quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Câmara aprova tipificação de crimes da internet


Câmara aprova tipificação de crimes da internet

Publicado em Carta Capital

Ivan Richard
Repórter da Agência Brasil

A Câmara dos Deputados aprovou na quarta-feira 7 dois projetos de lei que tipificam os crimes cometidos por meios eletrônicos e pela internet, os chamados crimes cibernéticos, e que alteram o Código Penal. O Marco Civil da Internet será votado na semana que vem. Os textos aprovados seguem para sanção da presidenta Dilma Rousseff.
O projeto trata de temas como invasão de computadores, roubo de senhas e de conteúdos de emails Foto: ©AFP/Arquivo / Jefferson Bernardes

De autoria do deputado Paulo Teixeira (PT-SP), o Projeto 2.793/2011 trata de temas como a invasão de computadores, o roubo de senhas e de conteúdos de e-mails, a derrubada proposital de sites, entre outros.
As penas variam de três meses a dois anos de prisão, a depender da gravidade do caso. Os condenados podem ter a pena aumentada em caso de agravantes, como obter benefícios financeiros ou invadir dados de autoridades como o presidente da República ou de um dos Poderes da República.
Já o Projeto de Lei  84/1999, relatado na Câmara pelo deputado federal Eduardo Azeredo (PSDB-MG), tipifica, por exemplo, o uso de dados de cartões de crédito ou débito obtidos indevidamente ou sem autorização do titular. A proposta equipara a prática ao crime de falsificação de documento particular, com penalidade de um a cinco anos de reclusão e pagamento de multa.
“Um complementa o outro e a ideia é que a presidente sancione. Tivemos uma discussão que foi vencida de que não precisávamos fazer nada. Precisamos sim e o vírus é o caso mais típico de que não existe no Código Penal”, disse Azeredo.
“A minha luta era para termos uma legislação. Agora, falta fazer muita coisa. Junto com a legislação, temos que ter a educação, ferramentas tecnológicas cada vez melhores para se proteger. Isso não é fácil. Outro dia me roubaram milhas de companhias aéreas”, contou Azeredo.

Obama deve manter política em relação ao Brasil e à América Latina, avaliam pesquisadores brasileiros

Obama deve manter política em relação ao Brasil e à América Latina, avaliam pesquisadores brasileiros

07/11/2012 
 
Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil

Fonte: Agência Brasil
Com a reeleição do presidente norte-americano, Barack Obama, deverá ser mantida a política externa do país em relação ao Brasil e ao restante da América Latina, segundo pesquisadores brasileiros que acompanham o assunto. Os desafios de Obama, nos próximos quatro anos, concentram-se na busca pelo equilíbrio e por avanços econômicos, assim como a consolidação de ações na área social. O ponto de tensão deve ser o Oriente Médio, avaliam os pesquisadores.
Para os professores da Universidade de Brasília (UnB) Ricardo Caldas, do Instituto de Ciência Política, e Antônio Jorge Ramalho, do Instituto de Relações Internacionais, o Brasil e o restante da América Latina não estão entre as prioridades do presidente norte-americano. Segundo eles, a preocupação do governo norte-americano em relação à região concentra-se em defender a estabilidade e o crescimento econômico incentivando maior liberalização.
Obama foi reeleito ontem (6) com 303 votos dos 538 nos principais colégios eleitorais do país. Reeleito com o lema de campanha “Four More Years!” (em tradução livre: “Mais quatro anos!”), Obama disse ontem, ao discursar, que “o melhor está por vir”. Os pesquisadores brasileiros atribuem a vitória de Obama às medidas adotadas por ele na área social, como o plano de saúde para os norte-americanos, e ao empenho para conter os efeitos da crise econômica internacional, além do pragmatismo norte-americano.
Tradicionalmente, a política norte-americana de guerras deverá ser mantida, segundo os professores. “A questão está colocada principalmente na relação dos Estados Unidos com o Irã, se Obama vai partir para esforços em busca do diálogo ou vai escolher uma política de tensão. Se a segunda opção for feita, o resultado poderá ser catastrófico”, disse Ramalho, ao lembrar que é fundamental observar as ações entre Israel e Irã cuja a ameaça de guerra é constante.
Para Caldas, no segundo mandato, Obama deverá dar continuidade às políticas que implementou de 2008 a 2012. “Mas é importante ter em mente que a aprovação do Orçamento dos Estados Unidos, por exemplo, não está nas mãos do presidente e, sim, do Parlamento. No primeiro mandato, ele esbarrou em dificuldades”, disse o professor, ao recordar que o Senado tem maioria do Partido Democrata – legenda de Obama –, mas a Câmara de Representantes é dominada pelo Partido Republicano, que faz oposição ao governo.
Ramalho ressaltou que Obama “falhou” ao não dissociar de sua imagem várias dificuldades, enfrentadas no primeiro mandato, como o combate aos elevados índices de desemprego. “Foi uma gestão difícil, embora ele [Obama] tenha se esforçado bastante. Mas havia uma série de aspectos, como os índices de desemprego e as dificuldades na economia, que vinham de uma herança de Bush [George W. Bush, ex-presidente dos Estados Unidos].”

