quinta-feira, 4 de abril de 2013

Presidente de Chipre anuncia pacote para reativar a economia

Presidente de Chipre anuncia pacote para reativar a economia

Autor(es): Nicósia
O Globo - 01/04/2013
 
Um dia depois de o Banco Central estipular as condições que vigorarão sobre os depósitos superiores a - 100 mil - cujos correntistas perderão 60% de suas economias acima do teto garantido pelo Estado e receberão 37,5% do valor a descoberto em ações do banco -, o presidente de Chipre, Nicos Anastasiades, anunciou um programa urgente de recuperação econômica, aplicável em um prazo de três e seis meses. Segundo o jornal espanhol "El País", os detalhes do plano devem ser apresentados na quinta-feira, quando representantes da troika - Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional - visitarem Nicósia para avaliar o impacto do resgate de ¬ 10 bilhões e duas exigências mínimas: o controle de capitais e a reestruturação do setor bancário cipriota.
Anastasiades explicou em entrevista ao jornal "Fileléfzeros" as linhas gerais do plano. Ao contrário do que espera a maioria da população, o pacote não se baseia em medidas de austeridade, mas, fundamentalmente, em apressar a tramitação de projetos de investimento e em atrair capital estrangeiro, baixar a elevadíssima conta de luz - muito superior que as irrisórias tarifas de telefonia móvel -, dar incentivos fiscais às empresas que reinvestirem seus lucros e recorrer a fundos europeus para combater o desemprego entre jovens, que em dezembro era de 28,4%, segundo dados da Eurostat. Outra medida prevista é uma reforma legislativa para permitir a abertura de cassinos na ilha.
O presidente cipriota assegurou ter negociado com a troika que não haverá reduções salariais, demissão de funcionários públicos ou diminuição de aposentadorias até 2015. Cerca de 60 mil trabalhadores, de uma população de 800 mil, dependem do Estado.
- São mensagens contraditórias, nas quais ninguém acredita - disse ao "El País" uma professora de Ensino Médio, que preferiu não se identificar.

Inadimplência já pressiona taxas

Inadimplência já pressiona taxas

Valor Econômico - 01/04/2013

Empresas que precisaram usar crédito neste começo de ano perceberam que as taxas de juros de quase todas as linha ficaram mais caras. No caso de pessoas físicas, dependendo do banco, quem entrasse no cheque especial ou financiasse um carro entre janeiro e março deste ano teria igual percepção de preços mais altos.
Os motivos: inadimplência resistente e juro futuro em alta.
Levantamento feito pelo Valor aponta que, depois de caírem em 2012, as taxas de juros das principais modalidades de crédito oferecidas pelos cinco maiores bancos do país se estabilizaram neste ano ou até sofreram uma leve alta. A taxa média mensal cobrada das empresas por Banco do Brasil, Caixa, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander subiu até 0,5 ponto percentual do quarto trimestre de 2012 para o início deste ano. No caso de pessoas físicas, o movimento de alta se deu em Banco do Brasil e Santander.
Daqui para a frente, de acordo com três executivos de bancos públicos e privados consultados, a tendência é que os cortes de taxas vistos em 2012 não se repitam. Apenas linhas como crédito consignado, imobiliário e empréstimos a grandes empresas ainda devem passar por reduções. Por serem modalidades que envolvem mais garantias, todos os bancos têm manifestado intenção de fazer mais negócios nelas, o que acirra a concorrência.
A persistência da inadimplência e a perspectiva de elevação da taxa básica de juros da economia estão entre os fatores mais citados pelos bancos para justificar a interrupção da trajetória de declínio. Segundo o diretor de um banco privado, as instituições reduziram as taxas em 2012 acreditando que a inadimplência cairia de uma forma mais acentuada. Como isso não aconteceu, a queda dos juros comprimiu os ganhos dos bancos. Por isso, as recentes remarcações.
A alta dos juros nos mercados futuros, impulsionada pela expectativa de elevação da Selic, também já é citada como capaz de encarecer o preço do dinheiro.
Para a Caixa, o que pode permitir uma nova rodada de redução é o ganho de eficiência. "À medida que a gente tenha sucesso [em reduzir custos e ganhar eficiência], vamos transferir isso para os clientes", disse Márcio Percival, da Caixa.
Uma melhor análise de risco também pode mexer nos custos. "O cadastro positivo, a ser implantado em agosto deste ano, será de fundamental importância para que os bancos possam desenvolver uma leitura mais adequada e individualizada da qualidade de crédito", afirmou o Santander em nota. Itaú e Banco do Brasil afirmaram que revisam de forma permanente as taxas que cobram.

