Mostrando postagens com marcador Educação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Educação. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Educação: Nem a elite se salva

Educação: Nem a elite se salva

Elite brasileira também fica entre as piores no PISA
Autor(es): Leonardo Vieira, Eduardo Vanini e Antônio Gois
O Globo - 09/12/2013
 
Estudantes brasileiros de 15 anos que estão entre os 25% mais ricos do país tiveram média inferior aos 25% mais pobres de nações com maior nível de desenvolvimento. O desempenho foi medido pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos, que compara o aprendizado em 65 países.
  
Média dos alunos mais ricos do país é pior que a dos jovens de menor renda em nações desenvolvidas

Os maus resultados do Brasil na Educação não se devem apenas à má qualidade da escola pública ou ao baixo desempenho dos alunos mais pobres.
A elite brasileira, quando comparada com a de outros países, também se sai muito mal no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), exame divulgado na semana passada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e que compara o aprendizado de jovens de 15 anos de idade em 65 países em testes de Matemática, leitura e Ciências. Este ano, o Pisa avaliou a capacidade matemática dos estudantes.
Considerando apenas os alunos que, pelos critérios da OCDE, estariam entre os 25% de maior nível socioeconômico em cada nação, a elite brasileira figuraria apenas na 57º posição entre os 65 países. O resultado deixa a desejar mesmo quando esse grupo é comparado com os mais pobres da média da OCDE, grupo que congrega principalmente nações desenvolvidas. Enquanto os brasileiros no topo da pirâmide social registraram uma média de 437 pontos, os 25% mais pobres da OCDE tiveram média de 452 pontos.
Na prática, com essa pontuação, a OCDE entende que os brasileiros de condições econômicas mais favoráveis já dominam operações matemáticas como frações, porcentagens e números relativos, sendo capazes de resolver problemas simples — cerca de 65% dos alunos brasileiros não atingiram esse nível no Pisa. No entanto, eles não conseguem formular e comunicar explicações e argumentos com base em suas interpretações e ações.
Outra maneira de comparar seria considerar um número ainda menor de alunos de elite, considerando que o percentual de 25%, para um país ainda em desenvolvimento como o Brasil, pode não ser um retrato fiel do topo da pirâmide social. Mesmo assim, se considerada só a média dos 5% de alunos com melhor desempenho nos 65 países, a posição do Brasil no ranking seguiria praticamente inalterada: 58º.
O diagnóstico é o mesmo também quando se consideram apenas alunos cujos pais têm nível superior. Nessa comparação, o Brasil ficaria na 56º posição. No topo desse ranking, aparece novamente a província chinesa de Xangai, cuja média dos alunos é 219 pontos superior à dos brasileiros. Pela escala do Pisa, isso equivale a dizer que essa elite brasileira com pais de alta escolaridade precisaria estudar mais cinco anos letivos para chegar ao nível de conhecimento dos chineses de Xangai em Matemática.
Os dados do Pisa foram divulgados uma semana depois de o resultado do Enem 2012 mostrar que as escolas com as melhores médias no exame do MEC são particulares. De acordo com um levantamento feito pelo GLOBO, nove dos dez colégios cariocas com as notas mais altas no Enem têm mensalidades acima de R$ 2 mil.
Na opinião do coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, os dados mostram que as escolas particulares no Brasil cobram muito por um serviço que não é assim tão melhor do que o oferecido pela rede pública. Segundo ele, o ensino privado no Brasil é desregulamentado e conserva margens de lucro superiores aos seus pares no exterior:
— É um comportamento parecido com um mercado de luxo: não presta um serviço tão bom assim, mas consegue fazer com que a elite se diferencie em termos de consumo. Para um determinado estrato da sociedade, colocar os filhos em escolas muito caras, independentemente da qualidade do serviço, é um caráter de diferenciação. E você tem chances também de construir um capital social: o filho de um grande empresário pode conviver com filhos de outro grande empresário — explica Cara.
Para o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado do Rio de Janeiro (Sinepe), Vitor Notrica, o mau desempenho brasileiro dos 25% mais ricos no Pisa não se deve necessariamente às escolas, mas a questões culturais. Ele acha que esse rendimento abaixo da média pode estar ligado à relação entre alunos e professores no Brasil.
— A mensalidade da escola está ligada à sua proposta pedagógica. Tem escolas bilíngues, aplicadas em tecnologia, horário integral... Mas a qualidade do ensino depende, principalmente, do pulmão do professor. É fato que em países como a França e a Alemanha os alunos respeitam muito mais o professor, e por isso são cobrados com vigor. Isso pode também ser uma explicação para o resultado — afirma Notrica.
Membro do Conselho Nacional de Educação e professor da UFMG, Francisco Soares alerta que, mesmo no grupo de 25% mais ricos do Brasil, ainda há alta heterogeneidade:
— Separar em quatro grupos de mesmo tamanho não é razoável para um país tão desigual como o Brasil. Nós temos uma elite, sim, mas não é de 25%. Se formos lá na nata das nossas escolas, talvez elas não deixem a desejarem relação ao resto do mundo. Há escolas, sim, que estão cobrando caro, mas estão colocando os alunos na elite mundial.
O diretor executivo da Fundação Lemann, Denis Mizne, segue a mesma linha de análise de Francisco Soares, mas ressalta que apenas 1% dos estudantes brasileiros atingiu os níveis mais elevados na prova de Matemática do Pisa:
— Os 25% não são uma comparação ideal num país com renda tão concentrada como o Brasil. Nossa elite se aproxima dos 10% ou 5%, em média. Mas a grande questão é que ninguém está indo muito bem em Educação aqui. Mesmo nessa amostra, somente 1% dos nossos alunos conseguiu alcançar notas boas. Esse é o dado mais assustador. Temos pouquíssimos alunos que sabem bem.
Eliane Porto é gerente-geral no Rio da agência de intercâmbios Cl, que envia jovens brasileiros para cursar parte do ensino médio no exterior. Segundo ela, os alunos voltam empolgados com o ensino lá fora:
— Eles elogiam muito a infinidade de matérias eletivas, que vão da prática de esportes a aulas de marcenaria. Tudo isso os deixa mais envolvidos e motivados com a escola.
DIFERENÇA NO RESPEITO AO PROFESSOR
Cursando o 2º ano do ensino médio num colégio particular do Rio, o aluno Decio Greenwood, de 16 anos, conhece pelo menos duas realidades distintas. Devido ao trabalho de seus pais, o adolescente já passou por escolas inglesas duas vezes: a primeira aos 12 anos; a segunda, no começo deste ano. Segundo ele, as diferenças já começam pelo tratamento dado à rede pública.
— Estudei lá fora em escolas públicas, que são tão boas ou melhores que as particulares daqui. Este ano, frequentei por um mês um colégio que fica perto de Oxford e notei como o ensino de lá é mais preocupado em proporcionar uma vivência ampla ao aluno. Os estudantes têm laboratórios de tecnologia, aulas de culinária e muitas opções esportivas. Enquanto no Brasil as escolas se preocupam em mostrar que um mais um são dois, os professores de lá estão mais interessados em mostrar por que um mais um são dois — compara.
A valorização dos professores nas escolas inglesas também chamou a atenção de Decio.
— Os professores na Inglaterra são muito respeitados. Independentemente da idade deles, os alunos os tratam com muito respeito. Esses profissionais são elevados a um nível muito acima do que esse que notamos aqui, onde nem mesmo o governo os respeita — diz.

