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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Balança comercial tem déficit de US$ 4,057 bilhões em janeiro, o maior já registrado

Balança comercial tem déficit de US$ 4,057 bilhões em janeiro, o maior já registrado

O Globo - 04/02/2014
 
- Com exportações de US$ 16,027 bilhões e importações de US$ 20,084 bilhões, a balança comercial brasileira registrou, em janeiro, déficit de US$ 4,057 bilhões, o pior saldo mensal já contabilizado desde o início da série histórica, em 1994. A média diária importada foi recorde, atingindo US$ 912,9 milhões. O Brasil importou mais bens de consumo, como eletrodomésticos, móveis, roupas, alimentos, automóveis e bebidas. Já a média diária exportada foi de US$ 728,5 milhões. Houve decréscimo acentuado nas vendas de açúcar refinado (48,7%), etanol (42,6%), automóveis (27,4%) e autopeças (27%), entre outros.
O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Daniel Godinho, disse que o déficit de janeiro se deve a fatores sazonais, como a reposição de estoques na indústria, no caso das importações. Lembrou que o país colherá uma supersafra de grãos este ano e que isso vai contribuir para o aumento das vendas externas. Ele admitiu, no entanto, que existe tendência de queda nos preços de commodities importantes para a pauta brasileira de exportações, como minério de ferro.
— Tradicionalmente, há déficit nos meses de janeiro — comentou o secretário.
Um dado que chamou atenção do governo foi a queda de 88% das vendas de automóveis para o México, país com o qual Brasil mantém regime automotivo. As exportações de veículos para a Argentina caíram 15%, mas Godinho disse que ainda é cedo para interpretações. Já as compras de petróleo e derivados, os vilões da balança comercial em 2013, caíram 19,1% em janeiro deste ano.
— Ainda estamos analisando o que aconteceu. No caso da Argentina (onde houve forte desvalorização do peso ante o dólar), ainda é cedo para sabermos se existe algum impacto direto na balança bilateral — explicou.
Para o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, o déficit de janeiro surpreendeu. Ele esperava um resultado em torno de US$ 2 bilhões negativos.
— A queda das vendas de automóveis para a Argentina já era previsível, desde que o governo daquele país anunciou que iria reduzir as importações, e realmente há tendência de queda nos preços das commodities. Mas é preocupante o fato de produtos como móveis e vestuário, que costumam ser adquiridos com maior intensidade no fim do ano, apresentarem esse aumento — avaliou Castro.
Exportações para argentina caem 13%
Em janeiro do ano passado, a balança havia registrado déficit de US$ 4,036 bilhões, então o maior da História. O resultado, porém, não refletia o que de fato aconteceu naquele mês. Parte do saldo negativo, cerca de US$ 1,6 bilhão, teve como origem importações feitas pela Petrobras em 2012, que acabaram entrando tardiamente na estatística oficial. Ou seja, o déficit estava inflado.
Para Gabriela Fernandes, economista do Itaú Unibanco, o setor de combustíveis terá desempenho positivo este ano.
— As importações de petróleo não devem crescer tanto e a produção interna tende a aumentar, o que contribui para um resultado melhor este ano. A Argentina é nosso principal importador de manufaturas, respondeu por 91% do que exportamos o ano passado e desses, 50% foram automóveis e veículos de carga, e esse setor deve puxar o saldo para baixo este ano. As commodities, em termos de preços, devem continuar negativas — diz a economista, que espera superávit comercial de US$ 7 bilhões em 2014.
Rafael Bistafa, da Rosenberg Consultores, disse que esperava um déficit ainda maior na balança comercial em janeiro, da ordem de US$ 4,4 bilhões. Para ele, houve aumento generalizado das importações e forte piora das exportações, principalmente de produtos industrializados.
— E isso com o câmbio favorecendo mais o Brasil — afirmou, referindo-se ao fato de o real estar desvalorizado ante o dólar.
Por mercados, as exportações brasileiras para a Europa Oriental caíram 25%; para a África, 18,3%; Oriente Médio, 14,5%; Mercosul, 6,2%, com queda de 13,7% para a Argentina; e União Europeia, 5%. A situação só não foi pior porque cresceram os embarques para a Ásia, em 17,4%, com destaque para a China (27,7%); e para os EUA (11,4%).
Já por mercados fornecedores, cresceram em 36,8% as importações da Europa Oriental; 16,9% da Ásia (com alta de 28,9% das compras oriundas da China); e 2,2% da África. Por outro lado, caíram as encomendas do Mercosul em 18,1%, sendo que as aquisições da Argentina tiveram decréscimo de 23,1%; dos EUA, 12,4%; da União Europeia 4,1%; e do Oriente Médio, 2,1%.
Preços do café sobem 21% com estiagem
A estiagem no Brasil levou a cotação do café arábica a subir rumo a sua maior alta em cinco anos. O Brasil é o maior produtor e exportador mundial do grão. Os preços subiram até 20% em cinco sessões do índice ICE Futures, em Nova York, o maior avanço desse tipo desde junho de 2010. Neste ano, o preço do café já subiu 21%. Em 2013, porém, o grão teve queda de 23%, devido a um aumento da produção no Brasil e na Colômbia, segundo maior produtor do mundo na cultura do tipo arábica.
O tempo seco vai persistir até 20 de fevereiro no Sudeste do Brasil, prevê Celso Oliveira, meteorologista da Somar Meteorologia. O Brasil teve o janeiro mais quente da história e o menor nível de chuva em 20 anos, segundo Marco Antônio Santos, agrônomo da Somar. A seca também está puxando os preços do açúcar e suco de laranja, produtos em que o Brasil também é líder global.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Brasil registra record de saída de dólares

Brasil registra record de saída de dólares

Kelly Oliveira - Repórter da Agência Brasil

O país enviou mais dólares para o exterior do que recebeu em 2013. O saldo negativo da entrada e saída de dólares do país ficou em US$ 12,261 bilhões. Em 2012, o saldo ficou positivo em US$ 16,753 bilhões.

Desde 2008 (US$ 983 milhões), início da crise financeira internacional, o país não registrava saldo negativo. E o de 2013 é o maior desde 2002 (US$ 12,989 bilhões), ano de tensão na economia por causa das eleições. Os dados foram divulgados hoje (8) pelo Banco Central (BC).

No ano passado, o fluxo financeiro (investimentos em títulos, remessas de lucros e dividendos ao exterior e investimentos estrangeiros diretos, entre outras operações) foi responsável pelo saldo negativo do fluxo cambial. O segmento registrou saldo negativo de US$ 23,396 bilhões, contra o resultado positivo de US$ 8,380 bilhões em 2012.

Já o fluxo comercial (operações de câmbio relacionadas a exportações e importações) apresentou saldo positivo de US$ 11,136 bilhões contra o superávit de US$ 8,373 bilhões em 2012. 

Em dezembro, o fluxo cambial ficou negativo em US$ 8,780 bilhões, o maior resultado negativo desde setembro de 1998 (US$ 18,919 bilhões). Em dezembro de 2012, o saldo ficou negativo em US$ 6,755 bilhões. No mês passado, o fluxo financeiro ficou negativo em US$ 6,898 bilhões. O comercial também registrou déficit, de US$ 1,881 bilhão.

Nos dois primeiros dias úteis deste ano, o fluxo cambial continuou negativo, registrando saldo de US$ 480 milhões. O fluxo financeiro (US$ 246 milhões ) e o comercial (US$ 234 milhões) ficaram negativos nos dias 2 e 3 deste mês. 

O BC também informou que os bancos fecharam 2013 com posição de câmbio vendida, o que indica expectativa de queda do dólar, em US$ 18,124 bilhões. 

