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domingo, 2 de fevereiro de 2014

ONU reduz projeção de crescimento para o Brasil

ONU reduz projeção de crescimento para o Brasil

Autor(es): Juliana Garçon
O Globo - 21/01/2014
 
O Brasil foi o país que teve o maior corte (1,4 ponto percentual) nas projeções para o crescimento econômico em 2014 no relatório “Situação da Economia Global e Perspectivas para 2014”, da Organização das Nações Unidas (ONU). Agora, a ONU prevê expansão de 3% neste ano.
A entidade estima que o país cresceu 2,5% em 2013, corte de 1,5 ponto percentual em relação à expectativa divulgada há um ano. Nesta comparação, contudo, há países, como o México, que sofreram revisão ainda maior — de 2,6 pontos percentuais — para 1,2%. A ONU destacou que algumas grandes economias em desenvolvimento, como o Brasil, viram a expansão do PIB desacelerar nos últimos dois anos, devido a fatores externos e internos, mas têm condições de retomar ritmo mais forte. Para 2015, a expectativa é de crescimento de 4%.
Déficit da balança de US$ 2,05 bi
O déficit da balança comercial se aprofundou na terceira semana de janeiro. A diferença entre exportações e importações na semana passada resultou em saldo negativo de US$ 2,049 bilhões acumulado no mês, conforme o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Até a semana anterior, a cifra era de US$ 574 milhões. No mês, as exportações somam US$ 8,841 bilhões e as importações, US$ 10,890 bilhões. Só na semana passada, o saldo ficou negativo em US$ 1,475 bilhão.
Segundo o MDIC, a média de exportações na semana passada foi 4,2% maior que nas duas primeiras semanas do mês, com aumento de 20% nas vendas de produtos básicos, como petróleo em bruto, minério de ferro, carnes e café em grão. Mas caíram em 20,2% as vendas de produtos semimanufaturados, especialmente açúcar em bruto, celulose, ferro fundido, e semimanufaturados de ferro e aço.
O saldo negativo foi acentuado pelo crescimento de 30,1% nas importações, devido principalmente a combustíveis e lubrificantes, equipamentos mecânicos, veículos e partes.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Para FMI, Brasil crescerá menos

Para FMI, Brasil crescerá menos

Brasil e mundo vão crescer menos, avalia FMI
Autor(es): Altamiro Silva Júnior
O Estado de S. Paulo - 17/04/2013
 