Edição: Talita Cavalcante

Obama é reeleito com país e Congresso divididos

Obama é reeleito com país e Congresso divididos

Obama é reeleito
O Globo - 07/11/2012
 
Democrata conquista mais quatro anos na Casa Branca; Congresso continua dividido

Barack Obama foi reeleito para mais quatro anos como presidente dos Estados Unidos, ao derrotar o candidato do Partido Republicano, Mitt Romney, na maioria dos estados considerados decisivos, segundo projeções dos principais veículos de comunicação americanos. Ao final de uma campanha extenuante, na qual foram gastos mais de US$ 2 bilhões, os dois candidatos chegaram ao dia da eleição praticamente empatados nas pesquisas de intenção de voto, reforçando a imagem de divisão do país. Obama venceu com os votos do Meio-Oeste, onde os efeitos positivos do resgate da indústria automobilística garantiram sua popularidade no crucial estado de Ohio, em Michigan e em Wisconsin, e também dos negros e latinos, que votaram maciçamente no presidente. O democrata também manteve o apoio no Nordeste do país, inclusive New Hampshire, e de estados da Costa Oeste como Califórnia e Oregon. Romney ganhou em quase todo o Sul, inclusive na Carolina do Norte. O republicano venceu entre os eleitores brancos e entre os mais idosos, mostrando que o partido não está acompanhando as mudanças demográficas e etárias dos Estados Unidos. Em todo o país, o comparecimento foi maciço, e as filas se estenderam em alguns locais horas depois do horário previsto para o fechamento das urnas. No Twitter, Obama agradeceu aos eleitores: "Isto aconteceu por causa de vocês. Obrigado".
O presidente terá mais quatro anos na Casa Branca com um Congresso dividido. Os republicanos mantiveram o controle da Câmara, e os democratas continuaram como o partido majoritário do Senado. Os resultados mostraram que os eleitores não perdoaram candidatos conservadores que deram declarações chocantes sobre aborto e estupro. Todd Akin, do Missouri, o que disse que o corpo da mulher teria defesas naturais para evitar gravidez em caso de estupro perdeu. Seu colega, Richard Mourdock, de Indiana, que falou em "vontade de Deus" para justificar a gestação após estupro também ficou de fora do Congresso. Ambos eram apoiados pelo movimento ultraconservador Tea Party. O deputado Paul Ryan, outro símbolo do movimento e candidato a vice-presidente na chapa de Romney, saiu chamuscado ao não garantir a vitória republicana em seu estado natal, Wisconsin, que elegeu a primeira senadora homossexual do país, a democrata Tammy Baldwin.
Em alguns dos diversos referendos realizados junto com a eleição presidencial, com quase metade das urnas apuradas, 52,4% dos eleitores do Colorado aprovavam o uso recreativo da maconha. Em Massachusetts, os resultados apontavam tendência similar: com 60% das urnas apuradas, o estado contava com 63% de votos favoráveis ao uso medicinal da erva.
No último ato da longa e bilionária campanha americana, a agressividade em busca do voto substituiu a tradicional rotina de espera recolhida dos candidatos no dia da votação. Obama e Romney se dedicaram a animar eleitores a saírem de casa para votar e apostaram em Ohio, o mais cobiçado reduto na reta final da eleição, com 18 votos no Colégio Eleitoral. Os dois candidatos, assim como seus vices, foram a campo em diversos estados e deram entrevistas para mobilizar suas bases, tentando desempatar uma disputa em que os eleitores escolheram o candidato mais preparado para recuperar a economia e qual o papel do Estado americano.
TROCA DE GENTILEZAS NO FINAL
Na tentativa de provocar uma onda de última hora que virasse os números favoráveis a Obama em Ohio, Romney votou em Boston pela manhã, acompanhado da mulher, Ann, e voou em seguida para Cleveland. Ele ainda estava no aeroporto esperando a chegada do candidato a vice, Paul Ryan, quando o avião do vice-presidente Joe Biden aterrissou. Obama, longe da estrada, despachou seu companheiro de chapa para a cidade, para evitar que os republicanos aparecessem sozinhos no noticiário estadual.
Durante a passagem pelo estado, Romney se disse confiante nos resultados. Ele almoçou com Ryan numa lanchonete Wendy"s. Mas a turnê ainda estava longe de acabar. Depois de despachar Ryan para a Virgínia, decidiu fazer um evento na Pensilvânia, o segundo em 72 horas, mas os esforços não surtiram efeito e os resultados mostraram vitória democrata no estado.
Obama, que fez parte do grupo de 31 milhões de americanos que votou antes da data da eleição, optou por passar o dia em Chicago, onde concedeu entrevistas a mais de dez emissoras de TV e rádio nas quais pediu à população para votar. O mesmo fez a primeira-dama Michelle. Ele jogou, no início da tarde, sua tradicional partida de basquete em dias de eleição, com amigos e assessores. A campanha arranjou uma parada não programada num comitê no bairro de Hyde Park, onde o presidente tem casa, para que ele tivesse contato com eleitores.
Ao entrar no comitê, sob aplausos de simpatizantes emocionados tirou o casaco e convidou os funcionários a colocar mãos à obra para assegurar mais votos. O presidente ligou para seis voluntários no vizinho Wisconsin para agradecer o engajamento na campanha e demonstrou confiança na vitória — a uma rádio, no entanto, confessou que estava nervoso com a expectativa de vitória.
Numa trégua após semanas tachando o adversário de mentiroso, Obama saudou o rival: — Quero parabenizar o governador Romney pela animada campanha. Sei que seus correligionários estão hoje tão engajados e trabalhando arduamente (quanto os nossos). Mais tarde, em Pitsburgh, antes do resultado, Romney devolveu a gentileza: — Não precisamos depreciar o outro cara. O presidente executou uma campanha forte. Acredito que é um bom homem, desejo o bem a ele e sua família, mas é hora de uma nova direção. É tempo de um amanhã melhor.
Pontos-chave
ESTADOS CRUCIAIS
Obama garantiu a vitória na maioria dos estados considerados indecisos, sem preferência partidária clara, e decisivos para a eleição: ele venceu em Ohio, Iowa, Wisconsin, Pensilvânia, Michigan e New Hampshire, garantindo pelo menos 274 delegados, quatro a mais do que os necessários
FLÓRIDA O presidente nem precisou dos votos do maior dos estados de disputa acirrada, onde ele e Romney se revezavam na liderança durante a apuração
POUCAS VITÓRIAS
O republicano Mitt Romney venceu na Carolina do Norte e liderava a contagem de votos na Virgínia

