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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

ONU reconhece a Palestina como Estado observador. O que isso muda?

ONU reconhece a Palestina como Estado observador. O que isso muda?

Publicado em Carta Capital
O chefe da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas (o segundo da direita para a esquerda) e a delegação palestina aplaudem a decisão. Foto: Stan Honda / AFP

A Assembleia-Geral das Nações Unidas reconheceu nesta quinta-feira 29 a Palestina como Estado observador não-membro, uma elevação de status que, espera a liderança palestina, poderá levar ao estabelecimento do país de fato e de direito. A votação, realizada na sede da ONU, em Nova York, foi encerrada de forma acachapante: 138 países votaram a favor do reconhecimento, enquanto nove foram contra (Israel, Estados Unidos, Canadá, República Tcheca, Panamá, Palau, Ilhas Marshall, Micronésia, Nauru) e 41 se abstiveram.
A votação proporciona dois resultados simbólicos imediatos. Pela primeira vez na história, as fronteiras de 1967 da Palestina (composta pelo território da Cisjordânia e da Faixa de Gaza) é reconhecida como Estado pela ONU e não mais como “entidade”. A partir de agora, ao menos no papel o país chamado Palestina existe, apesar de ainda não ter a mesma forma de existir como a de outras nações reconhecidas como integrantes plenas da ONU. Isso serve para reforçar a chamada “solução de dois Estados”, por meio da qual dois países diferentes, um para os judeus e outro para os palestinos, devem existir.
O segundo peso simbólico da decisão é o impressionante isolamento de Israel na comunidade internacional. O fato de o país ter conseguido apenas nove votos, entre eles de cinco Estados-cliente dos Estados Unidos, seu maior aliado, mostra como as políticas recentes do governo de Benjamin Netanyahu serviram para dissolver quase que por completo o pouco apoio que Israel já desfrutava. A votação é um claro recado da comunidade internacional no sentido de que a situação atual não é tolerável.
Na prática, só o tempo dirá quais serão os efeitos do reconhecimento da Palestina. O novo status permite que os palestinos busquem admissão em outras organizações internacionais, como o Tribunal Penal Internacional. Um avanço deste tipo preocupa muito o governo de Israel, que teme ver alguns de líderes políticos acusados e transformados em réus nesta corte. Buscar admissão nessas instituições, no entanto, não deve ser a prioridade dos palestinos agora. É provável que a liderança palestina aguarde as reações imediatas de Israel.
Na quarta-feira 28, o jornal Israel Hayom afirmou que Netanyahu e seu ministro das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman, planejavam um resposta feroz aos palestinos, mas decidiram reagir com moderação. Respostas mais duras só devem ocorrer em 2013. A partir das eleições parlamentares de 22 de janeiro, Netanyahu e Lieberman, políticos de direita e extrema-direita, respectivamente, devem ganhar ainda mais poder no país.
O risco dessa combinação de fatores – o reconhecimento da Palestina e o surgimento de um governo ainda mais extremista em Israel – é que o congelamento do processo de paz se torne ainda mais firme. Está claro que a liderança de Israel segue pelo caminho errado, mas a votação desta quinta não é suficiente para garantir a segurança e a prosperidade para israelenses e palestinos. Isso só será obtido quando os dois lados tiverem líderes prontos a realizar sacrifícios políticos para retomar o processo de paz e obter uma resolução final para o conflito de décadas.

O governo dos EUA é o pior, e único, mediador possível entre Israel e palestinos

O governo dos EUA é o pior, e único, mediador possível entre Israel e palestinos

José Antônio Lima

Publicado em Carta Capital
Operários realizam obra na Cidade Velha de Jerusalém, com o Domo da Rocha e a mesquita de Al-Aqsa ao fundo. A Fundação Al-Aqsa acusa o governo de Israel de querer construir uma sinagoga no local. Foto: Ahmad Gharabli / AFP
Operários realizam obra na Cidade Velha de Jerusalém, com o Domo da Rocha e a mesquita de Al-Aqsa ao fundo. A Fundação Al-Aqsa acusa o governo de Israel de querer construir uma sinagoga no local. Foto: Ahmad Gharabli / AFP

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, vai visitar Israel pela primeira vez no mês de março. Oficialmente, a intenção é “reafirmar os profundos e duradouros laços entre Estados Unidos e Israel”. Segundo o canal 10 de Israel, no entanto, a visita pode ser mais importante. Obama teria recebido a promessa de que, no país, poderia dar início à retomada do processo de paz com os palestinos.
A Casa Branca nega, até mesmo porque essa possibilidade dependerá da formação de um novo governo por Benjamin Netanyahu, o premier israelense, e da política palestina.
Convém manter o pessimismo.
Um processo de paz liderado pelos Estados Unidos é e continuará a ser a única possibilidade a ser vislumbrada para resolver o conflito, mas é também a pior possível.
Maior potência mundial e única minimamente capaz de influenciar israelenses e palestinos, os Estados Unidos têm uma postura altamente enviesada a favor de Israel. Este aspecto fica claro em momentos importantes, como a votação da ONU em novembro, na qual o voto de Washington foi um dos nove contra o Estado palestino, mas também no dia a dia. É difícil encontrar, nos EUA, livre debate sobre a questão palestina.
Dois episódios deixaram isso claro nesta semana.
A Brooklyn College, uma das principais faculdades da Universidade da Cidade de Nova York, marcou para esta quinta-feira 7 um debate sobre uma forma de pressão contra Israel cada vez mais popular: o boicote ao país, nos moldes do que o mundo fez com o regime segregacionista do Apartheid na África do Sul. O evento terá a participação do palestino Omar Barghouti e da filósofa norte-americana de origem judaica Judith Butler. Ambos são defensores do BDS, sigla em inglês para “boicote, desinvestimento e sanções”, uma campanha de ativistas palestinos contra a ocupação israelense.

A simples existência do debate deixou perturbados vários defensores de Israel. Alan Dershowitz, um proeminente advogado, escreveu artigo afirmando que o evento era uma “orgia de propaganda do ódio”.
Um membro do legislativo municipal de Nova York afirmou que o evento abriria as portas para “um novo Holocausto”.
Outro disse que Barghouti e Judith Butler eram simpatizantes do Hamas, do Hezbollah e “provavelmente” da Al-Qaeda.
Em conjunto com candidatos a prefeito de Nova York e membros do legislativo estadual, os representantes da cidade de Nova York decidiram atacar a liberdade acadêmica: escreveram uma carta ameaçando cortar o financiamento da universidade se o debate fosse levado a cabo. Karen L. Gould, a presidente do Brooklyn College, encontrou uma solução. O evento será realizado, mas nos próximos meses eventos com opiniões contrárias ao boicote a Israel também serão organizados no local.
O primeiro-mninistro de Israel, Benjamin Netanyahu, toma posse nesta quarta-feira 6 ao lado Yair Lapid, líder do Yesh Atid, segundo maior partido do novo parlamento. Netanyahu não quer a paz. Foto: Onen Zvulun / AFP
O primeiro-mninistro de Israel, Benjamin Netanyahu, toma posse nesta quarta-feira 6 ao lado Yair Lapid, líder do Yesh Atid, segundo maior partido do novo parlamento. Netanyahu não quer a paz. Foto: Onen Zvulun / AFP

A histeria só ocorre quando defensores de Israel são deixados de fora do debate. Nada parecido ocorreu nesta quarta-feira 5, quando o Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos realizou um debate sobre a questão palestina. O nome do evento era “A reconciliação Hamas-Fatah: ameaçando as perspectivas de paz”, um título altamente enviesado.
Especialistas de diversas correntes acreditam que jamais haverá uma paz duradoura caso o secular Fatah e o religioso Hamas (considerado terrorista por Israel e pelos EUA) não encerrem o conflito interno iniciado em 2007. Quem defende que a reconciliação entre os dois grupos é um obstáculo para a paz é justamente a direita israelense. A mesma direita que não deseja a paz com os palestinos, mas manter e ampliar a ocupação sobre os territórios.
No evento no Congresso, os três convidados eram judeus e não havia debatedores palestinos. Dois eram do Washington Institute for Near East Policy, instituição ligada ao lobby de Israel nos Estados Unidos, e outro do American Enterprise Institute, também pró-Israel. Dois deles disseram que a reconciliação era um caminho ruim, enquanto o outro sugeriu que os EUA usassem sua diplomacia para fazer com que Egito, Turquia e Catar tentassem influenciar o Hamas para torná-lo menos radical, uma posição bem mais razoável. Não houve, entretanto, qualquer convidado capaz de mostrar o lado palestino do conflito e ponderar como Israel deveria mudar suas atitudes para obter a paz.
Ainda que o debate transcorra desta forma nos Estados Unidos, Washington é o único mediador capaz entre Israel e palestinos. Os países do Oriente Médio são vistos com desconfianças por um ou pelos dois lados, a China e a Rússia não têm interesse na região e à Europa falta poder de persuasão e capacidade para ser a fiadora da paz. Sobra, então, o governo norte-americano, o que ajuda explicar, ao menos em parte, porque a paz, hoje, parece inviável.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Israel bombardeia a Faixa de Gaza

Israel bombardeia a Faixa de Gaza

Da BBC Brasil

Em meio à indefinição sobre um cessar-fogo que segundo o Hamas seria anunciado oficialmente ainda na noite de hoje (20), a Faixa de Gaza foi bombardeada novamente por forças de Israel. Para especialistas, a nova ofensiva adia uma possível trégua no conflito.

Pelo menos 20 palestinos foram mortos. Dois israelenses - um soldado e um civil - também morreram, vítimas de ataques de foguetes lançados da Faixa de Gaza.

