segunda-feira, 14 de outubro de 2013

CRISE NO ITAMARATY - APOIO DE DIPLOMATA A FUGA DE BOLIVIANO DERRUBA PATRIOTA

CRISE NO ITAMARATY - APOIO DE DIPLOMATA A FUGA DE BOLIVIANO DERRUBA PATRIOTA

FUGA DERRUBA PATRIOTA
O Globo - 27/08/2013
 
Chanceler troca de cargo com o embaixador na ONU, Luiz Alberto Figueiredo, após crise aberta por operação que trouxe senador boliviano para o Brasil BRASÍLIA A operação que trouxe para o Brasil o senador boliviano Roger Pinto Molina, sem que o governo da Bolívia concedesse um salvo-conduto, custou o cargo do ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota. A demissão do chanceler foi anunciada ontem à noite pelo Palácio do Planalto. No lugar dele, assumirá o atual embaixador brasileiro na ONU, Luiz Alberto Figueiredo. Oficialmente, Patriota pediu demissão num encontro com a presidente Dilma Rousseff ontem à noite. Mas foi a presidente quem pediu para o diplomata deixar o posto depois de ficar irritada com o caso Roger Molina. "A presidente Dilma Rousseff aceitou o pedido de demissão do ministro Antonio de Aguiar Patriota, e indicou o representante do Brasil junto às Nações Unidas, em Nova York, embaixador Luiz Alberto Figueiredo, para ser o novo ministro das Relações Exteriores. A presidente agradeceu a dedicação e o empenho do ministro Patriota nos mais de dois anos que permaneceu no cargo e anunciou a sua indicação para a Missão do Brasil na ONU", diz a nota divulgada pelo Palácio do Planalto. A operação foi vista pelo Palácio do Planalto como um verdadeiro desastre, contaram pessoas próximas a Dilma. Patriota já vinha enfrentando uma série de desgastes com a presidente, e o episódio envolvendo o encarregado de negócios da Embaixada do Brasil na Bolívia, Eduardo Saboia, foi considerado uma quebra de hierarquia, de confiança e, principalmente, do princípio internacional do asilo. Um auxiliar da presidente disse que isso era inaceitável e não havia como o comandante - no caso Patriota - deixar de responder pela operação. - O Patriota é um excelente diplomata, mas não foi um bom ministro - comentou um subordinado da presidente. irritação no planalto Dilma só foi informada de que o senador boliviano, de oposição ao presidente Evo Morales, havia fugido para o Brasil com o auxílio de um diplomata brasileiro quando ele já havia cruzado a fronteira. Ao saber que a alegação para a retirada do político era que sua saúde corria graves riscos, a presidente pediu para verificar que cuidados médicos haviam sido providenciados quando ele chegou no Brasil. A resposta foi a de que ele não fora levado a nenhum hospital ou médico. A irritação no Palácio ficou ainda maior com Pinto Molina dando entrevistas sem aparentar qualquer fragilidade de saúde. A operação de retirada do senador boliviano, condenado por corrupção em seu país, também foi considerada altamente temerária e arriscada. Como não aconteceu nada mais grave no trajeto, afirmou um assessor da presidente, ficou parecendo que a fuga foi muito bem calculada. Mas o risco foi imenso. - Imagina o que aconteceria se o comboio fosse atacado no meio da estrada e o senador fugisse ou fosse sequestrado - acrescentou o assessor. Outro ponto que deixou o Palácio do Planalto desconfiado foi o fato de a operação ter sido realizada num período em que o posto de embaixador do Brasil na Bolívia está desocupado. O ex-embaixador Marcel Biato está indo para Estocolmo, na Suécia, e seu substituto, Raymundo Santos Rocha Magno, ainda aguarda formalidades burocráticas da Bolívia para assumir o posto. A ordem da Presidência é para que todo o caso seja investigado. Um processo administrativo disciplinar (PAD) será aberto para apurar as responsabilidades. Sobre a situação de Patriota, auxiliares de Dilma afirmam que a atuação do agora ex-chanceler deixou a presidente insatisfeita em algumas ocasiões. Mais recentemente, no episódio envolvendo a detenção por policiais britânicos do brasileiro David Miranda - companheiro do jornalista americano Glenn Greenwald, autor de reportagens que divulgaram documentos secretos americanos - por quase nove horas no aeroporto de Heathrow, em Londres, a expectativa do Palácio era de que o Ministério das Relações Exteriores reagisse de forma mais contundente. O tom utilizado foi considerado diplomático, mas exageradamente ameno. O governo esperava uma posição mais afirmativa para o Brasil por parte do Itamaraty. O caso envolvendo a Bolívia neste fim de semana trouxe novos constrangimentos internos, comprometendo a escala de comando do ministério e sua subordinação à Presidência, assim como a comunicação entre o Itamaraty e o Palácio do Planalto; e externos, com a imagem do país afetada por cobranças públicas do governo boliviano de descumprimento de acordos internacionais. comissão ouve pinto molina Roger Pinto Molina está abrigado na casa do advogado Fernando Tibúrcio em Brasília. Ontem, ele apareceu por três vezes na porta da residência e posou para fotógrafos. O boliviano recusou-se a responder perguntas sobre seus planos; limitou-se a dizer "amo o Brasil" ao ser abordado por jornalistas. Segundo Tibúrcio, não há risco de o senador ser deportado ou extraditado: - Só (será extraditado) se acontecer uma coisa heterodoxa, que acho que não tem o menor sentido - disse. - Ele é um asilado político. Foi concedido asilo a ele. A mesma situação que tem o (ex-técnico da CIA Edward) Snowden na Rússia e o (fundador do WikiLeaks, Julian) Assange no Equador, é a mesma dele. Pinto Molina pediu refúgio político no Brasil ao chegar em Corumbá (MS), no domingo. Ele já tinha status de asilado político desde junho do ano passado, mas decidiu melhorar as condições de permanência no país. O refugiado político tem direto a trabalhar e a recorrer à rede pública de saúde. O asilo é concedido pela presidente da República ou pelo Itamaraty, e depende de aprovação do Comitê Nacional para os Refugiados, vinculado ao Ministério da Justiça. A Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado vai ouvir o senador boliviano hoje. A ideia é convidar todas as partes envolvidas no caso, incluindo representantes do governo da Bolívia. Integrantes do colegiado defenderam o ato do diplomata Eduardo Saboia, que tomou a decisão de retirar o político da embaixada brasileira. Apenas a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)criticou a ação, alegando que houve quebra de hierarquia e que Molina seria condenado se fosse "de esquerda". Os senadores que defenderam a atitude de Saboia, que são maioria, alegam que ele tomou a decisão que o governo brasileiro deveria ter tomado há tempos, já que Roger Molina estava há 455 dias em situação precária na embaixada. Para esses parlamentares, o diplomata agiu com base em preceitos humanitários e, por isso, não deve ser retaliado pelo Itamaraty, que anunciou abertura de inquérito para apurar as circunstâncias da operação. Em nota, eles afirmaram que tomarão medidas administrativas e disciplinares em relação ao caso. - A presidente da República devia saber da situação penosa em que vivia o senador boliviano, porque também já foi perseguida, presa e até torturada. Não podemos aceitar esses desatinos que vêm ocorrendo na América Latina - afirmou o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), vice-presidente da CRE. A senadora Ana Amélia (PP-RS), também integrante da comissão, a atitude do diplomata se justificou por se tratar de "circunstâncias da extrema gravidade do risco de vida do senador boliviano". Ela defendeu também o apoio dado pelo presidente da CRE, Ricardo Ferraço (PMDB-ES). - Entre manchar com sangue de um senador nas circunstâncias que estavam se apresentando e uma atitude humanitária, que foi decisão do diplomata, a atitude sensata tomada por ele, o presidente da CRE tomou a decisão correta - disse a senadora. O líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes (SP), sustenta que Eduardo Saboia agiu de acordo com a Constituição, em defesa da dignidade da pessoa humana. O senador afirmou que a CRE acompanhará de perto os desdobramentos do inquérito no Itamaraty para evitar que o diplomata sofre retaliações. - Este diplomata brasileiro agiu de acordo com a consciência universal, não com regulamentos. Uma pessoa perseguida por suas ideias, atuação política, merece asilo - declarou o senador.

