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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

NA ONU, DILMA VOLTARÁ A ATACAR ‘TSUNAMI MONETÁRIO’

NA ONU, DILMA VOLTARÁ A ATACAR ‘TSUNAMI MONETÁRIO’

DILMA VAI DISCURSAR NA ONU CONTRA "TSUNAMI MONETÁRIO" DOS PAÍSES RICOS
Autor(es): Leonencio Nossa
O Estado de S. Paulo - 24/09/2012
 

Em meio à tensão entre Brasil e EUA por causa de acusações de protecionismo comercial, a presidente Dilma Rousseff chegou ontem a Nova York e deve criticar o que o governo brasileiro chama de "tsunami monetário" na abertura da 67ª Assembleia-Geral da ONU, informa o enviado especial Leonencio Nossa. Dilma fará críticas à injeção de dinheiro na economia pelos bancos centrais de EUA, Japão e Comunidade Europeia. Não está descartado encontro com o presidente Barack Obama. A relação entre os dois países passa por um mau momento desde a dura troca de cartas entre os governos sobre a decisão brasileira de elevar a tarifa de importação de cem produtos
Presidente vai reclamar do prejuízo com injeção de dinheiro novo pelos bancos centrais dos EUA, do Japão e da Comunidade Europeia
Quatro dias após a dura troca de críticas entre Brasil e Estados Unidos pelo fato de o governo brasileiro ter elevado tarifas de importação de 100 produtos para proteger a indústria nacional, a presidente Dilma Rousseff dá início a mais um round contra o "tsunami monetário". Ela deverá investir contra a injeção de dinheiro novo na economia pelos bancos centrais dos Estados Unidos, do Japão e da Comunidade Europeia, em discurso na abertura da 67.ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU)e encontros com chefes de Estado.
Hoje, Dilma deve reunir-se com o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, a quem provavelmente reiterará a mensagem de que o afrouxamento monetário promovido pelos países ricos prejudica as exportações dos emergentes. Também deve encontrar-se com representantes dos governos da Ucrânia e da Indonésia.
A presidente desembarcou nos Estados Unidos ontem, por volta das 7 horas (8 horas em Brasília), segundo informou o Palácio do Planalto. Pela manhã, teve conversas com os ministros das Relações Exteriores, Antônio de Aguiar Patriota, da Educação, Aloizio Mercadante, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, da Comunicação Social, Helena Chagas, e com o assessor especial Marco Aurélio Garcia. À tarde, manteve agenda particular. Almoçou num restaurante e passeou pelas ruas.
Amanhã, Dilma faz o tradicional discurso de abertura da assembleia. Antes da apresentação, se reúne com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e diplomatas da organização. Até a tarde de ontem, não estava programado encontro com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.
Diplomatas dizem que uma reunião entre os dois não deve ocorrer, mas é possível haver uma conversa no próprio plenário da assembleia. Ele subirá à tribuna logo após o discurso dela.
A relação entre os dois países passa por um mau momento depois da troca de cartas entre o representante comercial dos EUA, Ron Kirk, e o ministro Patriota. Os EUA criticaram o aumento das tarifas no Brasil. O governo brasileiro diz que a medida está em acordo com as normas da Organização Mundial do Comércio (OMC) e ressalta que as relações bilaterais são favoráveis aos EUA. Dilma deve ir também a um evento do Council on Foreign Relations, organização de estudos sobre relações internacionais.
Segundo auxiliares, a presidente deverá fazer críticas, ainda que veladas, à decisão do Federal Reserve, o Fed (o banco central dos Estados Unidos), de desembolsar até US$ 40 bilhões ao mês para a compra de títulos públicos e privados.
Os governos dos países emergentes reclamam que suas exportações são prejudicadas com a expansão do crédito nos EUA, na Europa e no Japão. A injeção de recursos nas economias centrais, por sua vez, não tem conseguido arrancá-las da recessão. Esses pontos foram frisados na carta de Patriota a Kirk.
Na sexta-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ameaçou elevar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para conter a entrada de dólares. Dilma já orientou a equipe a utilizar o arsenal necessário para conter a queda do real. As estatísticas mostram, porém, que até o momento não ocorre nenhuma avalanche de moeda estrangeira.
Segunda viagem. É a segunda vez que Dilma viaja como presidente aos Estados Unidos. No ano passado, ela fez um discurso em defesa da igualdade entre os Estados e mudanças nos fóruns internacionais e contra o protecionismo dos países industrializados. Um ano depois, observam diplomatas, a presidente volta à ONU com o desafio de responder a críticas.
O ataque à postura dos países ricos na condução da economia poderia servir para amenizar queixas políticas e econômicas na ONU contra o Brasil. O governo Dilma é criticado por não condenar o regime sírio e o massacre de civis pelo exército do ditador Bashar al-Assad, mantendo postura alinhada à China e à Rússia. No campo econômico, o discurso duro seria uma forma de conter as queixas dos países industrializados em relação às últimas medidas do governo brasileiro de aumentar a taxação de produtos importados, especialmente na área automobilística.
(Colaboraram Lu Aiko Otta e Gustavo Chacra)

