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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Espanha anuncia pedido de ajuda à Europa, que lhe oferece até 100 bi de euros

Espanha anuncia pedido de ajuda à Europa, que lhe oferece até 100 bi de euros

Publicado em Carta Capital
O ministro espanhol de Economia, Luis de Guindos. Foto: AFP

A Espanha anunciou neste sábado 9 que pedirá ajuda financeira à zona do euro, que se mostrou disposta a conceder-lhe um empréstimo de até 100 bilhões de euros para sanear seu setor bancário, debilitado após o estouro da bolha imobiliária.
“O governo espanhol declara sua intenção de solicitar ajuda financeira europeia para a recapitalização dos bancos que a necessitarem”, afirmou o ministro de Economia, Luis de Guindos, durante coletiva de imprensa após uma teleconferência dos 17 ministros de Finanças da união monetária, na qual também participou a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde.
O Eurogrupo se mostrou disposto a responder “favoravelmente” ao pedido espanhol afirmando que “o montante a ser financiado deve cobrir as necessidades de capital com uma grande margem de segurança adicional, com uma soma estimada em até 100 bilhões de euros no total”.
“Após a solicitação formal, será realizada uma avaliação pela Comissão, conjuntamente com o BCE, o EBA (Autoridade Bancária Europeia) e o FMI, assim como uma proposta com as condições para o setor financeiro”, disse o Eurogrupo em um comunicado.
“O que se pede é um apoio financeiro, não tem nada a ver com um resgate”, disse De Guindos, antes de insistir que “as condições seriam impostas aos bancos e não à sociedade espanhola”, descartando que o empréstimo irá envolver mais medidas de austeridade para os espanhóis nem implicará em um resgate, ao estilo de Grécia, Irlanda ou Portugal.
“Não há nenhum tipo de condição macroeconômica, nenhum tipo de condição fiscal, nenhum tipo de reforma econômica fora do âmbito do setor financeiro”, afirmou o ministro.


O Eurogrupo, por sua vez, se declarou confiante de que a Espanha honrará seus compromissos de redução do déficit e relativos às reformas estruturais para corrigir os desequilíbrios macroeconômicos”.
“Os progressos serão vigiados muito de perto e com regularidade, paralelamente à assistência financeira” oferecida, disse.
De Guindos reforçou que “não haverá nenhum resgate à Espanha”, precisando que o financiamento será dirigido à parcela de 30% dos bancos espanhóis que têm mais dificuldades, eleitos pelo relatório do FMI publicado na sexta-feira à noite.
Tal relatório estima em ao menos 40 bilhões de euros as necessidades do setor, mas o ministro afirmou que o montante acordado com a Eurozona é uma quantidade máxima, que inclui uma margem de segurança importante.
Segundo o ministro espanhol, a cifra final pedida pelo governo dependerá do resultado da auditoria do banco espanhol realizada pelas empresas Roland Berger (alemã) e Oliver Wyman (norte-americana), que deverá ser entregue até o dia 21 de junho.
Ainda de acordo com De Guindos, os fundos de resgate europeus, o FEEF e o MEE, que entrarão em vigor em julho, injetarão diretamente capital no Fundo público de Reestruturação Ordenada Bancária (FROB), que será encarregado de direcionar o capital às entidades com problemas.
Tal medida supõe uma solução intermediária que satisfaz a todos, já que o governo espanhol não vê sua soberania ameaçada, ao menos não por uma intervenção tão dura como a da Grécia, e Alemanha também restringe a ajuda aos meios dos fundos de resgate.
Debilitados por sua alta exposição à bolha imobiliária que estourou em 2008, os bancos espanhóis acumulam em seus balanços 184 bilhões de euros em ativos problemáticos até o final de 2011, ou seja, 60% de sua carteira.
E o resgate histórico dos 23,5 bilhões de euros solicitados em maio pelo Bankia, terceiro maior banco do país em ativos, gerou pânico nos mercados, temerosos, de que a Espanha não pudesse fazer frente por si só às exigências financeiras de seu sistema bancário.
“É uma ajuda extremamente confiável, que tira qualquer dúvida sobre a capacidade de recapitalização do FROB”, disse De Guindos, depois do forte ceticismo demonstrado nas últimas semanas pelos mercados financeiros com relação à Espanha, que teve que pagar juros cada vez mais elevados para se capitalizar.
A decisão espanhola foi celebrada por vários de seus sócios como Alemanha, cujo ministro de Finanças, Wolfgang Schäuble, afirmou que a “Espanha está em um bom caminho”, enquanto que seu homólogo francês, Pierre Moscovici, afirmou que “trata-se de um bom acordo, de um forte sinal de solidariedade”.
Também os Estados Unidos e o FMI felicitaram a iniciativa de ajuda. A diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, o classificou de “confiável”.
Para De Guindos, o acordo alcançado neste sábado manifesta o “absoluto compromisso dos países do euro com o projeto do euro”.

