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domingo, 2 de fevereiro de 2014

Argentina ultrapassa Brasil e é a maior carga tributária da América Latina

Argentina ultrapassa Brasil e é a maior carga tributária da América Latina

Autor(es): Lucianne Carneiro
O Globo - 21/01/2014
 
 A Argentina ultrapassou o Brasil e tornou-se o país com maior carga tributária da América Latina, segundo levantamento divulgado nesta segunda-feira pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). A relação entre a carga tributária e o Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos no país) na Argentina chegou a 37,3% em 2012, ante 34,7% em 2011. O Brasil, por sua vez, viu sua taxa avançar de 34,9% em 2011 para 36,3% em 2012.De acordo com a OCDE, a média de carga tributária dos 18 países da América Latina pesquisados (grupo que reúne também Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela) passou de 20,1% em 2011 para 20,7% em 2012. A taxa ainda é bem inferior à média dos países da OCDE, desenvolvidos, de 34,6% em 2012.
A organização destaca que a velocidade de expansão da carga tributária nos países da América Latina entre 1990 e 2012 tem sido maior que a das nações que fazem parte da OCDE. Em 2012, a carga tributária como proporção do PIB variou entre 12,3% na Guatemala aos 37,3% da Argentina. Onze dos 18 países pesquisados registraram taxa menor que 20%.
Na passagem entre 2011 e 2012 a relação entre a carga tributária e o PIB avançou em 13 países, enquanto houve recuo em outros quatro países. Apenas na Costa Rica se manteve estável, em 21%. Os maiores aumentos ocorreram em Argentina, Equador, Bolívia e Brasil. Enquanto Uruguai e Chile foram as nações com maior recuo na carga tributária.

Na Argentina, 75% consideram situação econômica preocupante Autor(es): Janaína Figueiredo O Globo - 20/01/2014 Os argentinos estão vivendo um mês de janeiro atípico. Longe da relativa tranquilidade dos últimos verões, este ano o país está em estado de alerta por sinais cada vez mais preocupantes de sua economia. Na semana passada, o dólar paralelo, que o governo Cristina Kirchner insiste em ignorar, subiu 1,15 peso e fechou em 11,95, a cotação mais alta desde 1991. A nova equipe econômica, chefiada pelo jovem ministro Axel Kicillof minimiza um problema que economistas locais consideram grave e diretamente relacionado ao principal drama que assola o país: uma inflação que no ano passado, de acordo com as principais empresas de consultoria privadas, alcançou 28,3% e este ano poderia chegar a 40%. Pelo índice oficial, a alta foi de meros 10,9%. . Sem saber como conter a demanda de dólares, o Banco Central da República Argentina (BCRA) continua perdendo reservas - na sexta-feira passada, o montante caiu para US$ 29,7 bilhões, o mais baixo desde 2006 -, e o clima de intranquilidade é cada vez maior. De acordo com pesquisa divulgada neste domingo pelo jornal “Clarín”, 75% dos argentinos acreditam que a economia vai mal. - É preciso mudança. Este modelo não está funcionando e está empobrecendo a Argentina - disse o ex-ministro da Economia Roberto Lavagna, que comandou a pasta nos primeiros anos de gestão de Nestor Kirchner (2003-2007) e hoje é um importante membro do peronismo dissidente. Cenário mudou em dois anos A sensação de que o modelo kirchnerista esgotou-se é cada vez maior entre os argentinos. Segundo a mesma pesquisa do “Clarín”, hoje o aumento de preços e a insegurança são as principais preocupações da sociedade. Cerca de 55% dos argentinos acham que a situação pessoal vai piorar em 2014 e apenas 12% esperam melhora. Em 2011, quando Cristina foi reeleita com 54% dos votos, apenas 12% dos apontavam a inflação como um problema central da economia do país. Nesse período, o BCRA perdeu US$ 21,5 bilhões. Em pouco mais de dois anos, o cenário econômico e político do país modificou-se de forma expressiva. A Argentina passou de ter uma presidente onipresente, que falava por rede nacional de rádio e TV todas as semanas, a uma Cristina em silêncio, ainda às voltas com problemas de saúde. A chefe de Estado não fala ao país há mais de 40 dias e neste período foram divulgadas pouquíssimas imagens de Cristina, em meio a fortes rumores sobre sua saúde. Apesar da onda de apagões que deixou vários bairros de Buenos Aires às escuras por até três semanas, a disparada do dólar paralelo, a pressão dos sindicatos por reajustes salariais de até 35%, a sangria de reservas do BCRA, a expectativa de uma inflação de 3,5% este mês e a crescente falta de alguns produtos nos supermercados, a presidente passa seus dias na residência oficial de Olivos, vai cada vez menos à Casa Rosada e permanece calada. No domingo, Kicillof embarcou para Paris, onde espera-se que tente avançar nas negociações com o Clube de Paris para saldar uma dívida estimada em US$ 10 bilhões. Não está claro, porém, qual será sua proposta, mas segundo informações extraoficiais a ordem de Cristina foi conseguir melhorar as relações do país com a comunidade internacional. Tudo aumenta na Argentina, dos alimentos, ao pedágio, os planos de saúde privados e as tarifas de transporte. Em muitos casos, os reajustes são superiores a inflação calculada pelos economistas e chegam a 50% de um mês para o outro. Nos últimos dias, algumas redes de supermercados, como o Carrefour, ampliaram as limitações na venda de alimentos como biscoitos e macarrão. Uma legenda avisa: "Produto para consumo familiar: máximo duas unidades por pessoa". Ainda não se fala em desabastecimento, mas na economia argentina tudo tem mudado e se deteriorado muito rápido, e o temor entre economistas e a população é grande.