Edição: Juliana Andrade
 
 
 

Publicado em: 09/01/2014

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Mantega: ‘Combate à inflação é prioridade’

Mantega: ‘Combate à inflação é prioridade’

O Globo - 24/01/2014
 
Suíça - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, que a inflação não preocupa, embora seu controle seja uma prioridade para o governo brasileiro. Ao comentar a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC) - que elevou na semana passada a taxa básica de juros (Selic) em meio ponto percentual, para 10,5% -, o ministro se mostrou confiante, ressaltando que “o Brasil tem controlado a inflação nos últimos dez anos” e a mantido dentro da meta.

- Não vi a ata do Copom. Mas o IPCA-15 (índice que apresenta uma prévia do IPCA, indicador oficial de inflação) está abaixo das expectativas do mercado - disse Mantega. - O combate à inflação continuará sendo uma prioridade do governo. Sempre.
Indagado se o governo pretende aumentar a meta do superávit primário para este ano, o ministro afirmou que em fevereiro o governo poderá dizer “com mais precisão” qual será a meta.
Aposta agora em investimentos
Em um debate no fórum, Mantega reclamou da falta de crédito para estimular a economia e responsabilizou a crise mundial pela desaceleração no Brasil e em outros emergentes. Ele rebateu a afirmação do presidente do fórum, o empresário Klaus Schwab, de que o Brics ( Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) está em declínio ou em “crise de meia-idade”:
- Não acredito que há uma crise da meia-idade do Brics. O que há é uma crise mundial que afetou o Brics.
Mantega reconheceu que é preciso que os países Brics revejam o modelo do crescimento. E assegurou que o Brasil está fazendo isso, ao estimular o investimento com um programa da ordem de US$ 250 bilhões, excluindo o que será investido em petróleo e gás. Ele também destacou o avanço social no país:
- O Brasil fez uma grande inclusão social, expandiu a classe média. Temos o quarto maior mercado de carros. Mas para ativar este mercado está faltando crédito, que está escasso. É por isso que o governo está estimulando o investimento no Brasil.
Uma pesquisa com mil executivos feita pela Accenture e divulgada em Davos revelou que 60% das empresas pretendem realocar para outros mercados os investimentos realizados nos países do Brics. Mantega, no entanto, mostrou-se otimista, prevendo que o comércio mundial poderá crescer entre 4% e 5%, puxado pela recuperação econômica dos países ricos. Ele disse que uma eventual desvalorização do real não deverá afetar as empresas brasileiras que contraíram dívida no exterior:
- As empresas brasileiras aprenderam a lição em 2008 e todas elas estão hedgiadas (protegidas) para eventuais flutuações da taxa cambial.
Em meio à elite econômica e política, também era possível vislumbrar celebridades, como o cantor Bono, do U2. No encontro para divulgar sua ONG Red, que combate a Aids, ele participou de um jantar com empresários irlandeses e o premier Enda Kenny. No fórum, houve ainda protestos contra a petrolífera russa Gazprom e a têxtil Gap, que receberam o “prêmio vergonha 2014”.

ONU reduz projeção de crescimento para o Brasil

ONU reduz projeção de crescimento para o Brasil

Autor(es): Juliana Garçon
O Globo - 21/01/2014
 
O Brasil foi o país que teve o maior corte (1,4 ponto percentual) nas projeções para o crescimento econômico em 2014 no relatório “Situação da Economia Global e Perspectivas para 2014”, da Organização das Nações Unidas (ONU). Agora, a ONU prevê expansão de 3% neste ano.
A entidade estima que o país cresceu 2,5% em 2013, corte de 1,5 ponto percentual em relação à expectativa divulgada há um ano. Nesta comparação, contudo, há países, como o México, que sofreram revisão ainda maior — de 2,6 pontos percentuais — para 1,2%. A ONU destacou que algumas grandes economias em desenvolvimento, como o Brasil, viram a expansão do PIB desacelerar nos últimos dois anos, devido a fatores externos e internos, mas têm condições de retomar ritmo mais forte. Para 2015, a expectativa é de crescimento de 4%.
Déficit da balança de US$ 2,05 bi
O déficit da balança comercial se aprofundou na terceira semana de janeiro. A diferença entre exportações e importações na semana passada resultou em saldo negativo de US$ 2,049 bilhões acumulado no mês, conforme o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Até a semana anterior, a cifra era de US$ 574 milhões. No mês, as exportações somam US$ 8,841 bilhões e as importações, US$ 10,890 bilhões. Só na semana passada, o saldo ficou negativo em US$ 1,475 bilhão.
Segundo o MDIC, a média de exportações na semana passada foi 4,2% maior que nas duas primeiras semanas do mês, com aumento de 20% nas vendas de produtos básicos, como petróleo em bruto, minério de ferro, carnes e café em grão. Mas caíram em 20,2% as vendas de produtos semimanufaturados, especialmente açúcar em bruto, celulose, ferro fundido, e semimanufaturados de ferro e aço.
O saldo negativo foi acentuado pelo crescimento de 30,1% nas importações, devido principalmente a combustíveis e lubrificantes, equipamentos mecânicos, veículos e partes.

‘BC está sozinho contra a inflação’, diz economista

‘BC está sozinho contra a inflação’, diz economista

O Globo - 16/01/2014
 
Silvia Matos avalia que, ao elevar gastos, o governo pressiona os preços de serviços, num cenário de expansão do crédito, ainda que em ritmo menor. Para ela, o Banco Central terá de recorrer a novas altas de juros, um remédio amargo para a economia.


Qual é a situação da inflação hoje?
Houve aceleração da inflação nos últimos dois meses, principalmente de serviços. Sem considerar passagens aéreas, ela acelerou de 8,45% em 2012 para 8,75% em 2013. Isso preocupa. Quase 70% dos itens da cesta do IPCA subiram acima de 4,5%, que é o centro da meta, e mais de 50% subiram mais de 50%. Que loucura é essa? A inflação está muito alta, persistente e generalizada. Mesmo que se possa ter algum alívio de preços de alimentos, a gente está muito fragilizado. Nosso cenário é de inflação pelo IPCA em 6% este ano, mas há risco de ficar mais perto do teto da meta.
Por que a inflação no país está resistente?
Quando ela começa a rodar em nível elevado, os agentes se preparam para isso, e as pessoas repassam preços. Apesar de a economia não estar grande coisa, a pressão de demanda existe. Temos uma combinação muito ruim, de inflação alta com atividade fraca. Infelizmente, os salários estão crescendo acima da capacidade da economia. É preciso dar uma esfriada nisso. Quando aumentam os gastos, o governo pressiona os preços de serviços. E o crédito continua crescendo. E o Banco Central fica sozinho (para combater a inflação).
O BC é o único no governo trabalhando para combater a inflação?
O BC faz o papel dele, mas, infelizmente, teria que subir mais os juros. O único remédio é amargo e é mais taxa de juros. A atividade cresceu pouco, mas a renda continuou em expansão. Só que a política fiscal é mais eficiente para combater a inflação. O governo está sinalizando o controle de gasto público, mas é muito pouco. E a política fiscal não tem muita margem de manobra. O governo só vai se mexer se a situação ficar dramática. A Fazenda teria que fazer mudanças radicais, mas é difícil em ano eleitoral.
Qual será o efeito do câmbio?
Teremos na inflação o componente do câmbio mais valorizado. E nem todo esse repasse do câmbio vem, como é o caso do combustível. Alguns preços estão desalinhados, como de combustíveis e de energia. Então, corremos o risco de um repique inflacionário mais à frente, o que exigiria uma dose cavalar de juros.
O que impede o crescimento da economia brasileira?
O baixo investimento é um problema estrutural. Os desembolsos em infraestrutura são fundamentais. Há também menos gente entrando no mercado de trabalho e com baixa qualidade. Há uma terceira questão: a ineficiência da economia como um todo. A política econômica está confusa, há uma instabilidade de regras. O Brasil tem problemas estruturais de baixo crescimento que devem ser perenes.