terça-feira, 10 de abril de 2012

DILMA COBRA DE OBAMA AÇÃO CONTRA 'TSUNAMI MONETÁRIO'

DILMA COBRA DE OBAMA AÇÃO CONTRA 'TSUNAMI MONETÁRIO'

DILMA COBRA DE OBAMA PAPEL DOS EUA NO ENFRENTAMENTO DA CRISE MUNDIAL
Autor(es): VERA ROSA
O Estado de S. Paulo - 10/04/2012
 

Na Casa Branca, presidente brasileira volta a criticar "políticas monetárias expansionistas", mas isenta China
A presidente Dilma Rousseff cobrou de seu colega americano, Barack Obama, mais responsabilidade para enfrentar a crise econômica mundial e isentou a China das consequências negativas da desvalorização artificial de sua moeda. "Precisamos ter clareza de que a responsabilidade de todos nós, nesse processo de contenção da crise, de retomada, é compartilhada", disse Dilma em entrevista após o encontro na Casa Branca com Obama. Ela voltou a criticar as "políticas monetárias expansionistas", que chamou novamente de "tsunami monetário", e insistiu que a resposta a esse problema exige ação conjunta e imediata. "Os EUA são um país diferente do resto do mundo. Ele emite moeda", disse a presidente, ao afirmar que o caso da China é diferente porque o país asiático atrelou sua moeda ao dólar. Em relação ao Irã, Dilma disse ainda ter reafirmado a preferência do Brasil pela diplomacia antes de sanções.

