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segunda-feira, 16 de abril de 2012

Cúpula das Américas termina com fracasso

Cúpula das Américas termina com fracasso

 Publicado em Carta Capital

 

A presidente argentina, Cristina Kirchner, antes da foto oficial do encontro ©AFP / Eitan Abramovich

Por Laura Bonilla

A falta de acordo sobre a participação de Cuba impediu uma declaração final de consenso dos líderes reunidos neste domingo, na cidade colombiana de Cartagena, para a Reunião de Cúpula das Américas, mas o encontro permitiu o início de um histórico debate sobre a adoção de novos enfoques no combate às drogas.
O assessor presidencial para Assuntos Internacionais do Brasil, Marco Aurélio Garcia, confirmou que os presidentes não assinaram a declaração final devido à decisão de Estados Unidos e Canadá de vetar a proposta de convidar Cuba para as próximas Cúpulas, e também por não apoiar a reivindicação argentina de soberania sobre as ilhas Malvinas.
“Não houve possibilidade de uma declaração conjunta. Estados Unidos e Canadá não concordaram com Cuba e Malvinas”, disse Marco Aurélio Garcia.
“É o que ocorreu em 2009 em Trinidad e Tobago (onde aconteceu a cúpula anterior), com uma declaração assinada apenas pelo presidente da Colômbia, sem a firma dos demais presidentes”, lembrou um diplomata brasileiro.


O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, minimizou a ausência de uma declaração final “precisamente porque não há consenso”. “Isto é normal. Ninguém pensou que iríamos chegar a um acordo sobre Malvinas ou Cuba; todos sabíamos que não ocorreria”.
Mas Santos destacou que a Cúpula de Cartagena foi útil porque, pela primeira vez, os 31 chefes de Estado e de Governo presentes conversaram sobre todos os temas, sem tabus, especialmente o narcotráfico.
“Finalmente estamos discutindo os temas (…) a questão das drogas era algo que ninguém colocava sobre a mesa. O tema de Cuba e das Malvinas não eram discutidos mas desta vez aconteceu”.
“Todos concordaram com a necessidade de se analisar os resultados da atual política (contra as drogas) que estamos aplicando nas Américas e a explorar novos enfoques para fortalecer esta luta e torná-la mais efetiva”, disse Santos.
“É preciso analisar a realidade dos fatos e que políticas poderemos adotar no futuro. Tivemos esta discussão entre todos os mandatários e concordamos que este debate e análise devem ocorrer porque é um passo importante”.
Segundo o presidente colombiano, a Organização dos Estados Americanos (OEA) ficará encarregada de realizar um amplo estudo neste sentido, incluindo outros organismos internacionais, como a Organização Pan-Americana de Saúde e o bureau das Nações Unidas contra as drogas.
Santos e outros presidentes americanos manifestaram seu interesse em dialogar visando um novo modelo de luta contra as drogas diferente do atual combate frontal e repressivo liderado pelos Estados Unidos há décadas na região.
Sobre a questão cubana, Santos lembrou que “a maioria dos países disse: Queremos que Cuba seja parte deste processo de cúpulas’, e isto é inédito. Isto deve iniciar uma série de aproximações, de pontes, de processos que nos permitirão, talvez dentro de três anos, ter Cuba na próxima cúpula”, no Panamá.
Já o chanceler da Venezuela, Nicolás Maduro, advertiu que a insistência dos Estados Unidos em vetar a presença de Cuba vai inviabilizar a reunião hemisférica. “Se não formos capazes de retificar os que pretendem impor seu veto, esta será a última cúpula”.
Maduro comemorou o apoio de toda a América Latina e do Caribe à inclusão de Cuba e ao fim do embargo americano à Ilha, imposto por Washington há mais de 50 anos: esta é a “ratificação de que avançamos em uma identidade comum, em temas comuns, e um deles é a solidariedade e o apoio a Cuba e a luta contra o embargo”.
Cuba foi expulsa da Organização dos Estados Americanos (OEA) em 1962, e jamais participou de uma Cúpula das Américas. A expulsão foi suspensa pela OEA em 2009, mas Havana rejeitou seu retorno à organização.
A presidente argentina, Cristina Kirchner, que partiu de Cartagena nesta manhã, antes do fim da cúpula, lamentou “não haver declaração final diante do veto dos Estados Unidos ao artigo sobre Cuba”, mas segundo a imprensa argentina, a decisão de viajar mais cedo foi provocada pela falta de consenso sobre a questão das Malvinas.
A Argentina buscava na Cúpula apoio a sua reclamação de soberania sobre as Ilhas Malvinas, ocupada pela Grã-Bretanha desde 1833, mas Estados Unidos e Canadá se opuseram a incluir a questão na declaração final.

