segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Presidente do Paraguai faz campanha na ONU contra suspensão do país do Mercosul

Presidente do Paraguai faz campanha na ONU contra suspensão do país do Mercosul

24/09/2012

Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil

Ao desembarcar em Nova York para participar da Assembleia Geral das Nações Unidas,  o presidente do Paraguai, Federico Franco, começou ontem (23) sua campanha contra a suspensão do país do Mercosul. Na reunião com o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, Franco reclamou da suspensão e reiterou que o Paraguai segue a Constituição e mantém a ordem democrática.
O Paraguai está suspenso do Mercosul e da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) desde o fim de junho, quando o então presidente paraguaio Fernando Lugo foi destituído do poder. Para os líderes políticos da região, houve o rompimento da ordem democrática pela forma como Lugo foi submetido ao processo de impeachment no Congresso.
Em Nova York, Franco marcou uma reunião como primeiro-ministro da Espanha, Mario Rajoy. Segundo ele,depois do encontro decidirá se participa da Cúpula Ibero-Americana, organizada pela Espanha. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores do Paraguai, o governo não recebeu o convite a tempo.
Franco organizou uma agenda intensa de atividades ao longo desta semana em Nova York. O presidente paraguaio tem hoje (24) reuniões com o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Luis Alberto Moreno, e o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton, que atualmente faz parte de uma organização não governamental.
À noite, Federico Franco participa de jantar oferecido pelo presidente norte-americano, Barack Obama. Ele retorna ao paraguai apenas quinta-feira (27). A presidenta Dilma Rousseff deve voltar antes. Ela planeja estar no Brasil quarta-feira (26).

*Com informações da agência pública de notícias de do Paraguai, Ipparaguay 
Edição: Graça Adjuto

NA ONU, DILMA VOLTARÁ A ATACAR ‘TSUNAMI MONETÁRIO’

NA ONU, DILMA VOLTARÁ A ATACAR ‘TSUNAMI MONETÁRIO’

DILMA VAI DISCURSAR NA ONU CONTRA "TSUNAMI MONETÁRIO" DOS PAÍSES RICOS
Autor(es): Leonencio Nossa
O Estado de S. Paulo - 24/09/2012
 

