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segunda-feira, 4 de março de 2013

Indústria atrasada, economia enigmática

Indústria atrasada, economia enigmática

Publicado em Carta Capital

Por Mario Osava, da IPS

A indústria é o órgão enfermo da economia do Brasil. A produção do setor caiu 2,7% em 2012, apesar dos estímulos recebidos do governo, contrariando indicadores relacionados, como a forte expansão do comércio varejista e o desemprego em seu nível mínimo histórico. O enigma de uma economia paralisada, mas com sintomas de crescimento excessivo para as potencialidades do país, incluindo escassez da mão de obra e inflação em alta, parece ter sido revelado segundo várias explicações apresentadas.
Algumas causas com as quais lidam os economistas seriam uma queda na quantidade de jovens que se incorporam ao mercado de trabalho e o excesso de estoques acumulados. A redução da atividade manufatureira é o que mais preocupa o governo de Dilma Rousseff e os operadores econômicos, porque acentua uma tendência e coloca em xeque o futuro do país. A desindustrialização, há anos reconhecida por empresários do setor e poucos economistas, agora está difícil de ser negada.
As expectativas repousam nas projeções de melhorias para este ano. Mas os baixos investimentos refletidos no retrocesso de 11,8% na produção de bens de capital em 2012 e o auge inflacionário, que pode provocar medidas do Banco Central para conter a demanda, não permitem esperar que a recuperação tenha o vigor pretendido.
Indústria de medicamentos genéricos produzidos em laboratório goiano. Foto: Elza Fiúza/ABr
Indústria de medicamentos genéricos produzidos em laboratório goiano. Foto: Elza Fiúza/ABr

Os resultados no fechamento de 2012 foram “uma ducha fria”, frustrando esperanças de retomar o crescimento e indicando que na indústria brasileira “a crise é mais profunda”, não apenas um efeito conjuntural devido aos graves problemas da economia global, afirmou Julio de Almeida, consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). O Brasil “não acompanhou a evolução industrial do mundo” nos últimos 20 anos, como fizeram China, Coreia do Sul e Índia. Assim, sem desenvolver setores mais dinâmicos, como o eletrônico e o farmacêutico, tampouco avançou suficientemente em inovações tecnológicas, disse Almeida à IPS. Além disso, há cerca de 15 anos, a indústria e alguns “serviços organizados” sofrem um acúmulo de custos, sejam logísticos, financeiros ou energéticos, que reduzem sua competitividade.
Agravando tudo, os salários aumentaram nos últimos cinco anos muito acima da produtividade. Somente no ano passado, cresceram, em média, 5,8%, enquanto o rendimento caiu 0,8%, segundo o Iedi.
É possível sobreviver sendo pouco competitivo se a economia mundial crescer em um bom ritmo, mas os problemas apareceram com a crise iniciada em 2008 nos Estados Unidos e que depois se espalhou especialmente para a Europa, que “estreitou o mercado industrial” no mundo e colocou o mercado interno brasileiro sob intensa disputa, observou Almeida.
Apesar de tudo, este economista acredita que este ano pode haver uma recuperação, graças às medidas governamentais que baratearam a eletricidade e reduziram tributos para alguns setores industriais, além de baixar juros, estabilizar a taxa de câmbio e anunciar fortes investimentos em infraestrutura de transporte. Porém, será necessário aumentar a produtividade com fortes investimentos em inovações tecnológicas, especialmente porque o Brasil tem “uma indústria avantajada”, ressaltou.
De fato, a indústria da velha geração metal-mecânica, especialmente a automobilística, é predominante no país, com um peso crescente. Com uma longa cadeia produtiva, incluindo peças de automóveis e máquinas agrícolas, o segmento de veículos representava 21% do produto industrial em 2011, segundo a Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
Essa participação duplicou nos últimos 20 anos, enquanto a indústria de transformação, em seu conjunto, transitou o caminho inverso em sua contribuição para o produto interno do país, caindo para 14,6% em 2011. Ou seja, a importância do automóvel para a economia brasileira continua crescendo.
Por isso, a principal medida do governo para atenuar os efeitos recessivos da crise financeira internacional de 2008 foi reduzir impostos sobre os veículos a partir de dezembro daquele ano, após três meses de abrupta queda nas vendas. É uma fórmula repetida em outras crises. O petróleo e o aço também continuam sendo elementos fundamentais do esforço brasileiro para reverter a desindustrialização.
Agora se busca recuperar a indústria naval, aproveitando o petróleo descoberto debaixo da camada de sal no leito do Oceano Atlântico, perto da costa brasileira. Para impulsionar a produção nacional foi criada uma legislação que exige componentes variáveis e crescentes de origem nacional, que podem chegar a até 70% do total da construção de cada navio, plataforma, sonda e demais equipamentos destinados à atividade petroleira.
Todo esse esforço, baseado em intervenções do Estado, como estímulos tributários ou financeiros a setores escolhidos e medidas consideradas protecionistas, incluindo barreiras aduaneiras e a imposição de muito conteúdo nacional em produtos como automóveis, além dos navios petroleiros, provoca a rejeição por parte de muitos analistas de correntes liberais, com forte audiência entre os operadores e os meios de comunicação especializados em economia.

