Enem reproduz desigualdades brasileiras
| ENEM reflete desigualdades comuns no país | |
| Autor(es): Fabio Vasconcelos | |
| O Globo - 21/10/2013 | |
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| ENEM reflete desigualdades comuns no país | |
| Autor(es): Fabio Vasconcelos | |
| O Globo - 21/10/2013 | |
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| AUSENTES SÃO 28%, E ÍNDICE SUPERA O DE 2011 |
| Autor(es): André Coelho |
| O Globo - 05/11/2012 |
| No Rio, abstenção atinge 25%; em MS, jovem dá à luz no banheiro do local de prova e recebe ligação de ministro Por pouco. Um candidato entra em centro de provas na Asa Norte de Brasília momentos antes de o portão ser fechado por um segurança Cerca de 1,61 milhão de estudantes de todo o país, de um total de quase 5,9 milhões de inscritos, não compareceram ao Exame Nacional do Ensino Médio, divulgou ontem o Ministério da Educação (MEC). O índice de 27,9% de abstenção nos dois dias de provas, sábado e ontem, é maior que o de 2011, quando 26,4% dos candidatos não se apresentaram, mas não supera o de 2010: 28% de faltosos. O balanço é preliminar e não leva em conta todos os mais de 15 mil locais de aplicação. No Rio, estiveram ausentes 25,18% dos inscritos, número abaixo da média. Os estados com mais faltosos foram Roraima, Bahia e Amazonas. Na outra ponta ficaram Piauí, Santa Catarina e Alagoas. Num ano em que o uso de redes sociais provocou eliminações de dezenas de estudantes e ajudou a espalhar boatos sobre fraudes e cancelamento de provas, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, defendeu o aprimoramento da legislação penal para punir os que se valem da internet para divulgar informações falsas, a quem chamou de "pichadores eletrônicos". MERCADANTE CRITICA BOATOS ON-LINE Anteontem, um boato sobre o cancelamento do Enem tomou o Twitter. De acordo com Mercadante, a Polícia Federal descobriu que a notícia falsa partiu de Campinas (SP). O suposto autor está sendo investigado. - Temos que melhorar a nossa lei penal para dar mais segurança ao processo, aprimorar a legislação para preservar o interesse e o esforço de milhões de brasileiros - disse o ministro, ao fazer um balanço do Enem, ontem. Com a eliminação de mais 28 estudantes que publicaram fotos de cadernos de provas e cartões-resposta em redes sociais, o total de punidos nos dois dias chegou a 65. As provas foram encerradas às 18h30m deste domingo, e, segundo o MEC, não houve incidentes. Mas, em alguns pontos do país, faltou energia nos locais de prova, como em Amargosa (BA), onde o apagão levou ao cancelamento da aplicação do exame, ainda sem nova data de realização. No sábado isso já havia ocorrido em Rio Branco, onde alunos religiosos que guardam o shabat não puderam fazer o teste à noite devido à ausência de luz. Os gabaritos serão divulgados na quarta-feira, nos portais do MEC e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo exame. O estirão de provas de ontem foi fértil em histórias inusitadas e de superação, expectativa ou azar. No Mato Grosso do Sul, a adolescente Pâmela de Oliveira Lescano, de 17 anos, deu à luz no banheiro da escola onde fazia o exame, em Sidrolândia, a 70 quilômetros de Campo Grande. Ela entrou em trabalho de parto antes da prova e foi auxiliada por uma técnica de enfermagem. Mais tarde, já no hospital, a candidata se disse surpresa, uma vez que não fazia ideia de que estava grávida. Moradora de um assentamento rural, Pâmela afirmou não ter percebido qualquer mudança em seu corpo. Ela recebeu um telefonema do ministro da Educação, que disse considerá-la um "símbolo do Enem". Como previsto no edital, Pâmela poderá fazer a prova em dezembro, quando da aplicação para detentos. Na Bahia, a estudante Adriele Almeida, de 16 anos, perdeu o teste porque a mãe, Sivalda Santos, resolveu fazer uma oração antes de sair de casa. A menina chegou atrasa ao colégio onde se submeteria às provas, em Salvador. A idade avançada não impediu que o mestre de obras Fernando Gomes, de 70 anos, participasse do Enem em Recife. Ele batalha por uma vaga em Engenharia e pleiteia uma bolsa do ProUni. - O sonho começa agora - disse Fernando, emocionado. Na mesma cidade, a freira Arimilda Souza, de 26 anos, fez o Enem porque quer estudar Enfermagem. Já a candidata Euline Freitas, de 22 anos, perdeu o ônibus e a prova. Ao tentar ganhar tempo, recorreu a um mototáxi, mas o motociclista não conhecia o caminho. Em Teresina houve quem apelasse à natureza para matar a fome durante as cinco horas e meia de prova. Usando um pedaço de pau, Cátia de Castro Oliveira, de 35 anos, recolheu mangas no campus da Universidade Federal do Piauí, que pretendia guardar para mais tarde. Mas a fome bateu, e Cátia as comeu antes mesmo da prova. Em Rondônia, o sonho de ingressar no curso de Engenharia de Produção teve que ser adiado para Carolina Weiber, de 18 anos, que chegou atrasada porque o pai, que iria levá-la, preferiu terminar de assistir a uma corrida de Fórmula 1 na televisão. |
| "Fator surpresa" pode baixar as notas da redação, afirmam especialistas |
| O Estado de S. Paulo - 05/11/2012 |
