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domingo, 2 de fevereiro de 2014

Futuro de Assad é obstáculo para acordo de paz na Síria

Futuro de Assad é obstáculo para acordo de paz na Síria

Jornal de Brasília - 23/01/2014
 


Reunidos em Montreux, na Suíça, líderes mundiais expressaram divergências em relação ao futuro do presidente Bashar Assad

O exército e a oposição entraram em conflito nesta quarta-feira em diferentes partes da Síria ao mesmo tempo em que as negociações de paz com o objetivo de traçar um caminho para encerrar a guerra civil no país começaram com problemas. Reunidos em Montreux, na Suíça, líderes mundiais expressaram divergências em relação ao futuro do presidente Bashar Assad que ameaçam aniquilar as probabilidades de acordo antes mesmo de as discussões começarem.
A agência estatal de Notícias, SANA, afirmou que as forças do governo combateram "terroristas" em toda a Síria, incluindo na província de Idlib onde combates da oposição vindos da Chechênia, Egito, Bósnia e Iraque foram mortos. A SANA sempre se refere aos combatentes da oposição como "terroristas".
O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, abriu a conferência de paz na Suíça dizendo que os desafios à frente são "colossais".
A disputa sobre o destino de Assad lançou dúvidas sobre o propósito de formar um governo de transição na Síria que possa dar prosseguimento a eleições democráticas no país dominado por lutas que já deixaram mais de 130 mil pessoas mortas e milhares de refugiados.
Em Montreux, parece quase impossível que os lideres cheguem a um acordo. Para começar, delegados de Assad e da Coalizão Nacional Síria, apoiada por países do ocidente, reivindicam o direito de falar pelo povo sírio.
Os EUA e a oposição síria abriram a conferência dizendo que Assad perdeu a legitimidade quando atacou o protesto do movimento pacifico contra seu regime.
A resposta síria foi firme e áspera. "Não haverá transferência e o presidente Bashar Assad permanecerá no poder", afirmou o ministro sírio da Informação Omran al-Zoubi, após os discursos do dia.
O ministro de Relações Exteriores da Síria, Walid al-Moallem, acusou os terroristas e seus aliados externos de destroçarem o país. O ministro excedeu seu tempo de discurso, foi alertado pelo secretário da ONU, mas se recusou a deixar o pódio apesar dos numerosos pedidos de Ban.
"O senhor vive em Nova York. Eu moro na Síria", disparou furiosamente al-Moallem se dirigindo a Ban. "Tenho o direito de apresentar a versão síria aqui neste fórum. Após três anos de sofrimento, este direito é meu."
A televisão estatal na Síria transmitiu todo o discurso de al-Moallem, mas interrompeu as transmissões para mostrar ataques da oposição no país durante o discurso do líder da Coalizão, Ahmad al-Jarba e do ministro de Relações Exteriores da Turquia, impedindo, assim, que a população síria ouvisse a versão da oposição.
Após discursos mordazes, os diplomatas passaram a tarde em reuniões bilaterais. O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, se encontrou pela segunda vez em 24 horas com a sua contraparte russa, Sergey Lavrov. Os dois juntos orquestraram o acordo recente no qual Assad desistiu de seu programa de armas químicas.
"As negociações entre as partes sírias não serão fáceis e rápidas", afirmou Lavrov em seu discurso. "A conferência não tem 100% de garantia, mas continua sendo uma chance real de garantir a paz."

Guerra interna entre rebeldes e milicianos da al-Qaeda se espalha para o Leste da Síria

Guerra interna entre rebeldes e milicianos da al-Qaeda se espalha para o Leste da Síria

