quinta-feira, 3 de maio de 2012

O fim da era Lula na economia

O fim da era Lula na economia

Autor(es): Tony Volpon
Valor Econômico - 03/05/2012
 

Acabou a mais recente "época de ouro" da economia brasileira? Depois de dez anos de desempenho surpreendente, há hoje muitas dúvidas sobre as perspectivas para os próximos anos. O governo certamente não concordaria com qualquer avaliação mais pessimista, mas o recente frenesi de medidas mostra que os ocupantes de Brasília estão preocupados.
A preocupação com o crescimento não é novidade. Desde agosto do ano passado o Banco Central (BC) tem proporcionado estímulo monetário; e a, na época, muita criticada decisão de iniciar um ciclo de cortes de juros agora parece acertada.
A estratégia adotada naquele momento foi bastante ortodoxa, enfatizando o afrouxamento monetário com política fiscal austera. Mas, recentemente, temos assistido a uma quase avalanche de medidas pontuais, direcionadas aos dois setores que mais preocupam: indústria e o mercado de crédito. O governo parece finalmente entender que o Brasil enfrenta fatores estruturais e domésticos que impedem um crescimento mais vigoroso. Que esses se manifestarão e foram potencializadas durante uma severa crise internacional não deveria ser nenhuma surpresa: deficiências estruturais sempre ficam mais evidentes em momentos de piora conjuntural.
Novo paradigma de crescimento tem que mudar a relação investimento, consumo e poupança
Os problemas da indústria têm sido explicados basicamente pela valorização contínua do real nesses últimos anos, mas essa é uma explicação parcial. Comparando os períodos pré e pós-crise, vemos que antes da crise, e apesar da forte valorização cambial, a indústria estava em franca expansão e investindo pesadamente. Depois da crise a história é outra, com fraco desempenho, baixos investimentos e queda de produtividade. A razão para esse desempenho distinto se encontra não nos movimentos do dólar, mas sim em dois fatores do período pós-crise.
Primeiro, enfrentando um mundo com baixo crescimento, as grandes potências industriais hoje varrem o globo procurando onde vender e acharam um mercado convidativo no Brasil. Isso na verdade não tem nada a ver com o mercado cambial, sendo um ajuste esperado nos competitivos mercados de bens internacionalmente transacionáveis.
O segundo fator que tem debilitado a nossa indústria tem sido o aumento contínuo no custo da mão de obra. De fato percebemos que o aumento do custo unitário de trabalho acelerou no período pós-crise. Forçado a contratar em um mercado de trabalho apertado pela demanda do setor de serviços e políticas salariais expansionistas, a indústria perdeu a corrida entre aumento de custos e produtividade. Mais do que uma "guerra cambial", o Brasil enfrenta e perde uma "guerra laboral".
Encarando a fortíssima concorrência de um lado e o aumento da folha de pagamento do outro, a indústria vê suas perspectivas piorarem e, por instinto de sobrevivência, corta custos, incluindo investimentos. Isso coloca a indústria em um círculo vicioso e autodestrutivo dado o impacto que isso tem sobre sua produtividade.
Igualmente preocupante é a dinâmica no mercado de crédito. Aqui o problema é claro: o ainda altíssimo custo na ponta do tomador. Depois de cair por muito tempo, o custo do crédito ao consumidor tem ficado relativamente estável desde 2009. É verdade que o sistema enfrenta o aumento da inadimplência nesse momento. Apesar das condições favoráveis do mercado de trabalho, o consumidor chegou ao limite prudente de endividamento. Empurrar mais crédito goela abaixo da pessoa física não vai resolver nada.
A questão da indústria e do mercado de crédito mostra que o que podemos chamar de "modelo Lula" de crescimento chegou a sua exaustão. Esse modelo procurou acelerar e multiplicar os ganhos de riqueza que começaram dez anos atrás com a forte alta de preço das nossas exportações devido ao crescimento espetacular da China. Os mecanismos foram privilegiar ganhos salariais e o aumento do crédito, assim expandindo a renda e o consumo. Por muitos anos o modelo teve sucesso exemplar, mas fica evidente que nos próximos anos os resultados não serão os mesmos.
Das medidas anunciadas até agora pelo governo algumas, como desoneração da folha, vão na direção certa, e outras, de cunho protecionista, na direção errada. Mas o seu conjunto, e nisso incluímos a queda na taxa de juros e a alta do dólar pela atuação do BC, nos parece insuficiente para mudar a dinâmica estrutural negativa que enfrentamos. Elas podem somente se justificar como uma ponte para mudanças mais profundas, porque o que precisamos é efetivamente um novo modelo.
O que poderia ser um novo modelo? Acreditamos que qualquer novo paradigma de crescimento tem que mudar de forma significativa a relação investimento-consumo-poupança. Basicamente continuamos a investir e poupar pouco e consumir muito, e há sim uma escolha a ser feita nessa relação: nem todo o consumo "puxa" investimento e poupança.
Para tal nossa política econômica tem que caminhar em duas direções novas. Primeiro temos que parar de querer sempre redobrar a aposta que mais consumo resolve tudo. Também temos que parar de confundir crédito com poupança. A falência do modelo atual reside essencialmente na triste verdade que uma ênfase exagerada em aumentar a demanda pode destruir a oferta. Menos consumo e mais produtividade deve ser o novo mantra.
Segundo, temos que identificar novas fontes de poupança doméstica. Está mais do que claro que a estrutura do nosso Estado de bem-estar social milita contra a formação de poupança doméstica. Devemos, politicamente, debater até que ponto vale a pena a troca entre crescimento e segurança social. Mas devemos também perceber que ainda existe dentro da economia um agente que poderia contribuir com mais poupança: o próprio Estado. Diminuído seu consumo e assim liberando recursos para investimentos públicos e privados, o Estado poderia dar forte contribuição para levar a economia a um novo equilíbrio. Tal mudança pode, a nosso ver, ser feita sem comprometer os avanços sociais desses últimos anos. Basta nossos governantes terem vontade e visão política para tal.
Tony Volpon é diretor do Nomura Securities International, Inc.