OBAMA É REELEITO PRESIDENTE DOS EUA

OBAMA É REELEITO PRESIDENTE DOS EUA

OBAMA REELEITO
O Estado de S. Paulo - 07/11/2012
 

Ohio deu triunfo ao líder, indicava rede de TV CNN; projeções apontavam 274 votos no Colégio Eleitoral para o democrata e 201 para Romney
Projeções  das principais redes de TV dos EUA indicavam, às 2h30 de hoje, a reeleição de Barack Obama. O presidente teria 274 votos no Colégio Eleitoral. Mitt Romney, 201. O Estado-chave que deu a vitória a Obama foi Ohio. Ele venceu a eleição também em New Hampshire, Pensilvânia, Wisconsin e Michigan. A apuração seguia apertada no Colorado e na Flórida, onde os dois candidatos se alternavam na liderança – embora Obama mantivesse um ligeira dianteira em ambos os Estados. No Congresso, o vencedor deve ter dificuldade para lidar com uma Câmara dos Deputados de maioria republicana e um Senado provavelmente dominado pelos democratas. E terá de se dedicar ao ajuste fiscal, deixando para segundo plano questões como a guerra na Síria e o programa nuclear iraniano.No início da madrugada, Obama aguardava os resultados em Chicago, seu reduto eleitoral. Romney viajou para Boston
Ohio garante vitória, dizem projeções
Triunfo em Estado deu a presidente274 votos,4 amais domínimo necessário para a reeleição. Festa toma as ruas de Chicago, base eleitoral do presidente. Congresso terá maioria republicana e Senado, domínio democrata
Barack Obama derrotou ontem o republicano Mitt Romney e foi reeleito presidente dos EUA. Os primeiros resultados das urnas refletiram a vantagem que o presidente americano mostrava na maioria das pesquisas de opinião. Às 2h18 de hoje, de acordo com projeções das princi-pais redes de TV dos EUA – NBC, CNN, CBS e Fox News –, Obama obteve 274 votos no Colégio Eleitoral. Mitt Romney, tinha 201. O Estado-chave que deu a vitória a Obama foi Ohio. O presidente venceu a eleição também em New Hampshire, Pensilvânia, Wisconsin e Michigan. A apuração seguia apertada no Colorado e na Flórida, onde os dois candidatos se alternavam na liderança – embora Obama mantivesse um ligeira dianteira em ambos os Estados. Agora reeleito, Obama deve continuar a ter bastante dificuldade para aprovar reformas com uma Câmara dos Deputados, de maioria republicana – o Senado, de acordo com as urnas, permanecerá dominado pelos democratas. Romney recebeu o resultado da derrota em Boston, em Massachusetts, Estado do qual foi governador de 2003 a 2007. O presidente Obama foi informado da vitória em Chicago, seu reduto eleitoral, onde uma multidão de simpatizantes se aglomerou nas ruas para celebrar a reeleição.

Governo sofre revés na Câmara

Governo sofre revés na Câmara

Abacaxi nas mãos de Dilma
Autor(es): ADRIANA CAITANO
Correio Braziliense - 07/11/2012
 

Deputados deixam de lado mudanças sugeridas pelo Planalto e aprovam, por 266 votos a 124, texto do Senado que redivide os royalties do petróleo, beneficiando o DF e estados não produtores do combustível. O projeto segue agora para a sanção de Dilma, mas a polêmica pode acabar no Supremo.

