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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Crise provoca êxodo de europeus para América Latina; Brasil é um dos países mais procurados

Crise provoca êxodo de europeus para América Latina; Brasil é um dos países mais procurados

05/10/2012 
 
Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil

A crise internacional, que atingiu principalmente os países da zona do euro, aumentou a procura de europeus pela América Latina e pelo Caribe. A conclusão está em um estudo divulgado hoje (5) pela Organização Internacional de Migrações (OIM). O documento revela que 107 mil europeus deixaram o continente, no período de 2008 a 2009.
Segundo o relatório, a migração envolve inclusive as pessoas com dupla nacionalidade. A maioria dos europeus procura o Brasil, a Argentina, a Venezuela e o México. Os principais países de origem são a Espanha (47.701), Alemanha (20.926), Holanda (17.168) e Itália (15.701).
Os imigrantes que saem da Europa rumo à América Latina e ao Caribe têm um perfil definido, segundo o estudo. A maioria é formada por homens jovens, solteiros, que têm formação superior, em geral em ciências sociais e engenharia civil. Já as mulheres foram as primeiras a deixar a América Latina com destino à União Europeia, aumentando as remessas de dinheiro para as famílias nos países de origem.
O estudo indica ainda que há uma migração intrarregional – cerca de 4 milhões de pessoas optaram por deixar seus países em direção aos vizinhos, em uma mesma região. A maioria é da Colômbia, da Nicarágua, do Paraguai, do Haiti, do Chile e da Bolívia. Os principais países de destino para os migrantes intrarregionais são a Argentina, a Venezuela, a Costa Rica e a República Dominicana.
As remessas de imigrantes da União Europeia para a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) atingiu US$ 7,25 bilhões, em 2010. Os repasses dos latino-americanos para a Europa somaram US$ 4,66 bilhões, no mesmo período. O fluxo de remessa dentro da América Latina atingiu US$ 4,57 bilhões, em 2010, beneficiando principalmente a Colômbia, a Nicarágua e o Paraguai, além da Venezuela, Costa Rica e Argentina.
O estudo mostra que pelo menos 4,29 milhões de latino-americanos ainda moram na Espanha, no Reino Unido, nos Países Baixos, na Itália e na França. Segundo o documento, mais de 1,25 milhão de europeus residem em países da América Latina. Mais informações podem ser obtidas no site do IOM.

Edição: Juliana Andrade

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Desemprego na Eurozona bate recorde e chega a 11,4%, em agosto

Desemprego na Eurozona bate recorde e chega a 11,4%, em agosto

Fila de desempregados em agência do governo no centro de Madri. Foto: ©AFP / Dominique Faget

O desemprego na Eurozona bateu recorde em agosto, chegando a 11,4%, arrastado pela Espanha, onde o índice foi de 25,1%, anunciou a agência oficial de estatísticas Eurostat. Isso representa 18,196 milhões de pessoas. Em julho, 11,3% da força de trabalho da Zona do Euro estavam desempregados.
Depois da Espanha, a Grécia aparece com a segunda maior taxa de desemprego, de 24,4%, segundo os últimos dados disponíveis do país, de junho. Com o agravamento da crise, o índice atual de desemprego na economia grega pode ser ainda maior. Este é o 16º mês consecutivo no qual o desemprego supera 10% da população ativa no bloco, integrado por 17 países. Entre os países da Zona do Euro, a Áustria tem a menor taxa de desemprego (4,5%). Em seguida aparecem Luxemburgo (5,2%), Holanda (5,3%) e Alemanha (5,5%).


Com informações da AFP. Leia mais em AFP Móvil

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Indecisão política pode levar Grécia à falência

Indecisão política pode levar Grécia à falência

Publicado por Carta Capital
É possível que a Grécia siga o exemplo da Bélgica, que ficou mais de um ano sem um líder eleito. Mas isso seria péssimo, aponta especialista. Foto: AFP

A crise financeira está destruindo a dívida pública da Grécia e os líderes do país sofrem forte pressão da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI) para adotar intensas medidas de austeridade. Em troca, o país receberia dois pacotes de resgate de cerca de 240 bilhões de euros para continuar a tentativa de salvamento de sua economia. O problema é que os líderes políticos não conseguem criar um consenso para formar um novo governo, após as eleições legislativas do último domingo 6.
Alexis Tsipras, líder do Syriza – partido da esquerda radical segundo colocado nas eleições legislativas -, não conseguiu formar uma coalisão, assim como Antonis Samaras, chefe da legenda conservadora Nova Democracia, vencedora do pleito. A tarefa recai sobre Evangelos Venizelos, do Pasok, que terá três dias para tentar sessar a intensa polarização de correntes políticas, a favor e contra o acordo de resgate financeiro do país, enquanto uma nova eleição se torna cada vez mais provável.
Um cenário de incerteza que, segundo analistas ouvidos por CartaCapital, deve levar ao bloqueio de novos empréstimos internacionais, recolocando a falência grega e a possibilidade de saída do euro em discussão – é bom lembrar que o país depende de ajuda externa para pagar seus credores.
A Grécia deveria receber nesta quinta-feira 10 uma parcela de 5,2 bilhões de euros do acordo, mas os governos europeus retiveram 1 bilhão da quantia em um movimento que demostra insatisfação. “O bloqueio deve permanecer até a formação de um governo minimamente a favor dos princípios básicos do plano de resgate. Mas isso já atrasa o processo político em andamento para implementar as medidas de austeridade”, diz Elena Lazarou, doutora em estudos internacionais e especialista em Grécia, a CartaCapital.
Em 15 de maio, o país deve devolver cerca de 450 milhões de euros de obrigações que seus credores se negaram a trocar em uma grande operação realizada em março. Analistas apontam que a Grécia tem reservas apenas até o final de junho. Logo, caso o embargo se confirme, o governo deve enfrentar dificuldades para manter serviços básicos, como escolas e hospitais, o que deve provocar uma piora dos índices sociais e novos protestos.

Centro-direita e centro esquerda punidas nas urnas

Neste cenário, os gregos votaram contra os socialistas do Pasok (centro-esquerda) e o ND (centro-direita), adversários políticos que se uniram em novembro passado em um movimento inédito para formar um governo de coalisão comprometido com o corte de gastos e benefícios sociais.
Após o pleito, o ND saiu de 33,5% nas eleições de 2009 para menos de 19%, ou 108 cadeiras no Parlamento. O Pasok despencou de 43% para 13% dos votos e elegeu apenas 41 deputados, enquanto o Syriza conquistou 52 representantes e tornou-se a segunda força política grega, defendendo a revogação das medidas de austeridade implementadas e a investigação do sistema bancário do país.
Conciliar os interesses e visões destes partidos em um momento de crise é uma tarefa complexa, pois as legendas antiausteridade que ganharam espaço também possuem outros questionamentos sobre a UE. “Esses grupos criticam a maneira como a Grécia se inseriu no grupo e ao paradigma da liberalização financeira e da mobilidade de capital no bloco, mas sem uma política unificada em direitos trabalhistas ou de uma rede de proteção social entre os 27 países membros”, explica Mauricio Santoro, doutor em Ciências Políticas e professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV).