COPOM ELEVA TAXA BÁSICA DE JUROS A 10,5% AO ANO

COPOM ELEVA TAXA BÁSICA DE JUROS A 10,5% AO ANO

COPOM ELEVA TAXA BÁSICA DE JUROS A 10,5% AO ANO
Autor(es): GABRIELA VALENTE
O Globo - 16/01/2014
 
O Banco Central (BC) decidiu manter o ritmo de aperto nos juros depois do repique inflacionário do fim do ano passado - quando a taxa subiu 0,92% em dezembro, a maior alta mensal em dez anos. O comportamento dos preços em dezembro frustrou a promessa do governo de encerrar 2013 com uma inflação inferior à do ano anterior. Nesta quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa básica de juros (Selic) em 0,5 ponto percentual para 10,5% ao ano, o maior patamar em dois anos. O aumento dos juros veio no topo das expectativas de analistas, que projetavam alta de 0,25 ponto percentual a 0,5 ponto percentual.
Com a sétima alta seguida da Selic, o BC ensaia uma tacada para recuperar a credibilidade, já que as projeções para a inflação não param de subir. Apesar de a autoridade monetária indicar que o ciclo de alta dos juros está perto do fim, com a decisão desta quarta, analistas avaliam que a presidente Dilma Rousseff pode encerrar 2014, ano eleitoral, com juros maiores que os 10,75% de quando assumiu o governo, em janeiro de 2011


O novo aumento da Selic consolidou a posição do Brasil no topo do ranking mundial de juros reais. Agora, a taxa (descontada a inflação) do país é de 4,25% ao ano, seguido pela Argentina (3,7%), pela China (3,41%), Índia (1,65%), Hungria (1,08%) e Chile (1,06%), de acordo com levantamento do economista Jason Vieira, do portal Moneyou. Desde outubro, o país ocupa o primeiro lugar no ranking.
- O mercado trabalhava com a meta determinada pelo governo de redução do juro e manutenção em um dígito. Agora, essa meta não existe mais e os juros têm de subir para conter a inflação - disse Vieira.
Em 2012, o governo fez um movimento orquestrado para diminuir o custo financeiro para famílias e empresas. Enquanto o Banco Central cortava os juros básicos, a presidente Dilma usou o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal para forçar as instituições privadas a reduzir os juros cobrados dos clientes. A iniciativa deu certo, mas a inflação persistiu alta.
- O governo fez o correto ao cortar os altos juros no Brasil, mas exagerou na dose. Agora, tem uma baita janela de vidro que a oposição vai apedrejar - disse o economista-chefe da corretora Gradual, André Perfeito, que prevê uma taxa de juros de 11,25% no fim do ano.
Decisão do comitê foi unânime
No comunicado divulgado após a reunião do Copom, o BC indicou que a sequência de alta dos juros está perto de acabar. Os diretores praticamente copiaram a nota à imprensa divulgada no encontro anterior. Inseriram, entretanto, a expressão “neste momento” para passar o recado.
“Dando prosseguimento ao processo de ajuste da taxa básica de juros, iniciado na reunião de abril de 2013, o Copom decidiu por unanimidade, neste momento, elevar a taxa Selic em 0,5 ponto percentual para 10,5% ao ano sem viés”.
- A mudança é bastante relevante. Deixaram mais claro que está próximo do fim do ciclo. E que esse ritmo (de altas de 0,5 ponto percentual) não se mantém - avalia a economista do Santander Tatiana Pinheiro, que foi surpreendida pela decisão, pois apostava em uma elevação de 0,25 ponto percentual.
A maioria dos analistas esperava um aumento mais modesto da taxa. No entanto, alguns começaram a mudar suas projeções depois de serem surpreendidos pelo resultado do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2013, que ficou em 5,91% (acima dos 5,84% do ano anterior), divulgado na semana passada pelo IBGE.
Um deles foi o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luís Otávio Leal. Ele mudou sua aposta após a escalada da inflação no fim do ano, mas mesmo assim avalia que o ajuste da taxa de juros está perto do fim, embora não seja suficiente para trazer o IPCA para o centro da meta, de 4,5% ao ano em 2014.
- Na economia, todo mundo tem de olhar o custo-benefício, e o custo para a trazer a inflação para a meta só com o aumento dos juros é muito alto - disse o economista.
Leal lembrou, entretanto, que recuperar a credibilidade do Banco Central não é simples e que isso só deve ser alcançado com o tempo, caso consiga controlar a inflação. Ele ressaltou que o BC não conseguiu cumprir nem a sua meta informal no ano passado: fazer com que o IPCA fechasse abaixo do patamar de 2012.
Para Perfeito, o BC deixou claro que faz a sua parte. E joga no colo da Fazenda parte da responsabilidade pelo controle dos preços por causa dos altos gastos:
- Agora, o BC mostrou que fará o que pode, mas também lava as mãos: deixa o problema dos gastos públicos na mão do governo e também da sociedade, que num ano de eleição, terá de decidir como resolver essa questão.
As entidades que representam as indústrias - CNI, Firjan e Fiesp - reagiram com discurso parecido à alta da taxa e reforçaram a necessidade de haver redução dos gastos públicos e política fiscal ativa no combate à inflação com o intuito de evitar a elevação do juro, que desacelera o ritmo dos investimentos.
Fiesp e Firjan cobram redução do gasto público
Para a Firjan, se não houver essa melhoria fiscal, “dificilmente o País poderá conviver com a tão almejada combinação de crescimento econômico e inflação controlada.” A CNI destacou, em nota, que a inflação continuará “sendo foco de preocupação em 2014, não só pelo elevado patamar, mas, principalmente, porque o governo recorreu, no ano passado, ao controle dos preços administrados e à redução da cesta básica”.
Esses mecanismos, de acordo com a CNI, dificilmente poderão ser repetidos com a mesma intensidade nesse ano, o que exigiria, portanto, os controles fiscais e dos gastos públicos. A Fiesp completou dizendo que, “com este novo aumento, 2014 começa mal, indicando que a esperada retomada da indústria ficará para depois”. Até a Força Sindical adotou discurso similar ao dos patronais e disse, também por meio de nota, que “o governo persiste nos mesmos erros, tratando o crescimento econômico e a geração de empregos unicamente como retórica”.

Alta da Selic gera custo extra de ao menos R$ 14 bilhões aos cofres públicos

Alta da Selic gera custo extra de ao menos R$ 14 bilhões aos cofres públicos

Autor(es): BRUNO VILLAS BÔAS
O Globo - 16/01/2014
 
O combate à inflação por meio da elevação da taxa básica de juros, a Selic, vai custar pelo menos R$ 14,2 bilhões a mais aos cofres públicos neste ano. É o que mostra cálculo do economista Felipe Salto, da Tendências Consultoria. Segundo ele, as despesas com juros devem crescer de R$ 56,5 bilhões no ano passado para R$ 70,7 bilhões neste ano, efeito do ciclo de aumento da Selic, que estava em 7,25% em abril de 2013 e chegou a 10,5% nesta quarta-feira.