Mais de 4,17 milhões de estudantes fizeram, neste fim de semana, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2012. Ontem, o último dia, os candidatos tiveram de escrever uma redação sobre movimentos de imigração do Brasil no século 21.0 tema foi considerado inesperado e difícil e professores consultados pelo Estado afirmaram que a complexidade pode resultar em queda média do desempenho dos alunos. Os candidatos enfrentaram ontem as provas de português e matemática, com 45 perguntas cada uma, além da redação. No sábado, foi a vez de Ciências Humanas e da Natureza. A taxa de abstenção da prova foi praticamente a mesma do ano passado, de 27,9%. Sem ter registrado nenhum incidente grave, os problemas maiores se concentraram na internet. Ao todo, 65 candidatos foram eliminados por postarem imagens da prova ou do cartão de respostas na rede social - 28 só ontem. Anteontem de manhã, um boato sobre o cancelamento do Enem ganhou destaque no Twit-ter. O Ministério da Educação informou que a Polícia Federal vai investigar o caso. Ontem, o perfil de onde teria partido o boato foi apagado. Ontem, na porta da maior parte dos locais de prova, o tema da redação era o principal assunto. "Eu me preparei para temas como violência, política, Código Florestal e não esperava isso. Fiquei limitado ao que tinha na proposta", diz o estudante Marcus Santos, de 19 anos. A proposta para a redação trazia uma coletânea com informações sobre imigrantes do Haiti, que chegam ao País pelo Acre, e da questão dos bolivianos no Brasil. Também havia menção ao movimento de migração dos séculos 19 e 20. Para o professor Rogério Chociay, aposentado do departamento de Letras da Unesp e especialista em redação de vestibular, é possível que haja queda no desempenho dos estudantes com relação ao ano anterior - em que o tema era internet. "Há uma quebra de expectativa com relação ao ano passado. O tema está um tanto fora do eixo da maioria dos estudantes e além disso não há informações precisas se há de fato um movimento migratório", diz ele. "A proposta é perigosa pelo número de dúvidas. Ele ficou dependente dos textos de apoio e isso complica." Nilson José Machado, professor da faculdade de Educação da USP, diz que os textos de apoio do Enem têm se mostrado limitadores e repetitivos. "Talvez fosse mais razoável se fossem colocados textos com claras referências teóricas à tolerância, por exemplo, que textos que reiteram casos particulares." O diretor pedagógico da Oficina do Estudante, Célio Tasinafo, elogiou a escolha do tema. "É um assunto atual e relevante, que obriga o aluno a refletir sobre questões sociais e políticas", diz. No entanto, ele reconhece que a proposta pode ter ficado distante da realidade da maioria dos vestibulandos. "Pela lógica, a nota média da redação tende a ser um pouco menor que a do ano passado. Mas outro fator que pode alterar esse quadro é o fato de que a correção neste ano será mais criteriosa." Para Caroline Andrade, do Cursinho da Poli, a proposta trouxe um tema que surpreendeu. Ela afirma que o "fator surpresa", no entanto, deve atrapalhar o rendimento. "O inesperado pode causar insegurança e fazer com que a pessoa não consiga construir uma argumentação consistente" diz. Simone Motta, professora de redação do Etapa, argumenta que o tema segue a proposta do exame, de trazer um assunto atual à tona. "Pode ter sido uma escolha menos trivial, mas não foge à regra." Para ela, a coletanea apresentada foi muito eficaz ao apontar os principais movimentos migratórios. O coordenador-geral do Anglo, Luís Ricardo Arruda, diz que essa problemática é conhecida por quem se informa. Mas ele também afirma que a nota média deve cair. "O Enem vai se aproximando de um vestibular. E para isso tem de ser seletivo mesmo." DAVI URA, CARLOS LORDELO, CRISTIANE NASCIMENTO, OCIMARA BALDAM e PAULO SALDANA |
| Receita para a redação do Enem, que terá novo formato de correção |
| Autor(es): Lauro Neto |
| O Globo - 30/10/2012 |
| Sistema foi alterado para afastar críticas. Veja dicas de como fazer um bom texto Preparação . Alunos do ensino médio do colégio Mopi, na Tijuca, se preparam para as provas do Enem Leoi Martins A redação do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) é tão importante que a UFRJ, maior universidade do país, confere peso 3 a esta prova na seleção de candidatos para todos seus cursos de graduação. E, como vale 1.000 pontos, pode decidir muitas vagas. Não à toa, o Ministério da Educação estabeleceu mudanças importantes para a edição deste ano, que acontece sábado e domingo. Como dois avaliadores corrigem cada redação, se a diferença entre as notas dadas por eles for superior a 200 pontos, um terceiro corretor será chamado. Caso a discrepância persista, a correção será feita por uma banca com três integrantes. Em 2011, o terceiro corretor era a última instância, só usada em caso de diferença superior a 300 pontos. É a segunda redução feita pelo MEC, já que a diferença mínima foi de 500 pontos até 2010. As novas regras também valerão caso haja diferença superior a 80 pontos em pelo menos uma das cinco competências avaliadas na redação. Cada uma vale 200 pontos, e a soma totaliza os mil pontos. Além disso, todos os estudantes terão direito à vista pedagógica da prova, para evitar a enxurrada de processos judiciais ocorrida após o último Enem. Isabela Carvalho, de 18 anos, fez o exame em 2011 e tirou nota 1.000 na redação. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira (Inep) publicou seu texto no "Guia do participante", lançado em julho. A nota máxima lhe assegurou a vaga na disputadíssima Medicina da UFRJ. - A nota da redação foi o que me garantiu. Para me preparar, li muitos livros paraditáticos, romances e ficção, como "1984" - conta Isabela, referindo-se à obra de George Orwell que inspirou sua redação sobre o tema "Viver em rede no século XXI: os limites entre o público e o privado". Além da leitura como ferramenta, os candidatos precisam ter uma série de cuidados com a sua escrita. Veja as dicas preparadas pelo professor de redação Bruno Rabin, do Colégio e Curso _A_Z. |
| Imagem: Agência Brasil |