Por isso, Lazarou acredita que as chances de se formar um governo de coalisão com maioria absoluta no Parlamento são remotas. “Mesmo a ND e o Pasok não conseguiram um acordo sobre o plano da UE. Não vejo como formar um governo de salvação nacional”, vaticina Kai Enno, PhD em Relações Internacionais e professor da Universidade de São Paulo.
Segundo ele, uma provável nova eleição fortaleceria ainda mais os partidos extremos da esquerda e direita, “porque a incapacidade [da atual coalisão] em formar um governo evidencia os problemas do país.”
Santoro, no entanto, acredita que uma coalisão instável e sujeita a pressões externas deve se formar. Mas em um novo pleito, diz, as correntes mais afastadas do centro ganhariam espaço, embora seja improvável a formação de um governo contra austeridade entre extrema direita, esquerda e centro-esquerda. “Nunca houve uma coalisão assim, pois mesmo que as visões econômicas sejam semelhantes, há uma diferença grande em outros valores destes partidos.”
A retórica da renegociação do resgate econômico grego proposta pelo Syriza, entre outros partidos menores, vai de encontro às pressões de diversas autoridades europeias, segundo as quais a austeridade é necessária. Não há espaço para uma visão distinta. “Deve ficar claro para a Grécia que não há alternativa ao programa de consolidação acordado, caso queira continuar a ser membro da Eurozona”, alertou Jörg Asmussen, membro da diretoria do Banco Central Europeu no início da semana.
Mas os analistas ouvidos por CartaCapital acreditam que a possibilidade da saída do euro ainda não está posta, embora o cenário possa mudar rapidamente. O fator chave para a manutenção da moeda única na Grécia, apontam, seria o resultado de um acordo entre França, que tem em seu novo presidente, François Hollande, um defensor de estímulos ao crescimento, e a Alemanha de Angela Merkel, pró-austeridade.
“Há uma mudança de visão, temos a ascenção do Hollande na França e talvez a UE vai reconsiderar a forma de enfrentar os problemas. Além disso, os três partidos que ganharam as eleições e parte de legendas menores são a favor do euro”, comenta a professora da FGV.
Santoro também destaca o posicionamento fraco-alemão como fundamental para a Grécia, mas aventa a possibilidade de uma nova moratória do país. “A saída do euro ainda não chegou à mesa.”
Mas a demora para a definição do novo governo também pode forçar a Grécia a deixar o euro, diz Enno. “É possível que a Grécia siga o exemplo da Bélgica, que ficou mais de um ano sem um líder eleito, mas isso seria péssimo. Neste cenário, o país estaria em falência, uma vez que depende de empréstimos, e teria que sair da moeda única. Isso significa que a Zona do Euro enfrentaria um temor de contágio, pois o que impediria a Itália ou outros países de fazer o mesmo?.”

terça-feira, 8 de maio de 2012

Os governos que a austeridade derrubou

Os governos que a austeridade derrubou

 

Publicado em Carta Capital

Alexis Tsipras, da coalizão de extrema-esquerda Syriza, se encontra com Antonis Samaras, líder do partido Nova Democracia, de centro-direita. Eles não chegaram a um acordo
Alexis Tsipras, da coalizão de extrema-esquerda Syriza, se encontra com Antonis Samaras, líder do partido Nova Democracia, de centro-direita. Eles não chegaram a um acordo

No domingo, a França impediu a reeleição de Nicolas Sarkozy e confirmou o socialista François Hollande como novo presidente. No mesmo dia, a Grécia formou um novo parlamento no qual partidos de extrema-esquerda e extrema-direita têm representação importante. Em comum, os resultados obtidos por franceses e gregos carregam uma mensagem clara: as medidas de austeridade impostas pela União Europeia (UE), pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) como forma de contornar a crise não são populares. A mensagem não é nova, mas os dirigentes europeus insistem em desconsiderá-la. Nos últimos três anos, a estratégia da Europa de passar a conta dos erros do passado recente para as populações não conseguiu debelar a crise e 12 governos em 11 países já caíram. É possível, provável até, que a austeridade continue em voga, mas ao observar a trajetória dos governos derrubados, fica claro que a instabilidade deve continuar, já que não há mudança na orientação das políticas econômicas.
A instabilidade provocada pela austeridade teve várias formas. Governos caíram pelo voto popular (França, Espanha, Reino Unido), por conta de protestos (Romênia) ou pelo simples rompimento de uma coalizão governista (Holanda). A instabilidade também atingiu as duas pontas da austeridade, afetando tanto os países obrigados a cortar gastos quanto os que tiveram de emprestar dinheiro para os resgates. A Romênia, segundo país mais pobre da União Europeia, viu dois primeiros-ministros caírem entre fevereiro e abril deste ano, ambos sob grandes protestos contra o FMI. Na outra ponta, Iveta Radicova aceitou, no fim do ano passado, deixar o posto de premiê da Eslováquia em troca da aprovação de um novo aporte do país ao fundo de resgate europeu.
A austeridade também conseguiu nublar o espectro político na Europa. Imposto como única forma de resgate, com apoio principalmente do governo de Angela Merkel, na Alemanha, o receituário de privatizações, redução de investimento, diminuição de salários e empregos no setor público foi adotado por governos de centro-esquerda e centro-direita. Irlanda e Portugal, por exemplo, viveram o momento mais agudo da crise juntos. Ambos com economias fracas, se viram diante de dívidas e déficits monstruosos e do risco de falência. A salvação para ambos foi o pacotão bilionário de empréstimos da chamada troika (BCE, UE e FMI). Em contrapartida, a exigência era de muitos cortes de gastos. Em janeiro de 2011, Brian Cowen, primeiro-ministro de centro-direita da Irlanda, caiu. Dois meses depois, o socialista José Sócrates, em Portugal, deixou o poder.
Na Espanha, os eleitores tentaram fazer o óbvio diante da crise, substituir o governo. Trocaram a centro-esquerda do Partido Socialista pela centro-direita do Partido Popular. Mariano Rajoy, do PP, chegou ao poder e está simplesmente aplicando o receituário da troika na Espanha.


A adoção de políticas iguais pelos “dois centros” (o de esquerda e o de direita) favoreceu a ascensão dos extremistas. A queda de Mark Rutte, até o mês passado primeiro-ministro da Holanda, é emblemática. Rutte desejava cortar 16 bilhões de euros do orçamento holandês, mas não obteve apoio em sua coalizão. O projeto foi rejeitado tanto pela extrema-direita quanto pelos socialistas. Situação parecida surgiu nas eleições da França e da Grécia. As extremas-esquerdas (“Partido da Esquerda” na França e “Syriza” na Grécia) e as extremas-direitas (“Frente Nacional” na França e “Amanhecer Dourado” na Grécia) conseguiram votações inéditas, ambas com a mesma plataforma: contra as medidas de austeridade e, no limite, contra a União Europeia.
Uma solução para este impasse pode estar nas mãos de François Hollande. O novo presidente da França promete defender nas conversas com a Alemanha de Merkel um plano capaz de unificar tanto os cortes em alguns setores como medidas para estimular a economia. Ele é a voz dissoante que diz tentar mudar a política econômica. Se isso não for feito, a instabilidade continuará acompanhando os europeus.
Confira abaixo a lista de governos que caíram durante a crise:

Islândia
Foto: Eskinder Debebe / UN Photo
Foto: Eskinder Debebe / UN Photo

Geir Haarde – janeiro de 2009 (governo de centro-direita em coalizão com social-democratas)
Haarde foi premiê da Islândia entre 2006 e 2009 e viu seu governo ruir a partir de outubro de 2008. Em apenas uma semana daquele mês, os três principais bancos do país (Kaupthing, Glitnir e Landsbanki) foram nacionalizados por conta de sua total incapacidade de rolar as enormes dívidas. A crise jogou a Islândia numa espiral de recessão que ainda não acabou. Haarde foi julgado por negligência na forma como tratou a crise e, em abril de 2012, num veredicto cheio de conotação política, foi considerado culpado por abordar pouco o tema da crise financeira nas reuniões de seu gabinete.

