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quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

PIB fraco eleva risco de o país ser rebaixado

PIB fraco eleva risco de o país ser rebaixado

PIB fraco aumenta o risco de rebaixamento
Autor(es): DECO BANCILLON
Correio Braziliense - 03/12/2013
 
Valor da produção econômica do país no terceiro trimestre caiu até 0,3%. Dado oficial sai hoje e IBGE vai rever número do ano passado. Poucos acreditam em melhora significativa entre outubro e dezembro. Indústria está estagnada e dólar sobe

A economia brasileira pode ter encolhido até 0,3% no terceiro trimestre do ano, em relação ao período imediatamente anterior. Nove entre 10 analistas apostam que o valor das riquezas produzidas por empresas, famílias e pelo governo diminuiu, como resultado de políticas oficiais que fracassaram na missão de estimular o desenvolvimento do país. Alguns poucos acreditam em estabilidade, ou seja, em crescimento zero no período. “A única divergência em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), dentro ou fora do governo, é sobre o tamanho da queda”, resumiu o economista Mansueto Almeida, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O resultado, calculado pelo IBGE, será comunicado hoje, por volta das 7h, à presidente Dilma Rousseff. Duas horas mais tarde, os dados oficiais serão divulgados para o restante do país. 

Apesar da expectativa ruim, o governo deverá comemorar a revisão dos dados relativos a 2012. Conforme Dilma antecipou há um semana, em entrevista ao jornal espanhol El País, o IBGE deverá esclarecer que o crescimento foi de 1,5%, e não de 0,9%, conforme havia informado antes. Mesmo significativamente maior, o novo número ainda traz desconforto à equipe econômica. No ano passado, quando um banco suíço previu que esse seria o desempenho da economia brasileira, a estimativa foi tachada como “piada” pelo ministro da Fazenda.

O mercado vê a revisão dos dados com ceticismo. A presidente no Brasil da agência de classificação de risco Standard & Poor’s, Regina Nunes, disse que a confiança do investidor não vai melhorar, porque a imagem do país está desgatada por problemas fiscais, inflação elevada e falta de transparência. “Quando você começa a discutir o passado para tentar cumprir as metas de hoje, isso é um problema”, disse. A S&P mantém a nota do Brasil em BBB (grau de investimento), mas com perspectiva negativa.

Ao olhar para a frente, a situação é ainda mais preocupante. Em outubro, o faturamento do setor industrial recuou 1,2%, conforme informou a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em novembro, não foi somente esse indicador que veio fraco, mas toda a atividade fabril. Também divulgado ontem, o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) apontou recuo na passagem de outubro para novembro, de 50,2 para 49,7. “Os dados destacaram mais uma contração nos pedidos (de encomendas) na indústria brasileira”, assinalou o responsável pela pesquisa, o economista-chefe para o Brasil do banco inglês HSBC, André Lóes.

Parte desse mau resultado se deve ao desempenho frustrante de um dos setores que mais receberam a ajuda do governo, o de automóveis. Movido a desonerações do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o mercado de carros começa a apresentar desaceleração. Dados preliminares mostram que as vendas de veículos novos recuaram 8,25% em novembro frente ao mês anterior. O resultado fez os analistas revisarem as projeções para 2013. Agora, eles preveem queda nos emplacamentos, algo que não acontece há mais de 10 anos.

Moeda dos EUA
Em meio a esse turbilhão de más notícias, o dólar volta a preocupar. Mesmo com o Banco Central (BC) despejando todos os dias milhões de dólares no mercado, numa tentativa de estimular a queda nas cotações, a moeda norte-americana fechou ontem a R$ 2,355 para a venda, o maior patamar já registrado em quase três meses. A divisa mais cara indica que as importações — inclusive de máquinas e equipamentos, essenciais para turbinar o investimento — ficarão mais onerosas, jogando mais lenha na inflação, já pressionada pelo aumento da gasolina e do diesel. 


» Balança: pior 
   saldo em 13 anos


A balança comercial registrou deficit de US$ 89 milhões de janeiro a novembro deste ano, o pior resultado para este período desde 2000, quando a diferença entre importações e exportações ficou negativa em US$ 519 milhões. O desempenho deste ano foi bem diferente do verificado no mesmo período de 2012, quando o país teve saldo positivo de US$ 17,1 bilhões. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), a média das exportações caiu 1,2%, enquanto as importações cresceram 7,1%. O resultado teria sido ainda pior se não fosse a “exportação” de seis plataformas de petróleo, no valor de US$ 6,6 bilhões, que nunca saíram do Brasil. Elas foram compradas por subsidiárias estrangeiras, mas ficaram no país. Em novembro, houve duas operações desse tipo, no valor de US$ 1,8 bilhão, o que permitiu à balança mostrar superavit de US$ 1,74 bilhão, o melhor desempenho, para o mês, desde 2007.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Marcha a ré: PIB encolheu no trimestre, diz BC

Marcha a ré: PIB encolheu no trimestre, diz BC

Trimestre negativo
Autor(es): Gabriela Valente Clarice Spitz
O Globo - 15/11/2013
 
BC estima queda de 0,12% no PIB de julho a setembro. Se IBGE confirmar, será o 1° recuo desde 2011