Em meio à tensão entre Brasil e EUA por causa de acusações de protecionismo comercial, a presidente Dilma Rousseff chegou ontem a Nova York e deve criticar o que o governo brasileiro chama de "tsunami monetário" na abertura da 67ª Assembleia-Geral da ONU, informa o enviado especial Leonencio Nossa. Dilma fará críticas à injeção de dinheiro na economia pelos bancos centrais de EUA, Japão e Comunidade Europeia. Não está descartado encontro com o presidente Barack Obama. A relação entre os dois países passa por um mau momento desde a dura troca de cartas entre os governos sobre a decisão brasileira de elevar a tarifa de importação de cem produtos
Presidente vai reclamar do prejuízo com injeção de dinheiro novo pelos bancos centrais dos EUA, do Japão e da Comunidade Europeia
Quatro dias após a dura troca de críticas entre Brasil e Estados Unidos pelo fato de o governo brasileiro ter elevado tarifas de importação de 100 produtos para proteger a indústria nacional, a presidente Dilma Rousseff dá início a mais um round contra o "tsunami monetário". Ela deverá investir contra a injeção de dinheiro novo na economia pelos bancos centrais dos Estados Unidos, do Japão e da Comunidade Europeia, em discurso na abertura da 67.ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU)e encontros com chefes de Estado.
Hoje, Dilma deve reunir-se com o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, a quem provavelmente reiterará a mensagem de que o afrouxamento monetário promovido pelos países ricos prejudica as exportações dos emergentes. Também deve encontrar-se com representantes dos governos da Ucrânia e da Indonésia.
A presidente desembarcou nos Estados Unidos ontem, por volta das 7 horas (8 horas em Brasília), segundo informou o Palácio do Planalto. Pela manhã, teve conversas com os ministros das Relações Exteriores, Antônio de Aguiar Patriota, da Educação, Aloizio Mercadante, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, da Comunicação Social, Helena Chagas, e com o assessor especial Marco Aurélio Garcia. À tarde, manteve agenda particular. Almoçou num restaurante e passeou pelas ruas.
Amanhã, Dilma faz o tradicional discurso de abertura da assembleia. Antes da apresentação, se reúne com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e diplomatas da organização. Até a tarde de ontem, não estava programado encontro com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.
Diplomatas dizem que uma reunião entre os dois não deve ocorrer, mas é possível haver uma conversa no próprio plenário da assembleia. Ele subirá à tribuna logo após o discurso dela.
A relação entre os dois países passa por um mau momento depois da troca de cartas entre o representante comercial dos EUA, Ron Kirk, e o ministro Patriota. Os EUA criticaram o aumento das tarifas no Brasil. O governo brasileiro diz que a medida está em acordo com as normas da Organização Mundial do Comércio (OMC) e ressalta que as relações bilaterais são favoráveis aos EUA. Dilma deve ir também a um evento do Council on Foreign Relations, organização de estudos sobre relações internacionais.
Segundo auxiliares, a presidente deverá fazer críticas, ainda que veladas, à decisão do Federal Reserve, o Fed (o banco central dos Estados Unidos), de desembolsar até US$ 40 bilhões ao mês para a compra de títulos públicos e privados.
Os governos dos países emergentes reclamam que suas exportações são prejudicadas com a expansão do crédito nos EUA, na Europa e no Japão. A injeção de recursos nas economias centrais, por sua vez, não tem conseguido arrancá-las da recessão. Esses pontos foram frisados na carta de Patriota a Kirk.
Na sexta-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ameaçou elevar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para conter a entrada de dólares. Dilma já orientou a equipe a utilizar o arsenal necessário para conter a queda do real. As estatísticas mostram, porém, que até o momento não ocorre nenhuma avalanche de moeda estrangeira.
Segunda viagem. É a segunda vez que Dilma viaja como presidente aos Estados Unidos. No ano passado, ela fez um discurso em defesa da igualdade entre os Estados e mudanças nos fóruns internacionais e contra o protecionismo dos países industrializados. Um ano depois, observam diplomatas, a presidente volta à ONU com o desafio de responder a críticas.
O ataque à postura dos países ricos na condução da economia poderia servir para amenizar queixas políticas e econômicas na ONU contra o Brasil. O governo Dilma é criticado por não condenar o regime sírio e o massacre de civis pelo exército do ditador Bashar al-Assad, mantendo postura alinhada à China e à Rússia. No campo econômico, o discurso duro seria uma forma de conter as queixas dos países industrializados em relação às últimas medidas do governo brasileiro de aumentar a taxação de produtos importados, especialmente na área automobilística.
(Colaboraram Lu Aiko Otta e Gustavo Chacra)

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

‘Profetas do caos’ criam um falso debate sobre o Oriente Médio

‘Profetas do caos’ criam um falso debate sobre o Oriente Médio

 José Antônio Lima

Publicado em Carta Capital

Egípcios protestam em frente à embaixada dos EUA no Cairo. Os moderados precisam ser fortalecidos diante da força dos radicais. Foto: Khaled Desouki / AFP