O Globo - 06/01/2014
 
BEIRUTE - Ativistas sírios afirmaram nesta segunda-feira que os combates internos entre rebeldes e milícias ligadas à al-Qaeda se espalharam para uma cidade no Leste do país, após varrer áreas controladas pela oposição no Norte. Ambos os grupos lutam contra o regime do ditador Bashar al-Assad.
De acordo com informações do Observatório Sírio para os Direitos Humanos, os rebeldes entraram em confronto nesta segunda-feira contra milicianos do Estado Islâmico no Iraque e do Levante (Isis, na sigla em inglês), ligado à al-Qaeda, no município de Raqqa, um dos redutos do grupo terrorista.
A luta interna começou nas províncias do Norte de Aleppo e Idlib na sexta-feira e vem se espalhando desde então. O impulso para o Leste sugere que os rebeldes estão se preparando para invadir todas as áreas controladas pelo Isis.
Para conter o avanço do grupo extremista, rebeldes opositores a Assad formaram uma aliança, chamada Exército dos Combatentes para a Jihad.
Nas mais recentes demonstrações de expansão do extremismo islâmico liderado pela al-Qaeda, o Estado Islâmico do Iraque e do Levante assumiu o controle da cidade de Falluja, no Iraque, e cometeu um atentado que matou cinco pessoas - entre elas uma brasileira - em Beirute, no Líbano, na semana passada.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Esquerdas árabes se dividem diante da crise na Síria

Esquerdas árabes se dividem diante da crise na Síria
Ao contrário das revoltas egípcia e tunisiana, a insurreição síria de março de 2011 não foi unanimidade no seio das esquerdas árabes. Entre a empatia pelas reivindicações democráticas dos manifestantes e o temor de ingerências políticas e militares exteriores, as divisões se aprofundam
por Nicolas Dot-Pouillard
(Manifestantes exibem bandeiras da oposição durante protesto contra Assad em Damasco)

Em agosto de 2011, o jornal libanês de esquerda nacionalista Al-Akhbaratravessou a primeira crise desde sua criação em 2006.1 Seu redator chefe adjunto, Khaled Saghieh, deixou o jornal que ele ajudou a fundar. A causa: a cobertura da crise síria; Saghieh denunciou a falta de apoio do jornal ao levante popular que eclodiu em março de 2011.2 Al-Akhbar jamais negou sua proximidade política com o Hezbollah libanês, um dos principais aliados regionais de Bashar al-Assad, e jamais omitiu sua aprovação ao diálogo entre a equipe no poder de Damasco e uma parte da oposição, em vez de apoiar a simples queda do regime. Ao mesmo tempo, o jornal deu voz a alguns opositores sírios, entre os quais Salamah Kaileh, um intelectual marxista sírio-palestino detido no fim de abril de 2012 pelos serviços de segurança.
Em junho, os desacordos apareceram na versão inglesa do jornal (on-line), logo depois da publicação de um artigo de Amal Saad Ghorayeb.3 Em apoio explícito a Damasco, o periódico libanês atacou os partidários da “terceira via” – aqueles que denunciam o regime autoritário sírio e alertam para uma eventual intervenção estrangeira, militar e ocidental nos moldes da Líbia. Em consequência, no mesmo mês, outro colaborador da edição inglesa do jornal, Max Blumenthal, anunciou sua demissão em um artigo criticando os “apologistas de Assad” dentro da redação.4

