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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Irã negocia acordo em Viena


*Da Agência Brasil 

Edição: Graça Adjuto

O Irã tem "vontade política" de chegar a um acordo com as grandes potências sobre o seu programa nuclear, declarou o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Mohammad Javad Zarif, citado hoje pela agência oficial de notícias Irna.

"Nós estimamos que é possível chegar a um acordo e viemos para cá com a vontade política de conseguir", disse Mohammad Javad Zarif após jantar de trabalho nessa segunda-feira (17) com a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton.

As negociações entre o Irã e o Grupo 5+1 (formado pelos Estados Unidos, a Rússia, China, França, o Reino Unido e a Alemanha) estão sendo retomadas hoje em Viena, com o objetivo de alcançar um acordo definitivo que permita encerrar uma década de crise entre Teerã e o Ocidente.

"Se todas as partes participarem das negociações com a vontade política de chegar a uma solução, nós teremos resultados positivos, mas isso leva tempo", acrescentou Ashton.

Ontem, o guia supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, disse que as negociações "não vão levar a lado nenhum".

*Com informações da Agência Lusa


Publicado em: 18/02/2014

Distensão com o Irã continua avançando

Distensão com o Irã continua avançando

O Globo - 11/02/2014
 
O Irã celebra hoje o 35º aniversário da Revolução Islâmica, justo quando melhoram as relações com o Ocidente após o acordo de 24 de novembro em que Teerã concordou em negociar a gradativa submissão de seu programa nuclear à comunidade internacional, via Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), da ONU. Mas a retórica deve continuar agressiva. Por isto, um dos negociadores iranianos, Abbas Araghi, lembrou que o país “tem problemas com os EUA sobre dúzias de temas”. E concluiu: “Nada mudou. Os EUA ainda são o Grande Satã”.
Mas algumas coisas mudaram sim. Ontem, o presidente Hassan Rouhani reiterou, diante de de embaixadores e dignatários estrangeiros, que Teerã está disposta a chegar a um “acordo definitivo e global” com o grupo 5+1 (EUA, Rússia, China, França e Reino Unido, mais Alemanha) sobre a questão nuclear. Esta se resume, grosso modo, ao Irã conseguir provar ao Ocidente que seu programa atômico é para fins pacíficos, não tem propósitos bélicos e, portanto, não representa qualquer ameaça ao mundo e, especificamente, a Israel.
No último fim de semana, houve mais uma reunião entre negociadores iranianos e da AIEA. Foi proveitosa. O Irã comprometeu-se a fornecer informações que a Agência busca há anos, inclusive suas pesquisas sobre detonadores. A expectativa é que, a partir destas, seja possível determinar se o programa tem, ou teve, objetivos bélicos. Ainda há muitos problemas: por exemplo, os iranianos não concordaram em abrir à inspeção a unidade de Parchin, ao Sul de Teerã, onde os EUA suspeitam terem sido testados explosivos nucleares. Mas sinais positivos continuam surgindo: a Guarda Revolucionária — a guardiã da linha-dura —, deu sinal verde aos negociadores iranianos.
Porém, no aniversário da Revolução, é preciso dar satisfações. O chefe do organismo nuclear do Irã, Ali Akbar Salehi, anunciou que os técnicos criaram um novo tipo de centrífuga 15 vezes mais poderosa do que as atualmente em uso nas usinas de enriquecimento de urânio. Segundo ele, a máquina será usada em breve no centro médico de Razi, a Oeste de Teerã. Pelo acordo com o 5+1, o Irã se comprometeu a não aumentar o número de centrífugas em operação. Cerca de 10 mil estão em funcionamento mas, conforme o acordado, não podem produzir urânio enriquecido a mais de 3%.
A mudança de postura do Irã não resulta da eleição de um presidente moderado. É o contrário. O regime dos aiatolás é que trabalhou para elegê-lo, para viabilizar uma negociação com o Ocidente que resulte num afrouxamento das sanções que asfixiam a economia iraniana e provocam o descontentamento da população. O efeito das sanções mostrou o acerto dos EUA e do Ocidente de tratar o impasse pelo lado diplomático. Foi criada, assim, a maior chance para um acordo histórico com o Irã.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

O acordo nuclear com o Irã

O acordo nuclear com o Irã

Autor(es): JOSH GOLDÉMBERG
O Estado de S. Paulo - 16/12/2013
 


Existem poucos temas que recentemente tenham atraído tanta atenção quanto o acordo nuclear dos países da União Europeia, Estados Unidos e Rússia com o Irã, assinado em Genebra após anos de árduas negociações.
A importância desse acordo  é clara:
• Por um lado, ele evita - ou pelo menos adia - uma intervenção militar dós Estados Unidos para impedir que o Irã desenvolva armas nucleares e abre caminho para a normalização das relações entre os dois países, que foi rompida há mais de 30 anos.
• Por outro, dá ao presidente Barack Obama a oportunidade de recuperar o seu prestígio interno, seriamente abalado pela oposição republicana que domina a Câmara dos Deputados, a qual tem bloqueado sistematicamente a ação do Poder Executivo nos Estados Unidos.
Mais do que isso, porém, o acordo com o Irã vai fixar os procedimentos que serão usados daqui para a frente pelas grandes potências a fim de evitar a proliferação nuclear no restante do mundo, além dos países que já possuem armas desse tipo - Estados Unidos, Rússia, França, Inglaterra, China, índia, Paquistão, Coreia do Norte e Israel.
Os resultados imediatos do acordo são os seguintes: o Irã vai "congelar" por seis meses seu programa de enriquecimento de urânio, que o levaria bem próximo da capacidade de produzir armas nucleares, em troca de um abrandamento das sanções econômicas vigentes. Especificamente, será abandonado o "enriquecimento" de urânio ao nível de 20% - considerado "perigoso", porque levaria facilmente a armas nucleares. Será mantido o enriquecimento ao nível de 5%, que produz urânio para uso em reatores nucleares, como as instalações brasileiras em Resende (RJ).
Com isso o Irã - que sempre defendeu seu direito "inalienável" de enriquecer urânio como símbolo de soberania e independência nacional - salvou a sua face, mantendo a súa capacidade de "enriquecer". Em compensação, ficou demonstrado que sanções econômicas funcionam para impedir a proliferação nuclear.
O significado maior do acordo é que o programa nuclear do Irã passa a ser monitorado pelas grandes potências, por intermédio da Agência Internacional de Energia Atômica, o que não ocorreu até agora de maneira efetiva. As inspeções que a Agência Internacional de Energia Atômica fazia eram muito limitadas e os iranianos têm sido acusados de comportamento evasivo, tendo mesmo instalado um grande complexo de enriquecimento, além dos reconhecidos oficialmente.
Em outras palavras, o programa nuclear iraniano passou a ser muito parecido com o do Brasil, que também domina a tecnologia de enriquecimento de urânio, mas não é objeto de suspeitas internacionais nem de sanções econômicas.
A razão pela qual isso ocorreu é que em 1992 o presidente Fernando Collor de Mello e o presidente Carlos Menem, da Argentina, decidiram que não era de interesse comum dos dois países (Brasil e Argentina) alimentar
uma corrida armamentista no  Cone Sul da América Latina, estimulada por grupos militares e que incluía o desenvolvimento | de armas nucleares e foguetes de longo alcance para lançá-las.
A decisão foi tomada não só para economizar vultosos recursos,  mas também em razão do reconhecimento, pelos dois presidentes-democraticamente eleitos após anos de governos ditatoriais -, de que a prioridade de seus governos era resolver os problemas de subdesenvolvimento dos seus países, e não o envolvimento em programas controvertidos como a produção de armas nucleares.
Essas ideias ressurgiram em 2002, mas o então recém-eleito presidente Lula da Silva, como anteriormente o presidente Collor, teve o bom senso de perceber que não seria a posse de armas nucleares que daria prestígio ao País, e sim a solução dos seus problemas sociais por s ! meio de programas menos onerosos, como o Bolsa Família, que Ruth Cardoso havia inicia- do no governo de Fernando  Henrique.
 Por motivos que não são fáceis de entender, o governo iraniano, há mais de 20 anos, decidiu não seguir o mesmo caminho e se envolveu em programas que poderiam levar à posse de armas nucleares. O argumento usado pelo Irã era o de que o programa nuclear tinha a finalidade de produzir energia elétrica, o qual não tem muita credibilidade. Do ponto de vista energético, essa justificativa não fazia muito sentido porquê o Irã tem amplos recursos de petróleo e gás natural, e energia nuclear para geração de eletricidade não era indispensável.
A decisão do Irã baseou-se provavelmente na percepção de que a posse de armas nucleares seria uma forma de assegurar sua soberania nacional, ameaçada pela posição hostil dos Estados Unidos. Há muitas outras
formas de defender a soberania nacional, mas no Irã enriquecimento de urânio tornou-se uma obsessão.
Aparentemente, o governo iraniano acreditava que essa estratégia uniria o país em tomo de um objetivo comum que lhe permitiria enfrentar melhor eventuais ameaças externas. Ideias desse tipo circularam também no Brasil em 1985, na fase final do governo militar. Certos grupos acreditavam que uma explosão nuclear uniria a população em torno do governo militar e garantiria sua sobrevi-da. Foi esse tipo de ideia que levou a Argentina à desastrada Guerra das Malvinas e, obviamente, não teve sucesso.
A aplicação de sanções econômicas internacionais demonstrou que o custo da estratégia adotada pelo Irã era alto demais não só em termos econômicos, mas também porque afetou o fornecimento de peças de reposição de inúmeros equipamentos, em particular para a aviação comercial.
O acordo nuclear firmado agora pelo Irã, se implementado, faz sentido e, ao que tudo indica, o bom senso imperou, como ocorreu com o Brasil e a Argentina no passado.