GOVERNO COBRA DEFINIÇÕES RÁPIDAS SOBRE DOMÉSTICAS

GOVERNO COBRA DEFINIÇÕES RÁPIDAS SOBRE DOMÉSTICAS

PLANALTO VÊ RISCO DE DEMISSÕES
Autor(es): » ANTONIO TEMÓTEO
Correio Braziliense - 01/04/2013
 

O Congresso promulga amanhã a proposta que estende a trabalhadores domésticos 17 novos direitos. O Planalto quer solução rápida para os sete pontos que precisam de regulamentação. Teme que a instabilidade jurídica acabe provocando uma onda de demissões no mercado.

A presidente Dilma Rousseff cobra agilidade de ministérios para regulamentar sete dos 17 pontos da PEC das Domésticas a fim de evitar instabilidade no mercado e cortes de vagas por patrões temerosos com a lei que será promulgada amanhã

O Palácio do Planalto cobrou agilidade dos ministérios da Previdência Social e do Trabalho e Emprego (MTE) para regulamentar sete dos 17 itens da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) das domésticas. O governo teme que uma possível demora provoque uma onda de demissões em todo o país. Após a promulgação do texto no Senado, marcada para ocorrer amanhã, o Executivo exigirá rapidez na aprovação dos projetos de leis que serão encaminhados ao Congresso Nacional.

Estão em debate nos dois ministérios a fixação de uma alíquota menor para a contribuição patronal para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), hoje de 12%. A ideia é reduzi-la para 7% ou 8%. A dos empregados continuará de 8% a 11%, dependendo do salário. O governo pretende também não cobrar a contribuição adicional de 10% para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) recolhida pelos patrões em caso de demissão sem justa causa.

Será obrigatória apenas a multa de 40% sobre o saldo da conta, que fica para o empregado. A de 10%, paga hoje pelas empresas em geral, vai para o fundo comum do FGTS, destinado a obras de habitação e saneamento. Cálculos da Fundação Getulio Vargas (FGV) indicam que a arrecadação anual do fundo terá acréscimo de R$ 5,5 bilhões com a obrigatoriedade de pagamento do FGTS de 8% do salário para a categoria.

Entre os direitos que precisam de regulamentação para entrar em vigor, estão o seguro-desemprego, o adicional noturno e o salário-família (veja quadro). Conforme o governo, a hora extra e a jornada de 44 horas semanais passam a vigorar automaticamente após a promulgação da emenda. Porém, os empregadores não sabem ainda como conferir e fazer esse pagamento. Por isso, o governo terá que disciplinar também como será a marcação do ponto.

No caso dos empregados que não trabalham aos sábados, portanto, 40 horas por semana, os patrões querem regras claras sobre a possibilidades de compensar as quatro horas a menos trabalhadas na semana, com eventuais horas extras até esse limite. A dúvida é porque a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estabelece jornada diária máxima de oito por dia. Acima disso, é hora extra, que deve ser paga, conforme a legislação atual.

Entre os 17 novos direitos garantidos aos empregados domésticos, igualando-os aos dos demais trabalhadores, estão a jornada diária de 44 horas semanais e o pagamento de hora extra, de 50% do valor da hora regular, e de adicional noturno, de 20%.

Ansiedade
Trabalhando há 30 anos como doméstica, Ieda Vieira, 66 anos, tem uma lista extensa de residências em que já passou roupas. “Já prestei serviço em casas do Lago Sul, do Lago Norte, de Águas Claras, da Octogonal e do Guará”, conta ela, que ganha entre R$ 60 e R$ 80 por dia e pega no batente até quatro vezes na semana.

Ciente da aprovação da PEC das Domésticas, Ieda está ansiosa para ter os mesmos direitos dos demais trabalhadores. “Vida de diarista é difícil. Não recebemos benefício algum, mas espero que as coisas melhorem”, diz. Para Ieda, as conquistas podem fazê-la pensar em prestar serviço em uma só residência. “Nunca gostei de morar nas casas em que passo roupas. Gosto do que faço, mas posso mudar.”

