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quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Satélite brasileiro cai na Terra após lançamento falhar

Satélite brasileiro cai na Terra após lançamento falhar

Autor(es): Herton Escohar
O Estado de S. Paulo - 10/12/2013
 



Uma falha no foguete de lançamento resultou ontem na perda do satélite CBERS-3, desenvolvido em parceria entre Brasil e China. O satélite chegou a entrar em órbita e funcionou durante 30 minutos, mas não atingiu a velocidade necessária para permanecer em órbita e acabou caindo de volta na Terra.
O lançamento ocorreu no horário previsto (11h26 em Pequim, 1h26 em Brasília), do Centro de Lançamento de Satélites de Taiyuan, na China, e foi inicialmente considerado um sucesso por ambos os lados. Cerca de uma hora depois, porém, os chineses perceberam que algo estava errado.
Segundo as análises preliminares, houve um problema no tempo de funcionamento do motor do último estágio do foguete - aquele que leva o satélite dentro de uma coifa, para colocá-lo efetivamente em órbita. O foguete parou de funcionar 11 segundos antes do previsto, de forma que o satélite foi liberado no espaço a uma altitude menor (720 km, em vez de 778 km) e com uma velocidade horizontal abaixo da mínima necessária (de 8 km/segundo) para permanecer em órbita.
Sem velocidade suficiente para se contrapor à atração gravitacional da Terra, o CBERS-3 começou a perder altitude rapidamente, até reentrar na atmosfera e ser pulverizado pelo calor gerado durante a queda. Acredita-se que ele tenha caído sobre a região da Antártida.
"Tudo correu bem até 11 segundos antes do fim do lançamento", lamentou o vice-diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Os-waldo Miranda. "Esses 11 segundos (de impulso) que faltaram foram fatais para o CBERS. É como num estilingue: se você não puxar bem o elástico, a pedra cai bem na sua frente."
A diferença de altitude na órbita, segundo Miranda, poderia ter sido corrigida por meio do acionamento de propulsores internos do satélite. A perda de velocidade horizontal, porém, era incorrigível. Não se sabe qual foi a velocidade exata de liberação, "mas certamente ficou bem abaixo de 8 km/s", segundo Miranda.
Ele ressaltou que, uma vez liberado pelo foguete, o CBERS-3 entrou automaticamente em operação e funcionou perfeitamente durante 30 minutos, antes de desaparecer. "Não houve nenhuma falha do satélite. O problema foi no lançador", afirmou.
O CBERS-3 era o quarto de uma série de satélites de observação da Terra desenvolvidos por Brasil e China.
Experiência. O foguete usado no lançamento era um Longa Marcha 4B, um modelo bem conhecido e de alta confiabilidade. A falha de ontem foi a primeira registrada no programa espacial chinês com esse tipo de foguete, após 34 lançamentos consecutivos de sucesso.

Satélite brasileiro vira pó no espaço

Satélite brasileiro vira pó no espaço

Foguete chinês falha, e satélite se desintegra
Autor(es): Vilhena Soares
Correio Braziliense - 10/12/2013
 
Equipamento de observação desenvolvido pela China e pelo Brasil ao custo de R$ 300 milhões se desintegra antes de entrarem órbita. Falha no foguete chinês causou o fracasso do projeto
Segundo informações obtidas pelo Inpe, o equipamento de observação sino-brasileiro CBERS-3 não se posicionou corretamente na órbita terrestre porque motores do veículo lançador foram desligados 11 segundos antes do previsto. Apesar do fracasso, a parceria será mantida


Uma falha de funcionamento no foguete chinês Longa Marcha 4B é a causa apontada pelo fracasso do lançamento do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres 3 (CBERS-3), que não conseguiu chegar à orbita da Terra como planejado. O equipamento foi enviado às 11h26 (1h26 em Brasília) do Centro de Lançamentos de Satélites de Taiyhuan. De acordo com informações do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o satélite se desintegrou durante a queda. O acidente atrasa os planos do Brasil de contar com imagens próprias geradas do espaço, mas o projeto terá continuidade, e um novo mecanismo será desenvolvido para substituir o que foi perdido. 