Na Argentina, 75% consideram situação econômica preocupante

Autor(es): Janaína Figueiredo
O Globo - 20/01/2014
 
Os argentinos estão vivendo um mês de janeiro atípico. Longe da relativa tranquilidade dos últimos verões, este ano o país está em estado de alerta por sinais cada vez mais preocupantes de sua economia. Na semana passada, o dólar paralelo, que o governo Cristina Kirchner insiste em ignorar, subiu 1,15 peso e fechou em 11,95, a cotação mais alta desde 1991. A nova equipe econômica, chefiada pelo jovem ministro Axel Kicillof minimiza um problema que economistas locais consideram grave e diretamente relacionado ao principal drama que assola o país: uma inflação que no ano passado, de acordo com as principais empresas de consultoria privadas, alcançou 28,3% e este ano poderia chegar a 40%. Pelo índice oficial, a alta foi de meros 10,9%.

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Sem saber como conter a demanda de dólares, o Banco Central da República Argentina (BCRA) continua perdendo reservas - na sexta-feira passada, o montante caiu para US$ 29,7 bilhões, o mais baixo desde 2006 -, e o clima de intranquilidade é cada vez maior. De acordo com pesquisa divulgada neste domingo pelo jornal “Clarín”, 75% dos argentinos acreditam que a economia vai mal.
- É preciso mudança. Este modelo não está funcionando e está empobrecendo a Argentina - disse o ex-ministro da Economia Roberto Lavagna, que comandou a pasta nos primeiros anos de gestão de Nestor Kirchner (2003-2007) e hoje é um importante membro do peronismo dissidente.
Cenário mudou em dois anos
A sensação de que o modelo kirchnerista esgotou-se é cada vez maior entre os argentinos. Segundo a mesma pesquisa do “Clarín”, hoje o aumento de preços e a insegurança são as principais preocupações da sociedade. Cerca de 55% dos argentinos acham que a situação pessoal vai piorar em 2014 e apenas 12% esperam melhora. Em 2011, quando Cristina foi reeleita com 54% dos votos, apenas 12% dos apontavam a inflação como um problema central da economia do país. Nesse período, o BCRA perdeu US$ 21,5 bilhões.
Em pouco mais de dois anos, o cenário econômico e político do país modificou-se de forma expressiva. A Argentina passou de ter uma presidente onipresente, que falava por rede nacional de rádio e TV todas as semanas, a uma Cristina em silêncio, ainda às voltas com problemas de saúde. A chefe de Estado não fala ao país há mais de 40 dias e neste período foram divulgadas pouquíssimas imagens de Cristina, em meio a fortes rumores sobre sua saúde.
Apesar da onda de apagões que deixou vários bairros de Buenos Aires às escuras por até três semanas, a disparada do dólar paralelo, a pressão dos sindicatos por reajustes salariais de até 35%, a sangria de reservas do BCRA, a expectativa de uma inflação de 3,5% este mês e a crescente falta de alguns produtos nos supermercados, a presidente passa seus dias na residência oficial de Olivos, vai cada vez menos à Casa Rosada e permanece calada.
No domingo, Kicillof embarcou para Paris, onde espera-se que tente avançar nas negociações com o Clube de Paris para saldar uma dívida estimada em US$ 10 bilhões. Não está claro, porém, qual será sua proposta, mas segundo informações extraoficiais a ordem de Cristina foi conseguir melhorar as relações do país com a comunidade internacional.
Tudo aumenta na Argentina, dos alimentos, ao pedágio, os planos de saúde privados e as tarifas de transporte. Em muitos casos, os reajustes são superiores a inflação calculada pelos economistas e chegam a 50% de um mês para o outro. Nos últimos dias, algumas redes de supermercados, como o Carrefour, ampliaram as limitações na venda de alimentos como biscoitos e macarrão. Uma legenda avisa: "Produto para consumo familiar: máximo duas unidades por pessoa". Ainda não se fala em desabastecimento, mas na economia argentina tudo tem mudado e se deteriorado muito rápido, e o temor entre economistas e a população é grande.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Teste para Cristina K.: Greve geral na Argentina afeta Brasil

