quarta-feira, 7 de março de 2012

Brasil tem a 6ª maior economia

Brasil tem a 6ª maior economia

Brasil passa Reino Unido e é 6 maior economia
O Globo - 07/03/2012
 
PIB atinge US$ 2,48 tri, acima dos US$ 2,26 tri dos britânicos. No 4 trimestre, crescimento do país fica apenas em 28 lugar
Paulo Justus

 Apesar do fraco desempenho registrado em 2011, inferior ao de outros países emergentes, o Brasil ultrapassou o Reino Unido e pulou do sétimo para o sexto lugar entre as maiores economias no mundo. Convertido em dólares, o PIB brasileiro chegou a US$ 2,48 trilhões no período, acima dos US$ 2,26 trilhões alcançados pelo Reino Unido - que avançou apenas 0,8% no ano passado. O ranking, segundo o banco WestLB, continua sendo encabeçado pelos Estados Unidos, com US$ 15,32 trilhões, seguido pela China, com US$ 7,42 trilhões.
- Estamos próximos da França, que ocupa a quinta posição e teve um PIB 12% maior que o Brasil no ano passado, com US$ 2,78 trilhões - disse o estrategista-chefe do banco, Luciano Rostagno, responsável pela conversão dos PIBs em dólares.
Ele acredita que o país deve ultrapassar a França em 2015, estimativa semelhante à do FMI. Isso considerando que o Brasil cresça 3,5% este ano, 4,5% no ano que vem e 5% em 2014 e 2015. Em contrapartida, a variação do PIB francês precisa se manter entre 1,5% e 2,5% nos próximos anos.
Resultado foi pior que o de outros emergentes
A comparação não é tão positiva para o Brasil quando se examina, não o valor monetário, mas a variação do PIB. Por esse critério, o país ficou na rabeira do Bric (grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia e China) e abaixo de outros emergentes. Numa amostra com 18 economias, os 2,7% registrados em 2011 colocam o Brasil em oitavo lugar, atrás de China (9,2%) e Índia e Peru (ambos com 6,9%), por exemplo. Mas o país bateu as principais economias europeias, que atravessam grave crise financeira, e os EUA (1,7%).
Já na análise que leva em consideração o desempenho do quarto trimestre de 2011 frente ao mesmo período do ano anterior, a alta de 1,4% do Brasil o coloca em 28 lugar entre as 46 economias que já divulgaram o dado.
- Nosso PIB teve alta de 2,7%, mas a inflação ficou no teto da meta, de 6,5%. Isso mostra que nossa capacidade de crescer não só está limitada, mas está se reduzindo - disse Alessandra Ribeiro, analista da Tendências Consultoria.
Segundo ela, o mau desempenho do Brasil em relação aos emergentes mostra que o país ainda não fez a lição de casa. Em 2011, afirmou, a economia brasileira foi, mais uma vez, puxada pelo consumo das famílias, enquanto o desempenho dos países asiáticos refletiu uma poupança maior e um nível mais elevado de investimento.
Para o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, as economias asiáticas ainda se beneficiam da proximidade com a China. No caso dos países do Leste da Europa, que também registraram crescimento expressivo, o melhor desempenho se deve à baixa base de comparação dos anos anteriores.
- Muitos desses países europeus que tiveram crescimento alto no ano passado sofreram bastante nos anos anteriores. A Letônia, por exemplo, que cresceu 5,8% no quarto trimestre, chegou a ter uma queda de dois dígitos no PIB na época da crise - afirmou.
Mesmo na América Latina, o país teve um desempenho aquém do de outras economias. Neste caso, mais uma vez, a falta de investimento fez a diferença, diz Carlos Honorato, professor da Fundação Instituto de Administração (FIA):
- Peru e Colômbia crescem mais que o país porque fizeram as reformas do Estado e planejaram a atuação em setores específicos. Não conseguimos ter uma visão de longo prazo.
Segundo levantamento da Austin Rating, o crescimento de 2,7% do PIB brasileiro em 2011 ficou abaixo da média de 3,8% dos 18 países que já divulgaram o dado. No quarto trimestre, a alta de 1,4% também ficou abaixo da média de 2,5% de 46 países.

