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sexta-feira, 13 de abril de 2012

Na Cúpula das Américas, Argentina defenderá direito à soberania das Malvinas

Na Cúpula das Américas, Argentina defenderá direito à soberania das Malvinas

13/04/2012 
 
Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil

Em campanha pelo controle das Ilhas Malvinas, atualmente em poder da Grã-Bretanha, a presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, reúne-se amanhã (14) com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Eles participam da 6ª Cúpula das Américas, em Cartagena das Índias, na Colômbia.
Nas Américas, a maioria dos países, inclusive o Brasil, apoia o pleito argentino. Em 1982, houve a Guerra das Malvinas, quando argentinos e britânicos se enfrentaram na tentativa de garantir o poder político e econômico.
Ao chegar ontem (12) à Colômbia, o ministro das Relações Exteriores, Luis Almagro, disse que a alegação da Argentina "é uma questão de soberania” e conta com o apoio dos uruguaios. "Eu acho que a posição da Argentina é compartilhada por grande parte da região. Por isso, é importante que essa legítima reivindicação seja confirmada em uma declaração [conjunta]", disse Almagro.
A expectativa dos argentinos é que o apoio ao controle sobre as Malvinas faça parte do documento final, que será assinado e divulgado no domingo (15) pelos presidentes e primeiros-ministros de 34 países presentes à cúpula.
*Com informações da agência pública de notícias da Argentina, Telam//Edição: Graça Adjuto

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Cerimônias na Argentina e na Grã-Bretanha marcam 30 anos da Guerra das Malvinas


Cerimônias na Argentina e na Grã-Bretanha marcam 30 anos da Guerra das Malvinas

02/04/2012 
 
Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil

O aniversário de 30 anos do começo da Guerra das Malvinas (ou Falklands, para os britânicos) será celebrado com uma série de cerimônias e discursos na Grã-Bretanha e na Argentina. No total, 255 soldados britânicos e 650 argentinos morreram no conflito, deflagrado por uma invasão argentina das Malvinas no dia 2 de abril de 1982. As celebrações ocorrem em um momento das novas tensões entre argentinos e britânicos.
Recentemente a Argentina voltou a manifestar seu direito às ilhas, mas a Grã-Bretanha se mantém determinada a garantir a soberania na região, no Atlântico Sul. A Grã-Bretanha controla as Malvinas desde 1833, mas a Argentina diz que o território pertencia à Espanha, devendo ser herdado pelo país sul-americano com a sua independência.
Veteranos britânicos de guerra e parentes dos mortos farão uma cerimônia especial no Memorial Nacional Arboretum, em Staffordshire, na região oeste da Inglaterra. Uma única vela será acesa como um gesto de memória aos mortos. O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, disse que hoje (2) é um dia para lembrar argentinos e britânicos mortos no conflito
"Há 30 anos, o povo das Ilhas Falklands sofreram um ato de agressão que quis roubá-los das suas liberdades e do seu modo de vida", disse Cameron. "Hoje é um dia de comemoração e reflexão: um dia para lembrar todos aqueles que perderam suas vidas no conflito – os integrantes das nossas Forças Armadas, assim como os argentinos que morreram."
Veteranos argentinos fizeram uma vigília durante a madrugada. Além disso, a presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, visitará o Porto de Ushuaia hoje para uma cerimônia em homenagem aos soldados argentinos mortos no conflito. Ela vai acender uma "chama eterna" no local. Na madrugada passada, veteranos de guerra fizeram uma vigília.
A Argentina solicitou a abertura de negociações sobre a soberania das Ilhas Malvinas, mas o governo britânico diz que não há nada para se discutir, se não houver consentimento dos moradores.
A Grã-Bretanha acusa a Argentina de tentar impor um bloqueio à população local, depois de proibir embarcações com a bandeira de Falklands em seus portos. A medida também foi adotada pelos demais países do Mercosul.
A derrota das forças argentinas no conflito contribuiu para o fim do regime militar liderado pelo general Leopoldo Galtieri – preso, acusado de "incompetência" na guerra. A primeira-ministra britânica na época, Margaret Thatcher, não participará das celebrações, pois sofre com vários problemas de saúde.
*Com informações da BBC Brasil e da agência pública de notícias da Argentina, Telam.
Edição: Talita Cavalcante

América Latina apoia Argentina nas Malvinas

América Latina apoia Argentina nas Malvinas

Publicado em Carta Capital


Os países latino-americanos apoiaram de forma unânime a Argentina ©AFP / juan mabromata