STF devolve a índios reserva no Sul da Bahia

STF devolve a índios reserva no Sul da Bahia

STF anula títulos de propriedade em área indígena
Autor(es): agência o globo:Carolina Brígido
O Globo - 03/05/2012
 
Com a decisão, por sete votos a um, só pataxós estão autorizados a habitar reserva; existem no local 186 terrenos

BRASÍLIA. Por sete votos a um, o Supremo Tribunal Federal anulou 186 títulos de propriedades privadas localizadas na reserva indígena Caramuru-Catarina Paraguassu, sul da Bahia. Com a decisão, só os índios pataxós ficam autorizados a habitar o local. A reserva, de 54 mil hectares, tem vivido conflitos violentos. Neste ano, os índios invadiram fazendas na reserva e, em represália, foram feridos pelos fazendeiros. O STF não detalhou como os não índios serão retirados e se eles serão indenizados por benfeitorias. Essa responsabilidade foi transferida ao governo federal.
O julgamento começou em setembro de 2008. Na época, o relator, ministro Eros Grau, hoje aposentado, defendeu anulação de títulos a não índios. Há no local 186 terrenos, sendo 143 titulados. Pedido de vista de Menezes Direito interrompeu a votação. Após Direito falecer, o sucessor, Dias Toffoli, estava impedido por ter atuado no caso como advogado da União. Os autos foram para a ministra Cármen Lúcia.
Ontem, Cármen Lúcia votou a favor dos índios. Concordaram com ela Rosa Weber, Joaquim Barbosa, Cezar Peluso, Celso de Mello e Ayres Britto. Só Marco Aurélio Mello votou pela manutenção dos títulos. Gilmar Mendes também estava impedido; atuou no caso como advogado da União. Ricardo Lewandowski não estava na sessão.
A ação foi ajuizada no STF pela Funai em 1982. Foi pedida anulação de títulos emitidos pelo governo da Bahia em nome de 396 pessoas, pois os terrenos estão na reserva. Laudos atestaram, porém, que só há na reserva 186 propriedades com não índios, sendo 143 tituladas. O STF anulou esses 186 títulos, e nada declarou quanto aos outros 210 terrenos. Ou seja: eles ainda podem ter validade contestada.
Nas semanas anteriores, índios invadiram dezenas de fazendas na reserva e arredores. Em 20 de abril, um pataxó teve a perna baleada numa das fazendas invadidas, na cidade de Pau Brasil. Os índios acusam fazendeiros da região de terem contratado pistoleiros para expulsá-los.