Ruim até entre emergentes

Ruim até entre emergentes

Autor(es): Leonardo Vieira Eduardo Vanini
O Globo - 05/12/2013
 
Brasil tem só quatro universidades entre as 100 melhores dos Brics e de países em desenvolvimento

Um dos países que formam os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e dono da 6ª. maior economia do mundo, o Brasil não tem nenhuma universidade entre as dez melhores de 22 países emergentes, segundo um ranking internacional feito pela consultoria britânica de educação superior Times Higher Education (THE).
A inédita pesquisa “Brics & Economias Emergentes” gerou uma lista das cem instituições mais fortes das nações em desenvolvimento.  Para o estudo, a THE levou em conta não só os cinco membros dos Brics, mas também 17 outras economias emergentes. Das cem instituições de ensino da lista, apenas quatro são brasileiras.
A melhor posicionada no ranking entre as nacionais é a USP, em 11° lugar, seguida pela Unicamp, em  24°. Bem mais abaixo na tabela estão as outras duas universidades brasileiras:  UFRJ, em 60°, e Universidade Estadual Paulista (Unesp), em 87°.  No topo da lista, nenhuma surpresa.
Além de ostentar as duas primeiras colocações, com a Universidade de Pequim e a Universidade de Tsinghua, respectivamente, a China é o país com maior número de instituições da lista, com 23. Sua vizinha Taiwan vem em seguida, acumulando 21 universidades dentre as cem.
Numa comparação entre as nações que compõem os Brics, depois dos chineses, os indianos aparecem com dez instituições, seguidos pela África do Sul, com cinco universidades, pelo Brasil, com quatro nomes, e pela Rússia, com duas instituições. 
DESEMPENHO DECEPCIONANTE DO BRASIL 
Para o editor da THE, Phil Baty, o desempenho do Brasil não condiz com o tamanho de sua economia. Mesmo elogiando  o programa federal Ciência sem Fronteiras que dá bolsas de intercâmbios para   brasileiros estudarem no exterior, e dizendo que o programa pode gerar indicadores positivos em longo prazo, Baty definiu o resultado nacional como “decepcionante”.
Segundo ele, os pontos fracos das universidades brasileiras estão na pesquisa e na publicação de artigos em inglês, fatos que estariam entrelaçados:  — As pesquisas do Brasil não têm o mesmo impacto que alguns concorrentes dos Brics. Não são tão amplamente lidas e compartilhadas, o que sugere que sejam de qualidade inferior.
E parte do problema pode ser a falta do inglês: muitos países adotaram a publicação em língua inglesa para garantir que a investigação seja compartilhada e compreendida em todo o mundo, e que suas universidades recebam o devido reconhecimento pelo seu trabalho inovador — ressalta o editor da THE. 
A pró-reitora de Pós-graduação e Pesquisa da UFRJ, Debora Foguel, comemorou a presença da instituição no ranking, mas não deixou de salientar como o ensino no Brasil precisa evoluir:  — o país ainda não tem uma política  destinada a colocar suas universidades  entre as seletas instituições de classe  mundial. Há gargalos que precisamos  encarar. E um dos principais deles está  justamente relacionado à pesquisa. A  disponibilização de recursos voltados  diretamente a essa área ainda não é  uma realidade nas universidades federais.
Precisamos investir maciçamente  nisso — comentou.  o reitor da USP, João Grandino Rodas destacou que o fato de se tratar de uma universidade onde se fala um idioma que não é internacional dificulta o alcance das primeiras posições em rankings. Entretanto, medidas adotadas recentemente devem mudar esse quadro. 
— Criamos o programa USP Internacional, para fortalecer a presença da universidade no exterior. Também foi estabelecido um programa de bolsas de intercâmbio para alunos de graduação, no qual mais de dois mil estudantes tiveram oportunidade de desenvolver atividades acadêmicas em instituições estrangeiras.
Esse projeto abrange as não contempladas pelo Ciência sem Fronteiras — mencionou.  Entre os Brics, o Brasil tem a segunda maior economia do grupo, somente atrás dos chineses. Entretanto, essa realidade segue em descompasso com os indicadores educacionais. Segundo o professor de Relações Internacionais da PUC—Rio João Nogueira, que é membro do Brics Policy Center, isso acontece porque os resultados na Educação dependem de políticas públicas consistentes e de longo prazo. 
— Os chineses há muito têm priorizado o crescimento rápido do ensino superior como caminho para estimular a inovação e enfrentar os problemas futuros de oferta de mão de obra. Dezenas de milhares de estudantes de países como a Coreia do Sul vão estudar nas universidades chinesas atualmente.
Ao lado da ampliação do sistema, a China investiu na qualificação de seus pesquisadores em centros de excelência no exterior, com os resultados que vemos nas pesquisas. No caso brasileiro, o dinamismo econômico não foi suficiente para vencer a complacência de seus governantes quando se trata de Educação, tratada mais como política social do que como estratégia associada ao desenvolvimento do país — concluiu. 
Por continente, África e Américas aparecem com nove universidades cada. Para a consultoria, o grande destaque do ranking ficou com a Turquia, que não só tem sete instituições na lista como também três delas aparecem dentre as dez primeiras: Universidade de Boaziçi (5°), Universidade Técnica de Istambul (7°) e Universidade Técnica do Oriente Médio (9°).

PESQUISA CONSIDERA 13 INDICADORES
Assim como em outros rankings elaborados pela Times Higher Education, a metodologia da pesquisa foi baseada em 13 indicadores divididos entre as seguintes áreas: “ensino” (30% da pontuação geral do ranking) leva em consideração qualidade e reputação do ensino praticado; “pesquisa” (30%) mede a relevância das pesquisas desenvolvidas; “citações” (30%) é a frequência com que trabalhos da universidade são apresentados em pesquisas ao redor do mundo; “presença na indústria” (2,5%) mede a utilização de tecnologias e ideias desenvolvidas pelas universidades nas indústrias; e “perspectiva internacional” (7,5%) leva em consideração a diversidade de alunos de diferentes origens dentro da universidade.

Educação: País avança, mas ainda está entre os piores

Educação: País avança, mas ainda está entre os piores

Brasil avança em matemática, mas segue entre os piores
Autor(es): Eduardo Vanini Lauro Neto
O Globo - 04/12/2013
 

