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quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

AÇÃO DA PETROBRAS SOFRE MAIOR QUEDA DESDE 2008

AÇÃO DA PETROBRAS SOFRE MAIOR QUEDA DESDE 2008

PETROBRAS DESABA 10,37%
O Globo - 03/12/2013
 
Queda é a maior em 5 anos e empresa perde R$ 24 bi. Para governo, houve ataque especulativo
João Sorima Neto, Bruno Villas Bôas, Danilo Fariello, Ronaldo D"Ercole e Lucianne Carneiro
O reajuste de gasolina e diesel abaixo do esperado e as incertezas quanto à política de preços da Petrobras foram mal recebidos pelo mercado financeiro. As ações da estatal tiveram a maior queda diária desde 12 de novembro de 2008, auge da crise econômica internacional. Os papéis ordinários (com voto) desabaram 10,37%, a R$ 16,42, a maior baixa do pregão. As ações preferenciais recuaram 9,20%, a R$ 17,36, a segunda maior desvalorização. Em apenas um dia, a Petrobras perdeu R$ 24 bilhões em valor de mercado, o que a fez cair duas posições no ranking de maiores petroleiras da Bloomberg, superada pela russa Gazprome pela China Petroleum. O desempenho da petrolífera levou a Bovespa ao menor patamar em três meses, com queda de 2,36%, aos 51.244 pontos.
Em Nova York, os recibos de ações de papéis ordinários da petrolífera (as ADRs) caíram 10,92%, a US$ 14,20, na maior queda desde de dezembro de 2008. Na avaliação do governo, a Petrobras passou o dia de ontem sob ataque especulativo, com analistas traçando o pior cenário possível para a empresa. Fontes do governo reconhecem, no entanto, que o comunicado sobre a política de preços não foi claro. Nos bastidores, chegou-se a discutir até mesmo a divulgação de um novo fato relevante, mais enfático sobre a metodologia, mesmo sem a existência de gatilhos automáticos. A hipótese foi descartada.
Em vez disso, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, presidente do Conselho de Administração da Petrobras, saiu em defesa da metodologia, o que não conteve a queda das ações. De acordo com Mantega, de novembro de 2011 até agora, os preços de gasolina e diesel foram reajustados em cerca de 30%, enquanto a inflação acumulou alta de 15%. Em evento com empresários, em São Paulo, ele lembrou que o governo usou a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), que incidia sobre os combustíveis, para que parte do aumento não chegasse às bombas. Dessa vez, o ministro calcula que o impacto para o consumidor seja de até 2,5% nos postos.
— O problema é que a inflação não pode ficar em segundo plano — disse Mantega, após ouvir críticas de dirigentes do setor sucroalcooleiro sobre o impacto negativo das intervenções para a competitividade do etanol, como o presidente da Cosan, Rubens Ometto Silveira Mello, que classificou os subsídios como "maléficos" para a economia e para a Petrobras.
Mantega acenou com a hipótese de retornar com a cobrança da Cide, mas somente quando a inflação permitir. Perguntado sobre a queda das ações da estatal, Mantega desconversou:
— Não vi o mercado hoje, as ações de empresas flutuam e não tenho nada a comentar sobre isso.
IMPACTO NO LUCRO E BALANÇO FRÁGIL
Na avaliação de fontes do governo, a concessão de um novo reajuste no preço dos combustíveis, no início de 2014, mostraria ao mercado que é real a meta de "alcançar, em prazo compatível, a convergência dos preços no Brasil com as referências internacionais" Segundo um interlocutor, há um reconhecimento que o aumento anunciado na sexta-feira não elimina, integralmente, a defasagem de preços. Além disso, no próximo ano, com o impacto na inflação partindo do zero haverá uma margem maior para novo reajuste, como ocorreu em janeiro deste ano.
Para analistas de mercado, no entanto, a queda de braço entre Mantega e a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, travada desde o fim de outubro — quando a estatal apresentou sua proposta de reajuste automático — trouxe mais incerteza para a companhia. Ontem, após um período de suposto afastamento, Graça e a presidente Dilma Rousseff se abraçaram durante assinatura do contrato para exploração da área de libra, no pré-sal.
— Foram duas pancadas na empresa: um reajuste menor que o previsto e a antecipação do modelo que, na verdade, não mudou nada do que já tínhamos. Ficou a impressão que a Petrobras tentou forçar um modelo que queria, ao divulgar o reajuste automático, e que o governo veio com um "espera lá, quem manda sou eu" — afirma Marcelo Varejão, analista da Socopa Corretora.
Em relatório, o Credit Suisse rebaixou a recomendação para os papéis da empresa para underperform (abaixo da média do mercado). "Aumentos tímidos nos preços e uma metodologia de precificação opaca deterioram a percepção sobre a governança corporativa, enfraquecem a posição de uma equipe de gestão forte e técnica, têm um significativo impacto nos lucros e deixam o balanço financeiro extremamente frágil em meio a um 2014 cheio de incertezas" escreveram os analistas Vinicius Canheu e Andre Sobreira.
— Esse controle oficial de preços não faz sentido, subsidiar a gasolina não tem sentido. O governo precisa ter coragem de resolver e não é a conta-gotas — disse Carlos Langoni, diretor do Centro de Economia Mundial da Fundação Getúlio Vargas e ex-presidente do Banco Central, em seminário no Rio.
Para Marcus Sequeira, analista do Deutsche Bank, com a rejeição do governo à proposta da Petrobras para a política de preços, "a produção doméstica de petróleo deve ser agora o principal fator para o comportamento das ações nos próximos meses".
A queda das ações ordinárias se intensificou na fase final do pregão. Segundo a BM&FBovespa, os papéis não entraram em leilão (prática comum para estabilizar o preço quando uma ação desaba). A ação atingiu a mínima do dia quando a Bolsa já estava no chamado "call de fechamento".
EFEITO SOBRE A AVALIAÇÃO DA EMPRESA
A polêmica em tomo da política de preços trouxe de volta discussões sobre o rating (nota de crédito) da Petrobras. A perspectiva da nota da estatal está negativa na avaliação da agência de classificação de risco Standard & Poor"s (S&P), que a classifica como grau de investimento. A nota da estatal acompanha a avaliação dos títulos soberanos do Brasil, que estão em perspectiva negativa desde junho. Os títulos de longo prazo da Petrobras em moeda estrangeira na agência são classificados como "BBB" o mesmo do Brasil, degrau considerado grau de investimento.
A presidente da S&P, Regina Nunes, afirmou ontem que a empresa teria apresentado um desempenho melhor sem a interferência do governo nos preços dos combustíveis. Mas ponderou que a estatal também tem benefícios por ter o governo como controlador, como o apoio a seu programa de investimentos.
— Claramente a Petrobras teria uma maior margem se tivesse repassado os preços, mas por outro lado ela tem uma série de apoios do governo para fazer seus investimentos — resumiu.
No mercado de câmbio, o dólar comercial fechou em alta de 0,77%, a R$ 2,355, a maior cotação em três meses.