Teste para Cristina K.: Greve geral na Argentina afeta Brasil

Surpresa no feriadão
Autor(es): Janaína Figueiredo
O Globo - 21/11/2012
 

Protesto é o maor em 10 anos no país vizinho. Voos entre Brasil e Argentina são cancelados

Buenos Aires e Rio A Argentina foi cenário ontem da primeira greve geral desde que os Kirchner chegaram ao poder, em maio de 2003. A paralisação, que interrompeu os transportes e suspendeu serviços básicos, foi convocada por três centrais sindicais que fazem oposição ao governo: a ala da Central Geral de Trabalhadores (CGT), liderada pelo líder dos caminhoneiros Hugo Moyano - até o ano passado, um forte aliado da Casa Rosada -, a Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA), comandada por Pablo Micheli; e a Federação Agrária Argentina (FAA).
O protesto atrapalhou a volta ao país dos brasileiros que escolheram Buenos Aires como destino para o último grande feriado do ano. Ao todo, 25 voos entre o Brasil e o país vizinho haviam sido cancelados até a noite de ontem.
A Aerolíneas Argentinas foi a que suspendeu mais voos (17). Foram cinco que partiriam de Buenos Aires para o Rio (Galeão), outros cinco voos da capital argentina para São Paulo (Guarulhos) e dois voos para Porto Alegre. As partidas, desde os aeroportos de Ezeiza e Aeroparque, foram reprogramadas para hoje. As decolagens do Brasil para lá também foram canceladas: duas a partir do Rio, duas a partir de São Paulo e uma a partir de Porto Alegre.
Voos de Gol e TAM não são afetados
Já a Austral suspendeu quatro voos de São Paulo, dois Guarulhos-Buenos Aires e outros dois que partiriam da capital argentina para São Paulo. Para saber detalhes dos voos cancelados e acompanhar as reprogramações, a Aerolíneas recomenda acessar seu site (www.aerolineas.com.ar). A Austral pertence ao mesmo grupo.
A LAN cancelou quatro voos entre São Paulo e Buenos Aires. Os passageiros poderão ter reembolso integral dos bilhetes. Quem quiser remarcar a viagem pode entrar em contato com o call center: 0300 788 0045 no Brasil e 0810-9999-526 na Argentina. Voos de TAM e Gol não foram afetados.
A professora Luana Lisboa, que trabalha na Fundação Getulio Vargas, foi uma das que ficaram presas em Buenos Aires. Ela e os amigos Geisiane Rodrigues, servidora pública, Júlio César Rosa, auxiliar administrativo, e Paulo José Leal, analista de sistemas, viajaram para a Argentina quinta-feira passada, no feriado da Proclamação da República. O grupo deveria ter voltado ao Brasil ontem às 16h25m, no voo AR 1294.
Eles ficaram indignados com a falta de informação da companhia. A aérea ofereceu a promessa de embarcá-los em outro voo para o Rio, no próximo domingo, dia 25, sem pagar hotel nem táxi. Depois de muita discussão, o grupo conseguiu que a Aerolíneas os realocasse num voo previsto para hoje, às 16h30m. Eles escolheram a passagem da Aerolíneas porque era a mais barata.
- O atendimento da Aerolíneas foi péssimo. Eles nos deram um número de telefone para fazer reclamação e não pagaram alimentação, hotel nem transporte - reclamou Luana.
Carolina Vianna e Cléber Cruz também foram passar o feriado em Buenos Aires e voltariam para São Paulo, num voo da Aerolíneas (AR 1248) que sairia às 19h25m do Aeroparque com destino ao Aeroporto de Guarulhos (SP). O voo foi cancelado, e a companhia sugeriu que eles fossem para o Aeroporto de Ezeiza tentar embarcar em outro voo, sem ressarcimento. E eles ainda teriam de pagar pela nova passagem.
Eles não aceitaram a oferta e, depois de muito insistir, conseguiram vaga no voo AR 1246, saindo do Aeroparque à 1h50m de hoje para São Paulo.
- Tivemos que pagar pela corrida de táxi o triplo do valor normal do hotel até o aeroporto, por causa da greve - reclamou Cruz, no saguão do aeroporto.












