 O Brasil foi o país que registrou, entre 65 nações, o maior avanço no desempenho de alunos de 15 anos em matemática de 2003 a 2012. E isso aconteceu ao mesmo tempo em que mais jovens pobres foram incluídos na escola, já que as taxas de matrícula nessa faixa etária cresceram de 65% parar 78%.
Toda essa melhoria, no entanto, não foi suficiente para tirar o país das últimas colocações do ranking do Pisa, exame elaborado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e que compara o desempenho de alunos (em Matemática, o país ficou em 58°). Outro dado preocupante é que, em relação a 2009, a nota de Matemática do Brasil subiu apenas cinco pontos, a avaliação de leitura piorou dois pontos e, na de ciências, permaneceu no patamar idêntico.
 Isso deixa o país mais distante da meta governamental de alcançar, até 2022, o nível de qualidade médio da OCDE.  Neste ano, o foco do Pisa foi o ensino de matemática. Entre 2000 e 2013, a média dos alunos brasileiros nessa disciplina aumentou de 334 para 391 pontos. A média da OCDE é de 494. E a distância para os deres é ainda maior.
Na província de Xangai, na China, o desempenho médio dos alunos foi de 610 pontos. A distância em pontos ente alunos de Xangai e os brasileiros de 15 anos equivale a dizer, pela escala do Pisa, que os brasileiros precisariam de mais cinco anos letivos para alcançar os chineses. O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, criticou essas comparações, uma vez que os estudantes submetidos ao exame em Xangai representam só 1,2% da população chinesa. 
O ministro também ponderou que, se for considerado o desempenho isolado da rede federal, a média dos alunos brasileiros no Pisa aumentaria de 391 para 485. Na rede particular brasileira, a média é de 462 e, na estadual, que atende a mais de  80% da população, fica em 380.  — o topo da escola pública, que são as federais, é igual à França, à Inglaterra e aos EUA — diz Mercadante.
MAIS JOVENS ESTUDANDO
De acordo com a OCDE, a melhora em matemática no Brasil se deve uma redução na proporção de estudantes de desempenho baixo (níveis 1 e 2 na escala do exame). Isso quer dizer esses alunos são capazes apenas de extrair informações relevantes de uma única fonte e usar algoritmos, fórmulas, procedimentos e convenções básicas para resolver problemas envolvendo números inteiros.
Em 2012, 67% dos alunos no país estavam nesse nível. Em 2003, eram 75%. Apenas 1,1% dos brasileiros tem rendimento de alto nível.  De acordo com a diretora-executiva do Todos pela Educação, Priscila Cruz, por trás deste quadro está o fato de o país ainda estar incluindo jovens em sua rede de ensino, diferentemente de nações que já superaram este processo.
Segundo ela, chegou a hora de o Brasil colocar em prática políticas restruturantes.  — Nos últimos dez anos, houve a entrada de 425 mil jovens de 15 anos no sistema educacional. São pessoas provenientes da  parcela da população de menor renda no Brasil e que não tiveram acesso à educação infantil.
Eles tendem a puxar a média para baixo, porque estão engrossando a parcela de pessoas com baixo nível escolar nessa faixa etária. É como se a gente tivesse jovens na média 500 e colocasse vários com a média 300. Para se ter uma ideia, se não houvesse essa inclusão, o país teria crescido mais 44 pontos nesses dez anos e subiria sete posições no ranking — diz. 
Para o economista André Portela, da Fundação Getulio Vargas, apesar da estagnação, o país melhorou significativamente o desempenho se a base de comparação for a primeira prova, em 2000. Segundo ele, os ganhos de renda da população como um todo a partir de programas sociais como Bolsa Família estão por trás da melhora do desempenho na última década. 
Já o presidente do Instituto Alfa e Beto, João Batista Oliveira, tem leitura mais pessimista dos resultados. Para ele, os avanços foram poucos e não haveria razão para crer em melhoras no futuro,  muito menos na ambição de o Brasil alcançar em 2022 os padrões de qualidade educacional dos países da OCDE de hoje: — Não temos uma reforma educacional ampla. Não se faz educação com lei,  mas com políticas educacionais.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

EXAME DA OAB REPROVA 83% DOS INSCRITOS

EXAME DA OAB REPROVA 83% DOS INSCRITOS

REPROVAÇÃO RECORDE
Autor(es): GRASIELLE CASTRO
Correio Braziliense - 16/01/2013
 

Dos 114.763 candidatos — 1.064 em Brasília —, apenas 19.134 foram aprovados à fase seguinte do teste que habilita bacharéis a exercer a advocacia.

Apenas 16,67% dos inscritos passaram na primeira fase da prova da OAB. Índice é o pior das últimas seis edições

Oito em cada 10 bacharéis em direito que fizeram a primeira fase do 9º Exame de Ordem Unificado, em 15 de dezembro, foram reprovados. O balanço da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), divulgado ontem, revela que das 114.763 pessoas que prestaram a prova, apenas 19.134 — sendo 1.064 no Distrito Federal — foram aprovadas e seguem para a segunda etapa da prova. O índice de aproveitamento é de 16,67%. O percentual é o mais baixo entre os últimos seis últimos exames aplicados. O presidente da OAB, Ophir Cavalcante, entretanto, não considerou que a média de aprovados destoa dos resultados anteriores e creditou o baixo rendimento ao nível da prova.

De acordo com Cavalcante, o esperado é que toda a avaliação siga o mesmo padrão de dificuldade, mas nem sempre o objetivo é alcançado. “A prova foi um pouco mais rigorosa, mas dentro do que estava previsto no edital e da grade curricular. Estamos buscando uma calibragem, porém, é evidente que há variações, dependendo da banca de cada exame. A primeira etapa costuma ser mais rigorosa, porque avalia conhecimentos jurídicos. Já a segunda trata mais da redação, da prática e da técnica. No primeiro momento, o resultado causa uma certa perplexidade, mas o número de aprovados não está fora da série histórica, que tem aprovado entre 15 mil e 20 mil”, ressalta.

A expectativa da OAB é que mais de 80% desses candidatos sejam aprovados na segunda etapa. Nessa fase, os alunos terão que elaborar uma peça profissional e responder a quatro questões nas áreas de opção do inscrito. Cada um pode escolher entre direito administrativo, direito civil, direito constitucional, direito empresarial, direito penal, direito do trabalho ou direito tributário e seu correspondente direito processual. Na edição anterior, ao fim da primeira etapa, 51.246 mil inscritos (44,75%) haviam sido aprovados. Na fase final, o índice caiu para 18,14%.

Debate
Ophir Cavalcante frisa que a prova é importante para a proteção do cidadão. “A Ordem é fundamental para a qualificação do profissional, mostra que ele está apto para a defesa do cidadão. Não é uma iniciativa de uma classe profissional com objetivo de reserva de mercado”, explica. No ano passado, o exame foi motivo de debate no plenário da Câmara dos Deputados. Parlamentares favoráveis à prova conseguiram barrar o pedido de urgência do projeto de lei do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) que extingue o exame. Segundo a proposta, a exigência “é absurda” e não há instrumento semelhante para outras profissões.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

A elite dos universitários

A elite dos universitários

O Estado de S. Paulo - 02/01/2013
 

À medida que aprofunda e diversifica suas coletas de dados, o IBGE faz constatações surpreendentes. Com base no último Censo Demográfico, por exemplo, o órgão apurou que, em 2010, quase 11% dos estudantes universitários do País já eram formados ou estavam fazendo um segundo curso de graduação. A maior parte desse grupo de estudantes está no Sudeste. Por ser a região mais desenvolvida do Brasil, é nela que é oferecida a maior quantidade de empregos na economia formal.
O levantamento do IBGE também revela que 30,1% dos universitários que fazem uma segunda graduação estão na faixa etária de 40 anos - ou seja, são bem mais velhos do que a média de estudantes do ensino superior e a maioria já tem uma colocação no mercado de trabalho. O levantamento do IBGE mostra ainda que 13,2% dos estudantes que estão na segunda graduação fizeram - ou fazem - a primeira graduação numa instituição pública federal ou estadual. Portanto, esse é um contingente de estudantes qualificados, uma vez que as universidades públicas estão entre as melhores do País.
O IBGE não indagou os motivos que levaram 11% dos universitários brasileiros a fazer um segundo curso de graduação. Os especialistas em pedagogia e em recursos humanos aventam três hipóteses para explicar essa decisão. A primeira seria o descontentamento com sua carreira profissional Insatisfeitos com os baixos salários ou com a área do conhecimento de sua graduação, eles voltaram à faculdade buscando se reposicionar no mercado de trabalho. "A pessoa escolheu uma carreira e não se identificou com ela", diz Jacqueline Resch, especialista em recursos humanos. "Isso mostra a inadequação do sistema universitário brasileiro, em que o aluno tem de fazer escolhas prematuras sobre profissões eventualmente dissociadas do mercado de trabalho", afirma Antonio Freitas, professor da Fundação Getúlio Vargas, criticando o que chama de "profissionalização precoce".
A segunda hipótese explica a decisão como decorrente do avanço da tecnologia e seu impacto na divisão do trabalho intelectual, rompendo a tradicional classificação dos currículos do ensino superior em três áreas básicas - ciências humanas, exatas e biomédicas. Com o desenvolvimento da ciência e da tecnologia, essas áreas se entrecruzaram. Com isso, a economia formal passou a exigir profissionais com formação interdisciplinar. "Muitos estudantes se conscientizaram da necessidade de complementar sua formação com disciplinas que não dominam. As empresas exigem cada vez mais dos funcionários e as pessoas cada vez mais trabalham em equipes interdisciplinares", afirma Jacqueline Resch.
A terceira hipótese está associada à velocidade das mudanças científicas e tecnológicas -fenômeno que os economistas chamam de "processo de destruição criadora". Na dinâmica desse processo, o que hoje é novidade científica envelhece em curto período de tempo. Desse modo, o conhecimento tende a evoluir em ritmo cada vez mais rápido - e quem se formou num curso superior há cinco ou dez anos é obrigado a voltar a estudar, para se reciclar academicamente. Caso contrário, corre o risco de ser expulso do mercado de trabalho, por não dominar as novas técnicas de gestão e produção. Em outras palavras, voltar á estudar, como descobriram os estudantes que estão fazendo uma segunda graduação, é questão de sobrevivência profissional.
O aumento da escolaridade de 11% da população de universitários é uma informação importante, que mostra a necessidade de reestruturar o ensino superior do País. A divisão dos cursos em três áreas básicas já está superada e os currículos universitários orientam-se por matrizes profissionais desconectadas com a realidade social e econômica do País. E como o mercado de trabalho exige dos profissionais uma formação cada vez mais abrangente, um diploma superior já não é mais uma garantia de ascensão profissional.
A Universidade precisa ser repensada, para dar às novas gerações uma formação mais sólida e um conhecimento técnico mais próximo da realidade do mercado de trabalho.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