Por Yana Marull

BRASÍLIA (AFP) – A América Latina, mais unida que há trinta anos, quando explodiu a guerra das Malvinas sob domínio britânico, se uniu à Argentina em sua reivindicação de soberania e ressuscita, com o Brasil na liderança, uma iniciativa para controlar o Atlântico Sul.
Os países latino-americanos apoiaram de forma unânime a Argentina, rejeitaram a presença militar britânica na região e pretendem corroborar esta posição na Cúpula das Américas de Cartagena em abril, informou nesta semana a chanceler colombiana, María Ángela Holguín.
O chanceler brasileiro, Antônio Patriota, deixou claro para seu homólogo britânico William Gague em Brasília no início do ano: o Brasil e a região “apoiam a soberania argentina sobre as Malvinas e as resoluções da ONU que pedem os governos argentino e britânico para dialogarem sobre este tema”.
Patriota informou ainda que o Brasil colabora com o Uruguai para convocar uma reunião da “Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul”, com países sul-americanos e africanos banhados pelo oceano.
“Há um interesse de Brasil, Argentina e Uruguai de criar uma área de segurança do Atlântico Sul. Há décadas isto estava na agenda”, afirma o professor da Universidade Estadual Paulista, Tullo Vigevani.
Mas agora este interesse é mais diligente, depois que o Brasil descobriu gigantescas reservas petroleiras em alto mar, em frente a sua costa.
“O Atlântico Sul é extremamente importante para todos os países de ambos os lados do oceano. A geologia desta região é um espelho, o que há do lado sul-americano, existirá do sul-africano, e já estão sendo descobertas grandes reservas petroleiras na costa africana, além da riqueza do oceano, como a pesca”, afirma Alberto Pfeifer, do Grupo de Análises de Conjuntura Internacional da Universidade de São Paulo
O potencial petrolífero das Malvinas foi peça-chave no recente atrito entre Argentina e Grã-Bretanha, uma vez que empresas uma vez que empresas britânicas iniciaram prospecções em 2010, embora com um resultado aparentemente limitado.

Há 30 anos, tinha início a Guerra das Malvinas, um conflito sem solução ©AFP / Kt/Dp/Ppbritânicas iniciaram prospecções em 2010, embora com um resultado aparentemente limitado.
O recente envio à região de uma fragata britânica e do príncipe William em uma manobra militar alimentou esta tensão e levou a Argentina à ONU para acusar Londres de militarizar o Atlântico Sul.
Em meio a este aumento de tensões e para além da retórica, os países do Mercosul e associados se comprometeram em dezembro a proibir a entrada em seus portos de barcos com bandeira das Malvinas. Por sua vez, o Peru acaba de cancelar a visita de uma fragata britânica, e o presidente equatoriano, Rafael Correa, chegou a propor a adoção de sanções contra o Reino Unido.
Este apoio não foi tão aberto nem homogêneo 30 anos atrás, em plena Guerra Fria, quando boa parte da região estava sob ditaduras convencidas de que o inimigo era o país vizinho, afirma o professor de Relações Internacionais das universidades Nacional do Centro e de Buenos Aires, Raúl Bernal-Meza. “Existia uma hipótese de conflito entre muitos países.”
A ditadura chilena de Augusto Pinochet prestou colaboração velada à Grã-Bretanha e o único país que forneceu uma ajuda concreta à Argentina foi o Peru, que enviou armas e aviões Mirage (o que não é reconhecido oficialmente).
Hoje os países latino-americanos dependem menos de Europa e Estados Unidos e mais de si mesmos, ao mesmo tempo em que mostram uma vontade maior de manter uma identidade comum.
“A existência da Unasul (União Sul-Americana de Nações) deu mais coesão à posição de solidariedade com a Argentina porque é muito mais fácil obter acordos e consensos”, afirma Ernesto Velit Granda, catedrático peruano de Relações Internacionais.
Para o cientista político da Universidade do Chile, Ricardo Israel, “é difícil que o apoio latino-americano passe de um gesto simbólico”, entre outros, porque “não haverá uma nova guerra; a Argentina não tem as mínimas condições militares”.
Não haverá medidas restritivas ao comércio, nem ao transporte com as Malvinas, como deixaram claro o Chile, que tem uma comunidade nas ilhas que chega a 10% da população e opera, através da LAN, o único voo comercial semanal, assim como o Uruguai, que aumentou o comércio com elas nos últimos anos.
No dia 2 de abril de 1982, a ditadura militar argentina invadiu as ilhas tomadas pela Grã-Bretanha em 1833. As tropas argentinas se renderam após 74 dias de conflito, que terminou com 649 argentinos mortos e 255 britânicos, selando também o destino da ditadura argentina, que caiu no ano seguinte.
A Grã-Bretanha se mantém irredutível em sua defesa “do princípio de autodeterminação” dos habitantes das Falklands, nome oficial da Grã-Bretanha para o arquipélago, grande como o Líbano e com 3.000 habitantes, localizado a 650 km da costa da Patagônia argentina.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Britânicos defenderão Malvinas a todo custo, diz pesquisa