Deputados impõem derrota ao governo ao aprovar nova distribuição dos royalties do petróleo. Projeto segue para sanção e pode parar no STF

O Congresso repetiu ontem uma situação semelhante à ocorrida com o Código Florestal, em que interesses dos eleitores de cada deputado se sobressaíram às divisões partidárias, causando nova derrota ao governo. A Câmara aprovou o texto do Senado sobre a redivisão dos royalties do petróleo e deixou de lado tanto as mudanças propostas pelo Palácio do Planalto quanto as sugeridas pelo relator do projeto, Carlos Zarattini (PT-SP). Na prática, a matéria beneficia as unidades da Federação não produtoras do combustível fóssil, incluindo o Distrito Federal, e reduz os ganhos dos estados e municípios que têm a exploração de petróleo em seus territórios, como Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo. O projeto segue para a sanção da presidente Dilma Rousseff.
Na saída do jantar promovido por Dilma para PT e PMDB ontem, o presidente peemedebista, Valdir Raupp, disse que "a presidente recebeu com naturalidade o resultado, e a tendência é que sancione o projeto". O Planalto, no entanto, não se posicionou oficialmente.
A discussão do tema começou pela manhã, quando os ministros Aloizio Mercadante (Educação) e Ideli Salvatti (Relações Institucionais) se reuniram com os líderes da base e o relator do projeto. Os representantes do Planalto reafirmaram que 100% dos royalties arrecadados com a exploração do petróleo a partir da promulgação da lei deveriam ir para a educação, o que foi acatado pelo relator. Zarattini discordou dos ministros e dos estados produtores (ou confrontantes), porém, no item sobre os campos de petróleo já licitados. O relator queria delimitar os valores de acordo com o que foi recebido em 2011, o que, para governo e produtores, seria inconstitucional por quebrar contratos já assinados.
O texto de Zarattini foi lido no fim da tarde, e muitos deputados reclamaram da falta de tempo para entendê-lo, embora o clima tendesse para a aprovação com destaques. O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), no entanto, conseguiu virar o jogo. O democrata divulgou uma tabela feita pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM), a qual apontava que todos os estados e municípios, com exceção dos três principais produtores, receberiam uma parcela menor dos royalties com o relatório de Zarattini do que com a versão do Senado. Após distribuir a tabela aos colegas, Onyx apresentou um requerimento para que o texto dos senadores fosse analisado à frente, o que jogaria o de Zarattini por terra.
Contratos
O projeto do Senado acabou aprovado na Câmara por 286 a 124. Entre os que votaram contra, oposicionistas e membros da base — a maioria do Rio e do Espírito Santo, com alguns de São Paulo. Com isso, a distribuição dos royalties do petróleo será mais equânime para todo o país, os contratos já assinados podem entrar na nova divisão e cada prefeito e governador decidirá como gastar os recursos recebidos.
Os integrantes de estados produtores lamentaram o resultado. "Ao irmos no calor da emoção e não da razão, decretamos a falência de quem conta com o petróleo, fazendo bondade com o chapéu alheio", criticou o deputado Otávio Leite (PSDB-RJ). No entanto, afirmam contar com o possível veto de Dilma. Em último caso, prometem levar a questão ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Governadores cobram FPE
Sob o risco de ficar sem o Fundo de Participação dos Estados (FPE) em 2013, os governadores do Ceará, Cid Gomes (PSB), e do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), foram ontem ao Senado pressionar por projeto que redefina os critérios de repasse. Ao considerar o atual modelo que privilegia estados mais pobres inconstitucional, o Supremo Tribunal Federal determinou que um novo formato seja definido pelo Congresso até o fim deste ano. Há 18 propostas sobre o tema em tramitação. O relator Walter Pinheiro (PT-BA) diz que buscará consenso. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), prometeu votação até o mês que vem.

OBAMA OUTRA VEZ

OBAMA OUTRA VEZ

OBAMA REELEITO
Autor(es): RENATA TRANCHES
Correio Braziliense - 07/11/2012
 

Na campanha mais cara da história americana, o presidente Barack Obama derrotou o republicano Mitt Romney e se reelegeu para mais quatro anos de mandato, segundo projeções das principais redes de TV e jornais americanos. A apuração começou apertada e o suspense se manteve madrugada adentro. A vitória do democrata começou a se consolidar com a abertura das urnas em estados decisivos, como Flórida, Ohio, Wisconsin e New Hampshire. Obama agradeceu aos eleitores pelo Twitter. "Isso aconteceu por causa de vocês. Obrigado", escreveu

Presidente democrata  conquista mais quatro anos de mandato após disputa voto a voto com o rival Mitt Romney.  Votação encerrou a campanha mais cara da história dos Estados Unidos. Logo que teve a vitória confirmada, Obama agradeceu aos eleitores nas redes sociais


“Isso aconteceu graças a vocês. Obrigado.” Por meio de sua página no microblog Twitter, o presidente norte-americano, Barack Obama, agradeceu uma vitória assegurada com a conquista de mais do que os 270 votos eleitorais necessários, às 2h20 (hora de Brasília). Logo em seguida, publicou a frase “Mais quatro anos”, acompanhada de uma fotografia na qual ele aparece com a mulher, a primeira-dama Michelle Obama. Foi uma disputa acirrada até o fim. Em Chicago, no início da madrugada de hoje, uma multidão comemorava a vitória. Com a apuração parcial ainda em andamento, Obama já havia garantido 275 votos, enquanto Mitt Romney tinha conquistado 203. No entanto, o presidente perdia na votação popular: 50,6% para o republicano contra 48,1%. Os candidatos disputaram voto a voto a apuração. O voto nos EUA é indireto e quem sair vencedor no estado leva todos os delegados que votarão no Colégio Eleitoral. Para vencer, é preciso garantir 270 dos 538 delegados.