A desindustrialização não é necessariamente uma “doença”, já que “a indústria vai mal, mas o Brasil vai muito bem”, com muito emprego e salários elevados, resumiu o economista Edmar Bacha, em entrevistas realizadas no ano passado ao anunciar o livro coletivo que organizou sob o título O futuro da indústria no Brasil, publicado este mês.
Em sua análise, o setor manufatureiro brasileiro perdeu competitividade principalmente pela explosão salarial que elevou custos. A média salarial no Brasil, em dólares, cresceu 14,4% ao ano entre 2006 e 2011, um recorde mundial longe de ser ameaçado por Austrália, que aparece em segundo lugar com 9%, segundo os coautores do livro, Beny Parnes e Gabriel Hartung.
Bacha, que participou de governos anteriores que implantaram políticas econômicas mais liberais, afirmou que a competitividade não se constrói com protecionismos, mas com maior abertura comercial, que permita a integração com as cadeias produtivas internacionais. O México é apresentado como um exemplo disso.
Ampliando o olhar dos especialistas, a única coincidência sobre as causas da perda de capacidade industrial é a falta de competitividade. Há divisões tanto na interpretação de suas origens como em seu significado e remédios, segundo o lugar onde se detém cada observador. Os analistas vinculados ao setor primário, por exemplo, questionam a primazia atribuída à indústria como promotora do progresso e da inovação. Argumentam que a agricultura agrega hoje muita tecnologia e muito conhecimento, incorporando pesquisa científica e mecanização.
Mas no governo brasileiro se destacam os “desenvolvimentistas”, começando pela presidente Dilma Rousseff. Por isso é irônico que a queda da indústria se acentue enquanto o país é administrado por dirigentes que priorizam o setor e que, para recuperar sua competitividade, adotaram medidas acusadas de serem extremamente intervencionistas pelos partidários de soluções de mercado.

Os desafios da indústria brasileira

Os desafios da indústria brasileira

 Luis Gonzaga Belluzzo

Publicado em Carta Capital
Foto: Claudio Capucho/Vale/AE
Foto: Claudio Capucho/Vale/AE

A perda de dinamismo da industrialização brasileira provocou, no início dos anos 90, uma reação extremada nas hostes liberais: abrir a economia e expor os empresários letárgicos aos ares benfazejos da globalização. O silogismo em que se desdobra a premissa é grotesco em sua simplicidade: se a indústria brasileira perdeu a capacidade de investir ou de se modernizar, a solução é submeter a incompetente à disciplina da concorrência externa.
Na arrancada dos emergentes bem-sucedidos, os benefícios da abertura da economia ao investimento estrangeiro – tais como absorção de tecnologia, adensamento de cadeias industriais, crescimento das exportações – dependeram fundamentalmente das políticas nacionais. Dentre os chamados BRICS, cresceu mais e exportou ainda melhor quem conseguiu administrar uma combinação favorável entre câmbio real competitivo e juros baixos, acompanhada da formação de redes domésticas entre as montadoras e os fornecedores de peças, componentes, equipamentos, sistemas de logística e advertising.
Na era da arrancada chinesa, é superstição acreditar que a abertura financeira e a exposição pura e simples do setor industrial à concorrência externa são capazes de promover a modernização tecnológica e os ganhos de competitividade. Os estudos mais especializados e aprofundados sobre o tema mostram que a concorrência nos mercados contemporâneos está marcada por características que não guardam qualquer semelhança com as crendices simplificadoras das vantagens comparativas. A propósito das suposições sobre o estado atual das trocas internacionais, dois economistas de Princeton escreveram um artigo denominado “O surgimento das cadeias globais: não se trata mais de Vinho versus Tecidos”. É uma crítica bem argumentada e com sólidas bases empíricas às teorias convencionais sobre os ganhos de comércio lastreadas na teoria das vantagens comparativas.
Os estudiosos reconhecem a existência de economias de escala e de escopo, economias externas, estratégias de ocupação e diversificação dos mercados, conglomeração e acordos de cooperação. Nesse jogo só entra quem tem cacife tecnológico, poder financeiro e amparo político dos Estados Nacionais.
Não há exemplo nos países periféricos – aí incluídos o Chile e os “Tigres Asiáticos”, a China, de renúncia a políticas deliberadas de reestruturação produtiva ou de estímulo à modernização e à conquista de mercados. Seja qual for a estratégia adotada – liderança das exportações ou preeminência do mercado interno –, os casos bem-sucedidos de avanço industrial e produtivo na dita “era da globalização” têm um traço comum: intencionalidade e coordenação pública.
É insensato subestimar os efeitos causados pelas mudanças da geoeconomia mundial: a expansão sino-asiática vai continuar ameaçando as estruturas industriais do Velho e do Novo Mundo. As políticas asiáticas de promoção e integração industrial estão alicerçadas em ganhos expressivos nas relações produtividade/salário e sálario/câmbio na manufatura. Esse processo é amparado por um sistema de crédito voltado para o investimento manufatureiro privado e para a sustentação dos programas públicos de gastos em infraestrutura.
A despeito da crise global e da inevitável desaceleração chinesa, o estilo de desenvolvimento sino-asiático vai prosseguir em seus trabalhos de ganhar a dianteira na porfia competitiva global. Nessas circunstâncias, a valorização cambial é um erro grave, assim como a hesitação em promover políticas adequadas de defesa comercial e de estímulo às exportações.
Em artigo escrito com Júlio Sérgio Gomes de Almeida sugeri que a falsa inserção competitiva da economia brasileira está cobrando o seu preço. Falsa porque as políticas dos anos 1990 entendiam que bastava expor a economia à concorrência externa para lograr ganhos de eficiência micro e macroeconômicas. O Brasil encerrou os anos 1990 com uma regressão da estrutura industrial, ou seja, não acompanhou o avanço e a diferenciação setorial da indústria manufatureira global e, ademais, perdeu competitividade e elos nas cadeias que conservou.
Percorremos o caminho inverso dos asiáticos, que abriram a economia para as importações redutoras de custos. Importar para exportar. A abertura da economia estava, portanto, comprometida com os ganhos de produtividade voltados para o aumento das exportações. As relações importações/exportações faziam parte das políticas industriais, ou seja, do projeto que combinava o avanço das grandes empresas nacionais nos mercados globais e a proteção do mercado interno.

