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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Pós-crise global: BC dos EUA reduz os estímulos

Pós-crise global: BC dos EUA reduz os estímulos

EUA vão retirar estímulos
Autor(es): Flávia Barbosa
O Globo - 19/12/2013
 

O banco central americano anunciou que começará a retirar estímulos dados à economia na esteira da crise de 2008. As compras mensais de títulos serão reduzidas em US$ 10 bi a partir de janeiro, o que deve elevar a cotação do dólar no Brasil
Injeção de recursos será reduzida a US$ 75 bilhões em janeiro. Dilma diz que país está preparado

WASHNGTON, BRASÍLIA, SÃO PAULO E RECIFE- O Federal Reserve (Fed, banco central americano) anunciou ontem, com o voto dissidente de apenas um de seus dez diretores, que começará a reduzir seu inédito programa de estímulos à economia, herança da crise financeira de 2008. A terceira e maior fase do chamado Quantitative Easing (QE3), iniciada em setembro de 2012, estabelece a compra mensal de US$ 85 bilhões em títulos, valor que será cortado para US$ 75 bilhões a partir de janeiro de 2014. Para evitar danos à ainda frágil recuperação dos EUA, o Fed enfatizou que não se trata do início de uma era de aperto monetário. A instituição pretende manter os juros básicos inalterados entre zero e 0,25% ao ano "por longo período de tempo" sem perspectiva de elevação antes do fim de 2015 mesmo que a taxa de desemprego caia ao patamar de 6,5% (hoje, está a 7%).
A decisão animou os mercados, por representar um voto de confiança na economia americana sem alterar as boas condições de financiamento e investimento. Nos EUA, os índices Dow Jones (1,84%) e S&P 500 (1,66%) da Bolsa de Nova York fecharam em recordes históricos de pontos. A Nasdaq subiu 1,15%. No Brasil, a Boves-pa fechou em alta de 0,94%, aos 50.563 e o dólar subiu 0,9%, a R$ 2,343. A moeda brasileira se desvalorizou mais do que a maioria das divisas de emergentes.
BERNANKE: "REDUÇÃO EM PEQUENOS PASSOS"
A presidente Dilma Rousseff disse que o país tem condições de enfrentar com tranquilidade a mudança nos EUA, em entrevista à Rádio Jornal do Commercio:
— O Brasil está preparado. Já saiu daquela fase em que se havia um espirro lá, tinham pneumonia aqui.
A equipe econômica recebeu com alívio a decisão do Fed. Na avaliação de técnicos, quanto mais cedo a retirada de estímulos, melhor. O governo sabe que a decisão pode trazer volatilidade aos mercados, mas considera que o mais importante era acabar com o suspense que abalava as expectativas dos agentes econômicos.
Pela manhã, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que um dos efeitos é a valorização do dólar:
— Estamos muito bem calçados. As volatilidades vão e voltam. Você pode ter um valorização momentânea do dólar, depois ele volta. O país está muito sólido, tem reservas e também o mecanismo de swap do Banco Central.
O Comitê de Mercado Aberto avaliou que há sinais consistentes de recuperação do mercado de trabalho e da economia dos EUA, com bons indicadores de gastos das famílias, investimentos de empresas e vendas do varejo, e perspectivas animadoras no campo fiscal. Ontem, em raro esforço bipartidário, o Senado concluiu a aprovação pelo Congresso de um Orçamento de dois anos, com nível de despesas superior ao anteriormente previsto, o que dá tração à expansão econômica.
Ainda que os ganhos não estejam consolidados, o Fed acredita, pela primeira vez desde o início da retomada, em 2009, que o balanço de riscos está mais equilibrado e pró-crescimento. Por isso decidiu pela redução de US$ 10 bilhões no programa. A partir de janeiro, o volume de compra de títulos soberanos cairá de US$ 45 bilhões para US$ 40 bilhões e o de papéis lastreados em hipotecas, de US$ 40 bilhões para US$ 35 bilhões. Nova rodada de corte dependerá dos dados econômicos
dos próximos meses, disse Ben Bemanke, presidente do Fed. Mas deverá obedecer a mesma ordem de grandeza.
O plano inicial de encerrar o programa no meio de 2014 foi revisto. Com o gradua-lismo, o presidente do Fed crê que o horizonte é o fim do próximo ano. Mas não descartou a interrupção ou a revisão, caso mudem as condições nos EUA.
— Não estamos fazendo menos, não é algo pensado para ser um aperto (...) Nossa modesta redução no programa reflete a crença de que a retomada será sustentada — disse Bemanke. — Mas podemos interrompê-la (...) A redução dependerá dos dados e será feita em pequenos passos.
Foi a última entrevista coletiva de Ber-nanke à frente do Fed. Seu mandato termina em 31 de janeiro e ele será substituído pela atual vice, Janet Yellen. Considerada cautelosa em relação ao momento ideal de diminuição do programa de estímulo, Yellen acompanhou o voto da maioria.
O Fed deixou aberta uma janela para continuar o programa de estímulos além de 2014, bem como para manter juros zero depois de 2015. Tudo dependerá do
comportamento da taxa de desemprego e da inflação. O BC dos EUA estima que o patamar ideal da taxa de desemprego para se considerar a crise ultrapassada, de 6,5%, será alcançado no último trimestre de 2014. Mas Bemanke disse que a diretoria olhará outros sinais como procura por vaga, ocupação, desemprego de longo prazo, subemprego e salários para se certificar de que a recuperação é para valer.
No caso da inflação, o Fed espera que ela volte a subir. O patamar mínimo previsto na meta é de 2% ao ano. O índice de preços ao consumidor fechou novembro em 0,7% no acumulado em 12 meses. Inflação excessivamente baixa dificulta recuperação de margens de lucro das empresas, aumentos de salário e pagamento de dívidas. Uma alta de juros não deverá ser considerada pelo Fed até que a variação chegue a 2,5% anuais.
João Sorima Neto, Gabriela Valente, Martha Beck, Cristiane Bonfanti e Letícia Lins

BC dos EUA deixa o mundo aliviado

BC dos EUA deixa o mundo aliviado

Alívio no mundo
Autor(es): SIMONE KAFRUNI » VICTOR MARTINS » DECO BANCILLON
Correio Braziliense - 19/12/2013
 
Governos e mercados, que esperavam aflitos pela notícia, comemoraram o anúncio do Federal Reserve de que a redução dos estímulos à economia americana começará em janeiro e será gradual

Enfim, o Federal Reserve anuncia a redução dos estímulos à economia dos EUA. Mas, como o processo será gradual, governos e mercados comemoram. BC do Brasil venderá ao menos US$ 24 bi nos primeiros seis meses de 2014 para conter a alta do dólar

Com a recuperação — ainda que gradual — dos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed), o Banco Central norte-americano, anunciou ontem o que o mundo inteiro aguardava aflito: o início do corte de estímulos à maior economia do planeta. Em janeiro do próximo ano, os US$ 85 bilhões mensais injetados na economia serão reduzidos para US$ 75 bilhões e, até o fim de 2014, haverá diminuição gradual do incentivo. O presidente da instituição, Ben Bernanke, não se comprometeu em manter a diminuição do incentivo em US$ 10 bilhões por vez nem assegurou que a medida será tomada a cada reunião do banco.

Tão logo o Fed detalhou as regras do jogo, o Banco Central brasileiro anunciou que, em reação ao corte de estímulos, despejará pelo menos US$ 24 bilhões no mercado de câmbio entre janeiro e junho de 2014. O objetivo será conter uma arrancada mais forte do dólar e, por tabela, evitar a disparada da inflação. O BC informou que serão realizados leilões de swap cambial, de segunda a sexta-feira, no valor de US$ 200 milhões por dia, volume inferior aos US$ 500 milhões diários deste ano. A oferta de linhas de crédito em dólar, feita atualmente todas as sextas-feiras, só ocorrerá, nos primeiros seis meses do ano que vem se houver demanda. A instituição ainda deixou aberta a possibilidade de vender reservas cambiais do país, que totalizam US$ 376 bilhões, em momentos de maior turbulência e de escassez brutal de moeda estrangeira. 

Por meio da assessoria de imprensa, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que viu com tranquilidade a decisão do Fed, sobretudo porque a diminuição dos estímulos será gradual, sem provocar solavancos no mercado, o que evitará movimentos bruscos nas cotações do dólar. Outra boa notícia foi o fato de o BC dos EUA ter mantido as taxas de juros variando entre zero e 0,25% ao ano. Ele determinou à equipe do ministério que monitore todos os dados dos mercados globais nos próximos dias, pois a reação ontem foi parcial, uma vez que as bolsas de valores da Ásia e da Europa estavam fechadas quando o Fed se pronunciou.

Para o mercado financeiro, a decisão do Fed põe fim às incertezas em torno da política monetária norte-americana. Mas isso não significa dizer que os países emergentes estão livres de uma batalha pesada para conter o derretimento de suas moedas. Brasil, Turquia, Indonésia, África do Sul e Índia são apontados como as nações mais vulneráveis às ações do BC dos EUA. O tamanho do enfrentamento dependerá do ritmo dos cortes promovidos pelo Fed, que condicionou suas ações à queda do desemprego para 0menos de 6,5% — a taxa atual, de 7% é a menor em cinco anos — e ao comportamento da inflação, que está abaixo de 2%.

Ao detalhar o corte dos estímulos à economia norte-americana, Ben Bernanke reforçou que não há um valor predeterminado para ser anunciado periodicamente. Se a atividade, que avançou 3,6% no terceiro trimestre deste ano, acima do previsto, tropeçar, a estratégia será abrandada. O presidente do Fed anunciou ainda que reviu as projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano, de expansão entre 2,9% e 3,1% para um avanço entre 2,8% a 3,2%.