MEC reprova 31% das instituições

MEC reprova 31% das instituições

MEC reprova quase um terço das instituições de ensino superior
Autor(es): André de Souza
O Globo - 07/12/2012
 
Avaliação positiva cresce; universidade pública supera particular

  Quase um terço (31%) das instituições de ensino superior brasileiras tiveram desempenho considerado insatisfatório no Índice Geral de Cursos (IGC) de 2011, o principal indicador de qualidade do Ministério da Educação (MEC). Das 1.875 instituições que receberam conceito do MEC, 577 obtiveram notas 1 ou 2, numa escala que vai até 5. Também foi apresentado o resultado de 2011 de outro índice, o Conceito Preliminar de Curso (CPC), que faz uma avaliação por curso, e não por instituição. De 6.324 cursos com conceitos divulgados, 976 (15%) tiveram notas insatisfatórias (1 ou 2).
No caso das notas de instituições, em relação a 2008, houve uma diminuição de 35% para 31% na proporção de faculdades, centros e universidades com avaliação insatisfatória e um aumento de 9% para 12% no percentual com boas avaliações (conceitos 4 ou 5). A maioria dos cursos e das instituições teve nota 3.
O IGC, indicador de instituições, é o resultado da média trienal ponderada do CPC, que avalia cursos. A avaliação do MEC leva em conta um ciclo de três anos.
Como em anos anteriores, as instituições públicas se saíram melhor que as privadas e as universidades (instituições de maior porte e com obrigação de investimento em pesquisa) têm, em média, avaliações melhores que os centros universitários (instituições com mais autonomia que faculdades, porém menos obrigações que as universidades) e faculdades.
O CPC (conceito que serve de base para o índice das instituições) é calculado a partir de três áreas: desempenho dos estudantes; infraestrutura e organização didático-pedagógica; e professores. Em 2011, os cursos avaliados foram das áreas de ciências exatas, licenciaturas e áreas afins, além dos cursos dos eixos tecnológicos.
O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, fez interpretação positiva da diminuição da proporção de cursos com conceitos insatisfatórios. Segundo ele, programas governamentais, como o Prouni e o Fies, foram decisivos para a melhora das notas.
- A avaliação é uma política pública de qualidade, com resultados muito concretos. Os instrumentos de estímulo como Prouni (bolsas para estudantes de baixa renda em instituições privadas) e Fies (de financiamento estudantil) também contribuíram decisivamente - disse o ministro.
Mercadante também afirmou que as universidades, que em geral têm notas melhores, respondem por 53,9% das matrículas no ensino superior, ou seja, mais da metade. Os centros universitários têm 13,7% do total. As faculdades, 30,9%. O Censo da Educação Superior contabilizou 6,7 milhões de alunos de graduação, em 2011.
O ministro afirmou que o MEC pretende ser rigoroso com as instituições que tiveram notas ruins. E pediu para os alunos não boicotarem o Enade, um dos componentes do índice:
- Ainda há instituições nos níveis 1 e 2. Algumas evoluíram, e outras mantiveram quadro estável, o que é inaceitável. Não é recomendável que o estudante preste vestibular para instituição nível 1. E mesmo nível 2 tem que olhar com muito cuidado, muita prudência. Não queremos que nossos estudantes estudem em níveis insuficientes.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Ao todo, MEC elimina 65 pessoas por postagem de fotos do Enem na internet

Ao todo, MEC elimina 65 pessoas por postagem de fotos do Enem na internet

Publicado em Carta CApital
Foto: Gilson Teixeira/D. A. Press
Atualizado às 21h40 de domingo 4.

No segundo dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) neste domingo 4, mais 28 candidatos que postaram imagens da prova na internet foram desclassificados pelo Ministério da Educação. Ao todo, 65 pessoas foram eliminadas por este motivo.
A postura dos candidatos eliminados foi criticada pelo ministro da Educação, Aloizio Mercadante. “É quase como se fossem pichadores eletrônicos. É o mesmo tipo de querer deixar registrado. A impressão que dá é que [os estudantes] não têm nenhum tipo de responsabilidade com a prova, como se fosse uma aparente irreverência. Mas é uma aparente irreverência que prejudica e desestabiliza e gera insegurança processual naquilo que é o destino de milhões de pessoas que estão seriamente estudando”, afirmou em coletiva de imprensa após o fim do exame.
O MEC, com a ajuda do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), monitorou as redes sociais durante os dois dias do teste para identificar vazamentos. Com isso, os estudantes que não foram flagrados durante a postagem ainda podem ser eliminados caso sejam encontradas mensagens na internet mesmo depois da realização do exame.
Segundo dados preliminares divulgados neste domingo por Mercadante, a prova teve índice de abstenção maior que a última edição. Em 2012, 27,9% dos 5,79 milhões de inscritos, ou 1,6 milhão de pessoas, não realizaram o exame.
No ano passado, 26,4% dos inscritos não compareceram, sendo que em 2010 esse nível foi de 28%.
Em 2012, os estados com maior índice de faltas nos dois dias foram Roraima, Bahia e Amazonas. Por outro lado, Piauí, Santa Catarina e Alagoas tiveram os menores níveis.

Redação

Neste domingo, os candidatos tiveram que responder a questões de português, códigos e matemática e escrever uma redação sobre O Movimento Imigratório para o Brasil no Século 21.
Este ano, uma das novidades é a nova metodologia de correção da prova de redação, que será avaliada por duas pessoas, sem que uma conheça a nota que a outra deu. De acordo com o Inep, se a diferença da nota final da redação for superior a 200 pontos, o texto será lido por um terceiro corretor.
Anteriormente, a terceira correção só ocorria quando a divergência entre as notas era superior a 300 pontos. Na hipótese de a nota do primeiro corretor ser diferente da oferecida pelo segundo em menos de 200 pontos, a nota final da redação do candidato será obtida por meio da média aritmética das duas.
Na correção da redação, segundo o Inep, cinco critérios serão considerados: domínio da língua portuguesa; compreensão do tema proposto; capacidade de selecionar e organizar ideias; conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação; e elaboração de proposta para o problema abordado.
Pelas regras do Enem, o estudante terá nota zero na redação se fugir ao tema proposto; apresentar estrutura textual que não seja a do tipo dissertativo-argumentativo; entregar folha em branco, com sete linhas ou menos; copiar os textos motivadores; e reproduzir impropérios, desenhos ou palavras de desrespeito aos direitos humanos.