APÓS TOMBO DO PIB, CORTAR JUROS VIRA PRIORIDADE

APÓS TOMBO DO PIB, CORTAR JUROS VIRA PRIORIDADE

CORTE MAIOR DE JUROS AGORA VIRA PRIORIDADE
Autor(es): agência o globo:Gabriela Valentee
O Globo - 07/03/2012
 
Incentivo ao setor produtivo também está entre opções para país crescer 4%. Mercado aposta em redução da Selic de 0,5 a 0,75 ponto hoje
Martha Beck,
BrasÍLIA e RIO. O mercado aumentou as apostas em corte mais acentuado na taxa básica de juros, a Selic, a ser anunciado hoje após a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Cetral (BC), após o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmar que o governo fará o necessário para a economia crescer 4% em 2012, desempenho esperado pela presidente Dilma Rousseff. O arsenal de medidas para estimular o crescimento inclui, além da queda maior nas taxas de juros, desonerações em segmentos estratégicos do setor produtivo, incentivos para investimentos e ações para estimular o crédito e o consumo das famílias.
- Sempre é possível criar estímulos que podem ser fiscais ou monetários. No ano passado, ficamos mais contidos, por causa do cenário inflacionário. Estou tranquilo que, com os instrumentos que temos, vamos conseguir fazer o que precisamos - afirmou Mantega.
A expectativa é que o BC acelere a queda na Selic para estimular ainda mais a economia. No governo, há consenso de que existe espaço para mais cortes na taxa básica, hoje em 10,5% ao ano.
Para aumentar a oferta de crédito, o governo conta com um plano de redução dos juros nos empréstimos concedidos por bancos públicos. Com financiamento mais barato, as empresas poderão aumentar a produção e as famílias, consumir mais. A estratégia é estimular a competição, forçando as instituições privadas a baixarem suas taxas, que, na avaliação do governo, são excessivamente elevadas.
Além disso, o BNDES terá seu capital reforçado para financiar investimentos em infraestrutura, setor fundamental para impulsionar o crescimento do país e com grande poder de geração de empregos. No campo das desonerações, o governo pretende ampliar o número de setores que são beneficiados pela redução de tributos que pesam sobre a folha da pagamentos. Isso porque, além de tirar a competitividade em relação aos concorrentes de outros países, o alto custo de um funcionário formalizado inibe as contratações.
Para turbinar o crescimento, o governo conta também com as ações anunciadas no ano passado, mas que só terão efeito prático este ano. É o caso do programa Reintegra, que prevê um crédito tributário de 3% para os exportadores de manufaturados. Antes, havia uma grande burocracia para comprovar o direito a esse tipo de benefício, mas com o plano Brasil Maior - anunciado no ano passado - o governo resolveu abrir essa possibilidade a todas as empresas que vendem tais produtos no mercado internacional.
Preocupação demonstrada pelo governo muda apostas
Os recentes sinais de preocupação do governo com a queda do dólar e com o impacto negativo do excesso de liquidez gerado pelos bancos centrais dos países desenvolvidos - que a presidente Dilma chamou de "tsunami monetário" - reforçaram as apostas do mercado em uma Selic menor.
Ontem de manhã, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2013 (mais negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros) chegou a 8,93%, menor patamar já atingido, segundo a agência Bloomberg News. No fim do pregão, houve uma correção e a taxa ficou em 9,01%, ante 9,03% do pregão anterior.
Nos últimos pregões, mais investidores passaram a apostar numa aceleração dos cortes na Selic, passando do 0,5 ponto percentual para 0,75 ponto. Segundo analistas, como o PIB anunciado ontem veio dentro do esperado - se o crescimento econômico viesse ainda mais baixo no quarto trimestre, poderia haver mais espaço para o BC cortar mais os juros -, a preocupação do governo tem tido impacto.
Também os economistas já estão revendo suas projeções para a Selic diante dos movimentos do governo, embora o consenso ainda seja por um corte de 0,5 ponto hoje. Ontem, o Banco Modal divulgou relatório revisando a projeção de corte de 0,5 para 0,75 ponto. Em relatório da sexta-feira, a corretora Icap Brasil divulgou projeção de corte de 1 ponto, com a Selic caindo para 9,5% anuais hoje.
Para Jacob Weintroub, sócio da gestora Oren Investimentos, a sinalização do governo sobre o câmbio e a liquidez internacional trouxe uma nova variável para definir as apostas no mercado de juros futuros.
- Há uma leitura de que uma maneira de combater o efeito do excesso de fluxo de recursos para o país seria cortar mais os juros - diz Weintroub, destacando que as taxas dos contratos já consideram 50% de chance de um corte de 0,75 ponto na Selic hoje.

