Mostrando postagens com marcador zona do euro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador zona do euro. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Salvar o euro não é solução para resolver a crise

Salvar o euro não é solução para resolver a crise

Publicado em Carta Capital

Por William Keegan

O governador do Banco da Inglaterra estava mais perto do porão do banco que do telhado quando se queixou na semana passada de que “nosso maior parceiro comercial, a Zona do Euro, está se dilacerando sem qualquer solução evidente”. No dia seguinte, David Cameron aproximou ainda mais a Grã-Bretanha de seus parceiros do outro lado do canal com a advertência de que a Zona do Euro “ou tem de se refazer ou está olhando para uma potencial ruptura”.
Para sir Mervyn, que se aproxima de seu último ano no cargo e se manifesta cada vez mais, o problema não é “sobrevivência da Zona do Euro bom, colapso da Zona do Euro ruim”, mas os enormes desequilíbrios comerciais, os déficits de balança de pagamentos, as vastas diferenças em competitividade e os sistemas bancários europeus ainda defeituosos. “A sobrevivência do euro não é o problema”, ele disse.
O que estamos presenciando é uma conjuntura potencialmente cataclísmica da duradoura crise do capitalismo financeiro moderno e os defeitos inerentes à Zona do Euro como foi concebida originalmente.
Há muitos paradoxos e ironias nesta crise. A ideia geral por trás da União Europeia foi garantir que não houvesse mais guerras na Europa. Intimamente associado a esse objetivo estava o desejo de evitar os níveis de desemprego e inquietação social que causaram a ascensão de partidos extremistas de direita. (Não se passa um dia sem que haja uma referência a Hitler na imprensa ou no rádio.)
Ao defender o mecanismo da taxa de câmbio e depois a zona do euro, os franceses quiseram garantir que a política econômica da Europa não fosse dominada pelos alemães. Mas estes continuam mais obcecados por memórias folclóricas da inflação de Weimar do que pelo desemprego que levou ao extremismo.
Esta é uma batalha que certamente não foi vencida pelos franceses — na verdade, quando meu amigo Jean-Claude Trichet se tornou presidente do Banco Central Europeu, ele foi amplamente acusado de ter-se “nativizado”.
O resultado da eleição francesa mostra que hoje se espera que François Hollande pegue o bastão. Os otimistas — ainda há alguns por aí — apontam para algumas aparentes concessões dos políticos alemães sobre a questão da assimetria da política econômica da Zona do Euro. Por exemplo, se os membros meridionais da área quiserem estreitar a brecha em sua competitividade de preços com a Alemanha, os alemães devem visar ativamente um índice de inflação mais alto. Também há um reconhecimento mais amplo da necessidade de grandes projetos de infraestrutura.
Meus amigos mais de esquerda esperam que o desenrolar dos acontecimentos, não apenas na França mas também nas eleições estaduais da Alemanha, anunciem o início de algo grande. Eu tenho dúvidas. Com o desemprego elevado, e uma clara deficiência de demanda na Zona do Euro, assim como no Reino Unido, ainda há demasiada ênfase dos políticos para as reformas estruturais — no funcionamento do mercado de trabalho, por exemplo.
A fragilidade dessa abordagem foi bem captada muitos anos atrás pelo economista James Tobin, o da famosa taxa Tobin, sobre transações financeiras, muito apreciado pelo presidente Hollande. (Tobin, que eu tive o privilégio de conhecer, teve a distinção de não apenas ganhar um Prêmio Nobel de economia, mas também de ter servido de modelo para um personagem de O Motim, de Herman Wouk.
Tobin escreveu: “Apesar das terríveis profecias de ficção-científica que acompanham cada período de alto desemprego, o ressurgimento da demanda agregada sempre criou empregos em números vastamente além da imaginação dos pessimistas… Políticas estruturais de mercado de trabalho só podem causar melhoras marginais”.
De fato, outro distinto economista Prêmio Nobel, o nosso Tony Atkinson, sugeriu em uma conferência organizada pelo grupo de pensadores Resolution Foundation na semana passada que o modo como as reformas estruturais foram introduzidas no Reino Unido teve um impacto perverso sobre os incentivos ao emprego.
Merkel e Hollande: França e Alemanha têm ideias diferentes sobre a direção da Zona do Euro.Foto: Brendan Smialowski/AFP