Nascimento 

Uma adolescente de 17 anos que faria o Enem em uma escola em Sidrolândia (MS) deu à luz a um menino no banheiro do local. Ambos passam bem e o MEC informou que a estudante poderá realizar a prova nos dias 4 e 5 de dezembro, quando presidiários inscritos farão o teste.

Com informações Agência Brasil.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

DESAFIOS BRASILEIROS: POR TRÁS DO SUCESSO, A EDUCAÇÃO

DESAFIOS BRASILEIROS: POR TRÁS DO SUCESSO, A EDUCAÇÃO

POR TRÁS DO SUCESSO, UMA BOA ESCOLA
Autor(es): Monica Imbuzeiro
O Globo - 22/10/2012
 

"Nem nem": País avançou em escolaridade no ciclo básico, mas ainda tem 5,3 milhões de jovens que não estudam, não trabalham nem buscam emprego. Empresas investem na profissionalização
Formação. Curso de Administração da Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio. Segundo pesquisa do IBGE, um trabalhador com diploma de curso superior ganha quase três vezes mais do que aquele que só concluiu o ensino médio

Nos últimos anos, o Brasil praticamente conseguiu que a totalidade das crianças entre 6 e 14 anos esteja matriculada na escola, mas o país ainda está longe de formar profissionais, de nível técnico ou superior, em número suficiente para atender ao mercado de trabalho, como mostra este segundo caderno do projeto "Desafios Brasileiros", uma parceria entre O GLOBO e "O Estado de S. Paulo". A publicação, simultânea nos dois jornais, alcança 2,5 milhões de leitores.
Mesmo quem consegue concluir os estudos e obter o seu diploma, nem sempre está dentro dos padrões que as empresas precisam para acompanhar um mundo que se transforma muito rapidamente. Não é à toa que grandes empresas investem cada vez mais no aperfeiçoamento de seu pessoal. Instituições ligadas ao terceiro setor, não governamental, também estão agindo em várias frentes porque sabem que só o Estado não dá conta do recado. Se quiser crescer, o Brasil precisa de gente qualificada.
Para quem estuda, a recompensa é inequívoca: dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, mostram que o trabalhador com diploma universitário chega a receber 167% mais do que aquele que concluiu o ensino médio. Mas a diferença já foi de 192%. O prêmio é ainda maior à medida que avança a formação mais qualificada. Um grau de mestrado ou doutorado garante salário 426% acima de quem só tem o ensino médio.
Melhorar o desempenho desde os primeiros anos da educação básica é tarefa árdua. E garantir uma boa escola para os jovens também. Segundo o IBGE, há 5,3 milhões de jovens de 18 a 25 anos longe dos bancos escolares e que também não trabalham nem buscam uma colocação no mercado. Desalento? Gravidez precoce? Tentações do mundo do crime? As justificativas podem ser muitas. As urgências, idem.
Num país que precisa formar 150 mil engenheiros e aumentar o número de médicos, é preciso fazer as crianças aprenderem e gostarem da matemática, das ciências, além de dominar uma boa linguagem.
A série "Desafios Brasileiros" continua no dia 5 de novembro, com o caderno "Energia e Economia Verde".

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Comissão da Câmara aprova 10% do PIB para educação

Comissão da Câmara aprova 10% do PIB para educação


A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou na terça-feira 16 a redação final da Plano Nacional de Educação (PNE). Com isso, a matéria segue para o Senado. O PNE prevê investimento de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) em educação até 2023. O percentual provocou debate entre vários setores porque o Executivo desejava que índice fosse 8% do PIB.
“Esta é mais uma vitória da educação. Esperamos que o Senado mantenha os 10% do PIB para educação aprovados pela Câmara”, disse o presidente da Comissão de Educação da Câmara, Nilton Lima (PT-SP).

O PNE estabelece 20 metas educacionais que o país deverá atingir no prazo de dez anos. A principal delas, alvo de muita polêmica durante a longa tramitação do projeto, é a que estabelece um patamar mínimo de investimento em educação – atualmente o Brasil aplica 5,1% do PIB na área. O último plano esteve em vigência entre 2001 e 2010.

Com informações da Agência Brasil

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Educação: Para apagar o incêncio

Para apagar o incêndio

Publicado em Carta Capital
27/08/2010

Por Rodrigo Martins e Tory Oliveira

As escolas da rede pública tiraram nota 3,4 no Ideb de 2011, o mesmo índice de dois anos atrás. Foto: Gilson Teixeira/D. A. Press

Após a divulgação dos vexatórios resultados do ensino médio na última edição do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), o Ministério da Educação planeja uma ampla modernização do currículo, com a integração das diversas disciplinas em grandes áreas do conhecimento. Na terça-feira 21, o ministro Aloizio Mercadante reuniu-se com os secretários estaduais da área e propôs a criação de um grupo de trabalho para estudar a proposta, inspirada no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que organiza as matrizes curriculares em quatro grupos: linguagens, matemática, ciências humanas e da natureza e suas tecnologias.
“Hoje, o ensino médio tem uma estrutura curricular enciclopédica. São, no mínimo, 13 disciplinas obrigatórias, que podem chegar a 20 se incluirmos as optativas. Com apenas quatro horas de aula por dia é muito difícil para o aluno integrar esse conteúdo, sistematizar essas informações”, afirma o ministro Mercadante em entrevista a CartaCapital. “O ideal seria que todas as escolas funcionassem em período integral, como ocorre nos países desenvolvidos. Queremos trilhar esse caminho, mas o currículo também deve ser repensado.”
A situação realmente exige uma intervenção drástica. Com escala de 0 a 10, o Ideb considera o desempenho dos alunos em português e matemática, além da taxa de aprovação dos estudantes. Divulgada a cada dois anos, a nota das escolas da rede pública de ensino médio ficou estagnada em 3,4 em 2011. Ainda que esteja dentro da meta, o índice permanece o mesmo de 2009. Pior: dos 27 estados da Federação, 11 não alcançaram as notas propostas para o ano passado no ensino médio como um todo, público e particular. Em alguns deles houve retrocesso, como Alagoas (que caiu de 3,1 para 2,9), Espírito Santo (3,8 para 3,6) e Rio Grande do Sul (3,9 para 3,7).
É verdade que a qualidade do ensino não é o único desafio. O Brasil nem sequer conseguiu universalizar o acesso a essa etapa da educação. Dos mais de 10,5 milhões de jovens de 15 a 17 anos, pouco mais da metade (5,4 milhões) cursa o ensino médio. Existem ao menos 3,9 milhões de estudantes dessa faixa etária no ensino fundamental, portanto, defasados nos estudos. Outros 978 mil estão fora da escola, dos quais 166,8 mil são analfabetos. Mas o esforço para atender à demanda, que continuará crescente ao menos até 2020, conforme as projeções do IBGE, não pode inviabilizar as iniciativas para melhorar a aprendizagem.

