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quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Paraguai aprova Venezuela no Mercosul

Paraguai aprova Venezuela no Mercosul

Autor(es): Janaína Figueiredo
O Globo - 11/12/2013
 

Senado paraguaio reconhece adesão sete anos após decisão do bloco

-Buenos Aires- Sete anos após o Mercosul ter anunciado a incorporação plena da Venezuela ao bloco — decisão que posteriormente foi ratificada pelos parlamentos de Brasil, Argentina e Uruguai —, o Senado do Paraguai finalmente aprovou ontem a iniciativa, por 29 votos a favor e 10 contra. Para que o protocolo de adesão se transforme em lei falta apenas sinal verde da Câmara, onde o govemista Partido Colorado tem maioria e não deverá enfrentar dificuldades.
O debate no Senado paraguaio, que nos últimos anos rechaçou várias vezes a proposta, foi intenso. Congressistas da oposição acusaram o governo do presidente Horacio Cartes, empossado em agosto, de ter traído seus compromissos de campanha. De fato, até pouco tempo atrás, Cartes insistia em dizer que seu país, suspenso do bloco em junho de 2012, em consequência do impeachment contra o ex-presidente Fernando Lugo, só aceitaria a entrada da Venezuela após negociar seu retomo ao Mercosul.
Na última cúpula de presidentes do bloco, em meados deste ano, em Montevidéu, os governos de Brasil, Argentina, Uruguai e Venezuela comunicaram o fim da suspensão aplicada ao Paraguai. No entanto, o país, que durante a reunião presidencial tentou impedir que o presidente venezuelano Nicolás
Maduro assumisse a presidência pro tempore do bloco, ainda não voltou formalmente. Ontem, em Assunção, muitos jornalistas e políticos se perguntavam por que Cartes havia modificado sua postura, já que Maduro continua à frente do bloco.
Técnicos participam da elaboração de uma proposta do Mercosul à União Europeia para a negociação de um acordo de livre comércio. Mas o Paraguai ainda precisa discutir como será seu retorno e o que acontecerá com as 166 resoluções que o bloco adotou durante sua ausência.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Brasil oferece presidência para Paraguai voltar ao Mercosul

Brasil oferece presidência para Paraguai voltar ao Mercosul

Brasil oferece a Paraguai presidência do Mercosul para reintegrá-lo ao bloco
Autor(es): Lisandra Paraguassu
O Estado de S. Paulo - 01/10/2013
 

A presidente Dilma Rousseff propôs ao colega Horacio Cartes que o Paraguai assuma a presidência temporária do Mercosul a partir de dezembro, como forma de o país retomar ao bloco antes do fim do ano. O objetivo é que Cartes apresente a proposta em seu país sem que pareça que está recuando politicamente. Segundo um diplomata brasileiro com acesso às negociações, o gesto "pegou muito bem" entre os paraguaios.

