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quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Obama deve manter política em relação ao Brasil e à América Latina, avaliam pesquisadores brasileiros

Obama deve manter política em relação ao Brasil e à América Latina, avaliam pesquisadores brasileiros

07/11/2012 
 
Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil

Fonte: Agência Brasil
Com a reeleição do presidente norte-americano, Barack Obama, deverá ser mantida a política externa do país em relação ao Brasil e ao restante da América Latina, segundo pesquisadores brasileiros que acompanham o assunto. Os desafios de Obama, nos próximos quatro anos, concentram-se na busca pelo equilíbrio e por avanços econômicos, assim como a consolidação de ações na área social. O ponto de tensão deve ser o Oriente Médio, avaliam os pesquisadores.
Para os professores da Universidade de Brasília (UnB) Ricardo Caldas, do Instituto de Ciência Política, e Antônio Jorge Ramalho, do Instituto de Relações Internacionais, o Brasil e o restante da América Latina não estão entre as prioridades do presidente norte-americano. Segundo eles, a preocupação do governo norte-americano em relação à região concentra-se em defender a estabilidade e o crescimento econômico incentivando maior liberalização.
Obama foi reeleito ontem (6) com 303 votos dos 538 nos principais colégios eleitorais do país. Reeleito com o lema de campanha “Four More Years!” (em tradução livre: “Mais quatro anos!”), Obama disse ontem, ao discursar, que “o melhor está por vir”. Os pesquisadores brasileiros atribuem a vitória de Obama às medidas adotadas por ele na área social, como o plano de saúde para os norte-americanos, e ao empenho para conter os efeitos da crise econômica internacional, além do pragmatismo norte-americano.
Tradicionalmente, a política norte-americana de guerras deverá ser mantida, segundo os professores. “A questão está colocada principalmente na relação dos Estados Unidos com o Irã, se Obama vai partir para esforços em busca do diálogo ou vai escolher uma política de tensão. Se a segunda opção for feita, o resultado poderá ser catastrófico”, disse Ramalho, ao lembrar que é fundamental observar as ações entre Israel e Irã cuja a ameaça de guerra é constante.
Para Caldas, no segundo mandato, Obama deverá dar continuidade às políticas que implementou de 2008 a 2012. “Mas é importante ter em mente que a aprovação do Orçamento dos Estados Unidos, por exemplo, não está nas mãos do presidente e, sim, do Parlamento. No primeiro mandato, ele esbarrou em dificuldades”, disse o professor, ao recordar que o Senado tem maioria do Partido Democrata – legenda de Obama –, mas a Câmara de Representantes é dominada pelo Partido Republicano, que faz oposição ao governo.
Ramalho ressaltou que Obama “falhou” ao não dissociar de sua imagem várias dificuldades, enfrentadas no primeiro mandato, como o combate aos elevados índices de desemprego. “Foi uma gestão difícil, embora ele [Obama] tenha se esforçado bastante. Mas havia uma série de aspectos, como os índices de desemprego e as dificuldades na economia, que vinham de uma herança de Bush [George W. Bush, ex-presidente dos Estados Unidos].”