RESGATE EVITA INTERVENÇÃO NA ESPANHA, MAS CRISE CONTINUA

RESGATE EVITA INTERVENÇÃO NA ESPANHA, MAS CRISE CONTINUA

RESGATE DE 100 BILHÕES EVITA INTERVENÇÃO NA ESPANHA, MAS NÃO RESOLVE A CRISE DA EUROPA
Autor(es): ANDREI NETTO
O Estado de S. Paulo - 11/06/2012
 

País permanece em recessão e desemprego deve aumentar; bancos europeus enfrentam cenário difícil
O pacote de socorro de até € 100 bilhões aprovado pela União Européia e pelo Banco Central Europeu para recapitalizar o sistema financeiro da Espanha não resolveu a crise das dívidas e fragilizou o primeiro-ministro, Mariano Rajoy. O chefe de governo comemorou "ter evitado uma intervenção" no país, mas admitiu que, apesar da ajuda, a crise na Espanha deve piorar. O país permanecerá em sua segunda recessão em três anos e mais espanhóis vão perder seus empregos - uma em cada quatro pessoas já está desempregada. O premiê vem sendo criticado internamente por sua gestão de crise e deve ter de se explicar ao Parlamento. As circunstâncias da ajuda à Espanha provocaram insatisfações em Portugal. Líderes da oposição querem que o governo renegocie seu pacote, de € 78 bilhões. Analistas consideram que, apesar do acordo espanhol, a situação dos bancos europeus continua difícil.

O pacote de socorro de até € 100 bilhões aprovado pela União Europeia e pelo Banco Central Europeu (BCE) para recapitalizar o sistema financeiro da Espanha não resolveu a crise das dívidas e, além disso, fragilizou o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy. Em seu primeiro pronunciamento, o chefe de governo tentou mascarar a gravidade da situação comemorando "ter evitado uma intervenção" de Bruxelas e do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Rajoy admitiu, no entanto, que, apesar da ajuda aos bancos, a crise na Espanha deve piorar. O país permanecerá preso em sua segunda recessão em três anos, e mais espanhóis vão perder seus empregos em um país onde uma em cada quatro pessoas já está desempregada, disse ele.
O premiê vem sendo criticado pela oposição e pela imprensa por sua gestão de crise e deve ter de se explicar ao Parlamento nos próximos dias. O silêncio de Rajoy teve início na tarde de sábado, quando o ministro da Economia, Luis de Guindos, foi destacado para anunciar à imprensa o acordo que garantirá até € 100 bilhões para a recapitalização do sistema financeiro da Espanha, abalado desde o início da crise do mercado imobiliário, em 2008.
Ontem, Rajoy fez seu primeiro pronunciamento sobre o pacote de socorro - o quinto concedido por Bruxelas, depois da Grécia, por duas vezes, da Irlanda e de Portugal terem recebido apoio financeiro. "Estou muito satisfeito, e creio que ultrapassamos uma etapa decisiva", disse. "Se não tivéssemos feito o que fizemos nos últimos cinco meses, o que teria acontecido seria uma intervenção na Espanha." O premiê também citou os números do pacote em tom de elogio. "Obter uma linha de crédito de € 100 bilhões não foi nada fácil."
Rajoy assegurou ainda que os juros do pacote de socorro não incidirão sobre o déficit público, já elevado. Em 2011, a Espanha registrou um rombo de 8,9% do Produto Interno Bruto (PIB) nas contas governamentais, e precisa reduzir o buraco a 5,3% até o fim de 2012. Tudo em um cenário de alto endividamento dos governos regionais e de desemprego em massa, que chegou a 24,44% no primeiro trimestre.
Como Guindos havia feito no sábado, Rajoy garantiu que o pacote de socorro não representa nenhum tipo de intervenção na gestão econômica da Espanha. Nenhum novo plano de austeridade teria sido acordado. A única exigência, segundo ele, é que as reformas já iniciadas, como a do mercado de trabalho e da previdência, sejam mantidas.
Na entrevista, Rajoy não usou as palavras "socorro" e "resgate" - o que foi interpretado como uma tentativa de demonstrar normalidade. Com esse espírito, Rajoy disse que assistiria ao jogo Espanha e Itália, na Polônia, no que foi duramente criticado. Analistas dizem que, apesar de o pacote evitar uma catástrofe iminente, os bancos do continente continuam a correr sério risco. / COM AFP E AP