PROFESSOR EMÉRITO DA USP, FOI SECRETÁRIO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

O acordo com o Irã e a hegemonia dos EUA

O acordo com o Irã e a hegemonia dos EUA

Autor(es): Sérgio Amaral
O Estado de S. Paulo - 09/12/2013
 

As reuniões da madrugada de 25 de novembro em Genebra, entre o chamado P5+1 (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha) e o Irã, para a conclusão de um acordo sobre o programa nuclear iraniano ainda darão muito o que falar. O entendimento alcançado é frágil e ambíguo. Na verdade, limita-se ao congelamento por seis meses de atividades de enriquecimento de urânio, ante um alívio parcial nas sanções impostas ao Irã, num montante de cerca de US$ 4,2 bilhões por mês.
A diferença entre o êxito e o fracasso dependerá, entre outras condições, da capacidade de operacionalizar cláusulas complexas de verificação pela Agência Internacional de Energia Atômica. O objetivo da moratória é criar as condições para a negociação de um acordo mais abrangente, capaz de impedir o acesso do Irã à arma nuclear. Não obstante as dificuldades à frente, que são muitas, o plano aprovado sinaliza um novo caminho. Se tiver êxito, mais do que um simples entendimento tópico com o Irã sobre a extensão do seu programa nuclear, poderá representar úm passo significativo para a reestruturação da governança mundial, sob a égide de uma nova hegemonia norte-americana.
O acordo com o Irã é a reafirmação do multilateralismo e da ONU. É o fortalecimento do regime internacional de não proliferação nuclear, que já parecia fadado ao fracasso. É a fixação de critérios objetivos, quantificáveis e verificáveis para o exercício do direito ao enriquecimento de urânio para fins pacíficos e, ao mesmo tempo, o fechamento da porta - que a índia foi a última a transpor - para o acesso consentido ao restrito clube dos detentores da arma nuclear. Uma vez estabelecidos, os novos parâmetros tenderão a estender-se a todos os países que buscam dominar o ciclo da tecnologia nuclear, o Brasil incluído.
O palco para a negociação foi a ONU. Foram as sanções adotadas pelo Conselho de Segurança que levaram o Irã à mesa da negociação. Mas se a moldura é a da ONU, não é necessariamente a de um Conselho de Segurança reformado, como temos legitimamente defendido, e sim a de um arranjo informal P5+1, concebido para incluir a Alemanha. Areformado Conselho de Segurança pode, assim, já estar em curso, de modo informal, tal como tem ocorrido com a constituição de diretórios ad hoc, em outros elos da nova governança mundial.
Ao unilateralismo de George W. Bush seguiu-se o multilateralismo de Barack Obama. Ade-cisão solitária pelo recurso à força cedeulugar auma paciente ourivesaria política, ao diálogo e à negociação, com aliados e adversários. O novo não está na defesa retórica do multilateralismo, mas no compromisso de respeitá-lo e na demonstração de que pode funcionar. Assim, o desenho de uma nova governança mundial é ao mesmo tempo a reconstrução da hegemonia norte-americana, abalada pela crise econômica e pela desastrada política externa de Bush. Os contornos da nova hegemonia afirmam-se, com mais nitidez, no momento em que parece não haver candidato cóm condições ou com vontade para disputá-la.
A China segue o script da emergência pacífica, na economia antes, na política depois. Essa visão, que se tomou a doutrina oficial da diplomacia chinesa, ajudou a abafar os ruídos provocados pelos deslocamentos que a China continua a introduzir na economia mundial. Favoreceu o reconhecimento da necessidade de um novo tipo de relacionamento entre grandes potências, consagrado pelo encontro Xi Jinping-Obama, de junho passado. Beijing apoia o fortalecimento do regime de não proliferação nuclear, mas de maneira discreta. Joga ao mesmo tempo a carta do Conselho de Segurança e a dos Brics. Mas os seus interesses estratégicos estão mais na mesa da negociação P5+1 do que nas cúpulas dos Brics.
A Rússia teve a sua visibilidade restaurada, ainda que temporariamente, pela contribuição que deu ao compromisso da eliminação das armas químicas na Síria. Mas, tanto quanto a China, não tem interesse no descarrilamento do processo de não proliferação, que preserva o seu papel privilegiado de potência nuclear.
A Europa compartilha a preocupação com o eventual acesso do Irã ao armamento nuclear e não teve hesitação em conceder aos Estados Unidos a liderança no processo, até mesmo simbolicamente, pois foi Obama que anunciou os termos do novo acordo. A Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento, apesar das dificuldades inerentes a um projeto tão ambicioso, explicita a vontade de ambos os lados do Atlântico de partilhar uma mesma visão estratégica e construir uma poderosa aliança econômica neste cenário em profunda transformação.
O deslocamento do eixo estratégico do Oriente Médio para a Asia, do Atlântico para o Pacífico, sinaliza a sintonia da diplomacia norte-americana com as novas realidades econômicas e geopolíticas do mundo global. E o reconhecimento de que alguns conflitos regionais terão uma duração mais longa que o esperado e, exceto no caso do Irã, não afetam, necessariamente, interesses estratégicos dos Estados Unidos. A prioridade para a Ásia já é uma realidade no plano militar e um projeto em construção no plano econômico, pela via de várias parcerias transpacíficas. A nova hegemonia está, por fim, lastreada pela retomada da economia, sob o impulso da revolução do gás de xisto, que não apenas reduz a dependência da energia importada, mas estimula a reindustrialização do país.
É bem verdade que a formação de um condomínio global ampliado, com o ingresso da China e, em certa medida, de outros países emergentes, implica objetivamente uma perda do poder relativo dos Estados Unidos. Mas também é verdade que o desenho multipolar em construção reserva à potência norte-americana a posição de um polo central e hegemônico da nova ordem.