Oferta. Plano é persuadir demais sócios regionais a aceitar um acordo que tornaria mais fácil a tarefa do presidente Horacio Cartes -que ontem esteve com Dilma Rousseff em Brasília - de convencer setores da política doméstica que resistem à reincorporação do país
Brasília
O Brasil ofereceu ao presidente do Paraguai, Horacio Cartes, a presidência temporária do Mercosul a partir de dezembro como forma de o país retomar ao bloco antes do fim do ano» A proposta, apresentada pela presidente Dilma Rousseff ontem, durante a visita de Estado, tem como objetivo oferecer ao paraguaio um gesto político que possa apresentar ao seu país sem que seu retomo pareça um recuo político.
Um ministro próximo a Cartes afirmou ontem que está sendo organizado o retomo do Paraguai ao bloco antes do final do ano, para que em dezembro o país possa já assumir a presidência, durante reunião em Caracas, na Venezuela. Segundo ele, o gesto do bloco pode parecer simbólico, mas é importante para o presidente paraguaio apresentar ao seu público interno.
O governo brasileiro sabe disso e tem se esforçado para apresentar um pacote palatável a Cartes. Em Paramaribo, durante a reunião da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), Dilma tomou para si a tarefa de reaproximar Venezuela e Paraguai e reunir Cartes e o presidente venezuelano, Nicolás Maduro. Foi quando Maduro prometeu também a indicação de um novo embaixador para Assunção o mais breve possível - outro gesto que agradou a Cartes. De acordo com um diplomata brasileiro com acesso às negociações, o gesto de Dilma, de negociar a aproximação, "pegou muito bem" entre os paraguaios.
A intenção brasileira, no entanto, ainda está em negociação com o restante dos membros do Mercosul. A tendência da Venezuela, hoje presidente do bloco, é não reclamar. Os venezuelanos, principal causa de atrito com o Paraguai, querem resolver logo o problema de sua entrada no Mercosul e ainda precisam da aprovação do Congresso paraguaio, que Cartes terá de negociar em casa. Os uruguaios podem resistir, mas não devem impedir um acordo. O maior problema pode ser a Argentina, que perderia a vez de presidir o bloco para o Paraguai.
Ontem, durante a primeira visita de Estado de Cartes ao Brasil, Dilma fez questão de repetir várias vezes a importância da volta do Paraguai ao bloco. "O Paraguai está em processo de volta ao Mercosul, tem o tempo deles, está no processo deles de retorno. O Brasil tem todo o interesse nessa volta e também no fato de que a nossa relação bilateral, como vocês podem ver, nós mantivemos intacta", afirmou, após terminar o encontro com Cartes. Por sua vez, o paraguaio Cartes reafirmou o interesse nas relações com os vizinhos, especialmente o Brasil, mas não mencionou o Mercosul durante o encontro com Dilma. "Sabemos que temos atrativos para uma integração física", disse Cartes, em relação a projetos conjuntos com o Brasil "O Paraguai não quer esmola nem favores, mas sim quer sentar-se à mesa grande."
Mais tarde, no Senado, Cartes disse que pretende ver o Paraguai de volta ao bloco "o mais rápido possível".
A presidência do Mercosul foi definida na formação do bloco, há 22 anos. É rotativa, a cada seis meses, e em ordem alfabética: Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai - e agora Venezuela. A única quebra ocorreu em 2012, com a suspensão do Paraguai, em razão do processo sumário, de 24 horas, que resultou no impeachment do presidente Fernando Lugo. No entender dos membros do bloco, a destituição feriu a Cláusula Democrática do Mercosul./Colaborou T.M

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Paraguai denuncia Mercosul diante de 157 países na OMC

Paraguai denuncia Mercosul diante de 157 países na OMC

Paraguai ataca Brasil na OMC por suspensão no Mercosul
Valor Econômico - 27/06/2013
 

O Paraguai resolveu denunciar sua suspensão do Mercosul diante dos demais 157 países-membros da OMC durante o exame da política comercial do Brasil, surpreendendo a diplomacia brasileira. O Valor apurou que a delegação do Paraguai partiu para o ataque já na segunda-feira, acusando de "ilegal" a medida adotada pelo bloco, o que significaria que todas as decisões tomadas depois do episódio não têm efeito.
Para o governo do Paraguai, a adesão da Venezuela às elevações de tarifas no Mercosul não são legítimas. O governo brasileiro reagiu ontem - o diretor do departamento econômico do Itamaraty, Paulo Estivallet de Mesquita, disse que a suspensão do Paraguai no Mercosul foi adotada por unanimidade pelos presidentes "depois da ruptura da ordem democrática" naquele país.