O FMI reduziu a projeção de crescimento da economia brasileira em 2013, de 3,5%, previstos em janeiro, para 3%. A projeção mundial é de 3,3%, abaixo dos 3,5% previstos.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu a projeção de crescimento da economia brasileira em 2013, de 3,5%, previstos em janeiro, para 3%. A estimativa consta no relatório Projeção Econômica Mundial: Esperanças, Realidades e Riscos, divulgado ontem no início da Reunião de Primavera do organismo internacional em Washington.
Esta é a segunda revisão para baixo na estimativa de crescimento da economia brasileira para 2013. Em janeiro, o FMI já havia baixado a previsão, que era de expansão de 4% divulgada em um relatório feito em outubro pelos economistas do Fundo.
O Brasil foi um dos países com maior revisão para baixo nas estimativas de crescimento. Só perde para um grupo de pequenos países formado por ex-repúblicas da União Soviética, como Armênia e Tajiquistão. Para essa região, excluindo a Rússia, a estimativa foi reduzida em 0,8 ponto, de 4,3% para 3,5%. Poucos países tiveram revisão para cima nas projeções: Japão e Alemanha estão entre eles.
Ao mesmo tempo em que reduziu a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para 2013, o FMI elevou em 0,1 ponto a estimativa de 2014. Em janeiro, a previsão era de que o país fosse crescer 3,9% no ano que vem, número agora elevado para 4%.
América Latina e mundo. Para a América Latina como um todo, a projeção de crescimento foi reduzida em 0,3 ponto por-centual, para 3,4% em 2013. Já para 2014, o número não mudou e o FMI segue esperando crescimento de 3,9%. O México deve ganhar do Brasil em crescimento este ano, com expansão prevista de 3,4%, mas perde em 2014, ano em que deve crescer os mesmos 3,4% de 2013.
O  FMI também reduziu a projeção de crescimento da economia mundial. A expectativa é de que o PIB global tenha expansão de 3,3% este ano, abaixo dos 3,5% projetados em janeiro. Para 2014, a estimativa segue inalterada, com previsão de crescimento de 4%.
Os mercados emergentes, notadamente a China, vão continuar puxando o crescimento mundial. Mas mesmo para esse grupo de países a projeção do FMI foi reduzida. A previsão é de que os emergentes cresçam 5,3% este ano, ante estimativa anterior de 5,5%. A China deve crescer 8%, 0,1 ponto abaixo do número divulgado em janeiro.
Os países desenvolvidos devem crescer 1,2% em 2013, ante 1,3% do relatório de janeiro. Os Estados Unidos vão puxar essa  expansão, com crescimento previsto de 1,9%, 0,2 ponto abaixo da anterior. A redução na esti-: mativa ocorreu por causa da entrada em vigor dos cortes auto-máticos de gastos públicos na  economia americana.
A zona do euro vai continuar , em recessão e a previsão é de encolhimento de 0,3% do PIB  da região, uma piora de 0,2 ponto ante a estimativa anterior. O FMI mantém a previsão de que os países da região vão se recuperar em 2014, crescendo 1,1%. A Alemanha deve ser o destaque e ter crescimento de 0,6% este ano, enquanto países como Itália e Espanha seguem se contraindo mais que o inicialmente esperado, respectivamente em 1,5% e 1,6%. No caso da Itália, a projeção foi revista para baixo em 0,4 ponto, pois em janeiro se esperava contração de 1,1%, por causa do caos político no país.
O Chipre mostrou que os bancos na zona do euro ainda precisam de ajustes, destaca o documento. Outro risco para a região é a incerteza política na Itália, que tem paralisado as reformas do país". O relatório também alerta para a necessidade de um ajuste maior no déficit fiscal dos EUA. O ponto positivo é que os países avançados vêm conseguindo reduzir suas dívidas.
O Japão, que resolveu adotar uma política monetária mais ex-pansionista, foi um dos países que teve maior revisão para cima. A economia japonesa deve crescer 1,6% este ano, 0,4 ponto acima da previsão anterior. Para 2014, a estimativa aumentou em 0,7 ponto e agora é de 1,4%.

domingo, 3 de março de 2013

PAÍS CRESCE APENAS 0,9%, O MENOR PIB DESDE 2009

PAÍS CRESCE APENAS 0,9%, O MENOR PIB DESDE 2009

PIB CRESCE 0,9% E PÕE 2013 EM RISCO
Autor(es): PAULO SILVA PINTO ENVIADO ESPECIAL
Correio Braziliense - 02/03/2013
 

Dados divulgados ontem pelo IBGE mostram que a economia brasileira pisou no freio e cresceu menos de 1% em 2012. É o pior desempenho do Produto Interno Bruto (PIB, total das riquezas produzidas no país) desde o auge da crise internacional em 2009. Diante do cenário de incertezas,no ano passado, os investimentos encolheram 4% na comparação com 2011.O tombo foi o maior em quatro anos. Entre os países que formam o bloco Brics, o Brasil foi o que menos avançou. A China registrou expansão de 7,8%; a Índia, de 5%; a Rússia, de 3,4% e a África do Sul, de 2,5%.

Avanço do Produto Interno Bruto no ano passado revela as dificuldades do país para retomar as forças. O Brasil tem o pior desempenho entre os Brics, fica atrás das nações vizinhas e perde o posto de sexta economia do mundo para a Grã-Bretanha

Rio de Janeiro — A presidente Dilma Rousseff mandou um curto, mas enfático recado, a sua equipe: “Não desanimem”. O objetivo foi manter a cabeça erguida do governo, nocauteado ontem com a divulgação de que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu minguado 0,9% em 2012, o menor resultado desde 2009. Apesar de esperado, o número informado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) expôs as fissuras da política econômica, que assustou os investidores, deixou os empresários com o pé atrás e instalou um clima de desconfiança que custa a dissipar, mesmo com todos os estímulos ao setor produtivo alardeados pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. A ordem, agora, do Palácio do Planalto é olhar para frente, unificar o discurso e não dar mais munição à oposição, que já se arma para as eleições de 2014.