Acordo nuclear deflagra peregrinação ao Irã

Acordo nuclear deflagra peregrinação ao Irã

Autor(es): Renata Malkes
O Globo - 05/12/2013
 
Diplomatas e empresários correm para fechar negócios pós-sanções; Teerã envia chanceler a países do Golfo

As medidas que vão aliviar o isolamento do Irã ainda nem entraram em vigor, mas já provocam um entra-e-sai sem prece-dentes no aeroporto internacional Imam Khomeini, em Teerã. Embalado pela assinatura do acordo nuclear com as potências ocidentais, o govemo iraniano acelerou o trabalho e apostou em outra ofensiva diplomática — dessa vez, para se aproximar dos vizinhos árabes sunitas do Golfo Pérsico. Mas sem esquecer a economia. Enquanto o chanceler Mohammad Javad Za-rif partia para visitas a Qatar, Emirados Árabes, Kuwait e Omã, as chegadas a Teerã também registraram um ritmo frenético. Diplomatas, ministros e empresários de vários países voaram para a capital iraniana para fazer decolar, desde já, parcerias econômicas num futuro pós-sanções.
Uma peregrinação internacional ao Irã é o primeiro resultado concreto do acordo fechado há três semanas em Genebra. Ciente de que a política externa e as mazelas internas de uma economia que registra déficit de US$ 80 bi-Ihões estão atreladas, o presidente Hassan Rouhani tenta jogar nas duas frentes ao mesmo tempo.
— O governo está agindo com muita ousadia. Depois de 35 anos de isolamento, os iranianos não querem perder nenhuma oportunidade, seja para uma re-aproximação com a Arábia Saudita ou a volta de empresas petrolíferas ocidentais. Rouhani às vezes até parece um pouco perdido, sem foco ou prioridade, embora aliviar as sanções seja a base de toda sua política — constatou o pesquisador iraniano Rasool Nafisi, da Universidade Strayer, em Maryland, nos EUA.
BRASIL ESTUDA ENVIAR EMPRESÁRIOS
Tão logo as delegações anunciaram o acordo nuclear, a Rússia se apressou para anunciar seu interesse na retomada dos negócios da gigante petrolífera estatal Lukoil, segunda maior produto-ra de petróleo russa, no Irã. Um dia depois, a mais alta diplomata da índia, Sujatha Singh, se reuniu com o vice-chanceler iraniano, Ebrahim Rahim-pour, para acelerar a construção de um porto no Sul do Irã, em Chabahar — o que abriria caminho para os indianos rumo ao Afeganistão sem passar pelo rival e vizinho Paquistão; e, para o Irã, daria acesso ao mercado da índia.
Até vizinhos estremecidos, como o premier iraquiano, Nuri al-Maliki, foram a Teerã. A Turquia, que viu suas relações com a República Islâmica esfriarem por conta de divergências sobre a guerra civil síria, também percebeu a oportunidade: enviou rapidamente seu ministro das Finanças, Zafer Caglayan, com a promessa de que todos os bancos turcos poderão fazer transações com o Irã assim que as sanções forem relaxadas. Empresas francesas, como Peugeot e Renault, a alemã Volkswagen, a sul-coreana Kia e a japonesa Suzuki também despacharam executivos para uma feira automotiva no último sábado na capital iraniana.
Toda essa presença ocidental incomoda a alguns. Mas, ao menos por ora, o governo moderado de Rouhani não enfrenta oposição aberta em sua política de reaproximação — o que, junto com a necessidade de injetar recursos na economia, justificaria a ampla série de manobras diplomáticas ao mesmo tempo.
— Rouhani encontra resistência nas Guardas Revolucionárias, que temem perder privilégios. Mas por enquanto, ninguém se opôs a ele na prática. Rouhani e os ultraconservadores estão se testando para ver os limites — avaliou Rafisi.
Testes também acontecem fora das fronteiras iranianas. O jornalista Arash Karami, do site "al-Monitor" destaca que o presidente vem se resguardando de eventuais fracassos no exterior.
— Rouhani deu muitas responsabilidades ao chanceler, que conhece bem o Ocidente. Foi muito astuto deixar que Zarif testasse as águas internacionais para ver quem morde e quem não morde na diplomacia — disse Karami ao GLOBO.
Apesar de engatinhar nessa nova realidade, no Irã, as oportunidades parecem infinitas. E, segundo o embaixador brasileiro em Teerã, Santiago Mourão, estão na mira do Brasil. A previsão é que as exportações ao Irã, que chegaram no ano passado de US$ 2,2 bilhões, cresçam. Para o diplomata, a prioridade do govemo Rouhani num primeiro momento foi a melhoria das relações com os EUA e a Europa; agora é a vez dos países do Golfo Pérsico e, num terceiro momento, provavelmente já em 2014, o radar dos iranianos chegará, finalmente, à América Latina.
— É um momento importante, em que o Irã está voltando à comunidade internacional. Temos relações sólidas e percebemos a abertura, a aproximação. Há muita " expectativa do setor empresarial e da própria população. Estamos pensando em trazer ao uma missão empresarial brasileira no próximo ano. Os brasileiros aindajgj não reagiram, estão cautelosos, pois at grande dificuldade é a transferência de xeM cursos — afirmou o embaixador.
O Irã também se prepara para retomar§ seus níveis de exportação de petróleo pré--sanções: 2,5 milhões de barris por dia. E|| em outro flerte com o Ocidente, em Viena, ontem, a diplomacia iraniana aproveitou/ uma reunião da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep) para sinalizar que está de braços abertos para receber sete petrolíferas estrangeiras (Total/ França; Shell/anglo-holandesa; ENI/Itá-lia; Statoil/Noruega; BP/Reino Unido; Ex-.; xon Mobil e ConocoPhillips/EUA). §§
CHANCE DE VISITA À ARÁBIA SAUDITA f
O interesse do mundo no Irã, porém/; não é menor que o interesse do próprio/ Irã no resto do mundo — principalmen-f ; te nos vizinhos árabes, com quem os f persas mantêm histórica rivalidade eco-f nômica, étnica, política e cultural. Nos| últimos dias, numa ofensiva diplomática? calculada, o chanceler Mohammad Ja-f vad Zarif, fez um raríssimo giro pelo Golfo. Visitou Kuwait, Qatar, os Emirados1 Árabes Unidos e Omã. E reforçou rumores de que uma visita a Arábia Saudita, a potência sunita maior rival do Irã xiita, pode acontecer num futuro próximo.
— Nós vemos a Arábia Saudita como um país regional importante e influente. Estamos trabalhando para reforçar a cooperação pelo bem da região. Estou pronto para ir a Arábia Saudita, é apenas uma questão de encontrar um tempo mutuamente conveniente — declarou Zarif
Se confirmada, essa visita enterra de vez a velha ordem de alianças vigente nas últimas três décadas no Oriente Médio.
— É uma grande saída do ciclo dos últimos anos — garantiu Karami.
Só não se sabe ainda para onde.
nobras diplomáticas ao mesmo tempo.
— Rouhani encontra resistência nas Guardas Revolucionárias, que temem perder privilégios. Mas por enquanto, ninguém se opôs a ele na prática. Rouhani e os ultraconservadores estão se testando para ver os limites — avaliou Rafisi.
Testes também acontecem fora das fronteiras iranianas. O jornalista Arash Karami, do site "al-Monitor" destaca que o presidente vem se resguardando de eventuais fracassos no exterior.
— Rouhani deu muitas responsabilidades ao chanceler, que conhece bem o Ocidente. Foi muito astuto deixar que Za-rif testasse as águas internacionais para ver quem morde e quem não morde na diplomacia — disse Karami ao GLOBO.
Apesar de engatinhar nessa nova realidade, no Irã, as oportunidades parecem infinitas. E, segundo o embaixador brasileiro em Teerã, Santiago Mourão, estão na mira do Brasil. A previsão é que as exportações ao Irã, que chegaram no ano passado de US$ 2,2 bilhões, cresçam. Para o diplomata, a prioridade do govemo Rouhani num primeiro momento foi a melhoria das relações com os EUA e a Europa; agora é a vez dos países do Golfo Pérsico e, num terceiro momento, provavelmente já em 2014, o radar dos iranianos chegará, finalmente, à América Latina.
— É um momento importante, em que o Irã está voltando à comunidade interna-; cional. Temos relações sólidas e percebemos a abertura, a aproximação. Há muita " expectativa do setor empresarial e da própria população. Estamos pensando em trazer ao uma missão empresarial brasileira no próximo ano. Os brasileiros ainda não reagiram, estão cautelosos, pois at grande dificuldade é a transferência de recursos — afirmou o embaixador.
O Irã também se prepara para retomar seus níveis de exportação de petróleo pré-sanções: 2,5 milhões de barris por dia. E em outro flerte com o Ocidente, em Viena, ontem, a diplomacia iraniana aproveitou uma reunião da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep) para sinalizar que está de braços abertos para receber sete petrolíferas estrangeiras (Total/ França; Shell/anglo-holandesa; ENI/Itália; Statoil/Noruega; BP/Reino Unido; Exxon Mobil e ConocoPhillips/EUA).
CHANCE DE VISITA À ARÁBIA SAUDITA
O interesse do mundo no Irã, porém; não é menor que o interesse do próprio Irã no resto do mundo — principalmente nos vizinhos árabes, com quem os persas mantêm histórica rivalidade econômica, étnica, política e cultural. Nos últimos dias, numa ofensiva diplomática calculada, o chanceler Mohammad Javad Zarif, fez um raríssimo giro pelo Golfo. Visitou Kuwait, Qatar, os Emirados Árabes Unidos e Omã. E reforçou rumores de que uma visita a Arábia Saudita, a potência sunita maior rival do Irã xiita, pode acontecer num futuro próximo.
— Nós vemos a Arábia Saudita como um país regional importante e influente. Estamos trabalhando para reforçar a cooperação pelo bem da região. Estou pronto para ir a Arábia Saudita, é apenas uma questão de encontrar um tempo mutuamente conveniente — declarou Zarif
Se confirmada, essa visita enterra de vez a velha ordem de alianças vigente nas últimas três décadas no Oriente Médio.
— É uma grande saída do ciclo dos últimos anos — garantiu Karami.
Só não se sabe ainda para onde.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

