quarta-feira, 19 de setembro de 2012

EUA e França reforçam medidas de segurança após charges de Maomé

EUA e França reforçam medidas de segurança após charges de Maomé

Publicado em Carta Capital
Editor da revista Charlie Hebdo’s segura edição com caricatura. Foto: ©AFP / Fred Dufour

PARIS (AFP) – Estados Unidos e França reforçaram as medidas de segurança de seus interesses e representações no mundo ante o risco de que a violência desencadeada pelo filme Innocence of Muslims (Inocência dos Muçulmanos), que ofende Maomé, aumente ainda mais após a publicação, nesta quarta-feira 19, de charges do profeta muçulmano em uma revista satírica francesa.
Mais de 30 pessoas morreram em ataques e manifestações violentas provocadas pela divulgação de trechos do filme amador, incluindo 12 em um atentado suicida executado por uma mulher, na terça-feira 18, no Afeganistão. O reforço das medidas de segurança se concentra na sexta-feira, dia de oração nos países muçulmanos e que pode provocar um aumento da mobilização contra o Ocidente.
Após uma semana de violência antiamericana no mundo árabe, o governo dos Estados Unidos adotou medidas excepcionais para proteger suas embaixadas no mundo, anunciou a secretária de Estado Hillary Clinton. A chefe da diplomacia negou que Washington tenha recebido informações sobre os planos para o ataque ao consulado de Benghazi (Líbia) em 11 de setembro, que matou o embaixador do país.
A França também reforçou as medidas de segurança depois que a revista satírica francesa Charlie Hebdo publicou na edição desta quarta-feira 19 desenhos sobre a controvérsia gerada pelo filme. As charges da publicação apontam mais para os autores do filme e os islamitas do que para o Islã, mas o profeta Maomé é representado nu em dois desenhos.
O chanceler francês Laurent Fabius anunciou o aumento da segurança nas embaixadas francesas. Em Paris, a polícia também reforçou a proteção ao edifício que abriga a redação da Charlie Hebdo e manifestações de repúdio ao filme foram proibidas pelo primeiro-ministro, Jean-Marc Ayrault.
Paquistaneses queimam bandeiras americanas. Foto: ©AFP / Aamir Qureshi

“Estamos em um país no qual a liberdade de expressão está garantida, a liberdade de caricaturar também”, declarou o primeiro-ministro francês, Jean-Marc Ayrault. No entanto, ele afirmou que se as pessoas se sentirem ofendidas e considerarem que o direito foi ultrapassado, podem apelar aos tribunais. No contexto atual, a publicação da Charlie Hebdo “joga lenha na fogueira”, opinou Laurent Fabius.
Na França, qualquer agressão aos muçulmanos é considerada sensível. O país tem a maior comunidade muçulmana da Europa, com entre quatro e seis milhões de muçulmanos.
Conflitos
Na última semana, vários países do Oriente Médio, África do Norte, Ásia e Europa foram cenários na última semana de atos de violência dirigidos contra Estados Unidos após a divulgação de trechos do filme.
Na terça-feira, o presidente americano Barack Obama pediu ao mundo muçulmano que trabalhe com os Estados Unidos para garantir a segurança de seus representantes no mundo. “Embora este vídeo seja chocante – e nós o denunciamos evidentemente, o governo americano não tem nada a ver com ele – não é de nenhum modo uma desculpa para a violência”, disse.
O embaixador dos Estados Unidos na Líbia e três funcionários americanos morreram no ataque ao consulado de Benghazi. Em 2005, a publicação de charges de Maomé por um jornal dinamarquês provocou uma onda de protestos no mundo muçulmano.

Mais informações em AFP Móvil

Funcionários dos Correios em 18 estados e no DF entram em greve

Funcionários dos Correios em 18 estados e no DF entram em greve

19/09/2012
Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil

  Os trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) em 18 estados e no Distrito Federal estão em greve a partir de hoje (19), por tempo indeterminado. Eles reivindicam reajustes salariais e  reposição de perdas. Em Brasília, os trabalhadores prometem ficar mobilizados desde o começo da manhã, em manifestação em frente ao Ministério das Comunicações, onde aguardam reunião com representantes do governo. Às 10h30 haverá uma audiência no Tribunal Superior do Trabalho (TST).
 
