quinta-feira, 4 de abril de 2013

Brics vão desunidos à 1ª rodada de escolha à OMC

Brics vão desunidos à 1ª rodada de escolha à OMC

Autor(es): Por Assis Moreira | De Genebra
Valor Econômico - 01/04/2013
 

Os países dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) chegam sem manifestar alinhamento a um candidato comum na primeira rodada de escolha do novo diretor-geral da Organização Mundial de Comércio (OMC), por causa de suas múltiplas alianças.
Entre amanhã e o dia 9, os 158 países membros da OMC vão fazer a primeira ida ao "confessionário", como é chamada a consulta a ser feita pela troica de embaixadores do Paquistão, Canadá e Suécia. Cada delegação deve apontar suas preferências, no máximo quatro nomes que podem fazer consenso para substituir Pascal Lamy no comando de uma organização chave na governança global.
Dos nove candidatos, um é de país desenvolvido (Nova Zelândia) e outros são de países autoproclamados em desenvolvimento - três da América Latina (Brasil, México, Costa Rica), dois da Ásia (Coreia do Sul e Indonésia), dois da África (Gana e Quênia) e um do Oriente Médio (Jordânia). A primeira rodada de consultas eliminará os quatro candidatos com menor condição de reunir consenso.
O brasileiro Roberto Azevedo é o único que vem dos Brics. Na cúpula dos líderes na semana passada, em Durban (África do Sul), o máximo que o grupo concordou publicamente foi que o próximo diretor-geral da OMC deve ser de país em desenvolvimento.
Mesmo isso teve de ser arrancado após resistência da Rússia, que alegava haver entrado na OMC como país desenvolvido, faz também parte do G-8 (das principais nações industrializadas) e resistia a assinar a declaração que, ao seu ver, poderia ser vista como contrária ao único candidato de país um rico, o neozelandês Tim Groser. Os parceiros insistiram que os Brics, reunidos na África, não podiam deixar de se posicionar sobre o que a grande maioria da OMC aceita, quer e defende.
Sobre candidato preferencial, a Índia ficou em cima do muro, tendo aliança com a Indonésia, com os países africanos e também com o Brasil. A China sabe que seu peso conta e manifesta simpatias sem aprofundar os comprometimentos. A África do Sul tem compromissos regionais com os candidatos africanos.
Assim, na primeira rodada não há candidato caracterizado como sendo dos Brics. A expectativa é de que os grandes emergentes comecem a sinalizar quem apoiam a partir da segunda "rodada de fogo", de onde devem ser eliminados outros três candidatos, sobrando dois finalistas. Ou seja, dependendo de quem continua na disputa, e já não mais presos a apoios regionais, os Brics vão abrir mais o jogo. Azevedo é um candidato que, na opinião de um número importante de observadores, tem condições de passar pela primeira rodada e seguir atraindo apoio.
O jogo de apoios terá de levar em conta também a briga pelos quatro postos de diretor-adjunto da OMC. China, Rússia e países árabes querem uma vaga. Outra briga é pelo comando da Agência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad).