Cúpula das Américas acaba em crise e pode ser a última

Cúpula das Américas acaba em crise e pode ser a última

Esvaziada, cúpula termina sem consenso
Autor(es): JULIA DUAILIBI, ENVIADA
O Estado de S. Paulo - 16/04/2012
 
Reunião na Colômbia de líderes das Américas esbarrou em debate sobre participação de Cuba

Esvaziada, a 6.ª Cúpula das Américas terminou ontem colocando em xeque a sobrevivência do encontro que reúne desde 1994 os presidentes de 30 países do continente. Depois de dois dias de discussão em Cartagena, na Colômbia, os líderes não conseguiram chegar a um consenso sobre a participação de Cuba nos próximos encontros, o que fez com que o fórum terminasse sem uma declaração política final. Os chanceleres admitiram que a cúpula de Cartagena pode ter sido a última.
O impasse foi protagonizado por Estados Unidos e países como Bolívia, Argentina e Venezuela, que se recusaram a assinar qualquer documento que não defendesse a participação de Cuba.
Ao final do encontro, Barack Obama disse que dará as boas-vindas a uma Cuba "livre" nas próximas Cúpulas das Américas, ao reiterar que o país ainda "não se moveu rumo à democracia". "Tenho esperança de que uma transição comece a acontecer, mas ainda não chegamos lá."
A presidente Dilma Rousseff chegou a intervir durante o retiro presidencial, reunião fechada dos líderes. Afirmou que Cuba vivia um momento de transição e os países tinham de ser solidários. Seguindo a linha dos vizinhos, afirmou esperar que este tenha sido o último encontro sem o país. Ontem, o líder cubano Fidel Castro elogiou Dilma por suas declarações no sábado, quando a brasileira, sentada ao lado de Barack Obama, defendeu relações "entre iguais".
Juan Manuel Santos (Colômbia) tentou minimizar o esvaziamento do encontro, abandonado por Evo Morales (Bolívia) e Cristina Kirchner (Argentina) antes mesmo do fim. Disse que, pela primeira vez, foram levados a plenário pontos polêmicos.
Cristina ficou insatisfeita com a ausência de uma menção à disputa que trava com a Grã-Bretanha pela soberania das Ilhas Malvinas. Ela questionou Santos após a abertura da cúpula. "Esqueceu-se das Malvinas?" O chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, disse que os países eram favoráveis a uma manifestação de apoio à causa argentina, mas foram barrados por EUA e Canadá.