Reino Unido
Foto: Devra Berkowitz/UN Photo
Foto: Devra Berkowitz/UN Photo
Gordon Brown – maio de 2010 (governo de centro-esquerda)

O Partido Trabalhista estava no poder desde 1997 quando foi derrotado nas eleições gerais de maio de 2010 pelo Partido Conservador. Mesmo com o segundo lugar no pleito, Gordon Brown, que substituíra Tony Blair em 2007, teve a oportunidade de montar uma coalizão com o Partido Liberal-Democrata (terceiro colocado). A missão se provou impossível. Com sua popularidade em queda por conta de um escândalo de gastos parlamentares e sem conseguir conter os efeitos da crise econômica, Brown desistiu. O conservador David Cameron tomou seu lugar e conseguiu conciliar os interesses de seu partido com os liberais-democratas.

Irlanda
Foto: Michelle Poiré/UN Photo
Foto: Michelle Poiré/UN Photo
Brian Cowen – janeiro de 2011 (centro-direita)

Depois de um início de década com muita prosperidade, a Irlanda começou a afundar a partir de 2008. Naquele ano, a crise financeira e econômica deixou claro que a bonança do país era fruto de uma economia com fundamentos precários. Durante a tempestade, Brian Cowen assumiu o governo. Ele não conseguiu evitar os efeitos da crise e ainda assinou o pedido de resgate à União Europeia e ao Fundo Monetário Internacional. O resgate, que impunha uma série de medidas de austeridade ao país, passou a ser encarado como uma humilhação nacional pelos irlandeses. Em março de 2011, menos de três anos depois de assumir o cargo, Cowen saiu do poder como o primeiro-ministro menos popular da história da Irlanda.

Portugal
Foto: Evan Schneider / UN Photo
Foto: Evan Schneider / UN Photo
José Sócrates – março de 2011 (centro-esquerda)

Sócrates estava no poder desde 2005 e liderou Portugal no momento mais agudo da crise. A partir de 2010, o desemprego cresceu rapidamente, assim como o déficit público, e seu governo passou a adotar medidas de austeridade. Inicialmente, as medidas eram moderadas, mas depois que falência do país se aproximou, elas precisariam ser aprofundadas. Em março, diante desta perspectiva, o governo de Sócrates foi derrubado e ele passou a comandar um gabinete de transição. Neste cargo, Sócrates protagonizou um grande vexame. Em 4 de abril de 2011, negou categoricamente que Portugal pegaria um empréstimo bilionário com o FMI e a UE. Em 6 de abril, anunciou a tomada do empréstimo.

Eslováquia
Foto: Evan Schneider / UN Photo
Foto: Evan Schneider / UN Photo
Iveta Radicova – outubro de 2011 (centro-direita)

O partido de centro-direita de Radicova conseguiu liderar um governo de coalizão mesmo após receber apenas 15% dos votos nas eleições de junho de 2010 ao juntar sob seu comando quatro outras pequenas legendas. Radicova subiu ao poder pregando a redução de gastos por parte do governo e prometendo não aumentar os impostos. Seu governo caiu pouco mais de um ano depois, quando a Eslováquia precisou aprovar a ampliação de um fundo continental para resgatar economias que viessem a ter problemas. Sem conseguir fazer o plano avançar, Radicova aceitou deixar o poder em troca da posterior aprovação do texto.

Espanha
Foto: Mark Garten / UN Photo
Foto: Mark Garten / UN Photo
Jose Luiz Rodrigues Zapatero – dezembro de 2011 (centro-esquerda)

Líder do Partido Socialista, Zapatero foi eleito em 2004 e 2008 para comandar o governo espanhol. No início de seu segundo mandato, se notabilizou por negar a crise, utilizando termos como “estagnação” e “desaceleração acelerada”. Depois, passou a tentar colocar em prática medidas para conter a crise, e fez até uma reforma constitucional em 48 horas. Nada adiantou e a taxa de desemprego explodiu. Sob ataques pesados do Partido Popular (centro-direita), Zapatero dissolveu o Parlamento em setembro de 2011 e não conseguiu fazer seu sucessor.

Itália
Foto: Eskinder Debebe / UN Photo
Foto: Eskinder Debebe / UN Photo
Silvio Berlusconi – novembro de 2011 (direita)

O bilionário Berlusconi se envolveu em uma série de escândalos pessoais que abalaram sua imagem e também a de seu país. Mas o que derrubou Berlusconi foi sua falta de habilidade para lidar com a crise. Berlusconi deseja aplicar na Itália as medidas de austeridade pedidas pela UE e pelo FMI, mas não encontrava apoio. No início de novembro, encontrou a solução: em troca da aprovação de novas medidas de cortes de gastos, anunciou que deixaria o poder em favor de um governo de coalizão.

Grécia
Foto: Eskinder Debebe / UN Photo
Foto: Eskinder Debebe / UN Photo
Georges Papandreou – novembro de 2011 (centro-esquerda)

Papandreou assumiu o governo grego em outubro de 2009. Em seu primeiro grande ato, anunciou que a dívida pública e o déficit no orçamento eram muito maiores do que o governo anterior divulgara anteriormente. Papandreou, então, colocou em prática duras medidas de austeridade, incluindo a redução dos empregos públicos, a venda de estatais e aumento de impostos. As medidas, sozinhas, não tiveram efeito para conter a crise, e a Grécia, então, buscou empréstimos do FMI e do Banco Central Europeu. Em novembro de 2011, após acertar os detalhes do empréstimo, Papandreou anunciou de surpresa que submeteria o pacote de resgate a um referendo popular. Na semana seguinte, ele estava fora do cargo.

Romênia
Fotos: Evan Schneider e Paulo Filgueiras / UN Photo
Fotos: Evan Schneider e Paulo Filgueiras / UN Photo
Emil Boc – fevereiro de 2012 e Mihai Razvan Ungureanu – abril de 2012 (centro-direita)

A Romênia já está na segunda rodada de governos derrubados pela austeridade. O primeiro foi o de Emil Boc, que sucumbiu em fevereiro em meio a uma onda de protestos contra medidas como cortes de salários e aumento de impostos. Mihai Razvan Ungureanu substituiu Boc, mas não conseguiu completar três meses no cargo. Um novo premiê assumirá o comando do país até as eleições de novembro, mas sobram temores de que, diante das duras restrições impostas pelo FMI ao país, o próximo primeiro-ministro também terá dificuldades para se manter no cargo.