Produção industrial brasileira cai 0,5% em março, diz IBGE

Produção industrial brasileira cai 0,5% em março, diz IBGE

03/05/2012 
 
Paulo Virgilio
Repórter da Agência Brasil

  A produção industrial brasileira voltou a cair em março, com uma redução de 0,5% em relação a fevereiro, de acordo com os números divulgados hoje (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em relação a março de 2011, a queda foi de 2,1%, o que configura o sétimo resultado negativo consecutivo nesse tipo de comparação. Embora tenha registrado uma expansão de 1,3% em fevereiro, o setor industrial já acumula em 2012 uma queda de 3%.
De acordo com o IBGE, a produção industrial apresentou recuo em março, em 18 dos 27 ramos pesquisados, com destaque para equipamentos de instrumentação médico-hospitalar, ópticos e outros (-10,1%); material eletrônico, aparelhos e equipamentos de comunicações (-6,9%); edição, impressão e reprodução de gravações (-7,1%) e refino de petróleo e produção de álcool (-3,6%). Com exceção de material eletrônico, esses ramos tinham registrado resultados positivos em fevereiro.
Entre as nove atividades que tiveram crescimento na produção em março, a que exerceu maior influência sobre o total da indústria foi a de veículos automotores, com uma alta de 11,5%. O ramo, que em janeiro tinha registrado uma queda de 31,2%, já acumula dois meses consecutivos de resultados positivos, com uma expansão de 26,2%.
No entanto, no confronto com março de 2011, é o ramo de produção de veículos automotores o que mais influiu negativamente no resultado médio da indústria, com um recuo de 7,5%. Outras contribuições negativas para a queda de 2,1% em relação a março do ano passado vieram dos segmentos material eletrônico, aparelhos e equipamentos de comunicações (-18,4%); máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-10,8%); produtos de metal (-9,8%) e metalurgia básica (-6,5%).
Na comparação março a março, onze ramos registraram taxas positivas, com destaque para equipamentos de transporte (11,3%), bebidas (6,8%) e outros produtos químicos (2,9%).
 

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Dicas para a prova de Atualidades da Polícia Federal/2012

Dicas para a prova de Atualidades da PF/2012 Cespe/Unb


Questão das Malvinas

Retomada da discussão da posse territorial britânica (1833) e do conflito de 1982 (30 anos)

Falklands é um Território Ultramarino britânico

Argentina reivindica soberania do território com apoio do Brasil e da Venezuela

Argentina pede arbitramento da ONU acusando a Inglaterra de militarização do Atlântico Sul

Exploração petrolífera/Importante rota comercial entre o Oceano Pacífico e o Atlântico

Cristina Kirchner (Arg) X David Cameron (Ing) exacerbação do nacionalismo frente à questão (populismo)


"Onda de Nacionalização"  de empresas estrangeiras na América Latina

Uma  onda de nacionalizações que vem se expandindo pela América Latina há mais de dez anos. Na Venezuela, além do setor petrolífero, foram estatizadas desde empresas dos setores elétrico e de telecomunicações até redes de distribuição de bens de consumo. Na Bolívia, entre as primeiras decisões tomadas por Evo Morales ao assumir o poder, em 2006, estiveram a estatização das indústrias de petróleo e gás e a expulsão da empresa privada que havia administrado a rede de aquedutos em La Paz. Há alguns anos, o Equador também estatizou algumas empresas petrolíferas e meios de comunicação.


 Esse ciclo de nacionalizações tem como pano de fundo uma fase de alta nos preços dos recursos naturais. A principal motivação para tomar o controle das empresas de petróleo e gás e de minérios é apropriar-se da renda.


 De acordo com estudo do Banco Mundial, os altos preços parecem ter influência muito maior nas decisões de estatizações do que outros fatores políticos ou econômicos. É um ponto importante, pois indica que as nacionalizações e privatizações não são resultado mecânico de um pêndulo ideológico. É possível que os preços dos produtos básicos sejam parte da engrenagem que coloca em movimento o pêndulo ideológico, porque os contratos entre governos e empresas privadas para a exploração de recursos naturais são estabelecidos de forma que os aumentos de preços tendam a ser apropriados em sua maior parte pelas empresas, não pelos governos.