Brasil e UE tentam acelerar investimentos

Brasil e UE tentam acelerar investimentos

Valor Econômico - 01/04/2013
 

José Durão Barroso já informou a presidente Dilma sobre quem integrará o lado europeu da comissão
A União Europeia (UE) e o Brasil estão acelerando a implementação de um comitê de ministros para reduzir entraves e promover investimentos e competitividade nos dois lados. A iniciativa foi acertada na cúpula UE-Brasil, em fevereiro em Brasília, e não é por acaso que tem nível ministerial, conforme negociadores. Pelo menos no papel, o objetivo é tomar decisões concretas, em sintonia com empresários europeus e brasileiros.
Algumas decisões para estimular negócios podem ocorrer ou ser sugeridas na cúpula que ocorrerá neste ano em Bruxelas.
O presidente da Comissão Europeia, José Durão Barroso, enviou carta à presidente Dilma Rousseff informando que os representantes europeus no grupo serão o vice-presidente da comissão e comissário de Indústria, Antonio Tajani; o comissário de Comércio, Karel de Gucht; e a comissária para Ciência, Pesquisa e Inovação, Màire Geoghegan-Quinn. O Brasil está ultimando sua escolha.
A UE tem pressa. Um estudo da Comissão Europeia concluiu que 90% do crescimento econômico global deve ser gerado fora de seus 27 países membros, até 2015.
A UE é o principal parceiro comercial do Brasil. É também o maior investidor no país com estoque de mais de € 180 bilhões, mais que todos os investimentos europeus somados na China, Índia e Rússia. Por sua vez, o estoque de investimentos diretos brasileiros nos países da UE superam os € 67 bilhões, transformando o Brasil no quinto maior investidor no bloco.
Conforme os europeus, existe crescente interesse em estabelecer ou ampliar a presença no Brasil, inclusive por parcerias público-privadas. E há foco em crescente competitividade de empresas brasileiras no mercado europeu.
Enquanto os europeus reclamam de problemas burocráticos que causam protecionismo, o lado brasileiro aponta questões de regras de concorrência não escritas ou sobre ajuda do Estado para inovação e tecnologia, que são complicadas e dificultam empresa brasileira instalada na UE a ter aceso aos programas.
Estudo de três especialistas do Centre for European Policy Studies, Daniel Gross, Cinzia Alcidi e Alessandro Giovannini, examina o interesse estratégico da Europa e o potencial da economia brasileira, e sugere que Brasília e Bruxelas busquem nova iniciativa econômica bilateral. Como o Brasil não pode negociar acordos comerciais clássicos sem o Mercosul, a ideia seria de brasileiros e europeus aprofundarem outros temas, como facilitação de comércio e para investimentos diretos brasileiros na Europa em crise.
Para Luigi Gambardella, presidente da UEBrasil, entidade que procura reforçar os vínculos bilaterais, o Brasil tem também um interesse vital em aprofundar sua parceria econômica com a Europa para não ficar isolado pelo lançamento da negociação UE-Estados Unidos e pelo avanço do Acordo Comercial Transpacífico (TPP) que reune EUA, Japão, Austrália, Chile, Malásia, Nova Zelândia, Peru, Cingapura, Vietnã e outros. "Esses países estão entre os clientes brasileiros mais importantes e o Brasil não pode correr o risco de ser bloqueado por essas novas grandes iniciativas bilaterais."

INFLAÇÃO É MAIOR PARA QUEM GANHA ATÉ 2,5 SALÁRIOS

INFLAÇÃO É MAIOR PARA QUEM GANHA ATÉ 2,5 SALÁRIOS

INFLAÇÃO DOS ALIMENTOS AFETA MAIS A BAIXA RENDA
Autor(es): Fernanda Nunes
O Estado de S. Paulo - 01/04/2013
 

Alta de alimentos impacta mais consumidor de baixa renda do que a média da população, informa FGV
O Índice de Preços ao Consumidor - Classe 1 (IPC - C1), indicador que mede a inflação entre a população com renda até 2,5 salários mínimos calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), foi de 6,94% em fevereiro, superior ao da média dos brasileiros, de 6,04%. A alta foi puxada pela disparada de preços dos alimentos adquiridos por esses consumidores, que subiram mais do que os da média da população nos últimos 12 meses. Em fevereiro, a inflação dos alimentos foi de 13,94% no IPC-C1, ante 12,29% da inflação geral, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor - Disponibilidade Interna (IPC - DI). A previsão é de que a desoneração de parte da cesta básica, adotada pelo governo em março, represente um alívio para esse consumidor de baixa renda. A desaceleração, porém, deve ser lenta, de acordo com especialistas, e não ocorrerá em menor de três meses.
Em 12 meses, preços dos alimentos mais consumidos por quem ganha até 2,5 salários mínimos subiram mais que os da média da população

O aumento dos preços dos alimentos ao longo dos últimos meses vem tirando o fôlego e comprometendo a capacidade de compra de um grupo em especial: o consumidor de baixa renda. Para esse segmento, base da festejada “nova classe média”, a inflação pesa mais.

O indicador que mede a variação de preços em 12 meses para as famílias com ganho mensal de até 2,5 salários mínimos, em fevereiro, foi de 6,94%, nível superior ao da média dos brasileiros, que registrou 6,04%.

A diferença da inflação por classe de renda ocorre, na verdade, desde julho do ano passado. A Fundação Getúlio Vargas (FGV), que calcula o índice de Preços ao Consumidor - Classe 1  (IPC-Ci, a chamada inflação dabaixa renda) e o índice de PreÇOS ao consumidor - Disponibilidade Interna (IPC-DI), vem registrando o deslocamento.

Isso acontece porque os preços dos alimentos adquiridos pelos consumidores de rendimento mais baixo dispararam. Para a população mais pobre, 30% do salário são destinados às compras de supermercado, enquanto para a média dos brasileiros os alimentos representam 20% das despesas. Em fevereiro, último indicador divulgado, a inflação dos alimentos variou 13,94% no IPC-Ci e 12,29% no IPC-DI.

A inflação para a baixa renda
• Queda

ANDRÉ BRAZ

ECONOMISTA “A tendência da inflação dos alimentos é desacelerar.