Pelas contas do IBGE, nos dois primeiros anos do mandato de Dilma, a média de crescimento anual ficou em 1,8%, considerando a expansão de 2,7% em 2011. Trata-se do pior resultado no primeiro biênio de um mandato desde o governo de Fernando Collor de Mello, quando o Brasil enfrentou recessão (-1,7%). Na avaliação de Guido Mantega, não se pode fazer tal comparação, uma vez que, duas décadas atrás, o que jogava o PIB para baixo era um crise interna, agigantada pela hiperinflação. Agora, o país está sendo solapado por sérios problemas internacionais. Esse argumento, no entanto, não se sustenta, pois, outras economias, muitas delas vizinhas do Brasil, estão com crescimento de até 5%. E, melhor, com inflação baixa — aqui, o custo de vida se mantém acima de 6% no acumulado de 12 meses.

A grande esperança do Planalto era de que o quarto trimestre de 2012 marcasse uma virada da economia, consolidando a retomada. Não foi, porém, o que aconteceu. Entre outubro e dezembro, o PIB aumentou 0,6% ante o trimestre anterior, abaixo da média das expectativas do mercado, de 0,8%. Por isso, vários analistas já estão revisando as estimativas de expansão em 2013. A Tendências Consultoria fala, agora, em 3% ante os 3,2% projetados até ontem. Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco WestLB, assegurou que deve rever a sua previsão para menos de 3%. “Os dados não são animadores, é preciso ser otimista de forma cautelosa”, frisou. Não à toa, o ex-presidente Lula, que estava no interior do Ceará, recusou-se a comentar o PIB.

Competitividade
O desempenho do Brasil em 2012 ficou abaixo da média mundial, de 3,2%, e foi o pior dentre o Brics, grupo de nações emergentes que inclui a Rússia (3,4%), a Índia (5%), a China (7,8%) e a África do Sul (2,5%). Na América Latina, vários países ficaram acima da média mundial: México (3,9%), Colômbia (4%) e Chile (5,5%). E mais: o Brasil perdeu o posto de sexta economia do mundo para a Grã-Bretanha. “O Brasil tem uma economia mais diversificada do que seus vizinhos da região”, disse o coordenador de Contas Nacionais do IBGE, Roberto Olinto. No caso do México, a explicação para a diferença é outra. “O PIB maior foi influenciado pelos 2,2% de crescimento dos Estados Unidos. O México tem muitas maquiladoras (fábricas que montam componentes importados agregando pouco valor), que exportam para o mercado norte-americano”, argumentou.

Professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas Gomes viu outras razões para o desempenho pífio da economia brasileira. “Temos menor competitividade do que muitos países, sobretudo pela precariedade da infraestrutura e do elevado custo da mão de obra”, frisou. Para produzir o mesmo que um trabalhador dos EUA, é preciso cinco brasileiros. Os altos salários pagos no país, por sinal, ajudam a explicar o porquê, mesmo com o PIB patinando, o desemprego se mantém baixo. As empresas não demitem, porque temem ser obrigadas a contratar mais caro no futuro. De qualquer forma, o próprio governo admite que o mercado de trabalho vai sentir o baque neste ano, com menor criação de vagas formais.

“O gosto para o início de 2013 está meio amargo. Para chegar ao PIB de 4% que o governo quer, o investimento tem que ser retomado com força, o que não estamos vendo, e o consumo tem que crescer ainda mais, movimento difícil se levado em conta o elevado nível de endividamento das famílias”, afirmou Thadeu. Ele destacou que os números ruins de 2012 contaminaram a confiança dos agentes econômicos. A agricultura caiu 2,3% no ano. Já a indústria encolheu 0,8%, a despeito do corte do Imposto sobre Produtos (IPI) para vários setores e de a taxa de juros ter caído para o menor nível da história, 7,25% ao ano. Por conta do fraco desses segmentos, o IBGE revisou, para baixo, os resultados do terceiro trimestre, de 0,6% para 0,4%, e do segundo, de 0,3% para 0,2%.