O salário inicial de carteiros, atendentes comerciais e operadores de triagem e transbordo é R$ 942. Dos 35 sindicatos da categoria, dez ainda farão assembleias de hoje até o dia 25. Uma das maiores empresas empregadoras no regime de, Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), os Correios têm mais de 115 mil funcionários.
Aprovaram a paralisação os empregados dos Correios em Alagoas, no Amazonas, Ceará, Distrito Federal, em Goiás, Mato Grosso, na Paraíba, no Paraná, em Pernambuco, no Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e no Tocantins. Em Minas Gerais e no Pará, a categoria já havia iniciado a greve na semana passada.
O comando de negociação da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares (Fentect) reivindica 43,7% de reajuste, R$ 200 de aumento linear e piso salarial de R$ 2,5 mil. Mas quatro sindicatos dissidentes (São Paulo, Rio de Janeiro, Tocantins e Bauru), que se desfiliaram da federação, pedem 5,2% de reposição, 5% de aumento real e reajuste linear de R$ 100.
A empresa sustenta que o índice de reajuste de 5,2% oferecido aos trabalhadores garante o poder de compra e repõe a inflação do período, diz a ECT em seu blog institucional. Os Correios informam ter um plano de contingência para manter a prestação de serviços à população.
Segundo a ECT, há um plano com medidas como a realocação de empregados das áreas administrativas, a contratação de trabalhadores temporários e a realização de horas extras e mutirões para triagem e entrega de cartas e encomendas nos fins de semana. Em nota, a assessoria da empresa diz que apenas os itens econômicos da pauta de reivindicações dos sindicatos, se atendidos, gerarão acréscimo até R$ 25 bilhões na folha, cuja previsão de receita é R$ 15 bilhões para 2012.

*Colaboraram Fernando César Olivieira e Nélio de Andrade  
Edição: Graça Adjuto 

Haitianos devem receber até sexta-feira protocolos para obter documentos no Brasil

Haitianos devem receber até sexta-feira protocolos para obter documentos no Brasil

19/09/2012

Marcos Chagas
Repórter da Agência Brasil

A Polícia Federal entregará até sexta-feira (21) um protocolo para que os 215 haitianos que estão irregulares em Brasileia, no Acre, possam legalizar a situação no país. O documento servirá para que eles possam obter o Cadastro Pessoa Física (CPF) e a Carteira de Trabalho.
Fonte: EBC
O protocolo autoriza o imigrante haitiano a conseguir os documentos por prazo inicial de 180 dias, que pode ser prorrogado. Passado um ano e estando devidamente empregados, eles poderão requerer residência fixa no Brasil.
O problema, segundo o representante do governo do Acre que trata da questão, Damião Borges, é que não param de chegar haitianos em situação irregular pela fronteira com Cobija, na Bolívia. “Ontem (18) à noite entraram em Brasileia mais cinco haitianos e vai chegar mais. O governo federal deveria tomar uma providência: ou controla a fronteira ou [os] manda de volta ao Haiti”, ressaltou o representante do governo acriano.
Damião Borges disse que, mais uma vez, terá problemas com a alimentação aos imigrantes ilegais. Ele frisou que os atuais fornecedores deverão cortar o envio de comida aos haitianos.
Empresas de Goiás, Minas Gerais, Santa Catarina e do Rio de Janeiro já fizeram contatos com o governo estadual para a contratação dessa leva de haitianos que terão seus documentos de entrada legalizados. Segundo Damião Borges, outros devem seguir para Porto Velho onde têm parentes já empregados.
Edição: Talita Cavalcante

Federico Franco apela para Dilma ouvir compatriotas e mudar de opinião sobre suspensão do Paraguai

Federico Franco apela para Dilma ouvir compatriotas e mudar de opinião sobre suspensão do Paraguai