 Com desempenho ruim dos investimentos e baixa confiança do empresariado, a economia brasileira encolheu 0,12% no terceiro trimestre pelas contas do Banco Central (BC). Segundo o Índice de Atividade Econômica da autarquia (IBC-Br), divulgado ontem, nem mesmo o crescimento contínuo das vendas do comércio foi suficiente para fazer o país crescer de julho a setembro. A previsão de analistas era de estabilidade, ou seja, crescimento zero nesse período.
Se o chamado “PIB do BC” for confirmado pelo IBGE (responsável pela medição do PIB oficial do país), será o primeiro resultado negativo desde o terceiro trimestre de 2011, quando a taxa ficou em -0,1%. Os economistas apostam numa clássica melhora de fim do ano, mas o otimismo não avança para 2014. Os motivos são vários : alta dos juros, indústria instável, acomodação do emprego e da renda, perda de confiança de consumidores e empresários e inadimplência alta.
Também frustrou expectativas o desempenho da atividade econômica no mês de setembro, com retração de 0,01% — mais leve que o recuo trimestral, mas ainda no terreno negativo, apesar do bom resultado no comércio. Os analistas esperavam que o indicador mensal ficasse no terreno positivo, mesmo que em um patamar baixo.
Segundo o economista Rafael Bacciotti, da consultoria Tendências, o PIB do terceiro trimestre deverá ser marcado pelo baixo desempenho de investimentos, pelo lado da demanda; e por uma indústria e agropecuária mais fracas, pela ótica da oferta. Bacciotti prevê queda de 0,3% em relação ao segundo trimestre. E um recuo de 1,3% na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, que indica o volume de investimentos), o que, se confirmado, interromperá uma sequência de três altas consecutivas. A indústria deverá ter uma retração de 1,2%.
O PIB deste ano, projeta Bacciotti, deverá ficar em 2,4%.— O comportamento da indústria vai ser a principal contribuição negativa para o terceiro trimestre, principalmente a de transformação. Mesmo os dados de serviços, impulsionados pelas vendas do varejo, não serão suficientes para evitar o terreno negativo da economia. O que está por trás disso é a manutenção de uma confiança do empresariado muito baixa em relação à economia e um câmbio mais desvalorizado, que reduziu a importação de bens de capital — afirma Bacciotti.
MAIS PESO PARA SERVIÇOS
O desempenho do setor de serviços deve ser um dos destaques positivos do terceiro trimestre. Anteontem, o IBGE divulgou que as vendas do comércio cresceram 0,5% em setembro na comparação com agosto. Embora abaixo das expectativas do mercado, foi o sétimo mês seguido de alta. Para Bacciotti, as vendas do varejo têm sido impulsionadas pelo Minha Casa Melhor, programa de aquisição de móveis e eletrodomésticos pela população de baixa renda, e por uma inflação mais bem comportada.o economista Eduardo Velho, da INVX Global Partners, considera que o indicador do BC é “moderadamente negativo”.
Ele calcula que o PIB no terceiro trimestre tenha ligeira queda, de 0,03%. E prevê o setor de serviços com viés de alta. Isso se deve, segundo ele, à incorporação pelas Contas Nacionais dos dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS). O setor, que corresponde a mais de 60% do PIB, é considerado subdimensionado por grande parte dos economistas.
Além da PMS, passam a atualizar os dados a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio 2012, a Produção Agrícola Municipal (PAM) e informações consolidadas da Pesquisa Industrial Mensal (PIM).— Há uma mudança estrutural na economia e, por isso, o IBGE está aperfeiçoando a pesquisa. Como o setor de serviços é o mais dinâmico, ele tende a puxar a economia para cima — afirma Velho.
Além disso, Velho considera que o mercado de trabalho pujante em setembro serviu para mostrar que a demanda continua aquecida. Segundo ele, as altas seguidas das vendas do varejo funcionaram como amortecedor. Se o comércio varejista tivesse ficado estável no terceiro trimestre, o recuo do IBC-BR chegaria a 1%, diz.— Apesar do resultado negativo do IBC-BR em setembro, os dados do terceiro trimestre foram bem menos piores do que se esperava, e o carry over ( carregamento estatístico) para o quarto trimestre ratifica uma previsão de PIB de 2,6% (no ano).
A situação macroeconômica está muito ruim, mas, a curtíssimo prazo, os empresários já ajustaram os estoques e estão produzindo em ritmo melhor. Os dados do BC foram dessazonalizados pelos técnicos, ou seja, já foram descontados fatores típicos de cada época do ano. O IBC-Br foi criado pela autarquia para balizar a política de controle de inflação no Brasil.
Como o dado oficial de crescimento do PIB é defasado, o BC divulga o seu número como referência do comportamento da atividade econômica. Nos últimos 12 meses, a economia acumula um crescimento de 2,48%.
‘SAI DE CENA EFEITO SOJA’
Para o economista Aurélio Bicalho, do Itaú Unibanco, o PIB terá retração de 0,3% no terceiro trimestre e encerra o ano com alta de 2,4%. A agropecuária, desta vez , não ajudará, com uma retração de até 4% estimada frente ao trimestre anterior.
— Depois de contribuições importantes nos primeiros dois trimestres, agora sai de cena o efeito da soja e entram outras culturas, como o café e a laranja, que tiveram desempenhos mais fracos — afirma. — Esse resultado do IBC-BR está compatível com o cenário de queda de 0,3% do PIB no terceiro trimestre.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

BC avisa: PIB será menor; e inflação, maior

BC avisa: PIB será menor; e inflação, maior

Marcha lenta
Autor(es): Gabriela Valente
O Globo - 28/06/2013
 
BC revê projeções para o ano e aposta em cenário de menos crescimento e mais inflação