 

terça-feira, 24 de abril de 2012

Parlatino diz que Argentina respeitou soberania e interesses populares ao expropriar petrolífera

Parlatino diz que Argentina respeitou soberania e interesses populares ao expropriar petrolífera

24/04/2012
Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil

A Junta Diretora do Parlamento Latino-Americano (Parlatino) aprovou ontem (23) uma resolução em apoio ao governo da Argentina à decisão de expropriar a petrolífera YPF, administrada pela Repsol. No texto, os parlamentares do grupo que representa 23 países da região argumentam que a medida se baseou na soberania nacional e no respeito aos interesses da população argentina. Apenas os representantes do México e de Saint Martin não apoiaram a medida e se abstiveram da votação.
“A decisão do governo da Argentina de nacionalizar a empresa YPF foi um ato de [respeito de] soberania energética para o bem-estar do povo", diz o texto do Parlatino, rejeitando quaisquer medidas de represália. “[Somos contra as] represálias no campo comercial em vez de tomar o caminho do diálogo e da negociação."
A Junta Diretora, que aprovou a resolução, é um órgão do Parlamento Latino-Americano formado pelo presidente e por vários secretários-gerais que representam os diversos segmentos internos da entidade. A decisão foi aprovada durante sessão, na Cidade do Panamá, e proposta pela representante da Argentina, Nancy Gonzalez.
“[A presidenta da Argentina, Cristina Kicrhner] tomou a decisão no exercício dos seus poderes e deveres [constitucionais] para resgatar e gerenciar com eficiência os recursos de hidrocarbonetos do povo argentino", diz a resolução.
Em seguida, o texto acrescenta que o Parlatino “compartilha a posição dos governos da América Latina e do Caribe, que, em grande parte, já simpatizavam com a decisão da Argentina, que visa a beneficiar não só o crescimento e desenvolvimento do povo argentino, mas tembém a promoção da integração energética regional".
*Com informações da emissora multiestatal de televisão, Telesur.
Edição: Talita Cavalcante

terça-feira, 17 de abril de 2012

ARGENTINA ESTATIZA PETROLÍFERA E ESPANHA AMEAÇA RETALIAR

ARGENTINA ESTATIZA PETROLÍFERA E ESPANHA AMEAÇA RETALIAR

ARGENTINA DESAFIA ESPANHA E NACIONALIZA A YPF, MAIOR EMPRESA PETROLÍFERA DO PAÍS
Autor(es): ARIEL PALACIOS
O Estado de S. Paulo - 17/04/2012
 