Câmara adia para a próxima semana votação do Código Florestal

Câmara adia para a próxima semana votação do Código Florestal

06/03/2012 



Iolando Lourenço
Repórter da Agência Brasil

Deputado Candido Vacarezza. Foto: Agência Brasil
A votação do Código Florestal, que estava prevista para hoje (6), na Câmara dos Deputados, foi adiada para a próxima terça-feira (13). A decisão foi tomada durante reunião dos líderes da base aliada. Segundo o líder do governo na Casa, Cândido Vaccarezza (PT-SP), a votação foi adiada para que o relator, Paulo Piau (PMDB-MG), conclua seu parecer, o que deve ocorrer até amanhã (7)
Vaccarezza informou que amanhã se reunirá novamente com os líderes e o relator Paulo Piau para discutir o texto. Ele disse acreditar que, com mais uma semana de discussão, será possível fechar um acordo mais amplo, que viabilize a votação com tranquilidade.
Para Vaccarezza, o atual texto do código é o melhor possível e será defendido pela base governista. Apesar disso, ele admite que o trecho do projeto que determina a reserva de pelo menos 20 metros quadrados (m²) de área verde por habitante nas expansões das cidades ainda deverá causar polêmica. É provável que esse artigo seja suprimido do substitutivo enviado pelo Senado.
O texto do Código Florestal começou a tramitar no Congresso há mais de dez anos pela Câmara dos Deputados. Após ser aprovado na Casa em maio do ano passado, foi encaminhado ao Senado. Lá, a matéria recebeu substitutivo do senador Jorge Viana (PT-AC) e retornou à Câmara para revisão.
Os deputados agora não podem incluir novos trechos no texto ou fazer alterações no que foi enviado pelos senadores. A Câmara poderá apenas suprimir parcial ou integralmente o texto ou aprová-lo do jeito que está. Em seguida, a matéria será encaminhada para a presidenta Dilma Rousseff, que também poderá vetar trechos do projeto.

PAC 2 executou R$ 204 bilhões, aponta governo

PAC 2 executou R$ 204 bilhões, aponta governo

07/03/2012 


Pedro Peduzzi e Paula Laboissière
 
Repórteres da Agência Brasil

Ao completar um ano de existência, a segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2) executou R$ 204 bilhões – 21% dos R$ 955 bilhões previstos para o período 2011-2014. De acordo com o balanço, que está sendo apresentado hoje (7) pelo governo federal, o valor total de ações já concluídas chega a R$ 142,8 bilhões, dos quais R$ 127 bilhões foram executados em 2011 (17,9% dos R$ 708 bilhões previstos para serem concluídos até 2014).
O balanço aponta que foram pagos por meio de recursos do Orçamento Geral da União (OGU) R$ 28 bilhões até o dia 31 de dezembro de 2011. Isso representa um aumento de 27% na comparação com 2010 e de 284% em relação a 2007, ano de lançamento do PAC 1.
Os recursos empenhados aumentaram 19%, entre 2010 e 2011, passando de R$ 29,7 bilhões para R$ 35,4 bilhões. Na comparação com 2007, o aumento foi de 121%.

terça-feira, 6 de março de 2012

Dilma: expansão monetária de países desenvolvidos cria cenário “bastante adverso” para o Brasil

Dilma: expansão monetária de países desenvolvidos cria cenário “bastante adverso” para o Brasil