 Alguns Casos

Bolívia (2006) - Petrobrás/Total/ExOil   pela YPFB  (petróleo e Gás natural)

Venezuela (2007) - CANTV (telefonia) ; Eletrecidad (eletrecidade); Exxon ( petróleo) pela PDVSA

Equador (2010) - Petrobrás

Argentina ( 2012) - YPF (petróleo)

Bolívia (2012) - REI (energia elétrica)


Atenção ao conceito de "Revolução Bolivariana" e de "Socialismo do Século XXI"!!!!


Modelo Chavista: nacionalização de setores estratégicos (energia e telecomunicações)


Bolívia nacionaliza empresa espanhola de energia

Bolívia nacionaliza empresa espanhola de energia


Em La Paz, sindicalistas fazem protesto contra o governo com boneco de Evo Morales, que foi queimado. Foto: Aizar Raldes / AFP
Em La Paz, sindicalistas fazem protesto contra o governo com boneco de Evo Morales, que foi queimado. Foto: Aizar Raldes / AFP
 Publicado em Carta Capital

O presidente da Bolívia, Evo Morales, completou a nacionalização do setor elétrico boliviano. Depois de expropriar quatro geradoras de energia elétrica em 2010, Evo confirmou nesta terça-feira a tomada das ações da Red Eléctrica Internacional (REI) na Transportadora de Electricidad (TDE), responsável por 74% das linhas de transmissão de energia da Bolívia. A REI é subsidiária da espanhola Red Eléctrica de España (REE), a operadora do sistema elétrico da Espanha. A REE é a segunda empresa espanhola atingida por nacionalizações na América do Sul em 15 dias – no começo do mês, o governo da Argentina assumiu o controle da petrolífera YPF.
A nacionalização da TDE seguiu o roteiro de outras nacionalizações que Evo promoveu durante seu mandato. Como fez em 2006 com empresas de hidrocarbonetos (incluindo a Petrobras), em 2009 com a italiana de telefonia ETI e em 2010 com quatro geradoras de energia elétrica, Evo escolheu o 1º de maio para fazer o anúncio. Foi à televisão e disse que agia “em nome do povo boliviano”. “[A nacionalização] é uma justa homenagem aos trabalhadores que lutaram pela recuperação dos recursos naturais e dos serviços básicos”, afirmou Evo de acordo com o jornal Los Tiempos. Momentos depois, emissoras de tevê bolivianas mostraram militares e policiais entrando nos escritórios da empresa espanhola na cidade de Cochabamba. Segundo Evo, as ações da REI na transportadora passarão para a boliviana Empresa Nacional de Electricidad (Ende), que deverá iniciar negociações com a REE sobre a indenização a ser paga. Cerca de 99,94% do capital da TDE estavam nas mãos da REI e 0,06% pertencia aos trabalhadores da empresa.

 Oficialmente, a justificativa para a nacionalização é a falta de investimentos da empresa espanhola. Segundo o governo boliviano, a TDE recebeu, desde 1997, quando foi privatizada, apenas 81 milhões de dólares de investimento. A ministra das Comunicações da Bolívia, Amanda Davila, confirmou esta versão ao site da Bloomberg. “Energia é um setor estratégico que deve estar sujeito ao controle do governo”, disse Davila. “Os investimentos da Red Elétrica era excessivamente baixos”, disse. Vale notar, entretanto, que a nacionalização se dá em um momento no qual o governo Evo Morales enfrenta protestos de sindicatos e poderia estar tentando fazer um chamado ao nacionalismo. Os trabalhadores exigem um incremento salarial superior aos 8% oferecidos pelo governo e, nesta terça-feira, realizaram manifestações em diversas cidades pedindo melhores condições. Morales afirmou, em discurso também nesta terça, que um aumento maior era impossível pois “é preciso cuidar da economia do país”.


A Bolívia, um país rico em recursos naturais e com uma população de apenas 10 milhões de pessoas, sofre por ter uma economia fraca e grande desigualdade social. Um levantamento publicado pelo jornal boliviano El Diario afirma que apenas 17,1% dos empregados bolivianos possuem uma ocupação “plena e adequada”. Outros 24% têm um trabalho “moderadamente precário” e 58% trabalham em funções “extremamente informais”.