19/09/2012 -

Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil

O presidente do Paraguai, Federico Franco, apelou ontem (18) para que a presidenta Dilma Rousseff “ouça” os brasileiros que vivem em território paraguaio e mude de opinião sobre a suspensão do país do Mercosul e da União de Nações Sul-Americanas (Unasul). Franco disse que se Dilma ouvir os “compatriotas” perceberá que a destituição do poder do então presidente Fernando Lugo, em 22 de junho, obedeceu aos preceitos democráticos.
"Faço votos de que a presidenta [Dilma Rousseff] ouça seus compatriotas e vizinhos e possa escutar os cidadãos paraguaios de origem brasileira que vivem aqui e, depois de ouvi-los, entenda que o que ocorreu no Paraguai foi uma mudança de governo como resultado de um [processo de] impeachment legítimo e constitucionalmente aceito", disse ele.
Franco ressaltou ainda que a relação entre paraguaios e brasileiros reflete amor. Mas reiterou que o Paraguai é um país independente, autônomo e livre. "A relação é com o povo brasileiro que nos ama e nos respeita. O Paraguai é um país livre, soberano e que não aceita tutela”, disse ele, em Santa Rita, Alto Paraná, no Paraguai.
Ontem, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, e o assessor especial de Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, destacaram que a suspensão do Paraguai foi definida de forma unânime pelos líderes políticos da região, que observaram o rompimento da ordem democrática no país, a partir do processo de impeachment de Lugo.
Em 29 de junho, as presidentas Dilma Rousseff (Brasil) e Cristina Kirchner (Argentina) e o presidente José Pepe Mujica (Uruguai) aprovaram a suspensão do Paraguai no Marcosul até 21 de abril de 2013 – quando haverá eleições presidenciais no país. A medida foi tomada porque os presidentes discordaram da forma como Lugo foi destituído do poder, em 22 de junho.
Para Dilma, Cristina e Mujica, a ordem democrática foi rompida no Paraguai, uma vez que Lugo foi submetido ao processo de impeachment em menos de 24 horas. Um mês depois, o Mercosul formalizou o ingresso da Venezuela no bloco. A decisão contrariou o Paraguai que, até então, não havia aprovado a incorporação da Venezuela ao grupo nem participou das últimas negociações.

*Com informações da agência pública de notícias do Paraguai, Ipparaguay.
Edição: Talita Cavalcante

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Hezbollah faz novo alerta aos EUA

Hezbollah faz novo alerta aos EUA

Renata Giraldi* - Repórter da Agência Brasil

Pelo segundo dia consecutivo, o líder do movimento Hezbollah, Hassan Nasrallah, enviou ontem (17) mensagem aos seguidores do islamismo. Nasrallah apareceu em público, nos arredores de Beirute, em meio a uma manifestação contra o filme que satiriza o profeta Maomé e o Islã. Ao discursar por cerca de 20 minutos, ele advertiu os Estados Unidos para as “repercussões perigosas” sobre o filme.

No dia anterior, domingo (16), Nasrallah pediu aos muçulamos para  "mostrar ao mundo sua cólera". É a quinta vez que o dirigente do Hezbollah aparece em público, desde 2006.  Em geral, ele divulga os discursos por meio de vídeo. "A nossa ira não será passageira, é o nascimento de um movimento que deve continuar em toda a nação muçulmana", disse.

Desde a guerra de 2006, quando as autoridades de Israel enfrentaram o Hezbollah, Nasrallah está escondido. Ontem, ele foi saudado pelos simpatizando do grupo xiita. O líder do Hezbollah pediu que seja suspensa a divulgação na internet do filme anti-Islã.

"Os Estados Unidos têm de perceber que se divulgarem todo o filme haverá repercussões perigosas em todo o mundo", disse o líder do Hezbollah, lembrando que na internet o filme tem 14 minutos. No total, tem duas horas.

Até domingo (23) estão organizados protestos nas principais cidades do Líbano. Paralelamente, em vários países, os seguidores do islamismo protestam contra o filme. Há situações em que embaixadas e consulados dos Estados Unidos e de países aliados, como a Alemanha e o Reino Unido, foram atacados.

Desde o início dos protestos contra o filme, em 11 de setembro, 19 pessoas foram mortas em todo o mundo, incluindo o embaixador dos Estados Unidos no consulado norte-americano em Benghazi, na Líbia, Chris Stevens.

*Com informações da agência pública de notícias de Portugal, Lusa.