PACTO COM IRÃ DÁ A OBAMA MAIOR TRIUNFO DIPLOMÁTICO

PACTO COM IRÃ DÁ A OBAMA MAIOR TRIUNFO DIPLOMÁTICO

IRÃ ACEITA LIMITAR PROGRAMA NUCLEAR E OBAMA CELEBRA VITÓRIA DIPLOMÁTICA
Autor(es): Cláudia Trevisan
O Estado de S. Paulo - 25/11/2013
 

Aliados dos EUA na região criticam pacto assinado em Genebra; acordo prevê congelamento do processamento de urânio a mais de 5%
WASHINGTON - O presidente americano, Barack Obama, conseguiu neste domingo, 24, sua mais expressiva vitória diplomática no cargo ao alcançar um acordo para frear o avanço do programa nuclear iraniano. O pacto foi assinado em Genebra pelo secretário de Estado americano, John Kerry, e pelos representantes de Irã, China, Rússia, Grã-Bretanha, Alemanha e França.
O Irã aceitou limitar durante seis meses o seu programa nuclear em troca da suspensão parcial de sanções que estrangularam sua economia. Nesse prazo, os negociadores tentarão chegar a pacto definitivo, que garanta o caráter pacífico de suas atividades de enriquecimento de urânio e permita o fim de todas as sanções aplicadas à república islâmica.
Teerã se comprometeu a não enriquecer urânio a mais de 5% e a neutralizar todo seu estoque de urânio enriquecido a quase 20%, patamar acima do qual o combustível pode ser usado na produção de armas. O país também aceitou se submeter à supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Principal elemento que levou a França a resistiu a um acordo no início do mês, o reator de Arak terá suas atividades suspensas - o local poderia produzir plutônio.
Em troca, os EUA aceitaram suspender sanções no valor de US$ 6 bilhões a US$ 7 bilhões ao longo dos próximos seis meses.
O governo americano apresentou o acordo fechado em Genebra como o mais importante avanço em torno do programa iraniano desde 2003, quando houve a primeira tentativa de limitar sua expansão. As conversas foram concluídas pouco depois das 3h do domingo em Genebra (meia-noite, no horário de Brasília).
Em Washington, Obama fez um pronunciamento no qual atribuiu o sucesso das negociações ao impacto das sanções econômicas e à “abertura para diplomacia” trazida pela eleição de Hassan Rohani como novo presidente do Irã, em junho.
A obtenção de um saída pacífica para a questão nuclear iraniana é uma prioridade de Obama desde que ele chegou ao poder, em 2009.
O acordo representa uma rara vitória de sua política externa, abalada pelas revelações de espionagem da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês), a errática atuação em relação à Síria - e a insegurança que ela gerou entre aliados americanos no Oriente Médio - e divergências com o Afeganistão em torno de um pacto militar para permanência de tropas americanas no país depois de 2014.
“A diplomacia abriu um novo caminho na direção de um mundo que é mais seguro - um futuro no qual nós podemos verificar que o programa nuclear iraniano é pacífico e não pode construir uma arma nuclear”, declarou Obama.
A determinação dos EUA de negociar com o Irã afetou o relacionamento do país com seu principal aliado na região, Israel, que se uniu a nações árabes na condenação do acordo. Para eles, o pacto dará fôlego à república islâmica para continuar a avançar na construção da bomba atômica - Teerã nega que esse seja o objetivo e sustenta que o programa tem fins pacíficos.
Na tarde de domingo, Obama telefonou para Netanyahu e reafirmou o comprometimento americano com Israel. O presidente reconheceu também em seu discurso a existência de “boas razões” para o ceticismo do país em relação ao Irã. “Como presidente e comandante em chefe, farei o que for necessário para impedir o Irã de obter armas nucleares”, afirmou. “Mas tenho uma profunda responsabilidade de tentar resolver nossas diferenças pacificamente, em vez de me precipitar na direção de um conflito”, justificou.
O pacto é apenas o primeiro passo na direção do desfecho desejado pelos EUA: congelar as atividades das usinas do país e dar tempo aos negociadores para buscarem uma solução de longo prazo.
O documento afirma que o eventual novo pacto deverá entrar em vigor no prazo máximo de um ano. O acordo poderá ser prorrogado depois de seis meses se houver concordância dos sete países envolvidos em sua negociação.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Turquia e Irã decidem promover cessar-fogo na Síria