Holanda
Foto: Eskinder Debebe / UN Photo
Foto: Eskinder Debebe / UN Photo
Mark Rutte – abril de 2012 (centro-direita)

Em abril, o governo de Rutte caiu depois de apenas 558 dias de existência, se tornando o quarto mais curto da Holanda desde a Segunda Guerra Mundial. Rutte, que presidia uma coalizão frágil, caiu ao perder o apoio do Partido da Liberdade, do extremista de direita Geert Wilders. A divisão ocorreu nos debates a respeito do orçamento da Holanda para 2013. Rutte queria aprovar um plano que previa o corte de 16 bilhões de euros, mas Wilders e seu partido não aceitaram, alegando que isto prejudicaria a economia. Os socialistas também rejeitavam os cortes.

França
Foto: Bertrand Langlois / AFP
Foto: Bertrand Langlois / AFP
Nicolas Sarkozy – maio de 2012 (centro-direita)

O primeiro turno da eleição presidencial da França deixou clara a (falta de) popularidade das medidas de austeridade na Europa. Enquanto o presidente Nicolas Sarkozy (artífice, ao lado da Alemanha, da campanha pela austeridade) recebeu 27,2% dos votos, seus três principais rivais – François Hollande, Marine Le Pen, e Jean-Luc Mélenchon, todos contrários a essas políticas – receberam mais de 57% dos votos. No segundo turno, o país se dividiu em dois, mas Hollande foi eleito.

Bloco contra a austeridade

Bloco contra a austeridade

Urnas põem Europa na encruzilhada
Autor(es): agência o globo:Deborah Berlinck
O Globo - 08/05/2012
 
Eleições mostram ascensão de partidos contrários à receita anticrise de Angela Merkel

O status quo começa a ser seriamente questionado na Europa. Cinco eleições nos últimos dias - que vão desde as disputas municipais na Itália e no Reino Unido, passando por uma regional na Alemanha até a mudança na Presidência da França e no Parlamento da Grécia - apontam para uma rejeição pública cada vez maior aos dirigentes e partidos que apoiam políticas econômicas de acordo com o receituário alemão de austeridade no continente em crise.
- Sentimos que um bloco começa a se constituir em oposição à Alemanha. Até quando a Alemanha vai poder resistir sozinha? Será que vai conservar sua liderança? Ela está cada vez mais isolada - constata Vivien Pertusot, que dirige, em Bruxelas, o Instituto Francês de Relações Internacionais (Ifri).
O maior exemplo desta tendência foi a volta triunfal neste fim de semana dos socialistas na França, 30 anos depois que François Mitterrand conquistou o poder numa eleição histórica, em 1981. O novo presidente, François Hollande, promete lutar contra a política de austeridade generalizada no continente. Ele quer rediscutir o pacto de estabilidade que 25 dos 27 países-membros da União Europeia (UE) assinaram em fevereiro, alegando que é preciso dar mais ênfase ao crescimento econômico. Uma proposta que a chanceler federal alemã, Angela Merkel, já rejeitou ontem mesmo depois de anunciar que receberia Hollande na Alemanha "de braços abertos":
- Nós, na Alemanha, e eu, pessoalmente, somos da opinião de que o pacto fiscal não é negociável. Já foi negociado e assinado por 25 países - disse.
O pacto foi costurado por Merkel com Nicolas Sarkozy, antecessor de Hollande. A dupla defensora da austeridade trabalhou tão junta que ganhou o apelido de "Merkozy". Na madrugada de segunda-feira em Paris, diante de uma multidão na Praça da Bastilha, o novo presidente lançou uma frase que resume a virada no humor dos franceses:
- Austeridade não precisar ser uma fatalidade na Europa - disse.
Hollande como catalisador
O movimento de rejeição não ocorreu apenas da França. No domingo, os dois principais partidos políticos encarregados de tirar a Grécia do buraco - o conservador Nova Democracia e os socialistas do Pasok - não conseguiram maioria nas eleições parlamentares. O que se viu foi a ascensão impressionante de extremistas de esquerda e de direita. A Grécia terá, pela primeira vez no Parlamento, deputados de um partido que defende ideologia neonazista, o Aurora Dourada, que carrega um símbolo muito próximo de uma suástica.
Na Grã-Bretanha, a coalizão conservadora liderada por David Cameron - um defensor da política de austeridade - perdeu as eleições locais para o Partido dos Trabalhistas, que, assim como Hollande, coloca o crescimento econômico como prioridade. As eleições municipais na Itália também deram provas da resistência do eleitorado às duras medidas de alta de impostos e cortes de pensões implementadas pelo premier Mario Monti, com o desempenho favorável de legendas de centro-esquerda nas urnas. Na própria Alemanha, o partido de Merkel perdeu o governo do estado de Schleswig-Holstein, que deverá passar a uma coalizão dos social-democratas com os verdes e a minoria dinamarquesa.
Para Vivien Pertusot, do Ifri em Bruxelas, a retórica dos franceses desafia os alemães. Mas na prática, não há interesse de Hollande e nem de Merkel em colidir.
- Nunca assistimos a uma queda de braço entre Alemanha e França desde 1963. O casal franco-alemão sempre tenta funcionar. Mesmo que haja hoje uma oposição sobre o pacto fiscal, claramente, não haverá ruptura neste casal.
Outra razão, segundo ele: François Hollande sabe que não pode isolar Angela Merkel, e vice-versa.
- Ele precisa ter uma relação sã com a Alemanha para poder conseguir passar outras iniciativas (de interesse da França) no nível europeu. Ele sabe que não vai conseguir mudar - explica, dizendo que possivelmente ocorrerão pequenas mudanças "cosméticas" no pacto, para que Hollande não saia perdendo.
Mas Hollande pode se tornar o catalisador de uma aliança entre países que se opõem à austeridade a qualquer preço, prevê Pertusot: os governos de Bélgica, Polônia e Espanha já declararam apoio a esta linha favorável ao crescimento.
O economista Francesco Saraceno, do Observatório Francês de Conjunturas Econômicas, acha que Hollande tem uma chance real de influenciar a mudança de direção da Europa. E uma das razões é que, agora, não se trata mais de queixas de pequenas economias, mas de grandes:
- Não se via a Grécia indo para Bruxelas e dizendo: olha, isso não está funcionando. Agora é um grande país que chega e diz: espera aí, isso não está funcionando. A França, sozinha, é pequena para mudar as coisas. Mas a França pode agir como uma força catalisadora organizando uma coalização de países com problemas (com a austeridade).
Mas ainda não há consenso sobre a eventual mudança de rumo no continente. Charles Grant, diretor do Centre for European Reform, em Londres, lembra que os franceses não estão de fato implementando um programa de austeridade. E relativiza a derrota dos conservadores no Reino Unido, dizendo que foi mais um voto contra os erros sucessivos de David Cameron do que contra a austeridade preconizada por ele.
- Na França eu diria que foi mais um voto contra Sarkozy do que contra a austeridade.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Europeus reagem contra a austeridade

Europeus reagem contra a austeridade

Publicado em Carta Capital

Por Peter Beaumont
François Hollande poderá ser um foco de mudanças se vencer Nicolas Sarkozy nas eleições presidenciais francesas. Foto: Patrick Kovarik/AFP