De acordo com o Inpe, os dados obtidos pelos pesquisadores mostram que os subsistemas do CBERS-3 funcionaram como esperado. Técnicos brasileiros que acompanhavam o processo por meio de teleconferência, no Centro de Controle de Satélites, em São José dos Campos (SP), chegaram a comemorar quando o painel solar do satélite foi aberto, dando a impressão de que a missão havia sido bem-sucedida. No entanto, o equipamento não alcançou a órbita pretendida devido ao desligamento precoce do motor de propulsão do foguete lançador, que aconteceu 11 segundos antes do planejado. Essa seria a terceira e última etapa para que o observatório entrasse em órbita. 

 O CBERS-3 seria o quarto satélite do programa de cooperação a orbitar o planeta. Os três enviados anteriormente operaram normalmente, conseguindo alcançar seus objetivos. O custo do projeto para o Brasil foi de aproximadamente R$ 150 milhões, 50% do total. A outra metade do investimento coube ao governo da China, que era também responsável por enviar a máquina ao espaço. O desastre, contudo, não deve interromper a parceria, e ambos os lados já manifestaram o interesse em iniciar imediatamente discussões técnicas que antecipem a montagem e o lançamento do CBERS-4. 

Independência

A intenção da iniciativa é que os dois países contem com imagens da superfície de seus territórios, graças a câmeras de alta resolução. Isso não ocorre desde 2010, quando o CBERS-2 encerrou suas atividades. Com um satélite próprio, o Brasil deixa de depender totalmente de informações vindas de outras nações. O monitoramento auxilia, por exemplo, o zoneamento agrícola, a prevenção de desastres naturais e também o acompanhamento de alterações da cobertura vegetal, fundamental para conter o desmatamento na Amazônia e outras florestas nacionais. 

Para Renato Las Casas, coordenador do Grupo de Astronomia e professor do Departamento de Física do Instituto de Ciências Exatas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o percalço do projeto CBERS deverá ser superado, e, futuramente, a parceria brasileira com os chineses terá mais sucesso. “Esse foi o primeiro problema enfrentado por essa empreitada, mas os satélites lançados anteriormente obtiveram bastante sucesso. Acredito que essa falha poderá atrasar, mas não irá inviabilizar todo o programa”, declara. 

 O professor também acredita que a continuidade da iniciativa é importante para o país. “As câmeras utilizadas nesse satélite podem auxiliar no monitoramento das florestas e, dessa forma, evitar desmatamento e invasões irregulares, além de ajudar no socorro a vítimas de tragédias como a de Petrópolis (RJ), onde as fortes chuvas e alagamentos deixaram pessoas em perigo. Esses recursos auxiliariam nos resgates de sobreviventes ilhados, por exemplo, pois o alcance visual é notável”, complementa. “Sou a favor de um maior investimento na área espacial, pois ela contribui para que a economia cresça. Todos os países desenvolvidos possuem sucesso nessa área, e precisamos seguir esse mesmo caminho.”

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Fórum Mundial de Ciência e o desenvolvimento sustentável global