Dilma critica 'políticas expansionistas' de países ricos

Dilma critica 'políticas expansionistas' de países ricos

Atualizado em  14 de abril, 2012 

Dilma e Obama em Cartagena. | Foto: AP

Em discurso, a presidente insistiu que o Brasil não é protecionista
Discursando ao lado dos presidentes da Colômbia, Juan Manuel Santos, e dos Estados Unidos, Barack Obama, durante um evento empresarial da Cúpula das Américas, Dilma Rousseff voltou a criticar as estratégias dos países ricos para enfrentar a crise econômica mundial.
Segundo a presidente brasileira, as "políticas expansionistas" adotadas pela Europa e pelos Estados Unidos, com impressão de moeda e sucessivos empréstimos para estimular o crédito, prejudicam os países emergentes.
Isso porque, de acordo com Dilma, parte do dinheiro injetado nas economias destes países acaba nos emergentes, onde os juros elevados atraem investimentos de curto prazo, provocando como efeito colateral a valorização das moedas locais.
A valorização das moedas, por sua vez, prejudica a indústria local, ao tornar os produtos do país mais caros no mercado internacional e o baratear as importações. "É obvio que temos de tomar medidas para nos defender", disse a presidente.
No entanto, ela afirmou que o governo brasileiro não está assumindo uma postura protecionista.
"Defender é diferente de proteger. A defesa significa que nós vamos ter de perceber que não podemos deixar que nossos setores manufatureiros sejam canibalizados. E achamos que seria muito virtuoso por parte dos países superavitários se eles pudessem usar, além de políticas monetárias, políticas de expansão do investimento."

'Embraer'

Momentos antes, Dilma alfinetou o presidente americano sobre um impasse envolvendo a compra de aviões brasileiros pelo governo americano.
Durante o evento, Obama foi questionado pelo mediador, o jornalista americano Chris Matthews, se as ambições do Brasil não se contrapunham aos interesses dos Estados Unidos.
Ele respondeu que não, pois o desenvolvimento da economia brasileira criaria oportunidades para que empresas americanas vendessem seus produtos, como "iPads e Boeings".
Ao mencionar a marca americana de aviões, Obama foi interrompido por Dilma, que citou a companhia brasileira Embraer.
Obama, então, respondeu: "só queria ver como ela reagiria a essa", provocando risos na plateia.
Recentemente, a Embraer teve cancelada uma licitação que venceu para a venda de 20 aviões Super Tucano ao governo dos Estados Unidos, ao custo de US$ 355 milhões (R$ 651 milhões).

Avião Super Tucano, da Embraer. | Foto: AFP

Dilma disse que relações entre EUA e América Latina devem ser igualitárias
Embora as autoridades tenham alegado falhas na licitação, muitos observadores acreditam que fatores políticos – sobretudo em relação à criação de empregos – influenciaram a decisão. A Embraer aguarda agora por uma nova licitação.
A Boeing, por sua vez, disputa uma concorrência com a francesa Dassault e a sueca Saab para a venda de caças para a Força Aérea brasileira. O valor do negócio é estimado em cerca de US$ 6 bilhões.
Durante seu discurso, no entanto, Dilma elogiou a economia americana.
"Temos que reconhecer a importância da economia dos Estados Unidos, que possui importantes características neste mundo multipolar que está surgindo: uma imensa flexibilidade, uma enorme liderança em ciência, tecnologia e inovação, e suas raízes democráticas", disse.
Em seguida, ela ressaltou que as alianças entre a América Latina e os Estados Unidos devem ocorrer em "pé de igualdade".

Intercâmbio

Em seu discurso, Obama também citou iniciativas entre Estados Unidos e Brasil para promover o intercâmbio de estudantes e elogiou a expertise brasileira em biocombustíveis.
"O Brasil tem o poder de exportar essa energia mas também de ensinar as melhores práticas (sobre biocombustíveis e energia hidrelétrica) para outros países da região, criando novos mercados para energias limpas."
"Quando se vê o crescimento extraordinário que ocorreu no Brasil(...), quando se pensa no enorme progresso que foi feito aqui na Colômbia (...), o que se vê é que muitos dos velhos argumentos da esquerda e da direita não se aplicam mais."
Barack Obama, presidente dos EUA
O americano enalteceu o desempenho dos últimos governos brasileiros e colombianos. "Quando se vê o crescimento extraordinário que ocorreu no Brasil, primeiro com o presidente Lula e agora com a presidente Rousseff, quando se pensa no enorme progresso que foi feito aqui na Colômbia com o presidente Santos e seu antecessor, o que se vê é que muitos dos velhos argumentos da esquerda e da direita não se aplicam mais", afirmou.
Numa provável referência a Cuba, disse que grande parte do êxito recente de Brasil e Colômbia se deve aos valores democráticos em voga nos dois países.
"Não é possível, creio eu, ter no longo prazo economias bem-sucedidas se você não seguir princípios básicos, como democracia e respeito à lei, observância dos direitos humanos, liberdade de expressão. E também creio que segurança pessoal – a capacidade das pessoas de sentir que, se trabalharem duro, terão êxito."
Apesar de apelos de países latino-americanos para que Cuba participasse da Cúpula das Américas pela primeira vez, o país caribenho segue fora do encontro, por influência dos Estados Unidos.
Os organizadores colombianos temiam que, caso o líder cubano, Raul Castro, comparecesse ao evento, Obama o boicotasse, esvaziando a importância da reunião.
No entanto, muitos países latino-americanos, inclusive a Colômbia, têm defendido nos últimos dias que esta seja a última Cúpula sem Cuba. O presidente do Equador, Rafael Corrêa, boicotou o evento devido à ausência do país caribenho.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Na Cúpula das Américas, Argentina defenderá direito à soberania das Malvinas