Britânicos defenderão Malvinas a todo custo, diz pesquisa


Matéria de Carta Capital 21/03/2012



Atualmente, a Argentina poderia retomar as Ilhas Malvinas do Reino Unido com maior facilidade que a mal sucedida tentativa de 1982, defende um general britão combatente na guerra entre os países há quase 30 anos. Mas os britânicos não abririam mão do território facilmente. É o que diz uma pesquisa do jornal The Guardian.

O diário entrevistou mil pessoas em todo o Reino Unido e 61% delas afirmaram que os britânicos “deveriam proteger as Ilhas Malvinas (para eles Falkland Islands) até quando os nativos desejarem proteção”, sem importar o custo.
Apenas 32% dos entrevistados são adeptos da opção de negociar a entrega do território.
Maioria dos britânicos refuta a ideia de entregar Malvinas à Argentina, segundo pesquisa. Foto: Governo das Ilhas Falkland

A pesquisa foi anunciada poucas semanas após o general Julian Thompson, comandante das forças terrestres inglesas durante o conflito, dizer ao jornal britânico The Times que o Reino Unido não teria como defender as ilhas porque carece atualmente de um porta-aviões.
“Tudo o que os argentinos precisam fazer é levar sua infantaria às ilhas durante o tempo necessário para destruir os aviões Typhoon (da Royal Air Force) e será o final.”
Neste caso, diz, a única solução seria enviar uma força naval, como decidiu fazer a então primeira-ministra Margaret Thatcher há 30 anos.
Não demorou muito e a afirmação teve resposta. Christian Le Mière, analista do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), disse que no momento Londres possui mais de mil soldados mobilizados no arquipélago e “ao menos três navios” no Atlântico Sul.
“Não ter um porta-aviões priva o Reino Unido de capacidades de ataque úteis em muitas situações diferentes, mas não quer dizer que a campanha não pudesse ter sucesso.”
Cerca de 13 mil quilômetros distante do arquipélogo, os britânicos não parecem, no entanto, preocupados em como proteger o local de uma eventual invasão argentina. A larga margem da pesquisa sugere que as queixas do país sul-americano sobre “imperialismo” e “militarização” do Reino Unido são absolutamente ignoradas na “iIlha-mãe”.
Os dados mostram uma maioria clara de defensores da soberania britânica nas Malvinas em todas as classes sociais, regiões e nações, exceto no País de Gales. Mesmo lá, o apoio pela manutenção alcança 49% dos entrevistados, contra 39% dos interessados em entregar o território ao poder argentino.
Os eleitores conservadores são os mais animados em proteger os frutos dos tempos de ferro de Thatcher: 78% deles defenderiam a ilha. Entre Trabalhistas e liberais a porcentagem é mais equilibrada: 54% e 60%, respectivamente.
Apenas os britânicos mais jovens defendem a entrega da ilha aos argentinos. Foto: Governo das Ilhas Falkland
Somente nos eleitores entre 18 e 24 anos, ainda não nascidos em 1982, há uma diferença: 49% apoiam negociações com a intenção de entrega das Malvinas e 39% querem mantê-las.
Nos outros grupos etários, entre 60% e 70% defendem o poder britânico na região.
Neste cenário, a presidenta argentina Cristina Kirchner tem aumentado a pressão sobre o Reino Unido para negociar a soberania da ilha na véspera do aniversário de três décadas da guerra. A mandatária chegou a proibir a entrada de navios com a bandeira das Malvinas em portos do país.
Parece que o “esforço” kirchneriano – e o apoio do ator norte-americano Sean Penn -, no entanto, vão continuar sem ter a repercussão desejada por Buenos Aires na terra da rainha.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Argentina vai processar empresas petrolíferas que exploram óleo nas àguas das Malvinas

Argentina vai processar empresas petrolíferas que exploram óleo nas àguas das Malvinas

Monica Yanakiew - Correspondente da EBC na Argentina

O governo argentino anunciou hoje (15) uma nova ofensiva contra o Reino Unido na disputa pela soberania das Ilhas Malvinas. O chanceler Hector Timerman disse que a Argentina vai iniciar ações no tribunais federais do país e na Justiça Internacional contra as cinco empresas que exploram petróleo nas águas do pequeno arquipélago do Atlântico Sul, que fica a 500 quilômetros da costa argentina.