Edição: Graça Adjuto

Fonte: EBC 
 
 

Publicado em: 18/09/2012

Tecnologia: Guerra das patentes

Guerra das patentes

Publicado em Carta Capital

Fogo. Líder em aparelhos com o Android, a Samsung também processa a Apple. Foto: AFP

Um júri californiano concluiu, em 24 de agosto, que a Samsung roubou tecnologias usadas pela Apple no iPhone e iPad para criar produtos semelhantes. E decidiu que a empresa sul-coreana deveria pagar 1 bilhão de dólares como punição. A Samsung pode apelar, mas é resultado importante em um processo que durou mais de um ano. A Apple pediu 2,5 bilhões dólares quando abriu o processo, em abril de 2011. A Samsung respondeu com outro processo, no qual pedia 399 milhões de dólares.
A eventual vitória da Apple trará consequências importantes. A primeira delas, é claro, atinge a Samsung. A empresa certamente não terá problemas em pagar o valor assinalado, mas o custo maior talvez fique por conta da imagem arranhada. Ela arrisca ficar conhecida por roubar ideias alheias, de simplesmente copiar a inovação vista em produtos da concorrência.
Um segundo interessado no desdobramento do caso é o Google. A Samsung é a maior fabricante de smartphones e tablets com o sistema operacional Android. Não é difícil pensar que a Apple mirou a empresa sul-coreana para atingir a grande rival. A obsessão de falecido cofundador da Apple, Steve Jobs, era “destruir o Android”, como contado pelo biógrafo Walter Isaacson.
Jobs mantinha que o Android era um “produto roubado”, reles cópia do sistema operacional iOS. E dizia estar disposto a uma “guerra termonuclear” para defender a Apple. “Vou gastar meu último fôlego caso isso seja necessário e vou gastar até o último centavo dos 40 bilhões que a Apple tem no banco para resolver essa questão.”


A prova de que os gestores da Apple continuam com a mesma obsessão é a empresa também ter aberto processos contra a HTC e a Motorola, também fabricantes de smartphones e tablets que usam o sistema operacional Android.
A Microsoft é a terceira interessada no desenrolar de toda a batalha. “O Windows Phone ficou bem bonito agora”, escreveu Bill Cox, diretor de marketing da divisão de smartphones da empresa, pouco depois da decisão do júri. De fato, é provável que outras fabricantes de smartphones decidam usar o sistema operacional da Microsoft para fugir de qualquer tipo de problema legal com a Apple.
Um bilhão de dólares pode não ser grande coisa para a Samsung, mas seria um valor capaz de liquidar as concorrentes menores.
•
Ainda no assunto telefones e tecnologia, a empresa australiana biNu quer providenciar aos usuários de telefones mais simples a mesma experiência tida por donos de smartphones.
A grande maioria dos celulares simples é capaz de rodar aplicativos Java. São aparelhos que conseguem acessar sites WAP e é com essas ferramentas que a biNu pretende trabalhar.
O usuário baixa o aplicativo da empresa e tem acesso ao Facebook, ao Twitter, às buscas no Google e a outros serviços. Todas as tarefas que pedem um processador poderoso são feitas por servidores. E a transmissão de dados pode até se dar por uma simples sequência de mensagens de texto.
O aplicativo age como um simples portal. A companhia já tem mais de 4,2 milhões de usuários em mercados na África, além de Malásia, Irã e Estados Unidos.

RELATOR DO MENSALÃO DIZ QUE GOVERNO LULA COMPROU VOTOS

RELATOR DO MENSALÃO DIZ QUE GOVERNO LULA COMPROU VOTOS

RELATOR DIZ QUE GOVERNO LULA COMPROU VOTOS NA CÂMARA E CONDENA RÉUS DO PP
Autor(es): Felipe Recondo, Ricardo Brito, Eduardo Bresciani e Mariângela Gallucci
O Estado de S. Paulo - 18/09/2012
 

Joaquim Barbosa concluiu que foi comprado o apoio de PP, PMDB, PTB e PL e condenou réus do PP
O relator do julgamento do mensalão no STF, Joaquim Barbosa, afirmou que o governo do ex-presidente Lula comprou votos de deputados e apoio de PP, PMDB, PTB e PL (hoje, PR) para aprovar leis na Câmara. Barbosa indicou que condenará por corrupção passiva e lavagem de dinheiro deputados e ex-deputados acusados de receber recursos do esquema. Também indicou que vai considerar culpados os acusados de serem os corruptores: José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares. No total, foram repassados R$ 55 milhões. Barbosa disse que o governo Lula comprou o ingresso do PP na base aliada, em 2003. Pedro Henry (MT) e Pedro Corrêa (PE) foram condenados pelo relator por crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Ministro Joaquim Barbosa usa como argumento o fato de o partido ter apoiado o tucano José Serra na eleição presidencial de 2002 e ter "notória incompatibilidade ideológica" com o PT