Na Cúpula das Américas, Argentina defenderá direito à soberania das Malvinas

13/04/2012 
 
Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil

Em campanha pelo controle das Ilhas Malvinas, atualmente em poder da Grã-Bretanha, a presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, reúne-se amanhã (14) com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Eles participam da 6ª Cúpula das Américas, em Cartagena das Índias, na Colômbia.
Nas Américas, a maioria dos países, inclusive o Brasil, apoia o pleito argentino. Em 1982, houve a Guerra das Malvinas, quando argentinos e britânicos se enfrentaram na tentativa de garantir o poder político e econômico.
Ao chegar ontem (12) à Colômbia, o ministro das Relações Exteriores, Luis Almagro, disse que a alegação da Argentina "é uma questão de soberania” e conta com o apoio dos uruguaios. "Eu acho que a posição da Argentina é compartilhada por grande parte da região. Por isso, é importante que essa legítima reivindicação seja confirmada em uma declaração [conjunta]", disse Almagro.
A expectativa dos argentinos é que o apoio ao controle sobre as Malvinas faça parte do documento final, que será assinado e divulgado no domingo (15) pelos presidentes e primeiros-ministros de 34 países presentes à cúpula.
*Com informações da agência pública de notícias da Argentina, Telam//Edição: Graça Adjuto

Dilma deve viajar hoje para a Colômbia onde participa da Cúpula das Américas

Dilma deve viajar hoje para a Colômbia onde participa da Cúpula das Américas

13/04/2012 
 
Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil

A presidenta Dilma Rousseff deve viajar hoje (13) à tarde para Cartagena das Índias, na Colômbia, onde participa até domingo (15) da 6ª Cúpula das Américas. Em discussão, a segurança internacional na região devido ao narcotráfico e ao tráfico de armas, o embargo a Cuba, imposto há cerca de meio século pelos norte-americanos, e os esforços conjuntos para a inclusão social e o combate à pobreza.
Meses antes da realização da Cúpula das Américas, a reunião gerou controvérsias devido à exclusão de Cuba, exigência dos norte-americanos. Em protesto, os presidentes Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia) e Rafael Correa (Equador) disseram que pretendiam boicotar o encontro. Porém, nos últimos dias, somente Correa informou que não participará do encontro. Morales e Chávez devem participar.
O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, conversou com Chávez, Correa e Morales na tentativa de resolver a polêmica. Santos foi a Havana, capital cubana, conversar com o presidente Raúl Castro para minizar o mal-estar.
No Brasil, as autoridades defenderam a participação de Cuba e reiteraram a necessidade de acabar com o embargo econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos ao país desde 1962. Em decorrência do chamado bloqueio, Cuba vive momentos de dificuldades internas na sua economia e passou a abrir o mercado para investimentos estrangeiros.
A exclusão de Cuba da Cúpula das Américas, segundo negociadores que participaram das reuniões prévias, deve ser tratada de forma reservada pelos presidentes presentes à reunião. O tema deve ser assunto do chamado retiro – momento em que os líderes debatem questões políticas. Há também a previsão de Dilma se reunir com Santos.
O Brasil e a Colômbia atuam de forma parceira nas operações de resgate de reféns, mantidos sob poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). No começo deste mês, aeronaves brasileiras e equipes de especialistas integraram as ações de resgate dos dez últimos militares e policiais mantidos em cativeiro pelos guerrilheiros.
Também estará em discussão na 6ª Cúpula das Américas a questão da segurança internacional da região – Américas do Sul, Central e do Norte. Várias vezes, os presidentes se manifestaram preocupados com o aumento das ações dos traficantes de drogas e armas.
Norte-americanos e colombianos negociam a instalação de bases militares dos Estados Unidos na região. O tema divide opiniões entre os países vizinhos, inclusive o Brasil, pois há um temor de ingerência norte-americana em assuntos internos.
Paralelamente, os presidentes conversarão sobre os esforços conjuntos para ampliar os programas de inclusão social e combate à pobreza. Dilma deverá mencionar os programas executados no Brasil e pretende reiterar que o tema também será discutido durante a Conferência Rio+20, em junho, no Rio de Janeiro.
*Colaborou Luciana Lima//Edição: Graça Adjuto