AJUDA EM FUGA DE RIVAL DE EVO IRRITA BOLÍVIA E ITAMARATY

AJUDA EM FUGA DE RIVAL DE EVO IRRITA BOLÍVIA E ITAMARATY

FUGA DE OPOSITOR DE EVO COM AJUDA BRASILEIRA IRRITA ITAMARATY E BOLÍVIA
Autor(es): Lissandra Paraguassu
O Estado de S. Paulo - 26/08/2013
 

Político boliviano não tinha autorização para deixar missão brasileira e foi retirado do país em ação secreta
O chanceler brasileiro, Antonio Patriota, e o governo boliviano mostraram-se irritados com a ação que retirou da Embaixada do Brasil em La Paz o senador Roger Pinto, que acusa o presidente Evo Morales de assédio judicial. Pinto estava na missão do Brasil, que lhe concedeu asilo, desde maio de 2012, mas a Bolívia se recusava a autorizá-lo a viajar. Na sexta-feira, ele foi retirado da embaixada num veículo diplomático, escoltado por militares brasileiros. Após 22 horas de viagem, ele chegou ao Brasil no sábado. O Itamaraty emitiu nota anunciando que investigará a ação e convocou o encarregado de negócios da embaixada para esclarecimentos. Patriota uma viagem à Finlândia. A Bolívia anunciou que pedirá a extradição do senador.

A fuga do senador boliviano Roger Pinto da Embaixada do Brasil em La Paz para Brasília, na noite de sábado, irritou ontem o Itamaraty e o governo da Bolívia. O Ministério das Relações Exteriores afirmou, em nota, que abrirá um inquérito para apurar as circunstâncias nas quais o opositor do presidente Evo Morales chegou ao País, A chancelaria boliviana declarou o político fugitivo da Justiça e acionou a Interpol.
O senador foi trazido ao Brasil pelo encarregado de negócios da embaixada em La Paz, Eduardo Sabóia, que estava no comando da embaixada desde o início de julho. O diplomata foi chamado ontem de volta a Brasília pelo Itamaraty, que, aparentemente, não tinha conhecimento da operação.
De acordo com o relato do presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado, Ricardo Ferraço (PMDB-ES), Pinto viajou em uma comitiva de dois carros da embaixada, com. placas consulares, e acompanhado de Sabóia e de dois fuzileiros navais que fazem a segurança da embaixada. Nas missões no exterior, os militares respondem não ao Ministério da Defesa, mas ao chefe da representação consular - no caso, Sabóia.
Ao fim de uma viagem de 22 horas de carro, onde passaram por cinco controles militares, incluindo os da fronteira, o diplomata teria ligado para Ferraço. "Ele me ligou e disse que estava com o senador em Corumbá, mas não tinha como, levá-lo até Brasília. Eu tentei falar com o presidente do Senado (Renan Calheiros) e outras autoridade, sem sucesso. Então, consegui um avião. Fui buscá-lo para levá-lo para Brasília", contou Ferraço.
Pinto está desde a madrugada de sábado na casado senador bra sileiro e dará uma entrevista na CRE amanhã. Ferraço afirma que Sabóia contou a ele que vinha conversando havia algum tempo com o Itamaraty sobre a situação do senador boliviano. "Ele me disse que a situação estava se tornando inadministrável. O senador estava com depressão, que sua saúde estava se deteriorando", disse. "Ele se sentia frustrado com a falta de uma solução e disse que, se tivesse uma oportunidade, resolveria. Nao sei se o governo acreditou. Conforme o relato de Ferraço, a iniciativa do diplomata foi "ousada e corajosa".
Na quinta-feira, em audiência na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, o ministro Antonio Patriota - que cancelou ontem uma viagem para a Finlândia em razão da fuga do boliviano - afirmou que a libertação do senador estava sendo "negociada no mais alto nível", mas que o governo brasileiro se recusava a tirá-lo da embaixada sem garantir sua segurança. No início de junho, o Itamaraty informava nos bastidores que negociava uma "saída discreta" para o caso.
Surpresa. Na Bolívia, a chancelaria do país acionou a Interpol, mas ministros de Evo disseram que o caso não afeta a relação bilateral. "A fuga converte o senhor Pinto em fugitivo da Justiça boliviana. Por isso, serão ativadas todas as ações legais correspondentes ao caso, tanto no direito internacional quanto em convênios bilaterais", afirmou o Ministério das Relações Exteriores da Bolívia.
Segundo o ministro de Interior, Carlos Romero, o status de fugitivo da Justiça foi dado porque o senador saiu do país sem passar por um posto de controle migratório. "Por meio da polícia boliviana, o governo acionou a Interpol, não só porque há um pedido de prisão contra ele, mas porque nao há registro de saída da Bolívia."
O senador, de 53 anos, refugiou-se em maio do ano passado na representação diplomática, Ele alega ser vítima de perseguição política por parte do governo, que o acusa de corrupção. Ele recebeu asilo diplomático do governo brasileiro, mas, sem um salvo-conduto do governo de seu país, não podia deixar a missão brasileira em La Paz. / COM EFE, REUTERS e AFP