sábado, 9 de junho de 2012

Eurozona cogita resgate de até 100 bilhões de euros para Espanha


Eurozona cogita resgate de até 100 bilhões de euros para Espanha


A Eurozona considera conceder à Espanha um resgate de até 100 bilhões de euros na teleconferência entre os países da união europeia iniciada neste sábado às 11h00 (horário de Brasília), informou uma fonte europeia.


"Estamos considerando um resgate de até 100 bilhões de euros para o setor financeiro espanhol", disse.
Em troca da ajuda, o bloco exigirá da Espanha um saneamento do setor financeiro.
Os ministros das Finanças do Eurogrupo se reúnem em teleconferência "para aprovar uma declaração que destaca a intenção da Espanha de solicitar ajuda, e o compromisso do Eurogrupo de proporcioná-la", disse a mesma fonte.

Mas até o momento a Espanha não solicitou nada publicamente. O governo espanhol analisava o relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI), que calculou em mais de 40 bilhões de euros o capital que os bancos do país necessitam, e declarou que esperava adotar uma decisão após a reunião do Eurogrupo.
A imprensa acredita que as necessidades do setor bancário espanhol serão o dobro deste valor.
O primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt, mencionou neste sábado que o plano de resgate para os bancos da Espanha pode superar 80 bilhões de euros.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Com queda de 0,3% do PIB no primeiro trimestre, Espanha entra oficialmente em recessão

Com queda de 0,3% do PIB no primeiro trimestre, Espanha entra oficialmente em recessão

17/05/2012

Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil

A economia espanhola entrou oficialmente em recessão, ao registrar queda de 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre deste ano, segundo dados divulgados hoje (17) pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Para os especialistas, a retração da economia espanhola foi provocada pela desaceleração nos gastos dos consumidores e das administrações públicas. É a segunda vez, após a crise que começou em 2008, que a Espanha entra em recessão. O INE informou que as economias da zona do euro não registraram crescimento no primeiro trimestre.
As economias da Alemanha e Áustria cresceram 0,5% e 0,2%, respectivamente, enquanto a da França ficou estagnada. No caso dos Países Baixos, do Reino Unido e da Espanha houve queda acentuada, sendo que a Itália registrou -0,8%.
Ontem (16), em visita a Brasília, o ministro de Assuntos Exteriores e Cooperação da Espanha, José Manuel García-Margallo, disse que as dificuldades vividas na Europa em decorrência dos impactos da crise econômica internacional são passageiras e que serão solucionadas.

*Com informações da agência estatal de notícias de Cuba, Prensa Latina // Edição: Juliana Andrade

sábado, 31 de março de 2012

‘Corte de orçamento vai aprofundar recessão’

‘Corte de orçamento vai aprofundar recessão’

De Carta Capital

Após anúncio de corte de 27,3 bilhões de euros nas contas do governo, analistas defendem que política europeia de austeridade não é o melhor caminho para conter crise . Foto: Marta F. Maeso