Tempo. Mercadante quer aumentar a permanência dos estudantes em sala de aula. Foto: Dida Sampaio/AE

A proposta de reorganização curricular não é nova. Em 2011, o Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou diretrizes curriculares do ensino médio que propõem uma flexibilização do formato atual. “Não se trata de reduzir o número de disciplinas ou conteúdos que os alunos vão aprender. Ao contrário, a ideia é aprofundar componentes curriculares de forma integrada”, explica o secretário nacional de Educação Básica, César Callegari.
Para exemplificar, Callegari cita a estrutura do Enem, que exige dos alunos uma abordagem multidisciplinar para a resolução dos problemas propostos. Uma questão de química, por exemplo, pode exigir o uso de ferramentas da matemática ou conceitos de física. “O Enem é um instrumento de avaliação, mas propõe uma estrutura de relacionamento dos conteúdos. Hoje, 86% dos alunos estão na rede estadual e 12% na privada. Mas o MEC pode induzir e apoiar financeiramente as redes de ensino dispostas a adotar um currículo mais flexível.”
Na teoria, a proposta parece boa. O problema é a difícil adequação à realidade da maioria das escolas. “Não adianta mudar a organização do currículo sem capacitar o professor. Temos 2 milhões de professores da educação básica em atividade que precisam se adaptar a esta nova concepção”, afirma Edson Melo, diretor do Departamento de Políticas Educacionais do Amazonas. Penúltimo colocado no ranking do Ideb em 2005, com nota 2,3, o estado avançou para a nona colocação do ranking nacional com a nota 3,4 no ano passado, antecipando a meta de 2015. “Não é apenas um fator que explica esse salto de qualidade, mas um dos principais foi a capacitação de professores e gestores escolares. O problema essencial é esse, não o currículo.”

Professor da Faculdade de Educação da USP, Nilson Machado acredita que uma mudança curricular será inócua, ou mesmo prejudicial. “Se colocar um professor de física para dar uma aula de química ou biologia, ele dará aula de física. Dificilmente vai se abrir para outras disciplinas.” Para resolver os múltiplos problemas do ensino médio, avalia Machado, seria preciso mudar a organização da escola, dividindo o espaço reservado para a aula com outras atividades capazes de integrar os conteúdos. “Não adianta fundir as disciplinas por decreto.”
O ensino médio, destacam especialistas, sofre há tempos de uma crise de identidade. A começar pela sua função: formar cidadãos, promover a iniciação no mundo do trabalho ou meramente preparar estudantes para a faculdade? Outros problemas são históricos. Segundo Luís Carlos de Menezes, professor do Instituto de Física da USP e ex-coordenador da área de Ciências da Natureza e Matemática dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), a fragmentação disciplinar é uma herança da divisão existente no ensino superior. “A academia está atrasada, forma professores que repetem em sala de aula o formato aprendido na graduação.”

Exemplo. Em Pernambuco, as escolas em tempo integral tiveram desempenho bem melhor. Foto: Ademar Filho

Menezes avalia, porém, que a mudança poderia ter o efeito benéfico de fixar o docente na mesma escola. Hoje, um professor de física, por exemplo, tem de se dividir entre várias unidades de ensino para cumprir sua carga horária. A proposta amplia ainda o debate sobre o ensino médio, que tem sido relegado a segundo plano. “A proposta do MEC cria uma tensão boa, necessária, mas essa tensão não se resolve por si só.”
Os governos têm dado mais ênfase ao ensino fundamental que ao médio, até porque os problemas de aprendizagem nos anos iniciais de formação acabam por comprometer o desempenho do aluno por toda a vida escolar. Prova disso é a diferença do investimento por aluno nas diferentes etapas do ensino. Se até 2000 o gasto per capita com estudantes da educação básica era bastante similar, em 2010 a diferença tornou-se significativa. O poder público investe, em média, 3.905 reais para cada estudante do 5º ao 9º ano do fundamental, e apenas 2.960 reais num aluno do ensino médio. A evolução das notas do Ideb parece ter seguido essa lógica.
Enquanto o Ministério da Educação propõe a substituição da Prova Brasil pelo Enem para o cálculo do Ideb no ensino médio, alguns especialistas como Dermeval Saviani, professor aposentado da Unicamp, criticam a excessiva influência das avaliações nas políticas públicas. “Hoje, todos os níveis de ensino estão voltados para avaliações. Provinha Brasil, Prova Brasil, Enem, Enade. As escolas estão se organizando para obter pontos nos exames, e não para formar as crianças e jovens”, afirma. “Diversos municípios dispensam os livros didáticos do MEC, distribuídos gratuitamente e avaliados por comissões de nível superior, e gastam recursos para comprar pacotes dos chamados sistemas de ensino particulares. Na avaliação das prefeituras, os pacotes permitem que as escolas aumentem 1 pontinho no Ideb. E os livros do MEC não treinam para os testes.”
Mercadante afirma que o ensino médio só terá um salto de qualidade quando aumentar o tempo de permanência dos alunos em sala de aula. Pernambuco, por exemplo, criou as chamadas “escolas de referência”, com ensino regular e profissionalizante em período integral ou semi-integral. Dos 350 mil alunos do ensino médio, 110 mil estudam das 7h30 da manhã às 5 da tarde. Os resultados são interessantes. Enquanto a média das escolas comuns ficou em 3 pontos no Ideb, aquela das unidades de referência chegou a 4,6. “Os países que tiveram um salto de qualidade adotaram o ensino integral. Esse é o caminho, mas custa caro”, afirma o secretário de Educação pernambucano, Anderson Gomes.
As escolas da rede federal funcionam dessa forma, mas representam 1% do universo do ensino médio. E a maioria das instituições da rede estadual, principal responsável pela última etapa da educação básica, oferece apenas quatro horas diárias de aulas. “Pelo programa Ensino Médio Inovador, temos 2 mil escolas que ampliaram a jornada para cinco horas neste ano. Não é tempo integral, mas é um avanço”, diz o ministro.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Governo não altera proposta para professores universitários e enviará projeto ao Congresso

Governo não altera proposta para professores universitários e enviará projeto ao Congresso

01/08/2012
Wellton Máximo
Repórter da Agência Brasil

Sem ceder às pressões dos professores das universidades e dos institutos federais, o governo enviará ao Congresso Nacional a proposta de reajuste salarial e de reestruturação do plano de carreira apresentada na semana passada. O anúncio ocorreu hoje (1º) à noite depois de quase três horas de reunião no Ministério do Planejamento e representantes das entidades da categoria, em greve há 77 dias.
Das quatro entidades que representam os docentes federais de ensino superior, três se recusaram a firmar acordo com o governo. Apenas a Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes) aceitou a proposta, que prevê reajustes de 25% a 40% e diminuição do número de níveis de carreira de 17 para 13.
Imagem: Agência Brasil
Amanhã (2), o Proifes assinará o acordo com o governo que ratifica o fim das negociações. O governo não pretende atender a reivindicações adicionais. “Chegamos ao limite do que achávamos possível. Os ajustes já ocorreram ao longo das discussões. A proposta é boa, adequada e tem impacto de R$ 4,2 bilhões no Orçamento”, declarou o secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça.
O secretário de Ensino Superior do Ministério da Educação, Amaro Lins, disse acreditar que, a partir da próxima semana, as universidades federais começarão a retomar as atividades. No entanto, as três entidades que se recusaram a ratificar o acordo pretendem continuar com a greve.
“Infelizmente, governo escolheu um lado para assinar o acordo. Vamos continuar firmes na greve e vamos intensificar a luta porque a indignação da categoria vai crescer muito”, destacou a presidenta do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), Marinalva Oliveira. Segundo ela, o governo se recusou a negociar outras reivindicações da categoria, como a remoção de barreiras para a progressão no plano de carreira e a melhoria das condições de trabalho.
O coordenador-geral do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe), Gutemberg de Almeida, também criticou o que considera intransigência do governo. “Ao anunciar que vai assinar um acordo com uma entidade que não representa a maioria dos docentes, o governo ignora a categoria. Não compactuamos com esse tipo de postura, que contraria uma promessa de campanha do governo Dilma, que é a valorização da educação”.
Além do Andes-SN e do Sinasefe, a Confederação Nacional dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef) rejeitou a proposta. O presidente do Proifes, Eduardo Rolim de Oliveira, rechaçou as alegações de que a entidade não representa os docentes de nível superior. Segundo ele, a federação participou da assinatura de dois acordos, em 2007 e no ano passado. “O acordo de 2007 foi o melhor que os professores tiveram até hoje”.
De acordo com Oliveira, os professores conseguiram alcançar conquistas significantes com a greve, como o reajuste mínimo de 25% e a diminuição dos níveis de carreira. Ele apresentou uma pesquisa do Proifes com 5,2 mil professores de 43 universidades e institutos federais na qual 74,3% dos entrevistados responderam favoravelmente à proposta
 