06/03/2012 


Yara Aquino
Repórter da Agência Brasil

Pouco antes de encerrar, hoje (6), a viagem à Alemanha, a presidenta Dilma Rousseff relatou que nas conversas mantidas com a chanceler alemã, Angela Merkel, avaliou que a expansão monetária dos países desenvolvidos cria um cenário “bastante adverso” para o comércio internacional do Brasil. Em declaração à imprensa, Dilma disse que não são apenas os países desenvolvidos que estão sofrendo pressões nas suas taxas de crescimento, mas também os países emergentes.
“Na reunião bilateral manifestei para a chanceler Merkel a preocupação do Brasil com a expansão monetária que vem ocorrendo por parte dos países desenvolvidos, o que nós consideramos bastante adverso para o comércio internacional do Brasil. Também acertamos que cada governo, entendendo os problemas de suas respectivas regiões, vai buscar as melhores formas de cooperação no sentido de ultrapassar esse período adverso para a economia internacional”, disse Dilma, ao lado de Angela Merkel com quem manteve reunião privada na noite de ontem.
A presidenta disse ainda à chanceler alemã que o governo brasileiro terá uma posição proativa na busca de ampliar cada vez mais a taxa de crescimento no Brasil de forma sustentável, respeitando o equilíbrio macroeconômico e mantendo sólidas as finanças públicas e a estrutura fiscal. Segundo Dilma, ambas declararam o interesse em aperfeiçoar a cooperação entre os governos na busca de ultrapassar o período de dificuldades pelo qual passa a economia internacional.
Nesta manhã, as duas mandatárias visitaram o pavilhão do Brasil na Feira Internacional de Tecnologia de Informação, Telecomunicações, Software e Serviços (CeBIT). Dilma classificou como “extremamente produtiva” a visita de três dias a Hannover, na Alemanha, e destacou o interesse em ampliar, além das relações comerciais com o país, as relações de parceria que envolvam a inovação, a ciência e tecnologia e a pesquisa.
Com a Alemanha entre os principais parceiros do programa Ciência sem Fronteiras, a presidenta Dilma agradeceu as iniciativas e o empenho do governo alemão no sentido de viabilizar o programa. “O programa tem recebido adesão muito grande dos estudantes no Brasil, e a Alemanha é o segundo destino dos estudantes brasileiros que estão fazendo uso das bolsas”, disse Dilma. Até 2014, mais de 10 mil bolsistas brasileiros estudarão em instituições alemãs, segundo estimativas do governo.

PMDB rebelado ameaça o novo Código Florestal

PMDB rebelado ameaça o novo Código Florestal

Revolta na base ameaça governo
Autor(es): André de Souza, Cristiane Jungblut
O Globo - 06/03/2012
 
A rebelião na base aliada - com o PMDB de porta-voz - deverá dificultar ainda mais a votação do Código Florestal, prometida para esta semana. As insatisfações se unem à resistência da bancada ruralista ao teto do projeto aprovado no Senado. O Palácio do Planalto não quer alterações, mas já foi avisado que isso será impossível. Diante desse quadro, o governo deve tentar adiar a votação, dando mais tempo para negociação. O relator do projeto, Paulo Piau (PMDB-MG), já adiou a apresentação de seu parecer, que estava prevista para ontem.
A maior divergência continua em torno das áreas consolidadas, ou seja, áreas produtivas situadas em locais que deveriam ser de preservação ambiental. Muitos deputados querem a volta do texto baseado na Emenda 164, que daria uma espécie de anistia a desmatadores, ao reconhecer a legalidade de áreas agrícolas consolidadas até 22 de julho de 2008. Além disso, as negociações caminham para "desidratar" o texto, retirando pontos que tratam de questões urbanas e deixando o código com feitio mais rural.
No Palácio do Planalto, há forte preocupação com a possibilidade de o PMDB usar a votação do Código Florestal para dar uma demonstração de força e, com isso, derrotar o governo. O núcleo palaciano foi alertado que há intenção do PMDB de mudar o texto aprovado no Senado. O grande temor é que o código seja descaracterizado e, assim, passe a dar uma sinalização negativa para a conferência Rio + 20, reunião que acontece em junho.
Tanto, que, ontem à noite, a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvati, reuniu-se com a cúpula do PMDB e PT para dar o recado da presidente Dilma Rousseff de que é preciso ter responsabilidade na votação do Código Florestal. O recado foi repassado para os líderes peemedebistas.
O adiamento da votação foi pedido pelo próprio ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, que também é do PMDB. Ele vem conversando sobre o assunto desde a semana passada com o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). Hoje, Mendes Ribeiro deve se reunir com Piau e a bancada ruralista. Além disso, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), que em dezembro marcara a votação para hoje e amanhã, analisará a questão com os líderes partidários.
- No caso do Código Florestal, são preocupações de parlamentares do PMDB, PR e PP. O ministro Mendes pediu mais uma semana. Temos que construir o entendimento, não pode haver vencedores e vencidos - disse o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves.
Decreto vence
Governo quer votar código até abril
Ontem, Piau tinha programado para a noite uma reunião com deputados da bancada ruralista. Ele afastou a hipótese de o impasse impedir a aprovação do código até 11 de abril, quando vence o decreto que impede a aplicação de multas e sanções a desmatadores e a produtores que não aderirem a programas de regularização ambiental. Indagado se o clima de insatisfação na base afetaria a votação, ele foi evasivo.
Também ontem, alguns deputados ruralistas usaram a tribuna da Câmara para defender a votação ainda hoje do projeto que altera o Código Florestal, resgatando pontos aprovados pela Câmara, mas modificados pelo Senado. Segundo um dos principais líderes dos ruralistas, o deputado Valdir Colatto (PMDB-SC), um estudo feito pela bancada mostra que 94% das alterações do Senado serão mantidas, resgatando 6% do texto da Câmara. Mas esse resgate mexe no essencial do projeto.
- Temos que resgatar a (emenda) 164, voltar o texto da Câmara, ou vamos tirar 33 milhões de hectares do processo produtivo? São 15% da produção brasileira - afirmou Colatto.