Ladeira abaixo

Nada, porém, pesou tanto para empurrar a economia brasileira ladeira abaixo como os investimentos produtivos, que tombaram 4% em 2012, apesar do incremento de 0,5% entre outubro e dezembro. São os desembolsos feitos pelos empresários para a ampliação de fábricas que dão a dinâmica ao PIB. O problema é que muitos deles estão preocupados com a política intervencionista adotada pela presidente Dilma. “O 0,5% de avanço no quarto trimestre foi o primeiro sinal da recuperação dos investimentos”, ressaltou Roberto Padovani, da Votorantim Corretora. “A dúvida é se isso vai se manter”, afirmou Zeina Latif, economista da Gibraltar Consulting.

Roberto Olinto, do IBGE, também ressalvou que é preciso observar mais um trimestre para garantir que há aumento de fato “e não apenas uma oscilação” no investimento Vários economistas veem a inflação em alta e a ameaça de elevação dos juros como limitadores para um salto nos desembolsos das empresas. “A inflação atrapalha, pois a indústria tem aumento de custos e não consegue repassá-los para seus preços”, afirmou Zeina.

Do lado positivo do PIB, o crescimento foi calcado pelo consumo do governo e das famílias, com avanço de 3,1% e 3,2% no ano, respectivamente. Carlos Thadeu, da CNC, explicou que, no caso dos lares, o incremento se deveu à constante elevação da massa salarial no país, puxada pelo salário mínimo. O consumo das famílias teve o 37º trimestre de aumento entre outubro e dezembro na comparação com o mesmo período do ano anterior. Os economistas acreditam, porém, que a demanda dos trabalhadores deve esfriar se os juros realmente subirem.

No entender de Jankiel Santos, economista-chefe do Espírito Santo Investiment Bank, o Brasil vai crescer mais neste ano, até porque a base de comparação será baixa. Mas ele assinalou que se esgotaram as políticas de incentivo ao consumo.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Projeção do mercado para crescimento do PIB este ano tem leve queda, mostra boletim Focus

Projeção do mercado para crescimento do PIB este ano tem leve queda, mostra boletim Focus

18/02/2013
Kelly Oliveira
Repórter da Agência Brasil 

  Analistas de instituições financeiras consultados pelo Banco Central (BC) ajustaram a projeção para o crescimento da economia neste ano e em 2014, segundo o boletim Focus, divulgado hoje (18) pela instituição.
A projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, foi reduzida de 3,09% para 3,08%, em 2013, e de 3,80% para 3,65%, no próximo ano.
A estimativa para a expansão da produção industrial passou de 3,10% para 3%, este ano, e de 3,70% para 3,50%, em 2014.
A projeção para a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB foi ajustada de 34,25% para 34,50%, em 2013, e de 33% para 33,10%, no próximo ano.
A expectativa para a cotação do dólar passou de R$ 2,03 para R$ 2,02, ao final deste ano, e permanece em R$ 2,05, ao fim de 2014.
A previsão para o superávit comercial (saldo positivo de exportações menos importações) passou de US$ 15,5 bilhões para US$ 15,2 bilhões, este ano, e de US$ 16 bilhões para US$ 15,6 bilhões, em 2014.
Para o déficit em transações correntes (registro das transações de compra e venda de mercadorias e serviços do Brasil com o exterior), a estimativa foi alterada de US$ 64 bilhões para US$ 62,65 bilhões, em 2013, e de US$ 69,37 bilhões para US$ 68,73 bilhões, em 2014.
A expectativa para o investimento estrangeiro direto (recursos que vão para o setor produtivo do país) foi mantida em US$ 60 bilhões tanto para 2013 quanto para o próximo ano.
Edição: Juliana Andrade

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Brasil tem pior crescimento desde Collor