No final do mês passado, 5 mil pessoas marcharam por Dublim em protesto contra um novo imposto residencial de cerca de 100 euros que o governo irlandês já lutava para coletar dos eleitores, cansados das medidas de austeridade impostas a uma economia estagnada.
Foi uma demonstração pequena, pelos padrões de algumas realizadas em toda a Europa nos últimos meses — em lugares como a praça Syntagma em Atenas ou nas cidades espanholas durante a greve geral que ocorreu pouco antes do protesto em Dublim –, mas o número de pessoas nas ruas não é tudo hoje em dia.
Como revelaram pesquisas feitas na Irlanda na semana passada, a aprovação às políticas do governo de coalizão está despencando, enquanto o apoio ao Sinn Féin — que pede um voto negativo no referendo este mês sobre o pacto fiscal europeu que obrigaria os países membros (menos o Reino Unido, que optou por ficar fora) a déficits orçamentários de 3% ou menos perpetuamente — o transformou no segundo partido mais popular da Irlanda, depois do Fine Gael. Se ainda haverá um pacto fiscal a se votar quando os irlandeses forem às urnas é um ponto discutível. O provável vencedor do segundo turno das eleições presidenciais francesas neste domingo, o socialista François Hollande — que algumas pesquisas situam 9 pontos à frente do atual presidente, Nicolas Sarkozy –, disse que revisaria o acordo.
Nos últimos dias o governo de coalizão da Holanda foi derrubado pela saída do Partido da Liberdade, de extrema-direita, de Geert Wilders, que não quis assinar um orçamento de acordo com o pacote de aperto de cinto da UE, apesar de o governo holandês ter sido um dos mais agressivamente favoráveis à aplicação de rígidas medidas de austeridade a outros integrantes como Grécia e Portugal. Na verdade, pesquisas de opinião nos Países Baixos sugerem que se as eleições — marcadas para setembro — ocorressem hoje os partidos contrários ao regime de austeridade, tanto de esquerda como a extrema-direita, poderiam conquistar um terço dos assentos legislativos.
Enquanto alguns analistas indicaram a emergência da Holanda como líder de um movimento pan-europeu contra a austeridade, outros acreditam que algo mais complexo está ocorrendo — um “momento de virada de jogo” na Europa, em que eleitorados individuais são encorajados a reagir e discutir novas estratégias por eventos que eles veem ocorrer em outros países. O que está sendo pedido pelos eleitores, enquanto a dívida europeia continua inchando juntamente com o desemprego, enquanto o crescimento evaporou, é nada menos que um “plano B” — uma alternativa à diretriz antiausteridade dominante. De maneira significativa, pela primeira vez esses apelos estão ganhando força real.
“A única coisa que você percebe”, diz Eoin O’Malley, um professor de política na Universidade da Cidade de Dublim que pesquisa reações à crise europeia, “é como a reação em um país [contra a austeridade] influencia a política em outros lugares. Você vê os comentários de Hollande na França e a queda do governo holandês influenciando como os eleitores daqui veem o referendo irlandês sobre o pacto fiscal e acreditando cada vez mais que eles podem dizer não. Se você me perguntar hoje, eu apostaria que o voto negativo é mais provável do que era na semana passada.”
Em apenas algumas semanas, a antiga catástrofe da dívida europeia que tropeçou da cúpula para o resgate para a queda de governos se transformou em uma crise de legitimidade, muito mais corrosiva e cada vez mais ampla, que põe em confronto os eleitorados e as castas políticas estabelecidas. De Londres a Madri, do núcleo setentrional da UE a suas periferias, os eleitores começaram a resistir as rígidas políticas pregadas sobre metas e prazos para redução da dívida, para satisfazer os mercados e as agências de classificação que não têm meios de incentivar o crescimento.
Enquanto em Londres e Berlim políticos e autoridades se ativeram ao roteiro — visto que não há plano B –, em outros lugares nas últimas semanas houve cada vez mais sinais de que autoridades graduadas da UE e dos governos estão rapidamente acordando para os riscos que representa para a UE o novo clima de resistência do público. Isto viu a política se reafirmar em uma crise que durante muito tempo foi dominada por considerações econômicas e que causou a queda de cinco governos europeus até agora.
Na última quarta-feira, o Wall Street Journal citou autoridades não identificadas sugerindo de maneira tentativa que já começou um debate sobre a necessidade de atenuar as metas de 2009 para reduzir a dívida a 3% do PIB até 2013. “O debate não deve ser excluído”, teria declarado uma autoridade europeia, segundo o jornal, “mas poderia dar um sinal de que estamos afrouxando, em um momento em que lutamos para mostrar que podemos manter o sistema.”
Na sexta-feira, esse debate — iniciado por Hollande — havia sido adotado em lugares inesperados. Mario Monti, o primeiro-ministro tecnocrata da Itália instalado exatamente para seguir um regime de austeridade, tornou-se o último líder a criticar uma política focalizada apenas em cortes. “Se não houver demanda, o crescimento não se materializará. Todas as reformas que estamos implementando hoje são deflacionárias”, ele disse.
Na última quinta-feira, o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, disse que o crescimento precisa ser trazido para a frente do debate, embora mais tarde ele tenha advertido: “Não há fórmulas mágicas”. Ele estava respondendo a Mario Draghi, do Banco Central Europeu, que na quarta-feira disse à Comissão de Assuntos Econômicos e Monetários do Parlamento Europeu que um pacto fiscal deveria ser seguido de um “pacto de crescimento”.
É um debate que foi acompanhado por comentários intensos e febris de economistas e analistas na mídia, que se animaram a declarar natimorto, com menos de dois meses, o tão anunciado resgate da Europa.
No New York Times na semana passada, o economista Paul Krugman, ganhador do prêmio Nobel — há muito tempo na linha de frente dos críticos às medidas de austeridade –, denunciou as fracassadas “políticas econômicas zumbi” dos “austerianos” da Europa (e dos Estados Unidos).
No Financial Times, José Ignacio Torreblanca, do Conselho Europeu para Relações Exteriores, refletindo uma opinião crescente mesmo entre o governo conservador espanhol de Mariano Rajoy, cuja nota de crédito foi rebaixada pela segunda vez na sexta-feira, anunciou: “Está na hora de dizer basta ao absurdo da austeridade”.
Nada disso é o que a Alemanha e sua chanceler, Angela Merkel, querem ouvir antes de uma importante votação este mês no Parlamento alemão, que não apenas aprovaria o pacto fiscal, mas, ainda mais importante, o Mecanismo Europeu de Estabilidade — o novo fundo de resgate de emergência da região. Outros fatos no horizonte incluem eleições na Grécia e as eleições legislativas na França em junho, as quais ameaçam transformar o crescente momento antiausteridade, sustentado pelo populismo ascendente, em uma grande crise.
Mas se há um lugar onde a reação à austeridade não está sendo sentida é na Alemanha, onde a prescrição dos políticos e banqueiros centrais para os problemas da Europa continua praticamente a mesma. Ela foi reiterada em comentários feitos ao New York Times na semana passada por Jens Weidmann, presidente do Bundesbank e que já foi um dos principais assessores de Merkel. Ele advertiu que acordos feitos anteriormente devem ser respeitados, mesmo com a perda de uma parte da “soberania nacional”. Ulrike Guérot, uma colega de Torreblanca e pesquisadora representante da Alemanha no Conselho Europeu para Relações Exteriores, explica: “É diferente para o governo alemão. Ele ainda pode suportar o sentido mais amplo da crise política porque não tem 50% de desemprego como na Espanha, nem um populismo crescente”.
Apesar disso, ela acredita que fora da Alemanha “está chegando uma mudança de jogo” que Merkel não poderá ignorar. Enquanto Guérot acredita que a rápida mudança de tom do debate pode causar um momento de crise política para a Europa, ela também argumenta que o fim iminente de “Merkozy” — o relacionamento estreito entre França e Alemanha, personificado em Merkel e Sarkozy, que conduziu as políticas econômicas e a política europeias — pode ser uma boa coisa. “O que está acontecendo é sério. François Hollande parece estar surgindo como o líder de um movimento antiausteridade pan-europeu.”
Guérot acredita que o “relacionamento simbiótico” de Sarkozy e Merkel como propulsor das políticas da UE pode ter contribuído em grande medida para o sentimento de muitos países e eleitorados de que estavam sendo excluídos do debate. “Existe uma vantagem no fim da relação Merkel-Sarkozy, porque abrirá espaço para novas discussões, ideias e debates.” No mínimo, ela acrescenta, sobre o necessário realinhamento na relação entre a democracia na UE e a influência dos mercados. “Não estamos falando de crescimento versus austeridade. O debate é sobre o tipo de crescimento de que precisamos.” E, ela acrescenta, sobre se as metas do pacto fiscal são rígidas demais. “Não podemos só economizar. Precisamos investir. O mundo não vai acabar se a meta de 3% for infringida em alguns pontos no ano que vem.”
Enquanto alguns argumentam que uma crise política total na Europa, que cause a rejeição das medidas de austeridade propostas pela Alemanha, poderia forçar uma crise na Alemanha sobre a Europa, Guérot acredita que o resultado mais provável é uma renegociação. “Merkel é uma sobrevivente, e é pragmática. Eu acho que Hollande sabe que também vai precisar de uma acomodação. Se esse pacto fiscal falhar — se houver uma segunda versão — ele terá de ser enfrentado.”
Enquanto analistas como Guérot podem estar descontraídos sobre esse resultado, para os políticos no centro da tempestade crescente as apostas não poderiam ser mais altas. Na sexta-feira em Dublim, foi a vez de o vice-primeiro-ministro irlandês, Eamon Gilmore, cujo Partido Trabalhista foi crucificado nas pesquisas de opinião por apoiar a austeridade, usar linguagem apocalíptica, advertindo que a Irlanda não teria acesso a fundos alternativos se o tratado fiscal for rejeitado este mês.
A verdadeira pergunta é se os eleitores da Irlanda — ou da Europa –, depois de anos de sofrimento, ainda têm estômago para essa mensagem.