Mosaico em decomposição

A crise de Al-Akhbar é sintomática dos debates que dividem as esquerdas no mundo árabe, tanto estratégica como ideologicamente. Alguns setores continuam a apoiar o regime sírio, em nome da luta contra Israel e a “resistência ao imperialismo”. Outros se posicionam firme ao lado da insurreição, em nome de uma lógica “revolucionária” e da defesa dos “direitos democráticos”. Há também os que defendem um meio-termo: entre a solidariedade ao pedido de liberdade dos manifestantes e a rejeição das “ingerências estrangeiras”, reivindicam uma forma de “reconciliação nacional”. Sejam de origem comunista ou marxista, radicais ou moderadas, ou ainda flutuantes na órbita de certa esquerda nacionalista, as esquerdas árabes ganham contornos de mosaico em decomposição no que se refere ao caso sírio.
O apoio puro e simples ao clã Assad certamente não é muito difundido, e raras são as vozes que reivindicam a manutenção do regime de Estado. Contudo, os partidários incondicionais da revolta popular não parecem majoritários. Situados na extrema esquerda do espectro político, muitas vezes são de filiação trotskista (Fórum Socialista no Líbano, Socialistas Revolucionários no Egito) ou maoista,como a Via Democrática no Marrocos. Esses movimentos se relacionam com parte da oposição ao regime, como a Esquerda Revolucionária na Síria, de Gayath Naisse. Desde o fim de 2011, participaram de mobilizações pontuais diante das embaixadas e consulados sírios em seus respectivos países. Alguns intelectuais de esquerda independentes apoiam igualmente a lógica insurrecional, como é o caso do historiador libanês Fawwaz Traboulsi.5 A reivindicação primeira dos mais radicais é a queda do regime, posição que exclui qualquer diálogo. Por mais que defenda a necessidade de um protesto popular pacífico, não nega aos rebelados o direito de recorrer às armas. Na extrema esquerda, os partidários da revolução se reúnem no âmbito do Conselho Nacional Sírio (CNS),6 uma das principais coalizões de oposição cuja aliança com o Catar, a Turquia e a Arábia Saudita é denunciada como comprometedora da independência do movimento popular sírio.
Outros setores de esquerda denunciam o regime e reivindicam sua queda, porém, permanecem prudentes em relação ao apoio aos revolucionários acordado entre as monarquias do Golfo, da mesma forma que não ousam aderir completamente ao discurso anti-Assad que emana da comunidade internacional liderada pelos Estados Unidos. Contudo, esse reflexo anti-imperialista não substitui o apoio à insurreição: a prioridade é a situação interna da Síria, e a lógica do levante popular contra seu regime está acima de tudo, da mesma forma que o processo precedente na Tunísia ou no Egito.
Por outro lado, a maioria das forças situadas à esquerda no espectro político do mundo árabe mantém uma distância prudente em relação à revolta síria. Em primeiro lugar, denunciam a militarização da insurreição, que beneficia unicamente os grupos islâmicos radicais e os combatentes estrangeiros abundantes na Síria. Em segundo, condenam o caráter confessional do conflito, que oporia progressivamente as minorias alauitas cristãs à maioria sunita radicalizada pela repressão, e temem uma guerra civil interminável. E, por fim, também se inquietam pelas relações de forças regionais e mundiais. Irã e Síria contra monarquias do Golfo; Rússia e China contra Estados Unidos: no grande jogo regional e internacional que faz da Síria a linha de frente de vários atores internacionais, a opção é sempre pela esquerda, a favor dos primeiros contra os segundos.
Assim, no dia 4 de abril de 2012, a União dos Partidos Nacionalistas de Esquerda jordanianos – coalizão que reúne seis formações políticas, de comunistas a nacionalistas árabes – organizou um encontro em Amã para lembrar o nono aniversário da invasão norte-americana no Iraque. O tema central, contudo, não foi a lembrança da queda de Saddam Hussein, e sim a crise síria: a “intervenção estrangeira” no país foi firmemente denunciada, e alguns oradores a relacionaram com a operação militar de abril de 2003 contra o Iraque e o apoio das principais potências ocidentais ao CNS e à oposição armada.7
Na Tunísia, em um comunicado de 17 de maio de 2012, a poderosa central sindical União Geral Tunisiana do Trabalho (UGTT) – cuja direção tem parte de seus integrantes na extrema esquerda – reiterou seu apoio às reivindicações democráticas do povo sírio e alertou para um complô fomentado pelos Estados “colonizadores e árabes reacionários”. Dois meses antes, o Partido Comunista dos Trabalhadores (POCT) tunisiano defendia, ao lado das formações nacionalistas árabes, uma manifestação para denunciar a postura, em Túnis, da conferência dos “Amigos da Síria”, que reuniu quase sessenta delegações internacionais ao redor do CNS.
O Partido Comunista Libanês (PCL), por sua vez, se caracteriza por um posicionamento particularmente prudente: às vezes, em seus veículos de imprensa, publica artigos de opositores sírios, como Michel Kilo (que não pertence ao CNS), e se abstém de participar das manifestações que vêm sendo realizadas há um ano diante da embaixada síria em Beirute. O PCL se encontra sob o fogo cruzado da extrema esquerda libanesa, enquanto parte de seus dirigentes permanece próxima do Partido da Vontade Popular Síria, de Qadri Jamil. Membro da oposição “legal”, este último fez parte do novo governo de Riyad Hijab, nomeado por Assad em junho de 2012 como vice-primeiro-ministro de assuntos econômicos.

