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quinta-feira, 20 de junho de 2013

Resistência passiva desafia o governo da Turquia

Resistência passiva desafia o governo da Turquia

Manifestantes adotam nova forma de protesto: ficar em pé, imóveis, diante do retrato de Ataturk, fundador da República Turca. Por Gianni Carta, de Istambul
por Gianni Carta — publicado 19/06/2013 19:39, última modificação 20/06/2013 14:29

Gianni Carta
praça taksim1
Contra Recep Erdogan, manifestantes fazem protesto silencioso e em pé na Praça Taksim, no centro de Istambul, na Turquia
De Istambul

Praça Taksim, centro de Istambul, quarta-feira 19, 16h. É difícil fazer com que os chamados “homens de pé”, ou “pessoas de pé”, se exprimam.
Eles e elas aderiram, após três semanas de confrontos entre as forças policiais e manifestantes, a uma nova forma de manifestar: ficam de pé, imóveis, não se comunicam. Os olhares fixam o Centro Cultural Ataturk, onde jaz um conspícuo retrato do fundador da República Turca, em 1923: a de Mustafa Kemal Ataturk.
Trata-se de uma forma de resistência passiva, iniciada anteontem pelo coreógrafo Erdem Gunduz.
Através das redes sociais, a nova onda se esparramou país afora.
Um senhor de cabelos brancos, na Praça Taskim, me diz: “Não quero falar. Faço isso em honra do ‘homem de pé’”.
Outro, este com um violão, olhar fixo na imagem de Ataturk, aceita, com um aceno da cabeça, ser fotografado. Mas não quer falar.
E uma moça a ler de pé explica: “Estou lendo”.
O motivo pelo qual esses cidadãos protestam são claros.
O premier Recep Erdogan, há dez anos no poder, e líder do Partido de Justiça e Desenvolvimento (AKP), sigla de centro-direita com raízes islâmicas, “tornou-se um déspota nos últimos anos”, me disseram na noite de terça-feira um grupo de manifestantes.
Todos concordaram que nunca houve uma democracia plena na Turquia desde sua fundação, em 1923. Houve, afinal, quatro golpes militares desde os anos 1920.
“Mas houve liberdade”, diz um dos presentes.
Erdogan, apesar de ser um muçulmano conservador, parecia respeitar as regras de governos seculares estabelecidas por Ataturk. Nos últimos anos, contudo, o atual primeiro-ministro Erdogan parece ter tomado outro caminho.
Durante as últimas três semanas, grupos de manifestantes se expuseram a canhões d’água e gás lacrimogêneo. Berrak e Simla, duas jovens, estão na vanguarda desse movimento.
O motivo?
Simla: “Sempre soubemos que Erdogan tinha uma agenda islamita, mas agora está claro”.
Álcool não pode ser vendido entre as 22 horas e 6 da manhã. O beijo público está vetado, assim como as pílulas de aborto. O governo recomenda a cada casal ter no mínimo três filhos – e, nesta semana, Erdogan retificou o tiro: melhor ter cinco filhos. Mais: protestos são proibidos, mesmo que a Constituição os permita.
A mídia é controlada.
Por tabela, a base religiosa conservadora a apoiar Erdogan, tem acesso somente à mídia turca, e, assim, não sabe o que realmente acontece no país.
Os protestos pacíficos das últimas três semanas que levaram a polícia a atuar com inaudita brutalidade esmoreceram.
Houve, na quarta-feira, esparsos protestos país afora, mas nada similares aos violentos confrontos ocorridos nas últimas três semanas na Praça Taksim.
Eis o balanço: cinco mortos, centenas de feridos e milhares de presos e torturados.
“Fizemos o que pudemos. Temos de voltar à democracia”, observa Simla. “No entanto, agora sabemos o poder que temos. Erdogan pode latir, mas cão que ladra não morde. E poderemos voltar a agir quando for necessário.”
Berrak parece pronta a voltar a agir.
Ela sofre de asma, mas diz estar alerta para novos eventos. Na noite de sábado 15, apenas duas horas após o discurso de Erdogan, que parecia conciliatório com a oposição, a polícia atacou brutalmente a Praça Taksim.
Berrak teve um ataque de asma durante cinco minutos, mesmo com máscara. Pensou que fosse morrer. “Mas eu era outra pessoa, sentia que tinha uma missão.” E acrescenta: “E como não lutar contra um premier que nos chama de terroristas e lança gás lacrimogêneo de helicópteros?”
Finalmente, na Praça Taksim, encontro um casal de “silenciosos” a honrar “o homem de pé”, disposto a conceder uma entrevista.
Diz Menderes, diretor de uma loja, de 26 anos: “Estou aqui porque quero liberdade”. Sua companheira, Guliz, de 23 anos, trabalha na área de telemarketing. Ela diz: “Sou muçulmana praticante, mas acho que Erdogan está islamizando esse país”.
Indagado se eles não têm medo, visto que na terça-feira 18, 71 “pessoas de pé” na Praça Taksim foram presas por uma noite, o casal retruca em uníssono. “Não. E você não tem medo de nos entrevistar?”
Guliz diz se sentir mal por não ter podido participar das manifestações em Istambul. Ela não estava na cidade, “e por isso me senti frustrada”.
Por sua vez, Menderes, participou. Teve problemas de saúde, mas agora adotou esse novo método, “silencioso”, de manifestação.
Guliz e Menderes, como vários turcos, acreditam que têm de se exprimir para mudar o futuro “autocrático” da Turquia.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Turquia e Irã decidem promover cessar-fogo na Síria