Na conversa de uma hora e meia com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na Casa Branca, a presidente Dilma Rousseff cobrou ontem mais responsabilidade do colega no enfrentamento da crise econômica mundial e isentou a China de todas as consequências pela desvalorização artificial de sua moeda.
"Precisamos ter clareza de que a responsabilidade de todos nós, nesse processo de contenção da crise, de retomada (do crescimento) é compartilhada", afirmou Dilma, em entrevista sem a presença de Obama. "Ninguém pode falar: "Não, eu não tenho responsabilidade, não tenho nada com isso. Não é bem assim."
O tom crítico havia sido adotado ainda na Casa Branca, após a conversa no Salão Oval. "Essas políticas monetárias, solitárias no que se refere às políticas fiscais, levam à valorização das moedas dos países emergentes, levando ao comprometimento do crescimento dos países emergentes", afirmou Dilma.
Na parte pública do encontro, nenhum dos dois deu sinal de sincero entrosamento. Dilma mostrava-se tensa, com papéis à mão, e desconfortável. Falou à imprensa por cerca de 21 minutos - três vezes o tempo da declaração de Obama. Os jornalistas não puderam fazer perguntas.
"Joãozinho". Só à noite, em entrevista coletiva em que se mostrou mais descontraída, Dilma detalhou a conversa com Obama. A brasileira chegou a usar uma expressão mineira (Joãozinho do passo certo) para dizer que ninguém é dono da verdade e afirmou que o Brasil não tem apenas divergências com os EUA. "Não podemos acreditar - principalmente nós, as duas maiores democracias do continente -, que todo mundo é Joãozinho do passo certo. Nós não somos Joãozinho do passo certo, nem do passo errado."
Apesar da ressalva, a presidente disse a Obama que o receituário de ajuste fiscal para economias em crise, e também para as superavitárias, não faz sentido. Foi nesse momento que ela cobrou mais investimentos. "Apostar só em políticas monetárias expansionistas leva a um verdadeiro tsunami monetário", insistiu Dilma, repetindo expressão usada desde o encontro com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, em março.
Diante de Obama, Dilma bateu na tecla de que a resposta à instabilidade provocada pela manipulação cambial exige ação conjunta e imediata. Mas eximiu desse processo a China, parceira do Brasil nos Brics, grupo formado também por Rússia, Índia e África do Sul. "Os Estados Unidos é um país diferente do resto do mundo. Ele emite moeda", insistiu Dilma, ao dizer que a contribuição da China é diferente porque o país asiático atrelou sua moeda ao dólar.
Em seguida, diante de empresários dos dois países, Dilma foi mais didática ao explicar o efeito das medidas monetárias dos EUA na valorização do real e exercitou seu estilo pragmático. "O governo brasileiro tem tomado e continuará tomando todas as medidas necessárias para neutralizar os efeitos nocivos do afrouxamento monetário dos países desenvolvidos", afirmou, ao encerrar o seminário Parceria para o Século 21, promovido pela Câmara de Comércio dos EUA.
Alfinetadas. Mesmo com a cobrança, a presidente afirmou que a conversa a portas fechadas com Obama, seguida de almoço na Casa Branca, foi "muito positiva". Deu, porém, algumas alfinetadas no colega. Disse, por exemplo, que países ricos como os EUA não podem exportar a crise. "Somado a isso, outro fator que compromete a retomada do crescimento é a elevação dos preços de petróleo num cenário de restrição da demanda."
A questão do programa nuclear do Irã e o cancelamento da compra de 20 aviões Super Tucano da Embraer pela Força Aérea Americana não foram tratados na conversa com Obama, segundo Dilma. Mesmo assim, ela disse ter manifestado ao colega americano a posição do Brasil de defesa dos direitos humanos.
"O Brasil defende um mundo de paz, de diálogo, de respeito aos direitos humanos e, de preferência, de gestões diplomáticas antes de qualquer outro tipo de medida", afirmou Dilma.
A brasileira também citou a questão de Cuba na Cúpula das Américas, marcada para o fim de semana, na Colômbia. "Eu disse que não haverá outra Cúpula sem Cuba", contou Dilma. Os jornalistas quiseram saber, então, o que Obama respondeu. "Nada. Não era uma pergunta. Era uma constatação."
A presidente disse que a conversa não girou em torno da pretensão do Brasil de integrar o Conselho de Segurança da ONU. Em março de 2011, quando esteve no Palácio do Planalto, Obama manifestou "apreço" por essa postulação. "Não tivemos discussão formal sobre isso. Manifestamos preocupação sobre Oriente Médio e o Norte da África. O Brasil sempre prefere evitar conflitos e sempre acrescentamos responsabilidade ao proteger populações civis", comentou Dilma.
Questionada se os EUA se mostraram mais abertos a esse discurso, Dilma mostrou contrariedade. "Não vou classificar a posição dos Estados Unidos como aberta, fechada ou entreaberta."

segunda-feira, 26 de março de 2012

IOF ajudou a conter entrada de aplicadores estrangeiros no país, avalia Tesouro Nacional

IOF ajudou a conter entrada de aplicadores estrangeiros no país, avalia Tesouro Nacional

Wellton Máximo - Repórter da Agência Brasil

A taxação de investimentos de estrangeiros em renda fixa, em vigor desde 2009, está ajudando a conter a entrada de aplicadores internacionais no país, avaliam técnicos do Tesouro Nacional. De acordo com o órgão, o número de não residentes que compram títulos da dívida interna brasileira está estável depois das medidas destinadas a restringir o ingresso de capital externo de curto prazo.