Brasil tem pior crescimento desde Collor

País tem pior crescimento desde Collor
Autor(es): Marcelo Rehder
O Estado de S. Paulo - 26/11/2012
 

Dilma Rousseff deverá encerrar seus dois primeiros anos de governo com crescimento superior somente ao de Collor na história recente do país. Rio terá hoje manifestação contra lei dos royalties.
Governo Dilma deve fechar biênio 2011-2012 com expansão média anual do PIB na casa de 2,1%, menor desempenho da história recente

A presidente Dilma Rousseff deverá encerrar os dois primeiros anos de seu mandato com a segunda pior média de crescimento da história recente do Brasil, só perdendo para o período Collor. No biênio 2011-2012, o crescimento médio anual do Produto Interno Bruto (PIB) do País deverá ser da ordem de 2,1%, considerando uma expansão de 1,52% prevista para este ano pela mediana do mercado financeiro na pesquisa do Boletim Focus, do Banco Central (BC).
Nos dois primeiros anos do primeiro e do segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, essa média foi de, respectivamente, 3,4% e 5,6%, e nos de Fernando Henrique Cardoso, de 3,2% e 2,3%. Já no de Fernando Collor de Mello, ficou em 0,25%.
Economistas alertam para o risco de 2013 piorar o prognóstico para o governo, caso não mude o foco da política de crescimento - hoje baseada no aumento do consumo - passando a incentivar mais o investimento e melhorar a produtividade.
"Esses resultados ruins não serão salvos com políticas pontuais, como a desoneração do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) dos automóveis, que ajudou muito o resultado do terceiro trimestre, que esperamos ser de 0,9% na margem (comparação com o anterior)", afirma Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados. "Mesmo com um quarto trimestre ainda melhor (1,1%), o resultado será de 1,3% no ano", ressalta.
Na sexta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vai divulgar os números do PIB referentes ao terceiro trimestre. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, prevê crescimento de 1,2% na comparação com o segundo trimestre.
Para o ex-diretor do Banco Central, Carlos Thadeu de Freitas, hoje presidente da Confederação Nacional do Comércio (CNC), a economia não deslancha mais por problema de oferta do que de demanda. Ele argumenta que tanto a demanda não está fraca que a inflação está acima do centro da meta, de 4,5%.
"Precisamos de uma mini-agenda de crescimento que comece por desindexar o salário mínimo", defende. A proposta é polêmica e enfrenta forte resistência dos sindicatos, mas ele argumenta que é preciso baixar o custo unitário do trabalho no Brasil, "que está muito alto".
"Esse custo é pressionado para cima pela política do salário mínimo, que todo ano tem um aumento real de valor", diz o presidente da CNC.
As medidas tomadas recentemente pelo governo ainda não tiveram impacto no aumento da produtividade das empresas, diz o empresário José Ricardo Roriz Coelho, diretor do departamento de Competitividade e Tecnologia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
"O governo, em algumas coisas, andou numa velocidade que chegou a impressionar", afirma Roriz Coelho. "Só que a queda da Selic (a taxa básica de juros da economia), por exemplo, ainda não pegou o spread bancário e as empresas continuam pagando taxas de 30% ao ano", cita.
O empresário reconhece que a queda da taxa de juros, a melhora do câmbio e a desoneração da folha de pagamentos de 40 setores industriais vão ter impacto positivo no futuro. "Mas isso não acontece de uma hora para a outra, sem contar que pegou as empresas descapitalizadas, sem capacidade de investir e numa situação em que a produtividade está muito baixa."
Para ele, se o atual modelo de crescimento não mudar "o mais rápido possível" para um modelo baseado em investimento, em 2013 vai ocorrer o mesmo que hoje. "O consumo cresce, mas quem captura o aumento do poder de compra do brasileiro são os produtos importados."
Sérgio Vale, da MB, vai além. "Em 2013, junto à continuidade de falta de reformas, e com a tendência de o governo interferir ainda mais nas decisões privadas, fica difícil imaginar uma recuperação significativa."
Para piorar, no começo do ano, o País poderá sentir os efeitos do chamado abismo fiscal americano. O problema se refere ao fim de incentivos fiscais implementados há quase dez anos pela administração de George Bush e ao início de cortes automáticos no orçamento em programas sociais e militares a partir de janeiro de 2013. O valor a ser retirado da economia chega a US$ 607 bilhões, caso não haja acordo entre o governo Obama e o Congresso do país.
"A diferença é que o impacto negativo em 2013 já é esperado, ao contrário do ano passado", pontua Vale. "Mas o fato é que isso joga o crescimento mundial para baixo e reforça perspectivas negativas para Europa e China. Com isso, o cenário externo continua ruim e o doméstico, sem grande melhora. Assim fica difícil imaginar crescimento expressivo para o Brasil", diz Vale.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