O impacto da decisão do Fed foi imediato nos mercados. A Bolsa de Nova York registrou alta de 1,84% e a Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa), de 0,94%. Já o dólar subiu 0,87%, cotado a R$ 2,343 na venda. “O Fed fez uma coisa muita importante: tirou o foco da taxa de desemprego e o transferiu para a inflação, que está muito baixa. Isso significa que manterá os juros próximo de zero e que fará um programa de retirada de estímulos mais lento”, explicou Tony Volpon, chefe de Pesquisas para Mercados Emergentes das Américas da Nomura Securities International, em Nova York. “O anúncio do Fed veio antes do que esperávamos, mas, pelo menos, será bastante gradual”, acrescentou Jankiel Santos, economista-chefe do Espirito Santo Investment Bank.


» E EU COM ISSO

A redução dos estímulos à economia dos Estados Unidos terá impacto sobre o Brasil e isso poderá ser percebido, principalmente, no preço no dólar, que tende a subir. A previsão de parte dos especialistas é de que a moeda norte-americana chegará a R$ 2,50 até o fim de 2014. Diante dessa elevação, o custo de vida das famílias pode aumentar, e o Banco Central se verá obrigado a elevar ainda mais a taxa básica de juros (Selic), atualmente em 10% ao ano. Se essa taxa aumenta, o PIB cresce menos e, em um quadro extremo, o desemprego avançará.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

PACTO COM IRÃ DÁ A OBAMA MAIOR TRIUNFO DIPLOMÁTICO

PACTO COM IRÃ DÁ A OBAMA MAIOR TRIUNFO DIPLOMÁTICO

IRÃ ACEITA LIMITAR PROGRAMA NUCLEAR E OBAMA CELEBRA VITÓRIA DIPLOMÁTICA
Autor(es): Cláudia Trevisan
O Estado de S. Paulo - 25/11/2013
 

Aliados dos EUA na região criticam pacto assinado em Genebra; acordo prevê congelamento do processamento de urânio a mais de 5%
WASHINGTON - O presidente americano, Barack Obama, conseguiu neste domingo, 24, sua mais expressiva vitória diplomática no cargo ao alcançar um acordo para frear o avanço do programa nuclear iraniano. O pacto foi assinado em Genebra pelo secretário de Estado americano, John Kerry, e pelos representantes de Irã, China, Rússia, Grã-Bretanha, Alemanha e França.
O Irã aceitou limitar durante seis meses o seu programa nuclear em troca da suspensão parcial de sanções que estrangularam sua economia. Nesse prazo, os negociadores tentarão chegar a pacto definitivo, que garanta o caráter pacífico de suas atividades de enriquecimento de urânio e permita o fim de todas as sanções aplicadas à república islâmica.
Teerã se comprometeu a não enriquecer urânio a mais de 5% e a neutralizar todo seu estoque de urânio enriquecido a quase 20%, patamar acima do qual o combustível pode ser usado na produção de armas. O país também aceitou se submeter à supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Principal elemento que levou a França a resistiu a um acordo no início do mês, o reator de Arak terá suas atividades suspensas - o local poderia produzir plutônio.
Em troca, os EUA aceitaram suspender sanções no valor de US$ 6 bilhões a US$ 7 bilhões ao longo dos próximos seis meses.
O governo americano apresentou o acordo fechado em Genebra como o mais importante avanço em torno do programa iraniano desde 2003, quando houve a primeira tentativa de limitar sua expansão. As conversas foram concluídas pouco depois das 3h do domingo em Genebra (meia-noite, no horário de Brasília).
Em Washington, Obama fez um pronunciamento no qual atribuiu o sucesso das negociações ao impacto das sanções econômicas e à “abertura para diplomacia” trazida pela eleição de Hassan Rohani como novo presidente do Irã, em junho.
A obtenção de um saída pacífica para a questão nuclear iraniana é uma prioridade de Obama desde que ele chegou ao poder, em 2009.
O acordo representa uma rara vitória de sua política externa, abalada pelas revelações de espionagem da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês), a errática atuação em relação à Síria - e a insegurança que ela gerou entre aliados americanos no Oriente Médio - e divergências com o Afeganistão em torno de um pacto militar para permanência de tropas americanas no país depois de 2014.
“A diplomacia abriu um novo caminho na direção de um mundo que é mais seguro - um futuro no qual nós podemos verificar que o programa nuclear iraniano é pacífico e não pode construir uma arma nuclear”, declarou Obama.
A determinação dos EUA de negociar com o Irã afetou o relacionamento do país com seu principal aliado na região, Israel, que se uniu a nações árabes na condenação do acordo. Para eles, o pacto dará fôlego à república islâmica para continuar a avançar na construção da bomba atômica - Teerã nega que esse seja o objetivo e sustenta que o programa tem fins pacíficos.
Na tarde de domingo, Obama telefonou para Netanyahu e reafirmou o comprometimento americano com Israel. O presidente reconheceu também em seu discurso a existência de “boas razões” para o ceticismo do país em relação ao Irã. “Como presidente e comandante em chefe, farei o que for necessário para impedir o Irã de obter armas nucleares”, afirmou. “Mas tenho uma profunda responsabilidade de tentar resolver nossas diferenças pacificamente, em vez de me precipitar na direção de um conflito”, justificou.
O pacto é apenas o primeiro passo na direção do desfecho desejado pelos EUA: congelar as atividades das usinas do país e dar tempo aos negociadores para buscarem uma solução de longo prazo.
O documento afirma que o eventual novo pacto deverá entrar em vigor no prazo máximo de um ano. O acordo poderá ser prorrogado depois de seis meses se houver concordância dos sete países envolvidos em sua negociação.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Merkel diz que os EUA grampearam seu celular

Merkel diz que os EUA grampearam seu celular

Merkel cobra Obama ao ser informada de que teve seu celular grampeado
O Estado de S. Paulo - 24/10/2013
 

A chanceler alemã, Angela Merkel, telefonou ontem para o presidente americano, Barack Obama, exigindo explicações após saber que seu celular pessoal teria sido grampeado pela inteligência dos EUA. Obama assegurou à líder alemã que suas comunicações não estão sendo espionadas
Pouco após receber informa­ções de que a inteligência americana teria grampeado seu celular pessoal, a chance­ler alemã, Angela Merkel, li­gou ontem para o presidente Barack Obama exigindo escla­recimentos. Obama assegu­rou a Merkel que os EUA não estão espionando suas comu­nicações, sem dar garantias de que o telefone da líder ale­mã não tenha, no passado, sido alvo de interceptações.
A chanceler pediu "imediatas e abrangentes" explicações sobre as atividades da Agência de Segurança Nacional (NSA) con­tra a Alemanha, segundo um co­municado do governo de Ber­lim. "(Merkel) deixou claro que vê essas práticas, caso sejam comprovadas, como completa­mente inaceitáveis e as condena de forma inequívoca."
O desgaste entre Berlim e Wa­shington é mais um capítulo da crise desencadeada pelas revelações do ex-agente americano Edward Snowden, que expôs de­talhes sobre o aparato de inteli­gência eletrônica que NSA ope­ra em escala global, mesmo con­tra aliados americanos.
No dia anterior, ao receber o em Paris o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, o presi­dente François Hollande havia cobrado explicações sobre no­tícias publicadas pelo jornal Le Monde de que missões diplo­máticas e sistemas informáti­cos do governo da França ti­nham sido alvo dos espiões americanos. Hollande quer que esses escândalos constem da agenda da cúpula do Conse­lho Europeu, que será realiza­da hoje. México e Brasil tam­bém já se irritaram com a espio­nagem de Washington.
A revista alemã Der Spiegel ha­via publicado informações so­bre as práticas de espionagem eletrônica dos EUA contraaAle- manha. No entanto, as informa­ções de que o telefone pessoal da chanceler estaria grampeado partiram do próprio governo ale­mão. Segundo a Spiegel, Merkel está levando "muito a sério" es­sas informações. O governo ale­mão disse estar mantendo reu­niões de alto nível nos últimos dias com representantes da Ca­sa Branca para discutir o caso.
Revés. Em mais um sinal do es­trago provocado pelas denún­cias, deputados europeus apro­varam ontem um texto reco­mendando que o bloco amplie garantias de privacidade digital e suspenda um acordo pelo qual
a inteligência americana tem acesso a uma base de dados com " informações financeiras da Eu­ropa. O tratado entre Washing­ton e Bruxelas oficialmente tem por objetivo investigar movi­mentações de dinheiro de sus­peitos de terrorismo, rastreando o chamado código Swift-usa­do normalmente em transferên­cias internacionais. Mas, segun­do a maioria dos integrantes do braço legislativo da União Euro­peia, há provas de que o governo j americano coletou informa­ções desvinculadas da luta anti- terror.
A decisão do Parlamento Eu­ropeu não tem poder vinculante - ou seja, resume-se a uma reco­mendação aos 37 governos do bloco. A Comissão Europeia, equivalente ao poder executivo da UE, disse ainda estar aguar­dando garantias dos EUA e ne­gou que suspenderá, nos próxi­mos dias, O acordo. / REUTERS e AP