De acordo com o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Fernando Garrido, a cobrança de 6% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para estrangeiros que aplicam em renda fixa neutralizou o fluxo de investidores internacionais. Segundo ele, o total de aplicadores praticamente não tem se alterado nos últimos meses.

Apesar da estabilização no número de investidores, em valores absolutos, a fatia dos não residentes na dívida interna continua subindo e bate recordes mês a mês. Em fevereiro, os não residentes detinham R$ 209,1 bilhões em títulos públicos, contra R$ 205,6 bilhões em janeiro e R$ 202,3 bilhões em dezembro do ano passado.

Embora a quantia tenha aumentado em valores, Garrido explica que esse movimento não decorreu do ingresso de estrangeiros. “O volume aumenta porque o estoque dos papéis em poder dos estrangeiros está rendendo, não porque há mais investidores externos entrando no país”, alega o coordenador.

Outro sinal de que o IOF conseguiu conter a entrada de estrangeiros consiste na manutenção da fatia desse público na dívida interna, quando o volume absoluto é comparado com o endividamento total. Desde o ano passado, a participação dos estrangeiros na dívida interna oscila em torno de 11%.

Segundo Garrido, muitos desses investidores têm trocado títulos de curto prazo por papéis de prazo maior, mas a fatia dos estrangeiros pouco se altera. “Em fevereiro, observamos um fenômeno que tem ocorrido em diversos meses. O valor em reais dos estrangeiros na dívida interna aumenta, mas o percentual diminui por causa de mudanças no próprio estoque da dívida”, diz. No mês passado, a fatia dos não residentes atingiu 11,88%, contra 11,92% registrados em janeiro.

Desde 2009, a equipe econômica tem instituído a taxação da entrada de capitais estrangeiros para conter o ingresso de dólares no país e impedir a queda da cotação da moeda norte-americana, que prejudica as exportações brasileiras. Inicialmente, o governo passou a cobrar 2% de IOF, mas a alíquota subiu para 4% e está em 6% desde outubro de 2010.

Não apenas os investimentos em renda fixa tiveram a alíquota aumentada. O governo também reajustou ou passou a cobrar IOF de outros tipos de transações financeiras feitas por estrangeiros, como os depósitos de margem no mercado futuro e os empréstimos de empresas no exterior. As compras com cartão de crédito no exterior também passaram a pagar mais imposto. Somente os investimentos estrangeiros diretos, que geram emprego e aumentam a produção no Brasil, e os empréstimos para exportadores que querem se proteger da variação do câmbio não foram afetados.

Edição: Lílian Beraldo

terça-feira, 6 de março de 2012

Dilma: expansão monetária de países desenvolvidos cria cenário “bastante adverso” para o Brasil

Dilma: expansão monetária de países desenvolvidos cria cenário “bastante adverso” para o Brasil

06/03/2012 


Yara Aquino
Repórter da Agência Brasil

Pouco antes de encerrar, hoje (6), a viagem à Alemanha, a presidenta Dilma Rousseff relatou que nas conversas mantidas com a chanceler alemã, Angela Merkel, avaliou que a expansão monetária dos países desenvolvidos cria um cenário “bastante adverso” para o comércio internacional do Brasil. Em declaração à imprensa, Dilma disse que não são apenas os países desenvolvidos que estão sofrendo pressões nas suas taxas de crescimento, mas também os países emergentes.
“Na reunião bilateral manifestei para a chanceler Merkel a preocupação do Brasil com a expansão monetária que vem ocorrendo por parte dos países desenvolvidos, o que nós consideramos bastante adverso para o comércio internacional do Brasil. Também acertamos que cada governo, entendendo os problemas de suas respectivas regiões, vai buscar as melhores formas de cooperação no sentido de ultrapassar esse período adverso para a economia internacional”, disse Dilma, ao lado de Angela Merkel com quem manteve reunião privada na noite de ontem.
A presidenta disse ainda à chanceler alemã que o governo brasileiro terá uma posição proativa na busca de ampliar cada vez mais a taxa de crescimento no Brasil de forma sustentável, respeitando o equilíbrio macroeconômico e mantendo sólidas as finanças públicas e a estrutura fiscal. Segundo Dilma, ambas declararam o interesse em aperfeiçoar a cooperação entre os governos na busca de ultrapassar o período de dificuldades pelo qual passa a economia internacional.
Nesta manhã, as duas mandatárias visitaram o pavilhão do Brasil na Feira Internacional de Tecnologia de Informação, Telecomunicações, Software e Serviços (CeBIT). Dilma classificou como “extremamente produtiva” a visita de três dias a Hannover, na Alemanha, e destacou o interesse em ampliar, além das relações comerciais com o país, as relações de parceria que envolvam a inovação, a ciência e tecnologia e a pesquisa.
Com a Alemanha entre os principais parceiros do programa Ciência sem Fronteiras, a presidenta Dilma agradeceu as iniciativas e o empenho do governo alemão no sentido de viabilizar o programa. “O programa tem recebido adesão muito grande dos estudantes no Brasil, e a Alemanha é o segundo destino dos estudantes brasileiros que estão fazendo uso das bolsas”, disse Dilma. Até 2014, mais de 10 mil bolsistas brasileiros estudarão em instituições alemãs, segundo estimativas do governo.