O ministro Joaquim Barbosa afirmou nessa segunda-feira, 17, que o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva comprou votos de deputados e apoio de partidos para aprovar leis na Câmara dos Deputados. Relator do julgamento do mensalão, Barbosa indicou que condenará por corrupção passiva e lavagem de dinheiro todos os parlamentares e ex-deputados acusados de receberem recursos do esquema. Também indicou que vai considerar culpados os acusados de serem os corruptores da Câmara dos Deputados: o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoino e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares.
Veja também:
Decisão do relator "não faz sentido", diz defesa de Henry
Wilson Pedrosa/AE
Barbosa indicou que condenará todos os parlamentares e ex-deputados acusados de receberem recursos
Os pagamentos a deputados do PP, PMDB, PTB e PR (na época, PL) foram acertados em reuniões com a cúpula do PT e José Dirceu e serviram para garantir votos favoráveis à aprovação das reformas da Previdência, Tributária e Lei de Falências na Câmara, projetos de interesse do governo Lula, segundo o relator.
No total, como admitiu o empresário Marcos Valério, R$ 55 milhões foram repassados a parlamentares da base aliada. Recursos que foram pagos por ordem de Delúbio e Genoino, disse o ministro, e só cessaram após o esquema vir à tona em 2005.
Barbosa rechaçou a tese de que os pagamentos serviram para pagar despesas de campanha via caixa 2. Não há dúvida sobre a compra de votos", afirmou. "Esses repasses estão a demonstrar a existência de vinculação do pagamento de vantagens financeiras e o apoio parlamentar dos partidos recebedores."Ele ressaltou que, mesmo que o dinheiro fosse usado para campanhas, a prática do crime de corrupção estaria configurada. Ele disse ainda que a delação do esquema pelo ex-deputado Roberto Jefferson não foi "mera vingança política".
Barbosa disse que o governo Lula comprou o ingresso do PP na base aliada em 2003. O partido apoiou o adversário de Lula na eleição de 2002, José Serra (PSDB). "Independentemente da destinação dada aos recursos, as provas conduzem à conclusão de que os réus receberam o dinheiro em razão da função parlamentar e em troca da fidelidade do partido ao governo", disse.
O então líder do PP na Câmara, Pedro Henry (MT), e o presidente da legenda à época, Pedro Corrêa (PE), foram condenados pelo relator por crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Os dois receberam dinheiro, no total de R$ 4,1 milhões, por meio de saques do Banco Rural e da corretora Bônus-Banval. "O acusado Marcos Valério foi o elo entre todos os parlamentares e o PT na pessoa de Delúbio que determinava os repasses de dinheiro e as pessoas que seriam beneficiadas", disse Barbosa, referindo-se ao empresário apontado como o operador do mensalão.
O relator chegou a citar o depoimento de um ex-deputado do PP Vadão Gomes, que mencionou haver "notória incompatibilidade ideológica" entre os partidos. "Os deputados do PP praticaram atos de ofício em razão desses pagamentos e coube a Pedro Henry deliberar os votos dos integrantes da bancada na direção que buscavam os corruptores."
O relator também condenou os representantes da corretora Bônus Banval, Breno Fischberg e Enivaldo Quadrado, pelo crime de lavagem de dinheiro. O dinheiro chegou às mãos dos integrantes do PP por meio das empresas.
Na quarta-feira, 19, Barbosa continua a ler seu voto. Serão julgados no item os parlamentares e ex-parlamentares do PR, PMDB e PTB, incluindo Roberto Jefferson.
Ao fim do item, o ministro julgará os acusados de serem os corruptores, responsáveis pelo esquema de compra de votos: Dirceu, Genoino e Delúbio. O julgamento desse item pode levar duas semanas ou mais.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Por que ainda vale a pena apoiar a Primavera Árabe

Por que ainda vale a pena apoiar a Primavera Árabe

 Publicado em Carta Capital

Manifestante líbio lamenta a morte do embaixador Chris Stevens: “Desculpe, Chris. Benghazi não conseguiu proteger você”. Foto: Reprodução / Twitter