LINHAS DE FALHA NA ZONA DO EURO

PAÍSES BAIXOS

Um dos maiores animadores do pacto fiscal, o governo holandês desmoronou na semana passada quando o Partido da Liberdade, de extrema-direita, deixou a coalizão governante por causa do orçamento de austeridade. Este propunha cortes de 14,4 bilhões de euros, reduzindo muito os gastos em saúde e os salários do setor público, e pretendia aumentar os impostos sobre o consumo e a idade de aposentadoria. Um acordo de última hora com partidos de oposição parecia ter garantido um novo orçamento dentro do pacto de 3%, mas poderia se desfazer nas eleições marcadas para setembro.

ESPANHA

Com o desemprego jovem em 50%, a quarta maior economia da Zona do Euro — que no mês passado teve uma greve geral e extensas demonstrações — é o último país a simbolizar os problemas financeiros da Europa. Na sexta-feira, a agência de classificação Standard & Poor’s diminuiu a nota de crédito da Espanha para BBB+, seu segundo rebaixamento, enquanto o desemprego geral atingiu 25%. Apesar de o primeiro-ministro Mariano Rajoy apoiar publicamente um programa de austeridade para evitar o resgate, há dúvidas crescentes sobre até onde vai seu desejo de implementar reformas.

IRLANDA

Hoje no quarto ano de um regime de austeridade, os eleitores irlandeses não viram o retorno do crescimento e começam a se rebelar contra os cortes do governo. Tendo seguido obedientemente a prescrição alemã de cortar a dívida, os irlandeses começaram a abandonar partidos como Fine Gael e o Trabalhista, enquanto promoviam o Sinn Féin ao segundo lugar, por seu apoio ao voto negativo no referendo sobre o pacto fiscal europeu em 31 de maio, que segundo o partido exigiria cortes extras de 6 bilhões de euros. Enquanto o apoio ao referendo ainda tem uma pequena maioria entre os que se dizem decididos, 39% dos eleitores irlandeses ainda não definiram sua posição.

FRANÇA

Com a França registrando seu 11º mês consecutivo de desemprego crescente — quase 10% em março –, o fraco crescimento e as finanças públicas em profunda tensão, os eleitores franceses parecem decididos a rejeitar Nicolas Sarkozy, um dos principais arquitetos, com Angela Merkel da Alemanha, do pacto fiscal que insiste que os déficits orçamentários se limitem a 3% do PIB perpetuamente. Em vez disso, eles afluíram para a extrema-direita de Marine Le Pen e para o socialista François Hollande, líder emergente do movimento antiausteridade na Europa, que advertiu que não ratificará o pacto.

ALEMANHA

A maior economia e o país mais competitivo da Europa. A chanceler Angela Merkel elaborou com a França as medidas de austeridade, e apesar de ter sustentado amplamente o euro a Alemanha hoje começa a parecer cada vez mais isolada na crescente reação contra os cortes orçamentários. Com um aliado chave, o presidente francês Nicolas Sarkozy, provavelmente de saída, e outro, os Países Baixos, prejudicado por um governo provisório ineficaz, como a Alemanha reagirá à crescente crise de legitimidade política na UE definirá em ampla medida o resultado.

terça-feira, 13 de março de 2012

O que a Grécia significa?