Mais cedo, autoridades egípcias e palestinas informaram que o cessar-fogo seria anunciado ao fim de conversas ocorridas no Cairo, capital do Egito. No entanto, o porta-voz do governo israelense, Mark Regev, disse à BBC que o acordo ainda não havia sido finalizado.

"Não tenho dúvida de que o Hamas queira uma trégua temporária para que possa descansar e rearmar-se de forma a atacar Israel novamente na semana que vem ou no próximo mês. Não estamos interessados nessa proposta", declarou.

Ainda na noite de hoje, um funcionário do alto escalão do Hamas, Izzat Risheq, avaliou que a trégua não seria firmada até a manhã de amanhã (21).

Já os militares israelenses alegaram que a nova ofensiva tinha por objetivo matar "dois alvos terroristas" na região central da Faixa de Gaza.

Poucas horas antes, Israel havia exortado moradores de vilarejos ao redor da Faixa de Gaza para se deslocarem a zonas centrais para sua "própria segurança". Entre os palestinos mortos hoje, estão dois jornalistas de uma TV ligada ao Hamas.

Há poucos minutos, a correspondente da BBC Lyse Doucet tuitou de Gaza que "ouviu fortes explosões" e que estava "sem luz". A queda de energia foi confirmada pelo repórter da BBC Rushdi Abualouf. Segundo ele, grande parte do território estava "às escuras".

Na noite desta terça-feira, a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, chegou a Israel, em um esforço para alcançar um armistício.

Ela disse que trabalharia com Israel e o Egito para costurar uma trégua em Gaza "nos próximos dias". Hillary acrescentou que é essencial "amenizar a situação" na região e aceitar os esforços egípcios.

Após uma reunião a portas fechadas com o premiê israelense Binyamin Netanyahu, a secretária de Estado americana deve viajar a Ramallah, na Cisjordânia e ao Cairo nesta quarta-feira.

Fonte: EBC
 
 

Publicado em: 21/11/2012

APÓS A MORTE DE CIVIS - SOB PRESSÃO, ISRAEL E HAMAS JÁ NEGOCIAM CESSAR-FOGO

APÓS A MORTE DE CIVIS - SOB PRESSÃO, ISRAEL E HAMAS JÁ NEGOCIAM CESSAR-FOGO

A UM PASSO DO ACORDO
O Globo - 20/11/2012
 
Com o aumento de mortes de civis, Israel e Hamas discutem termos de cessar-fogo
Desespero. Uma mulher palestina corre com os filhos em busca de abrigo na Cidade de Gaza: mortes de civis em bombardeios israelenses crescem e levam pânico à população
Socorro. Palestinos removem um homem ferido no ataque contra o edifício Shorouk, sede da imprensa em Gaza
CAIRO, JERUSALÉM e CIDADE DE GAZA Uma série de negociações teria resultado num acordo sobre 90% dos pontos necessários para a declaração de um cessar-fogo entre Israel e o movimento islâmico Hamas na Faixa de Gaza. E sob pressão internacional para evitar uma operação militar por terra no território palestino, o Gabinete de segurança de Israel convocou uma reunião que se arrastou madrugada de hoje adentro para discutir os detalhes finais do texto, elaborado no Cairo sob a mediação de Egito, Turquia e Qatar. À rede de TV al-Arabiya, fontes diplomáticas disseram que a trégua seria implementada em duas fases. Na primeira, os dois lados suspenderiam os ataques durante um ou dois dias. E em debate estaria o fim dos assassinatos seletivos e, ainda, a suspensão do bloqueio israelense imposto à Faixa de Gaza desde 2007 - uma das maiores exigências do Hamas.
Sobre os esforços diplomáticos pesou o aumento das mortes de civis palestinos. Segundo o Ministério da Saúde do Hamas, o número total de vítimas do confronto chegou a 107 - entre eles, 26 crianças, dez mulheres e 12 idosos. Pelo menos 36 são militantes reconhecidos. E a contagem de feridos também não para de crescer: 860 pessoas, sendo 260 crianças.
Os termos do acordo em discussão não foram confirmados em nenhum dos lados da fronteira. Fontes diplomáticas, porém, asseguram que um dos entraves é a exigência de garantias egípcias e internacionais pelos dois lados.
Apesar da retórica desafiadora comum entre as lideranças israelenses e palestinas, os números do embate davam indícios da disposição mútua de cessar as hostilidades. O número de agressões caiu ontem: 130 foguetes foram lançados de Gaza contra Israel (em comparação a 156 registrados no domingo) e o Exército atacou 80 alvos em Gaza (contra centenas de bombardeios na véspera).
O líder político do Hamas, Khaled Meshal, defendeu o cessar-fogo. Mas provocou:
- Quem começou isso que pare. Se eles quisessem lançar uma ofensiva terrestre, já teriam feito isso. Israel está usando a ameaça de invasão para ditar as regras e nos forçar ao silêncio. Desafio Israel a entrar na Faixa de Gaza.
O governo israelense preferiu ignorar e adotar um discurso mais contido.
- Se houver calma no Sul do país e não houver foguetes e mísseis lançados contra nossos cidadãos ou ataques terroristas planejados contra nós na Faixa de Gaza, não vamos atacar - afirmou o vice-primeiro-ministro Moshe Yaalon, do conservador partido Likud.
prédio dA IMPRENSA É BOMBARDEADO de novo
Segundo pesquisa do jornal "Haaretz", apesar de 84% dos israelenses aprovarem os bombardeios contra o Hamas, apenas 30% são favoráveis a uma operação terrestre, e outros 19% defendem que o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu trabalhe para assegurar o cessar-fogo rapidamente. Fontes egípcias, palestinas e israelenses falavam ontem com uma ponta de otimismo.
- Estamos muito perto de chegar a um documento para cessar as agressões. Falta apenas um pouco mais de flexibilidade do lado israelense - disse no Cairo o primeiro-ministro egípcio, Hisham Kandil.
Nas ruas de Gaza, porém, o pesar contrastava com qualquer perspectiva de paz. Milhares participaram do funeral da família al-Dalu, que perdeu nove integrantes - de quatro gerações - num bombardeio israelense contra o bairro de Nasser, na Cidade de Gaza. As quatro crianças vítimas do ataque tiveram seus corpos cobertos com bandeiras palestinas e do Hamas.
- Mataram uma família que era segura e feliz. Por motivo nenhum, Israel cometeu um massacre, um crime horrível - lamentou Hatem al-Dalu, um parente.
Sob os gritos de "Deus é o maior!", a multidão foi guiada por integrantes do primeiro escalão do grupo, como o porta-voz Sami Abu-Zuhri.
- Isto aconteceu porque falhamos no combate ao inimigo, porque falhamos em defender o nosso povo. Vamos vingar a morte destes mártires - declarou ele à TV al-Aqsa.
Mais tarde, outro bombardeio causou ultraje: Israel alvejou o edifício Shorouk, conhecido por abrigar os escritórios da imprensa palestina e internacional, pelo segundo dia consecutivo. Dois cinegrafistas ficaram feridos. Israel alega que no local estavam quatro altos integrantes da Jihad Islâmica. Um morreu e três foram feridos.
À espera do anúncio de um acordo, a pressão ganha reforços dos dois lados da fronteira. O chanceler turco, Ahmet Davutoglu, vai à Gaza, e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, chega a Israel e à Cisjordânia.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