Para o especialista em direito do trabalho Álvaro Trevisioli, o impacto da PEC é enorme, e não apenas do ponto de vista financeiro das famílias. “Haverá consequências graves para quem não cumprir a lei. E os empregados domésticos estão começando a tomar consciência disso”, comenta. Na opinião dele, escolas e creches terão de se adaptar aos novos horários dos pais, porque eles não poderão contar com a babá para pegar e levar os filhos ao colégio e terão que exercer mais esse papel.

“Também acredito que o impacto será maior em restaurantes. As famílias vão procurar comer fora com maior frequência por causa da impossibilidade de contratar uma pessoa para fazer o almoço e o jantar”, acrescenta Trevisioli.

Mudanças
A babá Elma Gonçalves Ramos, 29, cuida de três crianças no Sudoeste. Há nove anos no mesmo emprego, ela afirma gostar do que faz, mas reconhece existir preconceito contra o trabalhador doméstico. “Antigamente, éramos muito discriminados. Isso ainda existe, diminuiu pouca coisa”, lamenta. Além do salário de R$ 1,2 mil, a babá tem o INSS e o FGTS recolhido pelos empregadores. “A categoria será tratada com mais respeito com a aprovação da PEC”, acredita.

Ela, que trabalha de segunda a sexta, e dorme na residência às segundas e às sextas, inicia a jornada de trabalho às 8h e termina o expediente pouco antes das 18h. “Sou muito bem tratada pelos empregadores e não costumo trabalhar além do horário. Quando durmo lá, fico no meu quarto assistindo a televisão”, detalha.


“Haverá consequências graves para quem não cumprir a lei”

Álvaro Trevisioli,
especialista em direito do trabalho

Confisco no Chipre pode chegar a 60%

Confisco no Chipre pode chegar a 60%

Autor(es): Andrei Netto
O Estado de S. Paulo - 01/04/2013
 

No maior banco do país, serão atingidos investimentos e contas superiores a € 100 mil
Uma semana após a aprova­ção de um plano de resgate de € 17 bilhões, o governo do Chi­pre e os correntistas dos maio­res bancos do país começam a descobrir a amplitude do con­fisco exigido pela União Europeia, pelo Banco Central Euro­peu (BCE) e pelo Fundo Mone­tário Internacional (FMI). Cálculos preliminares e extraoficiais indicam que o corte no sal­do de contas correntes, poupanças e investimentos com maisde € 100 mil poderá chegar a 60% para os clientes do Banco do Chipre,o maior da ilha. A situação só não é pior do que no Banco Laiki, onde os correntistas com recur­sos acima desse valor perderão 100%.
O confisco de recursos de in­vestidores privados foi a fórmu­la encontrada por Bruxelas e pe­lo FMI para fazer com que o go­verno cipriota arrecade € 7 bi­lhões em recursos, montante da contrapartida do país aos € 10 bilhões em recursos internacio­nais que lhes serão empresta­dos. Pelo acordo de socorro, o Banco Laiki (Popular) será extinto. Os correntistas poderão transferir até € 100 mil para o Banco do Chipre, mas valores acima disso serão perdidos.
O memorando de entendi­mento também previa o confis­co de parte dos recursos dos clientes do Banco do Chipre. Há uma semana, Jeroen Dijssel- bloem, coordenador do fórum de ministros de Finanças da zo­na do euro (Eurogrupo), havia estimado os cortes entre 25% e 40%. No sábado, o Banco Cen­tral cipriota anunciou que o cor­te será de 37,5%, valor que será transformado em ações do ban­co-o que transformará, compulsoriamente, os correntistas em sócios. Além disso, outros 22,5% serão congelados e poderão ser confiscados caso o governo pre­cise de recursos extras.
"A primeira estimativa feita é de que 37,5% dos depósitos aci­ma de € 100 mil serão converti­dos em ações", confirmou o mi­nistro de Finanças, Michalis Sar- ris. "Por segurança, uma vez que os cálculos foram feitos sobre o montante que precisamos, 22,5% ficarão em separado." Se­gundo nota do BC cipriota, a de­cisão será informada "90 dias após o fim da avaliação".
Segundo o porta-voz do gover­no cipriota, Christos Stylianides, as autoridades buscarão ou­tras alternativas para geração de recursos. Para Stylianides, as op­ções podem incluir "a redução de empréstimos e outros servi­ços fornecidos porbancos cipriotas no país e no exterior".
Chipre viveu um feriado ban­cário de 12 dias em razão da tur­bulência financeira no país. As agênciasbancárias foram reaber­tas na quinta-feira, mas um con­trole de fluxo de capitais, estabe­lecendo limites estritos para os correntistas, entre os quais sa­ques de € 300 por semana e trans­ferências internacionais de até € 5 mil por mês.
Segundo relatório do Institu­to de Finança Internacional (IIF), o órgão que representa grandes investidores mundiais, o plano de socorro da UE para o Chipre causará uma depressão da ordem de 20% do Produto In­terno Bruto (PIB) do país em apenas dois anos. Para efeitos de comparação, a Grécia, nação mais atingida pela recessão na Europa, levou cinco anos para chegar à depressão de 20%. /com AFP E REUTERS