GASOLINA FICA MAIS CARA PARA SOCORRER PETROBRAS

GASOLINA FICA MAIS CARA PARA SOCORRER PETROBRAS

LITRO DA GASOLINA SOBE PARA R$ 3,09
Autor(es): ROSANA HESSEL ENVIADA ESPECIAL
Correio Braziliense - 02/12/2013
 

São Paulo e Brasília — Os preços da gasolina e do óleo diesel foram reajustados nas refinarias em 4% e 8%, respectivamente. Os novos valores, em vigor desde a zero hora de hoje, foram anunciados no início da noite de ontem pela Petrobras, após um mês de forte pressão sobre o governo para reduzir a elevada defasagem de suas tabelas. O último reajuste da gasolina foi em janeiro, de 6,6%. Para o diesel, trata-se do terceiro aumento, após 5,4% em janeiro e 5% em março. As elevações serão integralmente repassadas ao consumidor.
A Petrobras não divulgou a expectativa de impacto nos postos de abastecimento. Mas analistas estimam que o aumento de 4% devejré provocar alta de 3% na bomba, caso da gasolina, e de 6%, do diesel. Os preços variam de cidade para cidade, conforme o frete pago e a distância da refinaria até os pontos de distribuição.
Além disso, em tese, vigora a livre concorrência entre os postos, pois não há tabelamento.
Em Brasília, segundo analistas, o preço médio da gasolina deve passardeR$2,99 para R$ 3,09 por Utro.
Depois de seis horas de reunião, iniciada por volta das lòh, o Conselho de Administração da companhia aprovou a proposta da diretoria executiva de adotar uma nova metodologia de reajustes dos combustíveis. O fato relevante divulgado no começo da noite informa, porém, que/"por razões comerciais, os parâmetros de precificação serão estritamente internos à companhia". Com isso, os detalhes da nova política de preços seguem desconhecidos. O comunicado informou que o objetivo da mudança é assegurar que os níveis de endividamento da Petrobras retomem, em até 24 meses, aos limites estabelecidos no Plano de Negócios 2013-2017.
Outra meta é alcançar, em prazo compatível, a convergência dos preços no Brasil com as referências no exterior. A estatal informou, no entanto, que não quer "repassar a variação dos preços internacionais ao consumidor doméstico" Mais cedo, nenhum dos membros do conselho comentou o resultado do encontro, realizado no escritório da estatal na Avenida Paulista.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, que preside o conselho da petroleira, também deixou a reunião sem falar com os jornalistas e evitou fazer comentários até mesmo com os seus assessores mais próximos. Mantega vinha sendo o maior opositor da proposta defendida pela presidente da petroleira, Graça Foster, de reajustes automáticos e periódicos dos combustíveis, por entender que ela dificulta o controle da inflação ao estimular a indexação da economia.
Segredo
Em paralelo ao clima de segredo, as ações da Petrobras dispararam na Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa), diante da expectativa do anúncio dos reajustes. As ações preferenciais (PN) da empresa terminaram o dia em alta de 2,47%. As ordinárias (ON) subiram 3,33%. Durante a manhã, a elevação chegou a passar de 5%. O otimismo com a empresa mais valiosa do pregão embalou os demais papéis, levando o Ibovespa, indicador geral do pregão, a fechar com valorização de 1,23%.
No mercado, as apostas sobre o aumento dos preços da gasolina variavam de 5% a 8%. Para o diesel, eram de 10%. O reajuste anunciado ontem deve ter impacto de 0,20 ponto percentual na inflação, de acordo com cálculos dos especialistas.
SergioVale, economista-chefe da MB Associados, esperava 5% de aumento. "Nesse percentual, o impacto total no índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2013 seria pequeno, de 0,2 a 0,3 ponto", estimou. "A gasolina tem o segundo maior peso do IPCA, perdendo só para refeição", acrescentou André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos. Ele acreditava num reajuste de até 8%. Flávio Serrano, economista sênior do 13 ES Investimentos, também esperava por percentuais mais elevados, de 5% a 7% para a gasolina. "O diesel pode subir mais perto de 10% porque quase não tem impacto sobre o IPCA", observou.
Batalha
A pressão do comando da Pe-trobras pelo reajuste se intensificou nos últimos 30 dias, após a divulgação do lucro no terceiro trimestre, que veio muito abaixo da previsão de analistas, com queda de 39% em relação a igual período de 2012. O maior impacto negativo no balanço veio justamente da importação elevada de derivados por um preço acima do praticado no Brasil. Logo depois, no fim de outubro, a diretoria executiva apresentou ao conselho a proposta de reajustes automáticos.
Os acionistas minoritários não viam com bons olhos a continuidade do controle de preços exercido com mão de ferro pelo governo. Para o consultor David Zylbersztajn, a demora do governo em encarar o crescente desequilíbrio financeiro da companhia pode ter gerado danos difíceis de serem revertidos. "Tal qual numa areia movediça, qualquer reação parece empurrar a vítima para o fundo", ilustrou.
Inflação
Na opinião do aposentado Antonio Carlos Gomes de Lima, 51 anos, o reajuste nos preços dos combustíveis pesará no bolso porque implicarão aumento da inflação. Ele, que gasta em média R$700 com abastecimento, reclamou que a renda familiar encolhe cada vez mais em um país onde não há qualquer política de melhoria salarial para os aposentados.
Submissão
O professor aposentado Dinarti Ferreira de Oliveira não consegue entender o fato de o país anunciar que seráautossuficentena produção de petróleo, mas
ainda depender da importação de gasolina. E, menos ainda, de a Petrobras sertão submissa ao governo. Para ele, as interferências governamentais na política da empresa são desastrosas.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