A medida do governo de desoneração da cesta básica, cedo ou tarde, terá resultado. Mas essa desaceleração deve ser lenta.”
passou a ser mais sentida neste início de ano, com o fim de alguns programas de incentivo ao consumo, como a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para bens duráveis. Mas o maior peso vem dos alimentos e a tendência, segundo o economista André Braz, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre)da FGV,é que a alta de preços desseS produtos perca o fôlego daquf pàra frente. Com isso, diz Braz* a baixa renda pode ter um alívio nos próximos meses.

Enquanto isso, a expectativa é que o governo mire suas ações exatamente no alívio do orçamento desse grupo de consumidores, que vem puxando o aumento do consumo das famílias na economia. O professor da Faculdade de Economia e coordenador da Fipe Rafael Costa Lima acredita que as medidas devem ter como foco a inflação como um todo, porém, com atenção especial a setores que atendam à
“nova classe média”.

Ainda assim, a avaliação do economista é que, com a renda do trabalho se mantendo em alta, o consumo pela população de baixa renda continuará forte. “Não imagino que a inflação vai corroer tanto o poder de com: pra dessa população”, afirmou.

Para o economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC) Bruno Fernandes, no entanto, a variação de preços para esse grupo de consumidores é preocupante.

Idosos. Além dos pobres, a população idosa é outro grupo que também é mais punido com a inflação dos alimentos. O último dado disponível do IPC-3Í, que mede a inflação das famílias com indivíduos com mais de 60 anos, mostra que, em 2012, o indicador teve alta de 5,82%, enquanto o IPC-DI foi de 5,74%. A FGV apura a inflação dos mais idosos trimestralmente, portanto, os resultados deste ano ainda não são conhecidos.

Braz, da FGV, diz que, na atual conjuntura os idosos sentem mais os efeitos da inflação por consumirem mais alimentos in natura, que têm sido os vilões dos preços. O economista pondera, no entanto, que essa alta pode ser contrabalançada pelo fato de os mais idosos sentirem menos os efeitos do reajuste de transporte público, porque boa parte deles tem passe livre no ônibus. / COLABOROU M.C.

IPI congelado rende economia de até R$ 2,4 mil

IPI congelado rende economia de até R$ 2,4 mil

Desconto de até R$ 2,4 mil com IPI congelado
Autor(es): » DECO BANCILLON » VICTOR MARTINS » ROSANA HESSEL
Correio Braziliense - 01/04/2013
 

Montadoras esperam ampliar vendas com a decisão do governo de manter imposto até dezembro, mas endividamento alto atrapalha

Com a decisão do governo de congelar o desconto do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis, o consumidor que decidir levar para casa um carro zero-quilômetro deixará de pagar até R$ 2,4 mil, caso opte pelos modelos mais caros. Essa é a diferença entre o preço médio cobrado nas concessionárias por um veículo de até 2 mil cilindradas, movido a gasolina, atualmente taxado em 8%, e o que ele passaria a custar a partir de hoje, com 10% de tributo, conforme previa inicialmente o cronograma definido pelo governo.

Segundo comunicado divulgado no sábado pelo Ministério da Fazenda, o desconto do IPI será mantido até 31 de dezembro de 2013. Com isso, carros flex e movidos a gasolina de até 1.000 cilindradas continuarão sendo tributados em 2%. Sem a prorrogação, a taxação subiria para 3,5%. O mesmo vale para veículos flex de 1.000 a 2.000 cilindradas, que atualmente pagam 7% de tributo. Caso o cronograma fosse mantido, a alíquota passaria para 9%. Já para os modelos movidos a gasolina, que são mais poluentes, o tributo foi congelado em 8% —sem a alteração, no entanto, pagariam 10% de imposto.

Fontes do setor automobilístico calculam que o preço médio dos carros subiria entre R$ 300 e R$ 400 caso o IPI tivesse sido elevado. Com a manutenção do desconto, porém, a expectativa das montadoras é de que o consumidor siga comprando, como fez em 2012, quando as vendas subiram 4,6%. Ao todo, foram vendidos 3,8 milhões de carros  em 2012. O problema é o elevado nível de endividamento das famílias.

Aposta
A estimativa da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) era de que os emplacamentos crescessem de 3,5% a 4,5% em 2013. Para isso, porém, o Produto Interno Bruto (PIB) teria de crescer, pelo menos, 4%, um número que, hoje, parece distante de ser alcançado. Pelo último relatório Focus divulgado pelo Banco Central, a previsão do mercado financeiro é de avanço de 3%. Mesmo diante dessa expectativa pessimista, o Ministério da Fazenda mantém a aposta de que o país retornará o ritmo mais forte do PIB neste ano.

Em declarações recentes, o ministro Guido Mantega avaliou que a expansão da economia ficará entre 4% e 4,5% em 2013. Não é o que pensa o próprio setor automotivo, que está mais cauteloso. “Aparentemente, pelo que temos acompanhado, a projeção da Fazenda não deverá se concretizar”, argumentou uma fonte do setor. Mesmo dentro do governo, há quem aponte excesso de otimismo do ministro. É o caso do Banco Central, que prevê incremento de 3,1% para o PIB 2013.