Brics vão desunidos à 1ª rodada de escolha à OMC

Brics vão desunidos à 1ª rodada de escolha à OMC

Autor(es): Por Assis Moreira | De Genebra
Valor Econômico - 01/04/2013
 

Os países dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) chegam sem manifestar alinhamento a um candidato comum na primeira rodada de escolha do novo diretor-geral da Organização Mundial de Comércio (OMC), por causa de suas múltiplas alianças.
Entre amanhã e o dia 9, os 158 países membros da OMC vão fazer a primeira ida ao "confessionário", como é chamada a consulta a ser feita pela troica de embaixadores do Paquistão, Canadá e Suécia. Cada delegação deve apontar suas preferências, no máximo quatro nomes que podem fazer consenso para substituir Pascal Lamy no comando de uma organização chave na governança global.
Dos nove candidatos, um é de país desenvolvido (Nova Zelândia) e outros são de países autoproclamados em desenvolvimento - três da América Latina (Brasil, México, Costa Rica), dois da Ásia (Coreia do Sul e Indonésia), dois da África (Gana e Quênia) e um do Oriente Médio (Jordânia). A primeira rodada de consultas eliminará os quatro candidatos com menor condição de reunir consenso.
O brasileiro Roberto Azevedo é o único que vem dos Brics. Na cúpula dos líderes na semana passada, em Durban (África do Sul), o máximo que o grupo concordou publicamente foi que o próximo diretor-geral da OMC deve ser de país em desenvolvimento.
Mesmo isso teve de ser arrancado após resistência da Rússia, que alegava haver entrado na OMC como país desenvolvido, faz também parte do G-8 (das principais nações industrializadas) e resistia a assinar a declaração que, ao seu ver, poderia ser vista como contrária ao único candidato de país um rico, o neozelandês Tim Groser. Os parceiros insistiram que os Brics, reunidos na África, não podiam deixar de se posicionar sobre o que a grande maioria da OMC aceita, quer e defende.
Sobre candidato preferencial, a Índia ficou em cima do muro, tendo aliança com a Indonésia, com os países africanos e também com o Brasil. A China sabe que seu peso conta e manifesta simpatias sem aprofundar os comprometimentos. A África do Sul tem compromissos regionais com os candidatos africanos.
Assim, na primeira rodada não há candidato caracterizado como sendo dos Brics. A expectativa é de que os grandes emergentes comecem a sinalizar quem apoiam a partir da segunda "rodada de fogo", de onde devem ser eliminados outros três candidatos, sobrando dois finalistas. Ou seja, dependendo de quem continua na disputa, e já não mais presos a apoios regionais, os Brics vão abrir mais o jogo. Azevedo é um candidato que, na opinião de um número importante de observadores, tem condições de passar pela primeira rodada e seguir atraindo apoio.
O jogo de apoios terá de levar em conta também a briga pelos quatro postos de diretor-adjunto da OMC. China, Rússia e países árabes querem uma vaga. Outra briga é pelo comando da Agência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad).

