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segunda-feira, 5 de março de 2012

Parlamento do Irã será dominado por conservadores ligados ao guia supremo

Parlamento do Irã será dominado por conservadores ligados ao guia supremo

05/03/2012 


Renata Giraldi*

Repórter da Agência Brasil

No Irã, o novo Parlamento eleito no dia 2 será dominado pelos conservadores ligados ao
guia supremo, aiotolá Ali Khamenei. Pelos dados oficiais, dos 290 assentos do Majlis, o Parlamento unicameral iraniano, apenas 19 pertencerão a reformadores. Na legislatura passada, os reformadores chegaram a ocupar 60 lugares. O novo período legislativo começa no dia 26 de maio. O guia supremo é o líder máximo no complexo sistema de poder iraniano.
Os candidatos ao Parlamento no Irã devem ter os nomes submetidos à análise do guia supremo. Só depois são autorizadas as candidaturas. Analistas políticos iranianos não sabem informar a quantidade de candidatos que se definem como independentes que foram eleitos e como se comportarão.
No Irã, as eleições legislativas podem ocorrer em dois turnos. Por isso, dos 290 assentos, um total de  224 estão definidos, mas os demais 66 deverão ser definidos no segundo turno, em abril. Os conservadores no país se dividem em duas grandes concorrentes - a Frente Unida dos Conservadores e a Frente da Persistência.
De acordo com informações da imprensa oficial, candidatos da ala reformista reconhecidos por sua trajetória política não foram eleitos. Nessa relação estão Parvin Ahmadinejad, irmã do presidente do Irã, e Ahmad Nateq-Nouri, irmão do ex-presidente do Parlamento, além de Mostafa Kavakebian, Khabbaz Mohammadreza e Alikhani Qodratollah.
Pelo menos 65% dos cerca de 48,2 milhões de eleitores do Irã foram às urnas no dia 2 para escolher entre os 3.454 candidatos. A oposição iraniana, chamada de reformadores, fez campanha contra as eleições. Para os oposicionistas, as eleições no Irã são alvo de suspeitas, pois observadores internacionais são impedidos de acompanhar as votações.

*Com informações da agência pública de notícias de Portugal, Lusa//Edição: Graça Adjuto

sexta-feira, 2 de março de 2012

Ahmadinejad na berlinda

Autor(es): » CAROLINA VICENTIN
Correio Braziliense - 02/03/2012
 

Com a oposição reformista excluída, eleição parlamentar reflete uma queda de braço entre aliados do presidente e do líder religioso supremo pela hegemonia. Expectativa é de baixo comparecimento

Os iranianos renovam hoje, nas urnas, as 290 cadeiras do Majlis (parlamento), mas a expectativa é de baixa participação dos 48 milhões de eleitores. Com candidatos selecionados pelo grupo de clérigos que controla o país, a escolha se fará apenas entre representantes da facção conservadora do regime islâmico. Um personagem, porém, tem interesse capital no resultado: o presidente Mahmud Ahmadinejad é, ao mesmo tempo, o fator que diferencia os concorrentes e o político que mais tem a ganhar ou a perder.
"Será, na verdade, uma briga entre aliados e opositores de Ahmadinejad", resume o professor Murilo Meihy, especialista em história contemporânea do Irã na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. As principais coligações que participam representam apoiadores do presidente ou setores críticos à sua tentativa de ganhar poder internamente. Nos últimos dois anos, Ahmadinejad — eleito e reeleito graças ao apoio do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei — passou a adotar uma posição mais forte em relação a vários temas. Por diversas vezes, ensaiou contrariar o líder, criando uma tensão política interna que aumenta as preocupações da comunidade internacional.
O principal temor é de que esse quadro dificulte ainda mais as negociações sobre o programa nuclear. "O Majlis tem muito pouco poder em relação à política externa. Mas, se Khamenei centralizar o poder em torno de seu grupo, é possível que o diálogo com o Ocidente siga estancado", afirma Luciano Zaccara, diretor do Observatório Eleitoral de Países Árabes e Islâmicos. "Nos últimos anos, foi justamente Ahmadinejad quem deu mostras de que deseja negociar com os Estados Unidos, algo a que o líder supremo se opõe", lembra o especialista.
Antes de a campanha começar, o Conselho de Guardiões, que supervisiona os processos eleitorais e legislativos, vetou candidatos mais críticos ao regime e ao governo. A medida atingiu principalmente a facção reformista do regime, que defende mudanças em alguns aspectos da Constituição e optou por boicotar o pleito. Dois de seus principais expoentes, Mir Hossein Mousavi e Mehdi Karrubi, ambos derrotados por Ahmadinejad na eleição presidencial de 2009 — sob denúncias de fraude generalizada —, estão sob prisão domiciliar. Outra razão para um alto índice de abstenção é que os iranianos estão mais preocupados com a economia do que com os rumos políticos do país.
Convocação
É possível, no entanto, que o governo acabe pressionando os cidadãos a votarem. "Acho que o líder supremo e muitos conservadores da Guarda Revolucionária instaram a população a ir às urnas", opina a iraniana Haleh Esfandiari, radicada nos EUA e diretora do programa para o Oriente Médio no Woodrow Wilson International Center for Scholars. Na quarta-feira, o ministro do Interior iraniano, Mostafa Najar, afirmou à imprensa que as eleições parlamentares seriam "gloriosas", com alto comparecimento da população. Para Haleh Esfandiari, mesmo que isso não ocorra, o regime islâmico vai mascarar dados para dizer que a eleição foi um sucesso. "Se eles precisarem, vão aumentar os números e divulgar que 60% dos eleitores participaram", disse ela, em entrevista ao Correio. O novo parlamento deve assumir após 21 de março, quando se comemora o ano-novo persa.