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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

ALVO DE 3 INQUÉRITOS, RENAN DEVE SER ELEITO HOJE

ALVO DE 3 INQUÉRITOS, RENAN DEVE SER ELEITO HOJE

SOB CONSTRANGIMENTO, RENAN OFICIALIZA CANDIDATURA E CONCORRE COM TAQUES
Autor(es): Eugênia Lopes Débora Bergamasco Ricardo Brito /
O Estado de S. Paulo - 01/02/2013
 
Senador lançou candidatura na véspera e enfrentará Pedro Taques (PDT), apoiado por "independentes". Alvo de três inquéritos no STF, Renan Calheiros (PMDB-AL) deve ser eleito hoje presidente do Senado. Sua candidatura foi lançada ontem com o apoio de 17 dos 20 representantes da bancada peemedebista. Renan vai enfrentar Pedro Taques (PDT-MT), lançado como candidato único de um grupo de parlamentares apontados como independentes. Com 11 representantes, a bancada tucana decidiu pelo apoio a Taques e corre o risco de perder a Primeira Secretaria do Senado. A expectativa de aliados de Renan, no entanto, é de que ele receba votos de ao menos quatro senadores do PSDB, já que a votação é secreta. Em reunião com os senadores de sua bancada, Renan anunciou a criação de uma secretaria para dar transparência aos atos do Senado e defendeu a votação de novas regras do Fundo de Participação dos Estados (FPE). Valdir Raupp – Presidente do PMDB "O Renan não teve nenhuma condenação. É um líder nato". Senado. Somente ontem a bancada do PMDB assumiu a candidatura, depois de o senador ter passado semanas em silêncio e sem comentar sobre denúncias e inquéritos contra ele; tucanos decidiram apoiar candidatura do pedetista e podem perder cargo na Mesa Alvo de três inquéritos no Su­premo Tribunal Federal (STF), o senador Renan Calheiros (AL) foi oficialmente lançado ontem pelo PMDB candidato à presidência do Se­nado. O peemedebista deverá ser eleito hoje com um placar folgado de votos, mas, alvo de (denúncias, deve enfrentar crí­ticas constrangedoras na tri­buna. Ele disputará com o senador Pedro Taques (PDT- MT), que ontem obteve o apoio do PSDB e do PSB. A menos de 24horas da eleição e debaixo de uma saraivada de denúncias e de críticas da oposição, Renan manteve o suspense e uma candidatura furtiva: ele simplesmente se recusou a falar sobre sua pretensão de suceder José Sarney (PMDB-AP) no comando do Senado, pelos próximos dois anos. Questionado se a bancada es­tá desconfortável e constrangi­da com a candidatura de Renan, o presidente do PMDB, senador Valdir Raupp foi incisivo: "Em absoluto. O Renan não teve ne­nhum julgamento, nenhuma condenação. É um líder nato". Pedro Taques (PDT-MT) foi lançado ontem como candidato único de um grupo de parlamen­tares apontados como indepen­dentes. "Ganhar ou perder é uma consequência da disputa", avaliou Taques, depois de rece­ber o apoio do PSDB, que conta com 11 senadores. Por contrariar o PMDB, o PSDB agora corre o risco de perder a 1ª Secretaria do Senado, uma espécie de prefeitu­ra da Casa. "O político que entra em uma eleição pensando só em ganhar não pode ser candidato, estamos construindo esta candi­datura por motivo de honra", dis­se o pedetista. A expectativa de aliados de Re­nan, porém, é que ele receba vo­tos de tucanos, já que a votação é secreta. O senador Antonio Car­los Valadares (PSB-SE) cogitou se lançar na disputa, mas desis­tiu depois que Taques se recu­sou a abrir mão de sua candidatu­ra. O PSB resolveu, então, apoiar também candidatura de Taques. A candidatura de Renan para suceder Sarney foi aprovada por 17 do total de 20 integrantes da bancada. Os senadores Pedro Simon (RS), Jarbas Vasconcellos (PE) e Luiz Henrique (SC) não estavam presentes à reunião que ungiu Renan à condição de candi­dato. Passados mais de 40 minu­tos do fim do encontro, Renan foi abordado por jornalista que indagou se ele se sentia confortá­vel para presidir o Senado nova­mente. Levemente irritado, ele respondeu: "Imagine você", e partiu em disparada. Ao mesmo tempo em que a bancada do PMDB estava reuni­da para oficializar a candidatura de Renan, os tucanos também promoviam um encontro para decidir sobre o apoio à candida­tura de Taques. Durante a reu­nião, houve resistência de al­guns tucanos que ainda discuti­ram em favor da proporcionalidade do PMDB na indicação do nome. Apesar da decisão da bancada favorável ao pedetista, a ex­pectativa é que haja dissidências de ao menos quatro parlamenta­res, especialmente a de Flexa Ri­beiro (PSDB-PA), candidato à 1ª Secretaria do Senado. Preço. Mesmo assim, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) dis­se que a legenda está disposta a sacrificar um cargo na Mesa. "Va­mos reivindicar os espaços aos quais temos direito, indicando nomes que possam atender aos interesses da Casa, mas se esse for o preço a pagar, para mim ele é absolutamente irrelevante." Aécio reconheceu que será di­fícil reverter o favoritismo de Re­nan. "Sabemos que é uma luta difícil, mas não tomamos uma decisão por razões pessoais, mas para preservar a instituição. " De­pois de tomar conhecimento da postura do PSDB, o PMDB deci­diu que uma eventual retaliação aos tucanos dependerá do pla­car. Será diante do número de votos obtidos por Renan que o PMDB saberá o tamanho da dissi­dência entre os tucanos. Só en­tão os aliados vão resolver se lan­çam ou não candidato para dis­putar a primeira secretaria. Na reunião da bancada do PMDB, Renan anunciou a cria­ção de secretaria para dar trans­parência aos atos do Senado. De­fendeu ainda o fortalecimento do pacto federativo e a votação de projeto com as novas regras de partilha dos recursos do Fun­do de Participação dos Estados (FPE). Sarney fez um balanço de sua gestão à frente do Senado nos últimos quatro anos. / COLABOROU DÉBORA ÁLVARES