Salto diz que sua estimativa é conservadora, pois considera apenas as operações compromissadas - instrumento do Banco Central (BC) para enxugar excesso de liquidez na economia pela venda de títulos públicos. Não está incluso o impacto dos juros sobre os títulos pós-fixados vendidos pelo Tesouro.
- Esses R$ 70 bilhões já representam três orçamentos do Bolsa Família. E o governo não vai conseguir mudar isso por decreto. É preciso mudar a base desta política fiscal expansionista, o que abriria espaço para uma política monetária mais decente - diz.
Pelos cálculos de José Roberto Afonso, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), o aumento de gastos com o ciclo da Selic é um pouco maior, de R$ 15,3 bilhões. O número, também considerado conservador, tem como base a estimativa informada na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) da União. Segundo o texto, o aumento de um ponto percentual da Selic provoca despesa extra com pagamento de juros de 0,09% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de produtos e serviços produzidos no país).
- A taxa de juros é o instrumento predominante de política monetária também em outros países, mas parece que existe monopólio disso aqui no Brasil - disse Afonso, lembrando que o governo também tem adotado outros caminhos para conter preços. - O governo está intervindo diretamente nos preços dos combustíveis, da energia elétrica. Os chamados preços administrados estão sendo mais administrados do que nunca.
Segundo Margarida Gutierrez, professora da UFRJ, o crescimento do custo de pagamento de juros pode ser maior este ano por causa das incertezas em torno do corte da nota de classificação de risco do Brasil pela agência Standard & Poor’s (S&P) e do ano eleitoral. Ela explica que, neste cenário, os investidores tendem a exigir maior rendimento nos títulos do país.
- Se o BC não elevasse a Selic, aumentaria ainda mais a incerteza e cresceria ainda mais a conta de juros.

Brasil quer reforçar laços comerciais com países ricos

Brasil quer reforçar laços comerciais com países ricos

Autor(es): ELIANE OLIVEIRA
O Globo - 10/01/2014
 
O governo brasileiro quer reforçar as relações comerciais com os países desenvolvidos, aproveitando a recuperação de algumas economias, notadamente a americana. Segundo disse ao GLOBO o assessor para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, esta reaproximação não significa, porém, retomar a ideia de uma Área de Livre Comércio das Américas (Alca), projeto sepultado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Tampouco abandonar a política de integração Sul-Sul, entre o Brasil e as demais nações em desenvolvimento.
Ele ressaltou que, por outro lado, a Europa ainda está bastante fragilizada e talvez por isso esteja reagindo timidamente à proposta do Mercosul de abrir uma ampla negociação comercial. As ofertas entre os dois blocos, para a criação de uma zona de livre comércio, estavam previstas para ocorrer em meados do mês passado. No entanto, de acordo com fontes do governo brasileiro, isso só deverá acontecer no mês que vem, porque os negociadores europeus alegaram dificuldades para obter aval de todos os países membros da União Europeia.
- Nós queremos reforçar laços comerciais com os países desenvolvidos. Mas enfrentamos problemas gravíssimos, sobretudo o do protecionismo, que marca as grandes potências e que dificulta uma relação equilibrada. Que fique claro, no entanto, que o Brasil não está disposto a reanimar o cadáver da Alca, como alguns analistas vêm propondo em forma disfarçada quando fazem a apologia da Aliança do Pacífico e da TPP (Transpacific Partnership). Como essa TPP traz embutida uma política anti-China, ela começa a enfrentar resistências em países latino-americanos, como é o caso do Chile - afirmou Garcia que, junto com o ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, é um dos principais articulares da política externa da presidente Dilma Rousseff.
Ao fazer essa declaração, o assessor presidencial se referia a dois grandes blocos comerciais: a Aliança do Pacífico, criada ano passado e composta por Chile, México, Peru e Colômbia, em contraposição ao Mercosul; e a TPP, parceria que está sendo negociada por EUA, Japão, Austrália, Peru, Malásia, Vietnã, Nova Zelândia, Chile, Cingapura, Canadá, México e Brunei.
EUA são 2º maior parceiro
Garcia disse que a política Sul-Sul, desenhada ainda no governo Lula, chegou a ser subestimada anteriormente, mas acabou representando uma “aguda e premonitória" percepção da evolução da situação mundial na primeira década deste século. Um novo grupo de países, entre os quais Brasil, China e Índia, emergia a passava a ter um papel decisivo, não apenas na economia mundial, como na própria configuração global.
Os Estados Unidos são os segundos principais compradores de produtos brasileiros. Em 2013, compraram US$ 24,9 bilhões do Brasil. A China ficou em primeiro lugar como país de destino de nossas exportações, com US$ 46 bilhões no ano passado.

BR-040 ATRAI 8 GRUPOS; GOVERNO JÁ ANALISA NOVAS CONCESSÕES

BR-040 ATRAI 8 GRUPOS; GOVERNO JÁ ANALISA NOVAS CONCESSÕES

BR-040 ATRAI OITO GRUPOS E GOVERNO JÁ BUSCA NOVAS RODOVIAS PARA LICITAR
Autor(es): Lu Aiko Otta
O Estado de S. Paulo - 24/12/2013
 

Transportes avalia trechos menores para serem licitados em 2014; rodovias no PR e RS estão em estudo.
O último leilão de rodovias do ano, o trecho da BR-040 entre Brasília e Juiz de Fora (MG), de 936 km, atraiu oito interessados, número acima do registrado nos três leilões anteriores. Animado com o sucesso das licitações, o governo já procura novos trechos para oferecer à iniciativa privada em 2014. Estão em análise rodovias no Paraná, no Rio Grande do Sul e no Nordeste. Serão concessões menores, de 200 a 300 quilômetros, mas em áreas de tráfego intenso, com potencial de atrair o empresariado. "Queremos ter a parceria do setor privado, porque o investimento público pelo PAC é interessante, mas demorado", disse o ministro dos Transportes, César Borges.


Logística. Segundo o ministro dos Transportes, animado com o processo de concessões de estradas deste ano, governo analisa agora trechos menores para serem licitados em 2014;.rodovias no Paraná, no Rio Grande do Sul e no Nordeste estão em estudos

O último leilão de rodovias do ano, o trecho da BR-040 entre Brasília e Juiz de Fora (MG), atraiu oito interessados, número acima do registrado nos três leilões anteriores. E, animado com o sucesso das licitações, o governo já procura novos trechos para oferecer à iniciativa privada em 2014. "Estamos satisfeitos com o processo e vamos continuar nessa linha", disse ao "Estado" o ministro dos Transportes, César Borges.
Estão em análise rodovias no Paraná, no Rio Grande do Sul e no Nordeste. Serão concessões menores, de 200 a 300 quilômetros, mas em áreas em que há tráfego intenso e, por isso, têm potencial de atrair o interesse do empresariado. "Queremos ter a parceria do setor privado, porque o investimento público pelo PAG (Programa de Aceleração do Crescimento) é interessante, mas demorado", reconheceu o ministro.
Com isso, o governo pretende surfar no interesse demonstrado pelas empresas nas concessões rodoviárias. No primeiro leilão do ano, em setembro, houve oito grupos interessados na BR-050 (MG/GO), embora nenhuma proposta pelo trecho da BR-262 entre Minas Gerais e o Espírito Santo - o que foi considerado pelo ministro um "ponto fora da curva". Os outros três trechos já licitados receberam entre cinco e seis propostas.
"O processo está tendo um sucesso absoluto, porque estamos colocando o quinto trecho em oferta e a participação das empresas tem sido de no mínimo cinco e no máximo oito." Com isso, o governo atinge seu objetivo, que é reduzir ao máximo as tarifas, disse.
O ministro não quis antecipar quanto poderá haver de deságio no leilão dos 936,8 km da BR-040, que será realizado na sexta-feira. Ao estimular a competição entre as empresas, o governo tem conseguido descontos de até 52% sobre a tarifa máxima proposta nos editais. "Esse é um número cabalístico, número da sorte", disse Borges.
Ele recuou do que havia dito no último dia 17, quando foi licitada a concessão da BR-163 no Mato Grosso do Sul, que teve deságio de 52,7%. Na ocasião, o ministro havia anunciado que jogaria no bicho. "Bicho é contravenção", lembrou ontem.
Um deságio desse nível, disse o ministro, torna a Taxa Interna de Retorno (TIR) dos empreendimentos negativa. Mas, do ponto de vista das empresas, o negócio ainda é bom porque elas estimam que as áreas atendidas pelas rodovias crescerão mais do que a média do País. Os cálculos dos editais levam em conta uma taxa de 2,5% ao ano, nos 30 anos da concessão.
O leilão da BR-040 fecha o calendário deste ano. O trecho é considerado, por especialistas, o filé mignon de todas as rodovias licitadas em 2013. "A 040 cruza Minas Gerais em uma área muito rica e abre uma perspectiva para as exportações pelo Rio de Janeiro. Do outro lado, faz a ligação com Brasília", afirmou o professor da Fundação Dom Cabral, Paulo Resende.
Segundo ele, além das melhorias no transporte de carga, a concessão da rodovia deve ampliar o tráfego de veículos de passeio para turismo, sej a rumo ao Rio de Janeiro ou Minas Gerais. "Hoje a estrada é muito perigosa, é uma região montanhosa, com muitas curvas e um traçado muito antigo. A duplicação deve aumentar o turismo entre as cidades."
Novos leilões. No primeiro trimestre de 2014, o governo espera leiloar a BR-153 de Anápolis (GO) a Gurupi (TO), um trecho de 573 quilômetros. Esse empreendimento estava na versão original do programa de concessões, anunciado em agosto de 2012, mas foi encurtado para tornar-se mais atrativo. Os 244 quilômetros de Gurupi a Palmas (TO) foram excluídos da concessão e serão duplicados como obra pública.
Outros trechos que estavam na lista do Programa de Investimento e Logística, como a "mi-cada" BR-262 (ES/MG) e a BR-101 (BA) passam por avaliação. Poderão ser convertidas em Parcerias Público-Privadas (PPP) ou outro desenho que atraia o interesse das empresas. Também não está descartada a possibilidade de o governo fazer esses investimentos.
Segundo Borges, a ausência de interessados na BR-262 foi i importante para fazer os ajustes que determinaram o atual sucesso do programa. Ele conta que a presidente Dilma Rous-seff "caiu de cabeça" nos leilões e coordenou pessoalmente a correção de rumo. "Dedico o sucesso a ela." / Colaborou Renée Pereira