Mas voltemos àqueles desequilíbrios. A ironia aqui é que o Sistema Monetário Europeu (EMS na sigla em inglês), o precursor do euro, foi montado para fornecer “uma área de estabilidade monetária” depois que a ruptura do antigo sistema de Bretton Woods em 1971-73 levou a um período de taxas de câmbio extremamente flutuantes. Mas enquanto o sistema de Bretton Woods tinha taxas de câmbio ajustáveis, sob a moeda única não há ajustabilidade além das tentativas dolorosamente lentas de reduzir os custos em economias que se tornaram anticompetitivas diante da Alemanha.
Houve um tempo em que, sob os auspícios da OCDE, vários “grupos de trabalho” de autoridades analisavam os acontecimentos e recomendavam ajustes nas políticas econômicas dos países, inclusive em relação às taxas de câmbio. Mas naquele tempo os custos raramente estavam tão desalinhados quanto se tornaram na Zona do Euro.
A boa notícia é que graças à opção de não participar de sir John Major, e da recusa de Gordon Brown a entrar, a economia britânica pôde ajustar sua taxa de câmbio.


A má notícia é que, como o primeiro-ministro britânico David Cameron e o chanceler George Osborne continuam nos dizendo, poderemos ser duramente atingidos por uma implosão de nosso principal mercado de exportação de qualquer modo — embora menos gravemente do que se tivéssemos aderido ao euro. Mas o governo britânico está sendo matreiro ao atribuir todos os nossos problemas econômicos atuais à Zona do Euro: Osborne fez uma contribuição significativa através de suas políticas excessivamente deflacionárias.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

IMPASSE DEIXA GRÉCIA PERTO DE SAIR DA ZONA DO EURO

IMPASSE DEIXA GRÉCIA PERTO DE SAIR DA ZONA DO EURO

GRÉCIA ENFRENTA IMPASSE POLÍTICO E EUROPA PREPARA RETIRADA DO PAÍS DA ZONA DO EURO
Autor(es): Jamil Chade
O Estado de S. Paulo - 14/05/2012
 

O fracasso, ontem, da última tentativa do presidente grego, Carolos Papoulias, de formar um governo de coalizão levou empresas e bancos centrais europeus a se prepararem para a saída da Grécia da zona do euro. Os credores não têm dúvida de que a ajuda financeira será encerrada no caso de o país não conseguir aprovar as reformas, seja pelo vácuo de poder, seja por uma vitória da esquerda em caso de uma nova eleição. O vice-presidente grego, Theodoros Pangalos, disse temer uma "falência selvagem". Empresas europeias já se planejam para a volta do dracma, a moeda grega antes do euro. O presidente do Banco Central belga, Luc Coene, disse acreditar "em um divórcio amigável, se um dia for necessário".
A última tentativa de formar um governo de coalizão na Grécia chegou a um impasse ontem. Diante do quadro, empresas e bancos centrais europeus se preparam para a saída do país da zona do euro. Ontem, o presidente grego, Carolos Papoulias , reuniu os três principais partidos e apelou por uma união nacional, mas não foi atendido. Ele promete nova ofensiva para hoje. Uma nova eleição não está descartada. Em 6 de maio, os gregos foram às urnas e deram uma surra nos tradicionais partidos que, há 40 anos, se alternavam no poder. Mais da metade da população votou em partidos contrários ao programa de austeridade. Mas nenhum deles conseguiu maioria suficiente para governar. Após três tentativas fracassadas de formar um governo, a esperança era que Papoulias conseguisse um acordo entre os partidos. O Coalizão de Esquerda, segundo partido mais votado, se recusou a fazer parte da aliança, e recebeu ataques de que já pensa na próxima eleição.
Para seu líder, Alexis Tsipras, seu partido teve êxito nas urnas por ser contrário às políticas de austeridade e não faria sentido compor com um governo que defende o acordo com a União Europeia. Em troca de resgates de € 240 bilhões, Bruxelas e o Fundo Monetário Internacional (FMI) exigiram cortes de gastos que conduziram o país ao seu quinto ano de recessão. Além da possibilidade de nova eleição, o impasse pode levar a Grécia a deixar a zona do euro. A Coalizão de Esquerda insiste em
que, se vencer em uma nova eleição, formará um governo contrário às políticas atuais. Para os credores, não há dúvida: a ajuda financeira será encerrada se esse cenário se concretizar ou se a Grécia continuar com um vácuo de poder e não conseguir aprovar as reformas. Na prática, significará a saída do país do euro.
Na Europa, várias empresas começam a fazer planos para a volta da dracma, a moeda grega. Na capa da edição de ontem, a influente revista alemã Spiegel defendeu a expulsão da Grécia do euro.
Segundo o Financial Times , bancos centrais europeus já falam abertamente nos preparativos para a queda da Grécia, fato ainda inédito na história da moeda única. Por anos, o Banco Central Europeu insistiu em que sair da moeda única não estava previsto nos acordos. "Acredito que um divórcio amigável, se for um dia necessário, poderá ser possível. Mas eu ainda assim lamentaria", declarou Luc Coene, presidente do BC belga. Patrick Honohan, presidente do BC irlandês, seguiu a mesma
linha. "Coisas que não estão nos tratados podem ocorrer. Tecnicamente, a saída da Grécia pode ser administrada. Não seria ncessariamente fatal, mas não é atrativa." Para Jens Weidmann, presidente do Bundesbank, o BC alemão, "as consequências de sair da zona do euro são mais sérias para a Grécia do que para o resto da zona do euro".

