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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Médico cubano foge do Brasil

Médico cubano foge do Brasil

Médico cubano foge do Brasil
Autor(es): JOÃO VALADARES JULIA CHAIB
Correio Braziliense - 11/02/2014
 
Entidade com sede em Miami auxiliou profissional lotado no interior paulista a deixar o país. É o segundo caso de estrangeiros da ilha caribenha que abandonam o programa federal

O médico cubano Ortelio Jaime Guerra, que há uma semana abandonou um posto de trabalho do programa Mais Médicos em Pariquera-Açu, interior de São Paulo, fugiu do Brasil para os Estados Unidos com o auxílio da organização não governamental (ONG) Solidariedade sem Fronteiras. Julio Cesar Alfonso, presidente da entidade que ajuda cubanos da área de saúde que desertaram de missões pelo mundo, confirmou ao Correio o auxílio prestado a Ortelio. A ONG tem sede em Miami. Cubanos “resgatados” pela entidade conseguem uma espécie de visto humanitário para entrar nos Estados Unidos. Trata-se do Cuban Medical Professional Parole (CMPP), criado pelo governo George W. Bush em 2006.

Desde a semana passada, o Ministério da Saúde havia sido notificado pela prefeitura de Pariquera-Açu do desaparecimento de Ortelio. O município comunicou que o profissional cubano tinha abandonado o serviço e que não possuía informações sobre o paradeiro dele. Ontem, em sua conta no Facebook, o médico informou aos amigos que já estava em solo norte-americano.

Em uma foto postada em 2 de fevereiro, na qual aparece ao lado de dois amigos em São Paulo, Ortelio explicou que precisou ir embora sem falar com ninguém por questões de segurança. Ele ressaltou que a imagem é da última noite na cidade. No fim da tarde de ontem, a foto já havia sido compartilhada por mais de 300 pessoas. Muitos amigos deixaram mensagens de apoio e pregaram “liberdade aos médicos cubanos”.

Agradecimento
O profissional, especializado em nefrologia, agradeceu a várias pessoas que trabalharam com ele no Brasil. Ortelio salientou que estava bem e avisou que precisava “dar esse passo”. “Para todos os meus amigos que me enviaram mensagens preocupados com minha ausência, eu agradeço infinitamente. Agora, estou nos Estados Unidos e, embora considere necessário dar esse passo, tenho muito orgulho da minha terra e das minhas raízes. Um grande abraço para todos. Obrigado, mais uma vez, pela preocupação”, escreveu.

Ortelio fazia parte do chamado segundo ciclo de cubanos que chegaram ao Brasil, em novembro do ano passado. Após três semanas de treinamento em São Paulo, o profissional seguiu para Pariquera-Açu. O Ministério da Saúde comunicou que o desligamento do médico está sendo providenciado para que outro profissional o substitua.

Há uma semana, o programa havia registrado o primeiro caso de deserção. A médica cubana Ramona Matos Rodriguez fugiu da cidade de Pacajá (PA), onde estava desde outubro trabalhando em um posto de saúde, e viajou para Brasília. Ela está morando na casa de um deputado do DEM enquanto espera a análise do pedido de refúgio feito ao governo brasileiro. A médica apresentou um contrato, que prevê o repasse de R$ 1 mil, sendo que US$ 400 são depositados em uma conta no Brasil, outros US$ 50 podem ser movimentados por uma pessoa indicada por ela em Cuba e os demais US$ 550 ficam em uma conta na ilha caribenha, mas só serão disponibilizados depois do fim da missão.
Colaborou Adriana Caitano

“Para todos os meus amigos que me enviaram mensagens preocupados com minha ausência, eu agradeço infinitamente. Agora, estou nos Estados Unidos” 
Ortelio Jaime Guerra, profissional cubano que deixou o Mais Médicos

Cubana decide abandonar programa Mais Médicos

Cubana decide abandonar programa Mais Médicos

O Globo - 05/02/2014
 
- Levada ao plenário da Câmara na noite desta terça-feira pelo deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), a médica cubana Ramona Matos Rodriguez, de 51 anos, disse que decidiu abandonar o programa Mais Médicos, do governo federal, descontente com o salário que recebia. Ela chegou ao Brasil em outubro e estava trabalhando em Pacajá, no interior do Pará. Fugiu no último sábado da cidade e seguiu para Brasília