Há um falso debate em curso a respeito do Oriente Médio. Os protestos e a violência dos últimos dias (cujo pretexto foi o filme “Inocência dos Muçulmanos” e, depois, charges de Maomé publicadas na revista francesa Charlie Hebdo) fez comentaristas, à esquerda e à direita, se regozijarem por terem, supostamente, previsto o que consideram ser o desfecho da “Primavera Árabe”: o inevitável encaminhamento do mundo árabe-muçulmano para um radicalismo islâmico anti-Ocidente. Esses comentaristas sentem-se vitoriosos no debate contra aqueles que, segundo eles, previam o surgimento espontâneo de democracias após a derrubada de ditadores. Ocorre que este debate jamais ocorreu.
Nenhum analista sério poderia afirmar que o fim de regimes autoritários ensejaria o surgimento automático de democracias. Isso jamais ocorreu na história, porque a democracia é um processo e não um modelo único que pode ser simplesmente implantado. O que analistas debatiam, anos antes de a “Primavera” ter início, eram possibilidades de democratização de países árabes-muçulmanos. A discussão se dava nos seguintes moldes: o que o Ocidente pode fazer, no relacionamento com os governos e sociedades civis árabes-muçulmanas, para facilitar a democratização? Esses estudos partiam de premissa de que sociedades mais livres e igualitárias transformariam o Oriente Médio num lugar mais seguro.
Os “profetas” da radicalização islâmica inevitável agem movidos por uma visão carregada de preconceito. Basicamente, não acreditam que muçulmanos e árabes sejam capazes de viver em regimes democráticos. Englobam tudo o que vem do Oriente Médio como “Islã”. São, como definiu Edward Said, orientalistas. Como todo preconceito, este é movido pela ignorância, no sentido denotativo da palavra: a falta quase total de conhecimento a respeito do que ocorre no Oriente Médio. Três aspectos são particularmente relevantes.
Rached Ghannouchi, presidente do Ennahda, o partido islamista que governa a Tunísia. Grupos como o de Ghannouchi, que pregam a moderação, são pressionados politicamente pelos salafistas. Foto: Fethi Belaid / AFP

O primeiro: as nuances do Islã político. A Irmandade Muçulmana no Egito e o Ennahda na Tunísia, partidos religiosos que venceram as eleições, são grupos que, ao menos por enquanto, pregam moderação e pragmatismo. Há um fosso de diferenças, ideológicas e práticas, entre esses partidos e os salafistas, religiosos ultrarradicais. No Egito, onde o presidente Mohamed Morsi foi eleito com o apoio dos salafistas, a coalizão Irmandade-salafistas está ruindo por conta dessas diferenças. Foram esses setores mais radicais que lideraram o ataque contra a embaixada americana, constrangendo o governo egípcio e a Irmandade perante a comunidade internacional.
É importante notar que nem todos os salafistas são violentos. No caso da Líbia, onde foi assassinado o embaixador Chris Stevens, grupos guerrilheiros salafistas, e violentos, foram os responsáveis pelo ataque. Eles representam, entretanto, uma fração marginal dos salafistas líbios. A maioria partiu para a vida política ou aderiu a instituições do nascente Estado líbio.
O segundo aspecto ignorado é o fato de que a opinião dos povos árabes agora importa. Com a queda de ditadores vieram à tona inúmeras forças políticas e sentimentos antes suprimidos pelo autoritarismo. O mais saliente deles é o anti-americanismo, que no Oriente Médio é abrangente e atinge religiosos e seculares, ricos e pobres, gente que vive no meio urbano e no rural. A origem deste sentimento é a história de golpes e guerras promovidos e apoiados pelos EUA no Oriente Médio nas últimas décadas. Lamentavelmente, inúmeros religiosos radicais, a maioria salafistas, usam seus sermões para estimular este sentimento, pregando o ódio e a violência. É este sentimento que os salafistas tentam manipular contra os governos moderados numa tentativa de ganhar apelo político.
O terceiro aspecto ignorado pelos “profetas” da radicalização é a existência de líderes religiosos muçulmanos moderados. Há inúmeros desses no Ocidente, mas há também no Oriente Médio. Ainda no dia 12 de setembro, um dia depois do início dos protestos, o líder da mesquita de Al-Azhar, principal escola de pensamento sunita do mundo, baseada no Egito, pediu que os muçulmanos respondam de forma “racional e objetiva” a ofensas a Maomé. Na terça-feira 19, Ali Gomaa, o grande mufti do Egito, maior autoridade religiosa do país, escreveu artigo no jornal The National (dos Emirados Árabes Unidos) afirmando que “a violência nunca é uma resposta aceitável à provocação”. Gomaa afirmou que o Islã tem uma “necessidade urgente” de encontrar líderes religiosos que possam desenvolver respostas dentro do Islã aos problemas da modernidade, criando um ambiente em que todas as pessoas possam coexistir.