O que a Grécia significa

Autor(es): agência o globo:Paul Krugman
O Globo - 13/03/2012
 

Então a Grécia deu oficialmente o calote nos credores privados. Foi um calote "ordeiro", negociado ao invés de simplesmente anunciado, o que suponho seja bom. Ainda assim, a história está longe de acabar. Mesmo com esse alívio em sua dívida, a Grécia - como outras nações europeias forçadas a impor austeridade numa economia deprimida - parece condenada a muitos anos mais de sofrimento.
Esta é uma fábula digna de ser contada. Nos últimos dois anos, a história da Grécia tem sido, segundo um recente texto sobre economia política, "interpretada como uma parábola sobre os riscos de irresponsabilidade fiscal". Não passa um dia sem que, nos EUA, algum político ou comentarista entoe, com um ar de grande sabedoria, que é preciso cortar gastos do governo imediatamente, ou vamos acabar como a Grécia, Grécia eu lhes digo.
Apenas para usar um exemplo recente, quando Mitch Daniels, governador de Indiana, apresentou a resposta republicana ao discurso do presidente Obama sobre o Estado da União, insistiu que "estamos a uma pequena distância de Grécia, Espanha e outros países europeus que hoje enfrentam a catástrofe econômica". Ninguém aparentemente lhe disse que a Espanha tinha baixo déficit governamental e superávit orçamentário às vésperas da crise; o país está em apuros devido aos excessos do setor privado, não do setor público.
Mas o que a experiência da Grécia de fato mostra é que se incorrer em déficits em tempos de fartura pode criar problemas - o que é o caso da Grécia, embora não o da Espanha - tentar eliminar déficits quando você já está em apuros é uma receita para depressão.
Hoje em dia, depressões econômicas induzidas por políticas de austeridade são visíveis em toda a periferia europeia. A Grécia é o pior caso, com o desemprego escalando para 20% e os serviços públicos, incluindo o setor de saúde, entrando em colapso. Mas a Irlanda, que fez tudo o que queria o pessoal da austeridade, também está em terrível estado, com o desemprego perto dos 15% e o PIB em queda de dois dígitos. Portugal e Espanha estão em situação crítica também.
Impor austeridade numa crise não inflige apenas grande sofrimento. Há evidência crescente de que é autodestrutivo mesmo em termos puramente fiscais, pois a combinação de receitas em queda devido à economia deprimida e perspectivas de longo prazo piores reduz a confiança do mercado e torna a carga da dívida futura mais difícil de carregar. Deve-se perguntar como países que estão sistematicamente negando um futuro a sua juventude - o desemprego entre jovens na Irlanda, que costumava ser menor do que nos EUA, é agora de quase 30%, chegando perto dos 50% na Grécia - conseguirão crescimento suficiente para pagar o serviço da dívida.
Não é isso o que devia ter acontecido. Há dois anos, quando muitos começaram a pedir um giro do estímulo para a austeridade, prometeram grandes vantagens em troca do sofrimento. "A ideia que medidas de austeridade possam trazer estagnação é incorreta", declarou, em junho de 2010, Jean-Claude Trichet, então presidente do Banco Central Europeu. Ele insistiu que, ao invés disso, a disciplina fiscal inspiraria confiança, e isso levaria ao crescimento econômico.
Cada ligeira melhora de um indicador de uma economia em austeridade era aclamada como prova de que essa política funciona. A austeridade irlandesa foi proclamada uma história de sucesso, não uma vez, mas duas - a primeira no verão de 2020 e de novo no último outono; em cada vez a suposta boa notícia rapidamente se evaporou.
Pode-se perguntar que alternativa países como Grécia e Irlanda tinham, e a resposta é que não tinham e não têm boas alternativas a não ser deixar o euro, um passo extremo que, realisticamente, seus líderes não podem dar até que todas as outras opções tenham falhado - um estado de coisas tal que, se me perguntarem, diria que a Grécia dele se aproxima rapidamente.
A Alemanha e o Banco Central Europeu poderiam ter agido para tornar esse passo extremo menos necessário, tanto ao exigir menos austeridade quanto ao fazer mais para impulsionar a economia europeia como um todo. Mas o principal ponto é que os EUA de fato têm uma alternativa: temos nossa própria moeda e podemos tomar empréstimos a prazos longos e a juros historicamente baixos; então, não necessitamos entrar numa espiral descendente de austeridade e contração econômica.
Então, é tempo de parar de invocar a Grécia como um exemplo de cautela diante do perigo dos déficits; de um ponto de vista americano, a Grécia deveria, ao contrário, ser vista como exemplo dos perigos de tentar reduzir o déficit rapidamente demais, enquanto a economia ainda está profundamente deprimida. (E sim, a despeito de algumas boas notícias ultimamente, nossa economia ainda está profundamente deprimida.)
Se você quer saber quem está realmente tentando transformar os EUA em Grécia, não são os que defendem mais estímulos à economia; são os partidários de que imitemos a austeridade ao estilo grego, embora não enfrentemos constrangimentos de crédito ao estilo grego, e assim mergulhemos numa depressão ao estilo grego.

sábado, 10 de março de 2012

Ajuda de 35,5 bi de euros

Ajuda de 35,5 bi de euros

Correio Braziliense - 10/03/2012
 


Após dar calote em credores privados, Grécia recebe primeira parte do socorro. FMI deve liberar mais 28 bi de euros
Finalmente, os ministros de Finanças da Zona do Euro desbloquearam ontem 35,5 bilhões de euros para salvar a Grécia da falência, após o fechamento do acordo de reestruturação da dívida do país.
É a primeira parte de um pacote de 130 bilhões de euros, que será entregue pelo Banco Central Europeu (BCE) na próxima semana, quando o Fundo Monetário Internacional (FMI) deverá aprovar a sua cota, de 28 bilhões de euros. O governo grego anunciou, quinta-feira, que 95,7% dos credores vão perdoar 100 bilhões de euros dos débitos do país. Eles trocarão os atuais títulos públicos por outros com valor 53,5% menor.
Após o anúncio da adesão ao calote e do acordo fechado, as bolsas de valores iniciaram os pregões ontem em alta. Ajudaram a animar os investidores também os dados favoráveis sobre aumento de 227 mil vagas de empregos nos Estados Unidos. Mas os ganhos foram reduzindo ao longo do dia por causa dos indicadores econômicos da China que decepcionaram os investidores. A produção do país asiático cresceu apenas 11,4% em fevereiro contra expectativa de 12,3%.
O Ibovespa — índice que reúne as ações mais negociadas da Bolsa de Valores de São Paulo — acabou fechando em leve queda de 0,31%, aos 66.704 pontos, depois de valorizar 1,35% até o início da tarde. Em Nova York, o índice Dow Jones subiu 0,11% e o Nasdak, 0,70%. Na Europa, a bolsa inglesa teve alta de 0,47%, a de Paris, de 0,26% e a de Frankfurt, na Alemanha, de 0,67%.
Garantias
Os 35,5 bilhões de euros são para ajudar os bancos a oferecer garantias ao Banco Central Europeu (BCE), disse o ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble. O restante do pacote, 94,5 bilhões de euros, será desbloqueado provavelmente na próxima semana, disse Schäuble. Mas a crise na Grécia está longe de terminar. "Não superamos o problema, mas demos um passo importante", destacou o ministro.
O governo da Grécia anunciou que 84% de seus credores privados aceitaram a operação de troca da dívida. Atenas destacou ainda que, devido à ampla adesão, o governo ativou as cláusulas de ação coletiva (CAC) que forçam os credores privados reticentes a aceitar a operação. Essa medida elevará o nível de adesão a 95,7%. Os 130 bilhões de euros correspondem ao segundo pacote de ajuda à Grécia. O primeiro, de 110 bilhões de euros ,em 2010, foi insuficiente para salvar um país que entra no quinto ano consecutivo de recessão.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Grécia consegue garantir empréstimo ao obter perdão de pelo menos 75% dos credores privados

Grécia consegue garantir empréstimo ao obter perdão de pelo menos 75% dos credores privados