domingo, 3 de março de 2013

PAÍS CRESCE APENAS 0,9%, O MENOR PIB DESDE 2009

PAÍS CRESCE APENAS 0,9%, O MENOR PIB DESDE 2009

PIB CRESCE 0,9% E PÕE 2013 EM RISCO
Autor(es): PAULO SILVA PINTO ENVIADO ESPECIAL
Correio Braziliense - 02/03/2013
 

Dados divulgados ontem pelo IBGE mostram que a economia brasileira pisou no freio e cresceu menos de 1% em 2012. É o pior desempenho do Produto Interno Bruto (PIB, total das riquezas produzidas no país) desde o auge da crise internacional em 2009. Diante do cenário de incertezas,no ano passado, os investimentos encolheram 4% na comparação com 2011.O tombo foi o maior em quatro anos. Entre os países que formam o bloco Brics, o Brasil foi o que menos avançou. A China registrou expansão de 7,8%; a Índia, de 5%; a Rússia, de 3,4% e a África do Sul, de 2,5%.

Avanço do Produto Interno Bruto no ano passado revela as dificuldades do país para retomar as forças. O Brasil tem o pior desempenho entre os Brics, fica atrás das nações vizinhas e perde o posto de sexta economia do mundo para a Grã-Bretanha

Rio de Janeiro — A presidente Dilma Rousseff mandou um curto, mas enfático recado, a sua equipe: “Não desanimem”. O objetivo foi manter a cabeça erguida do governo, nocauteado ontem com a divulgação de que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu minguado 0,9% em 2012, o menor resultado desde 2009. Apesar de esperado, o número informado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) expôs as fissuras da política econômica, que assustou os investidores, deixou os empresários com o pé atrás e instalou um clima de desconfiança que custa a dissipar, mesmo com todos os estímulos ao setor produtivo alardeados pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. A ordem, agora, do Palácio do Planalto é olhar para frente, unificar o discurso e não dar mais munição à oposição, que já se arma para as eleições de 2014.

Pelas contas do IBGE, nos dois primeiros anos do mandato de Dilma, a média de crescimento anual ficou em 1,8%, considerando a expansão de 2,7% em 2011. Trata-se do pior resultado no primeiro biênio de um mandato desde o governo de Fernando Collor de Mello, quando o Brasil enfrentou recessão (-1,7%). Na avaliação de Guido Mantega, não se pode fazer tal comparação, uma vez que, duas décadas atrás, o que jogava o PIB para baixo era um crise interna, agigantada pela hiperinflação. Agora, o país está sendo solapado por sérios problemas internacionais. Esse argumento, no entanto, não se sustenta, pois, outras economias, muitas delas vizinhas do Brasil, estão com crescimento de até 5%. E, melhor, com inflação baixa — aqui, o custo de vida se mantém acima de 6% no acumulado de 12 meses.

A grande esperança do Planalto era de que o quarto trimestre de 2012 marcasse uma virada da economia, consolidando a retomada. Não foi, porém, o que aconteceu. Entre outubro e dezembro, o PIB aumentou 0,6% ante o trimestre anterior, abaixo da média das expectativas do mercado, de 0,8%. Por isso, vários analistas já estão revisando as estimativas de expansão em 2013. A Tendências Consultoria fala, agora, em 3% ante os 3,2% projetados até ontem. Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco WestLB, assegurou que deve rever a sua previsão para menos de 3%. “Os dados não são animadores, é preciso ser otimista de forma cautelosa”, frisou. Não à toa, o ex-presidente Lula, que estava no interior do Ceará, recusou-se a comentar o PIB.