Fórum Mundial de Ciência e o desenvolvimento sustentável global

Autor(es): Helena Nader
Correio Braziliense - 26/11/2013
 
"A complexidade crescente de grandes desafios para a humanidade requer que a comunidade científica internacional assuma novos papéis, pois cada vez mais o mundo é moldado pela ciência e tecnologia, que devem ser considerados e assumidos como legado comum da humanidade." A assertiva aparentemente utópica em um mundo desigual, consta da Declaração de Budapeste do Fórum Mundial de Ciência (FMC) de 2011 sobre o tema nova era para a ciência global. O evento bienal que reúne academias e sociedades científicas de todo o planeta tem vez neste ano no Rio de Janeiro, entre os dias 24 e 27 de novembro, e carrega o ineditismo de ser realizado pela primeira vez fora da cidade de Budapeste.
O tema deste 6º fórum, Ciência para o Desenvolvimento Sustentável Global, resulta de extensa agenda de debates, trabalhos e propostas apresentados durante os encontros anteriores, que tiveram origem na Conferência Mundial de Ciência, organizada pela Unesco em Budapeste em 1999. No último fórum, em 2011, os participantes debateram e deliberaram sobre temas cruciais para determinar o futuro da humanidade e o papel da ciência.
Entre eles destacamos a questão da ética na pesquisa e na inovação, a necessidade de ampliar e fortalecer o diálogo com a sociedade sobre as implicações morais e éticas da ciência e da tecnologia, a implantação de políticas científicas colaborativas entre os países, o fortalecimento e a ampliação das capacidades científicas, sobretudo de mulheres (bandeira atual da Unesco), e a elaboração de políticas nacionais e internacionais que facilitem a equidade e a participação nos avanços da ciência e da tecnologia.
Não é pouca coisa. Tanto que o tema central do evento propõe um foco de todas essas questões, amalgamadas no problema específico do desenvolvimento sustentável global, presente hoje, ainda que em graus díspares, nas agendas de empreendimentos sociais, econômicos e políticos de todos os países. Como ramificações, os participantes se dedicarão a debates sobre as desigualdades como barreiras para o desenvolvimento global, a aplicação do conhecimento científico e tecnológico na preservação dos recursos naturais, as políticas públicas dedicadas à área, a educação em engenharia. Muitos dos tópicos serão debatidos com a participação de cientistas vencedores do Prêmio Nobel, convidados para o evento.
Estamos nos preparando há mais de um ano. O Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação (MCTI), coordenador local do fórum, em parceria com as principais organizações brasileiras representativas de ciência e tecnologia, realizou sete encontros preparatórios nas principais cidades do país — o primeiro deles em agosto do ano passado, em São Paulo — para promover ampla discussão nacional sobre o tema central do FMC. O resultado foi consolidado em um documento a ser apresentado durante o fórum.
O fato de o Brasil ser escolhido para realizar pela primeira vez o FMC fora da Hungria significa que nossa ciência atingiu maturidade, significa credibilidade dos cientistas brasileiros. O evento será também oportunidade para mostrar o avanço da ciência feita no Brasil. Nossa produção científica cresceu muito nas últimas décadas e hoje somos responsáveis por 2,7% do total mundial, o que nos coloca na 14ª posição. Contudo, apesar da colocação entre as oito maiores economias do mundo, o Brasil é o quarto país com maior desigualdade da América Latina.
O Fórum Mundial de Ciência do Rio de Janeiro não ficará alheio aos problemas causados pelas desigualdades. Nossa expectativa é que o encontro notável de cientistas, representantes de organizações internacionais, academias, legisladores e meios de comunicação apresentem propostas de soluções concretas para os desafios urgentes que a humanidade enfrenta em todo o planeta.
HELENA B. NADER Biomédica, professora titular da Escola Paulista de Medicina, é presidente da SBPC

terça-feira, 5 de março de 2013

Cura da Aids em bebê divide os cientistas

Cura da Aids em bebê divide os cientistas

Cura do HIV em criança exige cautela
Correio Braziliense - 05/03/2013
 

O anúncio de que o vírus HIV sumiu após o tratamento feito numa criança dos EUA foi recebido com cautela pelos médicos. Para alguns especialistas, a técnica tem riscos e não seria alternativa de combate à doença.

Para a OMS e especialistas, o caso de um bebê que teve o vírus da Aids controlado mesmo depois de o tratamento ser suspenso requer mais estudos. A técnica não pode ser considerada uma alternativa de combate à doença, pois seria muito arriscada Bruna Sensêve
O caso do primeiro bebê a obter a cura da infecção pelo vírus da Aids, anunciado durante a 20ª Conferência Anual sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas (CROI), nos Estados Unidos, movimenta a comunidade científica mundial. A criança adquiriu o HIV da mãe, soropositiva, durante o parto, mas, depois de uma intensa e precoce terapia com antirretrovirais, deixou de apresentar níveis detectáveis do micro-organismo, mesmo com a suspensão da medicação. O caso — apresentado pela equipe da infectologista Deborah Persaud, do Hospital Universitário Johns Hopkins, em Baltimore — foi comemorado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), mas a entidade, assim como especialistas da área, pediu ontem muita cautela sobre o episódio, já que a descoberta ainda precisa de confirmações.