Depois da decepção com o Pibinho no primeiro trimestre, o Banco Central já trabalha com um cenário de crescimento menor e preços mais altos. De acordo com relatório divulgado ontem, a previsão de expansão do PIB este ano passou de 3,1% para 2,7%. De outro lado, a projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu de 5,7% para 6%. O número poderia ser ainda pior se o BC não tivesse, na última hora, incluído nas contas a redução das passagens de ônibus anunciada por causa dos protestos nas ruas de todo o país. A queda das tarifas foi determinada após 7 de junho, último dia com informações incluídas no documento divulgado ontem. No entanto, os técnicos não atualizaram o valor do dólar, o que poderia jogar para cima as projeções de índices de preços.
Segundo especialistas, o arranjo favoreceu o número do BC. O diretor de Política Econômica da autarquia, Carlos Hamilton Araújo, não explicou o motivo de não ter atualizado o valor do dólar. Disse apenas que "não era oportuno". No fim do ano passado, a equipe econômica foi acusada de maquiar as contas públicas com manobras fiscais. Questionado se uma mudança não poderia afetar a credibilidade do BC, ele disse que não responderia "ilações" feitas por uma repórter.
- Não há (manipulação). Procuramos ser o mais transparente possível.
Para Antônio Madeira, economista da LCA Consultores, a decisão é justificável, mas acabou favorecendo o BC.
- Atualizar o valor do ônibus é simples e mexer em câmbio significa ter de fazer alterações em todo o sistema, mas isso tudo jogou a favor do número do BC - afirmou Madeira.
Na avaliação do BC, a economia terá uma expansão maior dos investimentos: a projeção passou de 4% para 6,1%. Já o consumo das famílias, que tem servido como motor do crescimento, foi revista de 3,5% para 2,6%.
chance de 29% de estourar meta
O economista Sérgio Vale, da MB Associados, criticou o documento, afirmando que ele continua sem sinalizar os caminhos do banco e reforça uma visão de indexação da economia.
- Ele tem uma visão de atividade ainda forte que não é mais o caso. É um documento para justificar o injustificável, dado que a decisão foi muito abrupta e totalmente diferente do que o banco pensava apenas algumas semanas antes, quando a inflação já estava muito elevada. Pior ainda, ela está sistematicamente acima de 4,5% há muito tempo - disse o analista.
O Banco Central admite que a inflação está alta. No entanto, para o diretor de Política Econômica, isso não significa fora de controle. Apesar de o BC afirmar que existe probabilidade de 29% de o teto da meta ser estourado neste ano, Hamilton acredita que a inflação terminará o ano menor do que os 5,84% vistos no ano passado. De acordo com ele, a promessa do presidente do BC, Alexandre Tombini, "está de pé", apesar de a projeção mostrar o contrário. Carlos Hamilton lembra que a previsão oficial não leva em consideração as próximas ações do Comitê de Política Monetária (Copom), numa indicação de que a taxa de juros (Selic), que está em 8% ao ano, deve continuar a subir.
- Essa é uma mensagem importante: apesar do quadro de curto prazo mostrar elevação, a inflação está sob controle e continuará sob controle - garantiu o diretor.
Para o ano que vem, a previsão para a inflação também aumentou. Passou de 5,3% para 5,4% e se afastou ainda mais do centro da meta de 4,5%, mas ainda dentro da margem de tolerância de dois pontos percentuais. O Copom avisou que há 25% de chance de o limite máximo ser ultrapassado. Perguntado sobre o relatório do Banco Central, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o importante é que as metas de inflação estabelecidas não devem ser ultrapassadas.
- Com a previsão que ele (BC) faz significa que estaremos dentro do teto da meta mais um ano consecutivo - disse.
O BC voltou a alertar para o alto nível de indexação da economia brasileira e que isso é uma resistência importante à queda da inflação no Brasil. Apesar da alta do dólar, o BC afirma que a importação de bens tende a contribuir para a redução da inflação no Brasil, porque promove a competição com os produtos nacionais.
Em relação à política fiscal, o BC deixou apenas como hipótese de trabalho o abatimento dos investimentos sobre a meta de 3,1% do PIB. De outro lado, o Ministério da Fazenda se compromete com uma meta de 2,3% do PIB, o que pressupõe também o abatimento das despesas com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Governo fixa meta de 2,7% para o PIB

Governo fixa meta de 2,7% para o PIB

Governo estabelece como meta crescer pelo menos 2,7% este ano
Autor(es): João Villaverde
O Estado de S. Paulo - 28/05/2013
 

O governo estipulou como meta que a economia do País tem de crescer pelo menos 2,7% em 2013. A marca corresponde ao melhor desempenho da gestão Dilma Rousseff, alcançado em 2011. Economistas de 46 instituições consultadas pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, no entanto, estimam que o PIB cresceu nos três primeiros meses o equivalente a um ritmo de 2,3% por ano.
Ritmo fraco. Equipe econômica tomará medidas para tentar garantir em 2013 o melhor resultado do governo Dilma, mas pesquisa da Agência Estado com 46 analistas do mercado financeiro indica que ritmo da economia no primeiro trimestre ficou abaixo do previsto

A economia brasileira não pode crescer menos do que 2,7% neste ano. A marca não é apenas simbólica, por ser o melhor desempenho da gestão Dilma Rousseff, alcançado em 2011, mas virou meta no governo federal. Segundo o mercado, porém, o objetivo está cada vez mais distante.
Depois de 18 pacotes de estímulo à economia, restam ao governo "poucos botões" para apertar - como definem os técnicos -, a fim de gerar crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) ainda neste ano. Mas, como definiu uma fonte qualificada da equipe econômica ao Estado, o governo "não vai permitir que o PIB cresça abaixo daquele patamar (de 2011)".
Economistas de 46 instituições consultadas pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. estimam que o PIB cresceu nos três primeiros meses o equivalente a um ritmo de 2.3% ao ano, abaixo da meta do governo. O cálculo foi feito pelo AE Projeções, com base nas estimativas das instituições consultadas. O IBGE anuncia o resultado do PIB do primeiro trimestre amanhã.
Meta. A ideia de estabelecer uma alta do PIB de no mínimo 2,7% como meta para o ano circula no Palácio do Planalto e na equipe econômica. De acordo com os técnicos, o PIB deve ter crescido cerca de 1% no primeiro trimestre deste ano, na comparação com os últimos três meses do ano passado. O problema é que dificilmente esse ritmo será mantido. De acordo com a AE Projeções, analistas de mercado esperam um avanço de 0,9% nesta comparação.
Até agora, o melhor trimestre da economia brasileira sob Dilma Rousseff foi o primeiro de seu governo, de janeiro a março de 2011. Na ocasião, o avanço foi de 0,7%. Portanto, se o IBGE confirmar amanhã tanto a expectativa do mercado quanto do governo, o crescimento será o melhor do governo atual.
Desacelerações. Na avaliação do governo, o segundo e o terceiro trimestres devem ter avanços de 0,6%, em média. Assim, resta impulsionar a economia  entre outubro e dezembro. Desta forma, os incentivos atenderiam à estratégia de iniciar o ano eleitoral de 2014 com a economia em aceleração.
O momento é delicado. Nesta semana, o mercado financeiro reduziu mais uma vez a estimativa de avanço do PIB no ano - o dado inserido na pesquisa Focus, feita semanalmente pelo Banco Central com cerca de 100 instituições do mercado, aponta para uma alta de 2,93% neste ano. Na primeira semana deste ano, o mercado estimava em 3,26% a alta do PIB. Em janeiro de 2012, a projeção era de expansão na faixa de 4,2%.
Além disso, o Instituto Internacional de Finanças (IIF), que representa as maiores instituições financeiras do mundo, reduziu sua projeção para o crescimento brasileiro na sexta-feira. Segundo o IIF, o PIB vai crescer 2,9%. Algumas consultorias já trabalham com um avanço ainda menor, próximo a 2,5%.
A ordem na equipe econômica é turbinar os incentivos ainda à disposição, para garantir algum efeito na atividade econômica ainda neste ano.
Orçamento. O governo vai fazer uma análise na boca do caixa: as reuniões periódicas da Junta Orçamentária (formada por Tesouro Nacional, Ministério do Planejamento e Casa Civil) vão servir para verificar o espaço fiscal disponível para uma desoneração tributária adicional ou um reforço em investimentos públicos específicos.
Uma das primeiras medidas emergenciais é a desoneração do PIS/Cofins das passagens de transporte coletivo urbano, que será anunciada nesta semana. A medida, que deve acarretar uma renúncia fiscal de R$ 1,1  bilhão por ano, é fruto do esforço do governo para evitar uma maior alta de preços nas tarifas de ônibus e metrô, mas os técnicos avaliam que ela também pode contribuir para estimular a atividade econômica.
Outras medidas estão em estudo, ainda que, por hora, o espaço fiscal seja exíguo. A aposta da equipe econômica é que, com a melhora na economia, a arrecadação de impostos pela Receita Federal melhore. Há uma defasagem entre o ritmo da atividade e o recolhimento de tributos - no início de 2012, por exemplo, o PIB praticamente parou, mas a arrecadação continuava muito forte.