Brasil e UE tentam acelerar investimentos

Brasil e UE tentam acelerar investimentos

Valor Econômico - 01/04/2013
 

José Durão Barroso já informou a presidente Dilma sobre quem integrará o lado europeu da comissão
A União Europeia (UE) e o Brasil estão acelerando a implementação de um comitê de ministros para reduzir entraves e promover investimentos e competitividade nos dois lados. A iniciativa foi acertada na cúpula UE-Brasil, em fevereiro em Brasília, e não é por acaso que tem nível ministerial, conforme negociadores. Pelo menos no papel, o objetivo é tomar decisões concretas, em sintonia com empresários europeus e brasileiros.
Algumas decisões para estimular negócios podem ocorrer ou ser sugeridas na cúpula que ocorrerá neste ano em Bruxelas.
O presidente da Comissão Europeia, José Durão Barroso, enviou carta à presidente Dilma Rousseff informando que os representantes europeus no grupo serão o vice-presidente da comissão e comissário de Indústria, Antonio Tajani; o comissário de Comércio, Karel de Gucht; e a comissária para Ciência, Pesquisa e Inovação, Màire Geoghegan-Quinn. O Brasil está ultimando sua escolha.
A UE tem pressa. Um estudo da Comissão Europeia concluiu que 90% do crescimento econômico global deve ser gerado fora de seus 27 países membros, até 2015.
A UE é o principal parceiro comercial do Brasil. É também o maior investidor no país com estoque de mais de € 180 bilhões, mais que todos os investimentos europeus somados na China, Índia e Rússia. Por sua vez, o estoque de investimentos diretos brasileiros nos países da UE superam os € 67 bilhões, transformando o Brasil no quinto maior investidor no bloco.
Conforme os europeus, existe crescente interesse em estabelecer ou ampliar a presença no Brasil, inclusive por parcerias público-privadas. E há foco em crescente competitividade de empresas brasileiras no mercado europeu.
Enquanto os europeus reclamam de problemas burocráticos que causam protecionismo, o lado brasileiro aponta questões de regras de concorrência não escritas ou sobre ajuda do Estado para inovação e tecnologia, que são complicadas e dificultam empresa brasileira instalada na UE a ter aceso aos programas.
Estudo de três especialistas do Centre for European Policy Studies, Daniel Gross, Cinzia Alcidi e Alessandro Giovannini, examina o interesse estratégico da Europa e o potencial da economia brasileira, e sugere que Brasília e Bruxelas busquem nova iniciativa econômica bilateral. Como o Brasil não pode negociar acordos comerciais clássicos sem o Mercosul, a ideia seria de brasileiros e europeus aprofundarem outros temas, como facilitação de comércio e para investimentos diretos brasileiros na Europa em crise.
Para Luigi Gambardella, presidente da UEBrasil, entidade que procura reforçar os vínculos bilaterais, o Brasil tem também um interesse vital em aprofundar sua parceria econômica com a Europa para não ficar isolado pelo lançamento da negociação UE-Estados Unidos e pelo avanço do Acordo Comercial Transpacífico (TPP) que reune EUA, Japão, Austrália, Chile, Malásia, Nova Zelândia, Peru, Cingapura, Vietnã e outros. "Esses países estão entre os clientes brasileiros mais importantes e o Brasil não pode correr o risco de ser bloqueado por essas novas grandes iniciativas bilaterais."

INFLAÇÃO É MAIOR PARA QUEM GANHA ATÉ 2,5 SALÁRIOS

INFLAÇÃO É MAIOR PARA QUEM GANHA ATÉ 2,5 SALÁRIOS

INFLAÇÃO DOS ALIMENTOS AFETA MAIS A BAIXA RENDA
Autor(es): Fernanda Nunes
O Estado de S. Paulo - 01/04/2013
 