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Os brasileiros que não estudam

Especial: Os brasileiros que não estudam

Brasil ainda tem 1 milhão sem escola
Autor(es): agência o globo:Carla Rocha Antônio Gois
O Globo - 30/07/2012
 
Dados do IBGE revelam excluídos educacionais até em estados ricos

São apenas cinco letras, mas rabiscá-las é um tremendo desafio. Com um caderno sobre as pernas, Mário, de 11 anos, quase desenha seu nome, a única palavra que sabe escrever, manuseando o lápis sem intimidade. O nome é fictício, a história, real. A deslumbrante paisagem que se vê da casa do menino, que só entrou para a escola há cerca de um mês, revela um problema que ainda persiste mesmo nos estados mais ricos. O franzino Mário vive seu drama particular no Morro do Vidigal, em São Conrado, debruçado sobre os bairros de maior renda do Rio.
Os números do Censo do IBGE mostram que, apesar de o problema ser mais grave nas regiões Norte e Nordeste, nenhum estado conseguiu até hoje incluir todas as crianças de 6 a 14 anos na escola. Esta população de não estudantes representa 3% do total da faixa etária. Pode parecer um percentual pequeno, mas é grave quando se considera que é quase um milhão de crianças que ainda não têm garantido um de seus direitos mais básicos, previsto pela Constituição de 1988: estudar. Se a esse grupo forem incorporados as crianças de 4 e 5 anos e os jovens de 15 a 17 (que passam a fazer parte da faixa etária de escolaridade obrigatória a partir de 2016), o número aumenta para 3,8 milhões, ou 8% do total.
Tabulações feitas pelo GLOBO nos microdados do Censo mostram que o problema é maior entre os mais pobres e crianças com algum tipo de deficiência. Os números também revelam que a maioria (62%) das crianças que não estudam dos 6 aos 14 chegou um dia a frequentar a escola, mas abandonou os estudos. O problema é ainda mais grave se consideradas as faixas etárias de 4 e 5 anos e de 15 a 17, que desde 2009 passaram a ser também obrigatórias, mas com prazo para adequação dos sistemas até 2016.
As razões mais citadas por especialistas para isso são falta de interesse, repetência, gravidez precoce e necessidade de trabalhar.
Mas há situações difíceis de entender. Como a de Mário (nome fictício). No Morro do Vidigal, há uma creche municipal e uma escola, a poucos metros da casa dele. Tímido, ele é um menino saudável, apto a aprender e que não esconde de ninguém que queria muito, muito estudar.
- Agora eu estou feliz - sorri e mais não diz o menino, que não conhece sequer o "i", uma das vogais de seu nome (o verdadeiro também tem a letra). Ele revela apenas o que pretende fazer com os conhecimentos que começa a adquirir com seu primeiro professor. - Quero ler jornal e gibi.
Ex-representante da Unesco no Brasil e doutor em Educação pela Universidade de Stanford, o assessor internacional para a área de educação, Jorge Werthein, diz que o primeiro passo, nada fácil, é identificar essas crianças e adolescentes.
- O Brasil é um país de contrastes. Há estados importantes com uma grande periferia urbana e muitas desigualdades econômicas. Há estados com uma área rural significativa que sofrem com a falta de escolas. Num país continental, é uma tarefa árdua chegar a essas crianças e adolescentes por estado, por capital, por região metropolitana. Mas é preciso achá-los e depois convencê-los a ingressar ou a voltar para a escola - diz.
- Depois, nós temos que repensar a escola para que ela seja um espaço não apenas prazeroso, mas em que os alunos sintam que estão aprendendo. Uma escola ruim em qualquer lugar do mundo expulsa os alunos, com repetências e abandono. Deixa para eles a mensagem de que não são capazes, o que marca de forma brutal meninos e meninas - completa Werthein.
- Houve uma evolução inegável nos últimos dez anos. Mas ainda há muita criança fora da escola, situação agravada pelas desigualdades. Entre 4 e 5 anos, há 83% estudando no Sudeste, o que ainda é ruim, mas pior é haver só 69% dentro de sala de aula no Norte - afirma Andrea Bergamaschi, do movimento Todos pela Educação. - Para reverter este quadro, precisamos de políticas públicas cirúrgicas, específicas para cada situação.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Reprovação no ensino médio aumenta

Reprovação no ensino médio aumenta

Rio tem 2 maior taxa de reprovação do país
Autor(es): agência o globo:Demetrio Weber
O Globo - 16/05/2012
 

No ensino médio fluminense, índice foi de 18,5% em 2011; Brasil teve pior desempenho desde 1999, com 13,1%
BRASÍLIA E RIO. A taxa de reprovação no ensino médio brasileiro voltou a subir no ano passado e bateu recorde, atingindo 13,1% na média nacional. Trata-se do mais alto índice já registrado pelo menos desde 1999, primeiro ano disponível para consulta, na internet, no portal do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão do Ministério da Educação. Em situação bem pior do que a média do país, o Rio teve uma ligeira melhora, mas manteve a posição de segundo estado com maior taxa de reprovados do ensino médio em 2011: 18,5%. Em 2010, a taxa fluminense era de 18,9%.
Os mais recentes indicadores de reprovação foram divulgados anteontem pelo Inep, sem alarde. Eles levam em conta o desempenho de estudantes da rede pública e privada. Conforme dados já divulgados pelo Inep, a taxa mais alta de reprovação no país era a de 2007, quando 13% dos alunos de ensino médio não passaram de ano. Nos últimos anos, essa taxa tem oscilado para cima e para baixo. Em 2010, ficou em 12,5%.
No Brasil, 9,6% abandonam ensino médio
Se forem consideradas apenas as escolas públicas, o quadro é ainda mais grave. No Rio, por exemplo, o índice de reprovação em estabelecimentos públicos alcançou 20,1%. No Brasil, não é diferente. A taxa global de reprovação, incluindo colégios públicos e privados, foi de 13,1% em 2011. Já o índice da rede pública, que era de 13,4% em 2010, subiu para 14,1% no ano seguinte. A reprovação nas escolas particulares brasileiras ficou na casa de um dígito no ano passado: 6,1%. Menor do que a observada na rede privada do Rio, onde o índice foi de 9,9%.
O único estado com taxa de reprovação maior do que a fluminense foi o Rio Grande do Sul, com 20,7%. No extremo oposto, o Amazonas aparece com 6%, a mais baixa do país. A taxa de reprovação aponta o percentual de estudantes que, no fim do ano letivo, não obtém nota suficiente para passar de ano. Existe ainda um outro grupo de alunos que também figura nas estatísticas de matrícula, mas não consegue avançar: são os jovens que abandonam a escola. Em 2011, no país, 9,6% largaram os estudos. Em 2010, essa taxa tinha sido maior: 10,3%.
A soma de reprovação e abandono gera um número assombrador, isto é, a quantidade de alunos que aparecem nas estatísticas de matrículas, mas não conseguem avançar. Em 2011, nada menos do que 22,7% dos jovens do ensino médio ficaram nessa situação. Dito de outra forma, a taxa de aprovação, portanto, foi de 77,3% no ensino médio, em 2011.
No Rio, a taxa de aprovação no ensino médio foi menor: 71,4%. Dentre os estudantes fluminenses, 10,1% abandonaram a escola e 18,5% foram reprovados, totalizando 28,6%. No ranking nacional, o estado aparece em 23 lugar em aprovação, na frente apenas de Rio Grande do Sul, Pará, Mato Grosso e Alagoas. O melhor desempenho foi de Santa Catarina, com 84,5%.
Passando por um momento de reestruturação, a rede estadual do Rio, que concentra a maior parte das matrículas de ensino médio, tenta lutar contra os fantasmas da repetência e do abandono. Aluno do Colégio Estadual Olavo Bilac, em São Cristóvão, Jemerson Valente, de 20 anos, conta que desde os 14 teve que conciliar a rotina de estudos com a de trabalho, numa padaria perto de casa. Ele repetiu a 1 série do ensino médio nada menos do que cinco vezes. Mas este ano se prepara para se formar, através de um projeto de aceleração de estudos, parceria da Secretaria de Educação com a Fundação Roberto Marinho.
- Meu sonho é cursar gastronomia - afirma ele.
Também aluna do Olavo Bilac, Érica Lino, de 18 anos, passou por várias repetências no ensino fundamental, mas também encontrou no processo de aceleração escolar um caminho.
- Quero ser modelo, mas sei que preciso completar o ensino médio - diz a jovem, com altura e peso dignos de passarela.
No ensino fundamental, ocorreu movimento inverso ao do ensino médio. A taxa de reprovação no Brasil caiu de 10,3% para 9,6%, entre 2010 e 2011. O índice de abandono também diminuiu de 3,1% para 2,8%, no mesmo período. No Rio, o índice de reprovados teve diminuição de 15% para 13,1%, entre 2010 e 2011. Com isso, o Rio passou a ser o nono estado com taxa mais alta de reprovação no fundamental. Em 2010, tinha o quinto maior índice do país. Sergipe tem a maior taxa, com 19,5% de reprovação no ano passado. Já Mato Grosso, a menor, com 3,6%. A taxa de abandono no Rio caiu de 2,6% para 2,1%.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