Caiado provocou um alvoroço no plenário ao apresentar uma médica cubana. Com um contrato em mãos, o deputado disse ter a prova de que o convênio para a contratação dos médicos cubanos não foi firmado pelo governo brasileiro com a Organização Pan-americana de Saúde (Opas) e sim com a Sociedade Mercantil Cubana Comercializadora de Médicos Cubanos S.A.
Segundo Caiado, a médica recebia apenas US$ 400 (R$ 960) e o restante do dinheiro (US$ 600) do contrato era depositado numa conta cubana, à qual ela só teria acesso depois. Caiado disse que é um absurdo o governo pagar R$ 10 mil mensais pela médica e ela receber apenas US$ 1 mil (R$ 2.400).
Ramona alegou que teve seu telefone grampeado pela Polícia Federal e que agentes federais teriam ido atrás dela para prendê-la. Caiado acusou o governo brasileiro de explorar trabalho escravo. Segundo o deputado, o advogado do DEM entrará com pedido de asilo da médica, porque se Ramona retornar a Cuba será presa. Procurado, o Ministério da Justiça disse que não sabia do caso e que só deve se manifestar nesta quarta. Até as 23h, o Ministério da Saúde não havia se pronunciado.
Em plenário, Caiado afirmou que a médica ficará sob seus cuidados, na Liderança do DEM, onde dormirá, tomará banho e vai fazer as refeições. O deputado disse que a médica trabalhou cinco meses em Pacajá.
— Que direito tem a Polícia Federal de ficar no encalço dela, perseguir essa mulher que clama por liberdade? Essa Casa tem que estar aberta para receber pessoas que clamam por liberdade — criticou Caiado.
Uma cópia do contrato individual de Ramona mostra que a médica foi contratada pela empresa cubana Comercializadora de Servicios Médicos Cubanoa, e não pela Opas, como anunciou o governo.
“Eu me senti enganada”
Ramona disse que somente depois que chegou ao Brasil, quando fazia curso em Brasília, descobriu, junto a outros estrangeiros, que o salário era de R$ 10 mil mensais.
— Me senti enganada. Em Cuba não falaram nada de dez mil (reais). Decidi fugir por isso. Eu me senti muito mal, senti que fui enganada — disse Ramona Rodriguez.
Caiado acusou o governo de cometer um crime e exige que o Ministério da Justiça conceda asilo para a cubana.
— É a figura clandestina do gato. Quando criticamos o programa o Ministério da Saúde disse que o contrato era com a Opas, mas a Opas nunca veio prestar esclarecimento. Ela me ligou, procurou clamando por liberdade. o que mostra o quanto foi enganada. Ela saiu no sábado de Pacajá, no interior do Pará, e foi informada que a Polícia Federal esteve lá, dizendo que ela seria presa. Ficou ansiosa — disse Caiado, acrescentando:
— Quis levá-la ao plenário para mostrar o crime convalidado pelo governo brasileiro de utilizar, explicitamente, mão de obra escrava; ela foi forçada, não pode se deslocar, teve o telefone grampeado.
O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), pediu que Caiado terminasse sua fala. Houve bate-boca entre Caiado e Henrique, que argumentava que a Casa estava em meio a uma votação.
A médica ficará abrigada na Liderança da legenda. Caiado exigiu que Henrique Alves garanta a segurança da médica na Câmara.