segunda-feira, 22 de abril de 2013

ATAQUE EM BOSTON MATA 2 E FERE 115; EUA ELEVAM ALERTA

ATAQUE EM BOSTON MATA 2 E FERE 115; EUA ELEVAM ALERTA

ATAQUE À MARATONA DE BOSTON MATA 2 E FERE 115; ALERTA CONTRA TERROR É ACIONADO
O Estado de S. Paulo - 16/04/2013
 

Duas bombas explodiram na linha de chegada de maratona e 2 foram desativadas; FBI fala em terrorismo
Um ataque terrorista com ao menos duas bombas deixou dois mortos e 115 feridos ontem durante a Maratona de Boston, uma das mais tradicionais do mundo. A autoria não era conhecida até o início da noite e ninguém havia sido preso. As bombas foram detonadas em intervalos de 15 segundos, perto da linha de chegada. Outros dois explosivos foram desarmados. Parte do espaço aéreo da cidade foi fechada e os sinais de telefones celulares, bloqueados, para evitar possível detonação por controle remoto. Um incêndio na Biblioteca JFK, que reúne o acervo do presidente John Kennedy, 1 hora depois das explosões, era investigado. Espectadores mutilados e com fraturas expostas eram levados para tendas montadas para atender os corredores. O ataque fez com que a segurança fosse reforçada em hotéis e pontos turísticos de Nova York. Em Washington, a Avenida Pensilvânia, onde fica a Casa Branca, foi fechada para pedestres. Cerca de 27 mil corredores participam da prova, que atrai 500 mil espectadores.
BOSTON, EUA
Um atentado com pelo menos duas bombas aparentemente caseiras matou 2 pessoas e feriu outras 115 ,6 delas em estado grave - segundo o jornal Boston Globe -, durante a Maratona de Boston, uma das mais tradicionais do mundo. A autoria dos ataques ainda não tinha sido identificada até ontem e ninguém tinha sido preso. As autoridades tratam o episódio como ataque terrorista e o presidente Barack Obama ordenou a investigação.
De acordo com a rede de TV CNN, um dos mortos é uma criança de 8 anos. A polícia desarmou outros dois explosivos caseiros e investiga um incêndio na Biblioteca JFK, que reúne o acervo do presidente John Kennedy, ocorrido uma hora depois das explosões. Na instituição, no entanto, ninguém se feriu.
As bombas foram detonadas a poucos metros da linha de chegada da maratona pouco antes das 16 horas (horário de Brasília), cerca de três horas depois de os vencedores da corrida terem terminado o percurso. Segundo a polícia local, os dois explosivos foram colocados na Rua Boyls-ton e detonados com um intervalo de 15 segundos entre eles.
Segundo a polícia, outros dois dispositivos foram encontrados e desarmados por meio de explosões controladas.
O hotel que funcionava como sede da maratona foi fechado após as explosões e ninguém pode entrar ou sair do local. A Agência de Aviação Civil dos EUA (FAA, na sigla em inglês) fechou o espaço aéreo sobre parte de Boston e os sinais de telefones celulares foram bloqueados para evitar detonações por controle remoto.
A zona de exclusão aérea tinha um raio de 5,6 km em torno da Rua Boylston e uma altura de 914 metros - bem abaixo da altitude de um avião comercial normal. As operações do Aeroporto de Boston não foram afetadas. A secretária de Segurança Interna, Janet Napolitano prometeu oferecer "toda a assistência necessária" à cidade.

A segurança foi reforçada em hotéis e locais turísticos em Nova York e a Avenida Pensilvânia, onde fica a Casa Branca, foi fechada para pedestres em Washington.
Pânicon Cerca de 27 mil corredores, profissionais e amadores, participaram da corrida, O canadense Mike Mitchell, um dos participantes da maratona, disse ter visto uma "grande explosão". "Todo mundo entrou em pânico", disse.
Espectadores ensangüentados foram levados para tendas de atendimento médico próximas montadas para atender os corredores fatigados pela maratona. Havia pessoas mutiladas, com fraturas expostas e perdendo muito sangue após as explosões.
O corredor Roupen Bastajian foi um dos primeiros corredores a chegar ao local da explosão. "Vi todas aquelas pessoas no chão. Tentamos fazer torniquetes para impedir os sangramentos. Muitas vítimas tiveram pernas decepadas", disse ele à agência Associated Press. "Cerca de 25 ou 30 pessoas tinham perdido a perna, ou sido amputadas do tornozelo para baixo."
A Maratona de Boston é realizada anualmente desde 1897 e reúne cerca de 500 mil espectadores todos os anos. Segundo a organização, não houve nenhuma ameaça. O ataque ocorreu no feriado do Dia do Patriota, em Massachusetts. / ap, reuters e NYT

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Zona de livre-comércio entre EUA e UE pode redefinir comércio mundial

Zona de livre-comércio entre EUA e UE pode redefinir comércio mundial

Publicado em Carta Capital

As duas maiores potências econômicas do mundo, a União Europeia e os Estados Unidos, iniciam conversas para se unir numa zona de livre comércio em breve. Porém, os obstáculos são gigantescos, já que as metas de ambos são ambiciosas.
Economistas, políticos e empresários aclamam unanimemente a ideia de que uma zona livre iria impulsionar o crescimento dos dois lados do Oceano Atlântico. E asseguraria que, num futuro próximo, as regras do jogo na economia sejam ditadas pelo Ocidente, e não pela China.

O tratado representaria a consolidação dos maiores mercados do mundo e seria uma resposta eficaz à ameaça de hegemonia chinesa
O tratado representaria a consolidação dos maiores mercados do mundo e seria uma resposta eficaz à ameaça de hegemonia chinesa

Os dados econômicos confirmam: um tratado amplo de livre comércio seria, de fato, o que se denomina um game changer, ou seja, ele redistribuiria as cartas no pôquer do comércio mundial. Pois os negócios entre a UE e os EUA representam a maior parceria econômica bilateral do mundo, envolvendo um intercâmbio de bens em serviços num valor superior a 1,8 bilhão de euros. Juntas, as duas potências, somando 800 milhões de habitantes, controlam metade da oferta de serviços em todo o mundo e cerca de um terço do fluxo global de mercadorias.

Boas perspectivas

Segundo estimativas da UE, um tratado amplo de livre comércio com os Estados Unidos aumentaria o Produto Interno Bruto europeu em 0,5%, ou 65,7 bilhões de euros por ano; e os ganhos para os norte-americanos seriam comparáveis. Além disso, devido às proporções dos mercados envolvidos, uma unificação transatlântica dos padrões industriais e dos procedimentos de licenciamento transformariam essas normas, de fato, em padrões mundiais, com especial vantagem para a forte indústria europeia.
Acordo de livre comércio UE-EUA seria chance de fazer frente ao avanço comercial da China
Acordo de livre comércio UE-EUA seria chance de fazer frente ao avanço comercial da China

A proposta de uma zona transatlântica de livre comércio conta com grande apoio dentro da UE. A chanceler federal alemã, Angela Merkel, e o primeiro-ministro britânico, David Cameron, já se manifestaram a favor do projeto. E tanto o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, quanto o chefe de Estado norte-americano, Barack Obama, são, em princípio, favoráveis desde meados de 2012, quando um grupo de trabalho euro-americano divulgou um relatório parcial positivo sobre as oportunidades de um convênio.
O relatório final desse grupo transatlântico deverá ser conhecido nos próximos dias, e espera-se que contenha a recomendação para o início das negociações. No entanto, ainda assim, é totalmente incerto que essa zona de livre comércio venha a se tornar realidade.

Harmonização de normas: um problema

“Um tratado amplo de livre comércio iria mais longe do que todos os acordos comerciais que firmamos até agora. Será que chegaremos lá? Não será fácil, mas as perspectivas são boas”, declarou em dezembro último o comissário da UE para o Comércio, Karel de Gucht.
De fato, em comparação, não passam de bagatelas tanto o recente tratado comercial entre a UE e Cingapura, quanto o acordo com o Canadá, prestes a ser concluído, ou tratados anteriores com a Coreia do Sul ou o México.
Daniel Gros, Direktor do Centre for European Policy Studies, sediado em Bruxelas, é inteiramente a favor de um convênio com os EUA. “Só não creio que a vontade política seja forte bastante para superar todas as resistências”, pondera.
No caso de um acordo em grande escala, a diminuição das barreiras alfandegárias transatlânticas, já bastante reduzidas, nem seria o principal problema. Tampouco é intransponível a questão da agricultura – um setor econômico tradicionalmente sensível, de ambos os lados do Atlântico, por ser fortemente regulamentado pelo Estado.
“O grande problema é a independência dos diferentes órgãos reguladores”, afirma Gros, mencionando, como exemplo, a Food and Drug Administration (FDA), responsável nos EUA pela regulamentação de medicamentos. “Este é um tema muito delicado. O órgão norte-americano será capaz de simplesmente aceitar uma certificação europeia e vice-versa?”

Engenharia genética e produtos financeiros

O mesmo vale para o licenciamento e regulamentação de numerosas mercadorias e serviços. Por exemplo: a UE exige a identificação de alimentos transgênicos, enquanto os EUA, não. Também teriam que ser considerados serviços complexos e até então sujeitos a regulamentos diversos, como seguros e produtos financeiros.
Alimentos transgênicos esbarram em forte resistência na União Europeia
Alimentos transgênicos esbarram em forte resistência na União Europeia

“Acho pouco realista esperar que um tratado de livre comércio possa harmonizar todas essas normas”, comenta Charles Ries, vice-presidente da Rand Corporation, de Washington. Ele é a favor de uma versão menor: “Eu visaria um tratado de livre comércio que eliminasse todas as taxas alfandegárias e quotas entre os Estados Unidos e a Europa”. Ries participou das negociações do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta, na sigla original), entre o seu país, o México e o Canadá.
No entanto, os EUA e a UE pretendem jogar a grande cartada. “Na verdade, as tarifas alfandegárias não pesam tanto assim no comércio transatlântico”, assegura John Clancy, porta-voz do comissário europeu do Comércio, Gucht. “Os grandes obstáculos são as diferentes normas de licenciamento e padrões. Por isso, não queremos apenas acabar com as taxas, mas sobretudo visar uma harmonização dessas normas.”

Trauma de Doha

Observadores especializados estão céticos de que o plano possa ter sucesso. Eles lembram que há anos a visão do livre comércio transatlântico paira sobre os debates políticos em Washington e Bruxelas, sem nunca se tornar realidade.
Por muito tempo, os EUA também estiveram extremamente reticentes em apoiar esse megaprojeto. Após anos de negociações – por fim fracassadas – em torno de um tratado mundial de livre comércio, o assim chamado Acordo de Doha, o país não estava disposto a novamente se empenhar em conversações intermináveis e sem perspectivas.
Assim, para sondar o grau de seriedade dos europeus, a administração Obama exigiu um sinal bem claro do Bruxelas. E este veio: na segunda-feira (04/02), a UE anunciou que a partir de 25 de fevereiro estará permitida a importação de porcos vivos e de carne de vaca tratada com ácido lático, originários dos Estados Unidos.
Porém, mesmo que a UE e os EUA iniciem as negociações oficiais nos próximos meses, o sucesso está longe de ser garantido. Pois os negociadores de Washington e da Comissão Europeia não agem com autonomia absoluta. Sem o aval final do Congresso norte-americano e do Parlamento Europeu, não há acordo. E outros parceiros terão que participar das negociações, pelo menos em caráter informal: tanto a Turquia – estreitamente associada à UE através de um acordo alfandegário – quanto o México e o Canadá – ligados aos EUA através do Nafta.