Turquia e Irã decidem promover cessar-fogo na Síria

De Uol
  • Muhammad Ibrahim/Divulgação/Reuters
    Cenário de destruição em Baidah, na Síria Cenário de destruição em Baidah, na Síria
A Turquia e o Irã decidiram promover um cessar-fogo na Síria a partir de 25 de outubro, segundo anunciou nesta terça-feira em Ancara o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan.

Erdogan fez o anúncio em entrevista coletiva em Ancara, em seu retorno do Azerbaijão, onde discutiu com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, a possibilidade de iniciar um cessar-fogo de vários dias durante a Festa muçulmana do Cordeiro.

"Enfatizamos que seria melhor se os países com um interesse primordial na crise, como Egito, Arábia Saudita e Rússia, fizesem também apelos para o cessar-fogo", disse Erdogan em seu discurso, retransmitido ao vivo pela emissora "NTV".
Os dois dirigentes se reuniram por 40 minutos em uma reunião fechada da cúpula da Organização de Cooperação Econômica, e sua principal pauta foi o conflito sírio, reconheceu Erdogan.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Governo do Irã sob pressão

Governo do Irã sob pressão

Renata Giraldi* - Repórter da Agência Brasil

A União Europeia (UE), formada por 27 países, deve aprovar amanhã (15) mais uma série de sanções ao Irã como forma de pressionar o governo do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, a abandonar o programa nuclerar desenvolvido no país. Também deve ser aprovado um pacote de restrições à Síria. Os assuntos estão na pauta da reunião dos ministros de Relações Exteriores da região, em Luxemburgo.

As autoridades iranianas negam irregularidades no programa nuclear e também rebatem a possibilidade de abandonar os projetos do setor. Além do Irã, a agenda da reunião também deve analisar o agravamento da crise na Síria. A expectativa é que também seja aprovado um pacote de sanções à Síria como forma de cobrar do presidente sírio, Bashar Al Assad, a buscar uma solução pacífica para a crise que dura 19 meses.

Para parte das autoridades europeias, não há progressos nas discussões sobre o programa nuclear iraniano. O novo pacote de sanções deve ser centrado nas transações financeiras e os setores do gás, transportes e comércio. No Irã, há limitações internas devido às restrições econômicas, comerciais , financeiras e militares impostas ao país.

A União Europeia quer pressionar o Irã a retomar as negociações com grupo denominado 5+1 - os cinco integrantes permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas (Estados Unidos, Rússia, China, França, Reino Unido) e mais a Alemanha.

*Com informações da agência pública de notícias de Portugal, Lusa

Edição: Fernando Fraga

Fonte: EBC 
 
 

Publicado em: 15/10/2012

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Irã restringe acesso a Gmail e Google

Irã restringe acesso a Gmail e Google

Renata Giraldi* - Repórter da Agência Brasil

As autoridades do Irã determinaram a partir de hoje (24) o acesso restrito ao Gmail, serviço de e-mail do Google. A medida é um dos primeiros atos para a definição de um serviço local próprio de rede de computadores separado do restante da internet mundial. Atualmente, o acesso a internet no Irã é limitado, pois há sites que são bloqueados, impedindo o internauta de usá-lo.

O acesso ao buscador do Google também sofreu restrições. O acesso à página exige o uso de um protocolo de segurança e está bloqueado.

"Em decorrência das repetidas demandas da população, o Google e o Gmail serão filtrados em todo o país. Eles permanecerão filtrados até segunda ordem", disse o secretário do grupo estabelecido pelo governo para detectar conteúdo ilegal na internet, Abdolsamead Khoramabadi.

Às vésperas das eleições parlamentares em março deste ano, o Google e o Gmail foram bloqueados em todo território iraniano. O YouTube, serviço de vídeos do Google, também é censurado no Irã desde 2009, após os protestos populares contra supostas fraudes na eleição presidencial.

*Com informações da BBC Brasil

Edição: Carolina Pimentel

Fonte: EBC
 
 

Publicado em: 25/09/2012

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Israel critica os EUA e pede a imposição de limites ao Irã

Israel critica os EUA e pede a imposição de limites ao Irã

 Publicado em Carta Capital

Netanyahu durante a entrevista em que criticou a postura dos Estados Unidos a respeito do Irã. Foto: Gali Tibbon / AFP

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, decidiu deixar claro nesta terça-feira 11 suas desavenças com o governo dos Estados Unidos a respeito de como lidar com o programa nuclear do Irã. Em uma entrevista coletiva em Jerusalém, Netanyahu respondeu aos comentários recentes de autoridades norte-americanas e disse que, se a comunidade internacional não estabelecer limites para o Irã, não pode exigir que Israel não ataque as instalações nucleares iranianas.
“O mundo diz a Israel que ainda há tempo. Eu respondo: tempo para quê, tempo até quando?”, questionou Netanyahu durante uma entrevista coletiva com o primeiro-ministro da Bulgária, Boiko Borissov. “Aqueles da comunidade internacional que se recusam a fixar limites ao Irã não tem o direito moral de impô-los a Israel”, advertiu Netanyahu. “O fato é que a cada dia que passa, o Irã está cada vez mais perto da bomba nuclear. Se o Irã sabe que não há limites ou prazo máximo, o que fará? Exatamente o que está fazendo: continuar sem qualquer interferência para obter capacidades nucleares e, a partir daí, bombas atômicas”, completou Netanyahu.
As frases do premiê israelense foram direcionadas aos Estados Unidos. Em entrevista veiculada no domingo 9 pela rádio Bloomberg, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou que a Casa Branca não “está estabelecendo datas-limite” para o Irã. A porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland, reafirmou na segunda-feira 10 que o presidente Barack Obama tem um compromisso de impedir que o Irã obtenha armas nucleares, e afirmou que o estabelecimento de datas-limites ou limites de desenvolvimento nuclear ao Irã seria inútil.
A indignação de Netanyahu coincide com uma reportagem da agência de notícias Associated Press que coloca mais pressão sobre o Irã. De acordo com a AP, cinco diplomatas confirmaram, de forma anônima, que a Agência Internacional de Energia Nuclear (AIEA) tem novas evidências de que o programa nuclear iraniano tem objetivos bélicos. As evidências, obtidas por Israel, Estados Unidos e outros dois países ocidentais, provariam que em algum momento nos últimos três anos o Irã teria usado modelos matemáticos para calcular o poder de destruição de ogivas nucleares.