O grande problema da visão desses “profetas do caos” é sua incapacidade de propor qualquer solução em termos de política internacional. Sua única sugestão é que novas provocações, como as charges da Charlie Hebdo, sejam feitas. Talvez seja uma tentativa de forçar a democracia goela abaixo. Talvez seja uma tentativa de “comprovar”, usando a reação da minoria, as impressões que têm da maioria de árabes e muçulmanos.
Um reflexo desta estratégia desastrada é estimular os radicais anti-Islã no Ocidente. Como conta Doug Sanders no jornal The New York Times, neste ano uma mesquita foi incendiada no Estado americano do Missouri e uma escola islâmica foi atacada com uma bomba de ácido no Illinois. A onda de islamofobia nos EUA, que engloba organizações, blogueiros, militares, jornalistas e políticos, surgiu no rastro do 11 de Setembro. Hoje ela é tão intensa que o novo Lanterna Verde é árabe e muçulmano, numa tentativa de romper este preconceito. Na Europa, a hostilidade ao Islã também é latente. Em 2009, a Suíça proibiu, em referendo, a construção de minaretes, a parte mais visível das mesquitas. Neste ano, uma pesquisa publicada pelo The Observer mostrou que, quando se trata de imigrantes muçulmanos, os britânicos são mais propensos a apoiar ideias e propostas de extrema-direita do que partidos que pregam o multiculturalismo. Muitas vezes, é desses grupos radicais ocidentais que surgem as provocações ao Islã, como o filme Inocência dos muçulmanos, cujo objetivo era instigar reações violentas e, assim, “provar” que o Islá é uma religião incompatível com a modernidade.
Ao retratar o “Islã” como um bloco único, generalizando alguns milhões de pessoas e simplificando sociedades extremamente complexas, esses “profetas” acabam por esconder o debate que realmente deve ser feito a respeito do Oriente Médio. O que a comunidade internacional pode fazer para ajudar Egito, Iêmen, Líbia e Tunísia, países que se livraram de seus ditadores, a trilhar um caminho que afaste o destino desses países do fundamentalismo religioso e do autoritarismo?

Rendimento do trabalhador brasileiro cresce e distância entre pobres e ricos diminui

Rendimento do trabalhador brasileiro cresce e distância entre pobres e ricos diminui

Vitor Abdala
Repórter da Agência Brasil

O rendimento médio mensal real do trabalhador brasileiro cresceu 8,3% entre 2009 e 2011. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2011 (Pnad), divulgada nesta sexta-feira 21 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o valor chegou a 1.345 por mês.
Os maiores aumentos no rendimento foram registrados nas regiões Nordeste (10,7%) e Centro-Oeste (10,6%), sendo esta última a que concentra o maior valor do país: 1.624 reais. Já a Nordeste, apesar do crescimento, continuou sendo a que apresenta o pior rendimento médio: 910 reais.
Além disso, segundo a Pnad, os rendimentos registraram maior crescimento entre os mais pobres. A parcela dos 10% mais pobres da população teve o maior aumento (29,2%), enquanto o 1% mais rico teve 4,3% de crescimento.