09/03/2012 -


Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil

Autoridades da Grécia confirmaram que mais de 75% dos credores privados aceitaram participar da troca de títulos da dívida pública do país. O governo grego comemorou a participação superior a três quartos. As negociações foram fechadas ontem (8) à noite. Se não conseguisse assegurar a participação de um número de credores equivalente a 75% da sua dívida, o governo anunciou que iria cancelar a operação de troca de títulos. Os credores privados, sobretudo os bancos, fundos de pensões e seguradoras tiveram prazo até ontem à noite para informar se aceitavam participar do plano de troca de dívida. A operação implica a perda de cerca de metade do valor facial dos títulos de dívida grega que detêm.
O objetivo da operação é aliviar a Grécia de cerca de 107 bilhões de euros na sua dívida. Mas, no total, o país tem uma dívida superior a 350 bilhões de euros. Sem o acordo, a Grécia não teria condições de garantir o segundo empréstimo internacional – com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI) - e poderia ir à falência em duas semanas, segundo analistas.
O primeiro-ministro da Itália, Mario Monti, disse estar otimista sobre o acordo entre as autoridades da Grécia e os credores privados. Foi a maior operação de perdão de dívida soberana feita nos últimos anos de forma voluntária, segundo ele.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Na Grécia, hoje é o Dia D para negociação da dívida

Na Grécia, hoje é o Dia D para negociação da dívida

Renata Giraldi* - Repórter da Agência Brasil

Na Grécia hoje (8) é o chamado Dia D, a data-limite para saber se a operação de reestruturação da dívida do país será bem-sucedida. As autoridades gregas esperam que o suspense acabe à noite. A troca de 206 bilhões de euros de títulos da dívida está em discussão. Um calote desordenado poderia custar 1 trilhão de euros para a economia mundial.

De acordo com os analistas econômicos, se a operação fracassar, o governo grego entrará oficalmente em falência, pois não terá mais condições de pagar os credores. A resposta virá em uma reação em cadeia, pois os gregos não poderão receber a parcela de 130 bilhões de euros da União Europeia.

Para a concessão do perdão de 107 bilhões - o equivalente à metade da dívida grega - é preciso que  pelo menos 75% dos credores aceitem renegociar os papéis soberanos gregos. Mas o ideal seria que a taxa de participação chegasse a 90%. O Instituto de Finança Internacional (IIF) apresentou uma lista com 30 nomes de bancos e fundos de investimento, sobretudo europeus, que apoiam publicamente o plano.

Até o momento, cerca de 40% dos credores, entre grandes bancos e fundos de investimento, confirmaram a adesão ao plano de troca. As autoridades gregas e europeias procuram mostrar otimismo e dizem que as expectativas são positivas. Mas o sucesso da operação ainda é incerto, segundo os analistas.

No entanto, as dificuldades aumentam porque um quarto da dívida grega está pulverizada nas mãos de centenas de fundos especulativos e de instituições que ainda não se pronunciaram sobre a operação. Pequenos investidores individuais também resistem em aceitar um calote parcial. Muitos deles são gregos e temem, em meio à grave crise que atinge o país, perder parte do patrimônio aplicado em papéis da dívida.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Dilma volta a criticar o "Tsunami Monetário" na Alemanha

Na Alemanha, Dilma volta a criticar injeção excessiva de recursos por países desenvolvidos para conter crise

05/03/2012 


Yara Aquino
Repórter da Agência Brasil

Fonte: Agência Brasil
Na Alemanha, onde se reúne hoje (5) com a chanceler alemã, Angela Merkel, a presidenta Dilma Rousseff voltou a criticar o excesso de recursos injetados na economia global pelos países desenvolvidos para amenizar os efeitos da crise econômica que enfrentam. Dilma disse que essa expansão monetária produz desvalorização artificial das moedas e uma bolha especulativa.
“Quando [se] expande nessa proporção, a massa monetária produz dois efeitos, um é a desvalorização artificial da moeda. Porque a desvalorização não artificial da moeda é produzida por ganhos de competitividade das economias domésticas, essa equivale a uma barreira tarifária e todo mundo se queixa de barreira tarifária, de protecionismo, e isso é uma forma de protecionismo”. A presidenta completou: “Tem um outro problema sério, cria-se uma massa monetária que não vai para a economia real, ela produz bolha, especulação”.
Dilma disse também que o momento é importante para discutir “mecanismos incorretos” de política cambial. “Por isso o Brasil quer mostrar que está em andamento uma forma concorrencial de proteção de mercado, que é o câmbio. Não é tarifa, é o câmbio. O câmbio hoje é uma forma artificial de proteção do mercado”, disse em entrevista.
Para a presidenta, neste contexto de crise, os países desenvolvidos devem adotar políticas de expansão do investimento. “O investimento não só melhora a demanda interna, mas abre também a demanda externa por nossos produtos”.
Dilma também ressaltou que o Brasil é uma economia soberana e que o país tomará as medidas necessárias para se proteger.
A crise econômica internacional será tema da conversa entre Dilma e Angela Merkel, que é a principal líder das negociações na União Europeia (UE) em busca de soluções para evitar o agravamento da crise. As duas também devem conversar sobre educação, ciência, tecnologia e inovação, além de desenvolvimento sustentável, energia e infraestrutura, assuntos centrais na cooperação bilateral.
Edição: Juliana Andrade

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

G20 apoia medidas de austeridade na Europa

G20 apoia medidas de austeridade na Europa

Foto: Stewat Patrick
Renata Giraldi* - Repórter da Agência Brasil

Após dois dias de reuniões em Los Cabos, no México, os ministros da Fazenda do G20 (grupo dos países mais ricos do mundo) anunciaram apoio às medidas adotadas pelos europeus para conter os impactos da crise econômica internacional. Eles recomendaram, porém, que é necessário reforçar essas ações para impedir a expansão da contaminação para as instituições financeiras. O mês de abril foi fixado como prazo para definição das decisões.

A posição do G20 foi anunciada em comunicado assinado por todos os participantes. O Brasil foi representado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. “No fim de março, os países da zona do euro [17, dos 27 que integram a União Europeia] farão uma avaliação sobre o reforço das suas instituições que promovem apoio financeiro”, diz o texto. “[O resultado dessa avaliação será] fundamental na decisão que o G20 tomará para canalizar maiores recursos para o Fundo Monetário Internacional (FMI)”, acrescenta o comunicado.

No próximo mês, os líderes dos países da zona do euro devem definir o reforço dos fundos de resgate e se buscarão mais ajuda do Fundo Europeu de Estabilização Financeira do Mecanismo Europeu de Estabilidade – que deverão atingir 750 bilhões de euros.

O FMI propôs o aumento para US$ 500 mil de sua capacidade de empréstimo. Mas a diretora-gerente da instituição, Christine Lagarde, avisou que é possível rever esse valor, pois é necessário definir o repasse com os recursos do Fundo  Europeu.

O secretário norte-americano do Tesouro, Timothy Geithner, disse que houve  “importantes progressos” durante as discussões do G20, no México, ao estabelecer recomendações para os europeus receberem os empréstimos e evitar futuras crises. “Estamos assistindo a uma ampla convergência de estratégias de supervisão e transparência nos mercados de derivados”, disse ele.

O presidente do Banco Central Europeu, Mário Draghi, lembrou que a economia europeia começa a sinalizar o início da estabilização por meio de melhorias pontuais. “Alguns países devem registrar recessão moderada. Mas, para a maioria [dos países] da zona do euro, a situação parece estabilizar”, acrescentou.

*Com informações da agência pública de notícias de Portugal, Lusa//Edição: Graça Adjuto
 
Fonte: EBC  

 
 

Publicado em: 27/02/2012