Edição: Talita Cavalcante

Obama é reeleito com país e Congresso divididos

Obama é reeleito com país e Congresso divididos

Obama é reeleito
O Globo - 07/11/2012
 
Democrata conquista mais quatro anos na Casa Branca; Congresso continua dividido

Barack Obama foi reeleito para mais quatro anos como presidente dos Estados Unidos, ao derrotar o candidato do Partido Republicano, Mitt Romney, na maioria dos estados considerados decisivos, segundo projeções dos principais veículos de comunicação americanos. Ao final de uma campanha extenuante, na qual foram gastos mais de US$ 2 bilhões, os dois candidatos chegaram ao dia da eleição praticamente empatados nas pesquisas de intenção de voto, reforçando a imagem de divisão do país. Obama venceu com os votos do Meio-Oeste, onde os efeitos positivos do resgate da indústria automobilística garantiram sua popularidade no crucial estado de Ohio, em Michigan e em Wisconsin, e também dos negros e latinos, que votaram maciçamente no presidente. O democrata também manteve o apoio no Nordeste do país, inclusive New Hampshire, e de estados da Costa Oeste como Califórnia e Oregon. Romney ganhou em quase todo o Sul, inclusive na Carolina do Norte. O republicano venceu entre os eleitores brancos e entre os mais idosos, mostrando que o partido não está acompanhando as mudanças demográficas e etárias dos Estados Unidos. Em todo o país, o comparecimento foi maciço, e as filas se estenderam em alguns locais horas depois do horário previsto para o fechamento das urnas. No Twitter, Obama agradeceu aos eleitores: "Isto aconteceu por causa de vocês. Obrigado".
O presidente terá mais quatro anos na Casa Branca com um Congresso dividido. Os republicanos mantiveram o controle da Câmara, e os democratas continuaram como o partido majoritário do Senado. Os resultados mostraram que os eleitores não perdoaram candidatos conservadores que deram declarações chocantes sobre aborto e estupro. Todd Akin, do Missouri, o que disse que o corpo da mulher teria defesas naturais para evitar gravidez em caso de estupro perdeu. Seu colega, Richard Mourdock, de Indiana, que falou em "vontade de Deus" para justificar a gestação após estupro também ficou de fora do Congresso. Ambos eram apoiados pelo movimento ultraconservador Tea Party. O deputado Paul Ryan, outro símbolo do movimento e candidato a vice-presidente na chapa de Romney, saiu chamuscado ao não garantir a vitória republicana em seu estado natal, Wisconsin, que elegeu a primeira senadora homossexual do país, a democrata Tammy Baldwin.
Em alguns dos diversos referendos realizados junto com a eleição presidencial, com quase metade das urnas apuradas, 52,4% dos eleitores do Colorado aprovavam o uso recreativo da maconha. Em Massachusetts, os resultados apontavam tendência similar: com 60% das urnas apuradas, o estado contava com 63% de votos favoráveis ao uso medicinal da erva.
No último ato da longa e bilionária campanha americana, a agressividade em busca do voto substituiu a tradicional rotina de espera recolhida dos candidatos no dia da votação. Obama e Romney se dedicaram a animar eleitores a saírem de casa para votar e apostaram em Ohio, o mais cobiçado reduto na reta final da eleição, com 18 votos no Colégio Eleitoral. Os dois candidatos, assim como seus vices, foram a campo em diversos estados e deram entrevistas para mobilizar suas bases, tentando desempatar uma disputa em que os eleitores escolheram o candidato mais preparado para recuperar a economia e qual o papel do Estado americano.
TROCA DE GENTILEZAS NO FINAL
Na tentativa de provocar uma onda de última hora que virasse os números favoráveis a Obama em Ohio, Romney votou em Boston pela manhã, acompanhado da mulher, Ann, e voou em seguida para Cleveland. Ele ainda estava no aeroporto esperando a chegada do candidato a vice, Paul Ryan, quando o avião do vice-presidente Joe Biden aterrissou. Obama, longe da estrada, despachou seu companheiro de chapa para a cidade, para evitar que os republicanos aparecessem sozinhos no noticiário estadual.
Durante a passagem pelo estado, Romney se disse confiante nos resultados. Ele almoçou com Ryan numa lanchonete Wendy"s. Mas a turnê ainda estava longe de acabar. Depois de despachar Ryan para a Virgínia, decidiu fazer um evento na Pensilvânia, o segundo em 72 horas, mas os esforços não surtiram efeito e os resultados mostraram vitória democrata no estado.
Obama, que fez parte do grupo de 31 milhões de americanos que votou antes da data da eleição, optou por passar o dia em Chicago, onde concedeu entrevistas a mais de dez emissoras de TV e rádio nas quais pediu à população para votar. O mesmo fez a primeira-dama Michelle. Ele jogou, no início da tarde, sua tradicional partida de basquete em dias de eleição, com amigos e assessores. A campanha arranjou uma parada não programada num comitê no bairro de Hyde Park, onde o presidente tem casa, para que ele tivesse contato com eleitores.
Ao entrar no comitê, sob aplausos de simpatizantes emocionados tirou o casaco e convidou os funcionários a colocar mãos à obra para assegurar mais votos. O presidente ligou para seis voluntários no vizinho Wisconsin para agradecer o engajamento na campanha e demonstrou confiança na vitória — a uma rádio, no entanto, confessou que estava nervoso com a expectativa de vitória.
Numa trégua após semanas tachando o adversário de mentiroso, Obama saudou o rival: — Quero parabenizar o governador Romney pela animada campanha. Sei que seus correligionários estão hoje tão engajados e trabalhando arduamente (quanto os nossos). Mais tarde, em Pitsburgh, antes do resultado, Romney devolveu a gentileza: — Não precisamos depreciar o outro cara. O presidente executou uma campanha forte. Acredito que é um bom homem, desejo o bem a ele e sua família, mas é hora de uma nova direção. É tempo de um amanhã melhor.
Pontos-chave
ESTADOS CRUCIAIS
Obama garantiu a vitória na maioria dos estados considerados indecisos, sem preferência partidária clara, e decisivos para a eleição: ele venceu em Ohio, Iowa, Wisconsin, Pensilvânia, Michigan e New Hampshire, garantindo pelo menos 274 delegados, quatro a mais do que os necessários
FLÓRIDA O presidente nem precisou dos votos do maior dos estados de disputa acirrada, onde ele e Romney se revezavam na liderança durante a apuração
POUCAS VITÓRIAS
O republicano Mitt Romney venceu na Carolina do Norte e liderava a contagem de votos na Virgínia