Um dia após uma greve geral levar milhares de pessoas às ruas de diversas cidades da Espanha, entre elas Valencia, Bilbao, Barcelona e a capital, Madri, o governo anunciou nesta sexta-feira 30 um corte de 27,3 bilhões de euros no orçamento de 2012.
A mais rígida medida de austeridade desde a redemocratização do país em 1978, segundo o ministro da Fazenda Cristóbal Montoro.
O objetivo é reduzir o déficit público de 8,51% do PIB do país em 2011 para 5,3% no final deste ano, embora a meta esperada pela União Europeia fosse de 4,4%. Inviabilizada, os líderes europeus concordaram em aumentar a margem, mas a ação gerou desconfiança no mercado e alta nos juros dos títulos da dívida espanhola.
Com o temor de enfrentar dificuldades para se financiar a partir da venda de títulos, o país optou pelas medidas de austeridade para garantir sua credibilidade, explica Antonio Carlos Alves dos Santos, doutor em economia e professor da PUC-SP, embora isso deva provocar um “baque maior” maior na economia espanhola.
Antes do anúncio, a expectativa era que o país registrasse uma queda de 1,7% no PIB. “A medida não é o melhor caminho, porque o país já registra elevados níveis de desemprego, mas ao não cumprir a meta de déficit público ficou em situação delicada.”
Santos acredita que o país viu-se pressionado a apostar em no financiamento do mercado ao invés do crescimento econômico.
Júlio Sérgio Gomes de Almeida, doutor em economia e consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), também defende que o corte no orçamento, a princípio, deve influenciar no crescimento do país, a menos que outros fatores – como um programa de relançamento da economia europeia –, o compense. “Os países europeus em cenário de recessão apresentaram uma leve melhora, mas não há, no momento, sinal de algum mecanismo de compensação.”
Em meio a pressões, o governo espanhol congelou o salário dos servidores públicos e deve cortar cerca de 15% do orçamento de cada um dos ministérios para atingir um valor final “muito austero”, segundo o primeiro-ministro conservador Mariano Rajoy – pressionado pela EU para conter o déficit público.


O governo também pretende arrecadar 12,3 bilhões de euros em 2012, ajudado pelo aumento de impostos a grandes companhias e elevação de preços da energia em 7% e do gás.
Nas ruas, os espanhóis protestaram na quinta-feira 29. Barcelona reuniu cerca 800 mil pessoas nas ruas, de acordo com dados dos sindicatos e 80 mil nas estimativas da policia. Em Madri, os sindicatos estimaram a participação popular 900 mil indivíduos.
O país tem o maior índice de desemprego da Europa, com 24% de sua população desocupada. Entre os jovens a situação é ainda mais crítica com quase metade dos jovens com menos de 25 anos estão sem trabalho.
Segundo o consultor do IEDI, essa situação também é influenciada pela política da UE de defender cortes para reequilibrar o orçamento de países em crise, seguindo a lógica de que isso favoreceria o retorno do crescimento. “Se um corte leva ao declínio da atividade econômica, fica mais difícil obter o equilíbrio fiscal”, questiona.
“Qual país tem uma melhora no seu déficit fiscal capaz de beneficiá-lo de tal forma a tirá-lo da crise? A melhora fiscal não é um elemento que por si só promova a volta do crescimento do país.”
Neste cenário, os ministros da Zona do Euro chegaram a um acordo nesta sexta-feira para reforçar a barreira contra a crise a até 800 bilhões de euros, como pretendia a Alemanha. A ideia é unir os fundos já comprometidos do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), para os resgates de Grécia, Portugal e Irlanda, e os do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEDE), definidos em 500 bilhões de euros.
A Comissão Europeia (CE) e alguns países, como a França, tinham um objetivo mais ambicioso. Pretendiam passar uma imagem de extrema solidez perante os mercados elevando o MEDE, o fundo permanente de resgate, que prevê entrar em vigor em julho, a 940 bilhões de euros.
Para isso propuseram acrescentar também os fundos não utilizados do FEEF, estimados em 240 bilhões de euros, como modo de reserva e em caso de extrema necessidade.
De acordo com Santos, o valor não seria suficiente para criar uma barreira efetiva, estimada pelo professor em 1 trilhão de euros. “Chegaram a este valor porque é o mínimo demandado pela Inglaterra e EUA para aceitar aumentar o volume de recursos do FMI.”
Por outro lado, Almeida acredita que o valor do fundo é suficiente, mas outra solução seria um arrojo maior com um programa de reestruturação de parte das dívidas nacionais por títulos de responsabilidade da União Europeia. “Essa medida seria complicada, pois haveria um comprometimento de países que hoje não estão na berlinda com a dívida de outros. Mas seria um bom início de entendimento para reduzir as dívidas impagáveis e melhora a situação dos que entram em situações críticas.”
O bloco, explica, deveria ter um programa mais flexível no campo fiscal e ter um programa de relançamento das economias da região. “Isso ajudaria esses países a se fortalecer fiscalmente, mas sem impulsionar a recessão.”