Turquia e Irã decidem promover cessar-fogo na Síria

De Uol
  • Muhammad Ibrahim/Divulgação/Reuters
    Cenário de destruição em Baidah, na Síria Cenário de destruição em Baidah, na Síria
A Turquia e o Irã decidiram promover um cessar-fogo na Síria a partir de 25 de outubro, segundo anunciou nesta terça-feira em Ancara o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan.

Erdogan fez o anúncio em entrevista coletiva em Ancara, em seu retorno do Azerbaijão, onde discutiu com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, a possibilidade de iniciar um cessar-fogo de vários dias durante a Festa muçulmana do Cordeiro.

"Enfatizamos que seria melhor se os países com um interesse primordial na crise, como Egito, Arábia Saudita e Rússia, fizesem também apelos para o cessar-fogo", disse Erdogan em seu discurso, retransmitido ao vivo pela emissora "NTV".
Os dois dirigentes se reuniram por 40 minutos em uma reunião fechada da cúpula da Organização de Cooperação Econômica, e sua principal pauta foi o conflito sírio, reconheceu Erdogan.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Turquia retoma bombardeio na Síria

Turquia retoma bombardeio na Síria

Renata Giraldi* - Repórter da Agência Brasil

Pelo quinto dia consecutivo, o Exército da Turquia retomou hoje (7) o bombardeio na Síria em retaliação aos ataques ocorridos há menos de uma semana, na região de Akcakale, na fronteira dos dois países. No ataque na região fronteiriça, cinco civis morreram. Os bombardeios se estendem pelas cidades sírias de Tal Abiad, Abiad Tal e Arussegún Hurriyet.

Nos últimos dias, houve vários confrontos entre o Exército da Turquia e os grupos armados rebeldes sírios agravando a crise na Síria, que completou 19 meses. O governo do presidente sírio, Bashar Al Assad, enfrenta a oposição que insiste em exigir sua renúncia e o fim das violações de direitos humanos.

A organização não governamental (ONG) Observatório Sírio para os Direitos Humanos, com base em Londres, capital do Reino Unido, informou que pelo menos 49 pessoas morreram em combates entre sírios e turcos, nas últimas horas.

Há ainda confrontos em outras regiões da Síria, como Alepo, a segunda cidade do país e capital econômica. A estimativa é que ao menos 13 pessoas foram mortas. Pelos dados das organizações não governamentais, mais de 25 mil pessoas morreram nos últimos 19 meses.