domingo, 3 de março de 2013

PAÍS CRESCE APENAS 0,9%, O MENOR PIB DESDE 2009

PAÍS CRESCE APENAS 0,9%, O MENOR PIB DESDE 2009

PIB CRESCE 0,9% E PÕE 2013 EM RISCO
Autor(es): PAULO SILVA PINTO ENVIADO ESPECIAL
Correio Braziliense - 02/03/2013
 

Dados divulgados ontem pelo IBGE mostram que a economia brasileira pisou no freio e cresceu menos de 1% em 2012. É o pior desempenho do Produto Interno Bruto (PIB, total das riquezas produzidas no país) desde o auge da crise internacional em 2009. Diante do cenário de incertezas,no ano passado, os investimentos encolheram 4% na comparação com 2011.O tombo foi o maior em quatro anos. Entre os países que formam o bloco Brics, o Brasil foi o que menos avançou. A China registrou expansão de 7,8%; a Índia, de 5%; a Rússia, de 3,4% e a África do Sul, de 2,5%.

Avanço do Produto Interno Bruto no ano passado revela as dificuldades do país para retomar as forças. O Brasil tem o pior desempenho entre os Brics, fica atrás das nações vizinhas e perde o posto de sexta economia do mundo para a Grã-Bretanha

Rio de Janeiro — A presidente Dilma Rousseff mandou um curto, mas enfático recado, a sua equipe: “Não desanimem”. O objetivo foi manter a cabeça erguida do governo, nocauteado ontem com a divulgação de que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu minguado 0,9% em 2012, o menor resultado desde 2009. Apesar de esperado, o número informado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) expôs as fissuras da política econômica, que assustou os investidores, deixou os empresários com o pé atrás e instalou um clima de desconfiança que custa a dissipar, mesmo com todos os estímulos ao setor produtivo alardeados pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. A ordem, agora, do Palácio do Planalto é olhar para frente, unificar o discurso e não dar mais munição à oposição, que já se arma para as eleições de 2014.

Pelas contas do IBGE, nos dois primeiros anos do mandato de Dilma, a média de crescimento anual ficou em 1,8%, considerando a expansão de 2,7% em 2011. Trata-se do pior resultado no primeiro biênio de um mandato desde o governo de Fernando Collor de Mello, quando o Brasil enfrentou recessão (-1,7%). Na avaliação de Guido Mantega, não se pode fazer tal comparação, uma vez que, duas décadas atrás, o que jogava o PIB para baixo era um crise interna, agigantada pela hiperinflação. Agora, o país está sendo solapado por sérios problemas internacionais. Esse argumento, no entanto, não se sustenta, pois, outras economias, muitas delas vizinhas do Brasil, estão com crescimento de até 5%. E, melhor, com inflação baixa — aqui, o custo de vida se mantém acima de 6% no acumulado de 12 meses.

A grande esperança do Planalto era de que o quarto trimestre de 2012 marcasse uma virada da economia, consolidando a retomada. Não foi, porém, o que aconteceu. Entre outubro e dezembro, o PIB aumentou 0,6% ante o trimestre anterior, abaixo da média das expectativas do mercado, de 0,8%. Por isso, vários analistas já estão revisando as estimativas de expansão em 2013. A Tendências Consultoria fala, agora, em 3% ante os 3,2% projetados até ontem. Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco WestLB, assegurou que deve rever a sua previsão para menos de 3%. “Os dados não são animadores, é preciso ser otimista de forma cautelosa”, frisou. Não à toa, o ex-presidente Lula, que estava no interior do Ceará, recusou-se a comentar o PIB.

Competitividade
O desempenho do Brasil em 2012 ficou abaixo da média mundial, de 3,2%, e foi o pior dentre o Brics, grupo de nações emergentes que inclui a Rússia (3,4%), a Índia (5%), a China (7,8%) e a África do Sul (2,5%). Na América Latina, vários países ficaram acima da média mundial: México (3,9%), Colômbia (4%) e Chile (5,5%). E mais: o Brasil perdeu o posto de sexta economia do mundo para a Grã-Bretanha. “O Brasil tem uma economia mais diversificada do que seus vizinhos da região”, disse o coordenador de Contas Nacionais do IBGE, Roberto Olinto. No caso do México, a explicação para a diferença é outra. “O PIB maior foi influenciado pelos 2,2% de crescimento dos Estados Unidos. O México tem muitas maquiladoras (fábricas que montam componentes importados agregando pouco valor), que exportam para o mercado norte-americano”, argumentou.

Professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas Gomes viu outras razões para o desempenho pífio da economia brasileira. “Temos menor competitividade do que muitos países, sobretudo pela precariedade da infraestrutura e do elevado custo da mão de obra”, frisou. Para produzir o mesmo que um trabalhador dos EUA, é preciso cinco brasileiros. Os altos salários pagos no país, por sinal, ajudam a explicar o porquê, mesmo com o PIB patinando, o desemprego se mantém baixo. As empresas não demitem, porque temem ser obrigadas a contratar mais caro no futuro. De qualquer forma, o próprio governo admite que o mercado de trabalho vai sentir o baque neste ano, com menor criação de vagas formais.

“O gosto para o início de 2013 está meio amargo. Para chegar ao PIB de 4% que o governo quer, o investimento tem que ser retomado com força, o que não estamos vendo, e o consumo tem que crescer ainda mais, movimento difícil se levado em conta o elevado nível de endividamento das famílias”, afirmou Thadeu. Ele destacou que os números ruins de 2012 contaminaram a confiança dos agentes econômicos. A agricultura caiu 2,3% no ano. Já a indústria encolheu 0,8%, a despeito do corte do Imposto sobre Produtos (IPI) para vários setores e de a taxa de juros ter caído para o menor nível da história, 7,25% ao ano. Por conta do fraco desses segmentos, o IBGE revisou, para baixo, os resultados do terceiro trimestre, de 0,6% para 0,4%, e do segundo, de 0,3% para 0,2%.