Cronograma rigoroso

Deste modo, Estados Unidos e analistas reivindicam negociações ágeis, dentro de um cronograma bem definido. Segundo os analistas, um ano após o início das conversações, deverá se alcançar um consenso básico, e no prazo de dois a três anos, o tratado deverá estar fechado.
No entanto, os riscos políticos de uma zona transatlântica de livre comércio continuam sendo difíceis de calcular, na opinião de Daniel Gros. “Quando se inicia um grande projeto mas ele não é levado até o fim, talvez a situação para os participantes fique pior do que se nem o tivessem começado.”

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

OBAMA TOMA POSSE E BUSCA ACORDO CONTRA CRISE FISCAL

OBAMA TOMA POSSE E BUSCA ACORDO CONTRA CRISE FISCAL

OBAMA TOMA POSSE EM BUSCA DE DIÁLOGO COM OPOSIÇÃO E DÁ ALARGADA PARA 2016
Autor(es): Denise Chrispim Marin
O Estado de S. Paulo - 21/01/2013
 

Barack Obama tomou posse oficialmente ontem como presidente dos Estados Unidos, depois de uma cerimônia simples na Casa Branca. Hoje ele presta juramento público perante o Congresso e começa, na prática, seu segundo governo com o desafio de melhorar o diálogo com a oposição republicana e evitar o nó fiscal. Outro tema econômico urgente será a discussão sobre os cortes de gastos públicos até 2022. O democrata tenta preservar os programas sociais que os republicanos pretendem enxugar. Ao mesmo tempo, foi dada a largada para a sua sucessão, em 2016. Ontem, o juramento do vice-presidente, Joe Biden, teve mais visibilidade que o do próprio Obama
Celebração discreta. Em seu segundo mandato, democrata persegue acordo com republicanos no Congresso para evitar nó fiscal que tornaria inviáveis seus programas sociais e colocaria em risco o triunfo de seu partido nas próximas eleições presidenciais

O presidente dos EUA, Barack Hussein Obama, iniciou on­tem seu segundo e último man­dato em uma cerimônia sim­ples na Casa Branca. Hoje, no Congresso, fará seu juramen­to público. Terminados os fes­tejos, amanhã, terá o desafio de melhorar o complicado diá­logo com a oposição republica­na, para evitar o nó fiscal que levaria ao fracasso de seu se­gundo governo. Ao mesmo tempo, dará a largada para sua sucessão, na eleição de 2016.
Apenas a família, 12 convida­dos, 1 assessor e o presidente do Supremo Tribunal, John Roberts, diante de quem jurou cum­prir a Constituição, assistiram ao juramento de ontem, no Sa­lão Azul da Casa Branca. Não houve discursos nem acenos ao público. "Bom trabalho", disse a filha caçula, Sasha, de 11 anos, ao referir-se aos últimos quatro anos. "Sim, fiz bom trabalho", respondeu Obama.
O juramento do vice-presiden­te, Joe Biden, teve mais visibilida­de e audiência de políticos e es­trategistas de peso, entre os quais David Axelrod, a deputada Nancy Pelosi, líder democrata na Câmara, e a presidente do Par­tido Democrata, Debbie Schultz. Sua ambição de concorrer na elei­ção de 2016 foi reforçada no fim da campanha de 2012 e, em segui­da, na negociação do acordo tri­butário, no fim de dezembro, e ao compilar o pacote de controle de armas. Biden tem 70 anos.
"Podemos começar a fazer os cálculos políticos do número de delegados (para o Colégio Eleito­ral) necessários para a escolha do candidato democrata. Posso ver um monte de delegados aqui", afirmou à imprensa a es­trategista democrata Donna Brazile, presidente na cerimônia no Observatório Naval, em Wa­shington.
Obama já perdeu em seu gabi­nete uma potencial sucessora e concorrente de Biden nas primá­rias democratas de 2016, Hillary Clinton, ex-primeira-dama e ex-senadora. Hillary promete des­cansar, depois de quatro anos na liderança do Departamento de Estado e de viagens a mais de cem países. Apesar de sua recen­te internação por uma trombose e de seus 65 anos, ela é tida como uma candidata capaz de obter consenso no partido.
Democrata mais apagado, o go­vernador de Nova York, Andrew Cuomo, também é apontado co­mo potencial candidato.
Manobras políticas de curto prazo terão certamente impacto no jogo eleitoral de 2016. Obama terminou seu mandato com po­bre qualidade de diálogo com a oposição republicana, ainda amarrada pelos radicais do Tea Party. A Casa Branca está em ne­gociação com o Congresso sobre dois temas econômicos de suma importância para a sociedade americana e para o restante de sua gestão e também sobre sua política para controle de armas.
Obama deverá conseguir do Congresso autorização para ele­var o limite de endividamento fe­deral antes de meados de feverei­ro, quando o atual teto de US$ 16,4 trilhões será alcançado. Por­tanto, tende a se livrar do risco momentâneo de ser obrigado a declarar a suspensão de paga­mentos da dívida, fornecedores, servidores e militares pela pri­meira vez na história americana.
Os efeitos previstos dessa ati­tude vergonhosa para qualquer governo - como a pressão para o aumento dos juros para o consu­midor e o investidor, em prejuí­zo do consumo e o emprego - serão contornados. Mas Obama ainda está ameaçado de ter seu governo e a sociedade america­na periodicamente expostos a es­se mesmo risco.
A bancada democrata na Câ­mara insiste em aumentar o teto da dívida por apenas três meses e resiste em dar ao presidente o poder para aumentar esse limite quando necessário. Trata-se de uma espécie de torniquete sobre o governo Obama, com poder de limitar o poder de barganha da Casa Branca em outros projetos de seu interesse, como a Refor­ma da Imigração, a regulamenta­ção das reformas da Saúde e de Wall Street e o fim da guerra do Afeganistão.
Em outro tema econômico ur­gente, o acordo com o Congres­so sobre os cortes de gastos pú­blicos até 2022, Obama tenta pre­servar os gastos com programas sociais da ansiedade republica­na em vê-los enxugados.
A discussão se complica pelo alto grau de polarização ideológi­ca dos dois partidos, percebido desde o início de 2011, e pela bai­xa tolerância de Obama a fazer concessões. A sociedade ameri­cana sofrerá com qualquer esco­lha final ou com a ausência de um acordo.
Os programas de saúde gratui­ta para os americanos pobres se­rão alvo de cortes de gastos públi­cos a partir de 2013, assim como as aposentadorias e pensões da Previdência Social. Despesas com a Defesa não serão poupa­das - e isso significará restrições na estratégia americana na guer­ra do Afeganistão, em futuras ações militares dos EUA no exte­rior e nas contratações de empre­sas do setor. Mesmo dentro do país, já há planos para o fecha­mento de bases, com repercus­são desastrosa para as econo­mias locais.
O peso desses cortes e seus de efeitos dependerá do acordo a ser firmado até 28 de fevereiro. Se não houver consenso, o gover­no de Obama será obrigado a re­duzir em US$ 100 bilhões os gastos públicos apenas neste ano, sobretudo nas áreas social e de defesa. Entre 2014 e 2022, outros US$ 446 bilhões serão podados. A retração do ritmo de recupera­ção econômica do país, será ine­vitável.

OBAMA DESAFIA LOBBY E LANÇA PACOTE CONTRA ARMAS

OBAMA DESAFIA LOBBY E LANÇA PACOTE CONTRA ARMAS

OBAMA DESAFIA LOBBY E APRESENTA PACOTE DE LEIS PARA CONTROLE DE ARMAS
Autor(es): Denise Chrispim Marin
O Estado de S. Paulo - 17/01/2013
 

O presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou ontem projeto de lei que proíbe a venda de armas de assalto - usadas por militares em combate – e restringe o acesso a munições explosivas. Outras 23 medidas serão adotadas para tentar prevenir casos como o do massacre da escola de Newtown, em dezembro. Quase metade das propostas de Obama precisa ser aprovada pelo Congresso. No Senado, os democratas têm maioria, mas o projeto deve enfrentar resistência na Câmara, controlada pelos republicanos. Quatro itens do pacote americano preveem a melhoria do sistema de checagem de antecedentes criminais e de histórico de doença mental de possíveis compradores. A indústria de armamentos será pressionada pelo governo a desenvolver tecnologias de segurança mais eficazes e as munições colhidas em investigações terão de ser rastreadas. Uma campanha sobre responsabilidade e segurança de porte será lançada

