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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Médico cubano foge do Brasil

Médico cubano foge do Brasil

Médico cubano foge do Brasil
Autor(es): JOÃO VALADARES JULIA CHAIB
Correio Braziliense - 11/02/2014
 
Entidade com sede em Miami auxiliou profissional lotado no interior paulista a deixar o país. É o segundo caso de estrangeiros da ilha caribenha que abandonam o programa federal

O médico cubano Ortelio Jaime Guerra, que há uma semana abandonou um posto de trabalho do programa Mais Médicos em Pariquera-Açu, interior de São Paulo, fugiu do Brasil para os Estados Unidos com o auxílio da organização não governamental (ONG) Solidariedade sem Fronteiras. Julio Cesar Alfonso, presidente da entidade que ajuda cubanos da área de saúde que desertaram de missões pelo mundo, confirmou ao Correio o auxílio prestado a Ortelio. A ONG tem sede em Miami. Cubanos “resgatados” pela entidade conseguem uma espécie de visto humanitário para entrar nos Estados Unidos. Trata-se do Cuban Medical Professional Parole (CMPP), criado pelo governo George W. Bush em 2006.

Desde a semana passada, o Ministério da Saúde havia sido notificado pela prefeitura de Pariquera-Açu do desaparecimento de Ortelio. O município comunicou que o profissional cubano tinha abandonado o serviço e que não possuía informações sobre o paradeiro dele. Ontem, em sua conta no Facebook, o médico informou aos amigos que já estava em solo norte-americano.

Em uma foto postada em 2 de fevereiro, na qual aparece ao lado de dois amigos em São Paulo, Ortelio explicou que precisou ir embora sem falar com ninguém por questões de segurança. Ele ressaltou que a imagem é da última noite na cidade. No fim da tarde de ontem, a foto já havia sido compartilhada por mais de 300 pessoas. Muitos amigos deixaram mensagens de apoio e pregaram “liberdade aos médicos cubanos”.

Agradecimento
O profissional, especializado em nefrologia, agradeceu a várias pessoas que trabalharam com ele no Brasil. Ortelio salientou que estava bem e avisou que precisava “dar esse passo”. “Para todos os meus amigos que me enviaram mensagens preocupados com minha ausência, eu agradeço infinitamente. Agora, estou nos Estados Unidos e, embora considere necessário dar esse passo, tenho muito orgulho da minha terra e das minhas raízes. Um grande abraço para todos. Obrigado, mais uma vez, pela preocupação”, escreveu.

Ortelio fazia parte do chamado segundo ciclo de cubanos que chegaram ao Brasil, em novembro do ano passado. Após três semanas de treinamento em São Paulo, o profissional seguiu para Pariquera-Açu. O Ministério da Saúde comunicou que o desligamento do médico está sendo providenciado para que outro profissional o substitua.

Há uma semana, o programa havia registrado o primeiro caso de deserção. A médica cubana Ramona Matos Rodriguez fugiu da cidade de Pacajá (PA), onde estava desde outubro trabalhando em um posto de saúde, e viajou para Brasília. Ela está morando na casa de um deputado do DEM enquanto espera a análise do pedido de refúgio feito ao governo brasileiro. A médica apresentou um contrato, que prevê o repasse de R$ 1 mil, sendo que US$ 400 são depositados em uma conta no Brasil, outros US$ 50 podem ser movimentados por uma pessoa indicada por ela em Cuba e os demais US$ 550 ficam em uma conta na ilha caribenha, mas só serão disponibilizados depois do fim da missão.
Colaborou Adriana Caitano

“Para todos os meus amigos que me enviaram mensagens preocupados com minha ausência, eu agradeço infinitamente. Agora, estou nos Estados Unidos” 
Ortelio Jaime Guerra, profissional cubano que deixou o Mais Médicos