Liquidez versus protecionismo no encontro das presidentas

Liquidez versus protecionismo no encontro das presidentas

Com Merkel, Dilma evita reclamar do "tsunami"
Autor(es): Por Assis Moreira | De Hannover (Alemanha)
Valor Econômico - 06/03/2012
 

Havia expectativas de a presidente Dilma Rousseff mencionar ontem o excesso de liquidez dos países ricos e os efeitos negativos sobre os emergentes, em discurso em Hannover para centenas de empresários. Mas foi a chanceler alemã, Angela Merkel, depois de ouvir Dilma só falar de tecnologia da informação, quem abordou o tema e alfinetou indiretamente o Brasil por protecionismo comercial. A presidente foi a Hannover para abrir a maior feira de telecomunicações do mundo depois de fazer ataques ao que chamou de "tsunami monetário" dos países ricos, considerado uma das razões da excessiva valorização do real.
Em rápida entrevista a jornalistas logo cedo, Dilma Rousseff reclamou que a gigantesca liquidez dos bancos centrais dos países desenvolvidos tem efeito internacional. "Como o mundo é globalizado, quando você tem um nível de expansão desses, se produz dois efeitos: um é a desvalorização artificial da moeda. O outro problema sério é que cria uma massa monetária que não vai para a economia real. O que se produz? Bolha. Bolha, especulação."
Conforme a presidente, a "desvalorização artificial" das moedas tem o efeito "de uma barreira tarifária, todo mundo se queixa de barreira tarifária, de protecionismo". E repetiu que não estava falando sozinha, que todos os emergentes reclamam também, assim como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Internacional de Compensações (BIS).
Mais tarde, ao receber mais de 30 empresários brasileiros, a presidente voltou a alvejar a manipulação cambial de parceiros, conforme o relato do presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade. "De nosso lado, reclamamos que o câmbio está prejudicando muito a indústria brasileira, que penaliza as exportações e facilita as importações, ela concorda plenamente, mas não apresentou soluções, mas fez declarações muito fortes sobre manipulação cambial", contou.
Na noite anterior, o assessor Marco Aurélio Garcia chegou a dizer que Dilma abordaria o "tsunami monetário" no seu discurso e seria mais incisiva na conversa privada com Merkel. Foi nesse cenário que uma enorme expectativa se criou, inclusive do lado alemão.
Na cerimônia de abertura da feira, porém, a presidente concentrou-se em ciência e tecnologia, elogiou a expansão econômica e conclamou os empresários a aproveitar as oportunidades no país.
Logo em seguida a chanceler alemã, Angela Merkel, subiu ao palco, fez a introdução diplomática, mostrando-se "muito impressionada com o que o Brasil conseguiu na economia", e mencionou o a crise europeia. "Vamos discutir sobre crise financeira global, que continua nos preocupando", disse. "A presidente manifestou preocupação sobre o tsnumani de liquidez quando olha para os EUA, para a União Europeia. Nós também olhamos para medidas protecionistas unilaterais", acrescentou.