Assim que as tevês americanas anunciavam as projeções, indicando a vitória de Obama, simpatizantes do democrata reunidos em Chicago, seu berço político, explodiram em festa. Com a polarização dos estados — com parte deles fechada com os democratas e a outra, com os republicanos —, restavam apenas oito, onde os candidatos poderiam fazer a diferença. À medida que a apuração e a votação avançavam de leste a oeste, os primeiros estados a fecharem os resultados foram aqueles que já haviam endossado Romney, com exceção da Costa Leste, onde estão Nova York e Nova Jersey. A grande disputa, como já era esperado, se concentrava nos swing states. Foi o caso, por exemplo, da Flórida, onde Obama e Romney oscilaram a liderança durante todo o tempo da apuração.

As pesquisas de boca de urna só confirmariam o vencedor depois do fechamento das urnas em todos os estados, o que estava previsto para ocorrer às 2h30 (hora de Brasília). O último a fazer isso deveria ser o Alasca. A principal estimativa, feita com base na declaração dos eleitores que votaram, seria elaborada por seis dos principais veículos de comunicação dos EUA. Existe um acordo entre eles para somente divulgarem o vencedor depois da conclusão da votação. Alguns temas, porém, chegaram a ser noticiados, mostrando por exemplo que a preocupação do americano na hora de ir às urnas foi mesmo a economia, como repetido durante a campanha.

Os primeiros números da apuração das eleições não poderiam ser mais emblemáticos. No vilarejo de Dixville (New Hampshire), com 10 eleitores, houve um empate, com cinco votos para cada. Mais uma prova de quão acirrada foi a disputa presidencial de 2012. “O que vimos hoje (ontem) é o quadro exato do que foi essa campanha”, afirmou ao Correio a cientista política da Universidade de Tampa (Flórida), Mary Anderson, especialista em comportamento eleitoral. Anderson comparou as eleições com o pleito de 2000, disputado entre o democrata Al Gore e o republicano George W. Bush. O primeiro venceu no voto popular, mas o segundo saiu presidente por levar mais delegados no Colégio Eleitoral, depois de uma recontagem dos votos na Flórida.

Amabilidades

Os candidatos acompanharam a apuração nas cidades que são seus berços políticos. Mas Romney ainda aproveitou as últimas horas que lhe restaram para tentar conquistar eleitores. Depois de votar em Belmont (Massachusetts), o republicano visitou Ohio e Pensilvânia, para retornar ao primeiro estado onde acompanhou a apuração, em Boston (leia na página 21). Obama decidiu passar o dia em Chicago, visitou escritórios democratas locais, telefonou para eleitores e jogou basquete, uma tradição que ele acreditar da sorte em dia de eleição (leia na página 20). Se a campanha foi marcada por ataques mútuos, o último dia foi reservado à troca de amabilidades entre os candidatos. De um lado, Romney disse que o adversário fez uma “campanha forte” e é um “exemplo de bom pai”, mas que o país precisava de um “amanhã melhor”. Do outro, o presidente parabenizou o rival por uma campanha “animada”, mas estava “confiante” na vitória.

Como em edições passadas, o processo não passou ileso a problemas na votação e suspeitas de fraude (leia mais nesta página). O principal inconveniente foram as longas filas. Apesar de 32 estados permitirem o voto antecipado e até pelo correio, muitos deixaram para a última hora. Em alguns locais, eleitores enfrentaram o frio e uma grande espera, às vezes até de duas horas, para depositar sua escolha nas urnas. Preocupados com a possibilidade de fraude, as campanhas mobilizaram um batalhão de advogados para acompanhar com lupa qualquer indício de irregularidade.

A baiana Maria Drell, conselheira de educação superior na Universidade Estadual de Chicago, relatou ao Correio que restaurantes e bares se programaram para receber as pessoas que acompanharam em telões e tevês a apuração dos votos. Ela contou que apesar de viver no país há 26 anos e ter cidadania, nunca procurou se inscrever como eleitora, mas que apostava em Obama. Maria disse que acompanharia a apuração na casa de uma amiga e que daria uma festa para a ocasião. A campanha mais cara da história do país teve gastos estimados em US$ 6 bilhões. Foram 18 meses de uma corrida que acabou concentrada em uma pequena fatia do eleitorado, justamente os swing states.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Ao todo, MEC elimina 65 pessoas por postagem de fotos do Enem na internet

Ao todo, MEC elimina 65 pessoas por postagem de fotos do Enem na internet

Publicado em Carta CApital
Foto: Gilson Teixeira/D. A. Press
Atualizado às 21h40 de domingo 4.