China reduz meta de crescimento para 7,5%, depois de manter 8% por 7 anos

China reduz meta de crescimento para 7,5%, depois de manter 8% por 7 anos

O Estado de S. Paulo - 06/03/2012
 

Primeiro-ministro Wen Jiabao anunciou novo porcentual e disse que transformar o modelo de crescimento chinês é o desafio mais urgente
CLÁUDIA TREVISAN , CORRESPONDENTE / PEQUIM - O Estado de S.Paulo
A China reduziu sua meta de crescimento de 2012 para 7,5%, abandonando a cifra mágica de 8% que prevaleceu nos últimos sete anos. O novo porcentual foi anunciado ontem pelo primeiro-ministro Wen Jiabao, que classificou a transformação do modelo de crescimento chinês como o mais urgente desafio diante do Partido Comunista e colocou o aumento do consumo no topo das prioridades do governo para os próximos 12 meses.
A receita baseada em investimentos e exportações das últimas três décadas levou a um desenvolvimento "desequilibrado, descoordenado e insustentável", que deve ser alterado com o aumento da participação da demanda doméstica na composição do Produto Interno Bruto (PIB), observou o primeiro-ministro em discurso de 1 hora e 50 minutos na abertura do encontro anual do Congresso Nacional do Povo, que reúne cerca de 3 mil delegados de todo o país.
A redução da meta de crescimento está alinhada com o Plano Quinquenal anunciado no ano passado para o período 2011-2015, que dá ênfase mais à qualidade do que à quantidade da expansão econômica - o documento fixa em 7% a alta média anual do PIB nesse período, ante 9,9% nas últimas três décadas.
Porém havia dúvidas se a liderança do Partido Comunista estaria disposta a aceitar na prática uma cifra menor e deixar para trás décadas de expansão de dois dígitos. "Os líderes de Pequim concluíram que o crescimento da China tem de desacelerar, na medida em que a economia mude seus motores de crescimento de exportações, setor imobiliário e infraestrutura para o consumo e urbanização", escreveu em análise sobre o discurso o economista-chefe do Credit Suisse para a China, Dong Tao.
A meta tem caráter simbólico, já que o crescimento real sempre fica acima dos índices fixados a cada ano pelo governo. Em 2011, a expansão foi de 9,2% e o consenso dos economistas aponta para um porcentual de 8,5% em 2012. Mas, ao cravar 7,5%, as autoridades de Pequim sinalizaram aos governos provinciais que não haverá pacote de estímulo semelhante ao de 2008 para contrabalançar o cenário internacional hostil, como muitos queriam.
Social. Para aumentar o consumo, Pequim dará ênfase à redução da desigualdade social, investirá na ampliação da rede de proteção social e implantará mecanismos para elevações regulares de salários e do salário mínimo, que já estão em alta desde 2010.
O rápido crescimento das últimas três décadas foi acompanhado da elevação da distância entre ricos e pobres, campo e cidade e as regiões leste e oeste, a ponto de a nominalmente socialista China ter um índice Gini de desigualdade superior ao do capitalista Estados Unidos.
Isso cria um sentimento de exclusão dos benefícios da expansão econômica em grande parte da população e é fonte de instabilidade e conflitos sociais.
O desafio para o Partido Comunista é manter um ritmo relativamente alto de expansão e, ao mesmo tempo, mudar o modelo de desenvolvimento e conter a alta de preços, outra grande fonte de instabilidade social. A meta de inflação para 2012 foi fixada em 4%, mesmo índice do ano passado, que ficou em 5,4%.
Wen afirmou que o governo manterá a política de controle do setor imobiliário, que limita o número de imóveis que cada família pode adquirir, para conter a especulação que levou os preços às alturas e criou uma bolha que começa a desinflar.
Com a crise na Europa e nos EUA - principais compradores de seus produtos -, a China espera um modesto aumento de 10% em seu comércio internacional, após alta de 35% no ano passado. Para compensar o enfraquecimento de seus mercados tradicionais, Pequim buscará espaço em países emergentes, ressaltou o premiê.