O Paraguai resolveu denunciar sua suspensão no Mercosul diante dos demais 157 países-membros da Organização Mundial do Comércio (OMC), durante o exame da política comercial do Brasil, ilustrando o racha no bloco e surpreendendo a diplomacia brasileira. O Valor apurou que a delegação do Paraguai partiu para o ataque já na segunda-feira, acusando de "ilegal" a medida adotada pelo bloco, o que significaria que todas as decisões que foram tomadas depois do episódio não teriam efeito.
Para o atual governo do Paraguai, tanto a adesão da Venezuela como as elevações de tarifas no Mercosul não têm legitimidade, já que as medidas não foram tomadas pela unanimidade dos membros do bloco. Nas perguntas submetidas ao Brasil, o Paraguai também só quis saber sobre como o Brasil justificava a decisão do Mercosul de suspendê-lo.
O governo brasileiro reagiu ontem, por intermédio do diretor do Departamento Econômico do Itamaraty, embaixador Paulo Estivallet de Mesquita, embora ressalvando que a questão não tinha nada a ver com as regras da OMC, ou com o exame da política comercial brasileira.
O Brasil explicou no plenário da OMC que a suspensão do Paraguai no Mercosul foi adotada por unanimidade pelos presidentes, "depois da ruptura da ordem democrática" naquele país. Disse que a intenção não foi interferir em questões internas do vizinho, e sim dar uma resposta ao pleno funcionamento das instituições democráticas no bloco do Cone Sul, e que a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) tomou a mesma decisão.
Segundo o Brasil, apesar da suspensão, a cooperação com o Paraguai permaneceu "totalmente operacional", para não afetar o povo paraguaio. As exportações paraguaias para o Brasil totalizaram US$ 1 bilhão em 2012, alta de mais de 35% em relação a 2011. O Brasil passou a ser destino de 21% das exportações paraguaias em 2012. Em 2011, as vendas para o mercado brasileiro representavam 14%.
Depois da explicação brasileira, o representante do Paraguai pediu a palavra para insistir na "ilegalidade" das ações no Mercosul sem sua participação, citando o artigo 20 do Tratado de Assunção, que criou o bloco e estabelece que as adesões, por exemplo, têm que ser aprovadas por unanimidade. O governo paraguaio reclama que não só ficou de fora, como o protocolo de adesão da Venezuela entrou em vigor sem que tenha sido efetuado o depósito, junto ao Paraguai, de todos os instrumentos de ratificação necessários para isso.
Durante a eleição para diretor-geral da OMC, o atual governo no Paraguai chegou a despachar um representante a Genebra para votar contra o candidato brasileiro Roberto Azevêdo e a favor do candidato mexicano.
Apesar disso, o presidente eleito do Paraguai, Horacio Cartes, toma posse em agosto, e a expectativa, inclusive na União Europeia, é que o país volte a integrar o Mercosul e que as negociações birregionais sejam reativadas.
Por sua vez, o Canadá, que discute com o bloco a possibilidade de um acordo de livre comércio, usou também o exame do Brasil na OMC para manifestar sua "preocupação com o que parecem crescentes divisões no Mercosul sobre a futura direção do bloco". Para o Canadá, a questão é como essas divisões vão afetar a capacidade do bloco de engajar compromissos com terceiros países.
Embora sem mencionar nenhum país, a mensagem canadense tem a Argentina como alvo, vista como um complicador para negociações de abertura comercial. Outras fontes mencionam que, no outro extremo, o Uruguai mostra-se disposto a um acordo em todas as direções. "Confiamos que o Brasil possa encorajar e promover políticas no Mercosul, que ajudarão a estimular oportunidades econômicas", afirmou o representante canadense Jonathan Fried.
Em seu relatório aos parceiros na OMC, o Brasil afirmou que o reforço e desenvolvimento do Mercosul continuarão a ser um componente importante da estratégia comercial do país. Para Brasília, a recente adesão da Venezuela, as perspectivas de expansão futura, possibilidade de ampliar acordos comerciais existentes na região e a conclusão de novos acordos com outros países "contribuem para promover a integração e o desenvolvimento, para vantagem de todos na região".
Na semana passada, de passagem por Genebra, a presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Kátia Abreu, sugeriu que o governo brasileiro deveria abandonar a "âncora" do Mercosul e buscar novos acordos comerciais fora do bloco. "O Brasil está ficando para trás", argumentou ela, lembrando iniciativas como os acordos comerciais acertados por Chile, Colômbia, México e Peru com a União Europeia e a negociação UE-Estados Unidos.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Novo líder do Paraguai busca reatar laços com Mercosul

Novo líder do Paraguai busca reatar laços com Mercosul

Novo líder paraguaio quer normalizar laço com Brasil e romper isolamento
Autor(es): Roberto Simom
O Estado de S. Paulo - 23/04/2013
 

O presidente eleito do Paraguai, o colorado Horacio Cartes, adotou ontem um tom conciliatório diante dos países sul-americanos, principalmente o Brasil, na expectativa de que sejam levantadas as sanções que Mercosul e Unasul impuseram a seu país. A presidente Dilma Rousseff disse estar disposta a recompor as relações bilaterais e do Paraguai com o Mercosul. (Págs. 1 e Internacional A8)