Ao escancarar as divergências com os EUA, Netanyahu pode ter uma de duas intenções. O premiê israelense poderia estar tentando forçar a Casa Branca a estabelecer limites ao Irã, passando assim o fardo da pressão sobre Teerã aos EUA. A Casa Branca resiste a tal estratégia por dois motivos. Primeiramente, porque há enorme dificuldade para verificar se o Irã cruzará ou não os limites impostos. Em segundo lugar, o estabelecimento de “linhas vermelhas” serviria como ultimato, em último caso obrigando os EUA a atacar para mostrar que não estão blefando. A dois meses das eleições, as chances de Barack Obama ampliar a pressão contra o Irã é praticamente nula.
A segunda possível estratégia de Netanyahu seria justificar um ataque. Não se sabe se o primeiro-ministro israelense tem mesmo a intenção de atacar e, caso tenha, se conseguirá estabelecer um consenso dentro de Israel. Em agosto, o presidente de Israel, Shimon Peres, pode ter conseguido bloquear o ímpeto de Netanyahu. Caso a intenção de atacar o Irã em breve seja verdadeira, Netanyahu deve estar ciente da possibilidade de perder seu maior aliado, os EUA. Não há dúvidas de que a retaliação iraniana teria interesses americanos como alvo. Criar a possibilidade de isso ocorrer no período eleitoral seria visto como imperdoável pelos políticos americanos, tanto democratas quanto republicanos.
Com informações da AFP. Leia mais em AFP Movil

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Ahmadinejad reitera que programa nuclear tem fins pacíficos durante passagem pelo Rio

Ahmadinejad reitera que programa nuclear tem fins pacíficos durante passagem pelo Rio

21/06/2012
Renata Giraldi
Enviada Especial
Imagem: Agência Brasil

Em entrevista à imprensa iraniana, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que participa da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, Rio+20, reiterou sua confiança em um acordo com a comunidade internacional para encerrar o impasse em torno do programa nuclear. Para parte da comunidade internacional, o programa esconde a produção de armas, o que provoca sanções e restrições ao Irã.
Ahmadinejad reiterou, mais uma vez, que o programa nuclear iraniano tem fins pacíficos e segue os regulamentos internacionais. Porém, a Agência Internacional de Energia Nuclear (Aiea), no ano passado, cobrou do governo do Irã autorização para a inspeção das usinas. As negociações prosseguem, pois os inspetores internacionais informam que há limitações ao trabalho deles.
"Todas as atividades nucleares do Irã de energia têm sido até agora com base em regulamentos [internacionais] e sob a vigilância da Agência Internacional de Energia Atômica [Aiea]. A República Islâmica do Irã se mantém comprometida”, disse o presidente do Irã.
As autoridades iranianas negociam o fim do impasse com o grupo denominado P5+1 (Grã-Bretanha, China, França, Rússia e Estados Unidos e Alemanha). As reuniões ocorreram na Suíça, no Iraque e na Rússia, no total de três rodadas de negociações desde dezembro de 2010 até o começo deste mês.
Ahmadinejad deve conceder ainda hoje (21) uma entrevista coletiva para a imprensa brasileira e estrangeira, no Rio de Janeiro. Ontem (20) ele discursou na sessão plenária da Rio+20 e evitou temas polêmicos. Dirigiu-se aos demais líderes sempre como “meus amigos” e usou expressões como “amor” e “compaixão”. “Nós estamos juntos aqui para melhorar a situação atual, curando velhas feridas da sociedade humana”, disse.
“Todas as nações e todos os governos eleitos democraticamente devem participar, construtivamente, com compromissos, no gerenciamento do mundo baseado em compaixão”, completou.
Ahmadinejad concluiu o discurso alertando que uma nova ordem internacional se aproxima. “Após o colapso da antiga ordem, a repetição de erros é imperdoável. Uma nova ordem deve ser estabelecida por líderes de boa-fé e este dia está chegando.”

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Irã retoma negociações com agência das Nações Unidas sobre programa nuclear

Irã retoma negociações com agência das Nações Unidas sobre programa nuclear

14/05/2012 
 
Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil

  As autoridades do Irã e da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) retomaram hoje (14), em Viena, na Áustria, as negociações sobre o programa nuclear iraniano. Essas são reuniões preliminares que antecedem a principal, marcada para o dia 23, em Bagdá, capital do Iraque. Nos últimos anos, o programa nuclear do Irã é alvo de suspeitas de líderes internacionais, que levantam dúvidas sobre os fins não pacíficos das experiências desenvolvidas no país.
“Estamos aqui para prosseguir com nosso diálogo em um espírito positivo”, disse o chefe da missão de inspetores da Aeia, o belga Herman Nackaerts. As negociações entre a agência e as autoridades iranianas foram interrompidas há cerca de três meses, depois do fracasso de duas visitas a Teerã de inspetores da agência das Nações Unidas.
“O objetivo nesses dois dias [de reuniões] é encontrar um acordo para uma aproximação visando a resolver todas as questões em suspenso com o Irã”, acrescentou Nackaerts. “É importante que abordemos as questões e que o Irã nos deixe ter acesso a pessoas, documentos e informações e locais que possam ajudar a compreender o projeto [nuclear do país].”
No próximo dia 23, as negociações envolverão o grupo 5+1 (Estados Unidos, China, Rússia, França, Reino Unido e Alemanha), integrantes do Iraque e da Turquia, além do Irã. Os iranianos estão sob seis resoluções da Organização das Nações Unidas (ONU) devido ao programa nuclear.

*Com informações da agência pública de notícias de Portugal, Lusa.
Edição: Talita Cavalcante

terça-feira, 10 de abril de 2012

Irã avisa que não vai desistir do programa nuclear

Irã avisa que não vai desistir do programa nuclear

Da Agência Lusa

O Irã vai prosseguir com o programa nuclear “mesmo que o mundo inteiro se oponha à República Islâmica”, disse hoje (8) o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, nas comemorações do Dia Nacional da Tecnologia Nuclear, segundo informou a agência oficial de notícias iraniana Irna.

Ahmadinejad disse que “o país resistiu às pressões inimigas sobre o seu programa nuclear para defender a sua dignidade”, considerando que essa “resistência é muito mais valiosa do que o acesso à tecnologia nuclear”.