Para dar uma forcinha à estimativa da Fazenda, o governo tem concedido diversos incentivos tributários, como a prorrogação do IPI para a indústria automobilística, que custará aos cofres públicos o equivalente a R$ 2,2 bilhões apenas entre abril e dezembro. A aposta é que o desconto dará novo fôlego à produção, já que as montadoras empregam, atualmente, cerca de 130 mil trabalhadores. Pelos cálculos de Mantega, o setor representa 25% da produção nacional.

Pyongyang põe os mísseis de prontidão

Pyongyang põe os mísseis de prontidão

Correio Braziliense - 29/03/2013
 

A ordem, clara e direta, foi assinada à 0h30 de hoje (12h30 de ontem, em Brasília) por Kim Jong-un. O ditador norte-coreano firmou o plano sobre a preparação técnica de foguetes estratégicos, autorizando o disparo “contra o território norte-americano, suas bases militares no Pacífico — incluindo o Havaí e Guam — e aquelas na Coreia do Sul”. Jong-un alertou que Pyongyang agirá, caso os Estados Unidos façam uma provocação “imprudente”, e reduzirá “tudo a cinzas em um único ataque”. Segundo o comunicado da Coreia do Norte, o país “jamais permanecerá como um espectador passivo ante as manobras frenéticas para agressão, por parte dos imperialistas dos EUA”.

A mobilização dos mísseis norte-coreanos teria sido uma resposta ao sobrevoo de dois bombardeiros norte-americanos B-2 Spirit, que lançaram munições artificiais sobre um alvo em território sul-coreano. Os aviões partiram da Base Whiteman, no Missouri (centro dos EUA). De acordo com um comunicado das forças americanas sediadas na Coreia do Sul, a ação “demonstra a capacidade dos Estados Unidos de efetuar ataques a grandes distâncias, rápidos e quando quiser”.

O B-2 Spirit, utilizado pela primeira vez na Sérvia (1999), antes de ser empregado no Afeganistão e na Líbia (2011), “é um elemento importante da capacidade de dissuasão (...) dos Estados Unidos na região Ásia-Pacífico”, acrescentou o texto. Trata-se de uma advertência à Coreia do Norte, cujas autoridades ainda não digeriram a adoção de novas sanções da ONU depois do teste nuclear realizado em 12 de fevereiro, antecedido pelo disparo de um foguete — considerado pelos Estados Unidos um teste de míssil balístico —, em dezembro. Pyongyang denuncia as provocações americanas e sul-coreanas e reconhece o perigo de desencadear “uma guerra termonuclear” na Península Coreana.

Arma poderosa
Com 11 mil km de autonomia, o B-2 é um temível avião, concebido para missões especiais de bombardeio estratégico em altas altitudes (até 15 mil metros), atrás das linhas inimigas. A aeronave, considerada indetectável e que voa perto da velocidade do som, pode carregar até 18t de armamento convencional ou nuclear, inclusive 16 bombas de 900kg guiadas por satélite ou oito GBU-37 antibunker.

O secretário norte-americano da Defesa, Chuck Hagel, disse que os EUA estão “preparados para enfrentar qualquer eventual” ameaça. “Nós defenderemos explicitamente nossa aliança com a Coreia do Sul e com os aliados da região”, afirmou. “Devemos dizer claramente que levamos estas provocações (da Coreia) do Norte muito a sério e reagiremos a isto.”

Chipre: fila nos bancos

Chipre: fila nos bancos

Correio Braziliense - 29/03/2013
 
Nicósia — Os cipriotas fizeram filas sem tumultos diante dos bancos, que reabriram, ontem, sob um rigoroso controle de saques, destinado a evitar uma fuga de capitais, depois de o governo ser forçado a aceitar um pacote de resgate da União Europeia. Os bancos passaram quase duas semanas fechados, enquanto o governo negociava os termos de uma ajuda de 10 bilhões de euros (US$ 13 bilhões). Foi a primeira vez que um plano de socorro financeiro na Zona do Euro impôs prejuízos a correntistas bancários.

Os saques foram limitados a 300 euros por dia, e os bancos foram proibidos de descontar cheques. Os empregados das instituições chegaram cedo para trabalhar, em Nicósia, onde cédulas de euros eram distribuídas por caminhões blindados.

O Banco Central Europeu não comentou rumores de que, para atender a demanda por dinheiro vivo, teria enviado mais cédulas de euros à ilha. As autoridades dizem que a restrição aos saques será temporária — incialmente por sete dias —, mas economistas afirmam que
será difícil suspendê-la enquanto a economia estiver em crise.