Com isso, a diferença entre os dois estratos populacionais caiu, apesar de continuar grande. De acordo com a pesquisa, a média dos rendimentos dos mais ricos era 87 vezes maior do que a dos mais pobres, em 2011. Em 2009, a proporção era 107.
“A gente observa que os maiores aumentos aconteceram, de forma geral, nas classes de rendimento mais baixo. Isto é, as pessoas que recebiam menos tiveram mais ganhos do que aquelas que recebiam mais. Isso tem um reflexo direto no índice de concentração de rendimentos, que a gente mede por meio do índice de Gini. Quase todas as regiões do país tiveram redução desse índice”, disse a gerente da Pnad, Maria Lucia Vieira.
O índice de Gini varia de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, maior é a desigualdade na distribuição de renda na região. O índice brasileiro caiu de 0,518 em 2009 para 0,501 em 2011.
“Isso vem acontecendo nos últimos anos principalmente em virtude dos elevados aumentos do salário mínimo. O salário mínimo puxa a parte de baixo [dos estratos de renda]. Embora o salário daquele pessoal mais pobre nem chegue a um salário mínimo, ele serve como referência e puxa um aumento para cima”, diz Fernando de Holanda, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV).
A queda do índice de Gini ocorreu em quatro regiões brasileiras. A exceção foi a Norte, onde a média do rendimento dos mais pobres se afastou da dos mais ricos. No Norte, o índice subiu de 0,488 para 0,496, mostrando que a desigualdade na distribuição de renda aumentou.
A Pnad mostrou ainda que as diferenças de rendimento entre homens e mulheres persistem no país, apesar de terem diminuído entre 2009 e 2011. O rendimento médio das mulheres, em 2011, foi 997, ou seja, 70,4% da média recebida pelos homens (1.417 reais). Em 2009, o valor recebido pelas mulheres representava apenas 67,1% do rendimento masculino.
Na avaliação por categorias de emprego, os militares e empregados públicos estatutários tinham rendimento médio de 2.289 reais, enquanto o dos trabalhadores domésticos sem carteira assinada era 424 reais. Nas demais categorias, os rendimentos observados pela Pnad foram: empregados com carteira assinada (1.303) reais, empregados sem carteira assinada (829 reais) e trabalhador doméstico com carteira assinada (reais 693).
Edição: Juliana Andrade e Lílian Beraldo

Paraguai garante direitos a brasiguaios

Paraguai garante direitos a brasiguaios

Giraldi* - Repórter da Agência Brasil

O presidente do Paraguai, Federico Franco, disse ontem (18) que os chamados brasiguaios (fazendeiros e empresários brasileiros que moram em território paraguaio) terão garantias de segurança para poderem investir no país. Franco recomendou que eles enviem mensagens aos parentes no Brasil informando que terão os direitos garantidos e preservados. Nos últimos anos, os brasiguaios se queixam de discriminação e perseguição pelos paraguaios.

"Diga aos seus parentes no Brasil que o Paraguai é um país estável, pacífico e progressor", disse Franco, durante visita à fazenda do brasileiro Joacir Repossi, em Santa Rita, a uma distância de 330 quilômetros de Assunção, capital paraguaio. “Foram quatro anos de marginalização", ressaltou ele, ao lembrar que a área onde estão os brasileiros concentra a maior produção de soja do país.

Franco agradeceu pela colaboração dos brasileiros que investem no país. Segundo ele, os brasiguaios são responsáveis por transformar o Paraguai em um dos maiores exportadores de soja e de carne da América Latina. “O Paraguai jamais, nunca, será transformado em potência sem a presença de colonos brasileiros", disse.

Em seguida, o presidente acrescentou que os brasiguaios “podem trabalhar em paz e dormir tranquilos” e que podem dizer às suas famílias brasileiras irem ao Paraguai e investirem lá. Ao se referir aos brasiguaios, Franco costuma chamá-los de “cidadãos paraguaios de origem brasileira”, uma forma encontrada por ele para evitar controvérsias entre os brasileiros e os críticos do grupo.

Os números envolvendo a comunidade de brasileiros no Paraguai variam. Os brasiguaios consideram todas as famílias, por isso chegam a 350 mil, os produtores rurais paraguaios avaliam 110 mil e o governo trabalha com 6 mil.

Os brasiguaios relatam que sofreram perseguição nos últimos anos e ficaram impedidos de trabalhar. A maioria vive nas áreas de fronteira do Brasil com o Paraguai e se queixa da falta de apoio das autoridades paraguaias.

Há, entre os brasiguaios, grandes, médios e pequenos produtores rurais. Mas todos reclamam das tensões no campo. Eles contam que são ameaçados por carperos (sem-terra paraguaios) e sofrem discriminação porque não são paraguaios.