Ladeira abaixo

Nada, porém, pesou tanto para empurrar a economia brasileira ladeira abaixo como os investimentos produtivos, que tombaram 4% em 2012, apesar do incremento de 0,5% entre outubro e dezembro. São os desembolsos feitos pelos empresários para a ampliação de fábricas que dão a dinâmica ao PIB. O problema é que muitos deles estão preocupados com a política intervencionista adotada pela presidente Dilma. “O 0,5% de avanço no quarto trimestre foi o primeiro sinal da recuperação dos investimentos”, ressaltou Roberto Padovani, da Votorantim Corretora. “A dúvida é se isso vai se manter”, afirmou Zeina Latif, economista da Gibraltar Consulting.

Roberto Olinto, do IBGE, também ressalvou que é preciso observar mais um trimestre para garantir que há aumento de fato “e não apenas uma oscilação” no investimento Vários economistas veem a inflação em alta e a ameaça de elevação dos juros como limitadores para um salto nos desembolsos das empresas. “A inflação atrapalha, pois a indústria tem aumento de custos e não consegue repassá-los para seus preços”, afirmou Zeina.

Do lado positivo do PIB, o crescimento foi calcado pelo consumo do governo e das famílias, com avanço de 3,1% e 3,2% no ano, respectivamente. Carlos Thadeu, da CNC, explicou que, no caso dos lares, o incremento se deveu à constante elevação da massa salarial no país, puxada pelo salário mínimo. O consumo das famílias teve o 37º trimestre de aumento entre outubro e dezembro na comparação com o mesmo período do ano anterior. Os economistas acreditam, porém, que a demanda dos trabalhadores deve esfriar se os juros realmente subirem.

No entender de Jankiel Santos, economista-chefe do Espírito Santo Investiment Bank, o Brasil vai crescer mais neste ano, até porque a base de comparação será baixa. Mas ele assinalou que se esgotaram as políticas de incentivo ao consumo.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Projeção do mercado para crescimento do PIB este ano tem leve queda, mostra boletim Focus

Projeção do mercado para crescimento do PIB este ano tem leve queda, mostra boletim Focus

18/02/2013
Kelly Oliveira
Repórter da Agência Brasil 

  Analistas de instituições financeiras consultados pelo Banco Central (BC) ajustaram a projeção para o crescimento da economia neste ano e em 2014, segundo o boletim Focus, divulgado hoje (18) pela instituição.
A projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, foi reduzida de 3,09% para 3,08%, em 2013, e de 3,80% para 3,65%, no próximo ano.
A estimativa para a expansão da produção industrial passou de 3,10% para 3%, este ano, e de 3,70% para 3,50%, em 2014.
A projeção para a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB foi ajustada de 34,25% para 34,50%, em 2013, e de 33% para 33,10%, no próximo ano.
A expectativa para a cotação do dólar passou de R$ 2,03 para R$ 2,02, ao final deste ano, e permanece em R$ 2,05, ao fim de 2014.
A previsão para o superávit comercial (saldo positivo de exportações menos importações) passou de US$ 15,5 bilhões para US$ 15,2 bilhões, este ano, e de US$ 16 bilhões para US$ 15,6 bilhões, em 2014.
Para o déficit em transações correntes (registro das transações de compra e venda de mercadorias e serviços do Brasil com o exterior), a estimativa foi alterada de US$ 64 bilhões para US$ 62,65 bilhões, em 2013, e de US$ 69,37 bilhões para US$ 68,73 bilhões, em 2014.
A expectativa para o investimento estrangeiro direto (recursos que vão para o setor produtivo do país) foi mantida em US$ 60 bilhões tanto para 2013 quanto para o próximo ano.
Edição: Juliana Andrade

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Em cenário de Pibinho, dólar chega às alturas

Em cenário de Pibinho, dólar chega às alturas

Sobrou para o dólar
Autor(es): DECO BANCILLON
Correio Braziliense - 03/12/2012
 

Após medidas de incentivo ao consumo, que não foram suficientes, governo pode mexer no câmbio. Em tese, real fraco traria competitividade à indústria nacional.

Economistas acreditam que, diante do fraco desempenho de medidas adotadas para aquecer
a atividade, governo recorrerá à política cambial