A afirmação de Merkel foi entendida como uma referência às críticas persistentes dos parceiros e do próprio diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) de que o Brasil passou a adotar medidas que vão além das regras internacionais, como o aumento do IPI sobre carros importados. EUA, União Europeia, Japão, Coreia do Sul e vários outros parceiros questionaram o Brasil em comitês da OMC, mas ainda não abriram disputa contra o país.
No fim da noite, de volta do jantar de Dilma com Merkel, indagado sobre a menção de protecionismo feita pela líder alemã, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, retrucou: "Amanhã a presidente dará seu recado. Preparem-se."
Segundo uma fonte da delegação brasileira, durante a viagem de Brasília a Hannover uma questão foi sobre qual seria um instrumento eficaz no momento para conter a alta do real. O ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, mostrou uma tabela apontando que o dólar deveria estar valendo R$ 2,50, levando em conta a inflação brasileira e americana desde o período que as duas moedas tiveram paridade no governo de Fernando Henrique Cardoso.
Na conversa com jornalistas, a presidente avisou que o Brasil "como economia soberana, tomará todas as medidas plausíveis" para conter o problema cambial. Mas reagiu quando foi indagada sobre quarentena para conter a entrada de capital externo no país. "Quarentena é uma temeridade", disse, rechaçando esse tipo de medida. "Quem está falando de quarentena é você, não estou defendendo quarentena", disse.
Algumas fontes insistem, porém, que a imposição de prazo de permanência de dois anos, com sobretaxa diferenciada conforme o prazo de saída do capital antes disso, poderia ser uma alternativa. Mas o ministro da Fazenda, Guido Mantega, tem se mostrado contrário à quarentena.
Depois de ter preferido deixar para falar sozinha com Merkel sobre câmbio, a presidente ouviu a líder europeia usar o lema "gerir a confiança", que dá o tom do encontro, para dizer que a confiança é o caminho também no G-20, o grupo de ricos e emergentes, para sair da crise. "Temos que olhar para além de nossas fronteiras sobre as consequências da crise internacional."
Falou da crise do endividamento europeu - "entramos numa crise delicada -, defendeu a austeridade fiscal, algo que Dilma reclama da Europa, e terminou fazendo uma ardorosa defesa da zona do euro. "Não há alternativa a zona do euro, temos que desenvolvê-la, criar uma situação estável, cumprir as regras e ter confiança de que haverá mecanismos de solidariedade para solucionar os problemas", afirmou.
Certas fontes acreditam que a Alemanha vai enfim se dobrar à pressão internacional e aceitar a ampliação do fundo de socorro financeiro europeu, dos € 500 bilhões atuais para mais de € 700 bilhões. A Alemanha sozinha deve dar garantia de € 280 bilhões para o novo fundo.