ATAQUE QUÍMICO - PERMISSÃO DA SÍRIA À ONU SOB SUSPEITA

ATAQUE QUÍMICO - PERMISSÃO DA SÍRIA À ONU SOB SUSPEITA

AUTORIZAÇÃO SOB SUSPEITA
O Globo - 26/08/2013
 
Para EUA e Reino Unido, Damasco pode ter destruído provas do uso de armas químicas Forças Armadas. Soldados do Exército sírio patrulha bairro em Damasco: governo de Bashar a-Assad culpa os rebeldes pelo uso de armas químicas, na quarta-feira Alquimia. Ativistas fabricam máscaras químicas num subúrbio de Zamalka, em Damasco Washington e Moscou A oferta da Síria de permitir que especialistas da ONU vistoriassem bairros onde supostos ataques com armas químicas ocorreram na quarta-feira foi recebida com desconfiança pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido, que já discutem abertamente uma intervenção militar. Horas após o sinal verde de Damasco, os dois países afirmaram que o governo de Bashar al-Assad pode ter apagado evidências. "Tarde demais para ter credibilidade", afirmou o governo americano, fazendo crescer os temores de uma intervenção militar na Síria sem a autorização das Nações Unidas. Para Washington "há pouca dúvida" de que Assad usou armas químicas contra rebeldes. A oposição do país afirma que o governo vem bombardeando os locais onde, de acordo com eles, o regime usou armas químicas num massacre de até 1.300 pessoas. - O fato é que muita evidência foi destruída por bombardeios de artilharia - disse o chanceler britânico William Hague. O ministro da Informação da Síria, Omran al-Zoubi, rebateu afirmando que o país tem "provas incontroversas de que os terroristas usaram armas químicas", referindo-se aos rebeldes. Ele disse ainda que uma intervenção americana causaria um "turbilhão de fogo" e garantiu aos americanos que a ação militar não seria um "piquenique". Nos últimos dias, os planos de intervenção começaram a ser oficialmente discutidos. Obama analisou opções com seus assessores, conversou com o primeiro-ministro britânico, David Cameron, e, ontem, ligou para o presidente francês, François Hollande. A França, na semana passada, também já tinha defendido o uso da força na Síria. Uma ligação de Obama para a chanceler alemã, Angela Merkel, foi agendada. A Alemanha também afirma que há poucas dúvidas de que o governo matou civis com armas químicas. Hoje, generais do Reino Unido, França, Qatar, EUA e outros países favoráveis a troca de regime na Síria se reúnem para discutir o tema. Também começam os trabalhos da equipe da ONU para avaliar se houve uso de armas químicas. Especialistas nesse tipo de armamento afirmam que é possível detectar contaminação em pessoas anos após um ataque. A ONU afirmou que Assad concordou com um cessar-fogo enquanto durar a inspeção liderada pela alemã Angela Kane, a alta representante de temas de desarmamento das Nações Unidas. Em Damasco, no sábado, três hospitais registraram 355 mortes com sintomas neurotóxicos. A Rússia disse que qualquer ação unilateral na Síria seria um erro de "consequências catastróficas" para a região e solicitou respeito à investigação da ONU. O país pediu que Washington não cometa os "erros do passado", mencionando que a invasão ao Iraque foi justificada pela presença de armas químicas nunca encontradas. - Todos os patrocinadores da oposição, que têm influência sobre ela, devem buscar um acordo o mais rápido possível para que os opositores de Bashar al-Assad iniciem as conversas - disse Alexander Lukashevich, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, em referência a uma possível reunião de paz em outubro, sob liderança de Rússia e EUA. AMERICANOS SÃO CONTRA INTERVENÇÃO Moscou argumentou, ainda, que Assad não tem interesse em usar armas químicas, justamente por temer uma intervenção que favorecesse aos rebeldes, a quem é superior militarmente. O Irã, que, como a Rússia, reconhece o uso armas químicas e suspeita que os rebeldes as utilizaram, disse que Washington não deveria cruzar a "linha vermelha" e atacar a Síria. - Cruzar a linha vermelha da Síria terá consequências severas para a Casa Branca - disse Massoud Jazayeri, vice-chefe de Estado Maior do Irã. O senador democrata Jack Reed pediu cautela e disse que os EUA não deveriam intervir unilateralmente. Bob Corker, um republicano da comissão de relações exteriores do Senado, afirmou que discutiu a intervenção com o governo na semana passada. Ele acredita que Obama pedirá autorização ao Congresso, em recesso até o dia 9 de setembro, para agir na Síria. - Espero que, assim que voltarmos para Washington, o presidente peça autorização ao Congresso para fazer algo bem cirúrgico e de forma proporcional. Um ataque, porém, pode prejudicar a imagem interna de Obama, já que 60% dos americanos são contra uma intervenção na Síria, de acordo com uma pesquisa Reuters/Ipsos. Benjamin Netanyahu, o primeiro-ministro de Israel, advertiu que qualquer ataque sírio contra o país seria revidado. O presidente Shimon Perez defendeu que as armas químicas sejam "tiradas" da Síria. No ano passado, Rússia e China vetaram três tentativas de Londres e Washington de aprovar punições a Assad no Conselho de Segurança da ONU, como sanções econômicas e intervenção militar. Após a terceira derrota, em junho, o presidente americano, Barack Obama, definiu, dois meses depois, que o uso de armas químicas por Assad representava uma "linha vermelha" que, se ultrapassada, teria resposta americana.