Soou o sinal de alerta na Esplanada dos Ministérios. Com a fraca expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de apenas 0,6% no terceiro trimestre do ano e a constatação de que as medidas de incentivo ao consumo não foram bem-sucedidas, o Palácio do Planalto determinou à equipe econômica que encontre novas soluções para garantir a retomada da atividade. Nesse cenário, já há quem defenda, dentro do governo, que o câmbio será o novo instrumento para estimular o crescimento.
Até a última sexta-feira, vigorou a tese de que o governo trabalhava com uma banda informal para a cotação do dólar. O intervalo seria algo entre R$ 2 e R$ 2,10. Sempre que a moeda ultrapassava esse limite, o Banco Central (BC) atuava vendendo dólares para trazer o valor para abaixo desse teto. Essa regra geral foi válida até a divulgação do PIB. Com a equipe econômica ainda juntando os cacos da economia, o mercado viu uma brecha para testar um novo limite de alta da moeda. Sem a ação do BC, a divisa encerrou o pregão no maior patamar desde maio de 2009, cotada a R$ 2,13 (veja ilustração).
Para analistas, essa nova marca alimenta a discussão sobre qual o limite para a alta do dólar no país. "Todos estão se perguntando até onde vai essa política mais intervencionista do governo Dilma", dispara o economista-sênior do BES Investimento, Flávio Serrano. "No fundo, é isso o que vai definir o ano de 2013", devolve o economista da Tendências Rafael Bacciotti.
Não é preciso muito esforço para enxergar os objetivos do governo com o câmbio desvalorizado. O economista-chefe da Votorantim Wealth Management, Fernando Fix, entrega o jogo. "Dada a fraqueza do setor produtivo brasileiro, que é muito sensível à variação do dólar, a sinalização que temos hoje é de que o governo deverá usar o real mais fraco para dar competitividade à indústria em 2013", diz.
Indústria em alerta
Tidos como os maiores beneficiados dessa medida, os industriais têm observado com cautela a disparada do câmbio. Ainda que, em tese, um dólar mais forte ajude a indústria, grandes empresas que têm dívidas em moeda estrangeira contabilizam prejuízos devido à disparada da divisa norte-americana.
Essa alta de custos já apareceu nos balanços divulgados pelas companhias no segundo e no terceiro trimestres, quando, após uma série de intervenções do BC, o câmbio pulou de R$ 1,72, em fevereiro, para R$ 2,03, em outubro. Como consequência, o endividamento das empresas não financeiras aumentou 3,6% no período, chegando a US$ 103,5 bilhões. Em valores, significou um aumento de US$ 3,6 bilhões no passivo delas.
"É evidente que o que está acontecendo no balanço do setor privado se deve, em parte, a essa alta do dólar. E o governo tem que estar atento a isso para evitar o que já aconteceu em 2008, quando problemas com o câmbio levaram a desajustes nos balanços das empresas", alerta Fernando Fix. Ele se refere às operações desastrosas feitas por companhias, entre as quais a própria Votorantim, com derivativos cambiais. Esses instrumentos, em tese, permitem que elas se protejam (hedge) contra fortes variações do câmbio, mas da forma como foram usados resultaram em prejuízos.
Até meados de 2008, diversas empresas faziam operações de swap cambial reverso (troca de moeda no mercado futuro) apostando na queda da cotação do dólar. Com o estouro da crise financeira global, em setembro daquele ano, a divisa norte-americana pulou de R$ 1,60 para mais de R$ 2,40, o que levou companhias a terem grandes prejuízos.
Analistas dizem que o cenário de 2012 é claramente menos nebuloso que o de 2008. "Mas nem por isso o governo deve baixar a guarda", lembra Fix. Recentemente, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou uma pesquisa que mostrava que uma em cada quatro indústrias está totalmente endividada. Como grande parte desse passivo é feito em dólar, lembra o estrategista-chefe do Banco WestLB, Luciano Rostagno, há um risco real de que a alta da moeda traga prejuízos para essas empresas.
Tripé ameaçado
A afirmação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que "o câmbio acima de R$ 2 veio para ficar" põe em xeque o respeito a um dos pilares do tripé econômico brasileiro. Ao lado das metas de inflação e do superavit primário, o câmbio flutuante foi uma receita que garantiu ao Brasil viver o mais longo período de estabilidade econômica desde a redemocratização. Dessa forma, há quem questione a eficácia de usar o real desvalorizado como instrumento de política econômica. A principal crítica é quanto à continuidade da medida, uma vez que o dólar alto torna mais cara a aquisição de máquinas e equipamentos do exterior. Somada à falta de confiança na recuperação brasileira, isso pode minar o investimento produtivo, que, após recuar durante cinco trimestres consecutivos, está no mais longo ciclo de baixas desde 1989.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Comissão da Câmara aprova 10% do PIB para educação

Comissão da Câmara aprova 10% do PIB para educação


A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou na terça-feira 16 a redação final da Plano Nacional de Educação (PNE). Com isso, a matéria segue para o Senado. O PNE prevê investimento de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) em educação até 2023. O percentual provocou debate entre vários setores porque o Executivo desejava que índice fosse 8% do PIB.
“Esta é mais uma vitória da educação. Esperamos que o Senado mantenha os 10% do PIB para educação aprovados pela Câmara”, disse o presidente da Comissão de Educação da Câmara, Nilton Lima (PT-SP).

O PNE estabelece 20 metas educacionais que o país deverá atingir no prazo de dez anos. A principal delas, alvo de muita polêmica durante a longa tramitação do projeto, é a que estabelece um patamar mínimo de investimento em educação – atualmente o Brasil aplica 5,1% do PIB na área. O último plano esteve em vigência entre 2001 e 2010.

Com informações da Agência Brasil

terça-feira, 17 de julho de 2012

BOLETIM DO BC JÁ APONTA PIB ABAIXO DE 2% ESTE ANO

BOLETIM DO BC JÁ APONTA PIB ABAIXO DE 2% ESTE ANO

CRESCIMENTO ABAIXO DE 2%
Autor(es): Gabriela Valente, Flávia Barbosa
O Globo - 17/07/2012
 