ESPIONAGEM NA PETROBRÁS TEM INTERESSE ECONÔMICO, DIZ DILMA

ESPIONAGEM NA PETROBRÁS TEM INTERESSE ECONÔMICO, DIZ DILMA

DILMA DIZ QUE ESPIONAGEM NA PETROBRÁS EXPÕE MOTIVAÇÕES ECONÔMICAS DOS EUA
Autor(es): Vera Rosa Tânia Monteiro
O Estado de S. Paulo - 10/09/2013
 

Para presidente, denúncia de monitoramento da empresa é "tão grave" quanto violação de seus e-mails
A presidente Dilma Rousseff disse que, "se confirmada" a espionagem na rede de computadores da Petrobrás pela Agência Nacional de Segurança (NSA) dos EUA, os motivos teriam sido "interesses econômicos e estratégicos". Dilma afirmou que o monitoramento da Petrobrás "é tão grave quanto" a violação de suas correspondências. Há quatro dias, ela ouviu de Barack Obama que a tentativa de monitorar as comunicações brasileiras "só traz custo". Desde que foram divulgados documentos apontando que a NSA havia espionado e-mails de Dilma e de assessores, o governo suspeitava que os alvos eram as reservas do pré-sal. O ministro Luiz Alberto Figueiredo (Relações Exteriores) e a conselheira de Segurança Nacional da Casa Branca, Susan Rice, terão reunião esta semana para tratar do tema.
A presidente Dilma Rousseff classificou a suspeita de espionagem na rede de computadores da Petrobrás como uma prática movida por "interesses econômicos e estratégicos". A violação teria sido feita pela Agência Nacional de Segurança (MSA) dos EUA. Dilma condenou a atitude em. nota divulgada ontem, quatro dias -após ter ouvido do colega americano Barack Obama que a tentativa de monitorar as comunicações brasileiras "só traz custo".
Na nota oficial, a presidente afirmou que a Petrobrás não representa ameaça à segurança de qualquer pais, mas, sim, um dos maiores ativos de petróleo do mundo e um patrimônio brasileiro. Desde quando vieram à tona documentos secretos apontando que a NSA havia monitorado e-mails de Dilma e de seus principais assessores, no início do mês, o governo já desconfiava de que os alvos da espionagem eram as reservas do pré-sal.
"Se confirmados os fatos veiculados pela imprensa, fica evidenciado que o motivo das tentativas de violação e de espionagem não é a segurança ou o combate ao terrorismo, mas interesses econômicos e estratégicos", escreveu a presidente na nota. "Tais tentativas de violação e espionagem de dados e informações são incompatíveis com a convivência democrática entre países amigos, sendo manifestamente ilegítimas". A jornalistas, Dilma afirmou que o monitoramento da Petrobrás "é tão grave quanto" a violação de suas correspondências. A reportagem que apontou a Petrobrás como alvo foi exibida no domingo pelo Fantástico, da TV Globo.
Custo-benefício. Antes de divulgar a nota oficial, Dilma relatou a ministros e parlamentares com quem se reuniu ontem, no Palácio do Planalto, a conversa mantida com Obama, em São Petersburgo (Rússia), na noite de quinta-feira. Os dois se encontraram na cúpula do G-20.
Obama prometeu tomar providências. Ele disse, conforme relatos de auxiliares de Dilma, não haver qualquer benefício que justificasse tal procedimento porque os EUA investem na boa relação com o Brasil.
Foi nesse momento que americano mencionou que a violação das comunicações brasileiros só teria custos para os EUA. Dilma disse ao colega que abordará o assunto em seu discurso de abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) , em Nova York, no próximo dia 24.
Ao que tudo indica, a presidente ainda não tinha detalhes sobre a suspeita de espionagem na rede da Petrobrás quando conversou com Obama. Mesmo assim, já estava certa de que havia interesses econômicos por trás do monitoramento. O governo brasileiro decidiu enviar missões a países da Europa para verificar como eles se protegem da bisbilhotagem.
Na conversa com Obama, Dilma disse que o rastreamento das comunicações no Brasil não se enquadraria em nenhum princípio de segurança. Afirmou que o combate ao terrorismo não pode violar a soberania nacional. O americano concordou. "Para um país parceiro, vocês colocam a relação bilateral numa situação muito difícil", argumentou a presidente.
Por escrito. O mesmo tom foi adotado ontem na nota oficial "Inicialmente, as denúncias disseram respeito ao governo, às embaixadas e aos cidadãos - inclusive a essa Presidência. Agora, o alvo das tentativas, segundo as denúncias, é a Petrobrás, maior empresa brasileira", diz a nota. "O governo brasileiro está empenhado em obter esclarecimentos do governo norte-americano sobre todas as violações eventualmente praticadas, bem como em exigir medidas concretas que afastem em definitivo a possibilidade de espionagem ofensiva aos direitos humanos, à nossa soberania e aos nossos interesses econômicos", completa a nota de Dilma.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