Medo
Em Nicósia, havia alívio, mas também alguma apreensão. “Você não tem ideia do quanto eu estava esperando por isso”, disse o aposentado Froso Kokikou, numa fila do Banco Popular do Chipre (Laiki). “Tenho uma sensação de medo e frustração por precisar ficar desse jeito na fila; parece um país de terceiro mundo, mas o que se pode fazer?”, disse Kokikou. “Foi o que nos impuseram, e temos de conviver com isso.” A Bolsa cipriota permaneceu fechada.

Com apenas 860 mil habitantes, Chipre tem 68 bilhões de euros depositados em seus bancos — um sistema financeiro desproporcional ao tamanho do país, que atraía muitos depósitos de estrangeiros, especialmente russos, como um paraíso fiscal. A economia local acabou contaminada pela crise na vizinha Grécia. O ministro das Relações Exteriores, Ioannis Kasoulides, disse que o governo espera suspender completamente o regime de controles de capital sobre seus bancos em cerca de um mês.

Inflação em alta, crescimento pífio

Inflação em alta, crescimento pífio

Autor(es): ROSANA HESSEL » VICTOR MARTINS
Correio Braziliense - 29/03/2013
 

Banco Central admite que vai seguir a cartilha de Dilma e protelar ao máximo a elevação dos juros para estimular a retomada da atividade produtiva. Pelas suas projeções, o IPCA deste ano será de 5,7% e o Produto Interno Bruto terá incremento de 3,1%

O Banco Central deixou bem claro ontem que é a presidente Dilma Rousseff quem determina o rumo da política monetária. Durante a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação, sinalizou que vai tolerar a continuidade da alta dos preços até que a economia se recupere. Para o diretor de Política Econômica do órgão, Carlos Hamilton Araújo, porém, há um único remédio eficaz para conter a alta inflação: a taxa básica de juros (Selic). Diante das incertezas no mercado interno e externo, o BC indicou que deve esperar mais um pouco para tomar qualquer decisão. Na visão dos analistas, esse prazo pode acabar em maio, quando a maioria do mercado espera aumento de 0,25 ponto percentual na Selic, de 7,25% para 7,50% ao ano.

“No momento, a nossa percepção de inflação é maior que a média. Isso, em parte, se deve a aumentos grandes, e com frequência elevada, de itens que são muito visíveis. Alimentos e combustíveis são os principais pontos. E quando os aumentos de preços estão concentrados nesses itens, a percepção da população é de que há mais inflação do que o índice de preços aponta”, justificou Hamilton. Ao explicar sobre as armas necessárias para conter a alta do custo de vida, o diretor do BC falou em “remédios ruins” que podem ser usados pelo Comitê de Política Monetária (Copom) e citou o ex-primeiro-ministro britânico Winston Churchill (1940-45 e 1951-55). “Tem várias coisas que podem ser feitas. Consta que, em certa oportunidade, Churchill disse que democracia é o pior sistema de governo com exceção de todos os outros. Para combater a inflação, a taxa de juros é o pior remédio à exclusão de todos os demais”, afirmou Carlos Hamilton. “Agora, sobre o que vai ser feito, especificamente, o Copom vai se reunir, e isso é uma decisão do Comitê”, completou.

Na avaliação do economista Alexandre Schwartsman, ex-diretor do BC, com essa afirmação, o BC sinalizou que vai obedecer à presidente Dilma, apesar de não concordar. “Esse comentário vai em direção oposta ao que a presidente disse. Neste momento, o melhor é focar no combate da inflação e menos na retomada do crescimento. E os juros são, realmente, a ferramenta mais eficiente para conter a alta de preços”, destacou. Na última quarta-feira, em Durban, na África do Sul, Dilma afirmou que “não concorda com políticas de combate à inflação que olhem a questão da redução do crescimento econômico”. Diante da péssima repercussão entre os investidores, a presidente disse que sua fala foi “manipulada” pela imprensa e pelo mercado.

Abandono
No relatório divulgado ontem, o BC elevou a projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano de 4,8% para 5,7%. Em 2014, prevê alta de 5,3%. Com isso, o governo Dilma Rousseff será marcado por um período de forte inflação e de crescimento pífio, com o Produto Interno Bruto (PIB) apontando média de crescimento anual de 2,55%. Nas contas do BC, o avanço do PIB em 2013 será de apenas 3,1%, depois de 2,7% em 2011 e de 0,9% no ano passado. Essa combinação nada confortável, de fraca atividade e custo de vida elevado, mostra que a autoridade monetária praticamente abandonou o compromisso de levar a inflação para o centro da meta, de 4,5%, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O IPCA acumulado em 12 meses, por sinal, baterá em 6,7% no segundo trimestre deste ano, rompendo o teto da meta, de 6,5%.