terça-feira, 24 de abril de 2012

A Europa com a faca no pescoço

A Europa com a faca no pescoço

Zona do Euro

24.04.2012
O socialista François Hollande tem boa chance de derrotar Sarkozy, ameaçando a “saída” germânica para a crise, onde a Alemanha preserva a sua competitividade. Foto: Foto:Philippe Wojazer/Reuters/Latinstock

A sociedade europeia está com a faca na garganta. Nós já estivemos na mesma situação, conhecemos o roteiro de cor. Quem ameaça a jugular dos europeus? Os suspeitos de sempre: bancos, hegde funds e corretoras. Não fosse assim, como explicar a queda generalizada das bolsas de valores nas principais praças da Zona do Euro ocorrida ontem, segunda 23? Ou a segunda recessão em três anos imposta à Espanha, acompanhada da escalada dos juros cobrados para financiar o governo espanhol, um evidente ataque especulativo assistido (nos dois sentidos) pelo Banco Central Europeu?
Os jornais de hoje. terça 24,  trazem as justificativas dos “investidores”: a Holanda não parece disposta a desmontar o aparato de proteção social erigido durante décadas; na França, idem, o socialista François Hollande tem boa chance de derrotar Sarkozy, ameaçando a “saída” germânica para a crise, onde a Alemanha preserva a sua competitividade, dá a cartas e os demais ficam com os cortes orçamentários em salários, aposentadorias, saúde, segurança, educação.
O “não” holandês preocupa. Quando a sociedade se manifesta, é problema. Do ponto de vista “deles”, claro. E talvez de Miriam Leitão, a precursora do jornalismo econômico à pururuca, uma velhinha de Taubaté das estatísticas, a última a defender com unhas e dentes os interesses do mercado financeiro, como se falasse “em defesa da sociedade”. Mas há uma diferença: a personagem de Luis Fernando Verissimo tinha charme, é inegável.
Por meio de seus porta-vozes, a alta finança promete que mais três anos de desmonte resultarão em algo proveitoso. Eles têm a razão deles: tirarão nesse período proveito do empréstimo trilionário dado pelo BCE, a taxas de juros negativas. E farão o que sabem fazer: vão especular com os títulos espanhóis, logo mais com franceses, faturam com os títulos brasileiros, e assim por diante.
Na América do Sul, a bola da vez, no momento, é a Argentina, após o governo Cristina Kirchner encampar a petroleira YPF, sob o argumento de que a empresa não cumpriu o prometido em um segmento estratégico. Controlada pelos espanhóis, a companhia remeteria seus lucros, inclusive para fazer frente à dificuldade de fazer caixa na Espanha, em vez de investir na ampliação da sua capacidade produtiva, algo que implicaria assumir riscos.
Alinhada aos interesses do mercado financeiro, a agência de classificação de riscos Standard & Poor´s saiu na frente e rebaixou a nota argentina. Contribuiu assim para elevar a temperatura do ambiente especulativo, caro ao mercado financeiro. Logo mais tiram a faca da botina.