O saldo da semana em que o mundo lembrou o 11 de setembro é uma lástima. Quatro diplomatas norte-americanos foram mortos na Líbia, duas embaixadas dos Estados Unidos foram invadidas e protestos em diversos países árabes deixaram pelo menos cinco mortos, quatro no Iêmen e um no Líbano. O pretexto para a violência era o filme Innocence of Islam, produzido nos EUA, que retrata o profeta Maomé como pedófilo e bissexual. A violência gerou inúmeras dúvidas quanto ao futuro da Primavera Árabe, mas este é um momento decisivo para o futuro do Oriente Médio, que precisa de apoio para encontrar a liberdade genuína.
A Primavera Árabe teve inícios e desfechos diferentes em cada um dos países pelos quais passou. Há, entretanto, um aspecto em comum na história recente de Tunísia, Egito, Líbia e Iêmen, países em que os ditadores foram derrubados. Em todos eles, a “primavera” serviu para libertar forças políticas e sentimentos que eram suprimidos pelos regimes autoritários em vigor. Um grupo político particularmente saliente é o dos salafistas, fundamentalistas ultraconservadores que lideraram os protestos contra o filme. As manifestações desta semana escancararam, também, o forte sentimento anti-EUA presente no mundo árabe.
Um olhar sobre a história recente do Oriente Médio ajuda a perceber que o fundamentalismo religioso e o anti-americanismo estão interligados. O radicalismo se tornou influente nas sociedades muçulmanas a partir da segunda metade do século XX. Neste período, os Estados Unidos apoiaram vários golpes de Estado, adotaram como aliados alguns dos mais sangrentos ditadores, invadiram o Iraque e sempre apoiaram firmemente Israel, que os árabes odeiam em uníssono. Esses governos ditatoriais apoiados pelos EUA fecharam jornais, partidos, sindicatos e suprimiram quaisquer outras formas de dissenso na sociedade. A não ser as mesquitas. No Islã, e muitas vezes na interpretação mais fundamentalista dele, milhões de pessoas encontraram abrigo das torturas, da violência policial e da repressão política, além de alívio para a pobreza, o desemprego e o analfabetismo.
Entender a origem do que se observa no Oriente Médio não significa apoiar a violência. A interpretação do Islã e a forma como as sociedades muçulmanas da região encaram suas dificuldades estão recheadas de problemas. Pululam no Oriente Médio líderes religiosos que pregam o ódio e a violência. Políticos e cidadãos não conseguem entender, como afirma o analista Ed Husain no London Evening Standard, que a liberdade de blasfemar com o lamentável Innocence of Islam é a mesma que garante a construção de mesquitas e cemitérios muçulmanos em países ocidentais. Falta ao Islã, continua Husein, uma reforma de pensamentos que valorize o legado positivo de Maomé, profeta que, segundo o Corão, perdoou e protegeu um beduíno que blasfemara ao urinar em uma mesquita.

Nesta semana, ficou óbvio como o processo de democratização do Oriente Médio será complexo e problemático. É forte a tentação de abandonar a região a seu próprio destino, mas fazer isso seria abandonar o manifestante cuja fotografia abre este artigo em detrimento dos assassinos do embaixador Chris Stevens. Seria considerar que os 2 mil egípcios que protestaram na embaixada dos EUA no Cairo representam os 7 milhões de habitantes da cidade ou que a versão fundamentalista do Islã é a única possível para os mais de 1 bilhão de muçulmanos.
No Oriente Médio, é preciso tentar ver através da violência. Na revista Foreign Policy, Shadi Hamid lembra que nunca antes na história os EUA conseguiram aproximar tanto seus valores (democracia) de seus interesses (segurança) como ocorre hoje em relação à Líbia, à Tunísia e ao Egito. Assim, apoiar os processos de democratização desses países é, para os EUA, estar “do lado certo da história” no Oriente Médio pela primeira vez. É preciso valorizar também os sinais positivos recentes. Líbia, Egito e Tunísia conseguiram realizar eleições livres e limpas pela primeira vez em sua história nos últimos meses. Na Líbia, um dia após a morte do embaixador Chris Stevens, um novo primeiro-ministro foi eleito pelo Parlamento por apenas dois votos de diferença e o candidato derrotado aceitou o resultado imediatamente. Ainda é pouco, mas a democracia não é um receituário que pode ser simplesmente instalado num país. A democracia é um processo, doloroso e tortuoso, que continua sendo aperfeiçoado mesmo onde vigora há muito tempo. Lentamente, com apoio a quem defende a liberdade e a democracia, o Oriente Médio pode se transformar num lugar melhor para suas populações e, quem sabe, deixar o mundo todo mais estável e seguro.