*Com informações da AFP



Equador aceita indenizar Petrobras

Equador aceita indenizar Petrobras

Equador concordou em indenizar Petrobras em US$ 217 milhões
Autor(es): agência o globo:medidas extremas
O Globo - 02/05/2012
 
Petrolífera deixou o país em 2010 após tentativa de Correa de mudar contrato

QUITO. O Equador concordou, na última segunda-feira, em pagar US$ 217 milhões à Petrobras pelos ativos que a companhia estatal brasileira desenvolveu quando operou um dos maiores blocos petrolíferos do país andino. A Petrobras abandonou o Equador em 2010 devido a um desentendimento com o presidente equatoriano, Rafael Correa, nas negociações para mudar o contrato de participação de prestação de serviços. Diante do impasse, a petrolífera brasileira decidiu encerrar sua operação no bloco 18 na floresta equatoriana.
Desde esta época, o governo equatoriano vinha negociando com a petrolífera o montante da liquidação que lhe correspondia, em meio a ameaças da Petrobras de entrar com um processo contra o Estado equatoriano.
Campo passou para as mãos da Petroamazonas
O ministro de Recursos Naturais Não Renováveis do Equador, Wilson Pástor, afirmou durante assinatura de acordos para exploração de três campos para a produção de 15 mil barris diários, que o acordo pode ser concretizado ainda este mês.
- Chegamos a um acordo sobre o montante e a forma de pagamento com a Petrobras que poderá se concretizar nas próximas semanas. Estamos falando de um total de US$ 217 milhões a ser pago em duas quotas anuais - acrescentou o ministro, ao indicar que ainda falta acertar detalhes tributários que não alterariam o acordo entre as partes.
Durante a negociação, o governo equatoriano ofereceu um montante menor à petrolífera brasileira por seus ativos no país. O campo que era operado pela Petrobras passou para as mãos da estatal Petroamazonas.
Com a renegociação dos contratos, há dois anos, o Equador conseguiu aumentar sua renda petrolífera, garantir investimentos das empresas privadas e aumentar a produção, segundo autoridades locais.

BOLÍVIA ESTATIZA GIGANTE DE ENERGIA DA ESPANHA

BOLÍVIA ESTATIZA GIGANTE DE ENERGIA DA ESPANHA

ONDA NACIONALIZANTE
Autor(es): agência o globo:Janaína Figueiredo e Priscila Guilayn
O Globo - 02/05/2012
 
Após YPF na Argentina, Bolívia expropria grupo espanhol de energia no Dia do Trabalho