No segundo dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) neste domingo 4, mais 28 candidatos que postaram imagens da prova na internet foram desclassificados pelo Ministério da Educação. Ao todo, 65 pessoas foram eliminadas por este motivo.
A postura dos candidatos eliminados foi criticada pelo ministro da Educação, Aloizio Mercadante. “É quase como se fossem pichadores eletrônicos. É o mesmo tipo de querer deixar registrado. A impressão que dá é que [os estudantes] não têm nenhum tipo de responsabilidade com a prova, como se fosse uma aparente irreverência. Mas é uma aparente irreverência que prejudica e desestabiliza e gera insegurança processual naquilo que é o destino de milhões de pessoas que estão seriamente estudando”, afirmou em coletiva de imprensa após o fim do exame.
O MEC, com a ajuda do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), monitorou as redes sociais durante os dois dias do teste para identificar vazamentos. Com isso, os estudantes que não foram flagrados durante a postagem ainda podem ser eliminados caso sejam encontradas mensagens na internet mesmo depois da realização do exame.
Segundo dados preliminares divulgados neste domingo por Mercadante, a prova teve índice de abstenção maior que a última edição. Em 2012, 27,9% dos 5,79 milhões de inscritos, ou 1,6 milhão de pessoas, não realizaram o exame.
No ano passado, 26,4% dos inscritos não compareceram, sendo que em 2010 esse nível foi de 28%.
Em 2012, os estados com maior índice de faltas nos dois dias foram Roraima, Bahia e Amazonas. Por outro lado, Piauí, Santa Catarina e Alagoas tiveram os menores níveis.

Redação

Neste domingo, os candidatos tiveram que responder a questões de português, códigos e matemática e escrever uma redação sobre O Movimento Imigratório para o Brasil no Século 21.
Este ano, uma das novidades é a nova metodologia de correção da prova de redação, que será avaliada por duas pessoas, sem que uma conheça a nota que a outra deu. De acordo com o Inep, se a diferença da nota final da redação for superior a 200 pontos, o texto será lido por um terceiro corretor.
Anteriormente, a terceira correção só ocorria quando a divergência entre as notas era superior a 300 pontos. Na hipótese de a nota do primeiro corretor ser diferente da oferecida pelo segundo em menos de 200 pontos, a nota final da redação do candidato será obtida por meio da média aritmética das duas.
Na correção da redação, segundo o Inep, cinco critérios serão considerados: domínio da língua portuguesa; compreensão do tema proposto; capacidade de selecionar e organizar ideias; conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação; e elaboração de proposta para o problema abordado.
Pelas regras do Enem, o estudante terá nota zero na redação se fugir ao tema proposto; apresentar estrutura textual que não seja a do tipo dissertativo-argumentativo; entregar folha em branco, com sete linhas ou menos; copiar os textos motivadores; e reproduzir impropérios, desenhos ou palavras de desrespeito aos direitos humanos.

Nascimento 

Uma adolescente de 17 anos que faria o Enem em uma escola em Sidrolândia (MS) deu à luz a um menino no banheiro do local. Ambos passam bem e o MEC informou que a estudante poderá realizar a prova nos dias 4 e 5 de dezembro, quando presidiários inscritos farão o teste.

Com informações Agência Brasil.

Energia para o Brasil crescer

Energia para o Brasil crescer

A energia para o Brasil crescer
O Globo - 05/11/2012
 
Abaixo do sal: Descobertas de petróleo e gás a até sete mil metros abaixo do nível do mar, no pré-sal, mudaram panorama do setor energético nos últimos cinco anos. Tecnologia será decisiva para exploração

O Brasil pode se orgulhar do título de país com a melhor matriz energética do mundo, com mais de 80% da energia provenientes de fontes renováveis. Mas o sistema vem se mostrando frágil, sujeito a frequentes desligamentos que deixam boa parte da população no escuro. A instabilidade tende a se agravar com a construção de grandes usinas em regiões distantes e sem reservatórios - por restrições ambientais.
Pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), usinas eólicas e unidades movidas a biomassa vão contribuir para manter a elevada participação das fontes de energia limpa e renovável no país, mas tornam mais complexa a operação, com riscos crescentes dos chamados "apaguinhos".
Para ampliar a oferta e melhorar a segurança do sistema de produção de energia, o país busca novas formas de geração ambientalmente corretas. Afinal, só assim, a economia do país poderá crescer de forma sustentável. Até 2021, 9% da energia consumida pelos brasileiros deve ser gerada pelos ventos. Hoje, essa participação é de apenas 1%. Para incentivar a energia solar, acabam de ser criadas novas regras para reduzir as barreiras à instalação de placas de captação solar. Pelo modelo, o consumidor ou a empresa que produza mais energia do que consome poderá injetar a sobra no sistema e receber os créditos correspondentes na sua conta de luz. Um avanço significativo.
Vem energia até das ondas dos mares, como mostra uma experiência pioneira no Ceará.
Outra boa notícia está do setor petrolífero: houve uma grande transformação desde a descoberta das reservas de pré-sal, em 2007. Com os novos recursos, o Brasil pode mais do que triplicar suas reservas de petróleo e entrar no seleto clube dos maiores produtores mundiais - hoje o Brasil está na 14ª colocação no ranking das maiores reservas.
Para avançar no setor, o desafio é superar dificuldades tecnológicas para explorar petróleo a uma profundidade de cinco mil a sete mil metros abaixo do nível do mar.
Com novas descobertas, o país ganha ainda espaço no mapa mundial das reservas de gás convencional e não convencional.
Este terceiro caderno da série "Desafios Brasileiros", uma parceria inédita entre os jornais O GLOBO e "O Estado de S. Paulo", trata desses e de outros dilemas do setor de energia no Brasil e de seus impactos no meio ambiente. A publicação atinge 2,5 milhões de leitores, e sua próxima edição será no dia 12 de novembro. Nessa data, circulará o caderno sobre Infraestrutura e Logística.