Horacio Cartes
Presidente eleito do Paraguai
‘Vamos sentar e trabalhar com o Brasil, e não contra o Brasil"

Eleito presidente do Paraguai no domingo, Horacio Cartes adotou ontem um tom evidentemente conciliatório diante dos países sul- americanos, sobretudo o Brasil, abrindo ainda mais o caminho para que sejam levantadas as. sanções que Mercosul e Unasul impuseram ao Paraguai em junho, após a queda de Fernando Lugo. Cartes disse que fará a todo o esforço possível" para reverter o isolamento do país.
Em entrevista a jornalistas estrangeiros, Cartes indicou que buscará apoio no Congresso para, nos próximos meses, aprovar formalmente a incorporação da Venezuela ao Mercosul O Paraguai era o único país do bloco cujo Legislativo não havia aprovado a adesão e, após a suspensão de junho, congressistas paraguaios votaram e rejeitaram o texto. A eleição do domingo dá uma margem de manobra mais confortável ao governo no Congresso (mais informações nesta página) e o veto a Caracas deve ser revertido.
O político colorado foi convidado horas depois de seu triunfo nas umas para participar da próxima cúpula do Mercosul, em junho, no Uruguai, mas adiantou ontem que não comparecerá em respeito ao presidente em exercício do Paraguai, Federico Franco. Entre a noite do domingo e o dia de ontem, vários chefes de Estado da região telefonaram para Cartes: a argentina Cristina Kirchner, o uruguaio José "Pepe" Mujica", o chileno Sebastián Pinera e o peruano Ollanta Humala.
Cartes disse ter conversado também com a presidente Dilma Rousseff no início da tarde, completando que sentiu "muita predisposição" da parte de Brasília de normalizar a situação com o Paraguai.
Até ontem à noite, o novo presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, não havia telefonado, embora a chancelaria de Caracas tenha emitido uma nota saudando as eleições paraguaias de domingo.
O Paraguai e o Brasil devem dialogar "como irmãos", disse, em português espanholado, o novo presidente. "Vamos sentar e trabalhar com o Brasil, e não contra o Brasil. E isso vai terminar com um sorriso", garantiu.
O presidente eleito afirmou que buscará reproduzir no Paraguai políticas de inclusão social implementadas nos últimos anos pelo Brasil Queremos infraestrutura, estradas, portos, mas nosso principal compromisso é a luta contra a pobreza", completou.
Cartes também fez um aceno aos empresários brasileiros que estão vindo ao Paraguai para fugir dos altos custos de produção. Segundo o colorado, a energia em seu país custa 11 vezes menos do que no Brasil e as indústrias brasileiras "são o remédio" que a economia paraguaia precisa.
"Tríplice Aliança". O líder paraguaio eleito afirmou que os países sul-americanos "estão com muito boa predisposição" para aceitar a plena reincorporação do Paraguai ao Mercosul e à Unasul nos próximos meses. Cartes defendeu a legitimidade do julgamento político que sacou Lugo do poder em 24 horas, mas disse que os países devem olhar para frente - e não para trás, "onde verão a Tríplice Aliança".
Entre as graves acusações que pesam contra Cartes, está a de ser o maior contrabandistas de cigarros para o território brasileiro - o político colorado é o maior produtor de tabaco do Paraguai. Questionado sobre possíveis conflitos de interesse entre o exercício da presidência e a administração de seu império multimilionário, ele prometeu: "Jamais colocarei questões pessoais sobre os interesses nacionais".
Cartes também rebateu r acusações de operar um amplo esquema de lavagem de dinheiro e de envolvimento com o narcotráfico.
Ele culpou o candidato a vice- presidente na chapa derrotada dos liberais, Rafael Filizola, pelas acusações. "Se 1% disso fosse verdade, seria condenado."

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Paraguai quer retornar à Unasul

Paraguai quer retornar à Unasul

Renata Giraldi* - Repórter da Agência Brasil

O governo do Paraguai tem esperança de que a Cúpula da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), no Peru, decida revogar a suspensão do país no grupo. O vice-ministro das Relações  Exteriores do Paraguai, Antonio Rivas Palacios, disse ontem (27) que o governo aguarda o encontro para decidir quais serão as próximas ações. Segundo ele, o Paraguai sofre uma  "cruzada persecutória" .