Na visão do economista-chefe da Votorantim Corretora, Roberto Padovani, o relatório de 100 páginas do BC confirma parte das declarações da presidente Dilma em Durban. “O texto diz que o país tem um problema de crescimento e de choque de oferta. Enquanto tivermos esse quadro, com a economia patinando, o Banco Central não deverá tomar medidas mais firmes, como o aumento de juros”, disse. “Para que os juros não subam agora, o Ministério da Fazenda vai ajudar no controle da inflação com mais desonerações”, completou. A seu ver, a alta da Selic, se vier, começará apenas em agosto, chegando a 8,5% ao ano em dezembro. “A visão que tenho é de que há um risco inflacionário muito alto. O BC precisar agir, mas o risco de a economia não crescer é alto”, afirmou.
DUAS PERGUNTAS PARA
SERGIO VALE, economista-chefe da MB Associados
O Banco Central vem demorando para aumentar a taxa básica de juros (Selic), mesmo com a inflação se mantendo em um nível preocupante, o que pode custar caro ao país mais à frente. É o que ressalta o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale. No entender dele, isso só demonstra que a autoridade monetária está confortável em trabalhar com uma meta inflacionária informal de 5,5% e não de 4,5% ao ano, como foi definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Com esta previsão de 5,7%  de inflação em 2013 de  crescimento de 3,1%, o BC  deixa a entender que não  deverá elevar os juros  como deveria?
Ao anunciar projeção de inflação de 5,7% para este ano, o Banco Central deixa a percepção é de que está atrasado para subir a taxa Selic. Esse atraso apenas aumenta as expectativas não apenas para 2013, mas para os anos seguintes, pois sinaliza que a instituição está confortável com
níveis próximos de 5,5%. Esse número está na cabeça de todo mundo como a verdadeira meta de inflação hoje. O perigo de atrasar ainda mais a decisão de aumentar os juros é a meta de inflação subir mais um pouco, para 6%.
Qual o fator do relatório de inflação  que o senhor considera mais preocupante  e que poderá espantar os investidores?
O fato de a expectativa de inflação ter subido quase um ponto percentual de um relatório para o outro e o BC praticamente não mudar o tom. Pelo contrário, a autoridade monetária continua insistindo que a inflação tende a passar logo, que são problemas que não vão ocorrer mais, como câmbio, aumento forte de salários e de alimentos. O problema é que os pontos relevantes foram praticamente deixados de lado. Um indicador importante, como a difusão (total de produtos e serviços com preços remarcados), que está em mais de 75%, foi praticamente relevado às traças no documento.

BC vai segurar o dólar

BC vai segurar o dólar

Autor(es): VICTOR MARTINS » ROSANA HESSEL
Correio Braziliense - 29/03/2013
 

Objetivo é conter a escalada da inflação. No primeiro trimestre, a Bovespa teve a maior perda no período em 18 anos

O Banco Central deve continuar controlando as cotações do dólar para frear o custo de vida. Segundo informações divulgadas ontem pela autoridade monetária, a divisa teve papel determinante na formação de preços no país, no ano passado, e isso também vai acontecer em 2013. Nos cálculos de Carlos Hamilton Araújo, diretor de Política Econômica da instituição, a alta da moeda norte-americana em 2012 aumentou o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 10,2%, ou seja, a inflação poderia ter ficado em 5,14%, em vez dos 5,84% registrados, não fosse a escalada do câmbio.

Neste ano, porém, o efeito vai ser no sentido de conter a alta dos índices. De acordo com as projeções do BC, em 2013 o repasse do dólar para a inflação deve ser menor, entre 6% e 7%. Apesar da sinalização da autoridade monetária, a moeda fechou o pregão de ontem com ganho de 0,52%, cotada a R$ 2,021 na venda. A divisa acumula alta de 2,19% no mês e queda de 1,29% no trimestre. Para Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, o BC vai manter com a estratégia de monitorar o câmbio por um longo período. “O dólar deve vai continuar em R$ 2 durante 2013, ainda mais pelo risco de subida da inflação este ano”, disse.

Em um trecho do Relatório Trimestral de Inflação, divulgado ontem, o BC afirma que a variação da moeda norte-americana teve “efeito inflacionário em 2012, ao contrário do ocorrido em 2011”. “É possível que o repasse (do dólar) tenha sido mais intenso que em outras circunstâncias. Parte disso pode ser atribuído ao ruído causado pelas discussões em torno das taxas de câmbio, quando parte do mercado projetava que o dólar poderia chegar a R$ 2,30 ou R$ 2,50”, argumentou Carlos Hamilton.