*Com informações da agência pública de notícias do Paraguai, Ipparaguay.

Edição: Talita Cavalcante

Fonte: EBC 
 
 

Publicado em: 20/09/2012

Paraguai pedirá fim de suspensões

Paraguai pedirá fim de suspensões

Renata Giraldi* - Repórter da Agência Brasil

O presidente do Paraguai, Federico Franco, participa na próxima semana da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York, nos Estados Unidos, no esforço de mostrar que a democracia é respeitada no seu país e que a destituição de Fernando Lugo do poder, em junho, seguiu os preceitos constitucionais. Também quer apelar para o fim da suspensão do Paraguai do Mercosul e da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

Franco disse que, ao discursar, afirmará que é “injusta” a decisão de suspender o Paraguai tanto do Mercosul quanto da Unasul devido à destituição de Lugo. Ele pretende ainda reclamar da incorporação da Venezuela ao bloco neste período em que o Paraguai está suspenso. "Vamos falar sobre a situação real, vamos expor à comunidade internacional o que aconteceu no Paraguai”, reiterou ontem o presidente.

Segundo Franco, o impeachment que ocorreu no país está estabelecido na Constituição. Ele acrescentou que vai mostrar o quanto foi injusta, arbitrária e ilegítima a suspensão.

Desde o fim de junho, o Paraguai foi suspenso do Mercosul e da Unasul, pois os líderes políticos da região discordaram da forma como Lugo foi destituído do poder. Para os líderes, houve o rompimento da ordem democrática. O Paraguai nega irregularidades.

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, e o assessor especial de Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, reiteram que as decisões foram tomadas por unanimidade no Mercosul e na Unasul. Eles dizem que aguardam o fim das suspensões em 2013, após as eleições presidenciais no país.

*Com informações da agência pública de notícias do Paraguai, Ipparaguay

Edição: Graça Adjuto

Fonte: EBC  
 
 

Publicado em: 21/09/2012

Pnad: analfabetismo diminui, mas ainda atinge quase 13 milhões de pessoas no Brasil

Pnad: analfabetismo diminui, mas ainda atinge quase 13 milhões de pessoas no Brasil

21/09/2012 -

Akemi Nitahara
Repórter da Agência Brasil

A taxa de analfabetismo entre pessoas com 15 anos ou mais caiu de 9,7% em 2009 para 8,6% em 2011, totalizando 12,9 milhões de brasileiros. A maior proporção ainda é verificada na Região Nordeste, mesmo com queda na taxa de 18,8% para 16,9%.
Segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2011, divulgada hoje (21) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 96,1% dos analfabetos do país têm 25 anos ou mais. Mais da metade deles se concentram na faixa acima de 50 anos.
A gerente da Pnad, Maria Lúcia Vieira, destaca a desigualdade regional na taxa de analfabetismo. De acordo com os dados, 35,6% das pessoas no Nordeste com 50 anos ou mais eram analfabetas em 2011.
“As taxas de analfabetismo para as populações até 24 anos são muito baixas, no Sul e no Sudeste, então, não chega a 1%. Elas são maiores quando a gente vai para as regiões Norte e Nordeste e conforme a faixa etária vai aumentando”, destaca Maria Lúcia.
No período, também houve aumento do nível de instrução entre pessoas com 25 anos ou mais. A proporção de brasileiros com ensino fundamental completo subiu de 8,8% para 10%. No caso do ensino médio, passou de 23% para 24,5% e do ensino superior, de 10,6% para 11,5%. Do mesmo modo, caíram os percentuais para o ensino fundamental incompleto (de 36,9% para 31,5%), médio incompleto (de 4% para 3,9%) e superior incompleto (de 3,5% para 3,4%).
Na distribuição por gênero, a média de anos de estudo entre as mulheres ficou em 7,5 em 2011 enquanto entre os homens atingiu 7,1.