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Líderes da América Latina e Obama se encontram na Cúpula de Cartagena

Líderes da América Latina e Obama se encontram na Cúpula de Cartagena

 Os governantes da América Latina e do Caribe encontrarão com o presidente Barack Obama neste fim de semana na VI Cúpula das Américas, em Cartagena, ocasião para lembrá-lo em pleno ano eleitoral dos espinhosos temas das drogas e de Cuba.
A reunião de chefes de Estado e de governo dos 34 países membros da Organização dos Estados Americanos (OEA) será realizada na cidade colonial de Cartagena, destino turístico banhado pelo Mar do Caribe, tomada por cerca de 8 mil policiais para garantir a segurança.
Esta VI Cúpula das Américas, a segunda que contará com a presença de Barack Obama, será realizada poucos meses antes das eleições em que o atual presidente americano buscará a reeleição e para as quais não poderá ignorar a comunidade de mais de 50 milhões de hispânicos que vivem em seu país.
"Atualmente predomina um sentimento de desencanto com o aparente desinteresse do presidente Obama pela América Latina e, sem dúvida, haverá reclamações", disse Rubén Sánchez, professor de Estudos Políticos na Universidade El Rosario de Bogotá.
Temas como a luta contra as drogas ou o embargo a Cuba e sua ausência deste encontro podem se transformar em um tipo de teste para Obama.
O presidente americano também pode ser questionado por outros temas sensíveis, como a imigração e a segurança, embora a agenda da Cúpula seja dedicada aos assuntos de integração nacional e redução da pobreza.
"O voto latino é cada vez mais exigente, mas se concentra em dois ou três temas principais: imigração, segurança e Cuba. Nessas três questões o governo Obama foi ambíguo e titubeante", afirmou à AFP Vicente Torrijos, especialista de relações internacionais.
Alguns governantes de países da América Central, região que no ano passado registrou 20 mil homicídios relacionados à atividade do narcotráfico, defenderão diante do presidente do principal país consumidor sua polêmica proposta de legalizar as drogas, uma hipótese que Washington exclui de antemão.
O anfitrião desta cúpula, Juan Manuel Santos, presidente da Colômbia, o principal produtor de cocaína do mundo, com 350 toneladas anuais, declarou que a "discussão é bem-vinda", de maneira aberta e contemplando todos os cenários possíveis.
Mas, para o especialista colombiano em drogas Francisco Thoumi, que durante anos estudou o tema para as Nações Unidas, "na Cúpula não irá se conquistar muito" neste ponto.
"É importante o fato de que se esteja falando" da legalização. "Mas as convenções internacionais antidrogas têm muito apoio", disse Thoumi.
Outro tema polêmico será o de Cuba, país alvo de um embargo econômico há 50 anos pelos Estados Unidos que é rejeitado de maneira unânime pelos latino-americanos.
Suspensa pela OEA em 1962, em plena Guerra Fria, Cuba nunca participou de uma Cúpula das Américas. Sua exclusão do organismo hemisférico foi levantada em 2009, após a Cúpula de Puerto España, mas Havana não pediu sua reincorporação, para a qual deveria assinar a Carta Democrática Interamericana.
Argentina e Brasil já advertiram que esta será a última Cúpula das Américas sem a participação de Cuba, e, se não for encontrada uma solução, "ninguém mais virá" a um encontro como este, reconheceu a chanceler colombiana María Ángela Holguín.
Com uma posição mais radical que a de seu aliado venezuelano Hugo Chávez, doente de câncer, o presidente equatoriano Rafael Correa decidiu não ir à Cúpula de Cartagena, ao denunciar como "inaceitável que sejam ignorados temas tão fundamentais como o desumano bloqueio a Cuba, assim como a aberrante colonização das ilhas Malvinas".
Trinta anos depois da guerra entre Reino Unido e Argentina, a reivindicação de Buenos Aires sobre estas ilhas é, mais do que nunca, um assunto de consenso entre os sul-americanos.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Venezuela quer que embargo norte-americano a Cuba seja discutido na Cúpula das Américas