Ele acusou as empresas de realizarem “atividade ilegais” porque estão explorando petróleo em um território em disputa, cuja posse está em discussão nas Nações Unidas. “As empresas petrolíferas têm licenças ilegítimas, concedidas pelo governo britânico, e estão realizando atividades ilegais e atuando em área ilegal no Atlântico Sul”, disse Timerman.

O chanceler prometeu também tomar medidas contra todos os envolvidos na operação – desde as empresas que prestam apoio logístico até os bancos que financiam a exploração de petróleo na região. O governo argentino também exige que os consultores internacionais informem seus clientes dos riscos que correm se investirem em companhias acusadas de agirem contra a lei.

O governo britânico reagiu, por meio de um comunicado, dizendo que defende os interesses dos quase 3 mil moradores do arquipélago, que se sentem cidadãos britânicos e têm o direito de explorar as riquezas naturais de seu mar. Segundo o Reino Unido, as petrolíferas estão promovendo atividades comerciais legitimas.

Timerman argumentou que o Reino Unido está desrespeitando as resoluções das Nações Unidas, que pedem aos dois países uma negociação diplomática para resolver a disputa pelas ilhas, que data do século 19. Os argentinos reclamam que foram expulsos do arquipélago que, até pela proximidade geográfica, lhes pertence. Os britânicos apelam para outro princípio da legislação internacional: a autodeterminação dos povos. Segundo eles, cabe aos quase 3 mil moradores das ilhas a decisão se querem continuar sendo britânicos ou preferem ser argentinos.

A disputa resultou em um conflito armado em 1982. No dia 2 de abril desse ano, a Argentina tentou recuperar as ilhas pela força. Foi derrotada pelas tropas britânicas, mas continua reivindicando a posse das ilhas em todos os fóruns diplomáticos. Este ano, obteve o apoio dos países vizinhos (entre eles o Brasil) para impedir a entrada de qualquer barco com a bandeira do Reino Unido nos portos da região.

“A disputa deixou de ser bilateral para virar regional”, disse em entrevista à Agência Brasil o analista político Jorge Castro. Segundo ele, a nova ofensiva tem um propósito político. “Timerman prometeu tornar públicas todas as ações que o governo tomar. É uma forma de transmitir à opinião pública mundial que a Argentina continua reivindicando a soberania das ilhas”.

O anúncio foi feito 18 dias antes do aniversário de 30 anos da Guerra das Malvinas. Desde 1982, as ilhas receberam investimentos do Reino Unido e enriqueceram, dando concessões de pesca e de exploração de petróleo. Segundo Castro, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita das Malvinas chegou este ano a US$ 65 mil (até por causa da apreciação da libra esterlina em relação ao dólar). É o quarto maior do mundo, depois do Catar, de Liechtenstein e Luxemburgo.

Edição: Aécio Amado

sexta-feira, 16 de março de 2012

Argentina vai processar empresas petrolíferas que exploram óleo nas àguas das Malvinas

Argentina vai processar empresas petrolíferas que exploram óleo nas àguas das Malvinas

Monica Yanakiew - Correspondente da EBC na Argentina

O governo argentino anunciou hoje (15) uma nova ofensiva contra o Reino Unido na disputa pela soberania das Ilhas Malvinas. O chanceler Hector Timerman disse que a Argentina vai iniciar ações no tribunais federais do país e na Justiça Internacional contra as cinco empresas que exploram petróleo nas águas do pequeno arquipélago do Atlântico Sul, que fica a 500 quilômetros da costa argentina.

Ele acusou as empresas de realizarem “atividade ilegais” porque estão explorando petróleo em um território em disputa, cuja posse está em discussão nas Nações Unidas. “As empresas petrolíferas têm licenças ilegítimas, concedidas pelo governo britânico, e estão realizando atividades ilegais e atuando em área ilegal no Atlântico Sul”, disse Timerman.

O chanceler prometeu também tomar medidas contra todos os envolvidos na operação – desde as empresas que prestam apoio logístico até os bancos que financiam a exploração de petróleo na região. O governo argentino também exige que os consultores internacionais informem seus clientes dos riscos que correm se investirem em companhias acusadas de agirem contra a lei.