O Paraguai está suspenso, há cinco meses, da Unasul e do Mercosul até 21 de abril de 2013. A suspensão foi definida pelos presidentes sul-americanas por discordarem da forma como foi conduzido o processo de impeachment do então presidente paraguaio Fernando Lugo, em junho. Para os líderes políticos, houve rompimento da ordem democrática no país.

"Não podemos permitir que se mantenham as sanções", disse o vice-ministro, lembrando que a expectativa é que ocorra uma decisão sobre o Paraguai na reunião dos chefes de Estado, na sexta-feira (30). A presidenta Dilma Rousseff não participará dos debates porque cancelou sua viagem ao Peru.

O vice-ministro disse ainda que o governo do Paraguai conta com o apoio da maioria dos países e apenas “alguns questionam” a situação atual do país. Lugo foi destituído do poder, após aprovação do Congresso, denunciado por falta de responsabilidade. Para os líderes sul-americanos, Lugo não teve tempo suficiente para se defender.

"Temos relações normais com quase todos [os países]. Estamos recebendo embaixadores de todos os continentes", ressaltou o vice-ministro. "A relação com quase todo mundo é normal, só na nossa região é mantida alguma distância", acrescentou.

*Com informações da agência pública de notícias do Paraguai, Ipparaguay.

Edição: Talita Cavalcante

Fonte: EBC  
 
 

Publicado em: 28/11/2012

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Federico Franco apela para Dilma ouvir compatriotas e mudar de opinião sobre suspensão do Paraguai

Federico Franco apela para Dilma ouvir compatriotas e mudar de opinião sobre suspensão do Paraguai

19/09/2012 -

Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil

O presidente do Paraguai, Federico Franco, apelou ontem (18) para que a presidenta Dilma Rousseff “ouça” os brasileiros que vivem em território paraguaio e mude de opinião sobre a suspensão do país do Mercosul e da União de Nações Sul-Americanas (Unasul). Franco disse que se Dilma ouvir os “compatriotas” perceberá que a destituição do poder do então presidente Fernando Lugo, em 22 de junho, obedeceu aos preceitos democráticos.
"Faço votos de que a presidenta [Dilma Rousseff] ouça seus compatriotas e vizinhos e possa escutar os cidadãos paraguaios de origem brasileira que vivem aqui e, depois de ouvi-los, entenda que o que ocorreu no Paraguai foi uma mudança de governo como resultado de um [processo de] impeachment legítimo e constitucionalmente aceito", disse ele.
Franco ressaltou ainda que a relação entre paraguaios e brasileiros reflete amor. Mas reiterou que o Paraguai é um país independente, autônomo e livre. "A relação é com o povo brasileiro que nos ama e nos respeita. O Paraguai é um país livre, soberano e que não aceita tutela”, disse ele, em Santa Rita, Alto Paraná, no Paraguai.
Ontem, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, e o assessor especial de Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, destacaram que a suspensão do Paraguai foi definida de forma unânime pelos líderes políticos da região, que observaram o rompimento da ordem democrática no país, a partir do processo de impeachment de Lugo.
Em 29 de junho, as presidentas Dilma Rousseff (Brasil) e Cristina Kirchner (Argentina) e o presidente José Pepe Mujica (Uruguai) aprovaram a suspensão do Paraguai no Marcosul até 21 de abril de 2013 – quando haverá eleições presidenciais no país. A medida foi tomada porque os presidentes discordaram da forma como Lugo foi destituído do poder, em 22 de junho.
Para Dilma, Cristina e Mujica, a ordem democrática foi rompida no Paraguai, uma vez que Lugo foi submetido ao processo de impeachment em menos de 24 horas. Um mês depois, o Mercosul formalizou o ingresso da Venezuela no bloco. A decisão contrariou o Paraguai que, até então, não havia aprovado a incorporação da Venezuela ao grupo nem participou das últimas negociações.

*Com informações da agência pública de notícias do Paraguai, Ipparaguay.
Edição: Talita Cavalcante