Médica cubana está refugiada na Câmara

Médica cubana está refugiada na Câmara

Médica cubana está refugiada na Câmara
Correio Braziliense - 05/02/2014
 
Uma semana depois de a presidente Dilma Rousseff visitar Cuba e agradecer ao presidente Raúl Castro a parceria no Mais Médicos, uma profissional do país caribenho, que afirma ter atuado no Pará pelo programa, fugiu do estado e pediu asilo político ao Brasil, alegando que não recebe o salário a que tinha direito. Ela fugiu para Brasília e procurou a liderança do DEM no início da tarde de ontem para pedir ajuda. A estrangeira foi abrigada na sala do partido na Câmara até que a situação seja resolvida. Segundo a médica, que passaria a noite no Congresso, a Polícia Federal grampeou o telefone dela e tenta prendê-la.
Ramona Matos Rodríguez, 51 anos, foi apresentada na noite de ontem, na sessão do plenário, pelo deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO). Ele interrompeu a votação que ocorria para relatar o caso, mas foi impedido de continuar pelo presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). "Vossa Excelência não é mais líder, não é o momento, tem um tempo limitado para manifestação", disse Alves, provocando bate-boca.
Caiado levou Ramona para a liderança do DEM, que, ao lado de deputados do partido, concedeu entrevista coletiva à imprensa. Ela relata que assinou contrato em Cuba, em setembro, com a promessa de receber mil dólares americanos por mês, cerca de R$ 2,5 mil — US$ 600 seriam depositados em uma conta em seu nome na ilha caribenha, e ela só teria acesso aos recursos quando voltasse. O correspondente a US$ 400 seriam pagos em reais a ela mensalmente no Brasil. A médica exibiu o contrato assinado com a Sociedade Mercantil Cubana Comercializadora de Serviços Médicos Cubanos S.A. em que estão especificados os valores. Além disso, ela tinha direito a R$ 750 para alimentação e um local para moradia, garantidos pela prefeitura de Pacajá (PA), onde teria trabalhado.
A cubana relata que, durante o curso de preparação para os profissionais do Mais Médicos, em outubro, em Brasília, soube que os colegas vindos de outros países receberiam salário entre R$ 10 mil e R$ 15 mil. "Eu me senti enganada, muito mal, e fiquei pensando em como sair (do programa)", contou. Segundo Ramona, no sábado pela manhã, ela conseguiu deixar Pacajá rumo a Brasília sem informar ao supervisor dos cubanos na cidade. "Só podíamos sair de lá, mesmo que para passear, com autorização dele", diz a médica. Quando perguntada sobre como saiu sem ser percebida, ela respondia apenas "segredo de Estado".
Ameaça
A médica afirma ainda que uma amiga que ficou na cidade paraense foi abordada pela Polícia Federal informando ter identificado uma ligação de Ramona para ela e avisando que a cubana seria presa. "Quando soube disso, eu decidi procurar o deputado Caiado e pedir ajuda", comentou. "É uma situação grave, está explícito que há mão de obra análoga a trabalho escravo no programa Mais Médicos e o contrato não foi feito pela (Organização Pan-Americana da Saúde) Opas, como tinha dito o governo", declarou Caiado.
O líder do DEM, Mendonça Filho (PE), informou que, ainda hoje, a equipe jurídica do partido vai solicitar asilo político ao Brasil para a médica e cedeu o espaço da liderança para que Ramona se abrigasse até a situação ser resolvida. "Se ela sair daqui, pode ser deportada e, lá em Cuba, será presa", alarmou-se. O presidente da Câmara informou, por meio de assessoria, que "não vai interferir no espaço do partido". A Polícia Federal não se manifestou sobre o caso. Procurado, o Ministério da Saúde informou que não se pronunciaria sobre o caso ontem.
Dilma e o PMDB falam idiomas distintos
A presidente Dilma Rousseff e o PMDB continuam falando grego na negociação para a sequência da reforma ministerial. Ciente de que é preciso conciliar as mudanças nas pastas com a campanha à reeleição, Dilma sinalizou, durante a longa reunião de quase cinco horas com a cúpula partidária na última segunda-feira, que aceitaria ceder aos peemedebistas a Integração Nacional, desde que o nome indicado fosse o do líder do partido no Senado, Eunício Oliveira (CE). Entretanto, o parlamentar não quer ser ministro — mas gostaria de fazer a indicação para a pasta. O problema é que o nome sugerido, do senador Vital do Rêgo (PB), não agrada a Dilma. Eunício é pré-candidato do PMDB ao governo do Ceará, mas está cada vez mais distante do PT no estado. Os petistas devem apoiar o nome a ser indicado pelos irmãos Cid e Ciro Gomes (Pros). (Paulo de Tarso Lyra e Grasielle Castro)

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Raúl Castro é reeleito e confirma transição política em Cuba