Cubana decide abandonar programa Mais Médicos

Cubana decide abandonar programa Mais Médicos

O Globo - 05/02/2014
 
- Levada ao plenário da Câmara na noite desta terça-feira pelo deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), a médica cubana Ramona Matos Rodriguez, de 51 anos, disse que decidiu abandonar o programa Mais Médicos, do governo federal, descontente com o salário que recebia. Ela chegou ao Brasil em outubro e estava trabalhando em Pacajá, no interior do Pará. Fugiu no último sábado da cidade e seguiu para Brasília

Caiado provocou um alvoroço no plenário ao apresentar uma médica cubana. Com um contrato em mãos, o deputado disse ter a prova de que o convênio para a contratação dos médicos cubanos não foi firmado pelo governo brasileiro com a Organização Pan-americana de Saúde (Opas) e sim com a Sociedade Mercantil Cubana Comercializadora de Médicos Cubanos S.A.
Segundo Caiado, a médica recebia apenas US$ 400 (R$ 960) e o restante do dinheiro (US$ 600) do contrato era depositado numa conta cubana, à qual ela só teria acesso depois. Caiado disse que é um absurdo o governo pagar R$ 10 mil mensais pela médica e ela receber apenas US$ 1 mil (R$ 2.400).
Ramona alegou que teve seu telefone grampeado pela Polícia Federal e que agentes federais teriam ido atrás dela para prendê-la. Caiado acusou o governo brasileiro de explorar trabalho escravo. Segundo o deputado, o advogado do DEM entrará com pedido de asilo da médica, porque se Ramona retornar a Cuba será presa. Procurado, o Ministério da Justiça disse que não sabia do caso e que só deve se manifestar nesta quarta. Até as 23h, o Ministério da Saúde não havia se pronunciado.
Em plenário, Caiado afirmou que a médica ficará sob seus cuidados, na Liderança do DEM, onde dormirá, tomará banho e vai fazer as refeições. O deputado disse que a médica trabalhou cinco meses em Pacajá.
— Que direito tem a Polícia Federal de ficar no encalço dela, perseguir essa mulher que clama por liberdade? Essa Casa tem que estar aberta para receber pessoas que clamam por liberdade — criticou Caiado.
Uma cópia do contrato individual de Ramona mostra que a médica foi contratada pela empresa cubana Comercializadora de Servicios Médicos Cubanoa, e não pela Opas, como anunciou o governo.
“Eu me senti enganada”
Ramona disse que somente depois que chegou ao Brasil, quando fazia curso em Brasília, descobriu, junto a outros estrangeiros, que o salário era de R$ 10 mil mensais.
— Me senti enganada. Em Cuba não falaram nada de dez mil (reais). Decidi fugir por isso. Eu me senti muito mal, senti que fui enganada — disse Ramona Rodriguez.
Caiado acusou o governo de cometer um crime e exige que o Ministério da Justiça conceda asilo para a cubana.
— É a figura clandestina do gato. Quando criticamos o programa o Ministério da Saúde disse que o contrato era com a Opas, mas a Opas nunca veio prestar esclarecimento. Ela me ligou, procurou clamando por liberdade. o que mostra o quanto foi enganada. Ela saiu no sábado de Pacajá, no interior do Pará, e foi informada que a Polícia Federal esteve lá, dizendo que ela seria presa. Ficou ansiosa — disse Caiado, acrescentando:
— Quis levá-la ao plenário para mostrar o crime convalidado pelo governo brasileiro de utilizar, explicitamente, mão de obra escrava; ela foi forçada, não pode se deslocar, teve o telefone grampeado.
O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), pediu que Caiado terminasse sua fala. Houve bate-boca entre Caiado e Henrique, que argumentava que a Casa estava em meio a uma votação.
A médica ficará abrigada na Liderança da legenda. Caiado exigiu que Henrique Alves garanta a segurança da médica na Câmara.