Venezuela quer que embargo norte-americano a Cuba seja discutido na Cúpula das Américas

29/03/2012 
 
Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil

O embargo dos Estados Unidos a Cuba, imposto há cerca de meio século, deve ser tema da reunião da Cúpula das Américas, marcada para o próximo mês em Cartagena, na Colômbia. O embaixador da Venezuela na Organização dos Estados Americanos (OEA), Roy Chaderton, defendeu que o assunto seja debatido, no esforço de acabar com as restrições econômicas e financeiras aos cubanos.
Chaderton lembrou que o embargo a Cuba faz a região ficar “cada vez mais” isolada do restante do mundo, devido às limitações impostas pelos Estados Unidos. O embaixador destacou que na última reunião da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) o assunto foi discutido pelas delegações presentes.
A presidenta Dilma Rousseff deve participar da Cúpula das Américas, em Cartagena, ao retornar de uma visita aos Estados Unidos. O governo brasileiro defende o fim do embargo norte-americano a Cuba e apoia a abertura econômica em curso, comandada pelo presidente cubano, Raúl Castro.
*Com informações da emissora multiestatal, Telesur//Edição: Graça Adjuto

quarta-feira, 21 de março de 2012

Cúpulas latinas devem ter mensagem comum em relação ao continente e à situação mundial

Cúpulas latinas devem ter mensagem comum em relação ao continente e à situação mundial

Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil

Os próximos meses prometem movimentar toda a América Latina com a realização de cinco cúpulas em diversos países da região – a de Cartagena, na Colômbia; a Cúpula dos Povos,  no Rio de Janeiro; a do México; a de Santiago do Chile; e a Cúpula da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac).

Para o ativista Henrique Daza, da Aliança Social Continental, o importante para os povos do continente é levar a todas essas reuniões uma mensagem comum em relação à própria região e à situação mundial.

Em entrevista à Agência Brasil, Daza manifestou a preocupação dos países com a questão da militarização e a política dos Estados Unidos de fomentar os esquemas de livre comércio. “Preocupa-nos a irresponsabilidade das empresas multinacionais  e a perda da soberania alimentar. É isso que vamos levar às cúpulas”, disse.

A respeito das crises econômica e climática mundiais, ele avaliou que as respostas dadas pelos organismos internacionais multilaterais  têm sido insuficientes. “São respostas que pretendem estender o mesmo modelo que conduziu às crises”. Por isso, defendeu que os temas sejam debatidos na Cúpula dos Povos, encontro que ocorrerá paralelamente à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20,  no Rio de Janeiro, no próximo mês de junho.

Henrique Daza é um dos integrantes do grupo de articulação internacional do Comitê Facilitador  da Sociedade Civil na Rio+20. Para ele, os governos, de modo geral,  não estão decididos a implementar  um novo modelo de desenvolvimento e uma nova arquitetura econômica internacional, ao contrário do discurso que vêm fazendo. “Então, nós, os povos,  vamos exigir que sejam feitas mudanças profundas e reais, em benefício da maioria das populações”.