Massacre e estado de emergência: O fim da Primavera no Egito

Massacre e estado de emergência: O fim da Primavera no Egito

Como na era Mubarak
O Globo - 15/08/2013
 

Governo indicado por militares massacra quase 300 partidários de presidente islamista deposto, traz de volta estado de emergência e retoma, na prática, lei marcial vigente na ditadura
Desespero. No acampamento pró-Mursi montado na mesquita de Rabaa al-Adawiya , no Cairo, uma mulher tenta impedir o avanço de um trator e proteger um ferido: além de bombas de gás, munição viva causou mortos e feridos
Força. Com apoio do Exército, tropas da polícia de choque se preparam para invadir mesquita em Rabaa Adawiya
CAIRO
Ao fim de um dia de horror que terminou com pelo menos 278 mortos, dois mil feridos, baixas no governo, um decreto de estado de emergência pelo período de um mês e a imposição de um toque de recolher nas ruas, foi uma declaração do ministro do Interior, Mohamed Ibrahim, o alvo da maior preocupação dos egípcios. O primeiro-ministro interino, Hazem el-Beblawy, defendeu a sangrenta ofensiva contra dois acampamentos de civis islamistas que defendiam a restituição do presidente deposto Mohamed Mursi ao poder. Mas Ibrahim fez a única promessa que arrepia igualmente a laicos e religiosos no Egito: a volta da estabilidade da ditadura de Hosni Mubarak.
- Eu prometo que assim que as condições se estabilizarem, que as ruas se estabilizarem, assim que possível, a segurança vai ser restaurada nesta nação como era antes de 25 de janeiro de 2011 - afirmou o ministro do Interior, referindo-se à data que deflagrou a revolução contra a virulenta ditadura do homem que governou o Egito por 29 anos.
A declaração foi vista como sinal da confiança renovada num aparato de segurança cuja brutalidade foi um dos maiores combustíveis da Primavera Árabe no Egito. E, depois de seis semanas de impasse político no país, o ataque de ontem contra os acampamentos da Praça Nahda e da mesquita Rabaa al-Adawiya - com blindados, tanques, disparos de rifles automáticos e gás lacrimogêneo - parece ter enterrado de vez qualquer esperança de um acordo político de reconciliação nacional, capaz de incorporar os islamistas partidários de Mursi ao novo governo interino apontado pelas Forças Armadas.
Ao contrário. Trata-se do mais claro indício de que o velho Estado policial do Egito está ressurgindo com força e desafiando manifestantes e políticos liberais no Gabinete - como o Nobel da Paz e vice-presidente Mohammed ElBaradei, que renunciou ontem em repúdio à violência. Além de provocar uma grave crise de segurança e confiança, o ataque despertou condenações internacionais e pôs o Egito mais próximo de uma guerra civil alimentada por islamistas furiosos com o sequestro do poder que conquistaram nas urnas. Levou de volta à quase estaca zero a revolução que se desenrolava desde 2011. E boa parte da culpa, alegam alguns analistas, é da liderança laica do país.
- Esta é a consequência de apoiar um golpe militar. Eles foram ingênuos. Eles têm sido ativos na adoração ao Exército, então por que mudar de ideia e se mostrar surpresos quando o general Abdel Fattah al-Sissi (o chefe das Forças Armadas) conduz a situação a seu curso militar natural? - questionou o analista político Shadi Hamid, do Centro Doha da Brookings Institution. - Agora não se pode mais falar de transição. O Egito assiste a uma nova era da revolução.
OCIDENTE PRESSIONOU PARA EVITAR OFENSIVA
A confusão nas ruas e o ultraje público e internacional diante do banho de sangue promovido ontem ainda não permitem avaliar com clareza o tamanho do retrocesso político no país. Por ora, dois fatores remetem, de fato, à odiada era Mubarak: o estabelecimento de um toque de recolher, previsto para vigorar até a manhã de hoje em 11 das 27 províncias do Egito e a volta do estado de emergência, que, na prática, equivale à retomada da odiada lei marcial da ditadura. Para milhares, o estado de exceção é uma das lembranças mais contestadas da era Mubarak por permitir prisões sem mandado, autorizar a interceptação de comunicações e proibir manifestações públicas. Os militares, porém, garantem que a medida é temporária, tendo previsão de duração de um mês.
- Nós achamos que as coisas chegaram a um ponto em que nenhum Estado com respeito próprio pode aceitar. Fomos forçados a intervir. Instruímos o Ministério do Interior a tomar todas as medidas para restabelecer a ordem, mas dentro da lei. As Forças Armadas observaram os mais altos graus de contenção - disse o premier Hazem el-Beblawy. - Se Deus quiser, vamos continuar. Vamos construir nosso Estado, civil e democrático.
Uma ofensiva contra os acampamentos vinha rachando o Gabinete formado pelos militares. Segundo fontes diplomáticas, logo após o fim do Ramadã, na semana passada, tanto Estados Unidos quanto União Europeia (UE) enviaram mensagens ao general Sissi e a ElBaradei insistindo na necessidade de uma solução negociada para a crise política no país.
- Tínhamos um plano político sobre a mesa que tinha sido aceito pela Irmandade Muçulmana. Eles podiam ter estudado esta opção, por isso, tudo o que aconteceu ontem foi desnecessário - lamentou o enviado da UE ao Egito, Bernardino Leon.
MILITARES FORAM ELEITOS GOVERNADORES
Os planos do general Sissi também são uma incógnita, embora ele já tenha dito não ter interesse num cargo político. Apesar de ter nomeado um presidente, um primeiro-ministro, um vice-presidente e todo um Gabinete, é ele a cara do governo. É ele o homem xingado nas ruas.
- Ele não só agiu (no golpe) ao ouvir as manifestações nas ruas contra Mursi como conseguiu recrutar o apoio de várias figuras públicas e políticos em manobras muito espertas - notou o professor de Ciência Política Mustapha Kamel Al-Sayyid, da Universidade do Cairo.
A Irmandade Muçulmana promete manter a luta contra o atual governo, mas não se sabe como. Tampouco está claro se as imagens da violência brutal das forças de segurança contra os islamistas serão capazes de sensibilizar os setores laicos da oposição, favoráveis ao golpe que destituiu Mursi em 3 de julho passado.
O que observadores apontam são indícios de intolerância e a sombra do velho autoritarismo característico da era Mubarak. Um dia antes da ofensiva contra os dissidentes, o governo interino fizera uma nomeação em massa de 25 governadores de províncias para substituir os titulares - islamistas - indicados por Mursi. Entre os novos governadores há nada menos que 19 generais, sendo 17 do Exército e dois da polícia. Entre os outros seis, civis, destacam-se dois ex-juízes leais a Mubarak e, na província mais importante do país, o Cairo, foi nomeado Galal Mostafa Saed, um velho amigo pessoal do ditador deposto e figura proeminente do antigo Partido Democrático Nacional de Mubarak.

Os que nem trabalham nem estudam

Os que nem trabalham nem estudam

Jovens sem trabalho e fora da escola são 1,5 milhão
Autor(es): Por Alessandra Saraiva | Do Rio
Valor Econômico - 09/08/2013
 

Cerca de 1,5 milhão de jovens entre 19 a 24 anos, concentrados nas faixas mais pobres da população brasileira, não trabalham, não estudam, nem procuram emprego - e o número de pessoas que se encaixam nesse perfil cresce. É o que mostra estudo feito por Joana Monteiro, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, batizado de "Os Nem-Nem-Nem: exploração inicial sobre um fenômeno pouco estudado". O levantamento, baseado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2011, mostra que o grupo de jovens desalentados (exclui donas de casa com filhos) já representava 10% da população nessa faixa etária. Com pouca escolaridade e baixa renda, eles podem elevar o desemprego se buscarem trabalho após os 24 anos ou serem permanentemente dependentes do governo.


