Desemprego de 5,5% em 2012 é o menor em 10 anos. Renda subiu 4,1%, maior alta na década
O morno desempenho econômico de 2012 - quando o Brasil deve ter
crescido cerca de 1% apesar de todos os estímulos - não afetou
fortemente o mercado de trabalho: o desemprego, segundo a Pesquisa
Mensal de Emprego (PME) do IBGE, fechou o ano em 4,6% em dezembro,
menor resultado mensal para a pesquisa iniciada em 2002. O número é
ligeiramente inferior ao registrado em novembro (4,9%) e em dezembro de
2011 (4,7%). A média do desemprego do ano passado também é um piso
histórico: 5,5%, contra 6% em 2011. O ano de 2012 apresentou alta do
rendimento e da formalização de emprego nas seis regiões metropolitanas
pesquisadas pelo instituto (São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Recife,
Salvador e Porto Alegre).
O total de ocupados nas seis regiões chegou a 22,956 milhões de
pessoas no ano passado, uma alta de 2,2% frente a 2011. O rendimento
médio no ano foi estimada em R$ 1.793,96, o que correspondeu a um
crescimento de 4,1%, em relação a 2011, motivado principalmente pela
alta do salário mínimo, de 14%. Foi a maior alta em dez anos. No ano
anterior, a subida do rendimento havia sido de 2,7%
Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, afirma
que o ano de 2012 apresentou resultados mais modestos que em 2011. Em
parte, explica, isso se deve à menor atividade econômica e à comparação
com 2011, ano bom para o mercado de trabalho, ainda sob o efeito da
recuperação da crise de 2008 e 2009. Adriana Beringuy, pesquisadora do
IBGE, afirma que o crescimento menor da economia em 2012 não retraiu o
mercado de trabalho:
- Não houve, de maneira alguma, deterioração do mercado de trabalho
no ano passado. O que vimos, no máximo, foi um ritmo menor no
crescimento do emprego formal e do nível de ocupação - disse.
Dezembro mais "frio" que o ano
Mas os dados de dezembro vieram piores que o esperado pelos
analistas. A variação da taxa do desemprego foi considerada
estatisticamente estável e foi obtida principalmente por uma redução na
procura por emprego, algo comum no fim do ano. O rendimento médio do
trabalhador ficou em R$ 1.805, valor 0,9% inferior ao de novembro de
2012. Azeredo afirmou que apenas com os dados de janeiro será possível
saber se o mercado de trabalho continua evoluindo ou se haverá uma
certa acomodação. Ele afirmou ainda que é cedo para falar em pleno
emprego no país:
- A pesquisa trata apenas de seis regiões metropolitanas e que,
mesmo entre elas, há muitas diferenças. E temos ainda um contingente
muito grande de trabalhadores sem carteira assinada, sem proteção
previdenciária, com baixa escolaridade e renda, não acho correto falar
de pleno emprego.
O economista José Márcio Camargo, professor da PUC-Rio, afirma que a
retração da renda em dezembro deve ter sido causada principalmente
pela aceleração da inflação. Ele acredita que o país já está vivendo o
pleno emprego - pois a renda do trabalho cresce em velocidade superior à
da produtividade. Para ele, o mercado de trabalho em expansão mesmo
com a economia fraca vem da alta do setor de serviços, que demanda mais
trabalhadores que a indústria, por exemplo, e que está crescendo em
velocidade superior ao total da economia. Ele também diz que a oferta de
mão de obra e a demanda devem continuar crescendo, o que dá margem
para taxas de desemprego ainda mais baixas em 2013.
- O resultado foi um pouco aquém do esperado em dezembro, mas a taxa está muito baixa e tende a ficar neste patamar.
Caio Martins, economista da LCA Consultores, também credita ao setor
de serviços e comércio a alta do emprego, além da manutenção de postos
na indústria. Ele alega que o setor não quer dispensar funcionários
pelos altos custos das demissões e por temer ficar sem pessoal, se a
economia crescer de forma vigorosa. Ele estima que o desemprego em 2013
vai ficar em 5,3%.
O comércio continua contratando forte. A rede de supermercado
Superprix está abrindo lojas e contratando 350 pessoas, como Beatriz
Brás, de 18 anos, que conseguiu seu primeiro emprego. Nessa leva de
contratações entrou também Míriam de Oliveira, que estava procurando um
posto há cinco meses e que se surpreendeu com a velocidade da
recolocação, mas lembrou que os empregadores estão cobrando mais
qualificação.
- Não basta agora ter apenas experiência, estamos exigindo mais cursos na hora de contratar - diz Miriam.
Em 10 anos, renda sobe 27,2%
O IBGE também divulgou ontem um estudo comparativo dos primeiros dez
anos de PME. Na década, o total de desempregados caiu de 2,608 milhões
de pessoas em 2003 para 1,338 milhões em 2012. A média de horas
trabalhadas por semana passou de 41,3 em 2003 para 40,3 horas. Também
aumentou o percentual de trabalhadores que contribuem para a
previdência: passou de 61,2% em 2003 para 72,8% em 2012. No período, o
setor de serviços foi o que mais ganhou peso: passou de 13,4% em 2003
para 16,2% em 2012. O setor de comércio, contudo, ainda lidera com
18,7% dos trabalhadores. A renda média do trabalhador no período
cresceu 27,2%, já descontada a inflação. |