Economistas elevam projeção de inflação para 2014

Economistas elevam projeção de inflação para 2014

O Globo - 23/12/2013
 
BRASÍLIA - Mesmo depois de o Banco Central dar sinais que poderá subir os juros básicos da economia mais que o previsto, os analistas do mercado financeiro aumentaram a estimativa para a inflação no ano que vem. A previsão para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 5,95% para 5,97%. Foi a segunda alta consecutiva registrada pela pesquisa semanal que o Banco Central faz com as principais instituições financeiras. Além de maior pressão nos preços, os especialistas esperam menos crescimento.
Pela terceira semana seguida, os especialistas diminuíram a projeção de expansão da economia brasileira para o ano que vem. A expectativa caiu levemente de 2,01% para 2%.
Já para este ano, os entrevistados mantiveram a previsão de crescimento em 2,3%. Aumentaram, entretanto, a perspectiva para a inflação de 5,7% para 5,72%. As estimativas estão bem próximas às previsões oficiais.
Na semana passada, o BC divulgou o seu relatório de inflação. Nele, afirmou que o Brasil não deve acelerar o crescimento no ano que vem e ainda terá de lidar com uma inflação persistente nos próximos dois anos. A projeção da autarquia para a expansão da economia neste ano caiu de 2,5% para 2,3% e esse será o ritmo mantido pelo país no terceiro trimestre do ano que vem.
Já o IPCA deve encerrar o ano em 5,8%, segundo o BC. Em 2014, último ano do mandato da presidente Dilma Rousseff, cairia para 5,6% e chegaria a 5,4% em 2015. O BC aboliu do texto a palavra “convergência” para a meta de 4,5%. E deu a entender que pode subir mais juros do que o previsto pelos economistas do mercado financeiro.
- Está bastante claro, mas vou ajudar vocês dessa vez. Isso quer dizer que o Copom vai permanecer de olho no combate à inflação - frisou o diretor de Política Econômica, Carlos Hamilton Araújo, em entrevista na sexta-feira da semana passada.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

História de consumo - IPI e juro baixo como armas

História de consumo - IPI e juro baixo como armas

O Globo - 16/12/2013
 

0 estímulo à poupança é carta nova num modelo econômico que apostou as fichas no consumo.
Em 2009, a crise mundial chegou j ao seu pior momento, e o governo | anunciou os primeiros cortes de | IPI para fogões, geladeiras e | outros produtos da linha branca.
Em maio de 2012, foi a vez de os carros ficarem livres do IPI. As vendas começaram a bater recordes.
Na construção civil, houve desonerações de impostos, com crédito habitacional mais barato e fácil e prazos de pagamento mais longos. 0 programa Minha Casa, Minha Vida, que subsidia moradia para população de menor renda, é um capítulo à parte do aquecimento do setor.
Seu adendo mais recente, o Minha Casa Melhor empresta até R$ 5 mil para compra de móveis, eletrodomésticos, computadores e tablets com prazo de 48 meses e juros de 5% ao ano. Nos financiamentos tradicionais, a taxa é 61%.
Outra forte ofensiva foi direcionada aos bancos. Depois de estimular os empréstimos consignados e baixar a taxa básica de juros, que chegou ao piso histórico de 7,25% ao ano no início de 2013, o governo iniciou uma pressão para que os bancos emprestassem mais e com taxas menores. Banco do Brasil e Caixa foram os primeiros a reduzir os juros para forçar os concorrentes privados a seguir o mesmo caminho. Mas a estratégia pareceu insuficiente, e a presidente Dilma interferiu pessoalmente, chamando os banqueiros para conversar.
Por essas e outras, o consumo das famílias vem sustentando o PIB do país e, apesar da perda de fôlego, registrou o 40º trimestre seguido de alta. Também não é sem razão que o nível de endividamento das famílias está batendo recordes