Cristina Kirchner diz que decisão visa a "recuperar soberania"; governo espanhol fala em adotar ação "contundente"
A presidente argentina, Cristina Kirchner, apresentou ontem ao Congresso um projeto de lei para expropriar 51% das ações da petrolífera YPF, que desde 1999 pertence à espanhola Repsol, informa o correspondente Ariel Palácios. Cristina afirmou que o objetivo é "recuperar a soberania petrolífera" da Argentina e escolheu a Petrobras, na qual o Estado tem 51% de participação, como exemplo. Segundo ela, 26,01% das ações da YPF, líder no mercado argentino, ficarão com o Estado e os 24,99% restantes serão distribuídos entre as províncias produtoras de hidrocarbonetos. A Argentina é o quarto país sul-americano a nacionalizar uma empresa de petróleo. A Espanha reagiu duramente contra a decisão, qualificada de "arbitrária e agressiva", e avisou que tomará medidas "claras e contundentes" nos próximos dias.
A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, anunciou ontem o envio de projeto de lei ao Congresso para expropriar 51% das ações da petrolífera YPF, que desde 1999 pertence à espanhola Repsol. O discurso foi interrompido várias vezes por ovações da plateia, entoando cantos do Partido Justicialista (Peronista).
Ao redor do meio-dia, minutos antes do discurso de Cristina, representantes do governo Kirchner entraram na YPF no centro de Buenos Aires e convidaram os executivos da Repsol a abandonar o edifício. Às 14 horas, meia hora após o final do discurso presidencial, o ministro de Planejamento Federal e Obras Públicas, Julio De Vido, entrava na sede da YPF para assumir como interventor.
De acordo com Cristina, o Estado argentino ficará com 26,01% do total das ações da YPF, enquanto os 24,99% restantes serão distribuídos entre as províncias da organização Federal dos Estados Produtores de Hidrocarbonetos. A YPF é líder do mercado argentino e a Petrobrás é a terceira maior do país no setor, com participação estimada em 6%.
Em tom épico, com a imagem de Evita Perón atrás do palco, Cristina - em rede nacional de rádio e TV - anunciou "a recuperação" da "soberania petrolífera". "Talvez este seja o único país no mundo que havia perdido toda sua soberania de combustíveis", exclamou. Para reverter a situação, afirmou, o projeto declara de "interesse público e nacional" o "autoabastecimento de hidrocarbonetos", além da "exploração, industrialização, transporte e comercialização".
A declaração de "interesse público" permite que o governo determine metas de produção, investimento e abastecimento de todas petrolíferas instaladas no país. O projeto prevê que o preço das ações da YPF - que caíram quase 15% nos últimos 30 dias - será determinado pelo Tribunal de Contas da Nação.
O governo alegava que a produção de petróleo estava caindo nos últimos anos e acusou a Repsol de não investir no país por intermédio da YPF. Em Madri, a empresa espanhola retrucou, afirmando que pretendia investir US$ 3,4 bilhões este ano.
Poucas horas antes do anúncio de Cristina, o ministro da Economia da Espanha, Luis de Guindos, alertou em Madri sobre a iminente expropriação da YPF: "A Argentina está à deriva populista." A aprovação do projeto é considerada fato consumado, já que o governo tem maioria no Senado e na Câmara.
As ações da Petrobrás Argentina caíram ontem 0,77% na Bolsa de Valores de Buenos Aires. Assim como ocorria com a Repsol, a Petrobrás brasileira tem sofrido pressões do governo para investir mais. No início de abril, perdeu a concessão de uma área na Província de Neuquén, no sudoeste do país. A estatal brasileira não quis comentar ontem a expropriação das ações da YPF.