Edição: Juliana Andrade e Lílian Beraldo

PNAD: Acesso a serviço de esgoto aumenta e chega a 62,6% em 2011

Acesso a serviço de esgoto aumenta e chega a 62,6% em 2011

21/09/2012

Isabela Vieira
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – A cobertura do serviço de esgoto aumentou de 59,1% em 2009 para 62,6% em 2011. Em números absolutos, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada hoje pelo (21) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indica que, do total de 61 milhões de domicílios no país, mais da metade estão ligadas à rede: 38,2 milhões de casas.
A situação ainda é considerada preocupante pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes).“Com o atual nível de investimento que temos, demoraremos 50 anos para universalizar o serviço”, afirma o presidente da entidade, Dante Ragazzi Pauli. Segundo ele, além de investimentos públicos, é preciso capacitar gestores estaduais e municipais.
Entre as regiões do país, a Norte, mesmo considerando as fossas sépticas que estão ligadas à rede de esgoto, tem o menor percentual de casas atendidas, 20,2% - embora fosse 12,9%, em 2009 - seguida da Nordeste, que tem  40,1% das residências com esgoto. Nas regiões Centro-oeste, Sul e Sudeste os percentuais de atendimento são 45%, 59% e 87%, respectivamente.
“O governo tem investido mais nessas regiões [Norte e Nordeste], mas levando em conta que a carência é tão grande, o avanço é pequeno”, avaliou Ragazzi. Segundo ele, mesmo nas regiões mais ricas, há bolsões de pobreza que só serão alcançados com investimentos públicos e redução de tarifas e taxas. “Não há desenvolvimento ambiental sem desenvolvimento econômico.”
Por outro lado, a pesquisa mostra que oito em cada dez casas têm água encanada (84,6%), o equivalente a 51,8 milhões do total de domicílios. O número cresceu 0,3 ponto percentual entre 2001 e 2009, em parte, porque está cada vez mais difícil chegar aos domicílios sem o serviço.
Outro indicador ambiental que reflete a qualidade de vida dos moradores, a coleta de lixo chega a 88% dos domicílios. Com exceção da Região Norte, onde o percentual de atendidos diminuiu de 79% para 75%, houve avanço nas demais, com pico de 95,9%, no Sudeste. A rede elétrica, segundo o IBGE, se estendeu para mais 3 milhões de casas, atendendo a 99,3% das casas brasileiras.


Edição: Lílian Beraldo
 

PNAD: Um em cada cinco domicílios tem computador com internet, indica pesquisa

Um em cada cinco domicílios tem computador com internet, indica pesquisa

21/09/2012
Isabela Vieira
Repórter da Agência Brasil

Na hora de comprar um eletrodoméstico novo, os brasileiros têm preferido computador com acesso à internet. No auge dos 90 anos da primeira transmissão radiofônica no Brasil, o rádio, que já esteve em cerca de 90% das casas, tem ficado de lado. É o que revela a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada hoje (21) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O computador com internet foi identificado em 22% dos domicílios em 2011, ano da pesquisa, ante 16%, em 2009, quando o estudo foi feito pela última vez. Segundo o IBGE, a presença do aparelho  registrou o mais elevado percentual de crescimento (39,8%) entre os bens duráveis identificados nas casas brasileiras. Em seguida, está o crescimento dos computadores sem conexão à rede (29,7%).
Os telefones celulares também continuam ganhando espaço. Em quase metade das casas brasileiras (49%), pelo menos um morador tinha apenas o aparelho, contra 41% em 2009. Entre as regiões do país, nos últimos dois anos, o uso cresceu mais no Norte e no Nordeste, onde os celulares estão em mais da metade das residências: 63% e 61%, respectivamente.
Em geral, as casas brasileiras ainda têm mais televisão (59,4%) que geladeira (58,7%). O fogão aparece em 60% dos domicílios. Com a melhoria de renda da população, a máquina de lavar ganha espaço, principalmente nas casas que já dispõem de outros bens. O salto entre 2009 e 2011 foi 20,3% - um dos mais altos entre os bens duráveis.
A empregada doméstica Meire Pacheco Leal, de 47 anos, diz que os preços baixaram nos últimos anos facilitando a compra do eletrodoméstico. “Primeiro, troquei meu fogão de quatro bocas por um de seis. Depois, comprei uma geladeira com degelo automático. Aí, chegou a vez da máquina, que é bem mais prática para a gente que trabalha fora”, contou Meire, mãe de três filhas.
Já o rádio - que na última década era encontrado em 88% dos domicílios (dados em 2008) - está perdendo espaço. Na pesquisa de 2011, 0,6% a menos de casas têm o aparelho.
Edição: Carolina Pimentel