O presidente do Irã fez ainda alusão aos cientistas nucleares iranianos assassinados, por cujas mortes responsabiliza Israel e Estados Unidos, advertindo que esses crimes “não poderão bloquear o progresso tecnológico e científico do Irã”.

Ahmadinejad assegurou que o “progresso da tecnologia nuclear pacífica pressupõe também progressos em outros campos”, como uma “locomotiva” que impulsionará dezenas de indústrias subsidiárias.

As declarações do presidente do Irã ocorrem a poucos dias da próxima reunião entre os representantes do país e do Grupo 5+1, composto pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Alemanha, para tratar da questão nuclear iraniana, que deverá acontecer em Istambul.

As duas reuniões anteriores do Irã com o 5+1, em dezembro de 2010 em Genebra e em janeiro de 2011 em Istambul, resultaram em fracasso.

Tanto as Nações Unidas como os Estados Unidos mantêm sanções ao Irã devido ao programa nuclear, sob a alegação de que se destina à fabricação de bombas atômicas, o que Teerã nega, assegurando que é apenas para uso civil e pacífico.

Israel, Estados Unidos e, em certa medida, o Reino Unido ameaçaram atacar o Irã para impedir o desenvolvimento nuclear, o que Teerã contestou assegurando que responderia de forma esmagadora em caso de agressão.

Alguns países, como a Rússia e a China, opõem-se às novas sanções ao Irã e alertam para consequências imprevisíveis e catastróficas para o mundo em caso de um ataque ao território iraniano.

O que fará Khamenei?

O que fará Khamenei?

Autor(es): Karim Sadjadpour
O Estado de S. Paulo - 10/04/2012
 

Nenhum acordo nuclear pode ser fechado sem o líder supremo, mas é quase impossível alcançar um com ele
O aiatolá Ali Khamenei nunca foi afeito ao jogo. Depois de se tornar líder supremo do Irã, em 1989, ele buscou preservar o status quo evitando decisões transformadoras. Mas conforme pressões políticas e econômicas sem precedentes o deixam cada vez mais cercado, Khamenei parece ter diante de si dois rumos para a salvação: uma concessão nuclear ou uma arma nuclear. Cada uma das opções pode trazer perigos para ele; ambas seriam transformadoras para o Irã.
Todos conhecem a aversão de Khamenei às concessões. Faz tempo que ele diz que o verdadeiro objetivo de Washington para Teerã não é uma mudança de comportamento, e sim uma mudança de regime. Assim como a perestroika acelerou a queda da União Soviética, Khamenei acredita que fazer concessões nos ideais revolucionários pode levar à desestabilização dos alicerces da República Islâmica.
Em comparação, os testes nucleares realizados pelo Paquistão, em 1998, ajudaram a transformar a pressão estrangeira e as sanções contra o país em disposição de negociar e incentivos oferecidos pelo exterior.
Mas, por mais que Khamenei seja avesso às concessões, o rumo que leva à bomba seria perigoso. É muito provável que sinais claros do desenvolvimento de armas - a expulsão dos inspetores internacionais ou o enriquecimento de urânio ao nível necessário para a fabricação de armas - desencadeiem uma ação militar por parte dos EUA ou de Israel.
A não ser que Khamenei queira provocar um ataque militar ao Irã para atender a finalidades domésticas - uma possibilidade improvável, mas plausível -, o líder supremo vai seguir favorecendo uma abordagem para ganhar tempo. Neste ritmo, o Irã ainda está a pelo menos dois anos da obtenção de uma bomba.
Mas o tempo pode não ser mais o aliado de Khamenei. Ele deve calcular se o seu regime será capaz de suportar uma pressão econômica aguda e crescente durante o período necessário à obtenção da bomba. Ele deve calcular se seu regime será capaz de suportar uma pressão econômica aguda e crescente durante o período necessário para a obtenção da bomba. E o avanço no rumo da arma nuclear não seguiria uma linha reta.
As poucas vezes nas quais o Irã cedeu de maneira significativa - como no fim da guerra contra o Iraque em 1988 ou a suspensão do enriquecimento de urânio em 2003 - ocorreram quando o regime temeu pela própria existência. Por mais que o país se veja hoje sob intensa pressão, dois fatores são diferentes. Primeiro, quando o Irã sentiu a necessidade de fazer concessões no passado, o barril de petróleo custava menos de US$ 25. Hoje, este preço é cerca de quatro vezes superior, aliviando o impacto das sanções.
Segundo, as situações em que o Irã cedeu foram lideradas pelo astuto ex-presidente Akbar Hashemi Rafsanjani.
E aí que jaz o enigma político que Washington precisa decifrar: nenhum acordo nuclear com Teerã pode ser fechado sem Khamenei, mas é quase impossível que um acordo do tipo possa ser feito com ele.

domingo, 8 de abril de 2012

Irã avisa que não vai desistir do programa nuclear

Irã avisa que não vai desistir do programa nuclear

08/04/2012 

Da Agência Lusa

 O Irã vai prosseguir com o programa nuclear “mesmo que o mundo inteiro se oponha à República Islâmica”, disse hoje (8) o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, nas comemorações do Dia Nacional da Tecnologia Nuclear, segundo informou a agência oficial de notícias iraniana Irna.
Ahmadinejad disse que “o país resistiu às pressões inimigas sobre o seu programa nuclear para defender a sua dignidade”, considerando que essa “resistência é muito mais valiosa do que o acesso à tecnologia nuclear”.
O presidente do Irã fez ainda alusão aos cientistas nucleares iranianos assassinados, por cujas mortes responsabiliza Israel e Estados Unidos, advertindo que esses crimes “não poderão bloquear o progresso tecnológico e científico do Irã”.
Ahmadinejad assegurou que o “progresso da tecnologia nuclear pacífica pressupõe também progressos em outros campos”, como uma “locomotiva” que impulsionará dezenas de indústrias subsidiárias.
As declarações do presidente do Irã ocorrem a poucos dias da próxima reunião entre os representantes do país e do Grupo 5+1, composto pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Alemanha, para tratar da questão nuclear iraniana, que deverá acontecer em Istambul.
As duas reuniões anteriores do Irã com o 5+1, em dezembro de 2010 em Genebra e em janeiro de 2011 em Istambul, resultaram em fracasso.
Tanto as Nações Unidas como os Estados Unidos mantêm sanções ao Irã devido ao programa nuclear, sob a alegação de que se destina à fabricação de bombas atômicas, o que Teerã nega, assegurando que é apenas para uso civil e pacífico.
Israel, Estados Unidos e, em certa medida, o Reino Unido ameaçaram atacar o Irã para impedir o desenvolvimento nuclear, o que Teerã contestou assegurando que responderia de forma esmagadora em caso de agressão.
Alguns países, como a Rússia e a China, opõem-se às novas sanções ao Irã e alertam para consequências imprevisíveis e catastróficas para o mundo em caso de um ataque ao território iraniano.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Parlamento do Irã será dominado por conservadores ligados ao guia supremo