terça-feira, 13 de março de 2012

Dilma degola seus líderes

Dilma degola seus líderes

Rebelião castigada
Autor(es): » PAULO DE TARSO LYRA » DENISE ROTHENBURG » JOSIE JERONIMO » ERICH DECAT
Correio Braziliense - 13/03/2012
 

 A derrota do governo no Senado, na semana passada, vai custar a liderança a Romero Jucá (PMDB-RR). Ele será substituído por Eduardo Braga (PMDB-AM). Na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP) tem os dias contados


Motim organizado por partidos da base e derrotas em plenário provocam a substituição do líder do governo no Senado, Romero Jucá. Cândido Vaccarezza também está próximo de sair do posto na Câmara

Cinco dias depois de sofrer a primeira derrota no Senado — a não recondução de Bernardo Figueiredo para a Presidência da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) —, a presidente Dilma Rousseff afastou o senador Romero Jucá (PMDB-RR) do cargo de líder do governo e indicou o senador Eduardo Braga (PMDB-AM) para o seu lugar. Dilma também deixou encaminhada a troca do líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP) —  o substituto será confirmado hoje. O mais cotado é o ex-líder do PT na Casa, Paulo Teixeira (SP). "Sou líder até amanhã (terça-feira). Depois, não sei", disse Vaccarezza, constrangido.
A destituição de Jucá foi um sinal explícito de autoridade da presidente Dilma. Na semana passada, após a votação da ANTT, o Correio mostrou que Dilma tinha ficado "profundamente irritada" com a derrota e que pedira à ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, que promovesse uma "caça às bruxas" para procurar os culpados pela votação — para complicar, Bernardo Figueiredo é muito próximo da presidente e ela considerou a recusa ""uma questão pessoal".
Por isso, no fim da manhã de ontem, a presidente chamou o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), para comunicar a decisão de afastar Jucá. Ela já havia avisado ao vice-presidente Michel Temer que promoveria as mudanças. Justificou, na reunião que durou cerca de uma hora e quarenta minutos, o desejo de "promover um rodízio nas lideranças do governo no Congresso", o que justifica a entrada de Vaccarezza na dança das cadeiras.
Renan apenas disse a Dilma que "o cargo de líder do governo é da presidente e ela pode pedi-lo a hora que quiser". Após a reunião, Renan se encontrou com Jucá para comunicar a decisão e, logo depois, procurou Eduardo Braga. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), também conversou com o indicado a novo líder do governo na Casa. Oficialmente, a decisão foi comunicada pela própria Dilma a Jucá, por volta das 18h de ontem. O mesmo ritual deve se repetir na manhã de hoje com Vaccarezza. Ele tem encontro marcado com Dilma às 9h. Depois, dará entrevista coletiva na Câmara às 10h15.
Logo após ouvir a decisão da presidente, Jucá se encaminhou para a sala de Ideli Salvatti, onde os líderes partidários do Congresso estavam reunidos. Lá, agradeceu e disse que estava fora da liderança do governo no Senado. Na plateia, estavam os líderes do PT no Senado, Walter Pinheiro (BA), e na Câmara, Jilmar Tatto (SP); o líder no Congresso, senador José Pimentel (CE); e o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). Após o anúncio, o clima foi de total constrangimento. "Estávamos lá para discutir a questão da tramitação das Medidas Provisórias. Depois do anúncio, não tínhamos mais o que fazer lá", relatou um líder.
Lobby pelo cargo
No início da noite de ontem, Braga afirmou estar disposto a assumir a liderança, mas disse que só se pronunciará depois do anúncio oficial de Dilma. "Se a presidente entender que eu posso prestar um serviço ao Brasil, eu teria o maior prazer de fazer um bom serviço para o povo brasileiro." A escolha de Braga começou a ser maturada graças a um telefonema na semana retrasada. Braga havia percebido os riscos para o governo no Senado e sugeriu a Ideli um jantar dela com a bancada de senadores do partido na terça, véspera da votação da ANTT. De tão sutil, a mensagem não foi captada. No dia seguinte, o Planalto amargou a derrota.
No encontro com o líder do PMDB, Dilma questionou a Renan se a indicação de Eduardo Braga poderia trazer ainda mais sequelas à convivência no partido. "O convite para o Eduardo Braga só faria sentido se fosse para a unidade do partido", teria dito a presidente Dilma a Renan. Na noite de ontem, o novo líder reuniu-se com a cúpula peemedebista em jantar no Palácio do Jaburu.
Questionado sobre a saúde do relacionamento entre PMDB e governo, Braga afirmou que a fase é de "crescimento da relação". "Quando a relação é feita em bases verdadeiras, ela cresce. Em base falsa, corre o risco de trincar. Isso só faz melhorar e aprimorar a relação."
Colaborou Júnia Gama