas de seleção de direção no FMI e Banco Mundial estão completamente errados, e dois erros não resultam numa terceira decisão correta"". Ou seja, não é replicando a mesma prática na OMC que a governança será equilibrada. "Mas os negociadores dos Brics são inteligentes e, formando uma sólida aliança e não aparecendo divididos, como na última vez, poderão legitimamente obter o cargo."
As primeiras discussões informais sobre o futuro substituto do francês Pascal Lamy como xerife do comércio mundial começaram em Davos, à margem do Fórum Mundial de Economia. Os candidatos serão conhecidos até dezembro, e a eleição ocorrerá em abril de 2013. Até agora, só as Américas e a África ainda não dirigiram o órgão multilateral de comércio.
A disputa já começou a causar confronto entre os países-membros. A Índia, de olho na sucessão de Lamy, bloqueou a escolha de um representante de Cingapura para presidir este ano o Órgão de Solução de Controvérsias (OSC). É que o escolhido para esse cargo será o presidente do Conselho Geral, entidade máxima da OMC, no ano que vem, e estará no centro da seleção do futuro diretor-geral, junto com dois outros representantes de países desenvolvidos.
Só que, para a Índia, Cingapura não é um país em desenvolvimento e, assim, a escolha do futuro diretor estaria controlada totalmente pelos desenvolvidos. Depois de muita confusão, os indianos aceitaram um representante do Paquistão no comando do OSC.
Na OMC, não há eleição. Um comitê de três membros faz consultas com os países para aferir o consenso em torno dos candidatos e sugere ao final um nome. Já aconteceu no passado de os países recusarem a indicação e, na disputa, o mandato acabou dividido entre o tailandês Supachai Panitchpakdi e o neozelandês Mike Moore.
A decisão sobre o comando da OMC acabará sendo do G-5 - EUA, União Europeia, China, Índia e Brasil. É difícil que americanos e europeus aceitem um chinês à frente do comércio mundial, já que Pequim é alvo de boa parte dos conflitos na OMC, e também por conta da competitividade chinesa. Já a Índia tenta recriar na OMC o G-77, de países em desenvolvimento, numa posição mais radical que dificulta o entendimento com os desenvolvidos. E não há nenhum nome significativo da África.
Resta o Brasil. Em Davos, várias delegações queriam saber quando o país lançaria a candidatura de seu embaixador junto à OMC, Roberto Azevedo. Ele tem ótima reputação na OMC e é visto como capaz de estimular as partes para alcançar consensos e como um "honest broker" (mediador neutro).
Mas certos negociadores notam que o Brasil conquistou recentemente a direção da Agência da ONU para a Agricultura e Alimentação (FAO). Ao mesmo tempo, o país aprofunda uma política de proteção comercial, cada vez mais criticada pelos parceiros.
Para Evenett, porém, o maior problema é que a América Latina sempre aparece dividida. Ele lembra que o Brasil lançou uma candidatura para se opor ao representante do Uruguai, visto como excessivamente pró-países desenvolvidos na eleição vencida por Lamy.
Enquanto isso, o ministro de Comércio da Nova Zelândia, Tim Groser, já vem tentando aparecer como candidato de consenso entre ricos e emergentes.