Comércio global de etanol deve arrefecer

Comércio global de etanol deve arrefecer

Autor(es): Por Fabiana Batista | De São Paulo
Valor Econômico - 06/03/2012
 

O mercado global de etanol dá sinais de arrefecimento em 2012. A desaceleração do crescimento econômico deve redundar em um menor avanço, ou até na queda, do consumo de combustíveis, afetando da mesma forma também a demanda por etanol, em especial nos principais países consumidores do biocombustível, como Brasil e Estados Unidos - a dupla que domina o comércio mundial.
A consultoria F.O. Licht prevê que as exportações globais de etanol vão cair em torno de 31% em 2012, para algo entre 5 bilhões e 6 bilhões de litro. No ano passado, foram 8,8 bilhões de litros.
Os Estados Unidos, que lideraram as exportações no ano passado, com 4,2 bilhões de litros de etanol (1,1 bilhão de galões), podem perder competitividade na Europa por causa do fim dos subsídios de 54 centavos de dólar por galão concedido a seus misturadores. "Em Roterdã, o etanol americano esteve em 2011, em média, 10% mais competitivo que os concorrentes", compara o consultor de gerenciamento de risco da consultoria FCSTone, Thiago Gil.
Os Estados Unidos devem perder espaço também no Brasil, uma vez que o governo brasileiro exigirá, a partir de abril, a contratação antecipada pelas distribuidoras do anidro que será consumido ao longo da safra, o que deixa pouco espaço para negócios no spot (sem contrato), diz o diretor da comercializadora de etanol Bioagência, Tarcilo Rodrigues. "As chances de os Estados Unidos conseguirem embarcar mais 1 bilhão de litros ao mercado brasileiro, como foi em 2011, são pequenas", afirma Rodrigues.
O chefe de gabinete da Associação dos Combustíveis Renováveis (RFA, na sigla em inglês) dos EUA, Matt Hartwig, acredita que os mercados de Europa, Canadá e Brasil ainda deverão se manter como boas oportunidades para as exportações americanas. O executivo afirma, ainda, que não acredita em uma redução do consumo interno de etanol em 2012. Segundo ele, essa demanda deve atingir pelo menos o volume definido pela respectiva política do governo americano (RFS, na sigla em inglês).
Nos EUA, os dados oficiais projetam uma necessidade de produção de 49,9 bilhões de litros de etanol em 2012, o equivalente a 10% do consumo projetado para a gasolina, de 499 bilhões de litros - o etanol é misturado à gasolina no percentual de 10%.
Mas o especialista da FCStone informa que alguns analistas estão prestando mais atenção às projeções oficiais, de forma que já consideram que a demanda por gasolina poderá ser menor, de cerca de 492 bilhões de litros. Se confirmada a retração, o consumo de etanol pode diminuir para 49,2 bilhões de litros.
Em 2011, a demanda americana por etanol foi de 47,3 bilhões de litros. A produção foi de 54,8 bilhões de litros e, considerando-se importações e exportações, o saldo da oferta total no país atingiu o recorde de 56,4 bilhões de litros. "Houve uma antecipação da demanda no fim de 2011 por parte dos misturadores que quiseram aproveitar os últimos meses de subsídio, que expirou em 31 de dezembro", lembra o consultor da FCStone.
No Brasil, o crescimento também deve ser menor entre os combustíveis do ciclo Otto (gasolina e etanol), afirma o presidente-executivo do Sindicom, Alísio Mendes Vaz, que representa as empresas distribuidoras de combustíveis.
Houve avanço de 6,3% em 2011, abaixo dos 9,4% registrados no ano anterior. Em números absolutos, o consumo dos combustíveis do ciclo Otto subiu 2,559 bilhões de litros em 2011 em relação a 2010 para 42,9 bilhões de litros. Já em 2010, a demanda cresceu mais, 3,456 bilhões de litros, em relação a 2009. "A frota de veículos aumentou, mas o crescimento na venda de combustíveis foi menor. O consumo das famílias vinha crescendo acima do PIB. Agora, a empolgação está arrefecendo", diz Mendes Vaz.
Ele avalia que em 2012 o crescimento do mercado de combustíveis no Brasil ficará próximo do avanço do PIB, estimado pelo Banco Central em 3,3%, o que novamente será um freio no avanço que vinha sendo registrado.