Mesmo diante da incerteza sobre a aprovação do Congresso, o presidente dos EUA, Barack Obama, vai apresentar um projeto de lei que proíbe a venda de armas de assalto e restringe o acesso a munições explosivas. Por decreto, outras 23 medidas serão adotadas para tentar reduzir a violência armada no país e prevenir massacres como o da escola de Newtown, em dezembro.
"Nós próximos dias, vou usar o peso desse posto (a presidência dos EUA) para tornar essas medidas realidade. Se apenas uma vida pode ser salva, temos a obrigação de tentar", afirmou Obama, rodeado por crianças em um encontro com parentes das vítimas de Newtown. "Nossa primeira missão como sociedade é manter nossas crianças seguras. Seremos julgados por isso e as suas vozes devem nos levar a essa mudança", completou.
Obama insistiu que os lobbies no Congresso contrários às medidas, "interessados nos seus próprios lucros", defenderão que a Casa Branca está ferindo o direito de porte de armas, resguardado pela Segunda Emenda da Constituição. Como, reação, instigou a população a pressionar seus congressistas.
"Quero deixar uma coisa absolutamente clara: como muitos americanos, eu acredito na garantia da Segunda Emenda (da Constituição) ao direito individual do porte de armas", afirmou, ciente do elevado apoio popular a essa regra.
Dentre os 23 decretos presidenciais a serem editados nos próximos dias, 4 preveem a melhoria do atual sistema de checagem de antecedentes criminais e de histórico de doença mental de quem quiser comprar uma arma. Para melhorar a troca de informações com os Estados, o governo convocou as agências federais a manter atualizado esse sistema. No caso de doentes mentais, o governo antecipará medidas previstas na reforma da Saúde para garantir o acesso ao tratamento gratuito.
O governo americano também lançará uma campanha sobre responsabilidade e segurança no uso de arma e vai redirecionar fundos para as pesquisas sobre violência armada do Centro de Controle e Prevenção de Doenças, suspensos desde 2006. A indústria de armas será pressionada pelo governo a desenvolver tecnologias de segurança mais eficazes e todas as munições colhidas em investigações criminais terão de ser rastreadas.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Fora do abismo, mas com riscos

Fora do abismo, mas com riscos

O Estado de S. Paulo - 03/01/2013
 

Mais uma vez a eco­nomia americana foi salva do desas­tre no último ins­tante, com a apro­vação pela Câmara de Representantes, às 11 horas da noite de terça-feira, de um acordo contra o abismo fiscal. Na madrugada do mesmo dia os senadores haviam aprovado as medidas para evitar um arrocho orçamentário suficiente pa­ra jogar o país de novo na recessão e difiçultar a superação da crise glo­bal. Na Câmara, dominada pelos re­publicanos, a resistência da oposição foi muito mais forte e a insegurança predominou até pouco antes da votação. O resultado final foi recebido com manifestações de alívio em to­do o mundo e as bolsas fecharam os pregões com grandes altas. O susto passou, mas nem todos os riscos fo­ram afastados e o presidente Barack Obama ainda terá de enfrentar no­vas negociações com os oposicionis­tas. A dívida federal chegou a US$ 16,4 trilhões na virada do ano, bateu novamente no teto e será preciso mais uma vez elevar seu limite. A dis­cussão desse tema será um dos pon­tos principais da agenda presiden­cial nos próximos tempos.
A economia americana cresceu no terceiro trimestre em ritmo equiva­lente a 3,1% ao ano. Foi um desempe­nho mais que invejável para a maior parte dos países desenvolvidos e até para um dos grandes emergentes, o Brasil. De outubro para novembro o desemprego caiu para 7,7% da força de trabalho, enquanto continuou em alta na Europa. Não se sabe ainda se a produção terá perdido impulso nos últimos três meses, nos Estados Uni­dos, mas indicadores do setor indus­trial têm sido positivos. Todos têm, objetivamente, excelentes motivos para torcer pela recuperação do mais importante mercado consumi­dor. Com a reativação americana, a economia global será de novo puxa­da por mais um potente motor.
Mas o desafio enfrentado pelo pre­sidente Barack Obama seria muito menos assustador se fosse apenas econômico. A economia americana ainda é uma das mais flexíveis e cria­tivas do mundo e sua capacidade de recuperação foi muitas vezes com­provada. Mas o problema é funda­mentalmente político, porque as ban­deiras dos conservadores incluem cortes em programas sociais e barrei­ras a qualquer elevação de impostos para as classes de rendas mais altas.
Para conseguir o acordo e evitar a queda no abismo, o presidente foi obrigado a ceder em pontos impor­tantes. Desistiu de conseguir um au­mento de imposto para os contri­buintes com renda individual acima de US$ 200 mil por ano ou casais com ganho superior a US$ 250 mil.
Teve de aceitar um teto mais alto - US$ 400 mil para solteiros e US$ 450 mil para casais.
Os republicanos também cede­ram, porque combatiam qualquer no­va tributação desse tipo, mas tive­ram uma vitória parcial. Foram pre­servados benefícios fiscais para bol­sas de estudos, pesquisas e atenção às crianças, assim como o seguro, por mais um ano, para 2 milhões de desempregados. Mas Obama foi inca­paz de evitar a elevação do desconto sobre o salário. Além disso, ainda se­rá necessária uma negociação para evitar um corte automático de gas­tos de US$ 110 bilhões dentro de dois meses.
Na Europa, o crescimento econô­mico deve continuar lento em 2013 e o desemprego, elevado. Houve sinais de melhora em algumas economias e até de algum avanço do governo gre­go na redução do déficit fiscal, mas o risco de mais recessão permanece.
Uma das novidades mais importan­tes do fim do ano foi o acordo entre os governos da zona do euro em tor­no de uma política bancária centrali­zada. O Banco Central Europeu fica­rá encarregado de fiscalizar e discipli­nar as instituições mais importan­tes. Isso pode contribuir para a sepa­ração dos problemas dos bancos e dos Tesouros nacionais. Mas faltam outras medidas para impulsionar as economias da região.
A China deve reagir, depois de al­guma desaceleração em 2012, mas seu crescimento provavelmente será mais lento que na década anterior. Ainda assim, continuará sendo o principal foco de dinamismo interna­cional e um grande mercado para as commodities brasileiras. Um cená­rio melhor dependerá, nos próximos meses, principalmente do sucesso político do presidente Barack Obama e de novos avanços da economia americana.

EUA APROVAM PROJETO CONTRA "ABISMO FISCAL" E BOLSAS SOBEM

EUA APROVAM PROJETO CONTRA "ABISMO FISCAL" E BOLSAS SOBEM

ACORDO ADIA RISCO DE ‘ABISMO FISCAL’ NOS ESTADOS UNIDOS
Autor(es): Denise Chrispim Marin
O Estado de S. Paulo - 03/01/2013
 

A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou, nos últimos minutos do prazo fixado, projeto parcial de ajuste nas contas públicas que evita o chamado “abismo fiscal” e consequente nova recessão. Por 257 votos a favor e 167 contra, os congressistas mantiveram os cortes de impostos para a classe média e o aumento das taxas sobre os mais ricos. Como não houve acerto sobre gastos públicos, foi adiado para março o risco de o país enfrentar um corte automático de US$ 560 bilhões no setor até 2022 – US$ 110 bilhões somente neste ano – e uma possível suspensão dos pagamentos das obrigações da dívida, de fornecedores e servidores. Os mercados, tanto nos EUA quanto na Europa, reagiram bem à medida. A nova rodada de negociações será o primeiro desafio do segundo mandato de Barack Obama, que começa no dia 21. As conversas serão dificultadas pela piora do ambiente para diálogo entre republicanos e democratas
Sem entendimento sobre os gastos públicos, pacto ficou restrito ao capítulo tributário; corte nos gastos só será negociado em 2 meses

A sanção presidencial ao acor­do parcial de ajuste nas contas públicas americanas adiou pa­ra março o risco de os Estados Unidos enfrentarem um corte automático de US$ 560 bi­lhões nos gastos públicos e o risco de suspensão dos paga­mentos das obrigações da dívi­da, de fornecedores e servido­res públicos. Mesmo incom­pleto, o acordo saiu nos últi­mos minutos do prazo fixado e trouxe alívio ao evitar a que­da do país no "abismo fiscal" no primeiro dia útil do ano e em uma nova recessão.
Os mercados foram reabertos ontem, depois dos feriados de ano-novo, mais calmos em todo o mundo. O diretor de Relações Internacionais do Fundo Mone­tário Internacional (FMI), Gerry Rice, parabenizou o Con­gresso pelo acordo, sem o qual "a recuperação econômica pode­ria descarrilar". "Entretanto, ain­da resta muito a ser feito para colocar as finanças públicas dos EUA de volta em um caminho de sustentabilidade sem ameaçar a ainda frágil recuperação."
Aprovado pelo Senado na noi­te de segunda-feira, o acordo foi tema de debates tensos na Câma­ra dos Deputados no dia seguin­te. Os republicanos radicais do Tea Party resistiam a aprová-lo sem emendas. No final da noite, recuaram. Em votação concluí­da às 23I1 (2h de ontem, no horá­rio de Brasília), o texto obteve 257 votos a favor - 87 de republi­canos - e 167 contra.
Formulado pelos líderes de­mocrata e republicano do Sena­do, o acordo restringiu-se ao ca­pítulo tributário, para impedir uma elevação generalizada dos recolhimentos de impostos logo nos primeiros dias do ano. Co­mo não houve acerto sobre gas­tos públicos, o Senado adiou por dois meses a adoção do corte au­tomático de US$ 110 bilhões em despesas apenas em 2013. A me­dida seria posta em prática na au­sência de um acordo.
Novo round. A segunda rodada de negociações deverá começar depois da posse do presidente dos EUA, Barack Obama, em seu segundo mandato, no dia 21. Se­rá seu primeiro desafio. O corte automático de gastos - US$ 560 bilhões até 2022 e US$ 110 bi­lhões este ano - em 10 de março só será impedido com a aprova­ção de uma proposta bipartidária alternativa.
Nesse mesmo período, o go­verno terá ainda de extrair do Congresso a autorização para elevar o teto da dívida pública. O tema fora adicionado aos deba­tes do acordo fiscal porque o go­verno alcançaria em 31 de dezem­bro o limite de US$ 16,4 trilhões. Mas o Tesouro suspendeu al­guns investimentos e abriu uma brecha de US$ 200 milhões, que devem se esgotar ao final de dois meses. Sem a autorização do Congresso, o Tesouro terá de suspender os pagamentos, pela primeira vez na história.
"A atmosfera política em Wa­shington continua ruim. Só não impediu que o acordo fosse apro­vado porque havia o risco de uma potencial crise econômica. O go­verno continua disfuncional", afirmou WardMcGarthy, economista-chefe da Jefferies & Co. "Foi um sombrio começo de 2013.0 acordo não é bom para a economia. Não faz nada para re­duzir o peso dos gastos públicos. Não reforma os programas de benefícios sociais do governo", es­creveu o analista conservador Da­niel Mitchell, do Gato Institute.
O acordo assinado custará um aumento de US$ 4 trilhões na dívida pública até 2022, segundo j projeções do Escritório de Orça- j mento do Congresso. Tal como está, permitiu a elevação, de 35% para 39,6%, da alíquota do impos­to de renda para os americanos com renda anual acima de US$ 400 mil US$ 450 para casais).
Houve aumento do imposto sobre ganhos de capital e de propriedade de imóveis para os seg- 1 mentos mais ricos. Os trabalha­. dores, entretanto, terão de pa­gar mais imposto sobre salário.
O texto manteve o seguro-desemprego para 2 milhões trabalhadores sem ocupação há mais de um ano.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