Japão anuncia abandono do uso de energia nuclear até 2040

Japão anuncia abandono do uso de energia nuclear até 2040

14/09/2012 -

Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil

O governo do Japão anunciou planos de abandonar o uso de energia nuclear até 2040. A decisão foi anunciada um ano e meio depois do desastre na Usina de Nuclear de Fukushima Daiichi, no Nordeste do país. As usinas atômicas chegaram a produzir um terço da energia do Japão.
A proposta foi sugerida por uma comissão governamental. Depois do acidente em Fukushima, o mais grave da história japonesa, vários países repensaram o uso de energia atômica, entre eles a Alemanha, que deve desligar o seu último reator em 2022.
Em 11 de março de 2011, um terremoto seguido por tsunami gerou explosões e vazamentos na Usina Nuclear de Fukushima. Desde então, a área foi evacuada e uma série de medidas foram adotadas, como a suspensão da produção e da venda de alimentos e carnes produzidos na região.
Paralelamente, o governo japonês passou a estudar ações para reduzir o uso de energia nuclear no país a fim  evitar futuros acidentes, como os registrados no ano passado.

*Com informações da BBC Brasil // Edição: Juliana Andrade

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

País atinge antes meta de mortalidade infantil

País atinge antes meta de mortalidade infantil

 Do Msn Estadão
 
Com quatro anos de antecedência, o Brasil atingiu as Metas do Milênio da ONU no que se refere à redução da mortalidade...



País atinge antes meta de mortalidade infantil
"Melhor atenção médica e maior renda das famílias contribuem para o bem-estar infantil"


Com quatro anos de antecedência, o Brasil atingiu as Metas do Milênio da ONU no que se refere à redução da mortalidade infantil até 2015 e tem uma das cinco maiores reduções no mundo em termos de mortes.
Dados que serão divulgados nesta quinta-feira, 13, pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Banco Mundial e Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que, em 2011, o Brasil já conseguiu ultrapassar a meta estabelecida.
Em 2000, a ONU fixou metas sociais para os países e deu 15 anos para que governos chegassem perto dos objetivos. A base de comparação usada foi o ano de 1990.
No caso do Brasil, a meta era de que as 58 mortes registradas para cada mil crianças em 1990 fossem reduzidas para 19 por grupo de mil em 2015. Mas, ao final de 2011, a taxa já era de 16 para cada mil crianças.
Em 1990, 205 mil crianças com menos de 5 anos morreram no País. Em 2011, foram 44 mil, uma queda de 73%, que apenas quatro outros países superaram. Apesar de ter atingido a meta, o Brasil ainda está distante dos índices de países ricos. Na Itália, Portugal ou Espanha, a proporção de crianças que morrem é de apenas um quarto da taxa brasileira.
Em 2011, em todo o mundo, 6,9 milhões de crianças morreram antes de completar 5 anos de idade. Em 2000, essa taxa era de 12 milhões.
Melhor atenção médica, maior renda das famílias, expansão dos serviços de saúde e maior cobertura de vacinas e antibióticos seriam os motivos do avanço brasileiro.
Graças aos avanços de Brasil, El Salvador, México e Peru, a América Latina está prestes a também alcançar o objetivo. A região, segundo o levantamento, promoveu uma queda de 64% nas mortes. "A América Latina está muito próxima de alcançar o objetivo e, se continuar no atual ritmo, chegará à meta", disse o diretor do Departamento de Estatísticas Sanitárias da OMS, Boerma Ties.
Na região, a estimativa é de que 53 em cada mil crianças não chegavam aos 5 anos de idade em 1990. A taxa caiu para 19 por mil, muito próxima à de 18 por mil estabelecida pela meta. O caso mais dramático ainda é o Haiti. A taxa, hoje, é de 70 mortes para cada mil crianças, quando a meta estabelecia que o índice deveria ser 48 mortes por grupo de mil.
Hoje, 80% das crianças que ainda morrem antes dos 5 anos de idade estão na África e Ásia. Só na Índia morrem um quarto das crianças de todo o mundo, contra 11% na Nigéria, 7% no Congo, 5% no Paquistão e 4% na China.

* Jamil Chade é correspondente em Genebra