ENEM TEM 28% DE FALTOSOS EM TODO O PAÍS

ENEM TEM 28% DE FALTOSOS EM TODO O PAÍS

AUSENTES SÃO 28%, E ÍNDICE SUPERA O DE 2011
Autor(es): André Coelho
O Globo - 05/11/2012
 
No Rio, abstenção atinge 25%; em MS, jovem dá à luz no banheiro do local de prova e recebe ligação de ministro
Por pouco. Um candidato entra em centro de provas na Asa Norte de Brasília momentos antes de o portão ser fechado por um segurança
Cerca de 1,61 milhão de estudantes de todo o país, de um total de quase 5,9 milhões de inscritos, não compareceram ao Exame Nacional do Ensino Médio, divulgou ontem o Ministério da Educação (MEC). O índice de 27,9% de abstenção nos dois dias de provas, sábado e ontem, é maior que o de 2011, quando 26,4% dos candidatos não se apresentaram, mas não supera o de 2010: 28% de faltosos. O balanço é preliminar e não leva em conta todos os mais de 15 mil locais de aplicação. No Rio, estiveram ausentes 25,18% dos inscritos, número abaixo da média. Os estados com mais faltosos foram Roraima, Bahia e Amazonas. Na outra ponta ficaram Piauí, Santa Catarina e Alagoas.
Num ano em que o uso de redes sociais provocou eliminações de dezenas de estudantes e ajudou a espalhar boatos sobre fraudes e cancelamento de provas, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, defendeu o aprimoramento da legislação penal para punir os que se valem da internet para divulgar informações falsas, a quem chamou de "pichadores eletrônicos".
MERCADANTE CRITICA BOATOS ON-LINE
Anteontem, um boato sobre o cancelamento do Enem tomou o Twitter. De acordo com Mercadante, a Polícia Federal descobriu que a notícia falsa partiu de Campinas (SP). O suposto autor está sendo investigado.
- Temos que melhorar a nossa lei penal para dar mais segurança ao processo, aprimorar a legislação para preservar o interesse e o esforço de milhões de brasileiros - disse o ministro, ao fazer um balanço do Enem, ontem.
Com a eliminação de mais 28 estudantes que publicaram fotos de cadernos de provas e cartões-resposta em redes sociais, o total de punidos nos dois dias chegou a 65.
As provas foram encerradas às 18h30m deste domingo, e, segundo o MEC, não houve incidentes. Mas, em alguns pontos do país, faltou energia nos locais de prova, como em Amargosa (BA), onde o apagão levou ao cancelamento da aplicação do exame, ainda sem nova data de realização. No sábado isso já havia ocorrido em Rio Branco, onde alunos religiosos que guardam o shabat não puderam fazer o teste à noite devido à ausência de luz.
Os gabaritos serão divulgados na quarta-feira, nos portais do MEC e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo exame.
O estirão de provas de ontem foi fértil em histórias inusitadas e de superação, expectativa ou azar. No Mato Grosso do Sul, a adolescente Pâmela de Oliveira Lescano, de 17 anos, deu à luz no banheiro da escola onde fazia o exame, em Sidrolândia, a 70 quilômetros de Campo Grande. Ela entrou em trabalho de parto antes da prova e foi auxiliada por uma técnica de enfermagem.
Mais tarde, já no hospital, a candidata se disse surpresa, uma vez que não fazia ideia de que estava grávida. Moradora de um assentamento rural, Pâmela afirmou não ter percebido qualquer mudança em seu corpo. Ela recebeu um telefonema do ministro da Educação, que disse considerá-la um "símbolo do Enem". Como previsto no edital, Pâmela poderá fazer a prova em dezembro, quando da aplicação para detentos.
Na Bahia, a estudante Adriele Almeida, de 16 anos, perdeu o teste porque a mãe, Sivalda Santos, resolveu fazer uma oração antes de sair de casa. A menina chegou atrasa ao colégio onde se submeteria às provas, em Salvador.
A idade avançada não impediu que o mestre de obras Fernando Gomes, de 70 anos, participasse do Enem em Recife. Ele batalha por uma vaga em Engenharia e pleiteia uma bolsa do ProUni.
- O sonho começa agora - disse Fernando, emocionado.
Na mesma cidade, a freira Arimilda Souza, de 26 anos, fez o Enem porque quer estudar Enfermagem. Já a candidata Euline Freitas, de 22 anos, perdeu o ônibus e a prova. Ao tentar ganhar tempo, recorreu a um mototáxi, mas o motociclista não conhecia o caminho.
Em Teresina houve quem apelasse à natureza para matar a fome durante as cinco horas e meia de prova. Usando um pedaço de pau, Cátia de Castro Oliveira, de 35 anos, recolheu mangas no campus da Universidade Federal do Piauí, que pretendia guardar para mais tarde. Mas a fome bateu, e Cátia as comeu antes mesmo da prova.
Em Rondônia, o sonho de ingressar no curso de Engenharia de Produção teve que ser adiado para Carolina Weiber, de 18 anos, que chegou atrasada porque o pai, que iria levá-la, preferiu terminar de assistir a uma corrida de Fórmula 1 na televisão.