CAMPANHA ANTIARMAS PRESSIONA OBAMA

CAMPANHA ANTIARMAS PRESSIONA OBAMA

OBAMA SOB PRESSÃO
Autor(es): RODRIGO CRAVEIRO
Correio Braziliense - 17/12/2012
 

Dois dias após o massacre na Escola Primária Sandy Hook, com 20 crianças e seis adultos assassinados, aumenta a pressão sobre Barack Obama para liderar uma mobilização contra armas nos EUA. Em visita à cidade de Newtown, o presidente manifestou solidariedade às famílias e citou uma a uma as vítimas do atentado . Obama disse que o país “ não pode mais tolerar” tragédias desse porte e prometeu, sem detalhar , ações concretas


Presidente viaja até Newtown, se reúne em privado com familiares das vítimas e participa de celebração ecumênica. Prefeito de Nova York e senadora exigem rígido controle das armas. Polícia confirma Adam Lanza como o atirador e divulga mais detalhes sobre a matança

Sob forte coação política dentro do próprio partido, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, desembarcou, às 17h15 (20h15 em Brasília) de ontem em Newtown (Connecticut), para prestar condolências aos familiares das vítimas do segundo pior massacre da história dos Estados Unidos. Depois de reunir a portas fechadas, por cerca de 1 hora, com os pais das 20 crianças assassinadas na Escola Primária Sandy Hook, com socorristas e com policiais, ele participou de uma cerimônia ecumênica em memória dos mortos, no auditório da Newtown High School e fez um mea-culpa.

“A missão mais importante é cuidar de nossas crianças. Isso é como a sociedade será julgada. Como nação, cumpriremos com nossa obrigação, mas não estamos fazendo o bastante e temos que mudar”, declarou Obama. Ele prometeu que, nas próximas semanas, trabalhará com a Justiça para impedir mais matanças. “Não podemos tolerar mais isso. Essa tragédia tem que acabar”, disse, sem conter o choro. No entanto, Obama lembrou que nenhuma lei pode eliminar o mal.

Minutos antes do memorial — que contou com um pastor, um padre e um rabino —, os primeiros policiais que chegaram à cena do crime foram aplaudidos de pé. Muitos deles choraram. Na última sexta-feira, horas depois da matança, Obama fez uma declaração emocionada e, ao limpar as lágrimas, prometeu tomar uma medida para evitar mais tragédias. “Como país, já passamos demais por coisas assim”, declarou, na ocasião.

O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, foi incisivo ontem, ao cobrar uma posição de Obama sobre o tema. “É hora de o presidente se levantar e liderar. Isso deveria ser o seu número 1 na agenda. Ele é o presidente dos Estados Unidos. E se nada fizer durante seu segundo mandato, algo como 48 mil americanos serão mortos com armas ilegais no próximo ano”, advertiu. Ex-republicano que tornou-se independente, Bloomberg disse à rede de tevê NBC que o líder democrata “tem que traduzir suas visões em ações”. A senadora democrata Dianne Feinstein prometeu apresentar um projeto de lei, assim que o novo Congresso tomar posse em janeiro, para proibir as armas de assalto. Para que ele avance em um Capitólio dividido, será preciso que as lideranças dos dois partidos — tanto na Câmara dos Representantes quanto no Senado — avalizem o texto. Uma proibição federal para as armas de assalto expirou em 2004 e, desde então, as tentativas de reinstaurar a lei fracassaram.

Em entrevista ao Correio, por e-mail, Dewey Cornell — professor de psicologia escolar e clínica da Universidade da Virgínia e diretor do Projeto de Violência Juvenil — mostrou-se cético em relação a uma mudança na legislação. “Há um forte lobby contra qualquer regulação de armas nos Estados Unidos. Os pedidos de mudança que Obama fizer encontrarão resistência no Congresso”, admitiu. Ele acha contraditório o fato de todos os passageiros de aviões serem obrigados a tirar os sapatos nos aeroportos, enquanto fuzis de assalto estão disponíveis para qualquer um nas lojas. Cornell considerou significativa a visita do presidente a Newtown, mas disse esperar uma pressão maior. “Precisamos mais do que controle ao acesso de armas, de qualquer modo. Necessitamos de serviços de saúde mental mais eficientes e acessíveis.”

Detalhes
A polícia de Newtown e o FBI divulgaram ontem novas informações sobre o crime. As autoridades confirmaram Adam Lanza como o assassino. O rapaz de 20 anos carregava um fuzil de assalto Bushmaster calibre .223 e centenas de balas quando entrou atirando na Escola Primária Sandy Hook, às 9h30 (12h30 em Brasília). Também levava consigo duas pistolas — uma Sig Sauer 9mm e uma Glock 10mm —, mas apenas uma teria sido usada para disparar contra a própria cabeça.

Todos os 20 alunos, a diretora e os cinco funcionários foram mortos com o fuzil. Outra arma do mesmo tipo foi encontrada no porta-malas do carro. Com Adam, havia vários pentes capazes de armazenar 30 balas, cada. O tenente J. Paul Vance, porta-voz da polícia, também confirmou que o atirador executou a mãe com vários tiros no rosto, antes de partir para a matança na escola. Os agentes analisam pistas coletadas na escola e na casa, incluindo armas de fogo. “Nós estamos traçando a história delas, desde a montagem”, declarou.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Dilma, Obama e a guerra Brasil-EUA

Dilma, Obama e a guerra Brasil-EUA

O duelo comercial entre Dilma e Obama
Autor(es): » DENISE ROTHENBURG
Correio Braziliense - 25/09/2012
 

Nova York — Os dois países andam às turras nas relações comerciais. Os EUA reclamam de restrições brasileiras a importações. O Brasil se queixa de um "tsunami" de dólares que prejudicaria o real. É nesse clima que os dois presidentes terão rápido encontro hoje na abertura da Assembleia Geral da ONU.

A presidente brasileira ataca hoje, em assembleia na ONU, o"tsunami monetário" norte-americano. Os EUA acusam o Brasil de protecionista
Nova York — Dilma Rousseff e Barack Obama terão um rápido encontro hoje na sede das Nações Unidas (ONU), num momento em Brasil e Estados Unidos andam às turras nas relações comerciais. Enquanto os norte-americanos reclamam da decisão do parceiro de aumentar, de forma sistemática, os impostos incidentes sobre importações, os brasileiros não se conformam com a decisão do Federal Reserve (Fed), o banco central do EUA, de injetar US$ 40 bilhões mensalmente na maior economia do planeta até que o desemprego, que passa dos 8%, recue. Para o governo Dilma, essa medida promove "um tsunami monetário" no mundo, valoriza o real e tira a competitividade dos produtos nacionais no exterior. A líder brasileira vai deixar o seu descontentamento com o Fed no discurso desta manhã. Já os EUA ameaçam recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra o que classificam como protecionismo do Brasil.
Esse embate, somado à campanha pela reeleição de Obama, serviu para que os dois governos evitassem um encontro bilateral demorado durante a passagem de Dilma por Nova York. A expectativa dos diplomatas brasileiros, entretanto, é a de que os dois presidentes troquem algumas palavras na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, que líder brasileira abrirá às 9h da manhã. Logo depois, será a vez do presidente norte-americano. "Creio que deverá imperar a cortesia no encontro entre os dois, apesar das desavenças na área econômica. Os dois lados têm argumentos de sobra para defender seus pontos de vista", disse um ministro que participa da comitiva brasileira.
Ontem, Dilma se reuniu com o presidente da Comissão Europeia (CE), José Manoel Durão Barroso, por uma hora e meia, no Hotel St. Regis, onde ela está hospedada. O tema central da conversa foi a crise que assola a Zona do Euro. "Tive a oportunidade de conversar sobre as medidas adotadas (pelo bloco econômico). A vocês brasileiros, que gostam de futebol, posso dizer o seguinte: a primeira fase do jogo já passou. Estamos na segunda
fase. E, contrariamente ao que dizem os apostadores, não perdemos nenhum jogador e ninguém foi expulso e nem estamos perdendo o jogo", disse Durão.
Dilma foi mais direta nos queixumes contra os países ricos. Para ela, é importante que as medidas adotadas pela Zona do Euro — o Banco Central Europeu também está pondo caminhões de dinheiro na economia — não prejudiquem o Brasil, um país que se mantém numa situação econômica favorável e, se não for afetado, pode, inclusive, contribuir com soluções para a crise. Ela evitou usar a expressão "tsunami monetário", adotada em uma viagem à Europa no ano passado, mas o sentido continua o mesmo: o governo brasileiro tem ressalvas às medidas que afetam os países emergentes, sobretudo por meio da valorização de suas moedas, que deixam suas exportações mais caras.
Recessão
As declarações de Barroso coincidem com as de muitos analistas sobre a crise. Há quem diga que, sem as medidas adotadas na Europa e nos Estados Unidos, o crescimento do Produto Interno do Bruto (PIB) do Brasil não chegaria nem aos tímidos 2% previstos pelo governo para este ano. Afinal, há um consenso entre os países de que uma recessão generalizada não interessa a ninguém. A conversa entre Dilma e Barroso começou com o presidente da CE levantando o tema do acordo comercial Brasil-União Europeia (UE), que vem sendo negociado há anos e sem um desfecho à vista por conta da crise na Zona do Euro. Além de acelerar um possível acordo, eles começaram a desenhar uma reunião de cúpula entre o Mercosul e a UE para janeiro de 2013.
Encerrada a conversa com Barroso, no inicio da noite, a presidente dispensou ministros e assessores e avisou que sairia para jantar com a filha, Paula, que a acompanha na viagem. Antes, as duas foram assistir uma ópera. Assim, a líder brasileira não participou da recepção no Waldorf Astoria, que teve Barack Obama como anfitrião. Não foi a primeira vez que Dilma dispensou esse convite. No ano passado, ela também não compareceu a esse encontro que ocorre sempre às vésperas da abertura da Assembléia Geral da Nações Unidas. Pelo menos neste caso, a ausência da líder brasileira nada teve a ver com o fato de Brasil e Estados Unidos estarem estremecidos comercialmente.
Na avaliação de Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior e atual sócio da Barral MJorge Consultores, não há muito com o que se preocupar com a guerra comercial entre Brasil e EUA. "A troca de farpas tem um lado eleitoreiro dos Estados Unidos. Para ele, a lista de 100 produtos que tiveram aumento do Imposto de Importação no país é pequena se comparada com a gama de produtos comprados dos norte-americanos. "Além disso, o Brasil elevou as tarifas até 25% e não ao máximo permitido, é 35%", destacou. Para ele, por ser um tema polêmico, o Obama aproveitará para ganhar mais alguns votos questionando o protecionismo brasileiro.
» Segurança no trânsito
O ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, juntou-se ontem à comitiva brasileira para cuidar da reunião que a presidente terá sobre uma campanha mundial de segurança no trânsito com o presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), Jean Todt. Ribeiro encontrou-se com Todt acompanhado do ex-piloto Emerson Fittipaldi. O Ministério deve investir este ano R$ 73 milhões na redução de acidentes. "O Brasil vai liderar a iniciativa com a FIA. Vamos usar o selo da ONU na campanha", disse Fittipaldi.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Militares sairão do Afeganistão