PETROBRAS PODE TER PREJUÍZO TRIMESTRAL COM ALTA DO DÓLAR

PETROBRAS PODE TER PREJUÍZO TRIMESTRAL COM ALTA DO DÓLAR

CÂMBIO AMEAÇA RESULTADO DA PETROBRAS NO SEGUNDO TRIMESTRE
Autor(es): Por Cláudia Schüffner e Fernando Torres | Do Rio e de São Paulo
Valor Econômico - 21/06/2013

A desvalorização do real deve fazer estragos no balanço da Petrobras. Com o dólar cotado a R$ 2,20, o impacto no lucro do segundo trimestre ficará perto de R$ 6,6 bilhões, segundo cálculo do Itaú BBA. Os analistas Paula Kovarsky e Diego Mendes estimam que se o dólar fechar junho a R$ 2,30 a Petrobras deverá ter prejuízo no segundo trimestre, assim como ocorreu em igual período do ano passado. O impacto maior será na dívida em moeda estrangeira da empresa, que será corrigida pela cotação do dólar no último dia do mês - data de encerramento do trimestre.

A desvalorização do real, em meio ao nervosismo nos mercados em todo mundo, deve fazer estragos no balanço do segundo trimestre da Petrobras.
O impacto maior será na dívida em moeda estrangeira da empresa, que será corrigida pela cotação do dólar no último dia do mês - data de encerramento do trimestre.
Projeções feitas pela corretora Itaú BBA mostram que, com o dólar em R$ 2,20, o lucro líquido do segundo trimestre ficaria perto de R$ 6,6 bilhões. Se a moeda americana avançar para os R$ 2,30, a Petrobras deverá fechar com prejuízo o segundo trimestre, assim como ocorreu em igual período do ano passado.
A correção da dívida em dólar não significa que a empresa terá de desembolsar o novo valor - o que depende das datas de vencimento -, mas o efeito imediato sobre o lucro líquido poderá ter reflexos sobre os dividendos, especialmente dos detentores de ações ordinárias (com direito a voto). Os analistas do Itaú lembram que as preferenciais (sem direito a voto) têm dividendo mínimo garantido, calculado a partir do patrimonio líquido, o que protege o investidor que tem esse tipo de papel.
A ação preferencial fechou ontem em R$ 17,02, queda de 1,05%. A ordinária ficou em R$ 16,05, estável em relação a quarta-feira.
Além do efeito sobre o pagamento aos acionistas, o aumento da dívida mexe com indicadores usados por credores e agências de risco para avaliar a situação financeira das empresas.
Como a exposição da Petrobras ao dólar é de aproximadamente R$ 100 bilhões, uma desvalorização de 10% no real representa uma despesa financeira a mais de R$ 10 bilhões.
Segundo as projeção dos analistas do Itaú BBA Paula Kovarsky e Diego Mendes, se o dólar chegar ao fim de 2013 cotado a R$ 2,25, a Petrobras fechará o ano com dívida líquida de R$ 204,67 bilhões, comparada aos R$ 150,39 bilhões registrados no balanço do primeiro trimestre. Já com o câmbio no patamar de R$ 2,30, a dívida chegará a R$ 207,24 bilhões.
Para se ter uma ideia do que isso representa, esse aumento na dívida equivale a quase metade do investimento anual da companhia, que tem sido de US$ 50 bilhões em média.
No exercício feito pelo Itaú BBA em relatório recente, com o câmbio a R$ 2,15, a despesa financeira decorrente de variação cambial somaria R$ 6 bilhões. Nesse cenário, o lucro da empresa ficaria em torno de R$ 3,6 bilhões de abril a junho, metade do que o banco previa sem o efeito cambial.
Há de se considerar que, do ponto de vista operacional, o impacto do câmbio para a Petrobras é reduzido. Embora a empresa tenha cerca de 40% da receita travada em reais com a venda de gasolina e diesel, outros 60% estão atrelados ao dólar - ou seja, a moeda mais cara representa receitas maiores. Do lado dos gastos, a importação de combustíveis, paga em dólar, tem peso de 30% no total.
O analista Marcus Sequeira, do Deutsche Bank, chama a atenção ainda para o fato de a última emissão de dívida da Petrobras, uma captação de US$ 11 bilhões que foi a quinta maior entre companhias de capital aberto, deve ser usada em parte para abater empréstimos do BNDES atrelados a moedas estrangeiras, enquanto o saldo deve permanecer no caixa.
Por isso, Sequeira não espera que essa emissão mude significativamente a posição líquida da dívida da Petrobras no segundo trimestre de 2013.
Já os investimentos da estatal, ressalta o analista do Deutsche, são altamente relacionados ao câmbio, apesar da regra de conteúdo local que obriga a aquisições de equipamentos e serviços no Brasil. O problema é que os custos das matérias-primas e equipamentos mais complexos tendem a ter preços alinhados com os mercados globais.
Nesse cenário pouco animador, o Itaú BB considera que o único ponto positivo para Petrobras com relação ao câmbio é que o fortalecimento do dólar em relação a outras moedas, especialmente o euro, leva a uma redução dos preços do petróleo. Por mais paradoxal que possa parecer, o lucro da empresa sobe quando o preço do petróleo cai.
Outra preocupação que o câmbio em R$ 2,30 traz, ressaltam os analistas Paula Kovarsky e Diego Mendes, do Itaú BBA, é que a defasagem de preço da gasolina e do diesel aumentará para 30%, criando pressão sobre o governo para um novo aumento dos combustíveis, tema incendiário para a inflação.
No plano de negócios até 2017, uma das premissas da companhia para manter o grau de investimento é a taxa de câmbio de R$ 2,00 em 2013. Ontem, a moeda americana fechou cotada a R$ 2,258, alta de 1,71%.
No relatório em que avalia o efeito do câmbio sobre petroleiras brasileiras de menor porte, o Itaú BBA estima que o maior impacto do câmbio é sobre a OGX devido ao tamanho da dívida denominada em dólares, de US$ 2,7 bilhões.
A Queiroz Galvão Exploração e Produção (QGEP) é afetada porque o gás produzido em Manati é atrelado ao IGP-M, mas os analistas acham que o mercado não prestará muita atenção nessas companhias.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