Raúl Castro é reeleito e confirma transição política em Cuba

25/02/2013 
 
Leandra Felipe
Correspondente da Agência Brasil/EBC

Bogotá - O líder cubano, Raúl Castro, teve seu nome ratificado nesse domingo (24) como presidente pela oitava legislatura da Assembleia Nacional do Poder Popular de Cuba. Reeleito para mais cinco anos, ele confirmou, em discurso aos parlamentares, que o país passará por uma transição política. Aos 81 anos, Castro disse que deve deixar o poder ao terminar o segundo mandato.
Além da promessa de deixar o poder após esse período, o presidente reeleito informou que os mandatos de autoridades cubanas terão limite até dez anos. Ele disse que o novo mandato não será utilizado para “restaurar o capitalismo em Cuba”, mas reconheceu que o país precisa de mudanças para consertar erros cometidos no passado.
“Temos o dever de corrigir os erros que cometemos nessas cinco décadas de construção do socialismo em Cuba”. Raúl Castro acrescentou que os “ajustes” terão limites. O planejamento, e não o mercado, será o traço definitivo da economia e não se permitirá a concentração da propriedade. Mais claro que isso, nem água”, ressaltou o líder cubano.
Ele disse ainda que seu governo continuará a implementar gradualmente as mudanças iniciadas no plano econômico, político e social. Segundo Castro, créditos e subsídios serão eliminados e as funções partidárias (do Partido Comunista) e de governo serão separadas. "O partido deve dirigir e controlar, e não interferir nas atividades de governo em qualquer nível", comentou. O tema será discutido na Conferência Nacional do Partido Comunista no ano que vem.
Diante dos parlamentares, Raúl Castro também falou sobre a importância da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e dos possíveis obstáculos para a sua consolidação. “Sabemos que a Celac enfrentará obstáculos derivados da injusta e insustentável ordem internacional. Temos que buscar a unidade dentro da diversidade”, destacou.
Cuba assumiu a presidência da Celac no último mês de janeiro, durante a Cúpula da Comunidade em Santigo, no Chile. A ilha sediará e organizará a próxima reunião da Celac em 2014.
A Assembleia Nacional também elegeu Miguel Díaz Canel, 53 anos, como vice-presidente do Conselho de Estado e do Conselho de Ministros. Com perfil mais jovem, ele é uma aposta de analistas políticos como “possível” sucessor de Castro.
Raúl Castro foi eleito pelos parlamentares cubanos pela primeira vez em 2008, para substituir o irmão Fidel, que presidiu a ilha por quatro décadas. A eleição também foi marcada pela presença de Fidel no Congresso. Aos 86 anos, o líder raramente é visto em público e não aparecia diante dos parlamentares desde 2006, quando passou o poder ao irmão de forma temporária.