*Com informações da agência pública de notícias da Argentina, Telam //   Edição: Lílian Beraldo

Fonte: EBC
 
 

Publicado em: 08/10/2012

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Turquia X Síria

Parlamento autoriza Turquia a fazer operações militares na Síria

DO Uol

O Parlamento da Turquia autorizou nesta quinta-feira o Exército do país a fazer operações militares contra a Síria durante o prazo de um ano, em represália ao bombardeio em uma cidade fronteiriça na quarta (2).


A decisão foi aprovada com 320 votos a favor e 129 contra, sendo a maioria dos votos favoráveis do governista Justiça e Desenvolvimento (AKP, sigla em turco).

Bulent Kilic/AFP 
Mulheres com véus roxos, em sinal de luto, participam de velório de vítimas de bombardeio sírio na Turquia
Mulheres com véus roxos, em sinal de luto, participam de velório de vítimas de bombardeio sírio na Turquia

O pedido foi feito pelo governo do primeiro ministro Recep Tayyip Erdogan com a justificativa de que o ataque é uma séria ameaça à segurança nacional.
Após a votação, o vice-primeiro-ministro turco, Besir Atalay, descartou que a autorização do Parlamento seja uma declaração de guerra, pois ainda falta o Executivo definir se usará ou não o envio de tropas.
Ele disse que a prioridade do país é definir com instituições internacionais a resposta ao ataque à cidade de Akçakale, que deixou cinco civis turcos mortos e outros dez feridos, na quarta-feira (3). A Turquia é membro da Otan.
Durante a madrugada e a manhã desta quinta, o Exército turco fez bombardeios a bases militares na fronteira síria, matando diversos soldados leais ao ditador Bashar Assad. Ainda não há estimativas de número de mortos nas instalações sírias.
 
DESCULPAS

Atalay disse que recebeu um pedido de desculpas das autoridades sírias, que, segundo ele, assumiram a responsabilidade pelo incidente na fronteira. O regime de Bashar Assad ainda não fez nenhum comunicado oficial sobre o tema.
Mais cedo, o chanceler da Rússia, Sergei Lavrov afirmou que pediu ao governo sírio que confirme oficialmente o ataque à cidade turca como um acidente. "Eles [os sírios] garantiram que o ocorrido foi uma trágica fatalidade e tomarão todas as medidas para que isso não se repita".
Ele ainda pediu que as autoridades dos dois países mantenham um contato direto para discutir a situação dos refugiados e os confrontos da fronteira. Lavrov ainda reconheceu que o conflito sírio "começou a cruzar as fronteiras do país".

AFP
Rebeldes sírios preparam lançador de foguetes em ação na fronteira com a Turquia, nesta quinta
Rebeldes sírios preparam lançador de foguetes em ação na fronteira com a Turquia, nesta quinta
 
RESPONSÁVEL
Danilo Bandeira/Editoria de arte/Folhapress                                          
Inicialmente, o regime sírio foi apontado pelos turcos como o principal responsável ao ataque a Akçakale. A ação não foi reivindicada oficialmente nem pelo governo de Assad nem pelos rebeldes.
Ainda na quarta (3), o embaixador de Ancara nas ONU, Ertugrul Apakan, pediu ao Conselho de Segurança que adote as "medidas necessárias" para deter "este ato de agressão por parte da Síria contra a Turquia".
O episódio de quarta-feira não foi um evento isolado. Na sexta-feira passada, outra bomba danificou prédios residenciais e comerciais, também em Akçakale.
Em junho, a defesa antiaérea síria derrubou um avião de combate turco, levando a Turquia a reforçar seu dispositivo militar na fronteira.
A duração dessa guerra civil já havia desgastado as relações habitualmente amigáveis entre os dois países. Após ataques do regime de Bashar Assad à população civil, o governo turco se uniu aos críticos do regime sírio.
O país também abriga mais de 90 mil refugiados do país vizinho, mas teme muitos mais atravessem a fronteira, sem uma solução para o confronto sírio no curto prazo.