Antecipado no fim de semana pelo jornal The New York Times, o caso foi apresentado à comunidade médica na manhã de ontem. O coordenador do Laboratório de Pesquisa em Infectologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia, Carlos Brites, acompanhou o evento e detalhou ao Correio o relato feito pelos autores do trabalho. Segundo ele, os pesquisadores contaram que a mãe só foi diagnosticada como portadora do HIV ao chegar, já em trabalho de parto, a um hospital no estado americano de Mississipi . Todos os protocolos para diminuir as chances de transmissão do vírus à criança foram realizados, mas não foi possível impedir a infecção. Logo nas primeiras 24 horas, um exame detectou a presença do HIV, e o bebê passou a receber antirretrovirais 30 horas após o nascimento (veja ao lado).

Uma bateria de 16 testes foi feita na criança durante o primeiro mês de vida. Todos os exames confirmaram a infecção e registraram a multiplicação do HIV. “O vírus foi detectado em vários momentos, mostrando que ele tinha adquirido a infecção, e que não se tratava de um erro de laboratório ou algo do tipo”, contou Brites. A confirmação feita pela equipe refuta muitas indagações levantadas por especialistas da área após a primeira divulgação, no domingo. A principal dúvida antes da apresentação de ontem era se o bebê estava realmente contaminado.

O questionamento fazia sentido. Na transmissão vertical, essa confirmação ocorre, geralmente, seis meses após o nascimento. Isso porque os anticorpos da mãe e do bebê se misturam, ficando difícil identificar se as células que combatem o vírus observadas nos testes são, de fato, produzidas pela criança para combater a infecção ou se têm origem materna (nesse caso, o filho só herda as células de defesa, e não o HIV). “Ficou claro que esse tipo de erro não é uma possibilidade. Foi uma sequência grande de testes muito sofisticados que confirmou a infecção”, atestou o especialista brasileiro.

O que o caso tem de inédito é o fato de o paciente ter continuado com uma presença reduzidíssima do HIV no organismo meses depois de a medicação ter sido suspensa. Até a criança deixar de tomar os remédios, a equipe do Johns Hopkins realizou o procedimento considerado padrão nesses casos, mantendo o tratamento constantemente. Contudo, quando o bebê estava com 1 ano e 6 meses, a mãe parou de levá-lo ao hospital, interrompendo a terapia.

Cinco meses mais tarde, ela voltou. A expectativa dos médicos era observar elevados níveis de vírus no sangue. Surpreendentemente, os exames não confirmaram o quadro de piora. A equipe observou que o HIV não estava mais presente no sangue da criança e que algumas poucas células, só detectadas com tecnologia avançada, não se replicavam, mesmo na ausência do tratamento. “Provavelmente, a introdução precoce da terapia evitou que a infecção se instalasse definitivamente. É um caso que se junta ao do paciente de Berlim”, acrescentou Brites.

Funcional
O coordenador do Comitê de Retrovirose da Sociedade Brasileira de Infectologia e professor de imunologia clínica e alergia da Universidade de São Paulo (USP), Esper Kallás, explica que a cura do bebê é chamada de funcional, pois o vírus, apesar de controlado, ainda está presente no corpo da criança. Assim, não é possível saber se o vírus pode voltar a se manifestar.

Os níveis não detectáveis de HIV encontrados no bebê são comuns em pacientes que estão sob terapia antirretroviral, mas não se mantêm quando a medicação é retirada. Uma vez iniciado, o tratamento é para a vida toda. “Se for retirado de uma pessoa que toma o coquetel hoje, em uns 15 dias o vírus volta a ser detectado no sangue. O acaso de a mãe suspender o tratamento por conta própria proporcionou essa observação”, observa Kallás.

O professor lembra ainda que uma parcela muito pequena (menos de 1%) de adultos soropositivos apresenta quadros semelhantes. “Espontaneamente, eles parecem controlar o vírus, mas infelizmente são muito poucos. O que faz com que eles controlem, a gente não sabe.” A própria natureza do experimento não é passível de replicação, pois a interrupção do tratamento em um recém-nascido pode piorar o estado de infecção. “É antiético propor um estudo desses. A mãe, nesse caso, suspendeu porque quis, colocando em risco a saúde da criança”, pondera.

Para o infectologista Alberto Chebabo, do Laboratório Exame e do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), se os resultados anunciados realmente forem verdadeiros, o estudo é uma confirmação do que já era imaginado pela comunidade médica. Chebabo explica que, atualmente, é possível reduzir a carga viral a níveis não detectáveis no sangue, mas o vírus permanece presente no organismo em locais denominados de reservatórios ou santuários. Ali, estão células infectadas do sistema imunológico que não passam na corrente sanguínea. Estão no cérebro, no intestino ou outras áreas que a droga não consegue atuar adequadamente.