PETROBRAS VÊ 2013 PIOR E AÇÕES DESPENCAM 8%

PETROBRAS VÊ 2013 PIOR E AÇÕES DESPENCAM 8%

"2013 SERÁ MAIS DIFÍCIL"
Autor(es): Ramona Ordoñez, Bruno Rosa,
O Globo - 06/02/2013
 

Presidente da Petrobras prevê ano pior que 2012 e diz que buscará reajustes. Ação despenca
RIO, BRASÍLIA e SÃO PAULO Para a Petrobras, que venha 2014. Sem meias palavras e com uma sinceridade que surpreendeu os analistas que participaram ontem da apresentação dos resultados de 2012, a presidente da estatal, Maria das Graças Foster, disse que este ano será pior do que foi 2012, quando seu lucro encolheu 36% em relação ao ano anterior. Segundo Graça, a produção deve cair 2% este ano, não serão feitos novos investimentos, e a empresa continuará buscando um reajuste nos preços dos combustíveis, para elevar a geração de caixa. Sem dinheiro, a companhia alterou a distribuição de dividendos de 2012 para os investidores que detêm ações ordinárias (ON, com direito a voto). A medida fez com que os papéis despencassem ontem 8,28% na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). É o menor valor das ações ON desde dezembro de 2005.
Com o tombo das ações, o valor de mercado da Petrobras encolheu mais US$ 4,33 bilhões, para US$ 113,47 bilhões. No ano, a perda chega a US$ 11,21 bilhões, o equivalente ao valor da Natura. Quando terminou sua megacapitalização, em outubro de 2010, a petroleira valia US$ 223,5 bilhões na Bolsa. Em pouco mais de dois anos, a companhia vale a metade. Em Nova York, os recibos de ações ordinárias (ADRs) fecharam em queda de 7,93%.
PARA MANTEGA, AUMENTO NÃO É OPORTUNO
Em 2013, segundo Graça Foster, a companhia prevê perdas de R$ 6 bilhões com poços secos (não econômicos). No ano passado, esse prejuízo foi de R$ 7,058 bilhões. Somente no segundo semestre deste ano é que, segundo a executiva, a companhia retomará a trajetória de crescimento. Graça afirmou ainda que vai continuar brigando e trabalhando pelo reajuste dos preços dos combustíveis.
- O ano de 2013 será mais difícil que 2012. No primeiro semestre terão que ser feitas paradas em plataformas para manutenção. E no segundo semestre será a partida para a recuperação da nossa produção. A gente não tem como chegar ao segundo semestre sem passar pelo primeiro semestre. É um ano difícil e tudo tem que funcionar - afirmou Graça.
Ela explicou que em 2012, apesar de o preço do petróleo tipo Brent ter ficado em US$ 111, perto dos US$ 110 de 2011, a desvalorização cambial gerou defasagem (em relação ao mercado internacional) de 17% nos preços da gasolina e do diesel. Por isso, afirmou, não foi possível recuperar a diferença com os reajustes concedidos. Graça garantiu que a busca por novos aumentos para o fim dessa defasagem é contínua. A estatal prevê mais importação de gasolina, passando de 90 mil barris por dia, em 2012, para 110 mil barris por dia, este ano.
- No início do ano, chamei todos os coordenadores de programas e disse que 2013 vai ser muito mais difícil que 2012, mas estamos melhor preparados. É brigar, trabalhar e buscar a convergência de preços. É buscar a eficiência e a produtividade. É dever da companhia mostrar para nossos conselheiros as consequências negativas dessa diferença, na nossa capacidade de fazer caixa, e buscar o mínimo de captação no exterior - destacou Graça, ao lembrar que a área de abastecimento da empresa teve prejuízo de R$ 22,9 bilhões.
Mas, à noite, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que não considera "oportuno falar em um novo aumento" da gasolina neste momento. O ministro disse, no entanto, que a tendência é acompanhar mais de perto a evolução dos preços do petróleo no exterior - o que deixa uma brecha para algum reajuste, na interpretação de fontes do mercado.