Liquidez versus protecionismo no encontro das presidentas

Liquidez versus protecionismo no encontro das presidentas

Com Merkel, Dilma evita reclamar do "tsunami"
Autor(es): Por Assis Moreira | De Hannover (Alemanha)
Valor Econômico - 06/03/2012
 

Havia expectativas de a presidente Dilma Rousseff mencionar ontem o excesso de liquidez dos países ricos e os efeitos negativos sobre os emergentes, em discurso em Hannover para centenas de empresários. Mas foi a chanceler alemã, Angela Merkel, depois de ouvir Dilma só falar de tecnologia da informação, quem abordou o tema e alfinetou indiretamente o Brasil por protecionismo comercial. A presidente foi a Hannover para abrir a maior feira de telecomunicações do mundo depois de fazer ataques ao que chamou de "tsunami monetário" dos países ricos, considerado uma das razões da excessiva valorização do real.
Em rápida entrevista a jornalistas logo cedo, Dilma Rousseff reclamou que a gigantesca liquidez dos bancos centrais dos países desenvolvidos tem efeito internacional. "Como o mundo é globalizado, quando você tem um nível de expansão desses, se produz dois efeitos: um é a desvalorização artificial da moeda. O outro problema sério é que cria uma massa monetária que não vai para a economia real. O que se produz? Bolha. Bolha, especulação."
Conforme a presidente, a "desvalorização artificial" das moedas tem o efeito "de uma barreira tarifária, todo mundo se queixa de barreira tarifária, de protecionismo". E repetiu que não estava falando sozinha, que todos os emergentes reclamam também, assim como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Internacional de Compensações (BIS).
Mais tarde, ao receber mais de 30 empresários brasileiros, a presidente voltou a alvejar a manipulação cambial de parceiros, conforme o relato do presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade. "De nosso lado, reclamamos que o câmbio está prejudicando muito a indústria brasileira, que penaliza as exportações e facilita as importações, ela concorda plenamente, mas não apresentou soluções, mas fez declarações muito fortes sobre manipulação cambial", contou.
Na noite anterior, o assessor Marco Aurélio Garcia chegou a dizer que Dilma abordaria o "tsunami monetário" no seu discurso e seria mais incisiva na conversa privada com Merkel. Foi nesse cenário que uma enorme expectativa se criou, inclusive do lado alemão.
Na cerimônia de abertura da feira, porém, a presidente concentrou-se em ciência e tecnologia, elogiou a expansão econômica e conclamou os empresários a aproveitar as oportunidades no país.
Logo em seguida a chanceler alemã, Angela Merkel, subiu ao palco, fez a introdução diplomática, mostrando-se "muito impressionada com o que o Brasil conseguiu na economia", e mencionou o a crise europeia. "Vamos discutir sobre crise financeira global, que continua nos preocupando", disse. "A presidente manifestou preocupação sobre o tsnumani de liquidez quando olha para os EUA, para a União Europeia. Nós também olhamos para medidas protecionistas unilaterais", acrescentou.
A afirmação de Merkel foi entendida como uma referência às críticas persistentes dos parceiros e do próprio diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) de que o Brasil passou a adotar medidas que vão além das regras internacionais, como o aumento do IPI sobre carros importados. EUA, União Europeia, Japão, Coreia do Sul e vários outros parceiros questionaram o Brasil em comitês da OMC, mas ainda não abriram disputa contra o país.
No fim da noite, de volta do jantar de Dilma com Merkel, indagado sobre a menção de protecionismo feita pela líder alemã, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, retrucou: "Amanhã a presidente dará seu recado. Preparem-se."
Segundo uma fonte da delegação brasileira, durante a viagem de Brasília a Hannover uma questão foi sobre qual seria um instrumento eficaz no momento para conter a alta do real. O ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, mostrou uma tabela apontando que o dólar deveria estar valendo R$ 2,50, levando em conta a inflação brasileira e americana desde o período que as duas moedas tiveram paridade no governo de Fernando Henrique Cardoso.
Na conversa com jornalistas, a presidente avisou que o Brasil "como economia soberana, tomará todas as medidas plausíveis" para conter o problema cambial. Mas reagiu quando foi indagada sobre quarentena para conter a entrada de capital externo no país. "Quarentena é uma temeridade", disse, rechaçando esse tipo de medida. "Quem está falando de quarentena é você, não estou defendendo quarentena", disse.
Algumas fontes insistem, porém, que a imposição de prazo de permanência de dois anos, com sobretaxa diferenciada conforme o prazo de saída do capital antes disso, poderia ser uma alternativa. Mas o ministro da Fazenda, Guido Mantega, tem se mostrado contrário à quarentena.
Depois de ter preferido deixar para falar sozinha com Merkel sobre câmbio, a presidente ouviu a líder europeia usar o lema "gerir a confiança", que dá o tom do encontro, para dizer que a confiança é o caminho também no G-20, o grupo de ricos e emergentes, para sair da crise. "Temos que olhar para além de nossas fronteiras sobre as consequências da crise internacional."
Falou da crise do endividamento europeu - "entramos numa crise delicada -, defendeu a austeridade fiscal, algo que Dilma reclama da Europa, e terminou fazendo uma ardorosa defesa da zona do euro. "Não há alternativa a zona do euro, temos que desenvolvê-la, criar uma situação estável, cumprir as regras e ter confiança de que haverá mecanismos de solidariedade para solucionar os problemas", afirmou.
Certas fontes acreditam que a Alemanha vai enfim se dobrar à pressão internacional e aceitar a ampliação do fundo de socorro financeiro europeu, dos € 500 bilhões atuais para mais de € 700 bilhões. A Alemanha sozinha deve dar garantia de € 280 bilhões para o novo fundo.