Economia ziguezague

Economia ziguezague

Autor(es): George Vidor
O Globo - 16/12/2013
 

Os cenários para 2014 tendiam para um crescimento momo, similar ao de 2013, mas ainda podem ser revistos
A economia brasileira sempre costuma surpreender, em diferentes direções, mas neste fim de ano os economistas estão tendo ainda mais dificuldades para traçar os cenários prováveis de 2014, por conta de estatísticas que parecem se contradizer a cada mês. Dados negativos e positivos relacionados à produção industrial, ao varejo e ao emprego vêm se alternando, e qualquer tipo de projeção a partir deles acaba envolvendo enorme margem de erro. O mais recente indicador do Banco Central, que busca aferir o ritmo da atividade econômica no país, pôs mais lenha na fogueira, pois voltou a reforçar a ideia de um crescimento mais expressivo neste último trimestre (e isso depois de o IBGE ter registrado uma retração do Produto Interno Bruto no terceiro trimestre que superou expectativas bem pessimistas). Somente no início de março, será divulgado o cálculo preliminar do comportamento do PIB em 2013. Até lá, os palpites vao variar.
Numa conjuntura de baixo crescimento, um ponto percentual de variação no PIB faz grande diferença. Antes da divulgação do indicador do Banco Central, ganhavam força no mercado financeiro os cenários que apontavam para 2014 um crescimento econômico tão momo como o de 2013. Os cenários que projetam crescimento ligeiramente acima de 3%, até então sendo descartados, entraram novamente no radar do mercado. É a famosa economia ziguezague, confundindo a cabeça dos especialistas e embaralhando as premissas usadas nos modelos macroeconômicos.
Obrigado em vez de "merci"
Durante esse período curto de férias, ouvi de franceses vários "obrigado" (em português mesmo) nos restaurantes e lojas, além de hotéis, como forma de agradecimento ou retribuição de gentileza a brasileiros em visita ao país deles. Dezembro é mês de turismo de compras na França e os brasileiros são reconhecidamente ávidos consumidores. Por causa da longa distância que nos separa do velho continente, brasileiros costumam passar mais tempo em cidades da Europa do que a estada habitual dos próprios europeus ou de americanos. Porém, anos atrás, não eram raros casos de turistas brasileiros que se queixavam do mau tratamento em viagem à Europa.
Os preços em euros pesam no bolso dos brasileiros quando é feita a conversão para reais. Mas a balança de turismo do Brasil com o exterior está cada vez mais deficitária, tendência que talvez seja interrompida em 2014 com a realização da Copa do Mundo. Até o início de dezembro, o Brasil recebeu seis milhões de visitantes estrangeiros, número recorde. A expectativa é que a Copa e os Jogos Olímpicos contribuam decisivamente para elevar tal número ao patamar de 10 milhões de turistas por ano. A França recebe 80 milhões, por conta de atrações turísticas para todos os gostos. O Brasil, por enquanto, está na categoria dos destinos exóticos.
Rota da ex-OGX
O fato de a ex-OGX (agora Óleo e Gás Participações) não ter bancos entre seus principais credores deve facilitar a aprovação do plano de recuperação da companhia em prazo relativamente curto, na opinião de advogados especialistas nessa área. O processo de recuperação, após a aprovação do plano, pode levar dois anos. Mas nesse período a companhia terá de sobreviver basicamente com as receitas provenientes da sua produção de petróleo, reiniciada com a entrada em operação do campo de Tubarão Martelo, na Bacia de Campos, pois é improvável que os credores aceitem injetar recursos na companhia nesse período, a não ser que transformem parte da dívida em participação acionária. Mais umá tentativa de negociação com os titulares de bônus da ex-OGX, nessa direção de troca de dívida por ações, está sendo feito, depois que a Justiça admitiu englobar na recuperação também as duas subsidiárias do exterior.
Trilhos chegando
Na hipótese mais otimista, o túnel da futura linha 4 do metrô do Rio que ligará as estações Jardim Oceânico (Barra da Tijuca) a São Conrado estaria aberto, nos seus mais de cinco quilômetros de extensão, nesta quarta-feira, mas o objetivo acabou antecipado em alguns dias. O túnel já está na fase de preparação do piso. Em janeiro chegarão os primeiros trilhos, que poderão começar a ser assentados em parte desse trecho da linha. O desafio agora é iniciar os trabalhos de construção do túnel entre Ipanema e Leblon, que será perfurado pelo "tatuzão" no momento instalado próximo à estação General Osório.

Adeus, consumo: BC quer incentivar a poupança

Adeus, consumo: BC quer incentivar a poupança

BC prepara plano de incentivo à poupança
Autor(es): Gabriela Valente
O Globo - 16/12/2013
Após anos de estímulo ao consumo, o governo planeja agora incentivos à poupança, com o intuito de elevar a taxa de investimento do país, hoje em níveis baixos. Com a mira na nova classe média, o Banco Central prepara uma estratégia de educação financeira, que inclui o uso de tablets em áreas pobres, para que 50 milhões de brasileiros comecem a economizar. 


Após anos de foco no consumo, governo quer estimular classe C a economizar para elevar taxa de investimento

Em vez de esconder dinheiro embaixo do colchão, o armador de ferragens Rubens Mariano deixa suas economias em uma conta corrente. É quase a mesma coisa, já que não recebe rendimento algum. Todo mês, ele separa R$ 200 ou R$ 300 para emergências. Não gosta de deixar na poupança porque acredita — erradamente — que não poderá sacar quando precisar. Com a mira em pessoas como ele, o Banco Central prepara uma estratégia para incentivar a poupança e aumentar a taxa de investimento no país, principalmente, entre a nova classe média. A medida vem após anos de incentivos do governo ao consumo.
Para fazer com que 50 milhões de brasileiros comecem a economizai; o Banco Central investirá em educação financeira. Uma das iniciativas é fazer softwares de jogos e distribuir tabíets em áreas pobres e favelas das grandes cidades para ensinar pessoas como Rubens. Se ele soubesse que pode usar os recursos da caderneta de poupança a qualquer momento, mas que só recebe os rendimentos a partir de 30 dias do depósito, ficaria mais tranqüilo. E poderia entrar para as estatísticas de investidores brasileiros.
— No banco, eles falam que tem de deixar o dinheiro por três ou seis meses para render alguma coisa. Daí, deixo na conta mesmo, porque posso precisar — diz o trabalhador.
Formação de multiplicadores
Com isso, continua fora do grupo de poupadores do país, mas já faz parte da população bancarizada, que teve um incremento substancial com a ascensão da nova classe média. Em outubro, o Brasil ultrapassou a marca de 100 milhões de contas correntes: crescimento de 27% nos últimos cinco anos. Muitos brasileiros que utilizam o sistema financeiro nem abrem conta corrente. Crianças e adolescentes — principalmente das classes mais altas — têm instrumentos de poupança como a caderneta e até previdência privada. Por isso, 132,4 milhões de CPFs mantêm relacionamento ativo com o sistema. Para incentivar esse tipo de comportamento entre a população de menor renda, o BC encomendou uma pesquisa sobre os hábitos bancários da classe C. Essa parcela da população teve um papel importante na retomada do crescimento via consumo, após a crise global de 2009. Antes mesmo dos resultados do estudo, a autarquia já traça projetos para incentivar a poupança em 2014 — o último ano do programa de inclusão financeira da autarquia. O foco é sempre formar "multiplicadores" ou seja, pessoas da própria comunidade que possam repassar os conhecimentos. Aí, entram os joguinhos nos tablets.
Os dispositivos serão entregues às mulheres. Com ajuda de cooperativas de crédito e do Ministério de Desenvolvimento Social, o BC começa a identificar grupos que já se reúnem para alguma atividade como, por exemplo, costurar. O equipamento passará de mão em mão.
E elas poderão aprender a melhor forma de poupar num jogo j educativo e ensinar familiares.
— Esse é o maior desafio: como sensibilizar a população a fazer aplicações de mais longo prazo — afirmou o diretor de Relacionamento Institucional e Cidadania do BC, Luiz Edson Feltrim.
A autoridade monetária, entretanto, quer mostrar que a caderneta de poupança não é a única forma de guardar dinheiro. O BC sabe que a modalidade é o mecanismo predileto das famílias com menor renda, mas quer ensinar que — de acordo com o objetivo das famílias — há instrumentos mais apropriados e eficazes.
— Nunca pensei em deixar em outro lugar que não fosse a poupança — afirma a estagiária em enfermagem Talita Lobato. — Acho que por falta de informação nunca pensei nisso.
Já a cozinheira Janaína Ribeiro não consegue guardar nem uma pequena parcela do que ganha por mês. Mesmo assim, tem uma caderneta de poupança, onde depositou todo o dinheiro da rescisão do último emprego. Aos 25 anos, a mãe solteira conta que colocar na aplicação foi uma decisão imediata ao trocar de trabalho.
— Quando a gente poupa é em caderneta de poupança, não? — pergunta Janaína.
Outros instrumentos - Além de estimular a nova classe média a guardar dinheiro, o BC pretende ainda incentivar os bancos a criarem novos produtos para atrair esses potenciais poupadores. É uma determinação do presidente Alexandre Tombini, que tem falado cada vez mais sobre o tema. O assunto é uma das vedetes da diretoria comandada por Feltrim.
Vamos construir essa agenda: aumentar a poupança, alongar os instrumentos de aplicação financeira, mas não temos a fórmula ainda — afirmou Feltrim. — Vamos lançar o desafio para o pessoal de baixíssima renda para ensinar esse pessoal a poupar. Independentemente do valor do seu ingresso, você pode poupar e não apenas com caderneta de poupança, mas com vários instrumentos.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Brasil é o pior do G20

Brasil é o pior do G20

Correio Braziliense - 13/12/2013
 
Retração do PIB no terceiro trimestre coloca o país na última posição entre as maiores economias do mundo
A contração de 0,5% do Produto Interno Bruto no terceiro trimestre fez o Brasil apresentar o resultado mais fraco, no período, entre todos os países do G20. Segundo a Organização Internacional para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), além do Brasil, apenas a França mostrou retração, de 0,1%. O G20 é formado pelas 19 maiores economias do mundo mais a União Europeia.