Alta de alimentos impacta mais consumidor de baixa renda do que a média da população, informa FGV
O Índice de Preços ao Consumidor - Classe 1 (IPC - C1), indicador que mede a inflação entre a população com renda até 2,5 salários mínimos calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), foi de 6,94% em fevereiro, superior ao da média dos brasileiros, de 6,04%. A alta foi puxada pela disparada de preços dos alimentos adquiridos por esses consumidores, que subiram mais do que os da média da população nos últimos 12 meses. Em fevereiro, a inflação dos alimentos foi de 13,94% no IPC-C1, ante 12,29% da inflação geral, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor - Disponibilidade Interna (IPC - DI). A previsão é de que a desoneração de parte da cesta básica, adotada pelo governo em março, represente um alívio para esse consumidor de baixa renda. A desaceleração, porém, deve ser lenta, de acordo com especialistas, e não ocorrerá em menor de três meses.
Em 12 meses, preços dos alimentos mais consumidos por quem ganha até 2,5 salários mínimos subiram mais que os da média da população

O aumento dos preços dos alimentos ao longo dos últimos meses vem tirando o fôlego e comprometendo a capacidade de compra de um grupo em especial: o consumidor de baixa renda. Para esse segmento, base da festejada “nova classe média”, a inflação pesa mais.

O indicador que mede a variação de preços em 12 meses para as famílias com ganho mensal de até 2,5 salários mínimos, em fevereiro, foi de 6,94%, nível superior ao da média dos brasileiros, que registrou 6,04%.

A diferença da inflação por classe de renda ocorre, na verdade, desde julho do ano passado. A Fundação Getúlio Vargas (FGV), que calcula o índice de Preços ao Consumidor - Classe 1  (IPC-Ci, a chamada inflação dabaixa renda) e o índice de PreÇOS ao consumidor - Disponibilidade Interna (IPC-DI), vem registrando o deslocamento.

Isso acontece porque os preços dos alimentos adquiridos pelos consumidores de rendimento mais baixo dispararam. Para a população mais pobre, 30% do salário são destinados às compras de supermercado, enquanto para a média dos brasileiros os alimentos representam 20% das despesas. Em fevereiro, último indicador divulgado, a inflação dos alimentos variou 13,94% no IPC-Ci e 12,29% no IPC-DI.

A inflação para a baixa renda
• Queda

ANDRÉ BRAZ

ECONOMISTA “A tendência da inflação dos alimentos é desacelerar.

A medida do governo de desoneração da cesta básica, cedo ou tarde, terá resultado. Mas essa desaceleração deve ser lenta.”
passou a ser mais sentida neste início de ano, com o fim de alguns programas de incentivo ao consumo, como a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para bens duráveis. Mas o maior peso vem dos alimentos e a tendência, segundo o economista André Braz, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre)da FGV,é que a alta de preços desseS produtos perca o fôlego daquf pàra frente. Com isso, diz Braz* a baixa renda pode ter um alívio nos próximos meses.

Enquanto isso, a expectativa é que o governo mire suas ações exatamente no alívio do orçamento desse grupo de consumidores, que vem puxando o aumento do consumo das famílias na economia. O professor da Faculdade de Economia e coordenador da Fipe Rafael Costa Lima acredita que as medidas devem ter como foco a inflação como um todo, porém, com atenção especial a setores que atendam à
“nova classe média”.

Ainda assim, a avaliação do economista é que, com a renda do trabalho se mantendo em alta, o consumo pela população de baixa renda continuará forte. “Não imagino que a inflação vai corroer tanto o poder de com: pra dessa população”, afirmou.

Para o economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC) Bruno Fernandes, no entanto, a variação de preços para esse grupo de consumidores é preocupante.

Idosos. Além dos pobres, a população idosa é outro grupo que também é mais punido com a inflação dos alimentos. O último dado disponível do IPC-3Í, que mede a inflação das famílias com indivíduos com mais de 60 anos, mostra que, em 2012, o indicador teve alta de 5,82%, enquanto o IPC-DI foi de 5,74%. A FGV apura a inflação dos mais idosos trimestralmente, portanto, os resultados deste ano ainda não são conhecidos.

Braz, da FGV, diz que, na atual conjuntura os idosos sentem mais os efeitos da inflação por consumirem mais alimentos in natura, que têm sido os vilões dos preços. O economista pondera, no entanto, que essa alta pode ser contrabalançada pelo fato de os mais idosos sentirem menos os efeitos do reajuste de transporte público, porque boa parte deles tem passe livre no ônibus. / COLABOROU M.C.