Com informações da TV Estatal Telesur e da BBC Brasil
Edição: Graça Adjuto

Cuba abre espaço para a era pós-Castro

Cuba abre espaço para a era pós-Castro

Passagem de bastão em Cuba
Autor(es): Bernardo Barbosa
O Globo - 25/02/2013
 
Reeleito, Raúl Castro promete espaço para nova geração e garante que sai em 2018

Havana "Revolução é sentido do momento histórico, é mudar tudo o que deve ser mudado." A frase cunhada por Fidel Castro em 1º de maio de 2000 foi usada por seu irmão, Raúl Castro, para encerrar um discurso no qual deixou claro que Cuba será comandada por uma nova geração quando seu segundo e último mandato de cinco anos, para o qual foi reeleito ontem pelo Parlamento local, chegar ao fim em 2018. Diante dos irmãos Castro, Miguel Díaz-Canel, de 52 anos, foi escolhido como primeiro vice-presidente do Conselho de Ministros e desponta como o nome mais forte desta Cuba que, pela primeira vez desde a revolução que instituiu o comunismo na ilha, em 1959, será liderada por nomes que não pegaram em armas - ou mesmo nascidos depois da revolução, como Díaz-Canel.
- Este será o último mandato (...). Esta decisão (a escolha de Díaz-Canel) representa um passo definitivo na configuração da direção futura do país, mediante a transferência paulatina e ordenada dos principais cargos às novas gerações - disse Raúl no Parlamento. - Díaz-Canel não é um forasteiro.
Raúl fez questão de citar ponto a ponto os mais de 30 anos de trajetória do novo primeiro vice-presidente no Partido Comunista de Cuba (PCC). Até ontem, o engenheiro eletrônico Díaz-Canel era um dos cinco vice-presidentes cubanos, posição que assumiu em março de 2012. Antes, em 2009, foi nomeado ministro da Educação Superior. Sua trajetória no PCC teve início em 1993, e em 2003 passou a fazer parte da direção da legenda a convite do próprio Raúl. O novo número 2 do regime cubano também foi o enviado de Havana à aliada Venezuela para a simbólica posse do quarto mandato de Hugo Chávez no dia 10 de janeiro.
"Sociedade menos igualitária, mas mais justa"
Díaz-Canel substitui um dos revolucionários originais e um dos principais nomes do comunismo cubano, José Ramón Machado Ventura, 82 anos, que será agora vice-presidente. Visto com frequência como o braço-direito de Raúl Castro, Machado Ventura é um ideólogo comunista linha-dura que ajudou a fundar o PCC. Segundo o presidente cubano, o ex-primeiro vice-presidente teve a iniciativa de oferecer seu cargo "em favor da promoção da nova geração".
Outra escolha que indica mudanças no castrismo é a de Esteban Lazo, de 68 anos, como presidente da Assembleia Nacional (Parlamento). Lazo é da segunda geração de políticos cubanos e substitui o revolucionário Ricardo Alarcón, de 75 anos, que comandava o Legislativo desde 1993.
Com o discurso de ontem, Raúl Castro reforçou o lado político do processo de reformas em Cuba iniciado por ele em 2008, quando assumiu a Presidência, mas que até agora foi mais dedicado à economia do país, em crise. Entre as principais mudanças, o aumento do número de atividades que podem ser exercidas por autônomos e o anúncio do corte de 500 mil postos do funcionalismo público até 2015 - 250 mil já foram extintos em 2011 e 2012, diz o regime.
- Temos definido pelo Partido o rumo para atualizar o modelo econômico cubano e alcançar uma sociedade socialista próspera e sustentável, uma sociedade menos igualitária, mas mais justa - afirmou Raúl, prometendo mais consultas populares.
Prova de que as reformas citadas por Raúl têm mais a ver com mudanças dentro do PCC e do regime que com uma possível abertura política foi a repressão a atividades de dissidentes ontem. Um protesto organizado pela organização dissidente Damas de Branco, formada por mulheres parentes de ativistas presos, com a presença de quase 60 pessoas, terminou com a maior parte dos presentes detida durante quase todo dia. Segundo Julia Estrella Aramburo, uma das integrantes do grupo, dois estrangeiros, entre eles um brasileiro, também foram presos e liberados - ao GLOBO, o Ministério das Relações Exteriores disse não ter recebido informações sobre o caso. Nomes de peso da oposição cubana, como Guillermo Fariñas e Angel Moya, também passaram o domingo presos. Em seu discurso, Raúl Castro se mostrou mais preocupado com o fortalecimento e a renovação dos quadros do PCC nos próximos cinco anos:
- Devemos agir de maneira previdente, a fim de evitar que se repita a situação de não contar com suficiente reserva de quadros preparados para ocupar os postos superiores do país.
Até agora, além da limitação de mandatos consecutivos em cargos estatais (no máximo dois períodos de cinco anos), a outra medida reformista que até agora teve grande impacto político foi a extinção do chamado "visto de saída", ocorrida no mês passado. Mas o presidente cubano não deixou margem para dúvidas quanto à velocidade de possíveis mudanças:
- Àqueles que dentro ou fora do país, com boas ou más intenções, nos incentivam a ir mais rápido, dizemos que continuaremos sem pressa, mas sem pausa.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Cubanos poderão viajar ao exterior

Cubanos poderão viajar ao exterior

Renata Giraldi - Repórter da Agência Brasil

O governo do presidente de Cuba, Raúl Castro, anunciou hoje (16), por meio do jornal oficial do país, Granma, o fim da exigência de permissão para que cidadãos viajem ao exterior. Também anunciou que será eliminada exigência da carta-convite a partir de 14 de janeiro de 2013. As medidas, segundo o governo, integram uma reforma nas leis de migração de Cuba.

A nova regra permite ainda a ampliação de 11 meses para até dois anos do período de permanência no exterior de cubanos que viajam a negócios particulares. Excedido o prazo, o cubano deve procurar o Consulado de Cuba no país onde está para obter a ampliação do período de permanência.