O governo britânico reagiu, por meio de um comunicado, dizendo que defende os interesses dos quase 3 mil moradores do arquipélago, que se sentem cidadãos britânicos e têm o direito de explorar as riquezas naturais de seu mar. Segundo o Reino Unido, as petrolíferas estão promovendo atividades comerciais legitimas.

Timerman argumentou que o Reino Unido está desrespeitando as resoluções das Nações Unidas, que pedem aos dois países uma negociação diplomática para resolver a disputa pelas ilhas, que data do século 19. Os argentinos reclamam que foram expulsos do arquipélago que, até pela proximidade geográfica, lhes pertence. Os britânicos apelam para outro princípio da legislação internacional: a autodeterminação dos povos. Segundo eles, cabe aos quase 3 mil moradores das ilhas a decisão se querem continuar sendo britânicos ou preferem ser argentinos.

A disputa resultou em um conflito armado em 1982. No dia 2 de abril desse ano, a Argentina tentou recuperar as ilhas pela força. Foi derrotada pelas tropas britânicas, mas continua reivindicando a posse das ilhas em todos os fóruns diplomáticos. Este ano, obteve o apoio dos países vizinhos (entre eles o Brasil) para impedir a entrada de qualquer barco com a bandeira do Reino Unido nos portos da região.

“A disputa deixou de ser bilateral para virar regional”, disse em entrevista à Agência Brasil o analista político Jorge Castro. Segundo ele, a nova ofensiva tem um propósito político. “Timerman prometeu tornar públicas todas as ações que o governo tomar. É uma forma de transmitir à opinião pública mundial que a Argentina continua reivindicando a soberania das ilhas”.

O anúncio foi feito 18 dias antes do aniversário de 30 anos da Guerra das Malvinas. Desde 1982, as ilhas receberam investimentos do Reino Unido e enriqueceram, dando concessões de pesca e de exploração de petróleo. Segundo Castro, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita das Malvinas chegou este ano a US$ 65 mil (até por causa da apreciação da libra esterlina em relação ao dólar). É o quarto maior do mundo, depois do Catar, de Liechtenstein e Luxemburgo.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Argentina quer retaliar importações do Reino Unido por causa das Ilhas Malvinas

Argentina quer retaliar importações do Reino Unido por causa das Ilhas Malvinas

28/02/2012 - 23h20
Monica Yanakiew
Correspondente da EBC na Argentina
Buenos Aires – A ministra da Indústria da Argentina, Débora Giorgi, pediu a gerentes e presidentes de pelo menos vinte empresas nacionais e multinacionais que deixem de comprar produtos do Reino Unido e passem a importá-los de outros países que reconheçam a soberania argentina das Ilhas Malvinas. A informação foi divulgada nesta terça-feira pela Telam, a agência de notícias oficial argentina.
No ano passado, a Argentina importou US$ 614 milhões do Reino Unido, 40% a mais do que em 2010. Ainda assim, os argentinos registraram um saldo favorável de US$ 104 milhões na balança comercial com os britânicos. A proposta de Giorgi foi motivada mais por razões políticas do que econômicas.
Faltando um mês para os 30 anos da Guerra das Malvinas, cresce a tensão entre o Reino Unido e a Argentina. No sábado passado, o governo da província argentina da Terra do Fogo impediu que dois navios do Reino Unido ancorassem no Porto de Ushuaia. As duas embarcações faziam um cruzeiro, com paradas no Brasil, nas Malvinas, na Argentina e no Chile.
Nesta terça-feira o ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, Jeremy Browne, reagiu à proibição dizendo que foi “totalmente injustificada”. No mesmo dia, o músico britânico Roger Waters, fundador do grupo de rockPink Floyd, tomou as dores da Argentina. No Chile, onde fará uma apresentação, Waters deu entrevista criticando a decisão da primeira-ministra britânica Margaret Thatcher de enfrentar a Argentina, em 1982, pela posse das Ilhas Malvinas.
Este ano, a tensão diplomática aumentou quando o Reino Unido decidiu enviar o príncipe William para treinos militares nas Malvinas. Os argentinos consideraram uma provocação as operações militares as vésperas dos 30 anso da guerra.
O primeiro-ministro britânico, David Cameron, chamou os argentinos de “colonialistas” porque, segundo ele, querem recuperar as ilhas sem levar em consideração a vontade dos 3 mil moradores, que querem ser governados pelo Reino Unido. Desde o fim da guerra, o governo britânico fez investimentos no território. Construiu uma base militar e rodovias e investiu na exploração da pesca e do petróleo.