Ele lembrou que no Rio de Janeiro, especialmente, essa questão tem viés ambiental porque  a reunião vai debater o desenvolvimento sustentável, englobando a economia verde, como uma “resposta aparente à crise produzida por mudanças climáticas e o que elas significam”.

Daza disse que  nenhuma das últimas cúpulas internacionais ocorridas no mundo resultou em mudanças na prática. "Em nenhuma delas foi tomada uma decisão aplicável e, muito menos, útil". Para ele, isso confirma a crise  do sistema  multilateral, “porque se faz uma coisa e aprova-se outra, distinta. É como uma espécie de diplomacia na qual parece que os governos estavam fazendo algo mas, na verdade, estão deixando que os mercados decidam o futuro do mundo”.

Pessoalmente, Daza não tem nenhuma expectativa positiva em relação à Rio+20. Ele destacou, entretanto, a necessidade de os povos exercerem pressão sobre os governos para que algo novo de fato possa ocorrer. “Vamos tentar exercer uma boa pressão”, prometeu.

Edição: Graça Adjuto

quarta-feira, 14 de março de 2012

Chanceleres da Argentina e do Brasil defendem participação de Cuba na Cúpula das Américas

Chanceleres da Argentina e do Brasil defendem participação de Cuba na Cúpula das Américas

Elaine Patricia Cruz - Repórter da Agência Brasil

A participação de Cuba na Cúpula das Américas, prevista para abril na Colômbia, foi defendida hoje (13) pelos ministros das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, e da Argentina, Héctor Timermam, durante reunião na capital paulista. “Creio que esta tem que ser a última Cúpula das Américas em que Cuba não participe. Esta é uma posição que vamos defender”, disse Timermam. Segundo ele, vários países já têm defendido a mesma posição. “Cuba precisa ser parte da Cúpula das Américas para que esta seja, finalmente, a Cúpula das Américas”, completou.

Para Patriota, essa situação já se prolongou “para além do que seria considerado razoável”. “Recordo a vocês que o então presidente Lula, quando esteve na última Cúpula das Américas, já tinha dito isso, que aquela deveria ter sido a última sem a presença de Cuba”, declarou.

Além da questão envolvendo Cuba, os dois ministros também falaram sobre as Ilhas Malvinas. Recentemente, Timerman acusou a Grã-Bretanha às Nações Unidas de enviar armas nucleares para as Ilhas Malvinas e de manter no arquipélago um sistema militar de controle do Atlântico Sul.

“Hoje conversamos sobre a preocupação [que temos] de que uma potência extrarregional se negue a informar se está introduzindo armas nucleares na região”, disse Timerman. Esse tema, segundo o ministro argentino, será levado para a próxima reunião da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul, que ocorrerá em Montevidéu, no Uruguai. “Reafirmei [a Timerman] o apoio firme e inequívoco do Brasil – e da região como um todo – à reivindicação argentina sobre a soberania das Ilhas Malvinas”, disse Patriota.

O encontro vai reunir o Brasil, Uruguai e a Argentina, além da possibilidade da presença de países africanos do Atlântico Sul. “Estamos seguros de que todos os países da Zona de Paz vão apoiar a proposta Argentina”, declarou Timerman.

Além desses temas, os dois chanceleres também conversaram sobre a visita de técnicos argentinos à Base de Alcântara, no Maranhão, no dia 15 de março, as retomadas das visitas bilaterais e a ideia de reativação dos mecanismos de monitoramento comercial entre os dois países, o que incluiria a indústria automotiva.

Patriota também falou sobre a viagem que fará na noite de hoje ao México, junto com ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel. Segundo ele, a viagem atende a um pedido feito pelo governo mexicano para buscar um entendimento sobre as mudanças no acordo automotivo. “Esperamos que possamos concluir esse processo amanhã (14), na Cidade do México”, disse o ministro.