sábado, 10 de março de 2012

Ajuda de 35,5 bi de euros

Ajuda de 35,5 bi de euros

Correio Braziliense - 10/03/2012
 


Após dar calote em credores privados, Grécia recebe primeira parte do socorro. FMI deve liberar mais 28 bi de euros
Finalmente, os ministros de Finanças da Zona do Euro desbloquearam ontem 35,5 bilhões de euros para salvar a Grécia da falência, após o fechamento do acordo de reestruturação da dívida do país.
É a primeira parte de um pacote de 130 bilhões de euros, que será entregue pelo Banco Central Europeu (BCE) na próxima semana, quando o Fundo Monetário Internacional (FMI) deverá aprovar a sua cota, de 28 bilhões de euros. O governo grego anunciou, quinta-feira, que 95,7% dos credores vão perdoar 100 bilhões de euros dos débitos do país. Eles trocarão os atuais títulos públicos por outros com valor 53,5% menor.
Após o anúncio da adesão ao calote e do acordo fechado, as bolsas de valores iniciaram os pregões ontem em alta. Ajudaram a animar os investidores também os dados favoráveis sobre aumento de 227 mil vagas de empregos nos Estados Unidos. Mas os ganhos foram reduzindo ao longo do dia por causa dos indicadores econômicos da China que decepcionaram os investidores. A produção do país asiático cresceu apenas 11,4% em fevereiro contra expectativa de 12,3%.
O Ibovespa — índice que reúne as ações mais negociadas da Bolsa de Valores de São Paulo — acabou fechando em leve queda de 0,31%, aos 66.704 pontos, depois de valorizar 1,35% até o início da tarde. Em Nova York, o índice Dow Jones subiu 0,11% e o Nasdak, 0,70%. Na Europa, a bolsa inglesa teve alta de 0,47%, a de Paris, de 0,26% e a de Frankfurt, na Alemanha, de 0,67%.
Garantias
Os 35,5 bilhões de euros são para ajudar os bancos a oferecer garantias ao Banco Central Europeu (BCE), disse o ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble. O restante do pacote, 94,5 bilhões de euros, será desbloqueado provavelmente na próxima semana, disse Schäuble. Mas a crise na Grécia está longe de terminar. "Não superamos o problema, mas demos um passo importante", destacou o ministro.
O governo da Grécia anunciou que 84% de seus credores privados aceitaram a operação de troca da dívida. Atenas destacou ainda que, devido à ampla adesão, o governo ativou as cláusulas de ação coletiva (CAC) que forçam os credores privados reticentes a aceitar a operação. Essa medida elevará o nível de adesão a 95,7%. Os 130 bilhões de euros correspondem ao segundo pacote de ajuda à Grécia. O primeiro, de 110 bilhões de euros ,em 2010, foi insuficiente para salvar um país que entra no quinto ano consecutivo de recessão.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Desemprego na zona do euro atinge recorde e passa dos 10% em janeiro

Desemprego na zona do euro atinge recorde e passa dos 10% em janeiro

01/03/2012 
 
Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil

Os índices referentes ao desemprego nos 17 países da zona do euro atingiram um percentual recorde de 10,7% em janeiro, superando os 10% registrados em dezembro de 2011. Nos dez países restantes da União Europeia (UE), a taxa de desemprego em janeiro ficou em 10,1%. A Espanha foi o país com os piores indicadores em toda a região – com taxa de desemprego em 23,3%.
No bloco como um todo, os números indicam que em janeiro, 24,3 milhões de pessoas estavam desempregadas. Desse total, 16,9 vivem nos países da zona euro. No ano, dez países conseguiram reduzir a taxa de desemprego, 15 registraram aumento e em dois o índice ficou estável.
O maior aumento foi observado na Grécia, passando de 14,1% em dezembro do ano passado para 19,9% em janeiro de 2012. No Chipre, o percentual passou de 6,3% para 9,6%, no mesmo período, e na Espanha subiu de 20,6% para 23,3%.
Pelos dados, as taxas de desemprego menores foram registadas na Áustria (4%), nos Países Baixos (5%) e em Luxemburgo (5,1%). Os percentuais mais altos são os da Espanha (23,3 %), Grécia (19,9%), Irlanda e de Portugal (14,8%).
*Com informações da agência pública de notícias da Argentina, Telam.