“O que pode ter acontecido é que não houve tempo de o vírus evoluir para esses santuários”, analisa. “O resultado pode confirmar a teoria de que, se conseguirmos eliminar esses reservatórios, conseguiríamos a cura. Porém, é só o primeiro passo.”

Transplante

O americano Timothy Brown é considerado o primeiro caso de cura do HIV. O método usado ficou conhecido como cura por esterilização. Ele tomava o coquetel contra o HIV quando foi diagnosticado com leucemia. Brown passou por uma agressiva quimioterapia que destruiu sua medula e precisou receber um transplante com células-tronco. Seu doador possuía uma mutação genética que o tornava naturalmente resistente à infecção pelo HIV. Depois da cirurgia, realizada em Berlim, o vírus não voltou a se replicar no organismo do americano.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

CIÊNCIA MAIS PERTO DA VACINA CONTRA A AIDS

CIÊNCIA MAIS PERTO DA VACINA CONTRA A AIDS

NOVA ESTRATÉGIA CONTRA O HIV
Correio Braziliense - 01/10/2012
 
Pesquisa feita em parceria com brasileiros aponta caminho promissor no combate à Aids. Cobaias se tornaram resistentes à versão da doença que afeta macacos ao receber composto que estimula a produção de células de defesa
Roberta Machado
O sucesso de um estudo internacional realizado em parceria com o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) pode apontar novos caminhos para a produção de uma vacina contra o HIV. A pesquisa, divulgada ontem pelo site da revista científica Nature, se inspirou nas pessoas que têm uma resistência natural à Aids e fez com que cobaias se tornassem resistentes à ação do SIV, vírus que causa nos macacos uma doença muito semelhante à síndrome que afeta os humanos.
Quando o vírus da Aids infecta um organismo, ele precisa entrar no DNA dos linfócitos para se reproduzir. Depois de se multiplicar lá dentro, ele rompe a estrutura e busca outras dessas células de defesa do corpo para invadir e destruir. O processo prejudica a imunidade do paciente e o deixa suscetível a uma série de doenças. No entanto, algumas pessoas produzem uma versão particularmente eficiente de uma célula de defesa chamada T CD8. Ela identifica os linfócitos invadidos pelo vírus e os destrói, impedindo que o HIV se liberte e se espalhe pelo sangue.
Para comprovar a eficiência dessa célula, os pesquisadores deram a macacos rhesus um composto que induziu a produção dessas células de defesa especiais. As cobaias receberam uma vacina de febre amarela alterada com três fragmentos do vírus que causam a multiplicação das T CD8. Depois, os animais foram infectados com o vírus da imunodeficiência símia, o SIV. Graças às células de defesa geradas pela vacina, o vírus não se multiplicou no organismo dos macacos, que se mantiveram saudáveis apesar da infecção.
"A produção de células T CD8 foi aumentada mediante o uso dos compostos, o que resultou em maior controle da carga viral do SIV", resume Myrna Bonaldo, chefe do Laboratório Molecular de Flavivírus, do IOC/Fiocruz. Nos macacos vacinados, o vírus foi encontrado em uma concentração até mil vezes menor do que nas cobaias que não receberam o composto e também foram infectadas. "Nosso trabalho mostra claramente que somente esse tipo de resposta das células T CD8 poderia ser suficiente para o controle do vírus, impedindo a progressão da doença", assegura a pesquisadora, que participou do estudo.
Controle
Um segundo grupo de macacos usados no experimento também recebeu uma vacina com antígenos do SIV, mas esse composto não tinha os fragmentos específicos do vírus que estimulam as células protetoras. Sem o aumento das T CD8, essas cobaias não foram capazes de controlar a doença. "Descobrirmos na primeira fase do experimento que há três pequenos reagentes do vírus que são alvos para essas células. Agora, estamos tentando descobrir qual deles é mais importante. Assim que soubermos isso, poderemos usar essa informação para desenvolver uma vacina maior", esclarece o principal autor do estudo, David Watkins, da Universidade de Miami.
Como nem todas as pessoas têm o genótipo ideal para a produção da célula T CD8, o objetivo do pesquisador é entender que tipo de armas ela usa para interromper a replicação do vírus e, assim, tentar usá-la isoladamente para todos os tipos genéticos. Outro problema é que a abordagem desse experimento evita os sintomas da doença, mas não a infecção. "Com o tipo de vacina que estamos fazendo, as pessoas seriam infectadas, mas controlariam o vírus. Talvez possamos usar isso para fazer outra vacina, que libere os anticorpos e tenha resultados melhores", estima Watkins. "Temos de ser muito cuidadosos em dizer que estamos perto de uma vacina para o HIV, mas esses resultados podem ajudar projetos melhores", salienta.
As células T CD8 existem no corpo de todas as pessoas, mas a maioria não conta com versões fortes o bastante, ou em quantidade suficiente, para frear o HIV. "Normalmente, quando se contrai o vírus, a imunidade vai caindo devagar e, em um dado momento, a pessoa sofre com doenças que vêm com a baixa imunidade, como a toxoplasmose", ensina Simone Tenore, infectologista do Centro de Referência e Treinamento DST/Aids de São Paulo, que não participou da pesquisa.
Apenas uma em cada 300 pessoas infectadas pelo vírus consegue produzir a célula ideal e não tem o sistema imunológico afetado pela Aids. Diferentemente dos soropositivos comuns, indivíduos assim, chamados de "controladores de elite", passam anos convivendo em harmonia com o vírus. O experimento da Fiocruz conseguiu transformar as cobaias em animais com essa mesma capacidade. "Também acredito que a chave para o combate ao HIV está mesmo no sistema imunológico e não no vírus. Vemos há muito tempo que o vírus é capaz de criar resistência ao medicamento rapidamente, por isso acho que combatê-lo diretamente não é mais eficaz", compara a especialista.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Dilma: país tem desafio de erradicar a pobreza e, ao mesmo tempo, produzir ciência e tecnologia