Na esteira da expropriação de 51% da Repsol-YPF anunciada há pouco mais de duas semanas pelo governo argentino, o presidente da Bolívia, Evo Morales, aproveitou as comemorações do 1 de Maio, como fez várias vezes em anos anteriores, para anunciar a nacionalização 99,94% das ações que a Rede Elétrica Espanhola (REE) possui da Transportadora de Electricidade (TDE). A empresa recuperada por decreto pelo Estado boliviano atende 85% do mercado nacional e possui 73% das linhas de transmissão do país. A decisão ganhou destaque nos jornais espanhóis "El País", "El Mundo", "La Razón", "La Gaceta" e "ABC", que a classificou como "um novo golpe sobre uma empresa espanhola" na América Latina. A imprensa espanhola destacou, como truculenta, a decisão de Morales de determinar a ocupação da empresa pelas Forças Armadas.
A notícia pegou de surpresa o governo do conservador Mariano Rajoy, ainda atordoado pela nacionalização da YPF, e em pleno feriadão, já que ao Dia do Trabalho se une, hoje, o Dia da Comunidade Autônoma de Madri. Diferentemente da expropriação por Buenos Aires há duas semanas da YPF, subsidiária argentina da espanhola Repsol, a medida de Morales não era esperada por Madri. As expectativas são que o Executivo espanhol se pronuncie a qualquer momento por meio do ministro de Assuntos Exteriores, José Manuel García-Margallo, que, ontem, falou com seu colega boliviano. Desde que desembarcou no Palácio Quemado, em janeiro de 2006, o presidente boliviano já expropriou mais de 20 empresas que foram privatizadas em governos anteriores nos setores de hidrocarbonetos, energia elétrica, telecomunicações e mineração.
Morales elogia Repsol na Bolívia
- Como justa homenagem aos trabalhadores e ao povo boliviano que lutou pela recuperação dos recursos naturais e dos serviços básicos, nacionalizamos a Transportadora de Eletricidade - disse Morales, em ato para comemorar o Dia do Trabalho.
Horas depois, Morales inaugurou a segunda unidade processadora de gás de Campo Margarita, da Repsol, no Sul do país. Também participou do evento o diretor-executivo da companhia, Antonio Brufau, um dos grandes protagonistas da disputa entre a empresa e o governo da presidente argentina, Cristina Kirchner. A obra visitada por ambos permitirá um aumento das exportações de gás para a Argentina. Desde que sua colega argentina ordenou a intervenção da YPF e enviou ao Congresso o projeto de expropriação dos 51% que pertenciam à Repsol, Morales, que sabia que se encontraria com Brufau em maio, evitou elogiar a medida:
- É entre Argentina e Espanha.
Enquanto Cristina e seus funcionários, entre eles o vice-ministro da Economia, Axel Kicillof - que referiu-se aos espanhóis como palhaços, estúpidos e panacas -, acusavam a Repsol de ter provocado o "esvaziamento" da YPF, Morales assegurava ter "uma relação de muita confiança com a Repsol", acrescentando que a "Repsol, como empresa, respeita todas as normas bolivianas e os investimentos que a Repsol está fazendo vão bem". De fato, depois da nacionalização dos hidrocarbonetos bolivianos em 2006 e após árduas negociações, dez companhias petroleiras estrangeiras, entre elas a Repsol (que controlava 27% das reservas de gás bolivianas), chegaram a entendimentos com o governo Morales sobre as novas condições para operar na Bolívia. Justamente por causa da inauguração, fontes do governo espanhol disseram ao jornal "El Mundo" que o caso da YPF e REE não são comparáveis e que o que ocorreu na Bolívia "não é um ataque à Espanha".
Com respeito à REE, Morales não poupou críticas à falta de investimentos da empresa que, segundo o Palácio Quemado, injetou apenas US$ 81 milhões no país nos últimos 16 anos. Como fez em outros casos, entre eles a nacionalização dos ativos da Petrobras, o presidente boliviano pediu ao comandante das Forças Armadas, general Tito Gandarillas, que assumisse ontem mesmo o controle das instalações da empresa renacionalizada.
O principal acionista da REE é o próprio Estado espanhol, com 20% do capital, e o resto está dividido na Bolsa. A REE faturou, em 2011, através da Rede Elétrica Internacional, 45,7 milhões (17% mais do que em 2010), o que representa apenas 2,9% do rendimento total da empresa, dos quais só 1,5% provém de seus negócios na Bolívia.

Espanha classifica como negativa decisão da Bolívia de expropriar empresa e cobra indenização

Espanha classifica como negativa decisão da Bolívia de expropriar empresa e cobra indenização

02/05/2012 
 
Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil

O ministro da Economia espanhol, Luis de Guindos, classificou hoje (2) como “negativa” a decisão da Bolívia de nacionalizar a empresa Red Elétrica Internacional (SAU), administrada pela  Rede Elétrica Espanhola (REE). De acordo com Guindos, o governo do presidente da Bolívia, Evo Morales, vai compensar a empresa espanhola de forma adequada.
“O que a Bolívia nos garantiu é que vai compensar a empresa pelos custos investidos na rede de eletricidade, algo que o governo espanhol vigiará”, disse Guindos, acrescentando que é necessário garantir um pagamento  justo.
“Não gostamos desse tipo de decisão porque acreditamos que é fundamental manter a segurança jurídica no processo de investimento em países como a Bolívia”.
O comando da REE enviou hoje comunicado à Comissão Nacional de Mercado de Valores (CNMV) informando que espera conhecer os detalhes do procedimento de nacionalização da sua filial na Bolívia, assim como a fixação do preço da participação.
De acordo com a empresa, o impacto da nacionalização é mínimo nas suas contas, pois a filial boliviana (Transportadora de Eletricidade-TDE), da qual detém 100% do capital, representa apenas 1,5% do volume de negócios do grupo.
Morales anunciou ontem a nacionalização das ações da Rede Elétrica Espanhola na Red Elétrica Internacional (SAU)  e ordenou às Forças Armadas que assumam o controle das instalações da empresa. A decisão ocorreu duas semanas depois de a Argentina expropriar a petrolífera YPF, administrada pela espanhola Repsol.