O diretor ainda deixou claro, mais uma vez, que o BC vai intervir para impedir variações excessivas da moeda. “É razoável dizer que os agentes tenham levado em conta esse ruído (em 2012) que não se confirmou. O BC tinha uma visão diferente sobre o câmbio. Isso foi comunicado ao mercado, e a instituição tomou as ações que julgou necessárias. Provemos liquidez no fim do ano e isso trouxe certa acomodação”, avaliou. Segundo analistas, não fosse a decisão da autoridade monetária de manter o dólar o mais estável possível, o IPCA poderia fechar o ano ao redor de 6,10%.

» Ações

Enquanto o dólar subia ontem, a Bolsa de Valores de São Paulo (BMF&Bovespa) também operava no azul: fechou o dia com alta de 0,57%, aos 56.352 pontos. O desempenho positivo, entretanto, não foi suficiente para virar a perda de 7,43% acumulada no trimestre — o pior desempenho para o período em 18 anos. Em outras praças, o mercado acionário vive situação bem diferente. A bolsa de Nova York, que encerrou o pregão de ontem com elevação de 0,36%, acumula no mês ganho de 3,73% e, no ano, de 11,25%. Com exceção de Tóquio, que subiu 18,67% em 2013, o mercado norte-americano apresenta um dos melhores desempenhos no ano, puxado pela recuperação gradual da confiança no país.


A África do Sul nos Brics

A África do Sul nos Brics

Autor(es): Mpakhama Mbete
Correio Braziliense - 29/03/2013
 

Embaixador da África do Sul no Brasil
A África do Sul sediou, esta semana, a quinta cúpula dos Brics, acrônimo do poderoso grupo formado pelas principais economias emergentes do mundo: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. A primeira cúpula foi realizada em Yekateringburg, na Rússia, onde os líderes eleitos dos quatro primeiros países declararam formalmente a sua associação ao bloco econômico. Em 2011, a África do Sul integrou-se aos demais.

As cúpulas são convocadas para que essas grandes economias possam explorar áreas de interesse comum e as discussões centram-se principalmente nas esferas políticas e na promoção do comércio entre os países, sendo identificadas várias oportunidades de negócios, complementaridades econômicas e áreas de cooperação.

Os Brics representam cerca de 40% da população mundial, quase um quinto do Produto Interno Bruto (PIB) do planeta (atualmente estimado em US$ 13,7 trilhões), possuem reservas estrangeiras combinadas de US$ 4,4 trilhões e comandam 17% do comércio mundial, de acordo com a consultoria Africa Strategy Group, promotora da atual cúpula.

Pesquisa conduzida pelos analistas Freemantle Simon e Jeremy Stevens, do Standard Bank, mostrou que o comércio intra-Brics em 2012 chegou a movimentar US$ 310 bilhões. Isso representa um aumento de 10 vezes desde 2002.

Hoje, o comércio intra-Brics é responsável por movimentar quase um quinto do comércio total do grupo de países com mercados emergentes, cujo volume em 2008 correspondia a 13%. Em contraste, a pesquisa mostra que os Brics realizaram menos negócios com a UE no ano passado do que em 2008.

Estima-se que o comércio Brics-África movimentará cerca de US$ 500 bilhões até 2015, o que equivale a aproximadamente 60% do comércio previsto para a China e a África durante o mesmo período.

O salto no comércio dos Brics tem se mostrado bem mais pronunciado na África do Sul. Há uma década, o comércio com as economias do bloco representavam 5% das transações do país africano com o mundo. Em 2012, esse percentual já era de 19%. No ano passado, as exportações da África do Sul para as economias Brics aumentaram para 17%.

Na cúpula desta semana, o governo sul-africano colocou a África em posição central. O tema foi Brics e África: parceria para o desenvolvimento, a integração e a industrialização.

A África do Sul deseja alinhar seus interesses à agenda africana de integração, em vez de apenas focar no acesso a recursos. Apesar de ser o país mais desenvolvido do continente, seu sucesso e futuro estão intimamente ligados ao desenvolvimento econômico e à consolidação da estabilidade e da paz em todo o continente.

Atualmente, a África contribui com apenas 3% do PIB global (a África do Sul é responsável por cerca de 1%), mas o continente tem potencial para avançar muito mais rápido, desde que melhore o acesso ao capital.

É também urgente a necessidade de desenvolver uma melhor infraestrutura e conectividade na África, uma vez que a pobreza desses setores dificulta a integração regional, considerada chave para o crescimento econômico. Grande parte dos países africanos, principalmente os de baixa renda, enfrenta desafios na hora de fechar negócios e atrair investimentos estrangeiros diretos justamente por causa da infraestrutura deficiente.

Recentemente, o Banco Mundial relatou que o custo para solucionar as demandas de infraestrutura na África é de cerca de US$ 93 bilhões por ano. Foi até sugerido que a África do Sul não merecia pertencer ao clube de países líderes em desenvolvimento, porque é a menor das nações Brics em termos de população e de PIB.