- É claro que a nossa tendência é acompanhar mais a evolução dos preços do petróleo porque o preço da gasolina tem de ter uma correção com o preço do barril de petróleo internacional. Procuraremos estar mais colados à variação de preços do barril de petróleo lá fora para que não haja nenhum prejuízo para a Petrobras.
Para cumprir seus R$ 97,7 bilhões de investimentos previstos para 2013, Graça admitiu que em alguns momentos deste ano a relação entre o endividamento líquido e a sua geração de caixa poderá superar o número de 2012, que foi de 2,77 vezes. Ela não escondeu a preocupação com o risco de a companhia perder o grau de investimento concedido pelas agências risco:
- Temos uma apreensão muito grande em relação ao nosso grau de investimento. Sabemos que temos urgência em resolver. E trabalhamos por essa urgência incessantemente. Temos projetos avançando, com sete novos sistemas que entrarão em produção neste ano, por isso acreditamos que teremos a confiança das agências.
Para gerar mais caixa, a Petrobras adotou uma medida polêmica: alterou a forma de distribuição de dividendos relativos ao exercício de 2012, com o objetivo de economizar cerca de R$ 3,5 bilhões. A redução dos dividendos atingirá quem tem ações ONs, como o governo federal e o BNDES, controladores da companhia. Com a mudança, o dividendo da ON cai pela metade, para R$ 0,47 por ação, contra R$ 0,96 das ações preferenciais (PN, sem direito a voto). Até então a Petrobras estendia para as ONs o mesmo critério das PNs.
- A mudança é para manter o caixa e continuar os investimentos. Por isso, fizemos essa diferenciação. Com esse valor (R$ 3,5 bilhões) é possível construir uma unidade e produzir 150 mil barris por dia, que renderá receita futura - disse Graça.
DIVIDENDOS CAEM DE R$ 12 bi para R$ 8 bi
No total, a Petrobras vai pagar R$ 8,8 bilhões em dividendos referentes a 2012, segundo o diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa. Sem a mudança, pagaria R$ 12,3 bilhões. Por isso, as ONs atingiram ontem o menor patamar desde 2005. As PNs fecharam em alta 0,44%.
"A reação negativa era esperada após a empresa anunciar que pagaria 49% dos dividendos que serão pagos pelas ações PN", avaliou relatório do banco J.P. Morgan. Analistas do Bank of America Merrill Lynch classificaram a decisão como um "precedente negativo".
A venda de ativos é outra estratégia da empresa para fazer caixa. Graça anunciou que abrirá um data room (banco de dados com informações dos projetos dos quais a empresa quer vender) em abril para se desfazer de ativos (participações acionárias em blocos) tanto no Brasil quanto no exterior. Disse ainda que vai buscar sócios para as refinarias que serão construídas no Maranhão e no Ceará.
A executiva afirmou que desistiu de vender neste momento a refinaria de Pasadena, no Texas (EUA). A polêmica refinaria, comprada por US$ 1,1 bilhão, deverá passar por um programa de melhorias para ser vendida posteriormente.
Com recursos escassos, a Petrobras será "seletiva e criteriosa" na escolha das áreas que pretende disputar nos leilões que a Agência Nacional do Petróleo (ANP). Segundo Graça, a companhia buscará também parceiros para reduzir riscos. Além disso, manterá um forte programa de redução de custos, que deverá atingir R$ 32 bilhões até 2016, além do aumento na eficiência das plataformas - a meta deste ano na Bacia de Campos é de 76%. Para cumprir seu programa de investimentos, a Petrobras prevê uma captação de recursos de US$ 20 bilhões neste ano.

O TOMBO DA GIGANTE - PETROBRAS TEM MENOR LUCRO EM OITO ANOS

O TOMBO DA GIGANTE - PETROBRAS TEM MENOR LUCRO EM OITO ANOS

O TOMBO DA GIGANTE
Autor(es): Bruno Villas Bôas
O Globo - 05/02/2013
 
Lucro da Petrobras em 2012 recua 36%, para R$ 21,18 bi, o pior resultado em oito anos