IPI congelado rende economia de até R$ 2,4 mil

IPI congelado rende economia de até R$ 2,4 mil

Desconto de até R$ 2,4 mil com IPI congelado
Autor(es): » DECO BANCILLON » VICTOR MARTINS » ROSANA HESSEL
Correio Braziliense - 01/04/2013
 

Montadoras esperam ampliar vendas com a decisão do governo de manter imposto até dezembro, mas endividamento alto atrapalha

Com a decisão do governo de congelar o desconto do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis, o consumidor que decidir levar para casa um carro zero-quilômetro deixará de pagar até R$ 2,4 mil, caso opte pelos modelos mais caros. Essa é a diferença entre o preço médio cobrado nas concessionárias por um veículo de até 2 mil cilindradas, movido a gasolina, atualmente taxado em 8%, e o que ele passaria a custar a partir de hoje, com 10% de tributo, conforme previa inicialmente o cronograma definido pelo governo.

Segundo comunicado divulgado no sábado pelo Ministério da Fazenda, o desconto do IPI será mantido até 31 de dezembro de 2013. Com isso, carros flex e movidos a gasolina de até 1.000 cilindradas continuarão sendo tributados em 2%. Sem a prorrogação, a taxação subiria para 3,5%. O mesmo vale para veículos flex de 1.000 a 2.000 cilindradas, que atualmente pagam 7% de tributo. Caso o cronograma fosse mantido, a alíquota passaria para 9%. Já para os modelos movidos a gasolina, que são mais poluentes, o tributo foi congelado em 8% —sem a alteração, no entanto, pagariam 10% de imposto.

Fontes do setor automobilístico calculam que o preço médio dos carros subiria entre R$ 300 e R$ 400 caso o IPI tivesse sido elevado. Com a manutenção do desconto, porém, a expectativa das montadoras é de que o consumidor siga comprando, como fez em 2012, quando as vendas subiram 4,6%. Ao todo, foram vendidos 3,8 milhões de carros  em 2012. O problema é o elevado nível de endividamento das famílias.

Aposta
A estimativa da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) era de que os emplacamentos crescessem de 3,5% a 4,5% em 2013. Para isso, porém, o Produto Interno Bruto (PIB) teria de crescer, pelo menos, 4%, um número que, hoje, parece distante de ser alcançado. Pelo último relatório Focus divulgado pelo Banco Central, a previsão do mercado financeiro é de avanço de 3%. Mesmo diante dessa expectativa pessimista, o Ministério da Fazenda mantém a aposta de que o país retornará o ritmo mais forte do PIB neste ano.

Em declarações recentes, o ministro Guido Mantega avaliou que a expansão da economia ficará entre 4% e 4,5% em 2013. Não é o que pensa o próprio setor automotivo, que está mais cauteloso. “Aparentemente, pelo que temos acompanhado, a projeção da Fazenda não deverá se concretizar”, argumentou uma fonte do setor. Mesmo dentro do governo, há quem aponte excesso de otimismo do ministro. É o caso do Banco Central, que prevê incremento de 3,1% para o PIB 2013.

Para dar uma forcinha à estimativa da Fazenda, o governo tem concedido diversos incentivos tributários, como a prorrogação do IPI para a indústria automobilística, que custará aos cofres públicos o equivalente a R$ 2,2 bilhões apenas entre abril e dezembro. A aposta é que o desconto dará novo fôlego à produção, já que as montadoras empregam, atualmente, cerca de 130 mil trabalhadores. Pelos cálculos de Mantega, o setor representa 25% da produção nacional.

Pyongyang põe os mísseis de prontidão

Pyongyang põe os mísseis de prontidão

Correio Braziliense - 29/03/2013
 

A ordem, clara e direta, foi assinada à 0h30 de hoje (12h30 de ontem, em Brasília) por Kim Jong-un. O ditador norte-coreano firmou o plano sobre a preparação técnica de foguetes estratégicos, autorizando o disparo “contra o território norte-americano, suas bases militares no Pacífico — incluindo o Havaí e Guam — e aquelas na Coreia do Sul”. Jong-un alertou que Pyongyang agirá, caso os Estados Unidos façam uma provocação “imprudente”, e reduzirá “tudo a cinzas em um único ataque”. Segundo o comunicado da Coreia do Norte, o país “jamais permanecerá como um espectador passivo ante as manobras frenéticas para agressão, por parte dos imperialistas dos EUA”.