OBAMA É REELEITO PRESIDENTE DOS EUA

OBAMA É REELEITO PRESIDENTE DOS EUA

OBAMA REELEITO
O Estado de S. Paulo - 07/11/2012
 

Ohio deu triunfo ao líder, indicava rede de TV CNN; projeções apontavam 274 votos no Colégio Eleitoral para o democrata e 201 para Romney
Projeções  das principais redes de TV dos EUA indicavam, às 2h30 de hoje, a reeleição de Barack Obama. O presidente teria 274 votos no Colégio Eleitoral. Mitt Romney, 201. O Estado-chave que deu a vitória a Obama foi Ohio. Ele venceu a eleição também em New Hampshire, Pensilvânia, Wisconsin e Michigan. A apuração seguia apertada no Colorado e na Flórida, onde os dois candidatos se alternavam na liderança – embora Obama mantivesse um ligeira dianteira em ambos os Estados. No Congresso, o vencedor deve ter dificuldade para lidar com uma Câmara dos Deputados de maioria republicana e um Senado provavelmente dominado pelos democratas. E terá de se dedicar ao ajuste fiscal, deixando para segundo plano questões como a guerra na Síria e o programa nuclear iraniano.No início da madrugada, Obama aguardava os resultados em Chicago, seu reduto eleitoral. Romney viajou para Boston
Ohio garante vitória, dizem projeções
Triunfo em Estado deu a presidente274 votos,4 amais domínimo necessário para a reeleição. Festa toma as ruas de Chicago, base eleitoral do presidente. Congresso terá maioria republicana e Senado, domínio democrata
Barack Obama derrotou ontem o republicano Mitt Romney e foi reeleito presidente dos EUA. Os primeiros resultados das urnas refletiram a vantagem que o presidente americano mostrava na maioria das pesquisas de opinião. Às 2h18 de hoje, de acordo com projeções das princi-pais redes de TV dos EUA – NBC, CNN, CBS e Fox News –, Obama obteve 274 votos no Colégio Eleitoral. Mitt Romney, tinha 201. O Estado-chave que deu a vitória a Obama foi Ohio. O presidente venceu a eleição também em New Hampshire, Pensilvânia, Wisconsin e Michigan. A apuração seguia apertada no Colorado e na Flórida, onde os dois candidatos se alternavam na liderança – embora Obama mantivesse um ligeira dianteira em ambos os Estados. Agora reeleito, Obama deve continuar a ter bastante dificuldade para aprovar reformas com uma Câmara dos Deputados, de maioria republicana – o Senado, de acordo com as urnas, permanecerá dominado pelos democratas. Romney recebeu o resultado da derrota em Boston, em Massachusetts, Estado do qual foi governador de 2003 a 2007. O presidente Obama foi informado da vitória em Chicago, seu reduto eleitoral, onde uma multidão de simpatizantes se aglomerou nas ruas para celebrar a reeleição.

OBAMA OUTRA VEZ

OBAMA OUTRA VEZ

OBAMA REELEITO
Autor(es): RENATA TRANCHES
Correio Braziliense - 07/11/2012
 

Na campanha mais cara da história americana, o presidente Barack Obama derrotou o republicano Mitt Romney e se reelegeu para mais quatro anos de mandato, segundo projeções das principais redes de TV e jornais americanos. A apuração começou apertada e o suspense se manteve madrugada adentro. A vitória do democrata começou a se consolidar com a abertura das urnas em estados decisivos, como Flórida, Ohio, Wisconsin e New Hampshire. Obama agradeceu aos eleitores pelo Twitter. "Isso aconteceu por causa de vocês. Obrigado", escreveu

Presidente democrata  conquista mais quatro anos de mandato após disputa voto a voto com o rival Mitt Romney.  Votação encerrou a campanha mais cara da história dos Estados Unidos. Logo que teve a vitória confirmada, Obama agradeceu aos eleitores nas redes sociais


“Isso aconteceu graças a vocês. Obrigado.” Por meio de sua página no microblog Twitter, o presidente norte-americano, Barack Obama, agradeceu uma vitória assegurada com a conquista de mais do que os 270 votos eleitorais necessários, às 2h20 (hora de Brasília). Logo em seguida, publicou a frase “Mais quatro anos”, acompanhada de uma fotografia na qual ele aparece com a mulher, a primeira-dama Michelle Obama. Foi uma disputa acirrada até o fim. Em Chicago, no início da madrugada de hoje, uma multidão comemorava a vitória. Com a apuração parcial ainda em andamento, Obama já havia garantido 275 votos, enquanto Mitt Romney tinha conquistado 203. No entanto, o presidente perdia na votação popular: 50,6% para o republicano contra 48,1%. Os candidatos disputaram voto a voto a apuração. O voto nos EUA é indireto e quem sair vencedor no estado leva todos os delegados que votarão no Colégio Eleitoral. Para vencer, é preciso garantir 270 dos 538 delegados.