ISRAEL ATACA ALVOS CIVIS NA FAIXA DE GAZA

ISRAEL ATACA ALVOS CIVIS NA FAIXA DE GAZA

PRESSÃO CONTRA INVASÃO DE GAZA
O Globo - 19/11/2012
 
EUA e aliados acautelam contra expansão de conflito; conversas de cessar-fogo avançam
Cidade de Gaza e Tel Aviv O quinto e mais sangrento dia da ofensiva israelense em Gaza, com 24 palestinos mortos, foi marcado pelo massacre de uma família palestina e pela intensificação da pressão internacional para evitar uma invasão terrestre ao território. Fiel aliado de Tel Aviv, os Estados Unidos manifestaram apoio incondicional ao parceiro histórico - ressaltando, porém, que um ataque por terra não seria "preferível", como definiu o presidente Barack Obama. O Reino Unido também expressou solidariedade a Israel, enquanto a França, que mandou seu chanceler a Jerusalém, foi mais reticente.
A mobilização ocidental, assim como a pressão dos vizinhos no Oriente Médio, parece ter surtido efeito. Segundo a rede al-Jazeera, ontem à noite Ramzi Hamad, um dos chefes do Hamas na Faixa de Gaza, afirmou que o grupo palestino e Israel já concordaram em 90% dos termos para um acordo de cessar-fogo. Já uma das autoridades do Fatah, organização rival ao Hamas e que também participa das negociações, confirmou que as conversas com os israelenses estão em estágio avançado.
O relativo otimismo com o fim do confronto veio após um dia marcado pela violência. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu assegurou que as Forças Armadas israelenses estão preparadas para "expandir significativamente" a operação contra os militantes palestinos na Faixa de Gaza. Além de manter em vigor a ameaça da invasão terrestre a Gaza, Israel comandou o ataque a um centro de imprensa no território palestino, deixando oito jornalistas feridos - um deles teve de amputar a perna. A situação ficou ainda mais tensa após um míssil atingir em cheio a casa da família al-Dallu, na Cidade de Gaza. Doze de seus integrantes morreram, entre eles quatro crianças e cinco mulheres. O massacre gerou críticas até da TV israelense, que ressaltou que, até agora, os bombardeios tinham precisão quase cirúrgica.
Em comunicado, o Hamas protestou contra a chacina: "O massacre da família al-Dallu não ficará sem resposta". Os outros 15 palestinos mortos ontem foram atingidos por ataques a cidades como Shejaiya, no Leste de Gaza, e Jabaliya, no Norte do território.
Ontem, 114 mísseis foram disparados de Gaza em direção a Israel, atingindo Beersheba, Ashdod, Ashkelon e Sderot, deixando pelo menos cinco feridos. O sistema antimísseis Domo de Ferro conseguiu interceptar 30, entre eles quatro que atingiriam Tel Aviv.
Israel pôs a culpa das mortes nos militantes palestinos. O general Yoav Mordechai, porta-voz do Exército, mostrou vídeos do que seriam grupos atuantes em Gaza operando mísseis em regiões habitadas, próximo a mesquitas, escolas e prédios.
- O Hamas está usando a população de Gaza como escudo humano - acusou. - Eles estão explorando áreas urbanas residenciais muito habitadas.
Apesar das hostilidades, Israel e Hamas garantiram, ao longo do dia, estar abertos a negociações para interromper a troca de mísseis. Funcionários palestinos afirmaram que um cessar-fogo poderia ser assinado ainda hoje, no Cairo. A imprensa israelense informou que uma delegação do país também estava na capital egípcia, embora um porta-voz do governo tenha negado. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, chegará à cidade hoje para reforçar o grupo de autoridades que tentam um acordo.
Ban será recebido pelo presidente egípcio, o islamista Mohamed Mursi - que, durante todo o fim de semana, foi anfitrião de colegas da Liga Árabe. Mursi conseguiu do primeiro-ministro do Hamas, Ismail Haniyeh, a promessa de que ele assinaria um cessar-fogo, desde que o grupo palestino receba "garantias de que não haverá uma agressão no futuro".
Obama: "Israel tem o direito de se defender"
Em visita à Tailândia, sua primeira viagem internacional desde a reeleição, no dia 6 passado, Obama deixou claro que os EUA estão firmemente ao lado de Israel, mas apelou para que Netanyahu dê mais tempo para os governantes do Oriente Médio tentarem controlar o Hamas.
- Se esse objetivo pode ser atingido sem a evolução de uma atividade militar em Gaza, seria preferível - avaliou. - E isso não é preferível apenas para a população de Gaza, mas também para os israelenses, porque, se as tropas de Israel estiverem em Gaza, haverá um risco muito maior de ocorrerem mortos e feridos.
De acordo com Obama, Israel tem o direito de se defender do ataque. Com a mensagem de Netanyahu de que Israel estaria pronto para expandir sua ofensiva, Obama alertou aos líderes do Oriente Médio que Tel Aviv "tem todo o direito de garantir que mísseis não serão disparados contra seu território".
- Não há um país no planeta que toleraria mísseis, vindos de fora de suas fronteiras, chovendo sobre seus cidadãos - ressaltou Obama em Bangcoc, capital tailandesa. - Apoiamos totalmente o direito de Israel de se defender.
Apesar de ter uma relação difícil com Netanyahu, o líder americano destinou os comentários mais ásperos a Mursi e ao primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, que têm se posicionado como críticos ferozes das operações israelenses em Gaza. Obama advertiu os apoiadores de um Estado palestino independente que qualquer acordo de paz seria empurrado para um "futuro distante" se o conflito atual aumentasse.
- O que eu disse ao presidente Mursi e ao premier Erdogan é que os defensores da causa palestina deveriam reconhecer que, se a situação em Gaza se agravar, a probabilidade de termos um acordo de paz será empurrada para o futuro - alertou. - Estamos trabalhando ativamente com os representantes da região para ver se podemos cessar o lançamento de mísseis sem uma escalada de violência.
"Simpatia internacional" em jogo
O governo britânico também cerrou fileiras ao lado de Israel. O ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, William Hague, atribuiu ao Hamas a principal responsabilidade pela crise em Gaza, devido aos constantes bombardeios palestinos ao território israelense. Hague, no entanto, considerou que seria difícil para a comunidade internacional continuar simpática a Israel se o país insistisse numa operação terrestre. Esta opção tornaria mais difícil conter as baixas civis, o que provocaria um prolongamento do conflito.
- O primeiro-ministro (David Cameron) e eu salientamos aos nossos colegas israelenses que uma invasão por terra da Faixa de Gaza custaria a Israel muito do apoio internacional que ele tem nessa situação - revelou, em entrevista a uma emissora de TV britânica. - Seria muito mais difícil restringir ou evitar mortes de civis durante uma ação como esta.
- Deixamos nosso ponto de vista muito claro para Israel - acrescentou. - Assim como, para nós, é muito claro que o fim do disparo de mísseis de Gaza para o Sul de Israel é uma situação intolerável, e não é uma surpresa que o país tenha respondido a isso.
A França despachou seu ministro das Relações Exteriores, Laurent Fabius, para Israel. O chanceler francês ofereceu ao colega israelense, Avidgor Lieberman, os esforços de seu país para que o confronto terminasse com um "cessar-fogo imediato".
Lieberman agradeceu a "mobilização francesa para evitar vítimas", mas avaliou que apenas "quando todas as organizações terroristas anunciarem um cessar-fogo", Israel poderá considerar "todas as ideias que o ministro francês e outros amigos estão propondo".
O chanceler ressaltou que seu país não negociaria uma trégua na Faixa de Gaza enquanto mísseis ainda fossem disparados do território palestino.
- A primeira e absoluta condição para uma trégua é acabar com o bombardeio vindo de Gaza - destacou.
O ministro israelense ainda impôs que todas as facções palestinas presentes em Gaza se comprometam com o cessar-fogo. Esta, segundo ele, é a forma de conseguir "um acordo de longo prazo".

CIVIS SÃO MASSACRADOS NA PALESTINA

CIVIS SÃO MASSACRADOS NA PALESTINA

VÍTIMAS DO HORROR
Autor(es): RODRIGO CRAVEIRO
Correio Braziliense - 19/11/2012
 

Os conflitos entre militares israelenses e militantes palestinos voltaram a vitimar inocentes: ontem, ataque das forças de Israel na Faixa de Gaza matou uma família inteira de uma só vez. Foram dois homens, seis mulheres e quatro crianças. No total, sobe para 75 (três judeus) o número de vítimas desde o início da ofensiva, há seis dias. Presidente Dilma Rousseff, que está em Madri, telefonou ao secretário-geral da ONU e pediu esforço pelo cessar-fogo.

Israel bombardeia casa na Faixa de Gaza e mata 12 pessoas da mesma família. Hamas lança chuva de foguetes

"As crianças eram engraçadas e falantes. Eu adorava conversar com elas e jogar cartas." O ativista palestino Majed Abusalama se referia a Ranin, 5 anos, Jamal (7) e Yousef (10). Além deles, o irmão Ibrahim (1 ano); o pai, Mohammed; o avô Jamal e outros seis parentes morreram ontem quando um míssil disparado por um caça F-16 israelense caiu sobre a residência da família Al-Dalou, na Rua Al-Nasser, no bairro de Sheikh Redwan, região oeste da Cidade de Gaza. O ataque, ocorrido por volta das 15h10 (11h10 em Brasília), tinha como alvo Yehiya Rabiah, chefe da unidade de lançamentos de foguetes do movimento islâmico Hamas.
A explosão atingiu a casa vizinha, matando 12 pessoas da mesma família — seis mulheres, quatro crianças e dois homens. Yehiya sobreviveu. "Famy Al-Dalou, meu amigo, vivia lá e ficou bastante ferido. Suas irmãs morreram", lamentou Majed, em entrevista ao Correio. Até as 23h de ontem, 71 palestinos tinham sido mortos desde quarta-feira, 28 nos bombardeios de ontem. Foguetes do Hamas também mataram três israelenses, na quinta-feira. No fim da noite, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu a palestinos e a judeus um cessar-fogo "imediato". "Isto deve parar", avisou, por meio de um comunicado no qual lamentou as mortes na família Al-Dalou.
O jornalista palestino Samy Elajramy foi até o local da casa dos Al-Dalou e relatou à reportagem ter ficado chocado. "As pessoas daqui estão falando sobre o massacre mais horrível que já ocorreu desde quarta-feira. Nada sobrou da residência. Todas as casas ao redor estão danificadas", disse, também por telefone. "Outros integrantes da família choravam, querendo saber quem estava lá. Foi algo comovente", admitiu. "Israel, o que as crianças e os recém-nascidos fizeram?", perguntava, entre lágrimas, Khalil Al-Dalou. As Brigadas Ezzedine Al-Qasam — braço armado do Hamas, cujo líder, Ahmed Jabari, foi morto na quarta-feira — prometeram que "o massacre não ficará impune".
O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou ao seu gabinete ministerial que Israel está preparado para "expandir de forma significativa" a Operação Pilar de Defesa. Durante a madrugada de ontem, um escritório da rede estatal de tevê russa Russia Today ficou destruído, depois que a aviação israelense atacou o centro de imprensa Al-Shawa. O escritório ficava no 11º andar de um prédio e dividia espaço com outros meios de comunicação, como a Sky News, a ITV e agências de notícia palestinas.
Khader El-Zahar, cinegrafista da rede de tevê Al-Quds, teve a perna direita arrancada pela explosão. Outros cinco jornalistas ficaram feridos. O edifício Al-Shorouk, de 16 andares, também foi bombardeado. Os estúdios da tevê Al-Aqsa foram atingidos. "Israel quer esconder a verdade", acusou a jornalista Mousheera Jammal, moradora da Cidade de Gaza, em entrevista pela internet. Samy tem a mesma opinião. "Os israelenses exigiram que todos deixassem os prédios. Foi um claro ataque a jornalistas. Querem nos silenciar", desabafou.
O Hamas lançou 120 foguetes contra o sul de Israel (40 a mais do que na véspera) — desde o início do confronto, na quarta-feira, foram 980. As sirenes antiaéreas soam a cada sete minutos. Dois artefatos foram interceptados pelo sistema Domo de Ferro, antes que caíssem em Tel Aviv. A britânica Beverly Jamil mora há 30 anos em Ashkelon, a 21km de Gaza. "Viver aqui tem sido muito assustador. A cada sirene, você pula. Hoje, as sirenes tocaram oito vezes. Começou às 8h30", relatou ao Correio, por telefone. Questionada se crê em trégua, ela responde com uma pergunta. "Se você tivesse pessoas disparando foguetes a todo o momento, não gostaria que alguém o salvasse? Minhas crianças e as crianças palestinas querem crescer em paz."
A 18km dali, Ashdod teve uma tarde apavorante. Pelo menos 15 foguetes foram lançados pelo Hamas contra a cidade em um intervalo de apenas cinco minutos. O israelense Yaniv Cackon, 31 anos, disse que a comunidade é unida e tenta manter a calma. "Nós queremos ter uma vizinhança (Gaza) vivendo em um paz", comentou.
Diplomacia
Por enquanto, o acerto de um cessar-fogo parece improvável. Izat Al-Rishak, integrante do birô político do Hamas, expôs as condições do grupo fundamentalista para a trégua. "Nós insistimos que a agressão e os assassinatos devem parar, e o bloqueio injustificável a Gaza tem que ser removido", declarou. O presidente dos EUA, Barack Obama, considerou que os ataques com foguetes precipitaram a guerra. "Nós estamos trabalhando ativamente com todas as partes da região para ver se podemos pôr fim ao disparo desses mísseis, sem que haja a escalada de violência", afirmou, depois de conversar com Netanyahu, com o colega egípcio, Mohamed Morsy, e com o premiê turco, Tayyip Erdogan. Obama alertou para os perigos de uma ofensiva terrestre. "Se as tropas entrarem em Gaza, haverá um risco maior de baixas", disse.
No início da noite de ontem, na capital espanhola, a presidente Dilma Rousseff ligou para Ban Ki-moon para pedir empenho do Conselho de Segurança da ONU nos conflitos no Oriente Médio. Na prática, Dilma se disse preocupada com o uso desproporcional da força e considerou que o conselho deve assumir as responsabilidades em buscar um acordo de trégua na região. Horas antes, Dilma recebeu uma ligação do presidente egípcio, que considerou a influência do Brasil na ONU. "Morsy ficou satisfeito (com a conversa) e vamos acompanhar a situação", disse o assessor especial para assuntos internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, que criticou o Quarteto para o Oriente Médio — EUA, Rússia, União Europeia e ONU. ""Enquanto continuar essa política intransigente e esta desídia das grandes potências em relação ao conflito, esses fenômenos vão se multiplicar", disse Garcia.
Colaborou Leonardo Cavalcanti, enviado especial a Madri