Militares sairão do Afeganistão

Renata Giraldi* - Repórter da Agência Brasil

A Secretaria de Defesa dos Estados Unidos deve anunciar hoje (21) a retirada de 33 mil  militares do Afeganistão. Eles fazem parte do contingente enviado em 2010 pelo presidente Barack Obama. A ação ocorre no momento em que há uma onda de ataques contra representações diplomáticas norte-americanas devido a um filme que satiriza o profeta Maomé e o islamismo, produzido nos Estados Unidos.

Apesar da retirada dos 33 mil homens do Afeganistão, ainda restam no país cerca de 68 mil militares norte-americanos. O objetivo é retirar todos os militares estrangeiros até o fimde  2014, incluindo a saída dos integrantes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Desde 2011, quando foi lançada a ofensiva denominada guerra ao terror pelo ex-presidente George W. Bush, os norte-americanos estão em território afegão. A retirada das tropas, no entanto, faz parte do processo de transferência gradual da responsabilidade de segurança para as forças afegãs.

Anteontem (19) um grupo de senadores pediu uma "pausa estratégica" na retirada das tropas dos Estados Unidos do Afeganistão, após o aumento dos ataques contra os homens da Otan pelas forças de segurança afegãs durante a onda de violência gerada pelo filme anti-Islã.

O governo dos Estados Unidos começou a retirada dos primeiros soldados de sua tropa no Afeganistão em 2011. No ápice da chamada guerra ao terror havia cerca de 100 mil militares norte-americanos em território afegão.

*Com informações da agência pública de notícias de Portugal, Lusa

Edição: Graça Adjuto

Fonte: EBC  
 
 

Publicado em: 21/09/2012

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

EUA e França reforçam medidas de segurança após charges de Maomé

EUA e França reforçam medidas de segurança após charges de Maomé

Publicado em Carta Capital
Editor da revista Charlie Hebdo’s segura edição com caricatura. Foto: ©AFP / Fred Dufour

PARIS (AFP) – Estados Unidos e França reforçaram as medidas de segurança de seus interesses e representações no mundo ante o risco de que a violência desencadeada pelo filme Innocence of Muslims (Inocência dos Muçulmanos), que ofende Maomé, aumente ainda mais após a publicação, nesta quarta-feira 19, de charges do profeta muçulmano em uma revista satírica francesa.
Mais de 30 pessoas morreram em ataques e manifestações violentas provocadas pela divulgação de trechos do filme amador, incluindo 12 em um atentado suicida executado por uma mulher, na terça-feira 18, no Afeganistão. O reforço das medidas de segurança se concentra na sexta-feira, dia de oração nos países muçulmanos e que pode provocar um aumento da mobilização contra o Ocidente.
Após uma semana de violência antiamericana no mundo árabe, o governo dos Estados Unidos adotou medidas excepcionais para proteger suas embaixadas no mundo, anunciou a secretária de Estado Hillary Clinton. A chefe da diplomacia negou que Washington tenha recebido informações sobre os planos para o ataque ao consulado de Benghazi (Líbia) em 11 de setembro, que matou o embaixador do país.
A França também reforçou as medidas de segurança depois que a revista satírica francesa Charlie Hebdo publicou na edição desta quarta-feira 19 desenhos sobre a controvérsia gerada pelo filme. As charges da publicação apontam mais para os autores do filme e os islamitas do que para o Islã, mas o profeta Maomé é representado nu em dois desenhos.
O chanceler francês Laurent Fabius anunciou o aumento da segurança nas embaixadas francesas. Em Paris, a polícia também reforçou a proteção ao edifício que abriga a redação da Charlie Hebdo e manifestações de repúdio ao filme foram proibidas pelo primeiro-ministro, Jean-Marc Ayrault.
Paquistaneses queimam bandeiras americanas. Foto: ©AFP / Aamir Qureshi

“Estamos em um país no qual a liberdade de expressão está garantida, a liberdade de caricaturar também”, declarou o primeiro-ministro francês, Jean-Marc Ayrault. No entanto, ele afirmou que se as pessoas se sentirem ofendidas e considerarem que o direito foi ultrapassado, podem apelar aos tribunais. No contexto atual, a publicação da Charlie Hebdo “joga lenha na fogueira”, opinou Laurent Fabius.
Na França, qualquer agressão aos muçulmanos é considerada sensível. O país tem a maior comunidade muçulmana da Europa, com entre quatro e seis milhões de muçulmanos.
Conflitos
Na última semana, vários países do Oriente Médio, África do Norte, Ásia e Europa foram cenários na última semana de atos de violência dirigidos contra Estados Unidos após a divulgação de trechos do filme.
Na terça-feira, o presidente americano Barack Obama pediu ao mundo muçulmano que trabalhe com os Estados Unidos para garantir a segurança de seus representantes no mundo. “Embora este vídeo seja chocante – e nós o denunciamos evidentemente, o governo americano não tem nada a ver com ele – não é de nenhum modo uma desculpa para a violência”, disse.
O embaixador dos Estados Unidos na Líbia e três funcionários americanos morreram no ataque ao consulado de Benghazi. Em 2005, a publicação de charges de Maomé por um jornal dinamarquês provocou uma onda de protestos no mundo muçulmano.

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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Israel critica os EUA e pede a imposição de limites ao Irã

Israel critica os EUA e pede a imposição de limites ao Irã

 Publicado em Carta Capital

Netanyahu durante a entrevista em que criticou a postura dos Estados Unidos a respeito do Irã. Foto: Gali Tibbon / AFP

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, decidiu deixar claro nesta terça-feira 11 suas desavenças com o governo dos Estados Unidos a respeito de como lidar com o programa nuclear do Irã. Em uma entrevista coletiva em Jerusalém, Netanyahu respondeu aos comentários recentes de autoridades norte-americanas e disse que, se a comunidade internacional não estabelecer limites para o Irã, não pode exigir que Israel não ataque as instalações nucleares iranianas.
“O mundo diz a Israel que ainda há tempo. Eu respondo: tempo para quê, tempo até quando?”, questionou Netanyahu durante uma entrevista coletiva com o primeiro-ministro da Bulgária, Boiko Borissov. “Aqueles da comunidade internacional que se recusam a fixar limites ao Irã não tem o direito moral de impô-los a Israel”, advertiu Netanyahu. “O fato é que a cada dia que passa, o Irã está cada vez mais perto da bomba nuclear. Se o Irã sabe que não há limites ou prazo máximo, o que fará? Exatamente o que está fazendo: continuar sem qualquer interferência para obter capacidades nucleares e, a partir daí, bombas atômicas”, completou Netanyahu.
As frases do premiê israelense foram direcionadas aos Estados Unidos. Em entrevista veiculada no domingo 9 pela rádio Bloomberg, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou que a Casa Branca não “está estabelecendo datas-limite” para o Irã. A porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland, reafirmou na segunda-feira 10 que o presidente Barack Obama tem um compromisso de impedir que o Irã obtenha armas nucleares, e afirmou que o estabelecimento de datas-limites ou limites de desenvolvimento nuclear ao Irã seria inútil.
A indignação de Netanyahu coincide com uma reportagem da agência de notícias Associated Press que coloca mais pressão sobre o Irã. De acordo com a AP, cinco diplomatas confirmaram, de forma anônima, que a Agência Internacional de Energia Nuclear (AIEA) tem novas evidências de que o programa nuclear iraniano tem objetivos bélicos. As evidências, obtidas por Israel, Estados Unidos e outros dois países ocidentais, provariam que em algum momento nos últimos três anos o Irã teria usado modelos matemáticos para calcular o poder de destruição de ogivas nucleares.