No texto, publicado no Granma, o governo diz que as medidas “devem ser mantidas para preservar o capital humano, criado pela Revolução [Cubana, em 1959], do roubo de talentos por poderosos”. As novas regras estão publicadas hoje no Diário Oficial da República por meio de um decreto do Conselho de Estado, que altera a Lei de Migração.

A concessão de permissão para um cidadão deixar Cuba é uma exigência desde a instauração do governo socialista, em 1959. Porém, nos últimos anos Raúl Castro tem promovido uma série de modificações e abertura do país na economia. As medidas são uma forma de driblar as dificuldades causadas pelo forte embargo econômico, financeiro e comercial por que passa o país.

O governo informa com o texto que a mudança faz “parte do trabalho que está sendo feito para atualizar a política de imigração de ajuste às condições de um futuro previsível”. Segundo a nova ordem, o interessado em viajar para o exterior terá apenas que apresentar o passaporte e o visto para o país que deseja visitar.

De acordo com a decisão, os titulares de passaportes comuns, emitidos antes da data de vigência da nova norma, devem solicitar a atualização dos documentos ao Ministério do Interior. Mais informações podem ser obtidas no portal do cidadão cubano, mantido pelo governo (www.ciudadano.cu) e no Ministério das Relações Exteriores de Cuba (www.cubaminrex.cu).

Edição: Talita Cavalcante
 
Fonte: EBC 
 
 

Publicado em: 17/10/2012

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Nos EUA, Dilma marca posição pró-Cuba

Nos EUA, Dilma marca posição pró-Cuba

Autor(es): VERA ROSA
O Estado de S. Paulo - 09/04/2012
 

No encontro que terá hoje com Obama, presidente avisará que próxima Cúpula das Américas "será a última" sem o país caribenho

Na conversa reservada que terá hoje com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na Casa Branca, a presidente Dilma Rousseff marcará posição em defesa de Cuba. Em um jogo combinado com outros países do continente, Dilma avisará que "esta será a última Cúpula das Américas sem a participação de Cuba" porque, caso a situação não mude, o próximo encontro, em 2016, ficará completamente esvaziado.
A 6.ª Cúpula das Américas ocorrerá na cidade colombiana de Cartagena de Índias, nos dias 14 e 15, pouco depois de Dilma voltar da viagem aos EUA. Sob embargo econômico norte-americano, Cuba foi, mais uma vez, excluída da reunião continental. Em sinal de protesto, o presidente do Equador, Rafael Correa, já anunciou que não participará do encontro na Colômbia.
Na conversa com Obama, Dilma pretende antecipar a posição unificada que o Brasil e outros países do bloco mais alinhado à esquerda pretendem levar à Cúpula das Américas. Pelo roteiro acertado até agora, os governantes de 12 dos 34 países convidados para o convescote de Cartagena farão declarações de repúdio à falta de assento para Cuba no evento.
Na prática, Dilma quer arrancar de Obama, neste ano de eleições presidenciais nos Estados Unidos, o compromisso político de que o governo americano vai restabelecer relações com a ilha governada por Raúl Castro, irmão e sucessor de Fidel Castro no comando do país. Obama é candidato a um segundo mandato pelo Partido Democrata. Os comentários de Dilma, porém, devem ser feitos na conversa a portas fechadas, e não na declaração ao lado de Obama, na Casa Branca. Dilma não tem intenção de pôr Obama numa saia-justa nem de tocar na questão da violação dos direitos humanos em Cuba.
Quando visitou Havana, em janeiro, Dilma criticou os EUA e disse não ser possível fazer da questão dos direitos humanos uma "arma" de combate político-ideológico. "Se vamos falar de direitos humanos, nós começaremos a falar de direitos humanos no Brasil, nos Estados Unidos e a respeito de uma base aqui chamada Guantánamo", afirmou Dilma, na ocasião, numa referência à prisão mantida pelo governo americano na ilha.
Flórida. Dilma também ouviu apelos de empresários para questionar Obama sobre a constitucionalidade de uma lei aprovada na Flórida que pune empresas com relações comerciais com Cuba. Pela nova lei, companhias com negócios na ilha não podem ter grandes empreendimentos na Flórida. A retaliação atinge em cheio as empreiteiras brasileiras, como a Odebrecht, que toca a obra do Porto de Mariel, em Cuba. Trata-se do principal empreendimento de infraestrutura realizado atualmente ali, com financiamento de US$ 683 milhões do governo brasileiro - 85% do valor total.
Depois que a lei foi aprovada no Congresso da Flórida, Dilma recebeu várias reclamações de empresários que mantêm negócios tanto nos EUA quanto em Cuba. Eles querem que Dilma pergunte a Obama até que ponto o Estado pode legislar sobre questões de relações internacionais.
Cachaça. O único acordo comercial da visita oficial de Dilma aos EUA será o reconhecimento da cachaça como produto exclusivamente brasileiro. A bebida deixará de chegar ao mercado americano como uma espécie de rum. A contrapartida será o ingresso no Brasil do bourbon, o uísque de milho, como bebida típica dos EUA e não mais como Scotch. Outros cinco acordos menos pitorescos serão firmados em diferentes áreas, além de 14 em Educação.
Dilma se reúne hoje de manhã com Obama na Casa Branca e, após o almoço, participa do encerramento do Foro de Altos Executivos EUA-Brasil. À tarde ela encerra o seminário Brasil-EUA: Parcerias para o Século 21 e, depois, se reúne com empresários norte-americanos. À noite, jantará com o embaixador do Brasil nos EUA, Mauro Vieira.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Venezuela quer que embargo norte-americano a Cuba seja discutido na Cúpula das Américas