domingo, 18 de novembro de 2012

Uma guerra na hora certa para Netanyahu?

Uma guerra na hora certa para Netanyahu?

Publicado em Carta Capital
Médico palestino carrega bebê ferido após ataque aéreo de Israel na cidade de Gaza. Mahmud Hams / AFP

O assassinato de Ahmed Jabari, líder militar do Hamas, nesta quarta-feira 14, deve marcar o início de um novo conflito armado entre Israel e o grupo radical palestino que controla a Faixa de Gaza. Ainda não se sabe a dimensão que a operação “Pilar da Defesa” terá, mas, como em confrontos anteriores entre as duas partes, este teve início após uma série de episódios violentos na fronteira. Desta vez, entretanto, há duas peculiaridades a serem observadas. A primeira afeta a política interna de Israel. Em apenas dois meses, os israelenses vão às urnas escolher seu novo primeiro-ministro e a lembrança mais recente que terão dos palestinos será este confronto armado. A segunda pode impactar todo o Oriente Médio. Este pode ser o primeiro conflito de grande porte entre israelenses e palestinos desde o início da Primavera Árabe.
Desde o dia 9 de novembro, patruhas militares israelenses e militantes palestinos se envolveram em pequenas confrontações na fronteira. O episódio mais grave ocorreu no domingo 11 quando, em retaliação a um ataque palestino, tanques israelenses atingiram uma área urbana da cidade de Gaza, matando 5 pessoas e ferindo outras 30. Pode-se alegar que qualquer governo reagiria como Israel, mas é difícil separar o ataque desta quarta-feira das eleições de janeiro.
Confrontos com os palestinos tendem a unir a sociedade israelense, geralmente em torno de figuras linha-dura. Benjamin Netanyahu, o atual primeiro-ministro, que adiantou as eleições para garantir sua continuidade no poder, é este tipo de líder. Criticar o governo em tempos de conflito externo é um ato considerado extremista nesses períodos. Assim, Netanyahu e seu ministro da Defesa, Ehud Barak, outro alpinista político, apostam em reações como a do parlamentar Yoel Hasson, do oposicionista Kadima. “Hoje não há oposição ou coalizão. Devemos deixar que o Exército derrote o Hamas”, disse. Este tipo de postura dá ao governo e aos militares carta branca para agir. Neste clima de guerra, os ataques de Israel, que muitas vezes deixam vítimas civis, entre elas crianças, são realizados praticamente sem oposição.
A imagem de defensor de Israel fomentada por Netanyahu é alimentada também pela tática criminosa do Hamas nesses confrontos: o lançamento aleatório de foguetes e morteiros contra alvos civis israelenses. Após a morte de Ahmed Jabari, dezenas de foguetes foram lançados contra cidades do sul de Israel, como Beersheva, Ashdod, Eshkol e Ofakim, provocando pânico nos civis.

Mulher ferida é levada ao hospital na cidade israelense de Beersheva após ataque com foguetes do Hamas. Foto: Amnon Gutman / AFP

Um grande conflito com o Hamas deve fortalecer a posição de Netanyahu dentro do Egito, mas pode aumentar ainda mais seu isolamento no Oriente Médio. As relações com a Turquia, abaladas desde 2010, podem ruir de vez, fazendo Israel perder definitivamente um aliado moderado na região. Outro problema para Israel pode ser a postura do Catar. Desde o início da Primavera Árabe, o Hamas deixou a aliança com o Irã, a Síria e o Hezbollah. Assim, atraiu outros aliados, como o governo do Catar, que aproveita a instabilidade na região para ganhar peso diplomático. O Catar é particularmente importante na Liga Árabe e pode usar seu peso na organização para fomentar ainda mais a hostilidade árabe contra Israel.
A reação mais esperada, no entanto, é a do Egito. Mohamed Morsi, o presidente egípcio, é um integrante da Irmandade Muçulmana, grupo religioso que odeia Israel e tem laços fortes com o Hamas (criado sob influência da Irmandade). Ao mesmo tempo, o Egito tem um tratado de paz com Israel, que precisa manter por questões pragmáticas: a aliança com os Estados Unidos e a necessidade de se manter um ator internacional confiável num momento de crise econômica. Não há dúvidas de que setores radicais dentro da Irmandade Muçulmana, mas também fora dela, pressionarão Morsi a ter uma posição dura contra Israel. O governo do Egito pediu que Israel parasse os ataques à Faixa de Gaza e convocou seu embaixador em Tel Aviv, mas não é possível saber se irá ainda mais longe.
O conflito entre Israel e o Hamas não é uma novidade, mas desta vez se dá sob condições novas. Netanyahu terá ganhos a curto prazo, inclusive eleitorais, e manterá Israel “seguro” por conta do armamento infinitamente superior. A longo prazo, entretanto, seu governo continua tornando a situação de Israel insustentável: cada vez mais israelenses e palestinos se odeiam e, cada vez mais, o mundo árabe quer ver Israel fora do mapa.

Israel intensifica ataques e prepara ação terrestre

Israel intensifica ataques e prepara ação terrestre

Publicado em Carta Capital

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse neste domingo que Israel está disposto a “intensificar significativamente” a operação iniciada na quarta-feira contra a Faixa de Gaza governada pelo Hamas.

Jovens palestinos se protegem em barricadas durante confronto com soldados israelenses. Foto: ©AFP / Abbas Momani

“O exército está preparado para intensificar significativamente a operação”, disse Netanyahu no início do conselho de ministros. “Os soldados estão preparados para qualquer atividade que possa ser levada adiante”, disse.
O primeiro-ministro fez seus comentários enquanto milhares de soldados e equipamentos militares se concentram junto à fronteira com Gaza, o que alimenta a hipótese de que Israel inicie uma operação terrestre após cinco dias de ataques aéreos.
Os bombardeios israelenses mataram neste sábado 16 palestinos em Gaza e destruíram a sede do governo do Hamas, enquanto reuniões são realizadas no Cairo para tentar estabelecer uma trégua.
O presidente egípcio, Mohamed Mursi, se mostrou otimista neste sábado à noite, mencionando contatos com Israel e com os palestinos e “algumas indicações sobre a possibilidade de um cessar-fogo em breve”.
Desde o início da operação militar israelense “Pilar de defesa” contra os grupos armados palestinos da Faixa de Gaza, na quarta-feira, 48 pessoas — 45 palestinos e três israelenses — morreram, enquanto 400 palestinos e 15 israelenses ficaram feridos.
O secretário-geral da Liga Árabe, Nabil al-Arabi, conduzirá uma delegação ministerial a Gaza em sinal de solidariedade, anunciou a organização ao final de uma reunião de emergência dos ministros árabes das Relações Exteriores neste sábado no Cairo.