Defasagem nos preços da gasolina e do diesel, aumento das importações de combustíveis, alta do dólar, queda de 2% na produção e poços secos. Estas são as causas que explicam o menor resultado registrado pela Petrobras nos últimos oito anos. A estatal obteve um lucro líquido no ano passado de R$ 21,18 bilhões, uma queda de 36% em comparação aos R$ 33,3 bilhões do ano anterior. Foi menor lucro da estatal desde 2004, quando registrou ganho de R$ 17,8 bilhões. Considerando os valores nominais, ou seja, com a inflação do período embutida nos números, a queda percentual é a maior desde a registrada em 1995 (48,7%), ano seguinte à implementação do Plano Real, que estabilizou a moeda. Os números são da base de dados da consultoria Economatica.
No quarto trimestre do ano passado, o resultado de R$ 7,7 bilhões foi 39% maior do que os R$ 5,5 bilhões do trimestre anterior. Os reajustes de 7,83% dado à gasolina e de 3,94% para o diesel em junho, seguidos de mais 6% para o diesel no mês seguinte, contribuíram para a melhoria do resultado da companhia no último trimestre do ano.
No comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, afirma que o resultado se deveu principalmente ao aumento das importações de derivados a preços mais elevados em relação aos de venda no mercado interno e à desvalorização cambial, que impactou tanto os resultados da companhia como seus custos operacionais. Graça Foster explica ainda que o resultado também foi influenciado por despesas extraordinárias, como a baixa de poços secos, além da queda de 2% na produção de petróleo em 2%, que ficou em 1,98 milhão de barris por dia.
O resultado do quarto trimestre veio um pouco acima do esperado pelo mercado. Segundo Leonardo Alves, analista da corretora Safra, a Petrobras surpreendeu graças à venda de títulos públicos e à economia com impostos, que contribuíram com R$ 2,78 bilhões para o lucro líquido nos três últimos meses do ano.
- São resultados que não se repetem. É um dinheiro que entrou no caixa da companhia no trimestre passado, mas que não entra mais no futuro - afirma Alves. - Descontado isso, os números de produção vieram dentro do que era esperado pelo mercado.
Alves diz que o dado negativo ficou por conta da relação entre o endividamento e o lucro antes dos impostos (Ebitda) da companhia, que chegou a 2,77 vezes. Segundo ele, um número acima de 2,5 vezes coloca em risco o grau de investimento da Petrobras, o que significa que pode ficar mais caro para a empresa tomar dinheiro emprestado no mercado:
- Mas não quer dizer que a nota de classificação de risco da Petrobras será imediatamente cortada. Só que é algo que se precisa acompanhar.
No ano passado, a Petrobras importou 433 mil barris diários de combustíveis, principalmente gasolina e diesel, volume 12% maior do que os 387 mil barris diários no ano anterior. Isso porque o consumo de combustíveis no país cresceu 8%. A demanda por gasolina aumentou 17%. Ao todo, incluindo petróleo, as importações totalizaram 779 mil barris diários, 4% a mais em relação aos 749 mil barris diários do ano anterior. A área de Abastecimento teve um prejuízo em 2012 de R$ 34,5 bilhões, por causa da defasagem dos preços dos combustíveis, representando um aumento de 136% em relação ao prejuízo de R$ 14,5 bilhões no ano anterior.
Já as exportações de petróleo e derivados caíram 13%, totalizando 548 mil barris diários, contra 631 mil barris diários no ano anterior.
No ano passado, a Petrobras investiu R$ 84,1 bilhões, um aumento de 16% em relação aos R$ 72,5 bilhões do ano anterior. Para este ano a companhia prevê investimentos de R$ 97,7 bilhões.
Segundo Hersz Ferman, gestor da Yield Capital, o resultado reflete em parte as intervenções do governo na companhia. Segundo ele, somente num cenário de desaceleração da inflação a Petrobras vai conseguir um novo reajuste no preço dos combustíveis.
- O governo não tem deixado a Petrobras atuar como uma empresa voltada ao lucro. Está difícil para a empresa equilibrar assim a necessidade de fazer investimentos gigantes - afirma.
Ontem, as ações da Petrobras fecharam em queda na Bovespa. Os papéis preferenciais (PN, sem voto) chegaram a recuar 3,09%, antes de fechar em baixa de 2,49%, cotadas a R$ 18. As ações ordinárias (ON, com voto) caíram 2,79%, a R$ 18,10. O Ibovespa fechou em queda de 1,29%.
Luis Gustavo Pereira, estrategista da Futura Corretora, diz que, além das expectativa sobre o resultado, a Petrobras foi afetada ontem na Bolsa pela queda de 4,9% da produção de petróleo em dezembro, como informou a ANP.
- No longo prazo, a defasagem dos combustíveis segue pesando.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Fora da meta: Petrobras produz menos e ação cai

Fora da meta: Petrobras produz menos e ação cai

Produção da Petrobras recua ao menor nível desde 2008
Autor(es): Danielle Nogueira
O Globo - 30/10/2012
 