Venezuela quer que embargo norte-americano a Cuba seja discutido na Cúpula das Américas

29/03/2012 
 
Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil

O embargo dos Estados Unidos a Cuba, imposto há cerca de meio século, deve ser tema da reunião da Cúpula das Américas, marcada para o próximo mês em Cartagena, na Colômbia. O embaixador da Venezuela na Organização dos Estados Americanos (OEA), Roy Chaderton, defendeu que o assunto seja debatido, no esforço de acabar com as restrições econômicas e financeiras aos cubanos.
Chaderton lembrou que o embargo a Cuba faz a região ficar “cada vez mais” isolada do restante do mundo, devido às limitações impostas pelos Estados Unidos. O embaixador destacou que na última reunião da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) o assunto foi discutido pelas delegações presentes.
A presidenta Dilma Rousseff deve participar da Cúpula das Américas, em Cartagena, ao retornar de uma visita aos Estados Unidos. O governo brasileiro defende o fim do embargo norte-americano a Cuba e apoia a abertura econômica em curso, comandada pelo presidente cubano, Raúl Castro.
*Com informações da emissora multiestatal, Telesur//Edição: Graça Adjuto

terça-feira, 20 de março de 2012

Pelo menos 50 integrantes do grupo Damas de Branco são presas em Havana

Pelo menos 50 integrantes do grupo Damas de Branco são presas em Havana

Renata Giraldi* - Repórter da Agência Brasil

Mais de 50 ativistas do grupo de direitos humanos Damas de Branco, que critica o governo cubano, foram presas nesse domingo (18) em Havana, capital do país. A informação foi confrmada pela porta-voz da organização, Berta Soler. As ativistas foram presas durante uma marcha silenciosa em direção à igreja de Havana, onde pretendiam se manifestar pedindo a libertação de presos políticos.

Integrantes do grupo disseram que a pressão das autoridades cubanas aumentou às vésperas da visita do papa Bento XVI ao país. Na próxima semana, o papa visitará pela primeira vez a região. Na ocasião, ele deve se reunir com várias autoridades, mas não há conversas agendadas com dissidentes políticos.

O  grupo Damas de Branco foi criado há nove anos por mulheres de presos políticos. A organização foi reprimida em várias ocasiões pelas autoridades cubanas. A visita do do papa Bento XVI tem gerado expectativa no país.

Nos últimos dois anos, a Igreja Católica de Cuba é a principal intermediadora das  negociações para a libertação de vários presos políticos. Na semana passada, 13 dissidentes que ocupavam uma igreja foram presos pela polícia.

Depois de décadas de repressão a grupos religiosos em Cuba, o regime comunista estreitou as relações com a Igreja Católica desde a visita do papa João Paulo II ao país, em 1998. Além de mediar conversações para a libertação de prisioneiros, a Igreja Católica tenta expandir sua influência entre os cubanos.

*Com informações da BBC Brasil//Edição: Graça Adjuto