Tema inesperado pode baixar notas da redação do Enem

Tema inesperado pode baixar notas da redação do Enem

"Fator surpresa" pode baixar as notas da redação, afirmam especialistas
O Estado de S. Paulo - 05/11/2012
 

Mais de 4,17 milhões de estudantes brasileiros fizeram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) neste final de semana. Ontem, os candidatos enfrentaram uma redação sobre movimentos de imigração do Brasil no século 21. Professores consultados pelo Estado afirmaram que a escolha do tema surpreendeu e que a complexidade da prova pode resultar em queda média do desempenho dos alunos, que fizeram ainda exames de português e matemática. No sábado eles haviam resolvido questões de Ciências Humanas e da Natureza. A taxa de abstenção do Enem 2012 foi semelhante à do ano passado, 27,9%. Sem registro de incidentes graves, os principais problemas se concentraram na internet. Pelo menos 65 candidatos foram eliminados por postar imagens da prova ou do cartão de respostas nas redes sociais - 28 deles só ontem.

Mais de 4,17 milhões de estudantes fizeram, neste fim de semana, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2012. Ontem, o último dia, os candidatos tiveram de escrever uma redação sobre movimentos de imigração do Brasil no século 21.0 tema foi considerado inesperado e difícil e professores consultados pelo Estado afirmaram que a complexidade pode resultar em queda média do desempenho dos alunos.
Os candidatos enfrentaram ontem as provas de português e matemática, com 45 perguntas cada uma, além da redação. No sábado, foi a vez de Ciências Humanas e da Natureza.
A taxa de abstenção da prova foi praticamente a mesma do ano passado, de 27,9%. Sem ter registrado nenhum incidente grave, os problemas maiores se concentraram na internet. Ao todo, 65 candidatos foram eliminados por postarem imagens da prova ou do cartão de respostas na rede social - 28 só ontem.
Anteontem de manhã, um boato sobre o cancelamento do Enem ganhou destaque no Twit-ter. O Ministério da Educação informou que a Polícia Federal vai investigar o caso. Ontem, o perfil de onde teria partido o boato foi apagado.
Ontem, na porta da maior parte dos locais de prova, o tema da redação era o principal assunto. "Eu me preparei para temas como violência, política, Código Florestal e não esperava isso. Fiquei limitado ao que tinha na proposta", diz o estudante Marcus Santos, de 19 anos.
A proposta para a redação trazia uma coletânea com informações sobre imigrantes do Haiti, que chegam ao País pelo Acre, e da questão dos bolivianos no Brasil. Também havia menção ao movimento de migração dos séculos 19 e 20.
Para o professor Rogério Chociay, aposentado do departamento de Letras da Unesp e especialista em redação de vestibular, é possível que haja queda no desempenho dos estudantes com relação ao ano anterior - em que o tema era internet. "Há uma quebra de expectativa com relação ao ano passado. O tema está um tanto fora do eixo da maioria dos estudantes e além disso não há informações precisas se há de fato um movimento migratório", diz ele. "A proposta é perigosa pelo número de dúvidas. Ele ficou dependente dos textos de apoio e isso complica."
Nilson José Machado, professor da faculdade de Educação da USP, diz que os textos de apoio do Enem têm se mostrado limitadores e repetitivos. "Talvez fosse mais razoável se fossem colocados textos com claras referências teóricas à tolerância, por exemplo, que textos que reiteram casos particulares."
O diretor pedagógico da Oficina do Estudante, Célio Tasinafo, elogiou a escolha do tema. "É um assunto atual e relevante, que obriga o aluno a refletir sobre questões sociais e políticas", diz.
No entanto, ele reconhece que a proposta pode ter ficado distante da realidade da maioria dos vestibulandos. "Pela lógica, a nota média da redação tende a ser um pouco menor que a do ano passado. Mas outro fator que pode alterar esse quadro é o fato de que a correção neste ano será mais criteriosa."
Para Caroline Andrade, do Cursinho da Poli, a proposta trouxe um tema que surpreendeu. Ela afirma que o "fator surpresa", no entanto, deve atrapalhar o rendimento. "O inesperado pode causar insegurança e fazer com que a pessoa não consiga construir uma argumentação consistente" diz.
Simone Motta, professora de redação do Etapa, argumenta que o tema segue a proposta do exame, de trazer um assunto atual à tona. "Pode ter sido uma escolha menos trivial, mas não foge à regra." Para ela, a coletanea apresentada foi muito eficaz ao apontar os principais movimentos migratórios. O coordenador-geral do Anglo, Luís Ricardo Arruda, diz que essa problemática é conhecida por quem se informa. Mas ele também afirma que a nota média deve cair. "O Enem vai se aproximando de um vestibular. E para isso tem de ser seletivo mesmo."
DAVI URA, CARLOS LORDELO, CRISTIANE NASCIMENTO, OCIMARA BALDAM e PAULO SALDANA