Competitividade
O desempenho do Brasil em 2012 ficou abaixo da média mundial, de 3,2%, e foi o pior dentre o Brics, grupo de nações emergentes que inclui a Rússia (3,4%), a Índia (5%), a China (7,8%) e a África do Sul (2,5%). Na América Latina, vários países ficaram acima da média mundial: México (3,9%), Colômbia (4%) e Chile (5,5%). E mais: o Brasil perdeu o posto de sexta economia do mundo para a Grã-Bretanha. “O Brasil tem uma economia mais diversificada do que seus vizinhos da região”, disse o coordenador de Contas Nacionais do IBGE, Roberto Olinto. No caso do México, a explicação para a diferença é outra. “O PIB maior foi influenciado pelos 2,2% de crescimento dos Estados Unidos. O México tem muitas maquiladoras (fábricas que montam componentes importados agregando pouco valor), que exportam para o mercado norte-americano”, argumentou.

Professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas Gomes viu outras razões para o desempenho pífio da economia brasileira. “Temos menor competitividade do que muitos países, sobretudo pela precariedade da infraestrutura e do elevado custo da mão de obra”, frisou. Para produzir o mesmo que um trabalhador dos EUA, é preciso cinco brasileiros. Os altos salários pagos no país, por sinal, ajudam a explicar o porquê, mesmo com o PIB patinando, o desemprego se mantém baixo. As empresas não demitem, porque temem ser obrigadas a contratar mais caro no futuro. De qualquer forma, o próprio governo admite que o mercado de trabalho vai sentir o baque neste ano, com menor criação de vagas formais.

“O gosto para o início de 2013 está meio amargo. Para chegar ao PIB de 4% que o governo quer, o investimento tem que ser retomado com força, o que não estamos vendo, e o consumo tem que crescer ainda mais, movimento difícil se levado em conta o elevado nível de endividamento das famílias”, afirmou Thadeu. Ele destacou que os números ruins de 2012 contaminaram a confiança dos agentes econômicos. A agricultura caiu 2,3% no ano. Já a indústria encolheu 0,8%, a despeito do corte do Imposto sobre Produtos (IPI) para vários setores e de a taxa de juros ter caído para o menor nível da história, 7,25% ao ano. Por conta do fraco desses segmentos, o IBGE revisou, para baixo, os resultados do terceiro trimestre, de 0,6% para 0,4%, e do segundo, de 0,3% para 0,2%.

Ladeira abaixo

Nada, porém, pesou tanto para empurrar a economia brasileira ladeira abaixo como os investimentos produtivos, que tombaram 4% em 2012, apesar do incremento de 0,5% entre outubro e dezembro. São os desembolsos feitos pelos empresários para a ampliação de fábricas que dão a dinâmica ao PIB. O problema é que muitos deles estão preocupados com a política intervencionista adotada pela presidente Dilma. “O 0,5% de avanço no quarto trimestre foi o primeiro sinal da recuperação dos investimentos”, ressaltou Roberto Padovani, da Votorantim Corretora. “A dúvida é se isso vai se manter”, afirmou Zeina Latif, economista da Gibraltar Consulting.

Roberto Olinto, do IBGE, também ressalvou que é preciso observar mais um trimestre para garantir que há aumento de fato “e não apenas uma oscilação” no investimento Vários economistas veem a inflação em alta e a ameaça de elevação dos juros como limitadores para um salto nos desembolsos das empresas. “A inflação atrapalha, pois a indústria tem aumento de custos e não consegue repassá-los para seus preços”, afirmou Zeina.

Do lado positivo do PIB, o crescimento foi calcado pelo consumo do governo e das famílias, com avanço de 3,1% e 3,2% no ano, respectivamente. Carlos Thadeu, da CNC, explicou que, no caso dos lares, o incremento se deveu à constante elevação da massa salarial no país, puxada pelo salário mínimo. O consumo das famílias teve o 37º trimestre de aumento entre outubro e dezembro na comparação com o mesmo período do ano anterior. Os economistas acreditam, porém, que a demanda dos trabalhadores deve esfriar se os juros realmente subirem.

No entender de Jankiel Santos, economista-chefe do Espírito Santo Investiment Bank, o Brasil vai crescer mais neste ano, até porque a base de comparação será baixa. Mas ele assinalou que se esgotaram as políticas de incentivo ao consumo.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Brasil tem pior crescimento desde Collor

Brasil tem pior crescimento desde Collor

País tem pior crescimento desde Collor
Autor(es): Marcelo Rehder
O Estado de S. Paulo - 26/11/2012
 

Dilma Rousseff deverá encerrar seus dois primeiros anos de governo com crescimento superior somente ao de Collor na história recente do país. Rio terá hoje manifestação contra lei dos royalties.
Governo Dilma deve fechar biênio 2011-2012 com expansão média anual do PIB na casa de 2,1%, menor desempenho da história recente