Reformista e gradual

O foco de apoio das esquerdas árabes está, na realidade, na lógica reformista e gradual que preconiza uma solução política – e não militar – ao conflito. O comunicado final da Conferência Nacionalista Árabe – que reuniu em junho passado, em Hammamet, Tunísia, cerca de duzentos congressistas membros de formações árabes nacionalistas de esquerda8 e, em menor medida, islâmicas – reflete essa posição. O documento tentou ser o mais consensual possível. Ao mesmo tempo que reconhece o direito do povo sírio à “liberdade, à democracia e à alternância pacífica do poder”, condena “qualquer violência”, nivelando o regime e a oposição armada e apelando para que o conflito se concentre na lógica do “diálogo” baseado no plano de retorno à paz proposto em março de 2012 pelo emissário da ONU, Kofi Annan.
Se para uma parte da esquerda radical árabe a perspectiva revolucionária deve ser o assunto na ordem do dia na Síria, outro setor, substancialmente mais importante, faz seu luto e não defende a queda brutal do regime. Para esse setor, o centro da contradição está em uma guerra fria não explícita. O medo do vazio e de uma Síria pós-Assad reconciliada com os Estados Unidos e aliada com os Estados do Golfo é mais forte que o medo de um regime de duração prolongada.
Ademais, a Síria permanece uma espécie de Jano – o deus romano de duas faces, uma olhando para a frente e outra para trás – aos olhos dos militantes árabes de esquerda. Raros são aqueles que negam o caráter autoritário e repressivo do regime; mas, ainda hoje, o discurso que o defende, combinado às sanções internacionais das quais ele é objeto, ecoa em um dos pilares ideológicos mais profundos das esquerdas árabes: o paradigma terceiro-mundista e anti-imperialista. Para alguns, esse sentimento é amenizado pelo caráter popular da revolta; para outros, é agudizado pela internacionalização crescente do conflito.
Além disso, a dinâmica islâmica nascida com a Primavera Árabe – traduzida pela chegada da Irmandade Muçulmana às portas do poder no Marrocos, na Tunísia e no Egito – sem dúvida provocou um movimento pendular em parte das esquerdas: as revoltas árabes são atualmente temidas porque poderiam desembocar em uma hegemonia islâmica. O movimento Ennahda na Tunísia, como a Irmandade Muçulmana no Egito e na Jordânia, figura como um apoiador fervoroso da oposição síria. O posicionamento de grande parte das esquerdas árabes no caso sírio reflete, assim, sua própria confrontação com as forças do Islã político. Por temor a um futuro próximo desencantado, os partidos que reivindicam a “revolução” e o “progressismo” – e, em alguns casos, o marxismo – expressam a preferência paradoxal por uma solução negociada e gradual de transição na Síria.
Nicolas Dot-Pouillard
Pesquisador do Instituto Francês do Oriente Próximo em Beirute