Mercado revê para baixo expansão do Brasil em 2012, a 1,9%, mas FMI vê PIB a 2,5%
O pessimismo se disseminou entre analistas em relação às perspectivas de crescimento do Brasil este ano, que recuaram para menos de 2%. Segundo a pesquisa Focus, que o Banco Central (BC) faz com as principais instituições do mercado financeiro, divulgada ontem, a expectativa geral passou de 2,01% para 1,9%. Foi a décima semana seguida de redução das estimativas. Este prognóstico, que vê desemprego em alta, renda em baixa e queda do consumo, tem perspectiva de queda confirmada pelas previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI), embora num patamar menos dramático. Segundo o relatório "Projeções para a economia mundial" do Fundo, também anunciado ontem, o Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos) brasileiro vai crescer 2,5% este ano, ante uma previsão anterior de 3,1%.
- Na verdade, já estamos vivendo isso tudo, porque essa previsão do mercado (Focus) para 2012 leva em conta uma aceleração no segundo semestre, ou seja, uma melhora daqui para frente - enfatizou o economista-chefe da Sulamerica Investimentos, Nilton Rosa. - O pessimismo só está sendo cristalizado nas previsões, mas já era percebido, principalmente, pelos empresários: o futuro não será tão cor de rosa.
Segundo o analista, o impacto negativo na confiança dos empresários é bem mais rápido do que no sentimento da população. Porém, por mais que o consumidor se mantenha otimista e alimente a atividade econômica, pelo menos por enquanto o endividamento das famílias impede que o consumo continue no mesmo ritmo de antes:
- O crédito significa comprometimento de renda futura e diminui o espaço para gastar.
Isso já começa a se refletir nas expectativas para o ano que vem. Nas estimativas dos especialistas colhidas para o relatório do BC, a projeção de crescimento caiu de 4,2% para 4,1% em 2013. Aqui, o relatório do FMI diverge do boletim Focus. Para o Fundo, em 2013, haverá uma recuperação da economia brasileira, e o PIB crescerá 4,6%, meio ponto percentual acima de sua projeção anterior.
A projeção do FMI para o crescimento global em 2012 foi revista de 3,6% para 3,5% e, em 2013, de 4,1% para 3,9%. O vice-presidente executivo de Tesouraria do banco WestLB, Ures Folchini, lembra que os sinais de desaceleração econômica, em diferentes partes do mundo, intensificaram-se. Na sexta-feira, a China reportou um crescimento de 7,6% da economia no segundo trimestre, o menor número desde 2009. Os EUA, que vinham criando cerca de 200 mil novos empregos por mês, no início do ano, em junho criaram apenas 80 mil. Um sinal de que a engrenagem econômica está funcionando num ritmo abaixo do esperado.
- Antes, o foco de preocupação era a crise do euro. Agora, há vários focos. Os EUA que não crescem como se espera, a China desacelerando de fato. Tudo isso, reflete no ritmo da economia brasileira, que deve crescer 2,5% contra os esperados 5% do início do ano pelo governo - avalia Folchini.
Analistas divergem sobre taxa de juros
Mesmo com uma piora no cenário para o crescimento da economia brasileira, os economistas ouvidos no Focus não alteraram a previsão para o comportamento da taxa básica de juros (Selic). Eles apostam que o Comitê de Política Monetária (Copom) cortará os juros básicos até 7,5% ao ano. Na semana passada, o colegiado cortou a taxa em 0,5 ponto percentual, para 8% ao ano. Os próximos passos na condução da política monetária devem ser indicados na ata da reunião do Copom que será publicada na quinta-feira. Economistas já trabalham com a hipótese de que o BC será mais agressivo para favorecer o crescimento. Os mais audaciosos apostam que o Copom levará a Selic a 6% ao ano até o fim de 2012.
Relatório da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), porém, indicou que a perspectiva de aceleração futura da inflação pode levar o Copom a adotar uma postura mais cautelosa em relação à Selic:
"Enquanto a piora nas estimativas sobre a atividade poderia sugerir uma extensão do ciclo de queda dos juros (em relação à precificação atual dos mercados), a rigidez das estimativas sobre a inflação pode apontar para uma estratégia mais cautelosa", avaliou a Febraban. "É por conta disso que o mais provável é que o BC siga com o seu pragmatismo atual, preservando ao máximo o seu raio de manobra."
O corte na previsão de crescimento do FMI foi um dos mais profundos entre as principais economias analisadas. A previsão para a Índia sofreu a maior revisão, de 6,8% para 6,1%. Na mesma magnitude que o Brasil, aparece o Reino Unido, cuja projeção de crescimento foi reduzida de 0,8% para 0,2%. Segundo a equipe do economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, após um primeiro trimestre de expectativas animadores, a economia global voltou a apresentar sinais de fraqueza entre abril (quando o relatório anterior fora divulgado) e junho. Ele acrescentou que os riscos "permanecem muito elevados". As principais causas foram a nova onda de tensão financeira na zona do euro e sua periferia e a desaceleração das economias emergentes.
Principal economia emergente, a China teve sua expansão revisada para baixo tanto em 2012 - de 8,2% para 8% - como em 2013 - 8,8% para 8,5%. Entre os parceiros no chamado Bric (grupo das quatro grandes nações emergentes), a Índia viu subir a projeção para o seu PIB no ano que vem - de 7,2% para 7,5%. As projeções para a Rússia ficaram inalteradas este ano - expansão de 4% - e caíram ligeiramente, de 4% para 3,9%, em 2013.
Entre os países ricos, o FMI manteve inalterada a previsão de contração de 0,3% na economia da zona do euro e reduziu de 0,9% para 0,7% a expansão do próximo ano. Além do Reino Unido, sofreu forte revisão nos números a Espanha, que, em vez de um ano, terá dois de recessão. Os EUA tiveram a previsão de PIB diminuída de 2,1% para 2% em 2012 e de 2,4% para 2,1% em 2013. O Japão foi a surpresa positiva entre as economias avançadas, com expansão estimada em 2,4% este ano, alta de 0,4 ponto percentual sobre a marca do relatório anterior.
A revisão das projeções do FMI não surpreendeu o professor Luiz Carlos Prado, da UFRJ. Para ele, o país não tem como dar um novo salto de crescimento se não houver investimento público. Apenas o consumo não tem como segurar uma forte expansão no PIB:
- Além disso, a crise encontrou um país que vem postergando decisões importantes, como reformas estruturais e investimento em educação - afirmou.
COLABORARAM: Aguinaldo Novo e Fabiana Ribeiro

quarta-feira, 7 de março de 2012

Brasil tem a 6ª maior economia

Brasil tem a 6ª maior economia

Brasil passa Reino Unido e é 6 maior economia
O Globo - 07/03/2012
 
PIB atinge US$ 2,48 tri, acima dos US$ 2,26 tri dos britânicos. No 4 trimestre, crescimento do país fica apenas em 28 lugar
Paulo Justus

 Apesar do fraco desempenho registrado em 2011, inferior ao de outros países emergentes, o Brasil ultrapassou o Reino Unido e pulou do sétimo para o sexto lugar entre as maiores economias no mundo. Convertido em dólares, o PIB brasileiro chegou a US$ 2,48 trilhões no período, acima dos US$ 2,26 trilhões alcançados pelo Reino Unido - que avançou apenas 0,8% no ano passado. O ranking, segundo o banco WestLB, continua sendo encabeçado pelos Estados Unidos, com US$ 15,32 trilhões, seguido pela China, com US$ 7,42 trilhões.
- Estamos próximos da França, que ocupa a quinta posição e teve um PIB 12% maior que o Brasil no ano passado, com US$ 2,78 trilhões - disse o estrategista-chefe do banco, Luciano Rostagno, responsável pela conversão dos PIBs em dólares.
Ele acredita que o país deve ultrapassar a França em 2015, estimativa semelhante à do FMI. Isso considerando que o Brasil cresça 3,5% este ano, 4,5% no ano que vem e 5% em 2014 e 2015. Em contrapartida, a variação do PIB francês precisa se manter entre 1,5% e 2,5% nos próximos anos.
Resultado foi pior que o de outros emergentes
A comparação não é tão positiva para o Brasil quando se examina, não o valor monetário, mas a variação do PIB. Por esse critério, o país ficou na rabeira do Bric (grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia e China) e abaixo de outros emergentes. Numa amostra com 18 economias, os 2,7% registrados em 2011 colocam o Brasil em oitavo lugar, atrás de China (9,2%) e Índia e Peru (ambos com 6,9%), por exemplo. Mas o país bateu as principais economias europeias, que atravessam grave crise financeira, e os EUA (1,7%).
Já na análise que leva em consideração o desempenho do quarto trimestre de 2011 frente ao mesmo período do ano anterior, a alta de 1,4% do Brasil o coloca em 28 lugar entre as 46 economias que já divulgaram o dado.
- Nosso PIB teve alta de 2,7%, mas a inflação ficou no teto da meta, de 6,5%. Isso mostra que nossa capacidade de crescer não só está limitada, mas está se reduzindo - disse Alessandra Ribeiro, analista da Tendências Consultoria.
Segundo ela, o mau desempenho do Brasil em relação aos emergentes mostra que o país ainda não fez a lição de casa. Em 2011, afirmou, a economia brasileira foi, mais uma vez, puxada pelo consumo das famílias, enquanto o desempenho dos países asiáticos refletiu uma poupança maior e um nível mais elevado de investimento.
Para o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, as economias asiáticas ainda se beneficiam da proximidade com a China. No caso dos países do Leste da Europa, que também registraram crescimento expressivo, o melhor desempenho se deve à baixa base de comparação dos anos anteriores.
- Muitos desses países europeus que tiveram crescimento alto no ano passado sofreram bastante nos anos anteriores. A Letônia, por exemplo, que cresceu 5,8% no quarto trimestre, chegou a ter uma queda de dois dígitos no PIB na época da crise - afirmou.
Mesmo na América Latina, o país teve um desempenho aquém do de outras economias. Neste caso, mais uma vez, a falta de investimento fez a diferença, diz Carlos Honorato, professor da Fundação Instituto de Administração (FIA):
- Peru e Colômbia crescem mais que o país porque fizeram as reformas do Estado e planejaram a atuação em setores específicos. Não conseguimos ter uma visão de longo prazo.
Segundo levantamento da Austin Rating, o crescimento de 2,7% do PIB brasileiro em 2011 ficou abaixo da média de 3,8% dos 18 países que já divulgaram o dado. No quarto trimestre, a alta de 1,4% também ficou abaixo da média de 2,5% de 46 países.