A presidente Dilma Rousseff deverá encerrar os dois primeiros anos de seu mandato com a segunda pior média de crescimento da história recente do Brasil, só perdendo para o período Collor. No biênio 2011-2012, o crescimento médio anual do Produto Interno Bruto (PIB) do País deverá ser da ordem de 2,1%, considerando uma expansão de 1,52% prevista para este ano pela mediana do mercado financeiro na pesquisa do Boletim Focus, do Banco Central (BC).
Nos dois primeiros anos do primeiro e do segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, essa média foi de, respectivamente, 3,4% e 5,6%, e nos de Fernando Henrique Cardoso, de 3,2% e 2,3%. Já no de Fernando Collor de Mello, ficou em 0,25%.
Economistas alertam para o risco de 2013 piorar o prognóstico para o governo, caso não mude o foco da política de crescimento - hoje baseada no aumento do consumo - passando a incentivar mais o investimento e melhorar a produtividade.
"Esses resultados ruins não serão salvos com políticas pontuais, como a desoneração do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) dos automóveis, que ajudou muito o resultado do terceiro trimestre, que esperamos ser de 0,9% na margem (comparação com o anterior)", afirma Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados. "Mesmo com um quarto trimestre ainda melhor (1,1%), o resultado será de 1,3% no ano", ressalta.
Na sexta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vai divulgar os números do PIB referentes ao terceiro trimestre. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, prevê crescimento de 1,2% na comparação com o segundo trimestre.
Para o ex-diretor do Banco Central, Carlos Thadeu de Freitas, hoje presidente da Confederação Nacional do Comércio (CNC), a economia não deslancha mais por problema de oferta do que de demanda. Ele argumenta que tanto a demanda não está fraca que a inflação está acima do centro da meta, de 4,5%.
"Precisamos de uma mini-agenda de crescimento que comece por desindexar o salário mínimo", defende. A proposta é polêmica e enfrenta forte resistência dos sindicatos, mas ele argumenta que é preciso baixar o custo unitário do trabalho no Brasil, "que está muito alto".
"Esse custo é pressionado para cima pela política do salário mínimo, que todo ano tem um aumento real de valor", diz o presidente da CNC.
As medidas tomadas recentemente pelo governo ainda não tiveram impacto no aumento da produtividade das empresas, diz o empresário José Ricardo Roriz Coelho, diretor do departamento de Competitividade e Tecnologia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
"O governo, em algumas coisas, andou numa velocidade que chegou a impressionar", afirma Roriz Coelho. "Só que a queda da Selic (a taxa básica de juros da economia), por exemplo, ainda não pegou o spread bancário e as empresas continuam pagando taxas de 30% ao ano", cita.
O empresário reconhece que a queda da taxa de juros, a melhora do câmbio e a desoneração da folha de pagamentos de 40 setores industriais vão ter impacto positivo no futuro. "Mas isso não acontece de uma hora para a outra, sem contar que pegou as empresas descapitalizadas, sem capacidade de investir e numa situação em que a produtividade está muito baixa."
Para ele, se o atual modelo de crescimento não mudar "o mais rápido possível" para um modelo baseado em investimento, em 2013 vai ocorrer o mesmo que hoje. "O consumo cresce, mas quem captura o aumento do poder de compra do brasileiro são os produtos importados."
Sérgio Vale, da MB, vai além. "Em 2013, junto à continuidade de falta de reformas, e com a tendência de o governo interferir ainda mais nas decisões privadas, fica difícil imaginar uma recuperação significativa."
Para piorar, no começo do ano, o País poderá sentir os efeitos do chamado abismo fiscal americano. O problema se refere ao fim de incentivos fiscais implementados há quase dez anos pela administração de George Bush e ao início de cortes automáticos no orçamento em programas sociais e militares a partir de janeiro de 2013. O valor a ser retirado da economia chega a US$ 607 bilhões, caso não haja acordo entre o governo Obama e o Congresso do país.
"A diferença é que o impacto negativo em 2013 já é esperado, ao contrário do ano passado", pontua Vale. "Mas o fato é que isso joga o crescimento mundial para baixo e reforça perspectivas negativas para Europa e China. Com isso, o cenário externo continua ruim e o doméstico, sem grande melhora. Assim fica difícil imaginar crescimento expressivo para o Brasil", diz Vale.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Desafios brasileiros: Logística é o maior gargalo