Além disso, o ministro francês das Relações Exteriores, Laurent Fabius, é aguardado neste domingo em Jerusalém e em Ramallah, segundo fontes oficiais.
O líder do Hamas no exílio, Khaled Mechaal, realizava negociações por uma trégua no Cairo com o chefe do serviço de inteligência egípcio, com o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, e com o emir do Qatar, Hamad Ben Khalifa Al-Thani, mas seu movimento exige garantias internacionais, segundo um alto funcionário do Hamas, que não quis ser identificado.
“Por intermédio do Egito, nós chegamos a um acordo sobre uma trégua (segunda-feira), e ela foi quebrada em 48 horas”, lembrou essa autoridade.
“O Egito não pode mais fornecer garantias de uma trégua”, considerou.

Membros do Hamas inspecionam prédio da organização destruído por ataque israelense em Gaza. Foto: ©AFP / Mahmud Hams

Erdogan considerou que Israel tem total responsabilidade pela escalada e deve prestar contas “pelo massacre dessas crianças inocentes”. Em visita neste sábado de manhã a Gaza, o ministro tunisiano das Relações Exteriores, Rafik Abdessalem, também denunciou uma “agressão israelense flagrante”.
A Casa Branca, por outro lado, reafirmou que “os disparos de foguetes a partir de Gaza são o fator desencadeador deste conflito”, reconhecendo o direito de Israel “de se defender e de decidir a tática a se utilizada”.
Quase a metade dos 45 palestinos mortos pelos ataques israelenses não era combatente, incluindo seis crianças e três mulheres, segundo fontes médicas e das organizações de defesa dos direitos humanos.
Domo de Ferro. Neste sábado à noite, cinco palestinos foram mortos, sendo quatro homens em dois ataques israelenses no centro da Faixa de Gaza e uma mulher em uma casa atingida no sul do território.
As casas de cinco comandantes militares do Hamas foram alvos de ataques aéreos no território, segundo o movimento e testemunhas.
No total, a ofensiva israelense matou 16 palestinos neste sábado, incluindo pelo menos sete combatentes do Hamas e um da Jihad Islâmica, segundo fontes médicas em Gaza.
Enquanto isso, nove israelenses ficaram feridos, incluindo quatro soldados, de acordo com o Exército israelense, que indicou 733 foguetes disparados desde quarta-feira a partir do território palestino, sendo que 243 foram interceptados pelo sistema antimísseis “Domo de Ferro”, e 950 alvos atingidos na Faixa de Gaza.
Além da sede do governo do Hamas, os ataques atingiram o quartel-general da polícia, a Universidade Islâmica e o estádio “Palestina”, principal centro esportivo de Gaza.
Em torno do prédio de dois andares do governo, inteiramente destruído, ainda havia durante a manhã um cheiro de pólvora. A poeira tomava conta do ar e papéis e pedaços de madeira estavam espalhados por todos os lados.
O ataque provocou pânico. “É um filme de terror que se tornou realidade”, disse Soha, de 18 anos, ferida em sua cama por pedaços de vidro.
Pelo terceiro dia consecutivo, as sirenes de alerta soaram em Tel Aviv. Pouco depois, uma nova bateria “Domo de Ferro”, instalada de manhã, interceptou um foguete.
O disparo foi reivindicado pelo Hamas, que afirmou ter disparado um foguete Fajr 5. Na quinta e na sexta-feira, três foguetes caíram na região de Tel Aviv, capital econômica de Israel, sendo dois no mar.
O confronto chegou na sexta-feira a um novo patamar com o disparo de um foguete, que caiu sem deixar vítimas na Cisjordânia, a cinco quilômetros a sudoeste de Jerusalém.
No momento em que os preparativos para uma eventual operação terrestre se intensificam, cerca de 20.000 reservistas israelenses foram mobilizados, e o governo pode autorizar no domingo a mobilização de um total de 75.000 reservistas.
Em plena campanha eleitoral para as legislativas de janeiro, Israel lançou sua ofensiva na quarta-feira com um ataque contra Ahmed Jaabari, chefe de operações militares do Hamas em Gaza, a mais importante autoridade morta desde a ofensiva devastadora de dezembro de 2008 – janeiro de 2009, que apenas suspendeu temporariamente os disparos de foguetes.

O PODER SOB BOMBAS

O PODER SOB BOMBAS

ISRAEL ACELERA A OPERAÇÃO EM GAZA
Autor(es): RODRIGO CRAVEIRO
Correio Braziliense - 18/11/2012
 

No quarto dia de batalha entre as forças militares de Israel e os palestinos do Hamas, os ataques se concentraram em pontos estratégicos e em alvos simbólicos, ligados aos dirigentes na Faixa de Gaza. Mísseis israelenses destruíram o gabinete do premiê Ismail Haniyeh.

Musheer Elmasri, um dos líderes do Hamas, fala ao Correio e promete enviar “encomendas" a Israel em caso de invasão


Aviação bombardeia alvos simbólicos do Hamas. Militantes palestinos revidam e lançam mais 80 foguetes


São 16h40 em Beersheva, cidade localizada na região sul de Israel, a apenas 42km da fronteira com a Faixa de Gaza. O músico israelense Tal Rotem, 35 anos, conversa com o Correio por telefone e afirma que se apresentou ao Exército. De repente, a entrevista é interrompida. “Estamos tendo um alarme agora. Estamos sendo atacados nesse momento e estamos correndo para o abrigo”, afirmou. Quase no mesmo instante, a rede de tevê CNN informa que as sirenes antiaéreas também soam em Tel Aviv. Dessa vez, a bateria antimísseis Domo de Ferro interceptou dois foguetes Fajr-5 do grupo islâmico Hamas. Até o fechamento desta edição, os militantes palestinos haviam lançado 740 mísseis contra o sul de Israel.

Enquanto os palestinos intensificavam os ataques — somente ontem, 80 foguetes foram disparados —, as forças israelenses ampliavam a Operação Pilar de Defesa. Mais de 950 bombas já foram despejadas sobre a Faixa de Gaza. Dessa vez, os drones (aviões não tripulados) e os caças F-16 se concentraram em alvos simbólicos, ligados ao poder em Gaza. Pela manhã, mísseis reduziram a escombros o quartel-general do Hamas, onde também funciona o gabinete do premiê, Ismail Haniyeh. A casa do ministro do Interior, Ibrahim Salah, no campo de refugiados de Jabaliya, e a Universidade Islâmica foram destruídas. Desde quarta-feira, ao menos 45 palestinos e três israelenses morreram. O número de feridos chega a 345 árabes e 18 judeus, incluindo 10 soldados.

“Nós transformaremos Gaza em seu cemitário e queimaremos Tel Aviv.” A mensagem, assinada pelas Brigadas Al-Quds — facção armada da Jihad Islâmica — e enviada a oficiais das Forças de Defesa de Israel (IDF), antecipava-se a uma iminente invasão de tropas. Benny Gantz, chefe do Estado-Maior, concordou ontem com a convocação emergencial de 20 mil reservistas, já incorporados às suas unidades. Tal Rotem, um dos israelenses que atendeu ao chamado, disse aguardar ordens do governo de Benjamin Netanyahu. “Sou um soldado e tenho que fazer o que é preciso fazer. Pediram para que ficássemos de prontidão”, afirmou.

O chanceler israelense, Avigdor Lieberman, nega uma “guerra generalizada” e explica que os objetivos da Operação Pilar de Defesa foram fixados. “Estamos prontos para uma ampla operação terrestre, se necessário. Mas é preciso saber que, se ela começar, será impossível detê-la”, alertou. Por telefone, um dos líderes do Hamas, Musheer Elmasri, alertou que uma invasão de tropas seria “suicídio” (leia entrevista).

Em Tel Aviv, o empresário David Yaari, de 42 anos, voltou a enfrentar o medo dos foguetes do Hamas. Pai de um casal de gêmeos de 3 anos e de um bebê de 18 meses, ele admitiu ao Correio: “Não há nada pior do que pegar seus filhos, correr para um abrigo antibombas e esperar o que acontece”. De acordo com ele, os 3,2 milhões de habitantes da capital financeira de Israel estão “bem assustados”. “Eu estive em São Paulo e no Rio de Janeiro, e cresci em Nova York. Eu posso lhe dizer que nunca tive que correr, por causa de um foguete caindo. É algo inaceitável que as pessoas vivam em um local que pode ser bombardeado”, comentou. “É a terceira vez, em três dias, que somos atacados.”

Cerco

A blogueira e estudante palestina Shahd Abusalama, de 21 anos, contou que uma amiga mora perto do QG do Hamas e sentiu o impacto da explosão. “Ela dormia, quando pedaços das casas vizinhas ‘choveram’ sobre a sua. Tudo tremia e todos acordaram em pânico”, relatou. Shahd não teme uma ofensiva terrestre. “A resistência está dedicada a proteger a população. Os tanques e as tropas israelenses estão espalhados ao longo da fronteira. Estamos cercados, recebendo mísseis de todos os lugares.” Pelo telefone, era possível escutar o barulho dos drones (aviões espiões) de Israel sobrevoando a região.

No front diplomático, o chefe da Liga Árabe, Nabil Al-Arabi, se comprometeu a apoiar os palestinos contra a “agressão” israelense e a pôr fim ao bloqueio de Gaza. A declaração foi feita durante reunião de emergência dos chanceleres do bloco, no Cairo. O ministro das Relações Exteriores da Tunísia, Rafik Abdesselem, visitou Gaza e enviou uma mensagem contundente. “Israel não goza de imunidade total e não está acima da lei. O que Israel faz é inaceitável.”

