A queda no preço foi provocada pelo pacote de medidas anunciado
ontem pelo governo. As três principais têm como meta incentivar o
consumo pela população e estimular a economia. Uma é a redução do IPI
(imposto) dos automóveis novos. Com isso, deve haver queda de 10% no
preço final de carros 1.0; de 7% nos de até 2.0; e de 4% nos
utilitários. Outra, a diminuição do IOF, imposto cobrado nos
financiamentos a pessoas físicas. E, para garantir que não faltará
dinheiro para quem quiser comprar carro, o Planalto liberou R$ 18
bilhões aos bancos para que aumentem a oferta de crédito. O governo
anunciou ainda a redução de juros nos financiamentos do BNDES para bens
de capital, com o objetivo de incentivar investimentos
Pacote do governo reduz o IPI e aumenta o crédito para a compra de
automóveis, além de cortar juros para empresas e pessoas físicas
O governo lançou ontem um novo conjunto de medidas para tentar
estimular a economia, que ainda não deu mostras de estar reagindo aos
efeitos do agravamento da crise política e financeira da Europa. Ao
lado do ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, e do presidente
do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES),
Luciano Coutinho, o ministro da Fazenda, Guido Mantega anunciou a
redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos automóveis
até 31 de agosto e do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF)
cobrados nos financiamentos para pessoas físicas, além da liberação de
R$ 18 bilhões para que os bancos aumentem a oferta de crédito para a
compra de veículos. As medidas devem entrar em vigor a partir de hoje e
a expectativa é de uma redução de 10% dos preços de tabela dos carros
populares, de até mil cilindradas.
Com o corte dos tributos, o governo vai abrir mão de uma arrecadação
de R$ 2,7 bilhões em três meses. Em contrapartida, os bancos
prometeram oferecer mais empréstimos para a compra de veículos; e as
montadoras, dar descontos e não demitir funcionários. "Nosso objetivo é
reduzir os custos para o consumidor e o valor das prestações. Trata-se
de mais uma medida para garantir o crescimento econômico no meio da
crise internacional", afirmou o ministro da Fazenda.
Juros
As montadoras instaladas no Brasil terão o IPI para carros com motores
de até mil cilindradas (1.0) reduzido de 7% para zero. Para veículos de
mil até duas mil cilindradas, a alíquota cairá da faixa de 41% a 43%
para 35,5% a 36,5%. E, para os utilitários, de 34% para 31%. Já os
importados terão o tributo cortado de 37% para 30%. O ministro anunciou
ainda a redução de juros nos financiamentos do BNDES para bens de
capital, com o objetivo de incentivar investimentos. Para exportadores,
por exemplo, a queda foi de 9% para 8% ao ano. Os juros para a compra
de caminhões e ônibus caíram de 7,7% para 5,5% e, para máquinas e
equipamentos, de 7,3% para 5,5%."Estamos voltando aos juros de 2009 e
esse é o financiamento para o setor produtivo expandir sua produção",
disse.
Mantega demonstrou confiança com o comprometimento do setor privado
com esse novo pacote. O presidente da Associação Nacional dos
Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Cledorvino Belini,
frequentador assíduo do gabinete do ministro nos últimos dias, estava
na plateia durante o anúncio. "A indústria automotiva nunca descumpriu
um acordo. Eu confio na Anfavea e também nos bancos. Eles vão aumentar o
número de parcelas", disse o ministro. Ele garantiu que, o governo irá
monitorar semanalmente o aumento da oferta de crédito. "Se ainda
faltarem recursos o governo tomará novas medidas. Essa é a ordem que
temos", emendou.
Medida paliativa
Na avaliação do professor de Economia da Universidade de Brasília, José
Luis Oreiro, esses incentivos de caráter temporário tendem a
funcionar, mas ainda são paliativos. Ele alertou que o efeito no
crescimento econômico poderá não ser o mesmo obtido na crise de 2009,
quando foram adotadas medidas semelhantes. "Mais uma vez o governo está
no caminho errado. Ele está de novo incentivando o consumo. Seria
melhor reduzir a meta de superavit primário e aumentar o investimento
público", afirmou, lembrando que o brasileiro está cada vez mais
endividado e, dessa forma, com menos capacidade para honrar seus
compromissos.
Ao ser questionado pelo Correio sobre se o governo está preocupado
com o aumento do endividamento do brasileiro, Mantega demonstrou
otimismo. "O mercado de trabalho está aquecido e a massa salarial
continua se expandindo. Isso é perfeitamente factível com aumento do
consumo, sem o qual não haverá aumento de investimento", disse. No
entanto, ele reconheceu que o pacote não deverá provocar um crescimento
como em 2010 (de 12%) e que a expansão da economia brasileira ficará
abaixo da meta de 4,5% deste ano.
"O impacto no preço para o consumidor será imediato", garantiu
Belini, da Anfavea. Ele estimou que os carros até 1000 cilindradas
terão uma redução de 10% no preço final. Já os de 1000 a 2000
cilindradas, de 7%, e os utilitários, de 4%. "Essas medidas vão
destravar o crédito", afirmou ele, em tom confiante de que os estoques
serão reduzidos. "Hoje ele estão em 45 a 50 dias e deverão voltar ao
normal, que 30 dias", completou. Mais de 366 mil veículos estão parados
nos pátios das montadoras e distribuidoras.
PRINCIPAIS MEDIDAS
Automóveis
Redução do IPI
» empresas instaladas no Brasil terão o IPI para carros de até mil cilindradas (1.0) reduzido de 7% para zero.
» para carros importados, a alíquota cairá de 37% para 30%.
» para veículos de mil (1.0) a duas mil cilindradas (2.0), a alíquota
para carros a álcool e "flex", no caso de empresas instaladas no Brasil,
cairá de 11% para 5,5%.
» para os importados, a alíquota será reduzida de 41% para 35,5%.
» para utilitários, a redução será de 4% para 1% (empresas instaladas no país) e de 34% para 31% (carros importados)
Setor privado
» os fabricantes darão desconto de 2,5% sobre a tabela para veículos 1.0.
» no caso dos carros entre 1.0 e 2.0, o desconto será de 1,5%.
» para utilitários comerciais, será de 1%
Crédito ao consumo
» redução de 2,5% para 1,5% ao ano do IOF para todas as operações de crédito de pessoas físicas
Taxas de juros nas linhas do BNDES
» caem de 9% para 8% ao ano nos financiamentos de exportação pré-embarque
» para financiamento de ônibus e caminhões, caem de 7,7% para 5,5%
» para máquinas e equipamentos, a queda é de 7,3% para 5,5%
Obs.: a redução do IPI vale até 31 de agosto;
a do IOF para pessoa física não tem prazo definido.
Fonte: Ministério da Fazenda