De acordo com a OCDE, o PIB do bloco avançou 0,9% de julho a setembro, ligeiramente acima da expansão de 0,8% registrada nos três meses anteriores. Não foram incluídos na comparação três países — Rússia, Argentina e Arábia Saudita — que ainda não apresentaram dados sobre o terceiro trimestre.

A entidade avaliou que o mau desempenho do Brasil pode ter sido, em parte, uma consequência natural do crescimento robusto de 1,8% verificado de abril a junho. A mesma explicação foi apresentada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os números no início deste mês. No entanto, outros países que vinham crescendo antes de forma acentuada mantiveram ou até ampliaram o nível de atividade no período seguinte.

É caso da China, que havia tido expansão de 1,9% no segundo trimestre e acelerou o ritmo para 2,2% no terceiro — a maior taxa entre todos os integrantes do G20. A Índia, que ocupou o segundo lugar entre os que mais cresceram, passou de 1% para 1,9%, e os Estados Unidos, de 0,6% para 0,9%. 

A maior parte dos analistas espera que o Brasil volte a crescer no último trimestre do ano, mas em ritmo ainda lento, dada a pouca confiança dos empresários nas decisões do governo. Relatório divulgado ontem pelo Itaú Unibanco, estima que a economia avançou 0,3% em outubro, com alta mais disseminada que em meses anteriores. De acordo com os economistas do banco, o comércio e a indústria lideraram a expansão, mas a agropecuária voltou a cair. 

Ritmo lento
Para novembro, os indicadores disponíveis apontam para recuo da produção industrial e ligeira queda das vendas no comércio. Mesmo assim, o PIB deverá crescer 0,3%. Segundo o Itaú Unibanco, a expansão do quarto trimestre pode chegar a 0,6%.


» Mal na foto

Crescimento da produção no período julho-setembro

China    2,2
Índia    1,9
Indonésia    1,3
Coreia do Sul    1,1
Turquia    0,9
Estados Unidos    0,9
México    0,8
Reino Unido    0,8
Canadá    0,7
Austrália    0,6 
Alemanha    0,3
Japão    0,3
África do Sul    0,2
União Europeia    0,2
Itália    0
França    -0,1
Brasil    - 0,5

Total do G20    0,9

Fonte: OCDE

Fôlego curto na indústria

Fôlego curto na indústria

O Globo - 12/12/2013
 

Após cinco meses de queda, emprego cresce 0,1% no setor, mas não garante retomada
Após cinco meses de recuo, o emprego na indústria parou de cair. O total do pessoal ocupado nas fábricas avançou 0,1% em outubro, frente a setembro, segundo dados divulgados ontem pelo IBGE. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, no entanto, o indicador registrou a 25° queda consecutiva, de 1,7%. No acumulado do ano, a queda é de 1%. Mesmo com a reação no último mês, a expectativa entre especialistas é de que o emprego industrial só voltará a crescer quando a recuperação na produção industrial se consolidar.
O recuo no emprego em outubro ocorre quando a atividade na indústria começou a reagir, num ano de oscilações. A produção subiu 0,6% em outubro, terceira alta seguida frente ao mês anterior, num sinal de recuperação, ainda que moderada, após um 2013 de gangorra. No ano, a produção industrial acumula alta de 1,5%.
A pesquisadora do Ipea Maria Andréia Lameiras explica o descompasso entre a produção industrial e o emprego:
— Quando a produção começou a cair, em 2011 e 2012, o emprego se manteve estável. O empresário reteve a mão de obra achando que o recuo seria temporário. Mas a recuperação da produção demorou muito e o emprego na indústria acabou caindo também, embora em menor intensidade. Agora, vemos uma inversão. A produção começou a reagir, mas o emprego ainda está sob impacto — afirma Andréia.
QUEDA EM 13 DE 18 RAMOS INDUSTRIAIS
O professor de Estratégia da Fundação Dom Cabral Paulo Vicente dos Santos Alves lembra que há um período entre a retomada na produção e o início de contratação. Por isso, o que pode estar ocorrendo é um crescimento da produção a partir do uso da capacidade ociosa da indústria.
— Agora, a indústria começa a crescer, mas, por enquanto, pode não ser necessário contratar pessoal porque a mão de obra ficou com algum nível de ociosidade — diz, por sua vez, o pesquisador do Ipea Leonardo Carvalho.
Para o economista Rafael Bacciotti, da Tendências Consultoria, há uma expectativa de queda no emprego industrial em 2013 devido à retomada modesta da atividade econômica e à falta de confiança dos empresários:
— A despeito da desoneração da folha de pagamento e incentivos do governo, não vemos recuperação. A produção vem em um ritmo um pouco melhor que no ano passado graças ao câmbio mais valorizado e a ganhos de competitividade e de produtividade.
Em outubro, o total do pessoal ocupado recuou em 13 dos 18 ramos pesquisados na comparação com igual mês do ano passado, com destaque para produtos de metal (5,7%), máquinas e aparelhos eletrônicos (5,1%), máquinas e equipamentos (3,5%), calçados e couro (5,2%), outros produtos da indústria de transformação (3,8%) e produtos têxteis (3,6%).
O número de horas pagas na indústria, por sua vez, avançou 0,3% entre setembro e outubro, enquanto a folha de pagamento real recuou 0,8%. Frente a outubro de 2012, houve queda de 2% e avanço de 1,2%, respectivamente.
— (O avanço de 0,1%) é melhor do que uma nova queda, claro, mas o algo novo é apenas que parou de cair (o nível de emprego na indústria). É um resultado pontual. Ainda não dá para saber se há uma nova trajetória. O perfil dos recuos continua bem disseminado entre os setores — diz o gerente da coordenação de Indústria do IBGE, André Macedo,
REAÇÃO A VISTA
Estudo feito pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) aponta que, em dez dos 18 segmentos da indústria, o número de ocupados caiu em 2012 e esta queda se manteve nos dez primeiros meses de 2013. O setor têxtil registrou recuo de 5,9% do pessoal ocupado no ano passado e de 3,8% no período entre janeiro e outubro de 2013. No vestuário, essas quedas foram de 8,9% e 2,9%, respectivamente. As taxas foram negativas em 6,2% e 5,3% no setor de calçados e couros e em 8% e 5,2% no de madeira.
— O emprego acabou não resistindo ao comportamento errático da produção industrial — aponta o economista chefe do Iedi, Rogério César de Souza.
A expectativa dos especialistas é de alguma reação na geração de empregos da indústria, assim que a produção consolidar sua tendência de crescimento:
—    Este 0,1% de alta em outubro já pode ser um indício de reação. A produção industrial está começando a retomar uma trajetória de recuperação e isso pode se refletir no emprego mais à frente — diz Andréia.
Para Souza, do Iedi, o emprego deve começar a reagir se a produção industrial mantiver um crescimento consistente por três a cinco meses. A projeção do Iedi é de um crescimento em torno de 2% da produção industrial em 2013 e de até 2,5% em 2014. lá Fernanda Guardado, da Brasil Plural, não espera uma melhora no ano que vem. Ela acha que a recuperação da indústria ao longo de 2013 perde fôlego. (Colaborou Márcio Beck)