Cerca de 1,5 milhão de brasileiros entre 19 a 24 anos, concentrados nas faixas mais pobres da população e excluindo donas de casa e mulheres com filhos, nem trabalham, nem estudam e nem procuram emprego e esse perfil tem crescido dentro do total da população jovem do país.
É o que mostra o estudo "Os Nem-Nem-Nem: Exploração Inicial Sobre um Fenômeno Pouco Estudado", da pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), Joana Monteiro. Para a especialista, o avanço desse perfil preocupa. A maioria desses jovens, com parcela significativa de baixa escolarização, podem ajudar a elevar o desemprego, caso decidam tentar a sorte no mercado de trabalho, após os 24 anos. "A baixa qualificação limita muito o tipo de trabalho que podem conseguir."
Além disso, o fato de pertencerem a famílias mais pobres, com pouca capacidade de sustentá-los, eleva a probabilidade de se tornarem dependentes do governo, avalia a especialista. Do total de 1,5 milhão, em torno de 46% podem ser considerados pobres, pois vivem em domicílios que estão entre os 40% mais pobres na distribuição de renda, segundo cálculos de Joana.
O recorte por faixa etária a partir de 19 anos é proposital, visto ser difícil encontrar jovens abaixo de 18 anos fora da escola, tendo em vista o avanço da escolaridade entre os brasileiros na última década, bem como a legislação envolvida em manter os jovens na escola, até essa idade.
O recorte por faixa etária a partir de 19 anos é proposital, visto ser difícil encontrar jovens abaixo de 18 anos fora da escola, tendo em vista o avanço da escolaridade entre os brasileiros na última década, bem como a legislação envolvida em manter os jovens na escola, até essa idade.
O levantamento, que trabalhou basicamente dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que, esses jovens desalentados, excluindo donas de casa e mulheres com filhos, já representavam 10% da população total de jovens nessa faixa etária em 2011 - um avanço em relação a 2006, quando a fatia era de 8%. "Nem mesmo a melhora nos indicadores de emprego, com aumento de vagas e de renda, estimulou a entrada desse jovem no mercado de trabalho", diz a pesquisadora da FGV.
O nome da pesquisa vem daqueles que "nem trabalham, nem estudam, nem procuram emprego", explicou Joana, usando expressão "nem-nem" que já vem sendo utilizada por economistas para delimitar jovens que não trabalham nem estudam.
Excluir donas de casa e mulheres com filhos, que também não trabalham, não estudam e nem procuram emprego, torna mais claro o possível impacto desse cenário no mercado de trabalho futuro, afirma Joana. A economista informou que, com a inclusão de donas de casa com filhos, essa fatia de "nem-nem-nem" na população entre 19 e 24 anos pularia para 17% dessa faixa etária - em torno de quatro milhões de pessoas.
No entanto, Joana observou que há probabilidade menor de que mulheres donas de casa com filhos, que não procuram vagas, conduzirem a um impacto negativo no emprego. Isso porque é relativamente baixa a perspectiva de que essa mulher vá procurar trabalho, em futuro próximo, porque já cuida da casa e dos filhos.
O mesmo não se pode dizer dos jovens desalentados sem filhos. Desses 1,5 milhão de jovens, 20% tinham menos de cinco anos de escolaridade - a maior fatia entre as faixas de estudo delimitadas. Ela considerou que, em um segundo momento, esses jovens podem se converter em adultos em busca de uma vaga. Mas a baixa qualificação tornaria difícil um lugar na população ocupada. Na prática, seriam mais pessoas em busca de trabalho, sem encontrar, impulsionando indicadores de desocupação.
Outro aspecto estudado por Joana é o ambiente domiciliar que permite esse jovem não trabalhar, não estudar e não procurar emprego. Ela admitiu que jovens de baixa escolaridade têm chance muito maior de serem inativos, quando estão em domicílios cuja renda conta com forte presença de benefícios sociais, como programas de transferência de renda. Mas essa não pode ser considerada a única explicação, frisou. "Impossível dizer se recebimento de benefícios sociais é causa ou consequência da inatividade", afirmou.
Para ela, o fenômeno não é puramente econômico. A figura protetora da mãe brasileira, disposta a sustentar os filhos até mais tarde, ajudaria na formação do cenário, segundo Joana. "Incentivar a entrada dos "nem-nem-nem" na população economicamente ativa está longe de ser trabalho fácil. O grupo não responde às condições do mercado de trabalho. É possível que essa parcela entre 8% e 10% [sem donas de casa e mulheres com filhos] seja um nível normal de inatividade", disse.

STF CONDENA SENADOR, MAS NÃO TIRA MANDATO

STF CONDENA SENADOR, MAS NÃO TIRA MANDATO

SUPREMO CONDENA SENADOR POR FRAUDE
Correio Braziliense - 09/08/2013
 


Pela primeira vez na história, o Supremo julgou e condenou um senador. Ivo Cassol (PP-RO) foi considerado culpado no crime de fraude a licitação e punido com 4,8 anos de prisão em regime semiaberto. Mas, em vez de determinar a perda automática do cargo eletivo, como fez no caso do mensalão, o tribunal reviu o entendimento e deixou para o Senado a decisão de cassá-lo ou não. A mudança de posição do STF se deve à entrada em cena dos dois últimos ministros nomeados por Dilma: Teori Zavascki e Roberto Barroso. Foi o voto dos dois que fez o placar anterior, de 5 a 4, mudar para 6 a 4 (Luiz Fux não participou dessa decisão). A expectativa é de que o novo entendimento interfira também no julgamento dos recursos dos réus do mensalão.

O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou ontem, por 10 votos a zero, o senador Ivo Cassol (PP-RO) a 4 anos, 8 meses e 26 dias de prisão em regime semiaberto e multa de R$ 201,8 mil pelo crime de fraude em licitações. O delito foi cometido entre 1998 e 2002, quando o parlamentar exercia o cargo de prefeito da cidade de Rolim de Moura, em Rondônia. O congressista ficará em liberdade até o julgamento de eventuais recursos que poderá protocolar na própria Suprema Corte. Os ministros definiram que caberá ao Senado deliberar sobre a perda do mandato de Cassol, decisão que deve interferir no caso dos réus detentores de cargo eletivo condenados no julgamento do mensalão.
Na Ação Penal 470, o STF havia determinado por cinco votos a quatro a perda do mandato dos parlamentares condenados, cabendo ao Congresso apenas cumprir a ordem. No entanto, diante da chegada de dois novos ministros à Corte, o entendimento acabou modificado ontem. Teori Zavascki e Luís Roberto Barroso consideram que cabe ao Legislativo definir se cassará ou não o mandato do congressista. Ambos foram decisivos para a formação do placar de seis a quatro — Luiz Fux, que é contrário a essa corrente, não participou do julgamento de Ivo Cassol, pois já havia atuado no processo quando ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O presidente do STF, Joaquim Barbosa, alertou para a possibilidade de ocorrer a "incoerência" de um parlamentar que perdeu os direitos políticos e condenado ao semiaberto — regime no qual é permitido trabalhar durante o dia — exercer o mandato no Congresso até as 18h e depois ter que se recolher no estabelecimento próprio para o cumprimento da pena. "Pune-se mais gravemente quem exerce responsabilidade maior, essa deve ser a regra. Quanto mais elevada a responsabilidade, maior deve ser a punição, e não o contrário", afirmou Barbosa.
Luís Roberto Barroso ponderou, no entanto, que a Constituição é clara quanto à prerrogativa exclusiva do Legislativo para decretar a perda do mandato de parlamentares. "Eu lamento que tenha essa disposição, mas ela está aqui. Comungo da perplexidade de Vossa Excelência, mas a Constituição não é o que eu quero, é o que eu posso fazer dela", disse.
No julgamento, iniciado na quarta-feira e concluído ontem à noite, Ivo Cassol e os outros oito réus do processo acabaram absolvidos da acusação de formação de quadrilha. Já por fraude, além do senador foram condenados a 4 anos e 9 meses de prisão Salomão da Silveira e Erodi Antonio Matt, que eram respectivamente presidente e vice-presidente da Comissão de Licitações de Rolim de Moura.
A sessão de ontem acabou presidida pelo vice-presidente Ricardo Lewandowski até a chegada, já no fim da tarde, de Barbosa ao plenário. Ele acompanhou a maior parte do julgamento de seu gabinete por ter sentido dores na coluna. O julgamento foi concluído menos de 10 dias antes do prazo em que os crimes prescreveriam: 17 de agosto.
"Conluio"
De acordo com a denúncia do Ministério Público, o esquema criminoso consistia no fracionamento ilegal de licitação de obras e serviços de modo que somente empresas envolvidas no "conluio" disputavam o procedimento. Relatora do processo, a ministra Cármen Lúcia destacou que houve a intenção de fraudar 12 licitações durante o período em que Cassol comandou a Prefeitura de Rolim de Moura. O STF definiu que não houve formação de quadrilha, uma vez que não se comprovou a reunião de mais de três acusados para a prática dos crimes.
"O fato é que houve direcionamento das empresas pelo município de Rolim de Moura", frisou o revisor da ação, Dias Toffoli. Ricardo Lewandowski acrescentou. "Ocorreu, a meu ver, um conluio entre a administração do município e as empresas que participavam das licitações", afirmou.
Em nota, Ivo Cassol diz que continuará exercendo o mandato, que termina em 31 de janeiro de 2019. "Sou inocente e vou recorrer em liberdade da sentença que fui condenado! Não houve direcionamento às empresas beneficiadas e muito menos fracionamento dos processos licitatórios conforme denúncia contra mim apresentada", destacou o parlamentar, primeiro senador condenado na história do STF