Ilustração: Handout / Reuters
1 Este jornal publicou, durante um ano, o Le Monde Diplomatique em árabe, como suplemento.
2 Ibrahim al-Amin, “Por que Khaled Saghieh deixou o Al-Akhbar?” (em árabe), Al-Akhbar, Beirute, 21 ago. 2011.
3 Amal Saad Ghorayeb, “Syrian crisis: there’s a crowd” [Crise síria: uma multidão], Al-Akhbar English, 12 jun. 2012.
4 Max Blumenthal, “The right to resist is universal: a farewell to Al-Akhbar and Assad’s apologists” [O direito de resistir é universal: um adeus aos apologistas de Al-Akhbar e Assad], Al-Akhbar English, 20 jun. 2012.
5 Ex-dirigente da Organização de Ação Comunista no Líbano (OACL), Fawwaz Traboulsi ensina história na Lebanese American University (LAU) de Beirute.
6 Fundado em meados de 2011, o Conselho Nacional Sírio está sediado em Istambul, Turquia. Reagrupa importantes partidos da oposição síria, como a Irmandade Muçulmana.
7 “Os partidos nacionalistas e de esquerda recusam a ingerência estrangeira nos assuntos árabes” (em árabe), Nida Al-Watan, Amã, abr. 2012.
8 Além de formações basistas ou nasserianas, a Conferência Nacionalista Árabe compreende partidos políticos de esquerda como o Partido Socialista Unificado (PSU) marroquino, a Frente Popular pela Libertação da Palestina (FPLP) e o Partido Socialista Iemenita (PSI).

segunda-feira, 14 de maio de 2012

União Europeia aprova mais sanções à Síria e discute agravamento da crise na Ucrânia

União Europeia aprova mais sanções à Síria e discute agravamento da crise na Ucrânia

14/05/2012 
 
Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil

A União Europeia (UE) aprovou hoje (14) mais um pacote de sanções ao governo do presidente da Síria, Bashar Al Assad. Pelas sanções, diversas pessoas ligadas a Assad estão proibidas de renovar o visto de entrada nos 27 países que integram o bloco europeu. Os nomes serão publicados no Boletim Oficial (espécie de Diário Oficial) da União Europeia.
Há 14 meses, uma série de ações violentas atingiu a Síria, pois manifestantes pressionam pela saída de Assad, que resiste em deixar o governo. Os embates entre forças do governo e opositores são diários. Organizações não governamentais e jornalistas são impedidos de entrar no país. Um grupo de observadores das Nações Unidas está na Síria para implementar o cessar-fogo.
Também foi definido congelamento de bens de duas empresas e de três pessoas consideradas agentes financiadores do governo Assad. Atualmente, 126 pessoas e 41 empresas são alvos de sanções europeias. As medidas afetam o Banco Central da Síria e o comércio de metais preciosos.
Na última reunião da União Europeia, em abril, foram proibidas as exportações de produtos de luxo para a Síria, uma medida essencialmente simbólica que visava ao casal Assad.
Os ministros das Relações Exteriores, da UE, reunidos hoje em Bruxelas discutem ainda a questão de direitos humanos na Ucrânia e o fim da ocupação no Afeganistão. A menos de um mês do início do campeonato da Europa de futebol, cujos jogos ocorrerão na Ucrânia (co-organizadora do evento com a Polônia), há o temor de que as divergências entre as autoridades europeias e ucranianas reflitam nas competições.
A União Europeia tem alertado sobre o funcionamento da democracia e da Justiça na Ucrânia, além de demonstrar preocupação sobre a ex-primeira-ministra ucraniana Iulia Timochenko – condenada a sete anos de prisão em um processo em que é acusada de desvio de dinheiro público. Ela alega sofrer maus-tratos de autoridades do governo.
Em relação ao Afeganistão, o tema será tratado na Cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), nos dias 20 e 21, em Chicago (Estados Unidos). Os ministros pretendem discutir também a assistência que a União Europeia prestará no Afeganistão a partir de 2014, após a retirada das tropas e transferência da segurança para as forças afegãs.

*Com informações da agência pública de notícias de Portugal, Lusa.
Edição: Talita Cavalcante

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Exigência síria inviabiliza plano de paz