Parlamento do Irã será dominado por conservadores ligados ao guia supremo

05/03/2012 


Renata Giraldi*

Repórter da Agência Brasil

No Irã, o novo Parlamento eleito no dia 2 será dominado pelos conservadores ligados ao
guia supremo, aiotolá Ali Khamenei. Pelos dados oficiais, dos 290 assentos do Majlis, o Parlamento unicameral iraniano, apenas 19 pertencerão a reformadores. Na legislatura passada, os reformadores chegaram a ocupar 60 lugares. O novo período legislativo começa no dia 26 de maio. O guia supremo é o líder máximo no complexo sistema de poder iraniano.
Os candidatos ao Parlamento no Irã devem ter os nomes submetidos à análise do guia supremo. Só depois são autorizadas as candidaturas. Analistas políticos iranianos não sabem informar a quantidade de candidatos que se definem como independentes que foram eleitos e como se comportarão.
No Irã, as eleições legislativas podem ocorrer em dois turnos. Por isso, dos 290 assentos, um total de  224 estão definidos, mas os demais 66 deverão ser definidos no segundo turno, em abril. Os conservadores no país se dividem em duas grandes concorrentes - a Frente Unida dos Conservadores e a Frente da Persistência.
De acordo com informações da imprensa oficial, candidatos da ala reformista reconhecidos por sua trajetória política não foram eleitos. Nessa relação estão Parvin Ahmadinejad, irmã do presidente do Irã, e Ahmad Nateq-Nouri, irmão do ex-presidente do Parlamento, além de Mostafa Kavakebian, Khabbaz Mohammadreza e Alikhani Qodratollah.
Pelo menos 65% dos cerca de 48,2 milhões de eleitores do Irã foram às urnas no dia 2 para escolher entre os 3.454 candidatos. A oposição iraniana, chamada de reformadores, fez campanha contra as eleições. Para os oposicionistas, as eleições no Irã são alvo de suspeitas, pois observadores internacionais são impedidos de acompanhar as votações.

*Com informações da agência pública de notícias de Portugal, Lusa//Edição: Graça Adjuto

Agência de Energia Atômica pede apoio da comunidade internacional para pressionar Irã

Agência de Energia Atômica pede apoio da comunidade internacional para pressionar Irã

05/03/2012 


Renata Giraldi*
 
Repórter da Agência Brasil

O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), Yukiya Amano, apelou hoje (5) para que os representantes dos países que integram a instituição participem da elaboração dos relatórios sobre o programa nuclear iraniano. O programa é alvo de suspeitas internacionais sobre a produção de armas atômicas, embora as autoridades iranianas neguem as acusações. Até sexta-feira (9), o assunto é tema de reuniões em Viena, na Áustria.
“[A Aiea] continua a ter sérias preocupações sobre uma possível dimensão militar do programa nuclear iraniano”, disse Amano. No mês passado, peritos internacionais estiveram pela segunda vez no Irã para conversar sobre o programa nuclear do país. Eles não receberam, no entanto, autorização para vistoriar as usinas nucleares.
O Conselho dos Governadores – que é o comando da Aiea - aprovou uma resolução, que tem peso de sugestão, condenando o Irã e pedindo a colaboração plena e imediata para esclarecer as dúvidas. As autoridades iranianas informaram que foi reforçada a produção de urânio enriquecido. Com o enriquecimento a 20%, os iranianos se aproximam da tecnologia para a produção de armas atômicas.
De acordo com especialistas, a produção de armas atômicas exige o enriquecimento de urânio a 90%. Porém, as autoridades iranianas informaram que o enriquecimento de urânio tem o objetivo exclusivo de alimentar os reatores das usinas cujos projetos têm fins pacíficos.

*Com informações da agência pública de notícias de Portugal, Lusa//Edição: Graça Adjuto

sexta-feira, 2 de março de 2012

Ahmadinejad na berlinda

Autor(es): » CAROLINA VICENTIN
Correio Braziliense - 02/03/2012
 

Com a oposição reformista excluída, eleição parlamentar reflete uma queda de braço entre aliados do presidente e do líder religioso supremo pela hegemonia. Expectativa é de baixo comparecimento

Os iranianos renovam hoje, nas urnas, as 290 cadeiras do Majlis (parlamento), mas a expectativa é de baixa participação dos 48 milhões de eleitores. Com candidatos selecionados pelo grupo de clérigos que controla o país, a escolha se fará apenas entre representantes da facção conservadora do regime islâmico. Um personagem, porém, tem interesse capital no resultado: o presidente Mahmud Ahmadinejad é, ao mesmo tempo, o fator que diferencia os concorrentes e o político que mais tem a ganhar ou a perder.
"Será, na verdade, uma briga entre aliados e opositores de Ahmadinejad", resume o professor Murilo Meihy, especialista em história contemporânea do Irã na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. As principais coligações que participam representam apoiadores do presidente ou setores críticos à sua tentativa de ganhar poder internamente. Nos últimos dois anos, Ahmadinejad — eleito e reeleito graças ao apoio do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei — passou a adotar uma posição mais forte em relação a vários temas. Por diversas vezes, ensaiou contrariar o líder, criando uma tensão política interna que aumenta as preocupações da comunidade internacional.
O principal temor é de que esse quadro dificulte ainda mais as negociações sobre o programa nuclear. "O Majlis tem muito pouco poder em relação à política externa. Mas, se Khamenei centralizar o poder em torno de seu grupo, é possível que o diálogo com o Ocidente siga estancado", afirma Luciano Zaccara, diretor do Observatório Eleitoral de Países Árabes e Islâmicos. "Nos últimos anos, foi justamente Ahmadinejad quem deu mostras de que deseja negociar com os Estados Unidos, algo a que o líder supremo se opõe", lembra o especialista.
Antes de a campanha começar, o Conselho de Guardiões, que supervisiona os processos eleitorais e legislativos, vetou candidatos mais críticos ao regime e ao governo. A medida atingiu principalmente a facção reformista do regime, que defende mudanças em alguns aspectos da Constituição e optou por boicotar o pleito. Dois de seus principais expoentes, Mir Hossein Mousavi e Mehdi Karrubi, ambos derrotados por Ahmadinejad na eleição presidencial de 2009 — sob denúncias de fraude generalizada —, estão sob prisão domiciliar. Outra razão para um alto índice de abstenção é que os iranianos estão mais preocupados com a economia do que com os rumos políticos do país.
Convocação
É possível, no entanto, que o governo acabe pressionando os cidadãos a votarem. "Acho que o líder supremo e muitos conservadores da Guarda Revolucionária instaram a população a ir às urnas", opina a iraniana Haleh Esfandiari, radicada nos EUA e diretora do programa para o Oriente Médio no Woodrow Wilson International Center for Scholars. Na quarta-feira, o ministro do Interior iraniano, Mostafa Najar, afirmou à imprensa que as eleições parlamentares seriam "gloriosas", com alto comparecimento da população. Para Haleh Esfandiari, mesmo que isso não ocorra, o regime islâmico vai mascarar dados para dizer que a eleição foi um sucesso. "Se eles precisarem, vão aumentar os números e divulgar que 60% dos eleitores participaram", disse ela, em entrevista ao Correio. O novo parlamento deve assumir após 21 de março, quando se comemora o ano-novo persa.