BC continuará a intervir no câmbio em 2014



BC continuará a intervir no câmbio em 2014

Autor(es): Francisco Carlos de Assis Mearão Leopoldo
O Estado de S. Paulo - 06/12/2013
 



O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, informou ontem que a instituição vai estender para 2014 o programa de venda de contratos de câmbio, iniciado em agosto com o objetivo de conter a alta do dólar. "Informo que, com alguns ajustes, o BC estenderá o programa de oferta de hedge cambial
no futuro", disse. "Em 2014, o BC não sairá de cena do mercado cambial."
Mesmo sem mais detalhes, a declaração de Tombini ajudou a interromper uma sequência de sete altas do dólar em relação ao real. No final da sessão de ontem, a moeda americana fechou em queda de 1,09%, cotada a R$ 2,3630. Na visão de analistas, o presidente do BC minimizou o risco de uma disparada
do dólar em face da possibilidade cada vez mais premente de o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) reduzir os estímulos à economia dos EUA.
De acordo com Tombini, que participou de evento da Federa-cão Brasileira de Bancos (Febra-ban), o BC atem atuado e oferece proteção cambial a agentes econômicos e liquidez a mercados", o que está relacionado com a volatilidade dos mercados internacionais, especialmente com a variação da curva de juros futuras em países desenvolvidos, como os EUA. "Autoridades podem agir para mitigar efeitos da volatilidade nos mercados financeiros", disse.
O presidente do BC disse também que, este ano, o sistema financeiro seguiu avançando no desenvolvimento do mercado de crédito. Ele reconheceu que há uma tendência de moderação na liberação de financiamentos, mas ressaltou que, até 2014, a tendência é de crescimento no crédito.
Segundo ele, essa moderação no crédito exige um aprimoramento do processo de concessão, com a liberação de uma modalidade mais segura. Ele reiterou que neste ano ficou mais uma vez provada a solidez do sistema financeiro nacional, que resistiu àvolatilidade decorrente da crise da economia americana e do câmbio, sem que í houvesse qualquer indício de estresse no sistema.
Tombini destacou também a adoção da regulamentação pra-dencial e do acordo de Basileia 3. Segundo ele, a adoção de Basileia 3 se deu a partir de i.° de outubro deste ano e segue os padrões do acordo internacional que terá início em 2022. "Basileia 3 melhora a aferição da exposição a risco, a qualidade e a quantidade de capital", disse.
Mas ele ressaltou que há desafios para o setor financeiro, que  não são necessariamente novos. O financiamento de médio  e longo prazos é um deles. "É i um tema presente na nossa agenda há alguns anos e é justo  ressaltar que algum progresso já foi alcançado. Mas, neste momento em que o investimento em infraestrutura é alçado ao nível máximo de prioridade, e que há várias importantes iniciativas em curso, é essencial intensificarmos nossos esforços para que o setor financeiro como um todo, e o segmento bancário em particular, possa se engajar ainda mais e, com segurança, participar dessa oportunidade."

PIB fraco eleva risco de o país ser rebaixado

PIB fraco eleva risco de o país ser rebaixado

PIB fraco aumenta o risco de rebaixamento
Autor(es): DECO BANCILLON
Correio Braziliense - 03/12/2013
 
Valor da produção econômica do país no terceiro trimestre caiu até 0,3%. Dado oficial sai hoje e IBGE vai rever número do ano passado. Poucos acreditam em melhora significativa entre outubro e dezembro. Indústria está estagnada e dólar sobe

A economia brasileira pode ter encolhido até 0,3% no terceiro trimestre do ano, em relação ao período imediatamente anterior. Nove entre 10 analistas apostam que o valor das riquezas produzidas por empresas, famílias e pelo governo diminuiu, como resultado de políticas oficiais que fracassaram na missão de estimular o desenvolvimento do país. Alguns poucos acreditam em estabilidade, ou seja, em crescimento zero no período. “A única divergência em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), dentro ou fora do governo, é sobre o tamanho da queda”, resumiu o economista Mansueto Almeida, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O resultado, calculado pelo IBGE, será comunicado hoje, por volta das 7h, à presidente Dilma Rousseff. Duas horas mais tarde, os dados oficiais serão divulgados para o restante do país. 

Apesar da expectativa ruim, o governo deverá comemorar a revisão dos dados relativos a 2012. Conforme Dilma antecipou há um semana, em entrevista ao jornal espanhol El País, o IBGE deverá esclarecer que o crescimento foi de 1,5%, e não de 0,9%, conforme havia informado antes. Mesmo significativamente maior, o novo número ainda traz desconforto à equipe econômica. No ano passado, quando um banco suíço previu que esse seria o desempenho da economia brasileira, a estimativa foi tachada como “piada” pelo ministro da Fazenda.

O mercado vê a revisão dos dados com ceticismo. A presidente no Brasil da agência de classificação de risco Standard & Poor’s, Regina Nunes, disse que a confiança do investidor não vai melhorar, porque a imagem do país está desgatada por problemas fiscais, inflação elevada e falta de transparência. “Quando você começa a discutir o passado para tentar cumprir as metas de hoje, isso é um problema”, disse. A S&P mantém a nota do Brasil em BBB (grau de investimento), mas com perspectiva negativa.

Ao olhar para a frente, a situação é ainda mais preocupante. Em outubro, o faturamento do setor industrial recuou 1,2%, conforme informou a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em novembro, não foi somente esse indicador que veio fraco, mas toda a atividade fabril. Também divulgado ontem, o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) apontou recuo na passagem de outubro para novembro, de 50,2 para 49,7. “Os dados destacaram mais uma contração nos pedidos (de encomendas) na indústria brasileira”, assinalou o responsável pela pesquisa, o economista-chefe para o Brasil do banco inglês HSBC, André Lóes.

Parte desse mau resultado se deve ao desempenho frustrante de um dos setores que mais receberam a ajuda do governo, o de automóveis. Movido a desonerações do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o mercado de carros começa a apresentar desaceleração. Dados preliminares mostram que as vendas de veículos novos recuaram 8,25% em novembro frente ao mês anterior. O resultado fez os analistas revisarem as projeções para 2013. Agora, eles preveem queda nos emplacamentos, algo que não acontece há mais de 10 anos.

Moeda dos EUA
Em meio a esse turbilhão de más notícias, o dólar volta a preocupar. Mesmo com o Banco Central (BC) despejando todos os dias milhões de dólares no mercado, numa tentativa de estimular a queda nas cotações, a moeda norte-americana fechou ontem a R$ 2,355 para a venda, o maior patamar já registrado em quase três meses. A divisa mais cara indica que as importações — inclusive de máquinas e equipamentos, essenciais para turbinar o investimento — ficarão mais onerosas, jogando mais lenha na inflação, já pressionada pelo aumento da gasolina e do diesel. 


» Balança: pior 
   saldo em 13 anos


A balança comercial registrou deficit de US$ 89 milhões de janeiro a novembro deste ano, o pior resultado para este período desde 2000, quando a diferença entre importações e exportações ficou negativa em US$ 519 milhões. O desempenho deste ano foi bem diferente do verificado no mesmo período de 2012, quando o país teve saldo positivo de US$ 17,1 bilhões. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), a média das exportações caiu 1,2%, enquanto as importações cresceram 7,1%. O resultado teria sido ainda pior se não fosse a “exportação” de seis plataformas de petróleo, no valor de US$ 6,6 bilhões, que nunca saíram do Brasil. Elas foram compradas por subsidiárias estrangeiras, mas ficaram no país. Em novembro, houve duas operações desse tipo, no valor de US$ 1,8 bilhão, o que permitiu à balança mostrar superavit de US$ 1,74 bilhão, o melhor desempenho, para o mês, desde 2007.