IDH municipal avança em 20 anos; educação ainda é desafio

IDH municipal avança em 20 anos; educação ainda é desafio

IDHM avança 47%, mas ‘freia’ na Educação
O Estado de S. Paulo - 30/07/2013
 


Em 20 anos, o índice de Desenvolvimento Humano dos Municípios brasileiros (IDHM) avançou 47,8%. De um país dominado por municípios que não chegavam a alcançar um desenvolvimento médio - mais de 80% eram classificados, em 1991, como de índice muito baixo - o Brasil hoje chegou a 1/3 altamente desenvolvido. No entanto, apesar de um avanço de 128%, o índice de educação continua sendo apenas médio.


Em 20 anos, o Índice de Desenvolvimento Humano dos Municípios brasileiros (IDHM) avançou 47,8%. De um País dominado por municípios que não conseguiam nem mesmo alcançar um desenvolvimento médio - mais de 80% eram classificados, em 1991, como muito baixo -o Brasil hoje chegou a 1/3 altamente desenvolvido. As boas notícias, no entanto, poderiam ter sido ainda melhores se o País tivesse começado a resolver antes o seu maior gargalo, a Educação. Dos três índices que compõe o IDHM, é esse que puxa a maior parte dos municípios para baixo.
Apesar de um avanço de 128%, o IDHM de Educação continua sendo apenas médio. O avanço é inegável. O mapa da evolução dos IDHMs mostra que, em 1991, quando o índice foi publicado pela primeira vez, o Brasil não apenas tinha um perfil muito ruim, era também extremamente desigual, com as poucas cidades mais desenvolvidas concentradas totalmente no Sul e Sudeste.
Os dados deste ano mostram que os mais pobres conseguiram avançar mais.Estão nas Regiões Norte e Nordeste as cidades que tiveram o maior crescimento do IDH- como Mateiros (TO), que alcançou 0,607, um IDH médio, mas 0,326 pontos maior do que há 20 anos.
É na Educação que as disparidades mostram sua força. Apenas cinco cidades alcançaram um IDHM acima de 0,800, muito alto, em Educação. Nenhum dos Estados chegou lá. Os melhores, Distrito Federal e São Paulo, foram classificados como Alto IDHM. Mais de 90% dos municípios do Norte e Nordeste têm índices baixos ou muito baixos, enquanto no Sul e Sudeste mais da metade das cidades têm números nas faixas média e alta.
A comparação entre Águas de São Pedro (SP), a cidade com melhor IDHM de Educação do País, e Melgaço (PA), com o pior IDHM, tanto geral quanto em Educação, é um exemplo dos extremos do País. Em Melgaço, a 290 quilômetros de Belém, chega-se apenas de helicóptero ou barco, em uma viagem que pode durar 8 horas. Dos seus 24 mil habitantes, apenas 12,3% dos adultos têm o ensino fundamental completo. Entre crianças de 5 e 6 anos, 59% estão na escola, mas só 5% dos jovens de 18 a 20 anos completaram o ensino médio.
Águas de São Pedro, a 187 quilômetros da capital paulista, tem 100% das crianças na escola e 75% dos jovens terminaram o ensino médio. Em 1991, mesmo considerando os critérios educacionais mais rígidos do IDHM atuais, o município já era o 12.0 melhor do País. Melgaço, era o 97.° pior, o que mostra que melhorou menos do que poderia.
A Educação é onde os municípios brasileiros estão mais longe de alcançar o IDH absoluto, 1. Os números mostram que o País melhorou mais no fluxo escolar - mais crianças estão na escola e na idade correta -, mas mantém um estoque alto de adultos com escolaridade baixa e, mais grave, parece ainda estar criando jovens sem estudo.
A população de crianças de5e 6 anos que frequentam a escola atinge mais de 90%. Entre os jovens de 15 a 17 anos, apenas 57% completaram o ensino fundamental. Entre 18 e 20,41% concluíram o ensino médio. Em 15% das cidades brasileiras menos de 20% da população terminou o ensino fundamental.
Análises. "O que pesa mais é o estoque de pessoas com pouca formação na população adulta. Se você olhar com atenção, verá que nas pontas, acima dos 15 anos, os indicadores já não são tão bons quanto nos anos iniciais", disse Maria Luiza Marques, coordenadora do Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil pela Fundação João Pinheiro, uma das entidades organizadoras.
O presidente do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea),Marcelo Néri, considera o avanço na Educação "muito interessante". "A Educação é a mãe de todas as políticas, mas é difícil de mudar, porque tem uma herança muito grande para resolver. A Educação é a base de tudo e hoje está no topo das prioridades. Mudou a cabeça dos brasileiros."

INVESTIMENTO BRASILEIRO NO EXTERIOR AUMENTA 60%

INVESTIMENTO BRASILEIRO NO EXTERIOR AUMENTA 60%

EMPRESAS BRASILEIRAS AMPLIAM INVESTIMENTO DIRETO NO EXTERIOR
Valor Econômico - 29/07/2013
 

De janeiro a junho, as empresas com sede no Brasil fizeram investimentos diretos no exterior de US$ 11,3 bilhões. Esse valor, que representa um aumento de 60% em relação ao mesmo período do ano passado, mostra que as companhias brasileiras retomaram o processo de internacionalização que, após uma onda em 2010 e 2011, havia perdido fôlego ao longo de 2012. A expansão dos negócios brasileiros no exterior decorre, em parte, do cenário interno mais morno, que desestimula investimentos, e de problemas de competitividade no país, como a inflação e os custos.
O Brasil passou a ser neste ano uma importante fonte de investimentos feitos por montadoras de veículos e fabricantes de autopeças no exterior. Só no primeiro semestre, quase US$ 1 bilhão saíram do país com essa finalidade, valor recorde, mas ainda inferior às remessas de lucros às matrizes no período, de US$ 1,5 bilhão. São recursos direcionados a aportes de capital adicionais em subsidiárias, aquisições ou criação de novos negócios. Esses investimentos do setor foram os maiores da indústria de transformação no semestre e se aproximam dos realizados pela indústria petroleira, a que mais investe fora do país, com US$ 1,1 bilhão.