Desafios brasileiros: Logística é o maior gargalo

Desafios brasileiros: Investir é a única saída
O Globo - 12/11/2012
 
custo excesSIVO: Empresas no país destinam 20% do seu faturamento para cobrir gastos com logística, mostra estudo
Gargalo. Navio com mercadoria atraca no Porto do Rio. O custo para exportar um contêiner é até 300% maior no Brasil do que em Cingapura e o dobro do que é na Alemanha. Burocracia é um dos fatores que inibem o comércio exterior
Pedro Kirilos
Melhorar e ampliar sistemas de transporte e telecomunicações, aumentar a oferta de energia e levar o saneamento básico a toda a população são as condições básicas para que o país mantenha uma taxa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 4% ao ano, como mostra este quarto e último caderno da série "Desafios Brasileiros", sob o tema "Infraestrutura e Logística".
A série "Desafios" é uma parceria inédita entre os jornais O GLOBO e "O Estado de S. Paulo", que alcança 2,5 milhões de leitores no país.
Depois de ter consolidado a estabilização monetária, o Brasil se deparou com a urgência de superar gargalos. Para isso, tenta retomar o planejamento de longo prazo. Por décadas, o país ficou apequenado, limitado às trincheiras da guerra contra a inflação descontrolada. Agora, para garantir seu lugar entre as maiores economias do planeta, é preciso investir... E investir.
Nos últimos meses, o governo transferiu à iniciativa privada aeroportos importantes do país - Guarulhos, Viracopos e Brasília - e agora se debruça sobre um novo modelo para Galeão e Confins (Rio e Minas). Em agosto, foi lançado o Programa de Investimentos em Logística para Rodovias e Ferrovias, que prevê aporte de R$ 133 bilhões em 25 anos para conceder a investidores privados 7.500 quilômetros de rodovias e 10 mil quilômetros de ferrovias.
A modernização dos portos deve vir em novo pacote, em breve. Enquanto isso, crescem os investimentos privados nos terminais. Em setembro, a presidente Dilma Rousseff anunciou um conjunto de medidas para baixar o custo da energia elétrica - uma antiga demanda do setor produtivo. Até agora, no entanto, as regras permanecem uma incógnita para muitos investidores. As empresas registram perdas bilionárias de valor de mercado.
Num país que vai receber eventos esportivos de grande porte, como a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, a infraestrutura é fundamental. Além disso, para conquistar fatias cada vez maiores do comércio mundial, é indispensável melhorar as condições para escoar a produção para o exterior e baixar custos em portos, aeroportos e armazéns.
Especialistas alertam que o governo não conseguirá fazer tudo sozinho e precisará de parceiros privados, que esperam regras claras, menos intervencionismo, menos burocracia e menos impostos.
A série "Desafios" tratou, nos meses de outubro e novembro, dos temas "Competitividade", "Mercado de Trabalho e Educação", "Energia e Economia Verde".

sexta-feira, 4 de maio de 2012

GOVERNO CRIA GATILHO PARA POUPANÇA

GOVERNO CRIA GATILHO PARA POUPANÇA

GOVERNO CRIA "GATILHO" QUE REDUZ O RENDIMENTO DA CADERNETA DE POUPANÇA
Autor(es): Lu Aiko Otta
O Estado de S. Paulo - 04/05/2012
 

Para permitir a queda dos juros, o governo criou um gatilho que vai reduzir o ganho da poupança. Nada muda de imediato, mas, se o Banco Central decidir cortar a Selic (taxa de juros básica) para 8,5% ou menos - o que pode acontecer neste semestre -, o rendimento passará a ser 70% dessa taxa acrescido da variação da Taxa Referencial (TR), em vez dos tradicionais 0,5% mais TR. Essa nova fórmula atingirá os depósitos feitos a partir de hoje. Para depósitos antigos, nada muda. As características da poupança atual, como isenção do Imposto de Renda, rendimentos mensais e liquidez diária, não mudam. "É um passo histórico, mas é só um passo", disse a presidente Dilma Rousseff a líderes da base aliada. Dilma pediu ainda cuidado na divulgação do tema, pois admitiu preocupação com interpretações errôneas de que o governo congelará a poupança. "Não vamos fazer nenhuma gracinha, nenhuma loucura", afirmou a presidente a sindicalistas. A Confederação Nacional da Indústria manifestou apoio à medida

Para permitir a queda dos juros, o governo criou um gatilho que vai reduzir o ganho das cadernetas de poupança. Nada muda de imediato, mas, se o Banco Central decidir cortar a taxa básica de juros da economia para 8,5% ao ano ou menos – o que pode ocorrer neste semestre, segundo apostas do mercado financeiro – o rendimento passará a ser o equivalente a 70% da taxa Selic mais a variação da Taxa Referencial (TR), em vez do tradicional 0,5% ao mês mais a TR. A fórmula elaborada pelo governo prevê que já com a Selic a 8,5% a "nova poupança" vai começar a render menos que a poupança atual. Pelos cálculos do matemático José Dutra Vieira
Sobrinho, também professor do Insper, o rendimento da poupança cairá dos atuais 6,53%para cerca de 5,95% ao ano. A nova forma de cálculo atingirá os depósitos feitos a partir de hoje.Para os depósitos antigos, nada muda. As novas cadernetas terão as mesmas características da poupança atual: isenção do Imposto de Renda, rendimentos mensais e liquidez diária. As alterações estão numa medida provisória publicada ontem. "É um passo histórico, mas é só um passo", disse a presidente Dilma Rousseff, em reunião com líderes partidários da base aliada. Ela observou que o País tem de estar preparado para competir quando a crise internacional acabar, daí a necessidade de seguir cortando os juros. "Mas não há mágica", afirmou. "É preciso criar condições, e essa é só uma delas."
Dilma e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, explicaram as alterações ontem aos políticos, às centrais sindicais e a um grupo de empresários. Não encontraram oposição em nenhum dos grupos, apesar de se tratar de um tema tabu, de grande interesse popular e num ano eleitoral. O apoio se baseia em dois pontos: não haverá alteração para as cadernetas antigas e o objetivo é reduzir os juros. "O Brasil enfrenta uma nova situação, porque as taxa de juros todas estão caindo e porque a Selic está caindo", afirmou Mantega. "Se mantivermos a regra atual da poupança, ela se tornará um obstáculo para a continuidade da queda da Selic." O governo espera que, com a mudança, os bancos passem a cobrar taxas de administração menores, para competir com a caderneta. Mantega mostrou uma comparação para ilustrar esse ponto. Supondo que a Selic caia para 8%, o ganho da caderneta seria de 5,6%. Já um fundo, que paga IR e cobra uma taxa de 1,5%, ofereceria um ganho de 3,5%. "O fundo vai ter de reduzir a taxa de administração para manter o cliente", disse o ministro. "Com essa decisão do governo, o Brasil dá um passo fundamental na direção de remover resquícios herdados do período de inflação alta", afirmou em nota o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini.