Rendimento do trabalhador brasileiro cresce e distância entre pobres e ricos diminui

Rendimento do trabalhador brasileiro cresce e distância entre pobres e ricos diminui

21/09/2012Vitor Abdala

Repórter da Agência Brasil
 
O rendimento médio mensal real do trabalhador brasileiro cresceu 8,3% entre 2009 e 2011. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2011 (Pnad), divulgada hoje (21) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o valor chegou a R$ 1.345.
Imagem: EBC
Os maiores aumentos no rendimento foram registrados nas regiões Nordeste (10,7%) e Centro-Oeste (10,6%), sendo esta última a que concentra o maior valor do país: R$ 1.624. Já a Nordeste, apesar do crescimento, continuou sendo a que apresenta o pior rendimento médio: R$ 910.
 
Além disso, segundo a Pnad, os rendimentos registraram maior crescimento entre os mais pobres. A parcela dos 10% mais pobres da população teve o maior aumento (29,2%), enquanto o 1% mais rico teve 4,3% de crescimento.
Com isso, a diferença entre os dois estratos populacionais caiu, apesar de continuar grande. De acordo com a pesquisa, a média dos rendimentos dos mais ricos era 87 vezes maior do que a dos mais pobres, em 2011. Em 2009, a proporção era 107.
“A gente observa que os maiores aumentos aconteceram, de forma geral, nas classes de rendimento mais baixo. Isto é, as pessoas que recebiam menos tiveram mais ganhos do que aquelas que recebiam mais. Isso tem um reflexo direto no índice de concentração de rendimentos, que a gente mede por meio do índice de Gini. Quase todas as regiões do país tiveram redução desse índice”, disse a gerente da Pnad, Maria Lucia Vieira.
O índice de Gini varia de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, maior é a desigualdade na distribuição de renda na região. O índice brasileiro caiu de 0,518 em 2009 para 0,501 em 2011.
“Isso vem acontecendo nos últimos anos principalmente em virtude dos elevados aumentos do salário mínimo. O salário mínimo puxa a parte de baixo [dos estratos de renda]. Embora o salário daquele pessoal mais pobre nem chegue a um salário mínimo, ele serve como referência e puxa um aumento para cima”, diz Fernando de Holanda, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV).
A queda do índice de Gini ocorreu em quatro regiões brasileiras. A exceção foi a Norte, onde a média do rendimento dos mais pobres se afastou da dos mais ricos. No Norte, o índice subiu de 0,488 para 0,496, mostrando que a desigualdade na distribuição de renda aumentou.
A Pnad mostrou ainda que as diferenças de rendimento entre homens e mulheres persistem no país, apesar de terem diminuído entre 2009 e 2011. O rendimento médio das mulheres, em 2011, foi R$ 997, ou seja, 70,4% da média recebida pelos homens (R$ 1.417). Em 2009, o valor recebido pelas mulheres representava apenas 67,1% do rendimento masculino.
Na avaliação por categorias de emprego, os militares e empregados públicos estatutários tinham rendimento médio de R$ 2.289, enquanto o dos trabalhadores domésticos sem carteira assinada era R$ 424. Nas demais categorias, os rendimentos observados pela Pnad foram: empregados com carteira assinada (R$ 1.303), empregados sem carteira assinada (R$ 829) e trabalhador doméstico com carteira assinada (R$ 693).

Edição: Juliana Andrade e Lílian Beraldo