Médica cubana está refugiada na Câmara

Médica cubana está refugiada na Câmara

Médica cubana está refugiada na Câmara
Correio Braziliense - 05/02/2014
 
Uma semana depois de a presidente Dilma Rousseff visitar Cuba e agradecer ao presidente Raúl Castro a parceria no Mais Médicos, uma profissional do país caribenho, que afirma ter atuado no Pará pelo programa, fugiu do estado e pediu asilo político ao Brasil, alegando que não recebe o salário a que tinha direito. Ela fugiu para Brasília e procurou a liderança do DEM no início da tarde de ontem para pedir ajuda. A estrangeira foi abrigada na sala do partido na Câmara até que a situação seja resolvida. Segundo a médica, que passaria a noite no Congresso, a Polícia Federal grampeou o telefone dela e tenta prendê-la.
Ramona Matos Rodríguez, 51 anos, foi apresentada na noite de ontem, na sessão do plenário, pelo deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO). Ele interrompeu a votação que ocorria para relatar o caso, mas foi impedido de continuar pelo presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). "Vossa Excelência não é mais líder, não é o momento, tem um tempo limitado para manifestação", disse Alves, provocando bate-boca.
Caiado levou Ramona para a liderança do DEM, que, ao lado de deputados do partido, concedeu entrevista coletiva à imprensa. Ela relata que assinou contrato em Cuba, em setembro, com a promessa de receber mil dólares americanos por mês, cerca de R$ 2,5 mil — US$ 600 seriam depositados em uma conta em seu nome na ilha caribenha, e ela só teria acesso aos recursos quando voltasse. O correspondente a US$ 400 seriam pagos em reais a ela mensalmente no Brasil. A médica exibiu o contrato assinado com a Sociedade Mercantil Cubana Comercializadora de Serviços Médicos Cubanos S.A. em que estão especificados os valores. Além disso, ela tinha direito a R$ 750 para alimentação e um local para moradia, garantidos pela prefeitura de Pacajá (PA), onde teria trabalhado.
A cubana relata que, durante o curso de preparação para os profissionais do Mais Médicos, em outubro, em Brasília, soube que os colegas vindos de outros países receberiam salário entre R$ 10 mil e R$ 15 mil. "Eu me senti enganada, muito mal, e fiquei pensando em como sair (do programa)", contou. Segundo Ramona, no sábado pela manhã, ela conseguiu deixar Pacajá rumo a Brasília sem informar ao supervisor dos cubanos na cidade. "Só podíamos sair de lá, mesmo que para passear, com autorização dele", diz a médica. Quando perguntada sobre como saiu sem ser percebida, ela respondia apenas "segredo de Estado".
Ameaça
A médica afirma ainda que uma amiga que ficou na cidade paraense foi abordada pela Polícia Federal informando ter identificado uma ligação de Ramona para ela e avisando que a cubana seria presa. "Quando soube disso, eu decidi procurar o deputado Caiado e pedir ajuda", comentou. "É uma situação grave, está explícito que há mão de obra análoga a trabalho escravo no programa Mais Médicos e o contrato não foi feito pela (Organização Pan-Americana da Saúde) Opas, como tinha dito o governo", declarou Caiado.
O líder do DEM, Mendonça Filho (PE), informou que, ainda hoje, a equipe jurídica do partido vai solicitar asilo político ao Brasil para a médica e cedeu o espaço da liderança para que Ramona se abrigasse até a situação ser resolvida. "Se ela sair daqui, pode ser deportada e, lá em Cuba, será presa", alarmou-se. O presidente da Câmara informou, por meio de assessoria, que "não vai interferir no espaço do partido". A Polícia Federal não se manifestou sobre o caso. Procurado, o Ministério da Saúde informou que não se pronunciaria sobre o caso ontem.
Dilma e o PMDB falam idiomas distintos
A presidente Dilma Rousseff e o PMDB continuam falando grego na negociação para a sequência da reforma ministerial. Ciente de que é preciso conciliar as mudanças nas pastas com a campanha à reeleição, Dilma sinalizou, durante a longa reunião de quase cinco horas com a cúpula partidária na última segunda-feira, que aceitaria ceder aos peemedebistas a Integração Nacional, desde que o nome indicado fosse o do líder do partido no Senado, Eunício Oliveira (CE). Entretanto, o parlamentar não quer ser ministro — mas gostaria de fazer a indicação para a pasta. O problema é que o nome sugerido, do senador Vital do Rêgo (PB), não agrada a Dilma. Eunício é pré-candidato do PMDB ao governo do Ceará, mas está cada vez mais distante do PT no estado. Os petistas devem apoiar o nome a ser indicado pelos irmãos Cid e Ciro Gomes (Pros). (Paulo de Tarso Lyra e Grasielle Castro)