No entanto, podemos rebater essa crítica dizendo que a África do Sul pode oferecer aos parceiros do bloco acesso facilitado ao continente africano, que é rico em minerais. O país, portanto, além de importante papel nacional, desempenha função regional fundamental. A demanda por commodities por parte dos Brics tem exercido forte influência sobre o crescimento no continente, o que pôde ser comprovado durante a última crise financeira mundial.

A África do Sul conta ainda com um robusto setor financeiro que pode servir como porta de entrada dos Brics na África.

MONTADORAS PEDEM PARA O GOVERNO CONGELAR IPI

MONTADORAS PEDEM PARA O GOVERNO CONGELAR IPI

IPI DE 2% PARA CARROS DEVE SER PRORROGADO
Autor(es): DECO BANCILLON » ROSANA HESSEL
Correio Braziliense - 29/03/2013
 

Estava previsto que o imposto cobrado de carros 1.0 subiria para 2,5% a partir de segunda-feira, 1º de abril. Em reunião com o ministro Guido Mantega, empresários pediram para que o Planalto mantenha o tributo nos atuais 2% por mais três meses. Alegaram que as vendas vêm perdendo fôlego desde o início do mês. Caso o IPI seja elevado, o preço dos carros também aumentará. Como a inflação é o maior problema do governo no momento, tudo indica que a reivindicação deve ser atendida

Governo admite segurar o imposto a fim de evitar a alta dos preços de carros zero e conter a inflação. Mantega se reuniu ontem com empresários

O temor de que a inflação ultrapasse ainda em março o teto da meta perseguida pelo Banco Central (BC) para 2013 deve levar o governo a ceder às pressões das montadoras e congelar, por pelo menos mais três meses, a alíquota de 2% de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis. A princípio, estava previsto que o tributo para carros de até 1 mil cilindradas subiria para 3,5% a partir de segunda-feira, 1º de abril. Mas diante da possibilidade de que os juros básicos tenham que ser elevados para acomodar a crescente pressão sobre os preços, a equipe econômica da presidente Dilma Rousseff já avisou que fará de tudo para evitar que o BC tenha que recorrer a esse expediente. Em outras palavras, significa dizer que o Ministério da Fazenda tem carta branca para cortar quantos impostos forem necessários para reduzir os custos da indústria e, por tabela, a inflação ao consumidor.

O próprio ministro da Fazenda, Guido Mantega, reiterou que o governo tem R$ 105 bilhões para queimar em novas desonerações entre este ano e 2014. Nesta conta entram os cortes de impostos na folha de pagamentos e na cesta básica e, agora, a prorrogação do IPI menor para automóveis. A inclusão do setor automotivo nessa nova lista de isenções tributárias foi confirmada por Mantega, que se reuniu ontem em São Paulo com representantes do setor automotivo para tratar dos números da produção e das vendas de março, assim que chegou de viagem da África do Sul.

Ao Correio, um dos participantes do encontro contou que o ministro não escondeu a frustração com o desempenho da indústria automobilística neste início de ano. “Ele constatou que os números de março ficaram abaixo do esperado”, disse a fonte, que pediu anonimato. “Esperávamos que o mês fosse melhor que fevereiro, mas, infelizmente, não foi o que ocorreu”, contou. Números ainda parciais dos emplacamentos de automóveis dão conta de que as vendas diárias foram de 13,4 mil unidades. “Com isso, dificilmente conseguiremos chegar ao patamar de 300 mil unidades, como era o esperado”, completou. Apenas na semana que vem serão conhecidos os números oficiais do setor, divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Feriadão
Mantega admitiu a possibilidade de congelamento do IPI em 2% por mais tempo, mas pediu aos empresários que participaram da reunião discrição até que tudo fosse acertado com a presidente Dilma. Há também a estratégia de evitar que a notícia antecipada atrapalhe as vendas das concessionárias neste feriadão. “O ministro não quis estragar a festa”, explicou um alto executivo de montadora, que pediu anonimato. Mesmo sabendo de antemão da prorrogação do incentivo, ele contou que reforçará a propaganda para “bombar” as vendas neste fim de semana.

Passada a euforia, o governo deverá retomar a agenda de desonerações, com o objetivo de dar novo ânimo à indústria e ao Produto Interno Bruto — e, claro, conter a inflação. Mesmo depois de sucessivos incentivos, o crescimento econômico ainda não deslanchou. “A indústria automobilística é um dos setores mais dinâmicos”, ponderou uma fonte, reiterando que um automóvel tem, por exemplo, aproximadamente 3 mil itens produzidos por uma cadeia de mais de 300 indústrias diferentes.