Com um cenário interno mais morno e várias barreiras de competitividade no país, como a inflação e o aumento dos custos, as empresas brasileiras aproveitam para expandir os negócios no exterior.
É o que apontam os dados mais recentes do Banco Central (BC) relativos aos investimentos brasileiros diretos no exterior. A parte desse montante destinada ao aumento de capital em outros países - aplicações feitas na criação, ampliação ou aquisição de novos negócios - teve aumento de 60,6% no primeiro semestre de 2013 ante o mesmo período em 2012. Até junho as empresas com sede no Brasil investiram US$ 11,3 bilhões em novos negócios no exterior, retomando um processo de internacionalização que, após uma leva de expansão em 2010 e 2011, havia perdido fôlego no ano passado.
"Várias razões têm levado as empresas brasileiras a buscarem espaço fora", diz Luis Afonso Lima, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet). "Pode ser um mercado que já está saturado no Brasil, pode ser para estar mais próximo da matéria-prima, ou então para buscar em outros países expertise que não temos aqui."
É o que acontece, por exemplo, com o setor de tecnologia da informação, diz Lima, citando o exemplo da Stefanini, empresa brasileira de tecnologia que fez diversas aquisições internacionais desde 2009, focadas principalmente no mercado dos Estados Unidos. O setor tem pouco peso na balança comercial, mas seu tamanho triplicou em 2013: os investimentos das companhias nacionais de TI em outros países passaram de US$ 11 milhões no primeiro semestre de 2012 para R$ 32 milhões nos seis primeiros meses deste ano.
"É natural imaginar brasileiros investindo no exterior", diz Fábio Silveira, analista da GO Associados. "O risco do país piorou sob a ótica internacional, passa por piora doméstica, por período de inflação alta. Tudo isso estimula o investidor a pôr mais dinheiro lá fora."
Isso não significa, porém, que esteja ocorrendo um desinvestimento no país e uma fuga do capital para outras regiões. "Os investimentos internos desaceleraram, mas não estão caindo", destaca Lima. Ele lembra que o nível de internacionalização das empresas brasileiras é ainda muito pequeno, mesmo se comparado a outros países emergentes.
Entre 2011 e 2012, enquanto os emergentes aumentaram a sua participação no bolo total de investidores externos de 25,2% para 30,6% - os Brics passaram de 12,9% para 15,5% -, o Brasil perdeu espaço, com queda de US$ 3 bilhões no total de capitais aplicados fora do país, segundo dados da Conferência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento (Unctad). "A internacionalização é um caminho que vem sendo trilhado por todos os emergentes, e aqueles que não fizerem terão dificuldades em competir mais à frente. E o Brasil ainda faz pouco", afirma Lima.

Retratos do Brasil: Sobe desemprego entre os jovens

Retratos do Brasil: Sobe desemprego entre os jovens

Jovens na rua. No olho da rua
O Globo - 25/07/2013
 

Enquanto a desocupação ficou em 6% no país, segundo o IBGE, a taxa de desemprego entre jovens de 16 a 24 anos subiu de 14,6% para 15,3% em junho. O índice é ainda maior nas regiões metropolitanas de Salvador e Recife.
Desemprego em junho sobe para 15,3% no grupo de 16 a 24 anos
Reflexos do Pibinho
Protagonistas de boa parte dos grandes eventos que varrem o país - as manifestações nas ruas, a Copa das Confederações e a Jornada Mundial da Juventude - os jovens também estão no centro das estatísticas nada positivas do desemprego: eles são as principais vítimas da demora na retomada da economia e do esfriamento do mercado de trabalho. A taxa de desemprego entre os que têm de 16 a 24 anos, subiu de 14,6% para 15,3% em junho, mais do que o dobro dos 6% registrados para a média de todas as idades, de acordo com dados divulgados ontem pelo IBGE. O contingente de jovens desempregados atingiu 579.974 pessoas, o equivalente a sete Maracanãs lotados.
Andressa Cristina Amaral, de 21 anos, engrossa, desde anteontem, esse "público" do desemprego. Após dois anos e meio trabalhando como vendedora em uma loja na Tijuca, resolveu pedir demissão, com outros quatro colegas, por se sentir explorada pelo patrão. Com o Ensino Médio completo, a jovem, que é mãe solteira de uma menina de 2 anos, está em busca de uma oportunidade como assistente administrativa, mas sabe que a falta de um diploma de graduação e a pouca experiência na área são barreiras.
- Sempre pedem alguém que seja formado ou esteja cursando faculdade. A experiência é outro problema. Já perdi uma oportunidade porque pediam seis meses de experiência, mas eu só trabalhei três meses na função - conta ela, que sonha cursar faculdade de Administração.
Apesar da ajuda dos pais e da pensão alimentícia paga pelo pai da criança, Andressa teme passar muito tempo desempregada. Em 2011, amargou cinco meses sem trabalho.
- Naquela época, eu trabalhava em uma loja, pelo programa Jovem Aprendiz. Fui mandada embora um mês depois que a Vitória nasceu. Por um lado foi bom porque fiquei cuidando da minha filha, mas eu precisava trabalhar.
cenário é pior no nordeste
A situação de Francisco Ponce, também de 21 anos, é mais complicada. Ele não concluiu o Ensino Médio e está há dois anos em busca do primeiro emprego com carteira assinada. Mora com os pais em Belford Roxo e, além da baixa escolaridade, diz que o local de moradia é outra desvantagem.
- Já fiz várias entrevistas. Quando perguntam a escolaridade, me descartam. Ano passado, surgiu uma oportunidade, mas não pude aceitar porque eles não queriam pagar o transporte. Moro longe...
Para ajudar com as contas da casa, faz bicos trabalhando em obras e em um lava-jato. Olhando para o futuro, promete voltar a estudar e concluir o Ensino Médio, a fim de aumentar suas chances.
A falta de experiência e de qualificação costumam explicar o porquê de os jovens estarem sujeitos tradicionalmente a taxas mais elevadas de desocupação. O cenário que aponta alta do desemprego pega primeiro esse grupo, o primeiro na fila dos cortes.
- A dificuldade de inserção em um cenário conturbado fica ainda mais difícil para eles. Os jovens são mais inexperientes e mais fáceis de descartar - afirma o gerente da Pesquisa Mensal do Emprego, do IBGE, Cimar Azeredo.
Enquanto a taxa de desemprego na média do país subiu pela primeira vez neste ano em junho, para os jovens ela já teve três avanços em 2013. A situação é mais complicada para os que vivem na região Nordeste. Em Salvador, a desocupação chegou a 18,5% e em Recife, a 17,6%. São Paulo tem uma taxa de 16,6% e o Rio, de 15,4%. Belo Horizonte e Porto Alegre são as regiões com taxas menores entre os jovens: 10,5% e 10%, respectivamente.
O ritmo de deterioração do emprego também é maior entre os que têm entre 16 e 24 anos. O desemprego subiu 1,4 ponto percentual em junho em relação ao mesmo mês do ano passado para adolescentes e jovens. Na média de todas as idades, a alta foi de 0,1 ponto percentual.
O que a alta taxa de desemprego não explica é se os jovens estão se dedicando mais aos estudos ou se engrossam as fileiras dos chamados "nem nem", aqueles que nem trabalham, nem estudam.
- É preciso investir em uma série de políticas públicas ligadas à educação e à formação técnica mais qualificada para esses jovens - afirma a economista Ana Lucia Barbosa, do Ipea.
pessimismo com o Segundo semestre
No total das seis regiões pesquisadas pelo IBGE, a alta da desocupação - de 5,8% em maio para 6% em junho - fez com que boa parte de consultorias e bancos passasse a esperar por novas altas na taxa de desemprego no segundo semestre, época em que, tradicionalmente, o mercado de trabalho é mais vigoroso por causa das encomendas das festas de fim de ano.
Corroída pela inflação, a renda do trabalhador brasileiro registrou a quarta queda consecutiva. Caiu 0,2% em relação a maio. Já na comparação com junho do ano passado, houve elevação de 0,8%.
A Rosenberg & Associados revisou de 5,5% para 5,7% a previsão para o desemprego este ano. A economista-chefe da consultoria, Thais Marzola Zara, vê com preocupação a estabilidade da massa salarial real e o recuo de 3,3% na ocupação do setor industrial no mês passado.
- Como a economia está demorando a se recuperar, a confiança dos agentes está em queda. Fica difícil ver isso refletido em uma melhora do mercado de trabalho.