DILMA FALA EM DEFENDER REAL E MERKEL ATACA PROTECIONISMO

DILMA FALA EM DEFENDER REAL E MERKEL ATACA PROTECIONISMO

DILMA PROMETE "PROTEÇÃO" AO REAL, E MERKEL CRITICA "PROTECIONISMO UNILATERAL"
O Estado de S. Paulo - 06/03/2012
Foto: Agência Brasil
Em um evento que deveria marcar a comunhão de interesses entre Brasil e Alemanha, os chefes de Estado e de governo dos dois países entraram em rota de colisão em público, ontem, em Hannover.
Em entrevista concedida ao meio-dia de ontem, a presidente Dilma Rousseff voltou a criticar o "tsunami monetário" na Europa, advertindo que o país poderia adotar medidas para proteger o real das "desvalorizações artificiais" de outras moedas.
A resposta veio oito horas depois. Em discurso de improviso, a chanceler Angela Merkel advertiu que os países desenvolvidos observam "as medidas protecionistas unilaterais", em referência indireta aos emergentes.
A discussão foi o desdobramento da insatisfação do governo brasileiro com a crescente liquidez estimulada pelos BCs de países ricos. Citando números do Banco de Compensações Internacionais (BIS), Dilma disse que a injeção de US$ 8,8 trilhões no sistema financeiro nos últimos três anos causa "desvalorização artificial" das moedas e "equivale a barreiras tarifárias".
O tom das reclamações do Brasil cresceu quando o Banco Central Europeu (BCE) ofereceu mais € 530 bilhões aos seus bancos. De dezembro para cá, o valor chega a € 1 trilhão.
Questionada pelo Estado se o governo brasileiro estava pedindo a Merkel uma intervenção na autonomia do BCE, Dilma respondeu: "Não, sabe por quê? Porque estão interferindo na nossa". "O que o Brasil quer com isso é mostrar que está em andamento uma forma concorrencial de proteção de mercado, que é o câmbio. O câmbio virou uma forma artificial de proteção."
Dilma antecipou que o governo pode tomar medidas para evitar a valorização artificial do real. "Tomaremos todas as medidas para nos proteger. Vamos ver quais medidas, como essa que tomamos recentemente sobre o IOF" Questionada se pensava em quarentena de capital externo, reagiu: "Não estou defendendo quarentena".
Especulações. Nos últimos dias, aumentaram as especulações em torno da decisão de amanhã do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. Analistas interpretaram as medidas cambiais adotadas na semana passada e as declarações de Dilma sobre o "tsunami" como uma sinalização de que o BC poderá ser mais agressivo no corte de juros.
Nesse cenário, um corte mais forte da Selic seria uma forma de se antecipar ao "tsunami" de dinheiro que deverá chegar ao Brasil como resultado da ação do BCE nos bancos europeus.
Nos bastidores do governo, aumenta o desconforto com o câmbio valorizado. A possibilidade de uso do Fundo Soberano do Brasil (FSB) vem ganhando força. O Fundo pode atuar comprando dólares em ações de surpresa. O mercado de derivativos cambiais também permanece na mira do governo.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Dilma volta a criticar o "Tsunami Monetário" na Alemanha

Na Alemanha, Dilma volta a criticar injeção excessiva de recursos por países desenvolvidos para conter crise

05/03/2012 


Yara Aquino
Repórter da Agência Brasil

Fonte: Agência Brasil
Na Alemanha, onde se reúne hoje (5) com a chanceler alemã, Angela Merkel, a presidenta Dilma Rousseff voltou a criticar o excesso de recursos injetados na economia global pelos países desenvolvidos para amenizar os efeitos da crise econômica que enfrentam. Dilma disse que essa expansão monetária produz desvalorização artificial das moedas e uma bolha especulativa.
“Quando [se] expande nessa proporção, a massa monetária produz dois efeitos, um é a desvalorização artificial da moeda. Porque a desvalorização não artificial da moeda é produzida por ganhos de competitividade das economias domésticas, essa equivale a uma barreira tarifária e todo mundo se queixa de barreira tarifária, de protecionismo, e isso é uma forma de protecionismo”. A presidenta completou: “Tem um outro problema sério, cria-se uma massa monetária que não vai para a economia real, ela produz bolha, especulação”.
Dilma disse também que o momento é importante para discutir “mecanismos incorretos” de política cambial. “Por isso o Brasil quer mostrar que está em andamento uma forma concorrencial de proteção de mercado, que é o câmbio. Não é tarifa, é o câmbio. O câmbio hoje é uma forma artificial de proteção do mercado”, disse em entrevista.
Para a presidenta, neste contexto de crise, os países desenvolvidos devem adotar políticas de expansão do investimento. “O investimento não só melhora a demanda interna, mas abre também a demanda externa por nossos produtos”.
Dilma também ressaltou que o Brasil é uma economia soberana e que o país tomará as medidas necessárias para se proteger.
A crise econômica internacional será tema da conversa entre Dilma e Angela Merkel, que é a principal líder das negociações na União Europeia (UE) em busca de soluções para evitar o agravamento da crise. As duas também devem conversar sobre educação, ciência, tecnologia e inovação, além de desenvolvimento sustentável, energia e infraestrutura, assuntos centrais na cooperação bilateral.
Edição: Juliana Andrade