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Abbas pede a Brasil que ajude na criação do Estado da Palestina

Abbas pede a Brasil que ajude na criação do Estado da Palestina

15/10/2012 
 
Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil

O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbbas, apelou hoje (15) ao ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, para que a comunidade internacional se empenhe não só na busca pela paz no Oriente Médio, mas também na criação do Estado da Palestina independente e autônomo. Patriota reiterou o apoio à causa palestina e disse que a participação da Organização das Nações Unidas (ONU) é fundamental nesses esforços.
Durante a reunião, Abbas lembrou que há cerca de 5 milhões de refugiados palestinos no mundo. Adultos, jovens e crianças sem condições de viver na região e que buscam abrigo em outros países na tentativa de ter qualidade de vida e condições de sobrevivência. Abbas agradeceu e reiterou o empenho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao tema.
Para o governo do Brasil, é fundamental a criação do Estado da Palestina, assim como a manutenção do Estado de Israel, de acordo com as fronteiras estabelecidas em 1967. O assunto é tema de vários discursos da presidenta Dilma Rousseff em eventos internacionais. Ela mencionou a questão na ONU e também no Peru, quando líderes árabes e sul-americanos se reuniram.
Antes de Abbas, Patriota se reuniu com o chanceler da Palestina, Riad Malki. Patriota ressaltou que é necessário manter os esforços independentemente das eleições em quaisquer países da região. Malki relatou sobre os ataques a crianças, em escolas, e agricultores palestinos que estão na colheita de olivas.
Malki agradeceu o apoio do Brasil ao reconhecimento da Palestina como um Estado independente e autônomo. O palestino disse que recebia o brasileiro com alegria e entusiasmo e pediu que mantenha a cooperação com a Palestina. O chanceler brasileiro tem ainda hoje reuniões com o negociador-chefe da Organização para Libertação da Palestina (OLP), Saeb Erekat.
Patriota está em Ramalah, na Palestina. Nos diálogos, além dos esforços em busca da paz, o chanceler leva a mensagem de Dilma em favor do desarmamento nuclear e da não proliferação de armas nucleares.
O Brasil defende a criação de uma zona livre de armas de destruição em massa no Oriente Médio. É primeira visita de um chanceler brasileiro desde o reconhecimento, pelo Brasil, da Palestina como Estado, em dezembro de 2010.
O chanceler deverá conversar também sobre projetos de cooperação em áreas três áreas – saúde, urbanismo e agricultura. As relações econômicas entre Brasil e Palestina têm potencial de crescimento, segundo o Ministério das Relações Exteriores.
Em 2011, primeiro ano de registro, o intercâmbio comercial chegou a US$ 15,8 milhões e US$ 10,6 milhões, no primeiro semestre de 2012. Um acordo de livre comércio Mercosul-Palestina, firmado em 2011, possibilitará o fortalecimento dessas relações, segundo os negociadores brasileiros e palestinos.
Ontem (14), Patriota encerrou sua visita a Israel. Na conversa com o presidente israelense, Shimon Peres, ele colocou o Brasil à disposição para mediar a paz no Oriente Médio. Ele lembrou que o Brasil é um país sem inimigos tendo, portanto, condições de colaborar com as negociações para o fim do conflito.

Edição: Talita Cavalcante

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Parecer jurídico em Israel pode ser mais um obstáculo para a paz com os palestinos

Parecer jurídico em Israel pode ser mais um obstáculo para a paz com os palestinos

Publicado em Carta Capital
José Antônio Lima
Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, em reunião ministerial no dia 8. Ele montou a Comissão Levy. Foto: Uriel Sinai / AFP
Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, em reunião ministerial no dia 8. Ele montou a Comissão Levy. Foto: Uriel Sinai / AFP

Um documento divulgado na segunda-feira 9 por um painel de três juristas de Israel chegou a conclusões que podem ter enorme impacto negativo para o processo de paz entre israelenses e palestinos. A Comissão Levy, como é chamada, considerou que os assentamentos civis e os postos militares de Israel na “Judeia e Samaria” (o nome bíblico da Cisjordânia) são legais e que Israel não é uma força de ocupação naquele território. Essas conclusões, se adotadas oficialmente pelo governo de Israel, significam a anexação definitiva dos assentamentos e a automática inviabilização de um Estado palestino, bem como da paz entre os dois povos.
A base da argumentação da Comissão Levy é a forma como Israel tomou a Cisjordânia. A região foi uma das várias capturadas pelo Exército de Israel em 1967, na Guerra dos Seis Dias travada contra Egito, Jordânia e Síria. A Cisjordânia, então habitada por árabes sem nacionalidade definida, era reivindicada pela Jordânia, que mais tarde abriu mão desta soberania em favor daqueles árabes sem pátria, os palestinos. Israel tomou o território inicialmente por motivos militares, mas desde então milhares de israelenses, a maioria por motivos religiosos, rumaram para a “Judeia e Samaria”. Este empreendimento de ocupação é considerado ilegal pela própria Justiça de Israel, pela Corte Internacional de Justiça e viola a Convenção de Genebra, que veda a transferência de populações para territórios ocupados. Para a Comissão Levy, entretanto, não há ilegalidade alguma. Para os juristas, Israel não realiza uma ocupação porque a Jordânia abriu mão da posse sobre a Cisjordânia e porque documentos antigos, como a Declaração Balfour, determinam que toda a Palestina histórica (onde estão Israel e os territórios palestinos) deve ser transformada na terra nacional dos judeus.


Esses argumentos da Comissão Levy podem se tornar um impedimento para a paz pois desconsideram a existência dos palestinos. Imediatamente após a Guerra dos Seis Dias, era justamente esse tipo de retórica que o governo de Israel usava para manter a ocupação – Golda Meir, primeira-ministra de Israel entre 1969 e 1974, ficou marcada pela frase “palestinos não existem”. Ao longo dos anos, entretanto, a lógica mudou. No processo de paz do início dos anos 1990, houve o reconhecimento mútuo de israelenses e palestinos sobre os direitos do outro de existir e de ter um Estado. Enquanto os palestinos reconheceram que a identidade israelense foi forjada na luta para estabelecer um Estado judeu, Israel reconheceu que a identidade palestina foi estabelecida na luta pela criação de um Estado palestino. Hoje, toda a possibilidade de a violência entre os dois povos acabar resta na chamada solução de dois Estados, um para israelenses e outro para os palestinos. A remoção, ao menos parcial, dos assentamentos e postos militares, é uma das condições básicas para que os palestinos tenham um Estado contíguo e viável.
Apenas extremistas, entre israelenses e palestinos, considera que a Palestina histórica deve ficar nas mãos apenas de judeus ou de árabes. A Comissão Levy, montada pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para agradar aos colonos ultraortodoxos que vivem nos assentamentos, conseguiu seus objetivos. Deu argumentos “jurídicos” para estes defenderem uma ocupação que, na prática, impossibilita o Estado palestino e, com ele, a paz. Se o governo Netanyahu, ou qualquer outro que venha depois dele, decidir adotar oficialmente as recomendações da Comissão Levy, a paz estará condenada e a violência não terá tempo para acabar.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Faixa de Gaza, no centro da questão palestina

Faixa de Gaza, no centro da questão palestina

 Publicado em Carta Capital.

A escalada de violência na Faixa de Gaza em março confirmou o caráter instável do status quo e o impasse da estratégia israelense
por Jean-Pierre Filiu
(Garoto palestino agita a bandeira de seu país durante protesto na Faixa de Gaza)

A Faixa de Gaza, como entidade autônoma, foi moldada pela guerra de 1948-1949. Durante o conflito, muitos palestinos expulsos afluíram para lá. O primeiro-ministro israelense, David ben Gurion, sempre visionário, compreendeu imediatamente o risco de tal concentração de refugiados no noroeste do Neguev. Isso porque a barreira natural do Deserto do Sinai impedia que ocorresse em Gaza um fenômeno de dispersão, como se deu nos países vizinhos, com o surgimento de campos de refugiados ao redor de Amã, Beirute e Damasco. Assim, para pelo menos dois terços de sua população, o território se transformou num enorme campo de refugiados. Ben Gurion pensou em resolver o problema com a oferta de anexação de Gaza, mas ela foi enterrada em 1949, na Conferência de Lausanne. O território tornou-se então o abscesso da frente meridional, campo de teste para incursões de intimidação e bombardeios indiscriminados.
A invasão israelense de 1956, durante a crise de Suez, foi acompanhada por uma sangrenta repressão, mas Gaza teve de ser evacuada, sob pressão internacional. Ben Gurion então achou que devia fazer uma aposta-padrão na mão de ferro do presidente egípcio, Gamal Abdel Nasser, o qual garantiu uma efetiva paz no território até 1967. Para Israel, a ocupação da Faixa de Gaza, desde a abertura da guerra de junho, era acima de tudo um desafio em termos de contrainsurreição, diante da uma guerrilha palestina de tenacidade inigualável. O general Moshe Dayan, tendo esmagado brutalmente os insurgentes, decidiu dissolver Gaza nas “portas abertas” (livre circulação) com Israel e Cisjordânia. Essa política deu frutos por duas décadas. Em 1993, o primeiro-ministro Yitzhak Rabin decidiu ao mesmo tempo sistematizar as “barreiras” do território e abrir um diálogo com a Organização para a Libertação da Palestina (OLP).
Livrar-se de Gaza tornou-se a obsessão das autoridades israelenses, que buscavam transferir a manutenção da ordem a uma força palestina, mesmo reservando-se um direito de intervenção permanente em caso de ameaça. É evidente a continuidade estratégica entre a retirada parcial de 1994 e o desengajamento unilateral de 2005. Porém, enquanto Rabin desencadeou um processo de paz, o primeiro-ministro Ariel Sharon colocou Gaza diante do fato consumado.
 