Novas regras para poupança permitirão continuidade do crescimento sustentável, diz Mantega

Novas regras para poupança permitirão continuidade do crescimento sustentável, diz Mantega

03/05/2012 

Luana Lourenço e Wellton Máximo
Repórteres da Agência Brasil

Fonte: Agêcnia Brasil
 A mudança na remuneração da poupança foi necessária para adequar o Brasil a uma nova realidade econômica e ajudará na manutenção do crescimento sustentável, disse hoje (3) o ministro da Fazenda, Guido Mantega. De acordo com ele, a regra atual criaria um obstáculo para o Banco Central continuar a redução das taxas básicas de juros.
Para que possamos baixar juros para o crédito, temos de destravar sistema fazendo a modificação da poupança. Precisamos retirar esse limitador da queda das taxas”, disse o ministro, ao anunciar as novas regras para o rendimento da caderneta.
Segundo o ministro, ao permitir a manutenção do ciclo de queda da Selic (juros básicos da economia), a alteração cria condições para a continuidade do crescimento sustentável do país. “Estamos em melhores condições que as economias europeias e norte-americana. Para dar continuidade ao crescimento sustentável, precisamos fazer reformas que reduzam o custo financeiro e barateiem o crédito”, declarou.
O critério atual de remuneração da poupança – de 6,17% ao ano mais variação da Taxa Referencial (TR) – vai ser substituído pela variação da TR mais 70% da Selic, quando a taxa básica de juros chegar a 8,5% ao ano ou menos. Atualmente, a Selic está fixada em 9% ao ano.
A alteração valerá apenas para os depósitos feitos a partir da edição da medida provisória. Assim, quem tem uma caderneta de poupança terá o saldo corrigido de duas formas: pelo rendimento tradicional, para o dinheiro guardado até hoje e pela nova regra, para os futuros depósitos.
A mudança na remuneração da poupança vai permitir que o governo continue a baixar os juros sem que os grandes investidores se sintam estimulados a migrar para a poupança e deixem de comprar títulos públicos. Também ampliará o alcance da política monetária, à medida em que os aplicadores se sintam estimulados a guardar dinheiro na poupança quando o Banco Central aumentar os juros básicos e a gastar recursos da caderneta em momentos de queda da Selic.
A dívida pública é um mecanismo essencial na administração das contas do governo. Por meio da emissão de títulos públicos, o governo pega recursos emprestados de investidores para honrar compromissos de curto prazo. Em troca, o Tesouro Nacional compromete-se a devolver o dinheiro, acrescido de alguma correção, que pode ser definida com antecedência (no caso dos títulos prefixados) ou seguir a Selic, a inflação ou o câmbio.

Edição: José Romildo

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Para saber mais sobre as alterações na poupança


Dilma mostra MP que muda ganho da poupança a 70% da Selic, diz líder

(Reuters) - O líder do governo da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP), confirmou à agência de notícias Reuters que a presidente Dilma Rousseff apresentou, durante reunião do Conselho Político nesta tarde, proposta de medida provisória que altera o rendimento da poupança para 70% da taxa básica de juros (Selic)--hoje em 9% ao ano- toda vez que a taxa básica de juros ficar abaixo de 8,5% ao ano.

"A MP vai dar um bom debate no Congresso", afirmou o deputado.

Outros dois parlamentares ouvidos pela Reuters também confirmaram a proposta do governo, acrescentando que a MP começará a valer a partir de sexta-feira.

A Reuters informou mais cedo nesta quinta-feira que o governo apresentaria na reunião do conselho uma MP que mudaria as regras da poupança: segundo o esboço do documento, quando a Selic estiver abaixo de 8,5%, a poupança será remunerada pela Taxa Referencial (TR) mais 70% da Selic. Quando a taxa básica estiver igual ou acima deste patamar, a regra atual de remuneração da aplicação -de TR mais 0,5% ao mês- será mantida.

Governo mudará rendimento da poupança com Selic menor que 8,5%

Jeferson Ribeiro e Tiago Pariz 

A remuneração da caderneta de poupança será alterada toda vez que a taxa básica de juros do país (Selic) estiver abaixo de 8,5% ao ano, segundo o esboço de uma medida provisória vista pela Reuters, que deve ser apresentada pela presidente Dilma Rousseff a líderes aliados nesta quinta-feira (3). Hoje, a Selic está em 9% ao ano.
Segundo o documento, quando a Selic estiver abaixo de 8,5%, a poupança será remunerada pela Taxa Referencial (TR) mais 70% da Selic. Quando a taxa básica estiver igual ou acima deste patamar, a regra atual de remuneração da aplicação --de TR mais 0,5% ao mês-- será mantida. 
A medida provisória (MP), que pode passar por pequenos ajustes depois das reuniões desta tarde, prevê ainda que os depósitos feitos até sua entrada em vigor manterão a atual fórmula de remuneração. Atualmente, segundo dados do Banco Central, a poupança tem saldo de pouco mais de R$ 430 bilhões. 