*Com informações da agência pública de notícias de Portugal, Lusa//Edição: Graça Adjuto

Governo autoriza envio da Força Nacional para reforçar segurança em área de conflito na Bahia

Governo autoriza envio da Força Nacional para reforçar segurança em área de conflito na Bahia

02/05/2012 -

Da Agência Brasil

Brasília – Homens da Força Nacional de Segurança Pública serão enviados para a Bahia com o intuito de dar suporte à Polícia Federal nos conflitos envolvendo populações indígenas. O envio de reforço policial foi autorizado por meio de portaria publicada hoje (2) no Diário Oficial da União.
Desde janeiro, índios e fazendeiros disputam terras nos municípios de Pau Brasil, Itaju do Colônia e Camacan. Os índios pataxó reivindicam a homologação de 54 mil hectares como terra indígena.
A Força Nacional de Segurança deverá ficar no estado por 90 dias.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Protestos contra crise dominam comemorações no Dia do Trabalho no mundo

Protestos contra crise dominam comemorações no Dia do Trabalho no mundo

01/05/2012 
 
Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil

As comemorações do Dia do Trabalho (1º) estão sendo marcadas por protestos em várias cidades do mundo contra as medidas de combate à crise econômica internacional. Na França, a cinco dias do segundo turno das eleições presidenciais, a campanha política domina as comemorações. Na Grécia, as celebrações do 1° de Maio coincidem com uma paralisação geral que conta com a participação de funcionários públicos e privados de vários setores.
Só na França, as entidades sindicais programaram 280 protestos em várias cidades do país, além de Paris. Os sindicatos franceses prometem que não haverá mensagens políticas durante os protestos.
As comemorações do Dia do Trabalho deste ano ocorrem no momento em que vários governos tentam adotar pacotes de austeridade, que atingem boa parte da população. Os trabalhadores da Espanha, de Portugal, da Grécia e da Irlanda temem o aumento do desemprego e perdas de benefícios sociais.
Há protestos organizados ao longo do dia na Espanha, em Portugal e na Grécia - países que vivem uma grave crise fiscal e que tentam implementar pacotes de austeridade. Os espanhóis prometem manifestações em 60 cidades. Em Atenas, capital grega, o protesto popular foi convocado por entidades sindicais ligadas aos trabalhadores em greve.
Ônibus, trens e metrôs da capital grega não funcionarão hoje, enquanto os trabalhadores de barcas e navios da Grécia, fundamentais para o turismo do país, cruzam os braços por quatro horas. Profissionais da área de saúde pretendem trabalham com o mínimo de suas equipes nos hospitais públicos e privados. Na Grécia, os protestos ocorrem a cinco dias das eleições.
Na Rússia, o presidente eleito, Vladimir Putin, e o atual presidente, Dmitri Medvedev, participaram de um ato público em comemoração ao Dia do Trabalho. Em uma semana, Putin assume o governo em meio a controvérsias envolvendo sua eleição, sob suspeitas de irregularidades.
Em Havana, capital de Cuba, a celebração do Dia do Trabalho é uma das mais importantes do ano para o governo comunista. Em Istambul, na Turquia, manifestantes, representando diferentes tendências políticas, também foram às ruas. Segundo autoridades do país, 20 mil policiais foram mobilizados para garantir a segurança na Praça Taksim, a mais importante da cidade.
Até 2010, protestos na Turquia eram proibidos. Na Praça Taksim, em 1° de maio de 1977, houve mortes e feridos durante um protesto considerado ilegal, que descambou para um confronto entre manifestantes e policiais.
Em Jacarta, na Indonésia, cerca de 9 mil manifestantes foram às ruas reivindicar aumento de salários. A Indonésia é o quarto país mais populoso do mundo, registrando uma das maiores taxas de crescimento econômico do planeta, mas metade da população ainda vive abaixo da linha da pobreza. Passeatas também foram registradas no Timor Leste, nas Filipinas e em Hong Kong.

*Com informações da RFI, emissora pública de rádio da França
Edição: Vinicius Doria