CUSTO EXORBITANTE

Desde 2005, Israel enfrenta o impasse de sua abordagem exclusivamente securitária, que alimenta, com sua brutalidade, uma mobilização internacional pontuada por crises. As “missões civis”, nascidas da urgência humanitária, atingiram seu limite, pois não são capazes de dar uma perspectiva à população de Gaza. Esta continua suspensa no braço de ferro entre o Fatah, que nunca aceitou a vitória islâmica nas eleições de janeiro de 2006, e o Hamas, que assumiu o controle do território em junho de 2007. Assim, o impasse da estratégia israelense acentua o impasse humanitário, que por sua vez é agravado pelo impasse político que perdura na cena palestina. O 1,5 milhão de habitantes do território, já submetidos a um isolamento físico de rigor excepcional, são também prisioneiros desse triplo impasse.
O desengajamento israelense e o desmantelamento das colônias da Faixa de Gaza, no final do verão [do Hemisfério Norte] de 2005, foram seguidos, um mês depois, pelo início de uma ofensiva de nome premonitório: “Eterno Recomeço”. Sucederam-se as incursões e os bombardeios israelenses, o mais recente deles em março de 2012. A captura do soldado Gilad Shalit, no dia 25 de junho de 2006, inaugurou uma nova escalada militar. A quebra da trégua entre o Hamas e Israel, de junho a dezembro de 2008, levou à onda de violência da operação “Chumbo Grosso”, cujas vítimas se contam na proporção de um israelense para cada cem palestinos, ainda que, apesar da ação, os ataques de foguetes contra Israel não tenham cessado em 2009. Durante os seis primeiros meses de 2010, o ocupante matou 34 palestinos na Faixa de Gaza (incluindo onze civis), ao passo que os três israelenses mortos eram todos militares.1 O segundo semestre de 2010 terminou com um saldo de 37 palestinos mortos (incluindo doze civis) e nenhuma vítima israelense.2 Israel acredita ter encontrado a fórmula de gestão de sua fronteira meridional, a um custo sem dúvida exorbitante para os habitantes de Gaza, mas perfeitamente aceitável para a opinião pública.
A revolução egípcia, que eclodiu em 25 de janeiro de 2011 e em dezoito dias obrigou o presidente Hosni Mubarak a renunciar, logo dissipou essa ilusão estratégica. Numa inversão de papéis, é a Faixa de Gaza que alimenta, por meio de túneis, a cidade egípcia de Rafah, isolada do mundo – isto é, do Cairo – pelos motins do Canal de Suez. Israel, que insistiu para que o tratado de paz de 1979 com o Egito proibisse qualquer implantação militar no Sinai, autorizou uma presença sem precedentes das forças armadas egípcias a leste de Suez, a fim de conter a agitação revolucionária...
No dia 11 de outubro de 2011, por meio da mediação do Cairo e do serviço de inteligência alemão (BND), Hamas e Israel conseguiram chegar a um acordo de troca de prisioneiros. A libertação do soldado Gilad Shalit, uma semana depois, foi condicionada à libertação de 1.027 presos palestinos: 477 de uma lista aprovada pelo Hamas e Israel, mais 550 soltos a critério de Israel em um prazo de dois meses. É verdade que o Hamas não conseguiu a libertação das figuras emblemáticas do Fatah – Marwan Barghouti – e da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) – Ahmed Saadat. Mas garantiu a de muitos militantes do Fatah, dos Comitês de Resistência Popular e da Jihad Islâmica. Principalmente, assegurou o retorno de dezenas de quadros e membros históricos, alguns condenados a várias penas de prisão perpétua por envolvimento em ataques contra Israel.
Foram necessários quase 2 mil dias para que Israel aceitasse as exigências básicas transmitidas pelo Hamas após a captura de Shalit. Durante cinco anos e meio, seu Exército encadeou ofensivas para quebrar ou pelo menos dobrar o Hamas. O governo de Benjamin Netanyahu, no entanto, não sofreu nenhuma consequência do fracasso dessa opção estritamente militar, já que nunca foi capaz de ameaçar o controle do Hamas sobre a Faixa de Gaza. Pelo contrário, é o movimento islâmico que mantém a intensidade do conflito no nível mais baixo, contornando o bloqueio por meio de seus túneis, estimados em seiscentos pela ONU.
 
“FIM DA DIVISÃO”

No inverno [do Hemisfério Norte] de 2011, uma militância inédita em Gaza revelou-se sincronizada com as reivindicações populares em Túnis e no Cairo. Uma manifestação de apoio à revolução egípcia foi proibida no dia 31 de janeiro de 2011. A derrubada do presidente Mubarak, em 11 de fevereiro, animou os manifestantes palestinos. O grito “O povo quer derrubar o regime” foi adaptado em Gaza para “O povo quer o fim da divisão”, colocando Hamas e Fatah lado a lado em nome dos interesses do povo palestino. No dia 14 de março de 2011, milhares de jovens manifestavam-se em favor dessa causa. No dia seguinte, eles já eram dez vezes mais numerosos, enquanto os protestos eram muito mais limitados na Cisjordânia. A manifestação degenerou, pois militantes do Hamas quiseram impor o emblema do partido aos manifestantes, que só permitiam a bandeira palestina.
Apesar desses incidentes, a dinâmica unitária preparou o terreno para uma reconciliação, pelo menos formal, entre Hamas e Fatah. A queda do regime de Mubarak, menos preocupado em mediar do que em conter o movimento islâmico, também contribuiu para isso. E o enfraquecimento da Síria de Bashar al-Assad forçou a liderança exilada do Hamas a dar mais valor às reivindicações de Gaza. Em 4 de maio de 2011, os dois dirigentes, Khaled Meshaal e Mahmoud Abbas, que não se encontravam desde a efêmera “união nacional” concluída em Meca quatro anos antes, reuniram-se no Cairo para assinar um acordo. Um quadro de cooperação entre os serviços de segurança de Ramallah e de Gaza foi aceito. O princípio do acompanhamento pela OLP das negociações com Israel foi apoiado pelo Hamas, que não se considera ligado a essas conversações, mas está disposto a aceitar suas consequências.
Depois de tanto sangue derramado e tantas oportunidades perdidas, os habitantes de Gaza lutam para acreditar que a página das batalhas de uma Palestina contra a outra foi de uma vez por todas virada. Uma real reconciliação continua sendo condição indispensável para tirar o território do limbo em que ele foi relegado desde junho de 2007. A decisão última está nas mãos de Abbas e Meshaal, que vivem respectivamente em Ramallah e no Catar (desde que saiu de Damasco), bem longe de Gaza e suas preocupações. As vinganças de milícias rivais e a duplicação de grandes burocracias3 representam um sério desafio a qualquer forma de aproximação duradoura. Mas como imaginar um futuro decente e um destino coletivo para a população de Gaza enquanto os dois principais movimentos palestinos continuarem a se destruir mutuamente?
Três gerações cresceram nessa faixa de terra moldada pela história. A geração do luto, de 1947 a 1967, preparou o caminho para a do arrasamento, de 1967 a 1987, e em seguida para a das intifadas, de 1987 a 2007. Porém ali, como em todo o resto da Palestina, o caminho para sair desse pesadelo coletivo é simples e conhecido. Ele se desdobra num tríptico virtuoso: desenclave, desenvolvimento e desmilitarização. Tal dinâmica inverteria as tendências consistentemente seguidas há duas décadas. A juventude de Gaza já demonstrou, na mobilização de março de 2011, determinação em reverter uma ordem tão sinistra. Para conjurar essa fatalidade, seria preciso retornar ao pressuposto mais promissor dos acordos de Oslo: Gaza em primeiro lugar.
Jean-Pierre Filiu
Professor na Sciences Po Paris e autor, entre outros livros, de Histoire de Gaza,  publicado pela Fayard.


Ilustração: Ibraheem Ab Mustafa / Reuters
1 Relatório semanal do Gabinete de Coordenação de Assuntos Humanitários das Nações Unidas, 2 jul. 2010.
2 Relatório semanal do Gabinete de Coordenação de Assuntos Humanitários das Nações Unidas, 7 jan. 2011.
3 O Hamas controla o salário de 31 mil funcionários na Faixa de Gaza, onde a Autoridade Palestina mantém cerca de 70 mil agentes remunerados.

terça-feira, 27 de março de 2012

Entenda a tentativa palestina de se tornar membro efetivo da ONU

Entenda a tentativa palestina de se tornar membro efetivo da ONU

da BBC

Fonte BBC
Campanha palestina tem Israel e Estados Unidos como principais opositores
Na próxima semana, durante a Assembleia Geral da ONU, Mahmoud Abbas deve pedir a inclusão da Palestina como membro-pleno das Nações Unidas.
O presidente palestino deve reivindicar o reconhecimento internacional do Estado com as fronteiras de 1967 e com Jerusalém Oriental como capital.
Israel e seu principal aliado, os Estados Unidos, se opõem veementemente ao plano.
Abaixo, um guia sobre o que pode acontecer e sobre o significado político da ação palestina.
O que pedem os palestinos?

Quem reconhece a Palestina?