Como fica a poupança antes e depois da medida provisória

A medida provisória prevê que os bancos terão de apresentar aos clientes saldos diferenciados, demonstrando qual a remuneração do saldo anterior à MP daqueles depósitos feitos após a vigência das novas regras. 
O documento também prevê que os saques feitos pelos poupadores incidirão inicialmente sobre os depósitos feitos após a publicação da MP. Assim, os saldos antigos serão acessados apenas depois que os valores depositados após a MP se esgotarem. 

65% dos recursos da poupança são para crédito imobiliário

A MP não traz mudanças sobre o direcionamento obrigatórios dos recursos da poupança. Por lei, os bancos são obrigados a destinar 65% dos depósitos de poupança para crédito imobiliário.
Quando se tratar de poupança rural --que tem a mesma remuneração da tradicional, mas os recursos devem ser usados para financiamento agrícola--, o percentual é de 68%
.
Mudança abre caminho para maior queda da Selic

A opção do governo em criar um redutor para a remuneração da poupança atrelado à Selic abre caminho para o BC manter a política de afrouxamento monetário.
Na semana passada, o BC indicou que deverá continuar reduzindo a taxa básica de juros, mas com "parcimônia".

Juros baixos tornam poupança mais atrativa

Dentro da equipe econômica há avaliações de que o recuo da Selic para abaixo de 8,75% ao ano --menor nível já alcançado pela taxa-- poderia estimular uma forte migração de outros investimentos para a poupança, cuja remuneração atual ficaria mais atrativa.
Se houver essa migração para a caderneta, o governo poderia ter problemas até para se financiar, porque parte dos seus títulos públicos é remunerada pela Selic. 
A MP prevê também que o Banco Central solicite informações recorrentemente aos bancos para verificar se os procedimentos das novas regras estão sendo adotados na evolução dos saldos dos poupadores.

Mudança na poupança é importante para a redução de juros, diz ministro

 Mudanças nas regras de remuneração da caderneta de poupança são importantes para criar condições para que os juros continuem baixando, na opinião do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho.
“É importante criar as condições para continuarmos podendo baixar os juros e poder continuar financiando a produção em condições adequadas. Esse é o nosso objetivo central”, disse Carvalho depois de participar da cerimônia de posse do ministro do Trabalho, Brizola Neto.
A presidente deve se reunir hoje com sindicalistas, líderes da base aliada e empresários para debater medidas econômicas e buscar apoio para as alterações.

Juros menores

A mudança na remuneração da caderneta de poupança, que atualmente paga TR (taxa referencial) mais 0,5% ao mês, seria necessária para que o governo consiga continuar reduzindo a taxa de juro no País. Isso porque, com a Selic em níveis muito baixos, a poupança ofereceria uma rentabilidade maior do que os títulos públicos e outros ativos de renda fixa.
De acordo com a Agência Brasil, depois de ser questionado se existe uma batalha no governo contra os juros, ele respondeu: “Não tem batalha. Tem uma discussão, tem um processo forte e importante para criar bases. Não tem puxão de orelha, não tem guerra, tem um processo de indução, de discussão, que é importante para o país”, afirmou

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Desenvolvimento econômico deve vir acompanhado de justiça social, diz presidenta

Desenvolvimento econômico deve vir acompanhado de justiça social, diz presidenta

16/04/2012 
 
Paula Laboissière
Repórter da Agência Brasil

Ao comentar o anúncio de uma nova etapa do Programa Minha Casa, Minha Vida, a presidenta Dilma Rousseff disse hoje (16) que o desenvolvimento econômico do país deve vir acompanhado de justiça social. Segundo ela, o governo vai entregar 107 mil moradias para famílias com renda mensal até R$ 1.600 que vivem em pequenos municípios brasileiros.
“O Minha Casa, Minha Vida é um programa importantíssimo do governo federal porque investe na qualidade de vida das famílias”, avaliou, no programa semanal Café com a Presidenta. Ao todo, mais de 2.500 municípios com até 50 mil habitantes devem ser beneficiados – sobretudo nas regiões Norte e Nordeste.
Dilma lembrou que a previsão para a segunda etapa do programa é construir 2,4 milhões de moradias até 2014. De janeiro do ano passado até o momento, foram contratadas 614 mil casas. Apenas para pequenos municípios, os investimentos somam R$ 2,8 bilhões, sendo R$ 25 mil como subsídio para cada família que tiver acesso a uma residência.
“A prestação não pode passar de 5% da renda familiar. Se uma pessoa ganha R$ 1.000, por exemplo, ela vai ter de pagar até R$ 50 A gente sabe que as famílias que ganham até R$ 1.600 por mês só conseguem ter sua casa própria se o governo ajudar”, explicou.
A presidenta orientou que pessoas interessadas em aderir ao programa procurem a prefeitura da cidade onde moram, onde é feita a seleção dos beneficiados. Terão prioridade mães que são chefes de família ou pais que tiverem a guarda dos filhos, além de moradores de áreas de risco e pessoas com deficiência.
Edição: Graça Adjuto