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Mais Médicos começa hoje em 13% das cidades

Mais Médicos começa hoje em 13% das cidades

Brasileiros em 454 cidades dão início ao Mais Médicos
Autor(es): Lígia Formenti
O Estado de S. Paulo - 02/09/2013
 

O desembarque de brasileiros em 454 cidades marca hoje a estreia de fato do programa Mais Médicos. A chegada atenderá à demanda de apenas 13% dos municípios que se inscreveram na primeira etapa da iniciativa.

Profissionais desembarcam hoje nos municípios contemplados na primeira fase do programa; Ceará receberá maior contingente

O desembarque de brasileiros em 454 cidades hoje marca a estreia de fato do Mais Médicos, programa lançado em julho pelo governo federal para ampliar a oferta de profissionais em áreas consideradas prioritárias. Achegada atenderá à demanda de apenas 13% dos municípios que se inscreveram na primeira etapa da iniciativa.
A timidez da estreia é ainda mais marcante nos Estados do Norte, Amapá, por exemplo, deterá receber três médicos brasileiros. Acre e Roraima, por sua vez, ficam, cada um, com nove profissionais. Ceará é o Estado que vai receber maior contingente: 106 médicos, seguido da Bahia, com 103.
Na primeira fase do programa, 3.511 cidades requisitaram 15.460 profissionais para trabalhar no atendimento de saúde local. A resposta ao convite foi pequena: 1.096 médicos brasileiros e outros 282 estrangeiros. Há ainda 4 mil cubanos, recrutados por meio de um acordo firmado entre o governo brasileiro e a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). Desse convênio, 400 já desembarcaram no País. Os demais são esperados até dezembro.
Na sexta-feira, uma nova etapa de inscrições, tanto de médicos quanto de cidades interessadas em participar do programa, foi concluída. O novo balanço, com números de novas cidades e candidatos às vagas, deverá ser divulgado hoje. A ideia é fazer chamamentos mensais até que a demanda seja totalmente atendida.
Pelas regras do Mais Médicos, a prefeitura é obrigada a manter a quantidade de profissionais existente anteriormente. Bolsistas do programa só podem ser incluídos para expandir a capacidade de atendimento. O controle é feito por meio do Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde. No sistema, constam os dados dos médicos que atuam nos municípios. São as prefeituras que devem arcar com a alimentação e a moradia dos bolsistas.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse estar convicto de que a acolhida dos profissionais nas cidades hoje será bem diferente da chegada dos cubanos ao País, na semana passada. “Estou certo de que eles serão muito bem recebidos pela população, Há um anseio pela chegada deles”, disse.
A primeira onda é formada por médicos brasileiros. Para tentar aplacar as críticas de entidades de classe, o Mais Médicos deu prioridade para profissionais do País. Em uma segunda etapa, inscreveram-se brasileiros e estrangeiros com diplomas obtidos no exterior. A terceira fase - e a responsável pela maior parte do efetivo de profissionais - é fruto do convênio feito com a Opas.
Embora o acordo entre a Opas e o governo brasileiro tenha sido anunciado há duas semanas, médicos cubanos há pelo menos seis meses se preparam para trabalhar no Brasil. Desde o início do ano, profissionais em várias regiões de Cuba recebem aulas de português e sobre o Sistema Único de Saúde (SUS), com professores destacados pelo governo brasileiro. O material didático usado é o mesmo adotado no curso de três semanas dado para estrangeiros.
Reação truculenta. O risco de o ritmo de adesão de médicos de outras nacionalidades cair ainda mais por causa dos protestos da semana passada foi descanado por Padilha. “Foi uma reação truculenta, uma postura isolada que não representa o sentimento de milhões de brasileiros”, disse.