crise na Educação brasileira

crise na Educação brasileira

Autor(es): agência o globo:Luiz Martins
O Globo - 09/05/2012
 

Dados do Censo de 2010 divulgados recentemente pelo IBGE confirmam que o país da sexta economia mundial ainda é uma nação de extremos em seus indicadores sociais. É fora de dúvida que o Brasil vem crescendo numa curva estimulante, superando ou, ao menos, enfrentando crônicas demandas. São contenciosos agravados por conta de décadas de renitente inapetência, por parte de sua elite, de adotar programas capazes de, se não promover integralmente, mas no mínimo abrir caminhos para as faixas de poder aquisitivo mais baixo, crescerem no contexto de uma distribuição de renda mais justa. Isso é fato, e não se tirem os méritos das políticas sociais empregadas pelos últimos governos.
Mas, em alguns setores, essenciais para o desenvolvimento social, econômico e cultural do país, o avanço tem sido tímido. Retrato pronto e acabado dessa Belíndia está na Educação. Ao mesmo tempo em que, no topo da pirâmide, dobrou, de 4% para 8%, a proporção de brasileiros que se formaram em universidades desde o recenseamento de 2000, o que é louvável, o Brasil mantém quase a metade da população (45%) sem o ensino fundamental completo. Está certo que, há dez anos, esse percentual era de 60%, o que indica um avanço - mas muito tímido para uma nação que almeja alcançar um lugar de destaque no cenário internacional.
Neste aspecto, há desafios enormes a serem superados. Dificuldades como desigualdades regionais formam uma barreira considerável para o acesso da população de mais baixa renda à Educação. Mas não se trata de fator determinista - ou seja, se o caminho para a dignidade pelo ensino é árduo, que sejam potencializados os esforços para que ele seja trilhado.
Nunca é demais nos voltarmos para o exemplo clássico do dínamo que as escolas representam para o crescimento de um país: nos anos 40, o Japão saiu arrasado de seus erros na Segunda Guerra para se tornar uma potência graças a uma política educacional que esteve na base de todos os passos dados por aquela nação no sentido da superação e da autodeterminação.
No entanto, o Brasil ainda parece hesitar em apostar suas fichas na Educação. E nem se pode atribuir exclusivamente às desigualdades regionais a ainda vergonhosa performance do país no que diz respeito a oportunidades de acesso à escola. O pressuposto das distinções se aplica corretamente a estados que, historicamente, apresentam indicadores educacionais sofríveis, como Alagoas (60% da população sem o diploma do ensino fundamental), Piauí (58%) e Paraíba (57%). Mas entes onde as estatísticas sociais (economia, rede escolar, renda per capita etc.) são mais generosas também se desenvolvem timidamente nessa rubrica. No Rio, por exemplo, é injustificável que 36% de sua população não tenham o fundamental completo.
Uma boa pista para se começar a buscar, de fato, saídas para este triste quadro é estudar o perfil da rede pública de ensino no país. É nesse universo que se tem a gênese do processo de aquisição da educação básica dos brasileiros - excetuados, obviamente, aqueles privilegiados cujas famílias podem investir na formação em escolas privadas, de excelência, mas totalmente fora dos padrões orçamentários da absoluta maioria da população. Apenas para citar um dado, em 2009 um levantamento do Ministério da Educação apontava que, entre mil escolas com as piores notas no Enem, 965 eram estaduais. Um sinal tão alarmante quanto inequívoco de que algo vai mal, muito mal na base da Educação brasileira.
LUIZ MARTINS é deputado estadual (PDT/RJ) e integrante da Comissão de Educação na Assembleia do Rio.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Educação tem papel estratégico e precisa ser garantida a todos, diz presidenta

Educação tem papel estratégico e precisa ser garantida a todos, diz presidenta

26/03/2012 


Paula Laboissière
Repórter da Agência Brasil

Ao comentar o lançamento do Programa Nacional de Educação no Campo (Pronacampo) na semana passada, a presidenta Dilma Rousseff disse hoje (26) que a educação tem papel estratégico e tranformador para o país e que precisa ser garantida a todos.
No programa semanal Café com a Presidenta, ela lembrou que serão investidos R$ 1,8 bilhão por ano para melhorar a educação no campo – beneficiando, sobretudo, pequenos agricultores, produtores da agricultura familiar, assentados da reforma agrária e comunidades quilombolas.
“As ações do Pronacampo vão desde a melhoria da infraestrutura nas escolas à formação dos professores. Trinta mil escolas vão receber recursos para manutenção e reformas e outras 3 mil escolas serão construídas até 2014. Vamos também formar professores e oferecer cursos profissionalizantes aos nossos jovens e trabalhadores rurais”, explicou.
Para Dilma, o projeto é audacioso, já que quase 30 milhões de brasileiros sobrevivem da agricultura atualmente. Segundo ela, a ideia do governo é que essas pessoas possam estudar e ter uma profissão sem precisar deixar o campo.
“Uma das nossas ações será oferecer material didático com conteúdo diferenciado para as escolas rurais. A partir do ano que vem, os temas dos livros didáticos dessas escolas estarão relacionados com a realidade das pessoas que vivem no campo e também das comunidades quilombolas, valorizando os saberes da terra e o conhecimento de quem vive na área rural”, completou.
Ainda de acordo com a presidenta, serão entregues mais de 8 mil ônibus e 2 mil lanchas para auxiliar no transporte escolar, além de 180 mil bicicletas. Ela ressaltou que a distância entre as escolas rurais e a casa dos trabalhadores pode ser grande e que, nesses locais, não há transporte coletivo acessível como nas cidades.
Trabalhadores rurais também poderão participar do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) – serão 180 mil vagas esclusivas para o campo em cursos como agroecologia, fruticultura, zootecnia, piscicultura e apicultura.
Edição: Graça Adjuto