A mobilização dos mísseis norte-coreanos teria sido uma resposta ao sobrevoo de dois bombardeiros norte-americanos B-2 Spirit, que lançaram munições artificiais sobre um alvo em território sul-coreano. Os aviões partiram da Base Whiteman, no Missouri (centro dos EUA). De acordo com um comunicado das forças americanas sediadas na Coreia do Sul, a ação “demonstra a capacidade dos Estados Unidos de efetuar ataques a grandes distâncias, rápidos e quando quiser”.

O B-2 Spirit, utilizado pela primeira vez na Sérvia (1999), antes de ser empregado no Afeganistão e na Líbia (2011), “é um elemento importante da capacidade de dissuasão (...) dos Estados Unidos na região Ásia-Pacífico”, acrescentou o texto. Trata-se de uma advertência à Coreia do Norte, cujas autoridades ainda não digeriram a adoção de novas sanções da ONU depois do teste nuclear realizado em 12 de fevereiro, antecedido pelo disparo de um foguete — considerado pelos Estados Unidos um teste de míssil balístico —, em dezembro. Pyongyang denuncia as provocações americanas e sul-coreanas e reconhece o perigo de desencadear “uma guerra termonuclear” na Península Coreana.

Arma poderosa
Com 11 mil km de autonomia, o B-2 é um temível avião, concebido para missões especiais de bombardeio estratégico em altas altitudes (até 15 mil metros), atrás das linhas inimigas. A aeronave, considerada indetectável e que voa perto da velocidade do som, pode carregar até 18t de armamento convencional ou nuclear, inclusive 16 bombas de 900kg guiadas por satélite ou oito GBU-37 antibunker.

O secretário norte-americano da Defesa, Chuck Hagel, disse que os EUA estão “preparados para enfrentar qualquer eventual” ameaça. “Nós defenderemos explicitamente nossa aliança com a Coreia do Sul e com os aliados da região”, afirmou. “Devemos dizer claramente que levamos estas provocações (da Coreia) do Norte muito a sério e reagiremos a isto.”

Chipre: fila nos bancos

Chipre: fila nos bancos

Correio Braziliense - 29/03/2013
 
Nicósia — Os cipriotas fizeram filas sem tumultos diante dos bancos, que reabriram, ontem, sob um rigoroso controle de saques, destinado a evitar uma fuga de capitais, depois de o governo ser forçado a aceitar um pacote de resgate da União Europeia. Os bancos passaram quase duas semanas fechados, enquanto o governo negociava os termos de uma ajuda de 10 bilhões de euros (US$ 13 bilhões). Foi a primeira vez que um plano de socorro financeiro na Zona do Euro impôs prejuízos a correntistas bancários.

Os saques foram limitados a 300 euros por dia, e os bancos foram proibidos de descontar cheques. Os empregados das instituições chegaram cedo para trabalhar, em Nicósia, onde cédulas de euros eram distribuídas por caminhões blindados.

O Banco Central Europeu não comentou rumores de que, para atender a demanda por dinheiro vivo, teria enviado mais cédulas de euros à ilha. As autoridades dizem que a restrição aos saques será temporária — incialmente por sete dias —, mas economistas afirmam que
será difícil suspendê-la enquanto a economia estiver em crise.

Medo
Em Nicósia, havia alívio, mas também alguma apreensão. “Você não tem ideia do quanto eu estava esperando por isso”, disse o aposentado Froso Kokikou, numa fila do Banco Popular do Chipre (Laiki). “Tenho uma sensação de medo e frustração por precisar ficar desse jeito na fila; parece um país de terceiro mundo, mas o que se pode fazer?”, disse Kokikou. “Foi o que nos impuseram, e temos de conviver com isso.” A Bolsa cipriota permaneceu fechada.

Com apenas 860 mil habitantes, Chipre tem 68 bilhões de euros depositados em seus bancos — um sistema financeiro desproporcional ao tamanho do país, que atraía muitos depósitos de estrangeiros, especialmente russos, como um paraíso fiscal. A economia local acabou contaminada pela crise na vizinha Grécia. O ministro das Relações Exteriores, Ioannis Kasoulides, disse que o governo espera suspender completamente o regime de controles de capital sobre seus bancos em cerca de um mês.