Exigência síria inviabiliza plano de paz

Autor(es): JAMIL CHADE
O Estado de S. Paulo - 09/04/2012
 

Às vésperas da data estabelecida para o início do cessar-fogo na Síria, Bashar Assad praticamente enterrou o plano de paz feito pelo enviado da ONU, Kofi Annan. Ontem, Damasco fez exigências de última hora e disse que só retira seus tanques de zonas urbanas se receber o compromisso por escrito da oposição de que também respeitará o pacto - os rebeldes rejeitaram e já dão como certo o fracasso do plano.
Annan tinha dado até amanhã para que o governo sírio e rebeldes começassem uma retirada de armas pesadas de centros urbanos. No dia 12, às 6 horas de Damasco, um cessar-fogo completo teria de entrar em vigor para permitir que o diálogo político fosse iniciado. Uma missão de 250 soldados de uma força internacional seria enviada para garantir o cessar-fogo enquanto uma solução política fosse negociada.
Segundo Annan, Assad havia concordado com o plano por meio de uma carta. Ontem, porém, Damasco alegou que sua posição foi mal interpretada e sugeriu que, pelas condições atuais, não respeitará o cessar-fogo. O ditador sírio apresentou novas exigências, incluindo um compromisso de que governos estrangeiros não financiarão os rebeldes.
"Annan interpretou que a Síria havia confirmado que retiraria suas tropas das cidades no dia10 de abril. Mas esclarecemos que tal interpretação é errônea, sobretudo porque Annan não deu garantia escrita sobre a aceitação dos grupos terroristas armados de deter a violência em todas suas formas. Dizer que a Síria vai retirar suas forças das cidades em 10 de abril é inexato", indicou a chancelaria síria em comunicado.
Fracasso. A declaração foi recebida como um alerta de que o regime pode simplesmente não cumprir o acordo fechado com Annan no final de março. "A Síria não vai repetir o que ocorreu durante a missão da Liga Árabe, quando se comprometeu a retirar as tropas das cidades e, então, os grupos terroristas armados se aproveitaram para armar seus membros, fazer todas as formas de terrorismo, reorganizar-se e controlar bairros inteiros, ampliando assassinatos e sequestros", afirmou o porta-voz da chancelaria, Jihad Maqdisi.
No fim do ano passado, a Liga Árabe havia deslocado uma missão de observadores internacionais para a Síria na esperança de que um outro acordo fosse respeitado, o que acabou não ocorrendo.
Para o Conselho Nacional Sírio, que reúne boa parte dos opositores e recentemente foi reconhecido pelos EUA como legítimo representante dos sírios, as exigências de última hora são uma tática de Assad para rejeitar o plano de paz. Em declarações às agências internacionais na Turquia, o comandante da oposição armada, Riad Asaad, negou-se a enviar uma carta e alertou que o plano de Annan estava praticamente morto. "O regime não irá implementar o plano. Esse plano fracassará", disse.
Outras exigências. Asaad garantiu que seus homens respeitarão o acordo feito por Annan, mas que irão responder ao primeiro tiro dado pelas forças do regime. "O Exército não reconhece o regime e, por isso, não daremos garantias", afirmou o líder rebelde. "Ninguém nos pediu nada por escrito durante as negociações. Ninguém discutiu conosco a entrega de armas. Nunca iremos entregar nossas armas", insistiu. "Nós demos nossa palavra de que, se o regime se comprometer com o plano, nós também o faremos. Nós somos honestos."
As exigências de Damasco não se limitam ao compromisso por escrito por parte dos rebeldes. Assad quer que os governos de Catar, Turquia e Arábia Saudita declarem oficialmente que suspenderão o financiamento que estariam dando aos rebeldes.
Os três países anunciaram recentemente a criação de um fundo para alimentar o conflito, enquanto o governo turco já sugeriu o estabelecimento de uma área de proteção para os rebeldes sírios.
Ajuda russa. Uma última esperança pode estar nas mãos da Rússia, um dos poucos aliados de Damasco. Hoje, o chanceler sírio, Walid Moallen, estará em Moscou. Ontem, Annan fez em Genebra um apelo para que as potências mundiais que tenham influência sobre as partes usem o momento para convencê-las a aderir ao acordo de cessar-fogo. O Kremlin tem declarado seu apoio a Annan. No entanto, Moscou não deu ontem garantias de que usaria o encontro de hoje para fazer o regime de Assad abandonar suas mais recentes exigências.