Espanha reage à decisão da Argentina de expropriar petrolífera

Espanha reage à decisão da Argentina de expropriar petrolífera

17/04/2012

Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil

A decisão argentina de expropriar a petrolífera espanhola YPF gerou reações das autoridades da Espanha. O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, prometeu tomar providências em breve. O ministro das Relações Exteriores,  José Manuel Garcia Margallo, e da Indústria, José Manuel Soria, condenaram a medida e a consideraram arbitrária. Para eles, o clima de cordialidade existente entre os dois países está ameaçado.
De acordo com Margallo, o governo argentino quebrou  um "acordo verbal" feito por autoridades em relação à exploração de petróleo por espanhóis no país. Segundo ele, inúmeros acionistas da Repsol, que é responsável pela YPF, serão prejudicados devido à decisão de expropriação definida pelo governo argentino.
No entanto, entre os ecologistas espanhóis, a reação foi de apoio à Argentina. O grupo Ecologistas em Ação informou que não há “nenhum controle público” sobre as atividades da empresa YPF em território argentino. O assunto foi o tema principal dos principais jornais espanhóis, como El País, El Mundo, La Vanguardia, Cinco Dias e ABC.
Pela proposta em discussão na Argentina, 51% das ações da empresa petrolífera serão expropriadas - o governo federal ficará com 26,06% e as regiões produtoras com 24,99%-, enquanto os restantes 49% serão de responsabilidade das províncias (estados), nos quais a empresa atua.

*Com informações da agência pública de notícias da Argentina, Telam//Edição: Graça Adjuto

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Argentina quer retaliar importações do Reino Unido por causa das Ilhas Malvinas

Argentina quer retaliar importações do Reino Unido por causa das Ilhas Malvinas

28/02/2012 - 23h20
Monica Yanakiew
Correspondente da EBC na Argentina
Buenos Aires – A ministra da Indústria da Argentina, Débora Giorgi, pediu a gerentes e presidentes de pelo menos vinte empresas nacionais e multinacionais que deixem de comprar produtos do Reino Unido e passem a importá-los de outros países que reconheçam a soberania argentina das Ilhas Malvinas. A informação foi divulgada nesta terça-feira pela Telam, a agência de notícias oficial argentina.
No ano passado, a Argentina importou US$ 614 milhões do Reino Unido, 40% a mais do que em 2010. Ainda assim, os argentinos registraram um saldo favorável de US$ 104 milhões na balança comercial com os britânicos. A proposta de Giorgi foi motivada mais por razões políticas do que econômicas.
Faltando um mês para os 30 anos da Guerra das Malvinas, cresce a tensão entre o Reino Unido e a Argentina. No sábado passado, o governo da província argentina da Terra do Fogo impediu que dois navios do Reino Unido ancorassem no Porto de Ushuaia. As duas embarcações faziam um cruzeiro, com paradas no Brasil, nas Malvinas, na Argentina e no Chile.
Nesta terça-feira o ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, Jeremy Browne, reagiu à proibição dizendo que foi “totalmente injustificada”. No mesmo dia, o músico britânico Roger Waters, fundador do grupo de rockPink Floyd, tomou as dores da Argentina. No Chile, onde fará uma apresentação, Waters deu entrevista criticando a decisão da primeira-ministra britânica Margaret Thatcher de enfrentar a Argentina, em 1982, pela posse das Ilhas Malvinas.
Este ano, a tensão diplomática aumentou quando o Reino Unido decidiu enviar o príncipe William para treinos militares nas Malvinas. Os argentinos consideraram uma provocação as operações militares as vésperas dos 30 anso da guerra.
O primeiro-ministro britânico, David Cameron, chamou os argentinos de “colonialistas” porque, segundo ele, querem recuperar as ilhas sem levar em consideração a vontade dos 3 mil moradores, que querem ser governados pelo Reino Unido. Desde o fim da guerra, o governo britânico fez investimentos no território. Construiu uma base militar e rodovias e investiu na exploração da pesca e do petróleo.