Ações da empresa caem mais de 3% por aumento de custos
Depois de anunciar lucro de R$ 5,5 bilhões no terceiro trimestre, abaixo do esperado pelo mercado, a Petrobras informou ontem que a produção de petróleo caiu para o menor patamar desde abril de 2008. O mercado não recebeu bem os números da companhia e as ações chegaram a cair 4,54% na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), mas fecharam com queda menor, de 3,45%. Os investidores condenaram o aumento dos custos da companhia, que anulou parte dos ganhos com o reajuste dos combustíveis.
A produção da Petrobras foi de 1,843 milhão de barris de petróleo por dia em setembro, o menor volume desde abril de 2008, quando a marca foi de 1,842 milhão de barris. Ante agosto, a queda foi de 4,4%. O diretor de Exploração e Produção da empresa, José Fomigli, disse que a redução foi decorrente de paradas programadas de algumas plataformas, que acabaram se estendendo mais que o previsto por causa de condições climáticas adversas. Ele assegurou, porém, que a meta de produção para este ano, de 2,022 milhões de barris de petróleo diários, está mantida.
Como a produção já voltou ao normal, a expectativa para outubro é que sejam extraídos 1,941 milhão de barris de petróleo por dia. Além disso, entre novembro e dezembro entrarão em operação novos poços no campo de Baleia Azul, também na Bacia de Campos.
Fomigli adiantou ainda que no dia 19 a Petrobras lançará o Programa de Aumento da Eficiência Operacional (Proef) da unidade Rio de Janeiro, a exemplo do que foi feito em julho com a Bacia de Campos. O objetivo é elevar a produção de petróleo nas plataformas já existentes, com ajustes operacionais que elevem a eficiência da atividade.
Já o diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, disse que a empresa trabalha com expectativa de novos reajustes nos preços da gasolina e do diesel, embora não tenha precisado quando isso poderia acontecer. Em seu plano de negócios, a companhia previa reajuste de 15% para ambos em 2013. No entanto, até agora, a gasolina subiu apenas 7,83% e o diesel, 10,2%. Os reajustes ocorreram entre junho e julho:
- Sempre que há uma defasagem, há uma expectativa de reajuste de preço. Não temos uma data, o importante é que haja um equilíbrio. Mas temos uma expectativa que nossos preços se alinhem com os preços internacionais.
MAIS GASTOs COM PATROCÍNIO
Em palestra de abertura da VII Semana de Petróleo da UFRJ, a presidente da companhia, Maria das Graças Foster, reconheceu que o preço da gasolina no Brasil está defasado em relação ao mercado externo, mas ressaltou que a política da Petrobras é de longo prazo:
- Hoje, nossa gasolina não tem convergência com o preço internacional. Evidentemente existe uma defasagem. Mas temos uma política de longo prazo. Lá na frente você ganha. Esperamos que os preços se compensem no futuro.
A defasagem de preços foi um dos fatores que contribuíram para segurar os ganhos da empresa no terceiro trimestre. A Petrobras teve que importar diesel e gasolina a preços mais elevados que os do Brasil. De acordo com Barbassa, o início da safra, o maior movimento por causa das eleições e a atividade econômica como um todo pressionaram a demanda por combustíveis.
O balanço da empresa também revelou que, num momento em que a empresa está buscando cortar custos, os gastos com relações institucionais e projetos culturais quase dobrou no terceiro trimestre, para R$ 1,012 bilhão. No segundo trimestre havia sido R$ 567 milhões e no terceiro trimestre de 2011, de R$ 802 milhões. A empresa não explicou o motivo do aumento.
Esse aumento da importação de combustíveis, ao lado da alta nos custos de produção, contribuiu para o recuo nos papéis da Petrobras. A ação ordinária (ON, com voto) caiu 3,45%, enquanto a preferencial (PN, sem voto) perdeu 3,39%, a R$ 21,35. O movimento acabou puxando o Ibovespa, índice de referência da Bolsa de Valores de São Paulo, que caiu 0,17%, aos 57.176 pontos. O volume de negócios foi baixo, de R$ 3,6 bilhões, influenciado pelo fechamento da Bolsa de Nova York - pela primeira vez desde o 11 de Setembro - em função do furacão Sandy. O dólar fechou em alta de 0,29%, a R$ 2,33.
- O volume de vendas foi razoável e o resultado seria melhor se não fosse o aumento de custos - afirmou o analista da SLW Corretora Erick Scott.
Em seu discurso, a presidente da Petrobras também disse que todas as 28 térmicas da Petrobras estão sendo usadas no limite, para assegurar o abastecimento energético:
- Estamos há várias semanas operando no limite de capacidade das nossas usinas.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Equador aceita indenizar Petrobras

Equador aceita indenizar Petrobras

Equador concordou em indenizar Petrobras em US$ 217 milhões
Autor(es): agência o globo:medidas extremas
O Globo - 02/05/2012
 
Petrolífera deixou o país em 2010 após tentativa de Correa de mudar contrato

QUITO. O Equador concordou, na última segunda-feira, em pagar US$ 217 milhões à Petrobras pelos ativos que a companhia estatal brasileira desenvolveu quando operou um dos maiores blocos petrolíferos do país andino. A Petrobras abandonou o Equador em 2010 devido a um desentendimento com o presidente equatoriano, Rafael Correa, nas negociações para mudar o contrato de participação de prestação de serviços. Diante do impasse, a petrolífera brasileira decidiu encerrar sua operação no bloco 18 na floresta equatoriana.
Desde esta época, o governo equatoriano vinha negociando com a petrolífera o montante da liquidação que lhe correspondia, em meio a ameaças da Petrobras de entrar com um processo contra o Estado equatoriano.
Campo passou para as mãos da Petroamazonas
O ministro de Recursos Naturais Não Renováveis do Equador, Wilson Pástor, afirmou durante assinatura de acordos para exploração de três campos para a produção de 15 mil barris diários, que o acordo pode ser concretizado ainda este mês.
- Chegamos a um acordo sobre o montante e a forma de pagamento com a Petrobras que poderá se concretizar nas próximas semanas. Estamos falando de um total de US$ 217 milhões a ser pago em duas quotas anuais - acrescentou o ministro, ao indicar que ainda falta acertar detalhes tributários que não alterariam o acordo entre as partes.
Durante a negociação, o governo equatoriano ofereceu um montante menor à petrolífera brasileira por seus ativos no país. O campo que era operado pela Petrobras passou para as mãos da estatal Petroamazonas.
Com a renegociação dos contratos, há dois anos, o Equador conseguiu aumentar sua renda petrolífera, garantir investimentos das empresas privadas e aumentar a produção, segundo autoridades locais.