terça-feira, 27 de março de 2012

Governo da Síria aceita cessar-fogo, adoção de corredor humanitário e abertura para o diálogo, diz ONU

Governo da Síria aceita cessar-fogo, adoção de corredor humanitário e abertura para o diálogo, diz ONU

27/03/2012 


Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil


O porta-voz do enviado especial das Nações Unidas e da Liga Árabe à Síria, Ahmad Fawzi, disse hoje (27) que o presidente sírio, Bashar Al Assad, aceitou o plano que determina um cessar-fogo na região e a adoção de um corredor humanitário para ajuda às vítimas. De acordo Fawzi, Assad também admitiu a possibilidade de iniciar o diálogo para encerrar o impasse na área.
No começo deste mês, o enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Liga Árabe à Síria, Kofi Annan, propôs o fim dos combates, a autorização para a ajuda humanitária e início de um processo político. Na ocasião, Assad disse ser impossível dialogar com a oposição a quem chama de terroristas.
Ahmad Fawzi disse que o governo sírio respondeu hoje por escrito e concordou com os seis pontos, aprovados pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas. Segundo ele, Annan elogiou a iniciativa e prevê avanços nas negociações. O enviado foi à Rússia pedir apoio nas conversas com a Síria e hoje está na China.
"Annan vê isso como um primeiro passo importante que pode acabar com a violência e o derramamento de sangue, proporcionando alívio para o sofrimento e criando um ambiente propício para o diálogo político, atendendo às legítimas aspirações do povo sírio'', disse o porta-voz.
A onda de violência na Síria completou neste mês um ano. A estimativa é que mais de 8 mil pessoas morreram nos últimos 12 meses. Há relatos de torturas, prisões indevidas, agressões contra crianças e mulheres, além dos assassinatos. O governo nega a participação nos crimes.   

segunda-feira, 19 de março de 2012

Conflitos na Síria chegam a Damasco, capital do país

Conflitos na Síria chegam a Damasco, capital do país

19/03/2012 
Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil

Os conflitos na Síria se intensificaram hoje (19) na região de Damasco, capital do país. Integrantes das forças de segurança sírias e grupos armados se envolveram em confrontos durante a madrugada. Porém, ainda há registros de vítimas.
Os conflitos em Damasco preocupam as autoridades estrangeiras, pois até então os confrontos se concentravam na região de Homs – considerada cidade de domínio da oposição. A estimativa é que mais de 8,5 mil pessoas morreram em um ano de tensão na Síria.
Um morador do bairro de Mazzeh, na capital síria, disse que os confrontos duraram cerca de duas horas. Segundo um ativista, os conflitos ocorreram em frente ao edifício da administração central de Damasco.

Manifestações contra o governo do presidente da Síria, Bashar Al Assad, ocorrem desde o ano passado. Os manifestantes cobram do governo mais liberdade política e de expressão, além do fim das violações aos direitos humanos.
A comunidade internacional fixou uma série de sanções ao governo Assad, impondo restrições econômicas e financeiras. Porém, o governo Assad indicou que não está disposto a negociar com a oposição por considerá-la terrorista.

sexta-feira, 2 de março de 2012

ONU quer que comunidade internacional assuma responsabilidades e reaja à violência na Síria

ONU quer que comunidade internacional assuma responsabilidades e reaja à violência na Síria

02/03/2012 


Renata Giraldi*

Repórter da Agência Brasil

A alto comissária da Organização das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, cobrou hoje (2) da comunidade internacional “responsabilidade urgente” em relação à onda de violência na Síria. Segundo ela, é preciso reagir para evitar mais mortes no país. A estimativa é que mais de 7.500 pessoas tenham morrido em cerca de 11 meses de confrontos na região. Há ainda violações de direitos humanos, como agressões sexuais e torturas.
"[O ano de 2011] foi crítico para os direitos humanos, com muitos problemas nessa área", disse Pillay. O porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Rupert Colville, acrescentou que está alarmado com os relatos que começam a sair do bairro Baba Amro, em Homs, depois de ter sido tomado pelas forças do governo.
A expectativa é que ainda hoje o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) consiga entrar em Homs, na Síria, para ajudar as vítimas dos confrontos entre os agentes de segurança do governo e os críticos do presidente Bashar Al Assad. A cidade de Homs é considerada reduto dos rebeldes.
Ontem (1º), o governo Assad autorizou a ajuda humanitária, depois de a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovar resolução recomendando a medida. Uma das propostas, segundo o  porta-voz da Cruz Vermelha na região, Hicham Hassan, é uma trégua humanitári, que seria de duas horas por dia.