AGRONEGÓCIO FAZ CENTRO-OESTE LIDERAR CRESCIMENTO NO PAÍS

AGRONEGÓCIO FAZ CENTRO-OESTE LIDERAR CRESCIMENTO NO PAÍS

PUXADA PELO AGRONEGÓCIO, CENTRO-OESTE É A REGIÃO QUE MAIS CRESCE NO BRASIL
Autor(es): Luiz Guilherme Gerbelli
O Estado de S. Paulo - 03/09/2012
 

Impulsionado pelo bom momento da agropecuária e pela alta da cotação dos grãos no mercado internacional, o Centro-Oeste é a região que mais cresce no País. O mais recente índice de Atividade Econômica do Banco Central referente à região de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal apontou crescimento de 5,9% nos 12 meses encerrados em maio - na sequência estão o Sul (4,4%) e o Nordeste (4,2%). Em novembro de 2011, a maior alta acumulada em 12 meses era da região Norte (4,8%), seguida pelo Nordeste e Centro-Oeste, 4,7% cada uma. Na cidade de Sorriso (MT), a soja é a moeda de 80% das vendas de casas. Em Cuiabá, vendedores comemoram: o segundo carro da família já é de luxo. A região é a única que conseguiu manter o mesmo ritmo do crescimento do emprego
Bom momento da agropecuária, com cotação dos preços dos grãos subindo e seca nos EUA, amplia a riqueza dos Estados da região

O Centro-Oeste é a região que mais cresce no País. Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás e o Distrito Federal estão sendo impulsionados pelo bom momento da agropecuária e, mais recentemente, pelo aumento da cotação dos grãos no mercado internacional. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central referente ao Centro-Oeste apontou um crescimento de 5,9% nos 12 meses encerrados em maio - na sequência, estão o Sul (4,4%) e o Nordeste (4,2%).
Por trimestre, o crescimento do Centro-Oeste já é o maior do País há um ano, segundo o BC. No fim do ano passado, em novembro, o maior crescimento acumulado em 12 meses era da Região Norte (4,8%), seguida de perto pelo Nordeste (4,7%) e Centro-Oeste (4,7%).
"Tivemos um ano com bons preços na agricultura e isso ajudou bastante a elevar o faturamento total da produção. Como a agricultura corresponde a 70% do PIB de Mato Grosso, todos os setores do Estado têm um bom resultado", diz Ricardo Tomczyk, vice-presidente da Associação dos Produtores de soja e milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja).
Os dados do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, divulgados na semana passada, mostraram um crescimento maior da agricultura ante as demais atividades econômicas. Na comparação com os três primeiros meses do ano, a agricultura cresceu 4,9%. A indústria recuou 2,5%, enquanto o setor de serviços teve alta de 0,7%.
A quebra de safra do milho e da soja nos Estados Unidos também serviu de impulso para a região. Os preços dos dois produtos aumentaram expressivamente no cenário internacional. Em Rondonópolis, Mato Grosso, o preço negociado da saca de soja passou R$ de 42, em agosto de 2011, para R$ 75,2 este ano.
"Nos últimos 12 meses, passamos por uma situação conjuntural com forte influência. Os problemas climáticos afetaram os principais países produtores, o que não é comum", diz Fábio Trigueirinho, secretário-geral da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).
O Centro-Oeste é o principal produtor de grãos do Brasil. Na safra de 2012, que deve ser recorde, o IBGE prevê que a região será responsável por 42,7% da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas de todo o País - somente Mato Grosso produz 20 milhões de toneladas de soja, o que sozinho o torna o quarto maior produtor do mundo.
Efeito geral. O crescimento do agronegócio estimula outros setores da economia, com impacto direto no emprego no Centro-Oeste. A evolução na contratação de trabalhadores com carteira assinada na região se mantém no mesmo patamar de 2011, segundo dados do Cadastro Geral Cadastro Geral de Empregos e Desempregados (Caged). O Centro-Oeste é a única região que conseguiu manter o mesmo ritmo do crescimento do emprego (leia quadro ao lado).
"Há uma retomada da capacidade de investimento, em renovação de maquinário, o que dinamiza o restante da economia local. Ou seja, todos os provedores de insumos e serviços para os produtores acabam se beneficiando", diz André Pessôa, sócio-diretor da Agroconsult.
Nos últimos anos, o Centro-Oeste aumentou a sua participação no PIB nacional. De 2002 para 2009, segundo o IBGE, cresceu de 8,8% para 9,6%. O aumento de 0,8 ponto porcentual no período foi o maior entre todas as regiões. Esse crescimento, impulsionado pelo agronegócio, alterou a estrutura das classes sociais (leia quadro ao lado).
"O dinheiro do agronegócio é como o crédito funciona para outras regiões do País. É um alavancador do consumo, o que faz com que toda a máquina cresça", diz Renato Meirelles, sócio-diretor do Data Popular. A nova classe média - a chamada classe C - corresponde a um mercado consumidor de R$ 98,7 bilhões.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Para Brasil crescer, Dilma acena com política 'proativa'