Assim que as tevês americanas anunciavam as projeções, indicando a vitória de Obama, simpatizantes do democrata reunidos em Chicago, seu berço político, explodiram em festa. Com a polarização dos estados — com parte deles fechada com os democratas e a outra, com os republicanos —, restavam apenas oito, onde os candidatos poderiam fazer a diferença. À medida que a apuração e a votação avançavam de leste a oeste, os primeiros estados a fecharem os resultados foram aqueles que já haviam endossado Romney, com exceção da Costa Leste, onde estão Nova York e Nova Jersey. A grande disputa, como já era esperado, se concentrava nos swing states. Foi o caso, por exemplo, da Flórida, onde Obama e Romney oscilaram a liderança durante todo o tempo da apuração.

As pesquisas de boca de urna só confirmariam o vencedor depois do fechamento das urnas em todos os estados, o que estava previsto para ocorrer às 2h30 (hora de Brasília). O último a fazer isso deveria ser o Alasca. A principal estimativa, feita com base na declaração dos eleitores que votaram, seria elaborada por seis dos principais veículos de comunicação dos EUA. Existe um acordo entre eles para somente divulgarem o vencedor depois da conclusão da votação. Alguns temas, porém, chegaram a ser noticiados, mostrando por exemplo que a preocupação do americano na hora de ir às urnas foi mesmo a economia, como repetido durante a campanha.

Os primeiros números da apuração das eleições não poderiam ser mais emblemáticos. No vilarejo de Dixville (New Hampshire), com 10 eleitores, houve um empate, com cinco votos para cada. Mais uma prova de quão acirrada foi a disputa presidencial de 2012. “O que vimos hoje (ontem) é o quadro exato do que foi essa campanha”, afirmou ao Correio a cientista política da Universidade de Tampa (Flórida), Mary Anderson, especialista em comportamento eleitoral. Anderson comparou as eleições com o pleito de 2000, disputado entre o democrata Al Gore e o republicano George W. Bush. O primeiro venceu no voto popular, mas o segundo saiu presidente por levar mais delegados no Colégio Eleitoral, depois de uma recontagem dos votos na Flórida.

Amabilidades

Os candidatos acompanharam a apuração nas cidades que são seus berços políticos. Mas Romney ainda aproveitou as últimas horas que lhe restaram para tentar conquistar eleitores. Depois de votar em Belmont (Massachusetts), o republicano visitou Ohio e Pensilvânia, para retornar ao primeiro estado onde acompanhou a apuração, em Boston (leia na página 21). Obama decidiu passar o dia em Chicago, visitou escritórios democratas locais, telefonou para eleitores e jogou basquete, uma tradição que ele acreditar da sorte em dia de eleição (leia na página 20). Se a campanha foi marcada por ataques mútuos, o último dia foi reservado à troca de amabilidades entre os candidatos. De um lado, Romney disse que o adversário fez uma “campanha forte” e é um “exemplo de bom pai”, mas que o país precisava de um “amanhã melhor”. Do outro, o presidente parabenizou o rival por uma campanha “animada”, mas estava “confiante” na vitória.

Como em edições passadas, o processo não passou ileso a problemas na votação e suspeitas de fraude (leia mais nesta página). O principal inconveniente foram as longas filas. Apesar de 32 estados permitirem o voto antecipado e até pelo correio, muitos deixaram para a última hora. Em alguns locais, eleitores enfrentaram o frio e uma grande espera, às vezes até de duas horas, para depositar sua escolha nas urnas. Preocupados com a possibilidade de fraude, as campanhas mobilizaram um batalhão de advogados para acompanhar com lupa qualquer indício de irregularidade.

A baiana Maria Drell, conselheira de educação superior na Universidade Estadual de Chicago, relatou ao Correio que restaurantes e bares se programaram para receber as pessoas que acompanharam em telões e tevês a apuração dos votos. Ela contou que apesar de viver no país há 26 anos e ter cidadania, nunca procurou se inscrever como eleitora, mas que apostava em Obama. Maria disse que acompanharia a apuração na casa de uma amiga e que daria uma festa para a ocasião. A campanha mais cara da história do país teve gastos estimados em US$ 6 bilhões. Foram 18 meses de uma corrida que acabou concentrada em uma pequena fatia do eleitorado, justamente os swing states.