PARA O PAPA, "JUVENTUDE ESTÁ EM CRISE" E CORRE O RISCO DE "NUNCA TRABALHAR"

PAPA DIZ QUE FALTA DE TRABALHO PODE CRIAR ‘GERAÇÃO PERDIDA’

PARA O PAPA, "JUVENTUDE ESTÁ EM CRISE" E CORRE O RISCO DE "NUNCA TRABALHAR"
Autor(es): Jamil Chade
O Estado de S. Paulo - 23/07/2013
 

Em discurso no Palácio Guanabara, Francisco cobrou educação e estrutura para jovens; Dilma pediu apoio para iniciativas globais; Quebrando o protocolo, papa andou sem blindagem, ficou preso em congestionamento e beijou crianças
Em seu primeiro discurso no Brasil, diante da presidente Dilma Rousseff e de autoridades no Palácio Guanabara, no Rio, papa Francisco cobrou educação e meios materiais para que os jovens possam se desenvolver, e deixou claro que sua viagem terá forte caráter político. No avião que o trouxe ao Brasil, ele alertou para o risco de se criar uma geração perdida diante da incapacidade de os jovens encontrarem trabalho em todo o mundo. Dilma criticou em seu discurso os protestos que têm tomado o País e pediu a participação do pontífice para "transformar iniciativas pontuais em globais". Ao chegar, Francisco embarcou em um carro sem blindagem. No trajeto até o centro, com os vidros abaixados, ficou preso em congestionamento e saudou fiéis. Também andou de papamóvel aberto e beijou crianças. Hoje, ele não tem agenda pública. Amanhã, vai a Aparecida (SP), onde anteontem uma bomba de fabricação caseira foi encontrada no banheiro do Santuário.

Em seu primeiro discurso no Brasil, diante da presidente Dilma Rousseff de políticos e autoridades no Palácio Guaitábara, no Mo, o papa Francisco cobrou educação e meios materiais para que os jovens possam se desenvolver, e deixou claro que sua viagem ganhará forte caráter político. Antes mesmo de desembarcar, ainda no avião que o levou ao Brasil, o papa fez um ataque direto às receitas dos governos para lidar com a crise internacional. E alertou para o risco de se criar uma geração perdida diante da incapacidade de os jovens encontrarem trabalho.
Francisco ainda cobrou os políticos. "A nossa geração se demonstrará à altura da promessa
contida em cada jovem quando souber abrir-lhes espaço: tutelar as condições materiais e imateriais para o seu pleno desenvolvimento, oferecer a ele fundamentos sólidos, sobre os quais construir a vida, garantir-lhe segurança e educação, para que se torne aquilo que pode ser", disse o pontífice.
Oficialmente, Francisco viajou ao Brasil para participar da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), mas aproveitará a semana que passará no Brasil para dar indicações do que pretende como papa, fará alertas aos políticos e se reunirá com cardeais para debater a situação latino-americana.
O alerta sobre o impacto da crise mundial foi primeiro dado ainda no avião. Aos jornalistas, revelou sua preocupação com a exclusão social, principalmente no caso dos jovens. "Essa primeira viagem é para encontrar os jovens. Não em isolamento, mas no contexto de suas sociedades", disse. "Quando nós isolamos os jovens, fazemos uma injustiça. Eles pertencem a uma família, a uma cultura, á um país e a uma fé, Não podemos isolá-los da sociedade. Por isso é que quero encontrar os jovens em seu tecido social."
O pontífice continuou: "É verdade que a crise global não tem sido suave com os jovens. Li, na semana passada, quantos deles estão sem trabalho e acho que estamos correndo o risco de criar uma geração que nunca trabalhou", alertou o papa.
Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) apontam que, em alguns países, mais de 50% dos jovens estão sem emprego e, pior, sem perspectiva de trabalho (mais informações abaixo) . "A juventude está em crise", alertou o pontífice. "Estamos acostumados com uma cultura descartável. Fazemos isso com frequência com os idosos e, com a crise, estamos fazendo o mesmo com o j ovem. Precisamos de uma cultura de inclusão"-, continuou Francisco.
Para o papa, o problema da exclusão também afeta os mais idosos - e não só os jovens. "É verdade que os jovens são o futuro do povo, porque têm energia. Mas eles não são os únicos que representam o futuro. Os idosos também, porque têm a sabedoria da vida."
"Momento oportuno". Francisco afirmou que chega ao País em um "momento oportuno", por causa dos protestos, e dá o primeiro sinal concreto de sua simpatia pelos movimentos sociais que ganharam as ruas - ontem, manifestantes tomaram a região central do Rio e houve novamente confrontos (mais informações na página A14).
O argentino, porém, deixou claro que não chegou para desafiar e quer um "diálogo de amigos". Não por acaso, teceu longos elogios ao Brasil e à sua população. "Nesta hora, os braços do papa se alargam para abraçar a nação inteira brasileira, na sua complexa riqueza humana, cultural e religiosa", declarou. "Desde a Amazônia até os Pampas, dos Sertões até o Pantanal, dos vilarejos até as metrópoles, ninguém se sinta excluído do afeto do papa."
Fé, Em português e com leve sotaque, o papa brincou durante discurso no Palácio Guanabara, quando se dirigiu aos jovens e usou linguagem pouco habitual para um pontífice. "Cristo bota fé nos jovens", disse, destacando uma das motivações da Jornada. Mas alertou: "Também os jovens botam fé em Cristo". Abusando de expressões, o pontífice chegou a dizer que "os filhos no Brasil são a menina dos nossos olhos".
"Aprendi que, para ter acesso ao povo brasileiro, é preciso ingressar pelo portal do seu imenso coração. Por isso, permitam me que nesta hora eu possa bater delicadamente a esta porta", discursou. "Não tenho ouro nem prata, mas trago o que de mais precioso me foi dado Jesus Cristo."