Para Brasil crescer, Dilma acena com política 'proativa'

Autor(es): Por Assis Moreira | De Hannover
Valor Econômico - 07/03/2012
 

O governo brasileiro terá "posição proativa" para ampliar cada vez mais a taxa de crescimento do país de forma sustentável, disse ontem a presidente Dilma Rousseff em conversa com a primeira-ministra alemã, Angela Merkel, em meio a novos indicadores de deterioração da economia global.
Enquanto Dilma falava, empresários acompanhavam as notícias sobre o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, que cresceu apenas 2,7% em 2011, sobre o declínio de 0,3% do PIB da zona do euro no quarto trimestre de 2011, por causa de menos gastos das famílias, investimentos e exportações, além de redução da estimativa de crescimento da China para 7,5% neste ano.
A presidente brasileira aproveitou a rápida entrevista à imprensa para voltar a culpar a crise nos países desenvolvidos pela diminuição da expansão econômica agora também nos emergentes. "Manifestei à chanceler Merkel a preocupação do Brasil com a expansão monetária que vem ocorrendo por parte dos países desenvolvidos, que provoca desvalorização das moedas, e que nós consideramos bastante adverso para o comércio internacional do Brasil", afirmou Dilma, que no dia anterior ouvira Merkel por sua vez mencionar "protecionismo unilateral".
Quando um jornalista alemão perguntou se Dilma tinha dado garantias de que não iria continuar o protecionismo, a presidente abordou o aumento do IPI nos carros importados: "Eu queria assegurar que diante da valorização das moedas de forma artificial, o Brasil tomará todas as medidas que não firam as disposições da Organização Mundial do Comércio para evitar a desindustrialização da economia brasileira."
A chanceler alemã reiterou que as megaoperações de liquidez na Europa são para dar tempo para a zona do euro fazer reformas e insistiu que o objetivo não é causar instabilidade e que espera discutir os desequilíbrios da economia mundial na reunião de cúpula do G-20 no México, em junho.
O ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, afirmou que o decreto com o novo regime tributário do setor automotivo, concedendo prazo maior para montadoras estrangeiras instalarem fábricas no Brasil, está agora com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e a expectativa é de que seja logo assinado. Pimentel confirmou que o decreto vai reduzir gradualmente o IPI para as montadoras que se instalarem no país.