DILMA FALA EM DEFENDER REAL E MERKEL ATACA PROTECIONISMO

DILMA FALA EM DEFENDER REAL E MERKEL ATACA PROTECIONISMO

DILMA PROMETE "PROTEÇÃO" AO REAL, E MERKEL CRITICA "PROTECIONISMO UNILATERAL"
O Estado de S. Paulo - 06/03/2012
Foto: Agência Brasil
Em um evento que deveria marcar a comunhão de interesses entre Brasil e Alemanha, os chefes de Estado e de governo dos dois países entraram em rota de colisão em público, ontem, em Hannover.
Em entrevista concedida ao meio-dia de ontem, a presidente Dilma Rousseff voltou a criticar o "tsunami monetário" na Europa, advertindo que o país poderia adotar medidas para proteger o real das "desvalorizações artificiais" de outras moedas.
A resposta veio oito horas depois. Em discurso de improviso, a chanceler Angela Merkel advertiu que os países desenvolvidos observam "as medidas protecionistas unilaterais", em referência indireta aos emergentes.
A discussão foi o desdobramento da insatisfação do governo brasileiro com a crescente liquidez estimulada pelos BCs de países ricos. Citando números do Banco de Compensações Internacionais (BIS), Dilma disse que a injeção de US$ 8,8 trilhões no sistema financeiro nos últimos três anos causa "desvalorização artificial" das moedas e "equivale a barreiras tarifárias".
O tom das reclamações do Brasil cresceu quando o Banco Central Europeu (BCE) ofereceu mais € 530 bilhões aos seus bancos. De dezembro para cá, o valor chega a € 1 trilhão.
Questionada pelo Estado se o governo brasileiro estava pedindo a Merkel uma intervenção na autonomia do BCE, Dilma respondeu: "Não, sabe por quê? Porque estão interferindo na nossa". "O que o Brasil quer com isso é mostrar que está em andamento uma forma concorrencial de proteção de mercado, que é o câmbio. O câmbio virou uma forma artificial de proteção."
Dilma antecipou que o governo pode tomar medidas para evitar a valorização artificial do real. "Tomaremos todas as medidas para nos proteger. Vamos ver quais medidas, como essa que tomamos recentemente sobre o IOF" Questionada se pensava em quarentena de capital externo, reagiu: "Não estou defendendo quarentena".
Especulações. Nos últimos dias, aumentaram as especulações em torno da decisão de amanhã do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. Analistas interpretaram as medidas cambiais adotadas na semana passada e as declarações de Dilma sobre o "tsunami" como uma sinalização de que o BC poderá ser mais agressivo no corte de juros.
Nesse cenário, um corte mais forte da Selic seria uma forma de se antecipar ao "tsunami" de dinheiro que deverá chegar ao Brasil como resultado da ação do BCE nos bancos europeus.
Nos bastidores do governo, aumenta o desconforto com o câmbio valorizado. A possibilidade de uso do Fundo Soberano do Brasil (FSB) vem ganhando força. O Fundo pode atuar comprando dólares em ações de surpresa. O mercado de derivativos cambiais também permanece na mira do governo.