Membros permanentes do Conselho de Segurança:
  • China
  • Rússia
Membros não-permanentes do Conselho de Segurança:
  • Brasil
  • África do Sul
  • Nigéria
  • Gabão
  • Líbano
  • Bósnia-Hezergovina
Membros da Assembleia-Geral da ONU:
  • 122 países
Representados pela Autoridade Palestina, os palestinos há tempos tentam estabelecer um Estado independente e soberano na Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental, ocupados por Israel desde a guerra de 1967.
No entanto, duas décadas de períodos intermitentes de negociações de paz não produziram um acordo. A última rodada de negociações foi abandonada há um ano.
No ano passado, lideranças palestinas adotaram uma nova estratégia: começaram a pedir para que países reconheçam, individualmente, um Estado Palestino com as fronteiras de 1967. Agora, eles querem que a ONU faça o mesmo. Eles pedem representatividade integral como país-membro na entidade. Atualmente, a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) tem apenas status de observador.
Isso teria implicações políticas e daria aos palestinos acesso aos tribunais internacionais onde eles poderiam, em tese, abrir processos contra a ocupação israelense de seu território.
Como é o processo?
Não se sabe ainda qual será a estratégia exata dos palestinos. No entanto, há procedimentos claros na ONU, que inicia os debates em sua Assembleia Geral em Nova York no dia 21 de setembro.
Para que a admissão de um Estado Palestino seja votada por todos os membros, os 15 integrantes do Conselho de Segurança devem aprovar a iniciativa.
O presidente palestino, Mahmoud Abbas, pode submeter um pedido ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, durante o esperado encontro bilateral de 20 de setembro.
Ban passaria o pedido ao Conselho de Segurança que estabeleceria um comitê que teria um prazo máximo de 35 dias para fazer uma recomendação.
Para aprovar a decisão, o Conselho precisa de nove votos entre 15 e que nenhum membro-permanente vete o pedido. No entanto, os EUA já deixaram claro que usariam seu poder de veto. Grã-Bretanha e França devem se abster e, até agora, não reconheceram o Estado Palestino.

Quem não reconhece a Palestina

Membros permanentes do Conselho de Segurança:
  • França
  • Grã-Bretanha
  • Estados Unidos
Membros não-permanentes do Conselho de Segurança:
  • Alemanha
  • Portugal
  • Colômbia
Membros da Assembleia-Geral da ONU:
  • 71 países
Outra opção para os palestinos seria usar um mecanismo introduzido em 1950, conhecido como Unidos pela Paz, no qual uma maioria de dois terços na Assembleia Geral pode substituir o Conselho de Segurança nesta questão, se ele falhar na tarefa de manter a paz e a segurança internacional.
Isso seria o equivalente a 129 votos se todos os 193 membros da ONU estiverem presentes. Até agora, 125 países teriam reconhecido a Palestina, mas os palestinos calculam que teriam o apoio de até 150 se escolherem este caminho.
A alternativa final é pedir para a Assembleia Geral adotar uma resolução clara. Uma votação pode acontecer dentro de um prazo de 48 horas contadas após o pedido ser submetido, mas provavelmente seria atrasado até, pelo menos, outubro, após um amplo debate.
Isso daria mais tempo para a negociação de um texto que tivesse mais apoio, especialmente de países europeus. Para sua aprovação, seria necessária uma maioria simples.
O que diria uma resolução?
Uma resolução pode pedir apoio para a admissão dos palestinos na ONU como um Estado "observador não membro", status que tem atualmente o Vaticano. Isso permitiria aos palestinos ingresso em entidades da ONU, mas não um caminho direto ao Tribunal Penal Internacional.
Há dúvidas ainda se o eventual Estado da Palestina, na condição de observador, pode representar a comunidade de refugiados da diáspora da mesma forma que faz a OLP.
O presidente Abbas pode divulgar seus planos antes do discurso na ONU( fonte BBC)

Diplomatas dizem que elementos de uma resolução da Assembleia Geral poderiam incluir o registro do número de países que reconheceram o Estado palestino nas fronteiras de 1967 e um pedido para que o Conselho de Segurança analise o tema positivamente e busque parâmetros para pressionar israelenses e palestinos a retomar as negociações.
Os palestinos podem seguir tanto o caminho do Conselho de Segurança ou da Assembleia Geral. O presidente Abbas pode divulgar seus planos antes de viajar aos EUA e desenvolvê-los durante o discurso na Assembleia, no dia 23 de setembro.
Seria uma mudança apenas simbólica ou traria mudanças concretas?
Conseguir o reconhecimento da ONU de um Estado Palestino com as fronteiras de 1967 teria um valor majoritariamente simbólico, que se somaria a resoluções prévias.
A resolução 242 do Conselho de Segurança, que se seguiu ao conflito de 1967, exigia a "retirada das Forças Armadas israelenses de territórios ocupados no recente conflito".
Embora Israel conteste o significa preciso da resolução, há ampla aceitação internacional de que as fronteiras anteriores ao conflito de 1967 devem ser a base de um acordo de paz.
"A paz só pode ser alcançada por meio de negociações. A tentativa palestina de impor um acordo não trará paz"
Binyamin Netanyahu, premiê israelense
O problema para os palestinos é que o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, não concorda com esta premissa. Em maio, quando o presidente americano, Barack Obama, pediu para que as negociações se baseassem nas linhas de 1967, Netanyahu classificou o pedido de "irreal" e "indefensável".
É improvável que o reconhecimento de um Estado Palestino pela ONU convença Israel a ceder a posse de terra ocupada. Os governos israelenses vêm insistindo ao longo dos anos que novos fatos concretos foram criados desde 1967.
Quase meio milhão de israelenses vivem em 200 assentamentos e postos na Cisjordânia e Jerusalém Oriental. Trocas de terras concordadas mutuamente foram sugeridas como forma de resolver a questão e podem ser viabilizadas apenas por meio de negociações.
Os palestinos argumentam que o reconhecimento de um Estado palestino fortaleceria seu poder de barganha nas negociações de paz com Israel. Eles dizem que o diálogo precisa ser retomado para a resolução de outros temas como segurança, água, refugiados e os discussões para a partilha de Jerusalém, que ambos os lados pretendem declarar como sua capital.
No entanto, lideranças israelenses se opõem ao reconhecimento do Estado antes destes temas, dizendo ser "colocar a carroça antes dos burros".
Para palestinos, reconhecimento fortaleceria seu poder de barganha nas negociações de paz (fonte BBC)

Por que isso acontece agora?
O principal motivo é o impasse nas negociações de paz. No entanto, palestinos também argumentam que seu plano de levar a questão à ONU segue um prazo acordado.
O Quarteto para o Oriente Médio - EUA, União Europeia, Rússia e ONU -, se comprometeu a atingir a solução de dois Estados até setembro de 2011. O premiê da Autoridade Palestina, Salam Fayyad, diz que os palestinos foram bem-sucedidos em constituir instituições estatais e estão prontos para terem seu próprio Estado.
Recentes levantes árabes parecem também ter inflamado a opinião pública palestina. Lideranças palestinas vêm pedindo para que grupos da sociedade civil realizem manifestações pacíficas para mostrar seu apoio à opção da ONU.
Por que esta é diferente de declarações prévias?
Em 1998, o líder palestino Yasser Arafat declarou unilateralmente a criação de um Estado. Ele recebeu o reconhecimento de cerca de 100 países, a maioria árabes, comunistas e países não alinhados, muitos deles da América Latina.
O reconhecimento de um Estado Palestino como país soberano pela ONU teria impacto maior por este ser o mais importante órgão de supervisão mundial, uma fonte de autoridade e leis internacionais.
Quem apoia e quem é contra as opções da ONU?
A maioria dos palestinos apoia a opção, segundo pesquisas recentes, embora exista menos entusiasmo por parte do Hamas, grupo islâmico que controla Gaza e rivaliza com o secular Fatah de Abbas.
Líderes do Hamas disseram recentemente, após um acordo de reconciliação entre as duas facções, que há consenso entre os palestinos sobre um Estado usando as fronteiras de 1967, embora eles sigam se recusando a reconhecer formalmente Israel.
Alguns políticos importantes do Hamas declararam ser contra tentar a alternativa da ONU, classificando-a de "farsa política".
Palestinos protestam contra ocupação israelense próximo a Ramallah(Fonte BBC)

Os 22 membros da Liga Árabe manifestaram apoio à iniciativa.
A oposição mais forte vem de Israel. "A paz só pode ser alcançada por meio de negociações. A tentativa palestina de impor um acordo não trará paz", disse Netanyahu durante audiência conjunta ao Congresso americano em maio.
Integrantes do governo israelense também argumentam que o reconhecimento da ONU pode estagnar permanentemente o processo de paz e alerta para um possível aumento das tensões e até violência.
Colonos em assentamentos judaicos na Cisjordânia vêm recebendo treinamento militar em preparação para este cenário.
Os EUA se juntaram aos israelenses em pedir com veemência para que os palestinos voltem para a mesa de negociações - que foram paralisadas por causa do tema dos assentamentos - desistindo de ir diretamente para a ONU.
Em seu recente discurso sobre o Oriente Médio, Obama classificou a iniciativa palestina como "um ato simbólico para isolar Israel na ONU". A Casa Branca mandou dois enviados para a região no início de setembro para tentar persuadir os palestinos a mudar de idéia, sem sucesso.
Apenas nove de 27 países da União Europeia formalmente reconheceram um Estado Palestino até agora. No entanto, algumas das mais importantes nações parecem tender cada vez mais a favor da ideia.
O principal motivo disso é a decepção com o governo Netanyahu sobre as negociações de paz. Grã-Bretanha, França e Alemanha devem apoiar uma resolução da Assembleia Geral se ela incluir uma cláusula citando a volta das negociações.
No início de dezembro do ano passado, ainda sob o governo Lula, o Brasil reconheceu o Estado palestino nas fronteiras existentes em 1967.
Nas próximas semanas, delegações palestinas e israelenses vão embarcar em um esforço diplomático para convencer demais países de seus pontos de vista.