Dilma: país tem desafio de erradicar a pobreza e, ao mesmo tempo, produzir ciência e tecnologia

03/09/2012 
 
Paula Laboissière
Repórter da Agência Brasil

Ao comentar o Programa Tecnologia da Informação Maior, lançado no dia 20 de agosto, a presidenta Dilma Rousseff disse hoje (3) que o desafio do país é erradicar a pobreza e, ao mesmo tempo, produzir ciência e tecnologia, agregando valor à produção. “Esse é o caminho para o Brasil chegar à economia do conhecimento e se encaminhar cada vez mais para ser uma grande nação”, ressaltou.
No programa semanal Café com a Presidenta, ela lembrou que a previsão de investimentos chega a R$ 500 milhões voltados para o estímulo ao desenvolvimento e à produção de softwares no país. Segundo Dilma, o Brasil conta com quase 9 mil empresas que desenvolvem softwares, mas o objetivo do governo é ampliar esse número.
“Por isso, vamos investir nas pequenas empresas de tecnologia, que geram muitos empregos – principalmente contando com jovens que têm uma imensa capacidade de criar. Uma das medidas mais importantes desse programa é que nós vamos oferecer cursos para 50 mil trabalhadores do setor de tecnologia da informação.”
A presidenta também destacou medidas lançadas dentro do programa de política industrial Brasil Maior para fortalecer e ampliar a indústria de tecnologia da informação. Uma das ações trata da redução do valor que as empresas de softwares e de tecnologia da informação pagam à Previdência (desoneração da folha de pagamento).
“Ela é importante porque reduz o custo do trabalho e aumenta a competitividade das empresas”, disse. “Nós também reduzimos os impostos para as empresas que queiram produzir semicondutores e tablets no Brasil”, completou.
Dilma comentou ainda os resultados da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep), ocorrida na semana passada no Rio de Janeiro. Ao todo, mais de 18 milhões de alunos de 44 mil escolas públicas de todo o país participaram da competição – 500 deles foram premiados.
“A matemática é o primeiro passo para o desenvolvimento científico e para a inovação tecnológica, porque é a base de todas as ciências e é fundamental para o aprendizado das engenharias, da física, da tecnologia da informação, da ciência dos computadores, por exemplo. A matemática ajuda a despertar o interesse dos nossos jovens pela ciência e pelo conhecimento.”
Edição: Talita Cavalcante