APÓS TOMBO DO PIB, CORTAR JUROS VIRA PRIORIDADE

APÓS TOMBO DO PIB, CORTAR JUROS VIRA PRIORIDADE

CORTE MAIOR DE JUROS AGORA VIRA PRIORIDADE
Autor(es): agência o globo:Gabriela Valentee
O Globo - 07/03/2012
 
Incentivo ao setor produtivo também está entre opções para país crescer 4%. Mercado aposta em redução da Selic de 0,5 a 0,75 ponto hoje
Martha Beck,
BrasÍLIA e RIO. O mercado aumentou as apostas em corte mais acentuado na taxa básica de juros, a Selic, a ser anunciado hoje após a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Cetral (BC), após o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmar que o governo fará o necessário para a economia crescer 4% em 2012, desempenho esperado pela presidente Dilma Rousseff. O arsenal de medidas para estimular o crescimento inclui, além da queda maior nas taxas de juros, desonerações em segmentos estratégicos do setor produtivo, incentivos para investimentos e ações para estimular o crédito e o consumo das famílias.
- Sempre é possível criar estímulos que podem ser fiscais ou monetários. No ano passado, ficamos mais contidos, por causa do cenário inflacionário. Estou tranquilo que, com os instrumentos que temos, vamos conseguir fazer o que precisamos - afirmou Mantega.
A expectativa é que o BC acelere a queda na Selic para estimular ainda mais a economia. No governo, há consenso de que existe espaço para mais cortes na taxa básica, hoje em 10,5% ao ano.
Para aumentar a oferta de crédito, o governo conta com um plano de redução dos juros nos empréstimos concedidos por bancos públicos. Com financiamento mais barato, as empresas poderão aumentar a produção e as famílias, consumir mais. A estratégia é estimular a competição, forçando as instituições privadas a baixarem suas taxas, que, na avaliação do governo, são excessivamente elevadas.
Além disso, o BNDES terá seu capital reforçado para financiar investimentos em infraestrutura, setor fundamental para impulsionar o crescimento do país e com grande poder de geração de empregos. No campo das desonerações, o governo pretende ampliar o número de setores que são beneficiados pela redução de tributos que pesam sobre a folha da pagamentos. Isso porque, além de tirar a competitividade em relação aos concorrentes de outros países, o alto custo de um funcionário formalizado inibe as contratações.
Para turbinar o crescimento, o governo conta também com as ações anunciadas no ano passado, mas que só terão efeito prático este ano. É o caso do programa Reintegra, que prevê um crédito tributário de 3% para os exportadores de manufaturados. Antes, havia uma grande burocracia para comprovar o direito a esse tipo de benefício, mas com o plano Brasil Maior - anunciado no ano passado - o governo resolveu abrir essa possibilidade a todas as empresas que vendem tais produtos no mercado internacional.
Preocupação demonstrada pelo governo muda apostas
Os recentes sinais de preocupação do governo com a queda do dólar e com o impacto negativo do excesso de liquidez gerado pelos bancos centrais dos países desenvolvidos - que a presidente Dilma chamou de "tsunami monetário" - reforçaram as apostas do mercado em uma Selic menor.
Ontem de manhã, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2013 (mais negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros) chegou a 8,93%, menor patamar já atingido, segundo a agência Bloomberg News. No fim do pregão, houve uma correção e a taxa ficou em 9,01%, ante 9,03% do pregão anterior.
Nos últimos pregões, mais investidores passaram a apostar numa aceleração dos cortes na Selic, passando do 0,5 ponto percentual para 0,75 ponto. Segundo analistas, como o PIB anunciado ontem veio dentro do esperado - se o crescimento econômico viesse ainda mais baixo no quarto trimestre, poderia haver mais espaço para o BC cortar mais os juros -, a preocupação do governo tem tido impacto.
Também os economistas já estão revendo suas projeções para a Selic diante dos movimentos do governo, embora o consenso ainda seja por um corte de 0,5 ponto hoje. Ontem, o Banco Modal divulgou relatório revisando a projeção de corte de 0,5 para 0,75 ponto. Em relatório da sexta-feira, a corretora Icap Brasil divulgou projeção de corte de 1 ponto, com a Selic caindo para 9,5% anuais hoje.
Para Jacob Weintroub, sócio da gestora Oren Investimentos, a sinalização do governo sobre o câmbio e a liquidez internacional trouxe uma nova variável para definir as apostas no mercado de juros futuros.
- Há uma leitura de que uma maneira de combater o efeito do excesso de fluxo de recursos para o país seria cortar mais os juros - diz Weintroub, destacando que as taxas dos contratos já consideram 50% de chance de um corte de 0,75 ponto na Selic hoje.