Ao escancarar as divergências com os EUA, Netanyahu pode ter uma de duas intenções. O premiê israelense poderia estar tentando forçar a Casa Branca a estabelecer limites ao Irã, passando assim o fardo da pressão sobre Teerã aos EUA. A Casa Branca resiste a tal estratégia por dois motivos. Primeiramente, porque há enorme dificuldade para verificar se o Irã cruzará ou não os limites impostos. Em segundo lugar, o estabelecimento de “linhas vermelhas” serviria como ultimato, em último caso obrigando os EUA a atacar para mostrar que não estão blefando. A dois meses das eleições, as chances de Barack Obama ampliar a pressão contra o Irã é praticamente nula.
A segunda possível estratégia de Netanyahu seria justificar um ataque. Não se sabe se o primeiro-ministro israelense tem mesmo a intenção de atacar e, caso tenha, se conseguirá estabelecer um consenso dentro de Israel. Em agosto, o presidente de Israel, Shimon Peres, pode ter conseguido bloquear o ímpeto de Netanyahu. Caso a intenção de atacar o Irã em breve seja verdadeira, Netanyahu deve estar ciente da possibilidade de perder seu maior aliado, os EUA. Não há dúvidas de que a retaliação iraniana teria interesses americanos como alvo. Criar a possibilidade de isso ocorrer no período eleitoral seria visto como imperdoável pelos políticos americanos, tanto democratas quanto republicanos.
Com informações da AFP. Leia mais em AFP Movil

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Obama sinaliza que não antecipará retirada de tropas da Otan do Afeganistão

Obama sinaliza que não antecipará retirada de tropas da Otan do Afeganistão

Giraldi* - Repórter da Agência Brasil

O presidente norte-americano, Barack Obama, disse que "não haverá retirada precipitada" das forças internacionais do Afeganistão, mesmo que a França antecipe sua saída da região.  Ele participou, nesse domingo (20), da abertura da Cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em Chicago, nos Estados Unidos. A previsão é começar a retirada das tropas no fim de 2014, mas a França quer iniciar o processo antes.

"Mantemos a determinação de concluir a missão”, reafirmou Obama, que se reuniu com o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai. Os 28 aliados da Otan e representantes dos países parceiros defendem o fim da participação militar no território afegão devido aos elevados custos e às perdas de vidas.

O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, disse que a prioridade "é que não haja retirada precipitada". "Vamos continuar empenhados no Afeganistão até o sucesso da operação. Juntos, podemos continuar a fazer da Otan uma resposta crível aos desafios de segurança de amanhã porque nenhum país pode agir sozinho."

A Otan está no Afeganistão há cerca de dez anos. Durante a cúpula, Rasmussen se prepara para apresentar 25 projetos de cooperação, parte do programa Defesa Inteligente, lançado para reduzir o impacto dos cortes nas despesas militares, particularmente na Europa.

Paralelamente às discussões políticas sobre a manutenção de forças militares no Afeganistão pelas autoridades, militantes ligados ao movimento Occupy, o mesmo que mobilizou Wall Street em setembro de 2011, desfilaram no centro de Chicago pedindo o fim das guerras. "Queremos a paz, queremos mais dinheiro para a educação", disse a estudante Isabel Olivia, de 18 anos, segurando bandeira na qual se lia "Fim à Otan".

*Com informações da agência pública de notícias de Portugal, Lusa//Edição: Graça Adjuto
 
Fonte: EBC   
 
 

Publicado em: 21/05/2012

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Nos EUA, Dilma marca posição pró-Cuba

Nos EUA, Dilma marca posição pró-Cuba

Autor(es): VERA ROSA
O Estado de S. Paulo - 09/04/2012
 

No encontro que terá hoje com Obama, presidente avisará que próxima Cúpula das Américas "será a última" sem o país caribenho

Na conversa reservada que terá hoje com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na Casa Branca, a presidente Dilma Rousseff marcará posição em defesa de Cuba. Em um jogo combinado com outros países do continente, Dilma avisará que "esta será a última Cúpula das Américas sem a participação de Cuba" porque, caso a situação não mude, o próximo encontro, em 2016, ficará completamente esvaziado.
A 6.ª Cúpula das Américas ocorrerá na cidade colombiana de Cartagena de Índias, nos dias 14 e 15, pouco depois de Dilma voltar da viagem aos EUA. Sob embargo econômico norte-americano, Cuba foi, mais uma vez, excluída da reunião continental. Em sinal de protesto, o presidente do Equador, Rafael Correa, já anunciou que não participará do encontro na Colômbia.
Na conversa com Obama, Dilma pretende antecipar a posição unificada que o Brasil e outros países do bloco mais alinhado à esquerda pretendem levar à Cúpula das Américas. Pelo roteiro acertado até agora, os governantes de 12 dos 34 países convidados para o convescote de Cartagena farão declarações de repúdio à falta de assento para Cuba no evento.
Na prática, Dilma quer arrancar de Obama, neste ano de eleições presidenciais nos Estados Unidos, o compromisso político de que o governo americano vai restabelecer relações com a ilha governada por Raúl Castro, irmão e sucessor de Fidel Castro no comando do país. Obama é candidato a um segundo mandato pelo Partido Democrata. Os comentários de Dilma, porém, devem ser feitos na conversa a portas fechadas, e não na declaração ao lado de Obama, na Casa Branca. Dilma não tem intenção de pôr Obama numa saia-justa nem de tocar na questão da violação dos direitos humanos em Cuba.
Quando visitou Havana, em janeiro, Dilma criticou os EUA e disse não ser possível fazer da questão dos direitos humanos uma "arma" de combate político-ideológico. "Se vamos falar de direitos humanos, nós começaremos a falar de direitos humanos no Brasil, nos Estados Unidos e a respeito de uma base aqui chamada Guantánamo", afirmou Dilma, na ocasião, numa referência à prisão mantida pelo governo americano na ilha.
Flórida. Dilma também ouviu apelos de empresários para questionar Obama sobre a constitucionalidade de uma lei aprovada na Flórida que pune empresas com relações comerciais com Cuba. Pela nova lei, companhias com negócios na ilha não podem ter grandes empreendimentos na Flórida. A retaliação atinge em cheio as empreiteiras brasileiras, como a Odebrecht, que toca a obra do Porto de Mariel, em Cuba. Trata-se do principal empreendimento de infraestrutura realizado atualmente ali, com financiamento de US$ 683 milhões do governo brasileiro - 85% do valor total.
Depois que a lei foi aprovada no Congresso da Flórida, Dilma recebeu várias reclamações de empresários que mantêm negócios tanto nos EUA quanto em Cuba. Eles querem que Dilma pergunte a Obama até que ponto o Estado pode legislar sobre questões de relações internacionais.
Cachaça. O único acordo comercial da visita oficial de Dilma aos EUA será o reconhecimento da cachaça como produto exclusivamente brasileiro. A bebida deixará de chegar ao mercado americano como uma espécie de rum. A contrapartida será o ingresso no Brasil do bourbon, o uísque de milho, como bebida típica dos EUA e não mais como Scotch. Outros cinco acordos menos pitorescos serão firmados em diferentes áreas, além de 14 em Educação.
Dilma se reúne hoje de manhã com Obama na Casa Branca e, após o almoço, participa do encerramento do Foro de Altos Executivos EUA-Brasil. À tarde ela encerra o seminário Brasil-EUA: Parcerias para o Século 21 e, depois, se reúne com empresários norte-americanos. À noite, jantará com o embaixador do Brasil nos EUA, Mauro Vieira.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

EUA desistem de aviões da Embraer

EUA desistem de aviões da Embraer

Força aérea americana cancela compra de US$ 355 milhões em aviões da Embraer
O Estado de S. Paulo - 29/02/2012
 
Numa guinada inesperada para a Embraer e para o mercado, a Força Aérea dos Estados Unidos (Usaf) cancelou ontem sua decisão de comprar 20 aviões A-29 Super Tucano, a serem destinados ao Afeganistão. O valor desse contrato, ainda não assinado, é de US$ 355 milhões.
Embora justificada por "problemas de documentação", a decisão foi motivada sobretudo pela pressão política da oposição republicana e de políticos do Estado de Kansas, onde está instalada a sede da Hawker Beechcraft, a rival americana da Embraer derrotada na escolha da aeronave de ataque leve e apoio aproximado à tropa terrestre.
"Apesar de buscarmos a perfeição, nós às vezes não atingimos nosso objetivo. E, quando isso ocorre, temos de adotar medidas de correção", disse o secretário da Usaf, Michael Donley, por um comunicado. "Dado que a compra ainda está em litígio, eu somente posso dizer que o principal executivo responsável pelas aquisições da Força Aérea, David Van Buren, não está satisfeito com a qualidade da documentação que definiu o vencedor."
Investigação. De acordo com a Usaf, o diretor da área de equipamentos, Donald Hoffmann, determinou a abertura de uma investigação sobre o processo de licitação. A porta-voz da Força Aérea, Jennifer Cassidy, disse ontem não saber quando o processo de compra será retomado. Tampouco detalhou as razões do cancelamento.
Em São Paulo, o presidente da Embraer Defesa e Segurança (EDS), Luiz Aguiar, informou em curta nota corporativa que "a Embraer aguardará mais esclarecimentos sobre o assunto para, junto com sua parceira Sierra Nevada Corporation, decidir os próximos passos".
Aguiar lamentou o cancelamento do contrato, destacando o fato de a Embraer ter participado do processo de seleção "disponibilizando, sem exceção e no prazo próprio, toda a documentação requerida".
Para o presidente da EDS, "a decisão a favor do Super Tucano foi uma escolha pelo melhor produto, com desempenho em ação já comprovado e capaz de atender com eficiência às demandas apresentadas pelo cliente, a Força Aérea dos Estados Unidos".
Em janeiro, a Hawker contestou na Corte Federal de Apelação a decisão da Força Aérea americana de desqualificá-la na licitação para a compra dos turboélices, um mês antes. Única concorrente, a Embraer foi declarada vitoriosa.
O questionamento judicial não preocupa a empresa brasileira. Segundo um alto executivo da Embraer nos EUA, a escolha da Usaf se mostrara consistente com as exigências da licitação, e os argumentos da Hawker eram frágeis. / COLABOROU GERSON MONTEIRO, ESPECIAL PARA O ESTADO