*Com informações da agência pública de notícias do México, Notimex//Edição: Graça Adjuto

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Crise na Síria faz Brasil vender US$ 181 milhões a menos ao país

Crise na Síria faz Brasil vender US$ 181 milhões a menos ao país

Renata Giraldi* - Repórter da Agência Brasil

Os negócios entre o Brasil e a Síria apresentaram queda desde o ano passado, após o início dos protestos contra o governo do presidente Bashar Al Assad, que geraram uma crise interna e uma onda de violência na região. Aliadas às circunstâncias políticas e sociais, as sanções econômicas à Síria, impostas pelos países ocidentais, afetaram o crédito bancário, enfraquecendo a economia e as relações comerciais com o exterior.

O Ministério das Relações Exteriores informou que em função da situação atípica na Síria tem ocorrido uma contração econômica geral no país, gerando impactos no comércio exterior com todas as regiões do mundo. De acordo com a diplomacia brasileira, a situação econômica do país levou à redução na exportação de produtos brasileiros.

Em 2010, o Brasil exportou US$ 547 milhões para a Síria, enquanto que em 2011 as exportações totalizaram US$ 366 milhões. Entre os produtos que ocupam o topo da pauta de exportações estão o café, a soja e o açúcar.

As importações brasileiras atingiram US$ 47 milhões em 2010 e US$ 45 milhões em 2011. O fluxo comercial Brasil-Síria saiu do patamar de US$ 500 milhões em 2010 para US$ 322 milhões em 2011.

O presidente da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, Michel Alaby,  disse que as exportações brasileiras ao país árabe foram afetadas pela dimimuição da demanda entre os empresários sírios, receosos com as sanções ocidentais, os conflitos armados e a violência. "Não temos tido tanto contato com empresários sírios. Acredito que deve haver dificuldade de negociar diretamente com a Síria no momento", disse ele.

Segundo Alaby, mesmo com a violência e a crise na Síria, os produtos brasileiros encontram meios de entrar no país de forma indireta. "Por experiência, algumas empresas brasileiras têm vendido ao Líbano, e de lá, as mercadorias seguem para a Síria. Dá para dizer que há brechas e os sírios se valem disso para negociar".

Para ele, apesar da queda nas exportações, o Brasil ainda mantém um padrão de negócios já que a maioria dos produtos vendidos pelos brasileiros é formada de matérias-primas ou commodities, como o açúcar, café, a soja e o milho.

Alaby acrescentou ainda que a demanda por esses produtos continua em alta, mas com a escassez de crédito bancário e com o bloqueio imposto com as sanções pelos Estados Unidos e países europeus, algumas empresas sírias usam bancos chineses, russos ou libaneses para operar financeiramente suas vendas.

Em relação ao Brasil, o presidente da Câmara de Comércio disse que o ambiente para negócios também mudou consideravelmente por conta das sanções. O Brasil vem mudando o tom contra o governo sírio, manifestando o desejo de que o regime ponha um fim à violência e à repressão no país. "Não acredito que a Síria tenha fechado voluntariamente seu mercado ao Brasil em termos de comércio bilateral".

A violência na Síria, segundo cálculos da Organziação das Nações Unidas (ONU), superou  7,3 mil mortos. O governo sírio restringe o acesso de jornalistas estrangeiros ao país, dificultando a confirmação de dados de forma independente.

*Com informações da BBC Brasil//Edição: Graça Adjuto

Fonte: EBC  

 
 

Publicado em: 27/02/2012